Embolando Palavras

O legado de Lula

Escrevi num dos posts abaixo que a imprensa conservadora do nosso país teima em não reconhecer a importância do presidente Lula no cenário geopolítico mundial. Lá fora, Lula é saudado como um dos líderes mais influentes do mundo. No Brasil, é tratado com o ranço, o desdem e o preconceito que as elites controladoras da mídia sempre dedicaram ao ex-líder sindical.

Mas às vezes, até para os míopes, é difícil não se render aos fatos. O governo Lula deu certo: a desigualdade social caiu, a renda melhorou e o emprego cresceu.

Lula começou a mudar a história do país quando resolveu priorizar os mais pobres em seu governo, devolvendo-lhes a dignidade que antes lhes era negada.

Os abastados chamam de “esmolas” as ações do governo em favor do povo. Certamente, acreditam que o histórico abismo social que nos separa seria superado, um dia, por inércia. Para essa gente, tudo que se faça para amenizar a miséria é “esmola” e “populismo”.

Lula dá de ombros para os críticos, enquanto segue governando com olhos voltados para os mais carentes. Deixará saudades quando sair do cargo, ficará entronizado na memória do seu povo e entrará para a história como grande estadista.

Algumas aves de rapina da imprensa conservadora, saudosas do (des)governo do príncipe dos sociólogos, sem ter mais como esconder a verdade, ensaiam uma tímida mudança de discurso. O constrangimento é notório.

Ricardo Noblat, o blogueiro do jornal O Globo, não esconde sua contrariedade com o êxito do petista. Mesmo assumindo que as realizações do governo federal são “notáveis”, o que se lê nas entrelinhas da mea culpa esboçada pelo jornalista é um rancor inexplicável, somado à esperança que o projeto lulista termine ano que vem, com a volta dos tucanos.

Este embolador torce para que a esperança de Noblat termine frustrada, porque considero que seria um desastre se o país voltasse para as mãos dos tucanos, reconhecidamente contrários às políticas sociais colocadas em prática pelo presidente Lula.

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6 opiniões sobre “O legado de Lula

  1. esdras em disse:

    Allisson, venho de família humilde. Meus avós maternos são calangueiros das Rocas, o que tenho muito orgulho. Estudei em escola pública a minha vida quase toda. Meus pais são meros funcionários públicos aposentados. Não tenho padrinhos políticos. Aliás, tenho asco de políticos, sem exceção. Assim, posso garantir que lutei para chegar onde cheguei, e meus pais mais ainda. A sua estocada, camarada, passa longe. Lá em casa sempre aprendi que só iria prá frente se estudasse. Foi o que fiz.

    Creio que você precisa ler sem tanta fúria. Algumas coisas acabam escapando. Quando eu digo que a experiência indica que é perigoso manter pessoas sendo mantidas à base de esmolas governamentais (E SÃO ESMOLAS SIM), sei do que falo. A questão não é se é pobre ou não. Isso vale para ricos e pobres. A acomodação é natural.

    Outra: preste atenção que escrevi dizendo que o assistencialismo é necessário, mas que temos que passar para outro nível. O seu problema é que você pensa numa dívida histórica e acha que ele tem que ser paga assistencialisticamente no mesmo prazo. Ok, então meus bisnetos continuaram vendo o que vejo hoje.

    Acorda, Alisson. Você acha que os controles são feitos à risca? Que todos os pais estão assistindo os cursos? Aliás, que os cursos estão sendo dados? Você baseia o sucesso das políticas públicas pelas estatísticas oficiais e pelo discurso de um ministro? E desde quando estes são confiáveis em qualquer lugar do mundo? ACORDA!!!!!!

    Nas favelas de Natal os cartões das bolsas estão com os traficantes. Vá para dentro da Via Sul (que graças a um plano do governo federal, do Lula, deve ser erradicada): as pessoas não tem segurança, comida, saúde, nada. Tem que ser assistencialista? Lá tem mesmo. Mas qual o próximo passo depois das casas? As novas casas estão sendo construídas em locais tão sem estrutura quanto, rapaz.

    Mas o pior é que são crianças sem futuro, camarada. Vá lá. Se você for, deixará de bajular políticos corruptos, que só dizem que não sabiam sobre mensalões.

    Você endeusa um personagem, cara. Eu cobro providências dele e de todos os outros.

    No dia que você tratar a todos eles com a mesma régua, não precisará passar pelo papel ridículo de defensor de quem não precisa de defesa, pois tem toda a máquina federal para isso. Para mim, você é tão subserviente quanto qualquer blogueiro ou jornalista que está viúvo do corrupto FHC.

    • alissoncal em disse:

      Esdras, devagar com o andor que o santo é de barro. Não dei “estocada” em ninguém. Não questionei sua origem – por sinal, muito parecida com a minha.

      Não endeuso ninguém. Em várias oportunidades, critiquei trapalhadas do governo e do presidente, como no episódio do apoio a José Sarney. Então, não aceito a carapuça. Da mesma forma, não aceito ser taxado de “subserviente” de ninguém, camarada.

      Permita-me fazer um parênteses: Esdras, se eu fosse “subserviente”, estaria numa situação muito melhor que estou agora. Você não imagina os dragões (não são moinhos de vento) que tenho enfrentado desde que denunciei o aspone favorito da prefeita de Natal neste blog – até aqui, sem nenhum resultado prático. Não entro em detalhes para não expor minha vida em público, mas lhe asseguro que muitas vezes quase sucumbi diante das dificuldades mais elementares. Mas não faço concessões que atentem contrao que considero ético. Prefiro, mil vezes, colocar minha viola no saco e voltar pro pé-de-serra de onde vim.

      Espero que, com isso, tenha deixado claro que não defendo o governo Lula por ser “subserviente”. Não ganho NADA em troca. O faço porque acredito que o país melhorou consideravelmente, em todas as áreas, nesta administração. Não reinvindico nenhum cargo federal. Não troco minhas idéias por nenhum jabá. Eu defendo este governo porque, apesar dos erros (muitos, por sinal), trata-se do melhor governo que este país teve até aqui. Defendo a continuação deste projeto de governo porque o contrário significa retrocesso.

      Veja, Esdras, quando falo em defender, não se trata de defesa acrítica. O governo fracassou em vários pontos, como na reforma política e ao se acovardar e não enfrentar o problema do monopólio dos meios de comunicação no país. Mas a lista de conquistas é muito mais extensa – em quase todas as áreas. O governo, desde o início, sempre esteve em disputa. Cabe à sociedade civil organizada, através de seus inúmeros movimentos, exercer o poder de pressão sobre o governo. Isso só é possível porque temos um governo sensível às demandas sociais e que senta para conversar com os representantes da sociedade civil, sem criminalizá-los – como fazia o governo tucano.

      Conheço não só a Via Sul, mas diversas outras favelas da nossa cidade. Fui coordenador da Central Única das Favelas em Natal, até dezembro do ano passado. Andei em muitos lugares, conversei com muita gente, conheci muitos guerreiros que lutam diariamente para transformar a própria realidade e a dos que estão ao seu redor. Pela primeira vez na história desse país, o governo está se aproximando deste exército de excluídos. Não estou falando de Bolsa Família somente, mas de várias iniciativas diferentes, como os “pontos de cultura” (a gente não quer só comida!!!), o “mulheres da paz”, as ações do Pronasci.

      Esdras, sei que nem tudo funciona como o idealizado, mas, camarada, há muita coisa funcionando. Isso não é só estatística oficial não, Esdras. Isso é o que várias instituições sérias, reconhecidas mundialmente, comprovam. Os desvios a gente denuncia, combate, muda. Quer dizer que um programa que atende mais de 11 milhões de famílias deve ser condenado porque, em algumas comunidades, os cartões estão com os traficantes? Óbvio que não. É claro, também, que não se pode ficar eternamente no assistencialismo. Mas quanto tempo leva pra sairmos desse nível? Não sei. Você sabe? Investimento em educação, por exemplo, leva tempo para fazer efeito. Enquanto isso, fazer o quê? Cruzar os braços? Deixar que a “plebe rude” se vire sozinha?

      • Esdras em disse:

        Para mim, qualquer atitude que mais elogie do que cobre do poder público significa subserviência.

        Não vejo nenhum governante que funcione por sensibilidade, como você diz do Lula. Funciona por pressão mesmo.

        O Lula é um bom presidente? Sim, é. Finito, end, acabou. Tem que fazer mais. Sempre faz pouco.

        Quanto às suas críticas à Lula (?), sempre foram genéricas. Você preferiu calar sobre a corrupção do Lula e sempre coloca na conta da sua obsessão, o tal do PIG.

        Eu ainda espero que você denuncie e cobre do Lula da mesma maneira que você cobra da Micarla. Só assim se adquire respeito.

        Quanto ao aspone, ou você abre de uma vez ou não fale mais. Chorar pelos cantos é dose. E dar uma de mártir não rola, rapaz.

        Quanto a ficar comparando aos tucanos, péssima idéia. O padrão agora é outro. Lula tem que superar a ele mesmo. Besteira ficar rodando o governo FHC. Até porque eu duvido que Lula fizesse metade do que fez sem a estabilidade econômica. Mesmo que você nunca admita publicamente, sabe que é verdade.

        Com um detalhe: muitos petistas gritaram na época do plano Real. Inclusive Lula. Ficaram sem discurso, como os tucanos agora.

        Quanto à Via Sul, interessante. Você era da CUFA, Carlos Eduardo era o prefeito de Lula, e mesmo assim eu escutei de uma pessoa que trabalhava com CA que era muito difícil, não dava, melhor deixa quieto… E essa pessoa era da área da SEMTAS que devia trabalhar junto à Via Sul. E a Via Sul continua lá. Quanta sensibilidade!

        E por fim, cá entre nós: o governo ameaçado? Pelo DEM? com 80% de popularidade? Menos Alisson… isso não é justificativa para calar com os cuecões dolarizados. Quer saber qual a maior ameaça que Lula teve? “Eu não sabia”, “Mensalão? não sei o que é isso”. Ele mentiu, todos sabemos, mas nada foi feito.

        Então, “menas”, Alisson, “menas”.

      • alissoncal em disse:

        Esdras, enquanto cidadão, elogio aquilo que julgo merecer elogio. Os critérios dependem de cada indivíduo. Mas, repito, você não precisa ser acrítico mesmo quando apóia algo ou alguém. Meus melhores amigos são os que mais me criticam.

        Já no exercício do jornalismo, sempre me mantive afastado do poder. Nunca tive a pretensão de falar em nome da sociedade nem de interpretar os fatos para a população. A gente é só um instrumento responsável por apurr, contextualizar e narrar os fatos, oferecendo à sociedade um panorama o mais completo, verdadeiro e plural possível. Nessa hora, é preciso deixar a ideologia de lado e ser o mais técnico possível.

        Disse que o governo Lula é sensível às demandas dos movimentos sociais, na medida em que esses movimentos, articuladamente, pressionam o governo. Você só corroborou o que afirmei: é na base da presão mesmo, porque é um governo em disputa. Mas no governo tucano, apesar de você não querer fazer a comparação, havia pressão social, mas o governo permanecia alheio a isso. Cobro o governo naquilo em que considero que deve ser cobrado. Citei dois exemplos: reforma política e política de comunicação. Há outros, claro. Lula deveria ter usado seu imenso capital popular para enquadrar os políticos e os partidos fisiológicos. Mas ele preferiu se “conformar” com a realpolitik. Resultado: teve que engolir muitos Sarneys da vida em nome da “governabilidade”.

        Em relação ao aspone, já disse tudo o que tinha a dizer. Fiz a denúncia no blog, fui ameaçado, registrei a queixa e levei o caso à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Cobrei da prefeita uma resposta, mas fui ignorado. Perguntei à president do Sinsenat (Sindicato dos Servidores de Natal), Soaria Godeiro, o que o sindicato faria para defender o nome dos servidores acusados de “ladrões” pelo aspone. A presidente disse que o aspone garantiu que apresentaria “provas materiais” da sua inocência. O prazo para apresentação das “provas materiais” terminou e o aspone não mostrou nada. Soraia, que disse que exigiria a demissão do aspone à prefeita, caso ele não apresentsse as tais provas, também não fez nada. A prefeita, durante uma entrevista, me pediu em particular para eu deixar de “arengar” com o aspone. Eu respondi que ela deveria escolher melhor seus auxiliares. A prefeita precisa do aspone, porque ele distribui as “patadas” que ela gostaria de dar, mas não pode publicamente. Por se sujeitar a esse papel de capacho, sem moral e sem escrúpulos, ele se mantém firme e forte, cada vez mais prestigiado e poderoso, com força para perseguir esse blogueiro e pedir minha cabeça onde quer que eu esteja. Virei persona non grata na imprensa potiguar. Ninguém quer dar emprego ao “jornalistazinho” que “brigou” com o secretário da prefeita. É isso. Não tem nada de “chorar pelos cantos” nem de “dar uma de mártir”. Por não me conhecer, você incorre nesse julgamento errôneo.

  2. esdras em disse:

    Olha, Allisson, li cinco vezes o texto do Noblat, e não vi esse “ranso” (sic).

    Ele faz uma análise que qualquer um faria, desde que não esteja contaminado como o blogueiro pelo desejo ardente de Dilma firmar-se como candidata.

    A análise final é eleitoral. Só.

    Se queremos honestidade, vamos ser honestos, ok?

    Quanto à questão da esmola, é esmola sim. É populismo sim. Necessário? Sim. Mas a fila tá andando. Será que iremos sustentar gerações por motivos populistas?

    Não devemos dar a oportunidade das pessoas crescerem e serem livres do Bolsa Família assim como foram livres das cestas-básicas?

    Acompanho dois projetos sociais: um com moradores de rua e outro com crianças de uma comunidade carente de Natal. A experiência indica que se damos tudo de graça criamos mais uma geração que perpetuará o modelo assistencialista.

    Ajudar as pessoas mais pobres desta sociedade passa longe de dar apenas pão (ou bolsas-da-vida). O primeiro passo foi dado, mas tá na hora da fila andar, mesmo que o ranço petista seja o de manter as pessoas presas à um personagem.

    • alissoncal em disse:

      Esdras, o ranço (perdão pelo erro anterior) é notório. Noblat desdenha da popularidade de Lula, se refere, em tom cínico, ao governo do presidente como “obra perfeita” e insinua que o presidente é arrogante. A análise está longe de ser apenas “eleitoral” e “descontaminada”.

      Quanto à política social do governo — esta que você chama de “esmola” — , os dados mostram o êxito desta gestão: 32 milhões de brasileiros saíram da miséria. Fico espantado com esse discurso preconceituoso da nossa elite oligárquica, para quem pobre é vagabundo, preguiçoso e acomodado.

      Dizer que o Bolsa Família é meramente assistencialista e que “vicia” os beneficiários é pura ignorância. O programa não se limita ao pagamento dos benefícios: as famílias precisam cumprir com várias contrapartidas para receber o auxílio: os filhos precisam frequentar as aulas, as vacinas precisam estar em dia etc. Essas contrapartidas, por sua vez, ajudam a combater outros problemas, como a exploração e o abuso sexual de crianças e adolescentes, o trabalho infantil e a morte precoce dessas crianças. Fora isso, há o programa de qualificação profissional para os pais que recebem o Bolsa Família.

      As pessoas, como você, que criticam tão raivosamente os programas sociais do governo federal devem imaginar que vivemos na Suiça. Aproveito para destacar trecho de um artigo do ministro Patrus Ananias, publicado na Folha em 16/03, sobre esse assunto: “Mesmo em sociedades mais evoluídas dos pontos de vista econômico, social, cultural e humano, há sempre uma parcela da população mais fragilizada. São pessoas, famílias e comunidades inteiras que, por circunstâncias, perderam condições de sobrevivência e precisam da ajuda do Estado.

      No Brasil, só muito recentemente começamos a estruturar nossa rede de proteção e promoção social. Temos ainda um longo caminho pela frente. A ausência de política voltada para amparar os mais pobres e combater desigualdades ao longo de nossa história nos legou grande dívida social e estamos empenhando esforços para resgatá-la.”

      Em outro trecho, o ministro fala em “aperfeiçoamento” e “adequação” das políticas sociais, conforme o surgimento de novas demandas. Vocês repetem o mantra que “não podemos dar tudo” para não “acostumar errado os pobres”, mas não dizem como dar independência a uma geração de excluídos da noite para o dia. Como essas pessoas conseguirão ter acesso ao mercado de trabalho? Enquanto isso, como suprir suas necessidades básicas e urgentes? Como disse antes, uma das contrapartidas do Bolsa Família é que as crianças estejam frequentando as aulas. Acertadamente, o programa atende a uma necessidade que não pode ser adiada, mas aposta no futuro, ao investir na educação dos filhos dessas famílias. Esse é um dos caminhos.

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