Embolando Palavras

Juventude, violência e desigualdade social

Até 2012, 33 mil adolescentes brasileiros serão assassinados antes te completarem 19 anos de idade. O dado alarmante – média de 13 mortes diárias por homicídios de adolescentes – consta do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), divulgado ontem (21) pelo governo federal, Unicef, Observátório de Favelas e pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). O estudo aponta que as capitais devem concentrar 15.715 do total de mortes estimadas para o período nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes.

A pesquisa foi realizada em 267 municípios brasileiros com mais 100 mil habitantes. O IHA serve para estimar o risco de mortalidade por homicídio de adolescentes entre 12 e 18 anos.

Considerando apenas as 10 capitais com maior IHA, o levantamento estima que, em sete anos, 9.492 adolescentes entre 12 e 18 anos perderão serão assassinados.

Maceió (AL) é a capital brasileira com a maior média de adolescentes assassinados. O IHA da capital alagoana é de 6,03 jovens assassinados em cada grupo de mil adolescentes. Em seguida, vêm  Recife (IHA 6) e o Rio de Janeiro (IHA 4,9). Natal (IHA 2,0) está em 14º no ranking das capitais com maior índice de jovens assassinados – entre os 227 municípios pesquisados, a capital potiguar ocupa a 112ª colocação.

Mas é a cidade paranaense de Foz do Iguaçu o município que registra o maior índice (9,7) de jovens assassinados em cada grupo de mil adolescentes. O IHA de Foz do Iguaçu é mais de três vezes superior à média nacional.

Levando-se em consideração o fator regional, a maioria dos municípios com altos Índices de Homicídios na Adolescência está concentra no Sudeste. A situação é mais crítica na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), no entorno de Vitória (ES) e na região metropolitana do Rio de Janeiro (RJ), com índices de 4, 4,3 e 4,9 mortes em cada grupo de mil, respectivamente.

No Nordeste, as cidades de Petrolina (PE), Ilhéus (BA) e João Pessoa (PB) registraram índices acima de três mortes para cada mil.

O estudo indica que o risco de ser assassinado no Brasil é 2,6 vezes maior entre adolescentes negros do que entre brancos. Em relação ao gênero, o risco de ser vítima de homicídio é 11,9 vezes mior para homens.

Alerta

Os números mostram que o Brasil está perdendo uma geração inteira para a violência urbana. As vítimas dessa catástrofe têm perfil conhecido: em sua maioria, são jovens, homens, pobres e pretos. A carência sócio-econômica e a ineficiência das políticas públicas de inclusão social favorecem (importante fazer a distinção entre favorecer e determinar) o envolvimento dos adolescentes e jovens com a criminalidade, principalmente nas periferias das grandes cidades.

Não há como vencer a guerra contra a violência sem resolver o problema do imenso abismo social que faz do Brasil uma das nações mais desiguais do mundo. A vida desses adolescente e jovens brasileiros continuará sendo abreviada enquanto continuarmos fechando os olhos para a tragédia da distribuição de renda em nosso país. 

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