Embolando Palavras

Leituras de Borges

[Enquanto chove]

“Notei que mal me prestava atenção. O medo elementar do impossível, e no entanto certo, o aterrorizava. Eu, que não fui pai, senti por esse pobre moço, mais íntimo que um filho da minha carne, uma onda de amor.”

“Só os indivíduos existem, se é que existe alguém. O homem de ontem não é o homem de hoje, sentenciou algum grego.”

“Salvo nas severas páginas da História, os fatos memoráveis prescindem de frases memoráveis. Um homem a ponto de morrer quer se lembrar de uma gravura entrevista na infância; os soldados que estão por entrar na batalha falam do barro ou do sargento. Nossa situação era única e, francamente, não estávamos preparados. Falamos, fatalmente, de literatura; temo não haver dito outras coisas que as que costumo dizer aos jornalistas. Meu alter ego acreditava na invenção ou descobrimento de metáforas novas; eu, nas que correspondem a afinidades íntimas e notórias e que nossa imaginação já aceitou. A velhice dos homens e o acaso, os sonhos e a vida, o correr do tempo e da água.”

(O outro – O livro de areia, 1975)

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2 opiniões sobre “Leituras de Borges

  1. alissoncal em disse:

    Moacy, é uma honra tê-lo por aqui. Volte sempre. Abraços.

  2. Oi,
    a partir do blogue de Sheyla Azevedo aqui cheguei. E tive boas surpresas, já que também sou leitor da Carta Capital e da Capital Maior.

    Um abraço.

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