Embolando Palavras

Discurso infeliz

Depois de dizer que o senador José Sarney não era uma “pessoa comum”, o presidente Lula escorregou novamente no discurso ao dizer, ontem (22), na posse do novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que o Ministério Público deve levar em consideração a biografia dos investigados. Lula disse ainda que “os procuradores têm que evitar a pirotecnia para que as atribuições da instituição não sejam castradas pelo Congresso“.

Em seu blog, Paulo Henrique Amorim apontou as “impropriedades” do discurso do presidente:

Impropriedade número um:

O Ministério Público não deve levar em consideração a biografia de ninguém. Quem leva biografia em consideração é historiador.
O Ministério Público tem que defender a sociedade, independente da biografia de investigado ou investigador.

Biografia é o BO.

Impropriedade número dois:

O emprego da palavra “pirotecnia” escurece ainda mais a treva em que habita o Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Dantas (*).
Ela traz de volta a caça às bruxas desferida pelo Supremo Presidente, que considerou uma pirotecnia e uma espetacularização o trabalho do ínclito delegado Protógenes Queiroz e do corajoso Juiz Fausto De Sanctis, que prenderem (duas vezes) o passador de bola apanhado no ato de passar bola, Daniel Dantas, e duas vezes, em 48 horas, libertado por Ele.

O Ministério Público (leia-se Rodrigo de Grandis), Protógenes e De Sanctis faziam parte de um conluio – segundo Gilmar Dantas (*) – para instalar no Brasil um “estado policial” de viés nazista.

O Presidente Supremo do Supremo, na esteira dessa ofensiva contra a pirotecnia, conseguiu a proeza de cobrir o Brasil de vergonha: é o único país relativamente civilizado que não algema branco, rico e de olhos azuis.

Impropriedade número três:

O Presidente Lula mencionou a possibilidade de o Congresso – ou quem quer que seja – “castrar” o Ministério Público.

Quem mais quer isso – transformar o Ministério Público num eunuco, de voz fina e inaudível, é precisamente o Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Dantas (*).

Gilmar Dantas (*) certamente prefere que o Conselho Nacional de Justiça, onde Impera, substitua as atribuições do Ministério Público.

O Presidente Lula perdeu a oportunidade de transformar a solenidade num ato de afirmação do Ministério Público como uma inalienável e irreversível conquista dos cidadãos (com ou sem biografia) dessa subdemocracia em que ainda vivemos.

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