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Todos os holofotes para Lina Vieira

Lina Viera em depoimento na CCJ do Senado

Lina Vieira em depoimento na CCJ do Senado

A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, depõe neste momento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A oposição convocou Lina Vieira para ouvi-la sobre sobre suposta reunião com a ministra Dilma Rousseff, quando a chefe da Casa Civil teria pedido pressa nas investigações do fisco sobre irregularidades nas empresas  da família Sarney. Dilma Rousseff nega o encontro.

Lina começou o depoimento listando suas “realizações” como secretária de Tributação do Rio Grande do Norte nos governos Garibaldi Filho e Wilma de Faria. Em seguida, a servidora relatou sobre o convite para chefiar a Receita Federal. Lina Vieira atribuiu a queda na arrecadação do fisco em sua gestão à “bolha atípica de 2008”, numa referência à crise econômica mundial. 

O encontro com Dilma

Lina reafirmou que se encontrou, em particular, com Dilma: “O encontro houve e reitero a entrevista concedida à Folha de São Paulo. Em fins do ano passado, Dilma me chamou ao seu gabinete, através de Erenice Guerra [chefe de gabinete da ministra]. Nesse encontro a sós, a ministra me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho de Sarney. Não procurei o jornal Folha de São Paulo nem nenhum outro veículo de imprensa para fazer declarações sobre este encontro. O que aconteceu foi que fui procurada por dois repórteres da Folha, que me pediram tão somente para confirmar o que eles já sabiam.”

Lina declarou que não desejava transformar o assunto numa polêmica. “Não busquei, não desejei nem desejo toda essa polêmica. Não vim a essa comissão com o propósito de fazer o jogo de ‘A’, ‘B’, ‘X’ ou ‘Y’. Meu único interesse é preservar minha história de vida.”

Perguntada sobre a data do suposto encontro com a ministra, Lina disse que não se lembrava do dia nem da hora da audiência: “Confirmo o encontro com a ministra. Foi um encontro rápido. Erenice [Guerra, chefe de gabinete da ministra] me levou à sala dela. Ela me pediu que agilizasse a investigação. Saí dali e retornei para a Receita Federal. Tentei relembrar isso [a data do encontro], mas na minha agenda isso não constou. Mas não preciso de agenda pra falar a verdade. Reafirmo que lá estive [na Casa Civil], o assunto que foi tratado e a forma como foi tratado. Não comentei nada com outros funcionários, só com a minha chefe de gabinete“.

Lina negou que tivesse interpretado o hipotético pedido de Dilma como uma solicitação para “encerrar” as investigações contra o filho de Sarney. “Eu entendi o pedido da ministra como se fosse para concluir logo, dar encaminhamento célere. Não dei conhecimento ao ministro da Fazenda [Guido Mantega] e não tomei qualquer providência nem dei qualquer retorno [à ministra], porque a fiscalização corria em segredo de Justiça.”

Não me senti pressionada pela minitra Dilma Rousseff. Fui ao gabinete e ela me pediu que desse agilidade à investigação. Interpretei que era pra dar andamento célere, resolver as pendências e encerrar as investigações. Não senti no pedido da ministra qualquer pressão. Era um processo que teve início em 2007 e está correndo em segredo de Justiça. O próprio judiciário determinou que agilizasse a investigação e a Receita Federal tá cumprindo [a determinação].”

Lina disse que não teve nenhum outro encontro de natureza sigilosa com a ministra nem com outros membros do governo e disse que aceitaria uma “acareação” com Dilma para “confrontação da verdade“. Pressionada pela oposição, a ex-secretária se negou a falar sobre a Petrobrás na CCJ.

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) insistiu em perguntar o dia e o horário do encontro com a ministra. “Não me lembro do dia que estive com a ministra, porque isso não constou na minha agenda oficial. Talvez eu tenha alguma anotação na minha agenda pessoal, mas estou de mudança“. Diante da “amésia” de Lina, o senador desistiu de continuar as perguntas.

O senador Almeida Lima (PSDB-SE) insinuou que Lina Vieira havia cometido “prevaricação no serviço público”, uma vez que não levou o caso aos seus superiores. “Não prevariquei. Diante do pedido da ministra, busquei informações e detectei que todos os processos estavam correndo dentro do previsto e em segredo de Justiça“. Antes, Lina havia assegurado que não tomara “nenhuma providência” sobre o teórico pedido da ministra.

Os senadores continuam interrogando a ministra.

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Uma opinião sobre “Todos os holofotes para Lina Vieira

  1. danieldantas79 em disse:

    Depois, ela voltou atrás, questionada por Idelli Salvatti, e disse que mantinha o que havia dito à Folha – que entendeu a ministra pedir que encerrasse a investigação.
    Mais uma contradição.

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