Embolando Palavras

Michael Jackson, o olimpiano

O sociólogo francês Edgar Morin, ao analisar a cultura de massa, denominou de “olimpianos” as celebridades da indústria cultural onipresentes na mídia. Morin descreve o olimpiano como “um ser especial”, cujas características “o distinguem dos demais mortais”. A pessoa que se torna um olimpiano, prosssegue o pensador, “passa a ocupar um outro lugar no mundo: o lugar do ser adorado, idolatrado, vangloriado”.

Michael Jackson, certamente, era um olimpiano. Encarnando, com ajuda midiática, o papel mitológico que o transformava em “sobre-humano”, o astro pop se transformou em objeto de identificação para seus milhões de fãs espalhados pelo mundo. A morte repentina do ídolo não só surpreendeu os seguidores, mas os deixou órfãos do sonho de compartilhar do mundo de fantasias em que ele vivia.

Mas a comoção com a morte inesperada de Michael Jackson não atingiu somente os seus fãs. Todos, em certa medida, foram capturados pela história do menino de talento sobrecomum que virou o maior ícone da música pop americana. De repente, sob o impacto da sua melancólica partida, somos impelidos a olhar com uma condescendência cúmplice para o comportamento excêntrico do cantor. É quando nos identificamos, involuntariamente, com o que Morin chama de “substância humana” do super astro.

Michael Jackson, como tantos outros olimpianos, era tão onipresente que nos sentíamos ligados a ele de alguma maneira. O cantor paraibano Chico César, em entrevista à Terra Magazine, disse que não sabia que era “tão ligado afetivamente” ao rei do pop, a quem chamou de “máquina de ilusão”. Nós também não sabíamos, Chico.

Mas a verdade é que nos considerávamos íntimos dele, porque, graças às notícias diárias que a imprensa de massa nos fornecia,  sabíamos quase tudo sobre sua vida. Então, é compreenssível que tenhamos nos sentido abandonados quando da sua morte. É como se entendêssemos que Michael Jackson, ao se tornar ídolo, abriu mão do controle da própria vida e, por isso, não tinha o direito de nos deixar assim, sem ao menos uma despedida.

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