Embolando Palavras

O que é ser de esquerda

Ando um pouco sem tempo pro blog, mas daqui a pouco eu pinto na área novamente. O Esdras comentou que acha um atraso alguém ainda declarar-se esquerdista convicto e perguntou o que significa ser esquerdista nos dias atuais. Esdras considera esse discurso maniqueísta e atrasado, numa alusão à tese do fim da ideologia defendida por muta gente.

Daniel rebateu dizendo que “a tese do fim da ideologia é ultrapassada”. Para ele, afirmar que “não se pode ser esquerdista convicto é uma afirmação ideológica – firmada numa (falsa) tese do fim dos conflitos, da história e das concepções ideológicas do mundo.”

O debate é salutar, mas algumas tarefas pessoais urgentes me impedem de mergulhar na discussão. Quero sugerir aos navegantes que aprofundem o assunto.

Apenas como contribuição inicial, cito trecho do livro da professora Marilena Chauí, “Simulacro e poder : Uma análise da mídia“, com uma perspectiva filosófica do tema:

“O pensamento e o discurso da direita, apenas variando, alterando e atualizando o estoque de imagens, reiteram o senso comum que permeia toda a sociedade e que constitui o código imediato de explicação e interpretação da realidade, tido como válido para todos.

(…)

Para a esquerda, porém, a dificuldade é imensa porque o pensamento e o discurso são forçados a realizar quatro trabalhos sucessivos ou até mesmo simultâneos: precisam, primeiro, desmontar o snso comum social; em seguida, precisam desmontar a aparência de realidade e verdade que as condições sociais e as práticas existentes parecem possuir, aparência sobre a qual se funda tanto a fala da direita como a compreensão dos demais agentes sociais; precisam, a seguir, renterpretar a realidade, revelar seus fundamentos seretos e suas operações invisíveis para que se possa compreender e explicar o surgimento, as formas e as mudanças da sociedade e da política; e, finalmente, precisam criar uma fala nova, capaz e exprimir a crítica das idéias e práticas existentes, capaz de mostrar aos interlcutores as ilusões do senso comum e, sobretudo, de transformar o interlocutor em parceiro e companheiro para a mudança daquilo que foi criticado.

Assim, enquanto para a direita basta repetir o senso comum produzido por ela mesma, para a esquerda cabe o trabalho da prática e do pensamento críticos, da reflexão sobre o sentido das ações sociais e a abertura do campo histórico das transformações do existente.”

A bola está com vocês. Inté.

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3 opiniões sobre “O que é ser de esquerda

  1. esdras em disse:

    Eu não debato algo que não existe…

    Mas chamou-me atenção um ponto : ” e, finalmente, precisam criar uma fala nova, capaz e exprimir a crítica das idéias e práticas existentes, capaz de mostrar aos interlocutores as ilusões do senso comum e, sobretudo, de transformar o interlocutor em parceiro e companheiro para a mudança daquilo que foi criticado”.

    Você disse que o PT mudou a forma de fazer política. Diz que há esquerda, sim. E que acha interessante a colocação acima de Chaui. OK, mas o balcão de favores com o PMDB, os dólares na cueca, a quebra de sigilo de um caseiro, são próprios da esquerda?

    • esdras em disse:

      Ou seja, qual foi a mudança mesmo, hein, esquerdista?

      Ah, já sei! Isso é quiprocó comezinho. Os fins justificam os mesmos. Daniel, agora eu entendi qual a ideologia de vocês.

  2. Gustavo em disse:

    A leitura de “Direita e Esquerda”, de Bobbio, é imprescindível acerca desse tema.

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