Embolando Palavras

Artigo: Lina, Dilma e a oposição malabarista

Por Gustavo Barbosa, colaborador do blog:

O entrevero que vem ocorrendo entre a ministra Dilma Rousseff e a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira parece não vislumbrar um futuro breve e alvissareiro se depender da oposição, imbuída de uma esquizofrênica e incessante necessidade de arranhar a imagem da ministra até por coisas que, de fato, não existem.

O grande problema nisso tudo é que tal obstinação, contaminada pelos eleitoreiros e malcheirosos ventos da conveniência e do oportunismo, por ser pautada muitas vezes em uma sanha irracional em tipificar a conduta da ministra, tirou prumo do discurso inicial e deixou a oposição sem saber para onde mirar sua parca munição, ensejando, assim, quadros como o de agora: oposicionistas perdidos, fazendo maremotos em xícaras de café com o aval de toda a mídia mainstream.

Primeiramente, a oposição frisou de forma sucessiva e reiterada o crime consubstanciado na suposta intervenção da ministra Dilma Rousseff em pedir a ex-secretária Lina Vieira a da mesma forma suposta “agilização” das investigações de Fernando Sarney, filho do atual presidente do Congresso Nacional, José Sarney.

Deu-se início, assim, a uma batalha etimológica e semântica do que circunstancialmente viria a representar o termo “agilizar”; para Lina e a oposição, “agilizar” teria o sentido de “encerramento”; para alguns situacionistas, subsidiariamente – já que a nota regente continua sendo a de que o encontro não existiu – não teria significado nada que ultrapassasse as fronteiras do sentido literal.

Só que, uma vez a ex-secretária voltando atrás e afirmando não houve solicitação nesse sentido, mas sim um pedido cabal e literal de agilização, todas as hipóteses de crime se esvaíram. Um balde de água, então, foi jogado na pólvora da oposição, que ficou tanto sem saber para onde atirar como o que usar no lugar da inútil pólvora molhada.

Sem saber no que bater, uma vez que o crime não existiu,  passaram a fazer contorcionismos circenses para imputar responsabilidade à ministra por algo que, seja comprovado ou não, não dará em nada, pois não havendo conduta indecorosa, frustra-se toda e qualquer possibilidade de dar azo à criação de um processo administrativo ou judicial.

O que sobrou, então, para os oposicionistas continuarem com suas piruetas exegéticas acerca de um crime que não existiu foi simplesmente a possibilidade de, com esse episódio, auferir resultados eminentemente eleitorais, já que a coisa definitivamente não entrará em juízo e tampouco irá ensejar qualquer sanção à ministra de cunho também administrativo.

Se não há possibilidade de mobilização de processo administrativo ou judicial contra Dilma, qualquer primata pode enxergar que todo esse burburinho gira em torno apenas de uma coisa: as imbricações político-eleitorais para 2010.

Mais nada resta senão constatar as razões vis de dar continuidade à inquisitiva cruzada contra Dilma. A ficha falsa publicada pela Folha já caiu e o episódio com Lina provavelmente passará em branco. Cabe então perguntar: quando será o próximo acinte?

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2 opiniões sobre “Artigo: Lina, Dilma e a oposição malabarista

  1. esdrasepatricia em disse:

    Outro teatro, de parte a parte. Quem consegue botar a mão no fogo por Dona Dilma ou por Dona Lina????? O blogueiro????? Usando palavra tão corrente no blog: não sejamos tão ingênuos. Todos mentem. Bobo é quem gasta tempo discutindo implicações irreais das mentiras que eles contam.

  2. tete bezerra em disse:

    excelente.mandei pra alguns contatos do meu twitter!

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