Embolando Palavras

Ecos do passado assombram a Bahia

No Brasil, farsa e política quase sempre caminham juntas.

A chamada realpolitik segue a cartilha do pragmatismo exacerbado, em detrimento dos valores democráticos, republicanos e ideológicos.

Apesar de surgirem tímidos focos que prefiguram novos tempos, os ecos da velha cultura política oligárquica, principalmente no Nordeste, insistem em nos assombrar.

Muitos dos antigos coronéis sairam de cena, mas alguns ainda resistem – enquanto surgem outros, com nova roupagem, mas com o mesmo verniz conservador.

Em 2006, a vitória do petista Jaques Wagner na disputa pelo Governo da Bahia encerrou um longo período de domínio político da oligaquia do falecido Antônio Carlos Magalhães (ACM).

Em nome da governabilidade, Jaques Wagner precisou compor com o PMDB de Geddel Vieira Lima, atual ministro da Integração Nacional do Governo Lula.

O DNA político do ministro tem raízes históricas com os ecos do passado da política baiana. Geddel Vieira Lima bebeu na fonte do coronelismo de ACM, posteriormente seu inimigo declarado. 

Geddel e o famigerado PMDB atracaram no novo governo petista, passando a comandar duas importantes secretarias: Infraestrutura e Indústria e Comércio.

No sábado passado (11/07), o que era a crônica de um rompimento anunciado se confirmou. Geddel anunciou o rompimento com Wagner, quase três anos depois de integrar o governo petista.

Em entrevista à Terra Magazine, o deputado federal Emiliano José (PT-BA), esclarece as razões do rompimento:

Geddel tem sido grosseiro com um aliado, com um governo no qual tem secretarias. O ministro copia gestos e reproduz ecos do passado,da antiga oligarquia baiana (…) Numa oligarquia lá atrás, com ACM, era tragédia, pela voz do Geddel é farsa.

Referindo-se à cultura política do ex-aliado, o deputado afirma que “Geddel é o que sempre foi” e o identificou com “os ecos do passado oligarca e o mandonismo” de outrora:

O ministro copia gestos e atitudes da oligarquia que governou a Bahia por muito tempo.

Para o deputado, ao anunciar o rompimento para se candidatar a governador em 2010, Geddel só está interessado no “poder pelo poder”:

Não pretendemos e não vamos ouvir ecos das vozes do passado. Numa oligarquia lá atrás, com ACM, era tragédia, pela voz do Geddel é farsa.

Ao comentar o que se passa na Bahia, sem saber, o deputado termina pintando o quadro da situação política em outros lugares, como aqui no nosso Rio Grande do Norte, onde os mesmíssimos ecos do passado conservador ensaiam o retorno para o próximo ano, com a candidatura da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao governo potiguar – com as bênçãos e sob a sombra do senador José Agripino Maia (DEM).

A volta do agripinismo significaria, numa só tacada, a união da farsa e da tragédia, o retorno daquilo que há de mais atrasado na política, a volta a um passado onde tudo era resolvido na base do “rabo-de-palha”.

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