Embolando Palavras

A “caixa-preta” do DEM

Logo que estourou a crise no Senado Federal e a imprensa começou a centrar fogo no presidente José Sarney (PMDB/AP), o outrora aliado DEM, convenientemente, abandonou o barco do senador do Maranhão/Amapá.

Numa demonstração inacreditável de cinismo, o partido liderado por José Agripino (RN) passou a exigir a moralização da casa dos Guardiões da Repúlica.

A caneta da primeira-secretaria está com um senador do DEM há mais de 10 anos. Atualmente, é o senador Heráclito Fortes (PI) que ocupa o cargo estratégico na mesa-diretora.

O surto de moralidade do DEM não passa de moralismo encenado, ética de conveniência, representação tragicômica de um velho enredo conhecido dos demos.

Já havia comentado aqui no blog sobre o oportunismo do DEM. O ex-PFL abandonou José Sarney na atual crise exatamente como pulou fora quando a ditadura militar começou a naufragar.

Na edição desta semana, nas bancas desde ontem, a revista Isto É revelou o esquema milionário operado pelo DEM na primeira-secretaria do Senado.

De acordo com a reportagem, as empresas que quisessem fazer parte da lista de fornecedores do Senado eram obrigadas a pagar propina de até 30% sobre o valor dos contratos.

O esquema era operado pelo ex-presidente da Comissão de Licitação da Casa, Aloysio de Brito Vieira. A maracutaia, segundo Isto É, funciona com a conivência ou participação de alguns senadores do DEM.

A Ipanema Empresas de Serviços Gerais de Transportes Ltda. recebia cerca de R$ 30 milhões por ano pela terceirização dos funcionários da agência, jornal, rádio e TV da Casa. A empresa teve que pagar R$ 300 mil reais por mês para o primeiro-secretário Efraim Morais (DEM-PB), ocupante da primeira-secretaria entre 2005 e 2008.

O senador paraibano, continua a revista, também teria recebido propina de outras duas empresas: Delta Engenharia Indústria e Comércio Ltda. e Brasília Informática.

A Isto É detalhou como Aloysio de Brito Vieira se tornou a peça central no esquema comandado pelo DEM no Senado:

Ligado ao senador paulista Romeu Tuma (que foi primeiro-secretário pelo DEM e hoje é filiado ao PTB), Aloysio entrou no Senado como servidor efetivo em 1982 e trabalhou no setor de compras e serviços a partir de 1999.

Em 2003 deixou a área formalmente, mas continua a manter contatos com as empresas fornecedoras. Em março de 2008, Aloysio assumiu outra área sensível na Casa.

Pelas mãos de Efraim, foi guindado à presidência da comissão encarregada de cuidar da verba indenizatória. Ali, atestou as suspeitas notas apresentadas pelos senadores.

Este ano, em meio à crise em que mergulhou a Casa, Aloysio foi acomodado, por orientação do novo primeirosecretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), numa pequena sala localizada na gráfica da Casa. Submergiu para sair dos holofotes.

Mas o setor de compras pouco mudou de mãos. Sem alarde, seu sócio e primo Max Silveira Vieira foi nomeado por Heráclito na terça-feira 7, por meio do ato número 35 de 2009, para a Comissão de Gestão de Contratos.

Aloysio virou diretor da Subsecretaria de Administração de Compras e Serviços em 1999. Antes comandou pelo menos cinco licitações na gráfica da Casa.

(…)

Depois que começou a operar a caixa-preta do DEM no Senado, Aloysio engordou seu patrimônio. Construiu uma mansão avaliada em R$ 2 milhões em Pirenópolis (GO), comprou apartamentos, carros de luxo, terrenos e, em sociedade com Max, um restaurante, o Unanimitá.

A revista informa que o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Aloysio de Brito Vieira, conhecido como “o operador do DEM“, por formação de quadrilha, corrupção ativa e crimes da lei de licitações.

Em outra ação civil por improbidade administrativa, ele poderá ser condenado a restituir R$ 36,8 milhões ao Senado, por desvios nas licitações para contratação de veículos, de vigilância desarmada e para serviços de rádio e televisão.

A reportagem da Isto É tentou falar com os senadores Efraim Morais e Heráclito Fortes (o bufão auto-entitulado “moralizador da crise”), mas os demos não se manifestaram sobre as denúncias.

Há um grupo de senadores que, segundo a publicação, promete fazer uma devassa nos contratos do Senado para acabar com a “liberdade do DEM” na primeira-secretaria. Esse grupo decidiu enviar ao Ministério Público Federal uma representação pedindo auditoria em todos os contratos do Senado nos últimos quatro anos.

Enquanto isso, a crise anda e la nave va (mas a máscara dos demos caiu de uma vez por todas).

Para ler a íntegra da reportagem da Isto É, clique aqui.

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