Embolando Palavras

A moral tucana

Os tucanos são uma espécie esquisita de políticos. Governaram o Brasil por oito anos, levaram o país à falência e protagonizaram inúmeros escândalos de corrupção. Mas depois que se mudaram para a planície deletaram o passado podre da memória e começaram a se comportar como se fossem o exemplo perfeito da ética na política. Já vimos esse filminho antes.

O PIG, saudoso dos tempos do governo do príncipe dos sociólogos, ajudou a promover a farsa e transformar essa turma em guardiões da moralidade. Assim, repentinamente, passaram de vilões a heróis.

De vez em quando vejo tucanos fazendo discursos indignados na TV contra a corrupção e morro de rir com a pantomima moralista que insistem em encenar.

Há pouco tempo os tucanos lideraram uma cruzada contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aliado de outrora, posteriormente convertido em demônio após atracar na base lulista. 

Sarney, o incomum, foi acusado de se beneficiar dos atos secretos para nomear parentes. Era Agaciel Maia, ex-diretor geral do Senado, quem comandava a farra dos atos secretos. Agaciel terminou afastado do cargo e ainda corre o risco de ser demitido por causa do escândalo.

Os tucanos, capitaneados pelo senador Arthur Virgílio (AM), vociferaram contra o ex-diretor. Mas rapidinho começaram a surgir as primeiras provas da relação de Agaciel Maia com a tucagem. O próprio Virgílio recorreu a Agaciel para pedir um empréstimo quando se viu em apuros durante uma viagem ao exterior. A máscara do paladino amazonense começou a cair neste momento.

Mas não é só Virgílio que tem ou tinha ligação com Agaciel. O senador Papaléo Paes (PSDB-AP) disse ontem (3) que iria requisitar a transferência de Sânzia Maia, mulher de Agaciel, atualmente locada na gráfica do Senado, para seu gabinete. Papaléo justificou a intenção dizendo que se tratava de um “ato de humanidade”.

O danado é que Papaléo, o bom, foi incompreendido e a notícia repercutiu negativamente. Os tucanos fizeram aquele ar blasé bem peculiar, seguido de declarações ensaiadas de reprovação ao pedido do companheiro de legenda  e, finalmente, convenceram Sânzia a desistir da transferência.

Pode parecer que o epidódio não passou de uma trapalhada de Papaléo, mas, na verdade, serviu pra mostrar como o discurso dos tucanos durante a crise no Senado era fingido.

Papaléo achou que todo mundo já havia esquecido a lama que correu por lá e botou as unhas de fora para ajudar, vejam só, a mulher do grande articulador dos atos secretos e envolvido em várias denúncias – além de editar os famigerados atos secretos, descobriu-se que Agaciel Maia mantinha um bunker no Senado, onde foram encontrados DVDs e revistas com conteúdo pornô e gel lubrificante.

Definitivamente, a moral tucana é bem difícil de se entender.

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