Embolando Palavras

Vereadores sob vigilância

Na próxima segunda-feira (24), às 18h30, no Auditório B do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), os Centros Acadêmicos de Comunicação Social e Direito da UFRN lançarão o projeto do Observatório da Câmara, com o objetivo de acompanhar e registrar a atuação dos vereadores de Natal.

A meta é fiscalizar a produção legislativa, denunciar abusos e manter a sociedade informada sobre os rumos da CMN. No lançamento, haverá debate com o tema “Participação popular e o direito de ir e vir”.

É uma iniciativa importante do ponto de vista democrático, porque amplia as possibilidades de participação, fiscalização e influência popular nos processos de tomada de decisão em nossa cidade.

 

Anúncios

Navegação de Post Único

Uma opinião sobre “Vereadores sob vigilância

  1. Esdras em disse:

    Sei que o blogueiro, cioso do seu petismo, acha que a verdade está no Partido. Talvez por isso, acha natural que os fins justifiquem os meios, e que a atual crise não tem nada a ver com os donos do poder (o seu PT – não tem coitadinho, vocês mandam há oito anos). Eu penso diferente: penso que o PT e o seu arco de alianças (arco interessante, com partido de projeto que nem o PT tem) gostaram muito das benesses do poder e para tanto ficaram de quatro para o PMDB e outros. Dão esmolas (esmolas, porque poderiam fazer muito mais) e dizem que romperam com o modelo político estabelecido. É a maior mentira. A forma de fazer política, do toma-lá-dá-cá, do corporativismo que protege corruptos e mentirosos, que xingou Renan e Sarney, e hoje os afaga, é a mesma de FHC.

    Essa mudança o PT não poderá dizer que fez. As cuecas dolarizadas, os mensalões, a quebra de sigilo de caseiros, etc, não deixarão, pois só um ingênuo ainda acusa o PIG de cometer o pecado de expor tudo isso. Todos sabemos que a imprensa apóia ou se apóia em quem está no poder. Se a Globo fala mal de Lula, a Record e a Istoé estão aí, felizes e subservientes, dispostas a apoiar quem deixe a mantenedora livre para roubar dos seus fiéis ou pague a quantidade e páginas que precise. Deixa a eleição chegar, e precisarem de dinheiro prá pagar a folha ou de capital de giro, para os barões dos grandes jornais paulistas pedirem arrego e falarem pianinho.

    Assim, antes de louvar a iniciativa de fiscalizar os vereadores, acho melhor pensarmos se a sociedade quer isso mesmo, ou se outra vez, não embarcou no “rouba mas faz”. Para tanto, recomendo deixar o falso preconceito ideológico e ler o texto do Hélio Schwartsman na Folha Online, e que copio abaixo. Antes de brandir problemas nos meios de comunicação, vejamos se o problema não começa em nós mesmos. Afinal, tia Dilma vem aí e veremos se os éticos petistas mudam essa toada, já que esse discurso de mudança cabe em qualquer boca:

    22.8.09
    O Senado e a ética
    Tenho um palpite para explicar o fato de termos nos conformado com os desmandos, em vez de nos tornarmos cada vez mais intransigentes nessa matéria, como seria de esperar depois de Collor.

    Numa simplificação grosseira da história da filosofia, existem duas matrizes de sistemas éticos. A primeira, que podemos chamar de deontológica, têm como expoentes Platão e Immanuel Kant. Para esses autores, são os princípios que importam. Uma regra como “não matarás” ou “não mentirás” valem incondicionalmente, seja porque estão amparadas pela ideia de Justiça, por Deus, pelo imperativo categórico ou por alguma outra entidade metafísica.

    Na outra ponta está o consequencialismo, cujos grandes defensores incluem Jeremy Bentham e John Stuart Mill. Basicamente, eles dizem que não existem princípios externos abstratos como a ideia de Justiça que possam validar ou invalidar nossos atos. A única forma de julgá-los é através das consequências que acarretam. Vale dizer que são boas as ações que engendram bons resultados. No caso específico de Bentham (conhecido como pai do utilitarismo), o que importa é o princípio de utilidade, que pode ser traduzido na fórmula: “o maior bem para o maior número de pessoas”.

    Embora essas duas matrizes sejam em princípio mutuamente excludentes no plano intelectual, nós, seres humanos, estamos sempre divididos entre elas. E por boas razões. Levados até o fim, tanto a ética deontológica quanto o consequencialismo produzirão paradoxos que não estamos dispostos a aceitar. A impossibilidade de mentir em qualquer caso preconizada por Kant me levaria, por exemplo, a admitir a agentes da Gestapo que eu escondo judeus em meu sótão, delito que me custaria a vida bem como a dos fugitivos. Já o consequencialismo me obrigaria a aceitar como válido o ato do médico que mata o sujeito saudável que entra em seu consultório para, com seus órgãos, salvar a vida de cinco pacientes que necessitavam de transplantes.

    De algum modo, a rápida sucessão de escândalos nos afastou da ética de contornos claramente deontológicos e nos empurrou para uma matriz mais consequencialista-pragmática. É como se disséssemos a nós mesmos que, uma vez que todos os políticos roubam, só o que nos resta é escolher aqueles que, sem negar sua natureza, se mostrem mais eficientes ao promover o bem-estar geral. Foi assim que os sucessos econômicos ajudaram Lula a superar a crise do mensalão e o levaram a desenvolver anticorpos contra todas as denúncias. Pior, seus anticorpos acabaram imunizando também aliados do quilate de Renan Calheiros e José Sarney, para ficar apenas na categoria de presidentes do Senado.

    Não tenho nada contra as éticas consequencialistas, que, em várias esferas, como a da bioética, funciona melhor do que os códigos puramente deontológicos, mas receio que nós estejamos exagerando. Não podemos, apenas porque a economia vai bem e não vemos alternativas viáveis aos atuais políticos, simplesmente esquecer todo e qualquer compromisso com o decoro republicano. Se o cinismo se impregnar definitivamente na vida pública, estaremos rifando nossas chances de erigir uma sociedade democrática com padrões de decência política compatíveis com os de nações do Primeiro Mundo. Já não sonho com isso para mim ou meus filhos, mas quem sabe para os netos que ainda não tenho.”

    Qual será a escolha de Dilma, ou melhor, de Sofia???

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s