Embolando Palavras

Vale do medo

O Vale Dourado, bairro da zona norte de Natal, está mais parecido com um vale do medo.

A vida dos seus mais de 72 mil moradores (Fonte: Semurb) não é nada dourada.

A insegurança por lá é generalizada.

De acordo com dados do ITEP (Instituto Técnico-Científico de Polícia), o bairro registrou o maior número de homicídios na cidade de jovens com até 30 anos no ano passado: foram 40 assassinatos.

No primeiro trimestre desse ano, os números do ITEP indicam crescimento da violência em Natal, com aumento de 15% no número de homícidios em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a março de 2009, foram registrados 183 assassinatos na capital, contra 157 no mesmo período de 2008.

Não é absurdo prever que se a violência cresce em toda a cidade, certamente ocorre o mesmo em um bairro historicamente violento. Os relatos diários nos jornais locais corroboram essa hipótese.

A maioria dos homicídios, segundo as autoridades da Segurança Pública (?) tem ligação com o tráfico de drogas.

É justamente o tráfico que tem tirado o sono dos moradores. O problema é antigo, mas parece cada vez mais visível. As “bocas-de-fumo”, antes escondidas em ruelas de difícil acesso, estão mais próximas do asfalto.

As pessoas dizem que há um toque de recolher ímplicito no bairro. Depois das 20h, pouca gente se arrisca a andar pelas ruas.

Mas até mesmo dentro de casa as pessoas não ficam sossegadas. Minha tia, moradora da comunidade, contou que está tão apavorada com o barulho constante das trocas de tiros entre policiais e traficantes e entre traficantes rivais que não consegue dormir direito.

“Eu acho que vou dormir no chão, porque tenho medo de uma bala perdida atravessar a porta de madrugada”, desabafou.

Neste domingo fui visitá-la, como faço costumeiramente. À noite, fui obrigado a desafiar o toque de recolher para ir até o ponto de ônibus e voltar para casa.

Posso garantir que os relatos do clima de insegurança não são exagerados: as poucas pessoas com as quais cruzei pelo caminho andavam apressadas, apreensivas. Havia uma atmosfera de tensão no ar.

Há um detalhe que sempre chama a minha atenção quando vou visitar minha tia. O Vale Dourado é um bairro escuro. Além dos problemas de carência de infraestrutura urbana e social, impulsionadores da violência, os moradores ainda são relegados à penumbra da noite.

Não precisa ser especialista para saber que ruas escuras são o mesmo que ruas mais perigosas. Não entendo como a prefeitura não vê isso e por que não toma uma atitude tão simples: iluminar os bairros escuros da cidade.

A violência é uma questão complexa, mas há iniciativas simples como essa que podem representar o primeiro passo nesse enfrentamento.

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