Embolando Palavras

A metamorfose de um filhote da ditadura em ‘revolucionário’

O senador José Agripino (DEM), o filhote da ditadura, parece que aderiu ao “esqueçam o que eu fiz”, uma versão do “esqueçam o que escrevi” do ex-presidente FHC.

É o que revela o jornalista Luis Fausto, em excelente texto no blog hospedado no portal Nominuto.com. Fausto conta que Agripino negou que tenha apoiado a ditadura militar, disse que foi um dos artífices da redemocratização e afirmou que o Brasil vive uma ditadura intelectual de esquerda.

Leiam o texto, abaixo, na íntegra:

 

O revolucionário José Agripino Maia

Meninos e meninas, corram ao twitter do senador potiguar José Agripino Maia.

Tá impossível, o líder do Democratas.

A cada dia que passa, o filho do doutor Tarcísio que todos conhecemos como um liberal autêntico, a fina flor da aristocracia norte-riograndense, o crème de la crème de uma oligarquia que desde o século passado divide com a família Alves o comando do estado, vai se transformando e se transmutando num verdadeiro revolucionário.

Tudo começou há alguns dias, quando ele concedeu uma entrevista ao jornal O Mossoroense e disse que nunca apoiou o regime militar que fez de seu pai governador do Rio Grande do Norte e o nomeou prefeito de Natal. Pelo contrário:  jurou ao repórter Bruno Barreto ter sido um dos artífices da redemocratização do país, responsável direto pela eleição – em 1985 – de Tancredo Neves.

Depois, na semana passada, o senador democrata mostrou didaticamente como os bons podem vencer os maus, mesmo cada um no papel de vilão.

Já ontem, ele escreveu um artigo, juntamente com a sua equipe (sim, o senador do Rio Grande do Norte tem uma equipe e a equipe se chama “Equipe Agripino”), intitulado O Brasil vive uma ditadura intelectual de esquerda?, onde diz que o golpe militar de 1964 foi “preventivo” e representou apenas “uma fissura no sistema jurídico”.

E agora, hoje, vejam só o que o senador e a “Equipe Agripino” aprontaram: escreveram um artigo onde garantem que “ser burguês ou ser elitista pode significar ser revolucionário”, citando Eric Hobsbawn, Fidel Castro, Che Guevara e até João Pedro Stédile.

Daqui a pouco, bem pouco, o senador do Democratas, que nasceu Arena, transformou-se em PDS, virou PFL e ganhou o nome pomposo, vai escrever um tratado sobre a mais-valia de Marx, lembrar a luta de Bujarin, reviver a marcha de Mao, render homenagens a Trotsky e recitar poesias de Neruda.

E nós vamos acabar descobrindo que o engenheiro Zezinho não estava no Maranhão, não, no começo dos anos 1970, pouco antes de ser chamado pelo pai para ganhar de presente a prefeitura de Natal e democraticamente iniciar a sua vida política. Ele estava era nas vizinhanças, quem sabe no Araguaia, lutando clandestinamente para derrubar a ditadura dos militares. 

Vai acabar ganhando uma medalha. E até, quem sabe?, recebendo uma indenização do Estado como vítima da “redentora”…

Agora só falta Jajá cantar “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante…”
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3 opiniões sobre “A metamorfose de um filhote da ditadura em ‘revolucionário’

  1. joseagripino em disse:

    Ei dêem uma olhada no post do Agripino sem intermediários. O sr. Luiz Fausto interpretou o texto erradamente. Em nenhum momento o senador afirma que o golpe de 1964 foi preventivo, mas que há essa hipótese histórica COM A QUAL ELE NÃO CONCORDA

  2. esdras em disse:

    Realmente, é de bolar de rir.

    Quem não conhece acredita.

  3. Zózimo Carlisle em disse:

    “Ele estava era nas vizinhanças, quem sabe no Araguaia, lutando clandestinamente para derrubar a ditadura dos militares”. Adorei essa parte… hahahah

    Jajá, um revolucionário da democracia! Aliás, o próprio nome do partido dele já diz. Engraçado esse alinhamento político-partidário brasileiro, em que a sigla do partido em nada reflete a ideologia dos seus representantes, tampouco da teoria política original. Trata-se única e exclusivamente de marketing e publicidade.

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