Embolando Palavras

Lendo as entrelinhas

A Folha de São Paulo deste domingo (16) traz os números da nova pesquisa Datafolha sobre a intenção de voto dos brasileiros para a eleição presidencial de 2010.

Os dados do levantamento são os seguintes:

José Serra (PSDB): 37% (eram 38% na pesquisa anterior)

Dilma Rousseff (PT): 16%

Ciro Gomes (PSB): 15%

Marina Silva (PT): 3%

Esse é o principal cenário pesquisado. Os números variam quando Serra é substituído pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB), que chega a 20% no cenário sem Ciro. Neste caso, Dilma e Heloísa Helena (PSOL) registram o mesmo percentual: 24%.

Interessante é como a Folha joga confete para Serra e diminui a importância de Dilma. Na Folha Online, o índice de Dilma é anunciado como se fosse um vexame: 

Presença constante com o presidente Lula em eventos pelo país, Dilma manteve 16% e está tecnicamente empatada com o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), com 15%.

A Folha deveria aplicar a mesma lógica ao tucano José Serra. O governador de São Paulo tem feito incursões agressivas na mídia, principalmente via publicidade estatal em rede nacional, como no caso da Sabesp. Serra contou ainda com uma generosa superexposição televisiva, especialmente nos telejornais e programas de entretenimento da Globo. No Jornal Nacional, muita serpentina para a lei anti-fumo. Serra também foi convidado único do Programa do Jô, onde vendeu seu peixe à vontade. Apesar dessa presença ostensiva na mídia, Serra caiu 1% na nova rodada de pesquisas Datafolha. Isso sim é um vexame.

Dilma, por sua vez, está na mira do PIG desde que foi elevada à condição de pré-candidata petista. O sensacionalismo descarado da repercusão do episódio da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, como tentativa de associar a ministra a um desgastadíssimo José Sarney, é a nova estratégia da campanha para desgastar Dilma Rousseff. Apesar desse tratamento desfavorável, a ministra se manteve com 16%. Não é pouca coisa.

A pesquisa também apontou que a popularidade do governo Lula continua na estratosfera. De acordo com o Datafolha, o governo petista é avaliado como ótimo/bom por 67% dos entrevistados (eram 69% antes). Enquanto isso, 25% acham o governo regular. Apenas 8% classificam a administração de Lula como ruim/péssima.

A Folha observa que o presidente manteve os excelentes índices de aprovação apesar da “mais nova crise política nacional“. Mas, até onde sei, a crise se passa no Senado, não na Alvorada. O que a Folha pretende ao tentar induzir os leitores a culparem Lula pelo que ocorre no Senado?

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