Embolando Palavras

A partidarização da imprensa

Ainda no embalo do factóide envolvendo Lina Vieira, Luiz Carlos Azenha escreveu um ótimo artigo sobre a partidarização da imprensa brasileira. Para o blgueiro, esse fenômeno “vai além do desapego à verdade factual”.

Temos jornalistas que, em nome de contemplar “os dois lados”, simplesmente se deixam usar para fazer propaganda política“, destacou.

Em relação ao episódio envolvendo Lina Vieira, Azenha afirmou que “a mídia transformou um factóide em um fato. Fez isso em nome dos partidos de oposição, numa clara estratégia para avançar os interesses partidários.”

Azenha comentou ainda o inusitado aparecimento da agenda de Lina Vieira, onde estaria o resgistro a mão da data do encontro que a ex-secretária disse ter tido com a ministra Dilma Rousseff — 9 de outubro de 2008:

“Quem é que fez a acusação sem apresentar provas, que se “esqueceu” da agenda e que aparentemente mudou de versão? Lina Vieira. A mídia, no entanto, continua assumindo como verdadeiras as declarações dela. Continua fazendo claramente o jogo dos partidos de oposição.”

Leia a íntegra do artigo aqui.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) também comentou, pelo Twitter, o suposto surgimento da agenda de Lina Vieira. “Antes Lina jurava que o tal encontro com Dilma p/tratar sobre Sarney teria sido em dezembro, à tarde. Agora na Veja ela diz que foi 09/10”, ponderou.

“No Senado mostrei a informação sobre os encontros de 09 e 10/10 nos quais tratou-se do Fórum CEOS. Ela confirmou. Agora se desdiz”, acrescentou o petista.

“Ela disse q a reunião foi à tarde. Mas foi na manhã d 9/10. À tarde Dilma e Lina foram a SP p/ o CEOS. Impossível se encontrarem no Planalto”, afirmou Mercadante.

Já sobre o assunto que teria sido tratado no suposto — a ministra, segundo Lina Vieira, pediu para “agilizar” as investigações do fisco contra a família Sarney –, o senador duvidou da versão contada pela ex-secretária: “Em outubro Sarney ñ era candidato à pr do Senado. Ñ fazia sentido, como diz Lina, Dilma interceder por ele junto à Receita”.

Apesar de todas as contradições comprovarem a farsa, ainda há quem continue afirmando que acredita em Lina Vieira, quase como uma confissão de fé às cegas.

Juro que tento, mas não consigo entender o encantamento que a “cidadã natalense” Lina Vieira exerce sobre os papa-jerimuns — principalmente os da imprensa.

 

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6 opiniões sobre “A partidarização da imprensa

  1. esdras em disse:

    Alisson, olha essa do Fernando Rodrigues, da Folha. Depois, responda-me: a preocupação de Lula com a Vale refere-se aos investimentos ou ao valor que vai sair do Nizan para a campanha do Serra? e mais: são ou não são farinha do mesmo saco? Um pelo outro, não quero troco.

    “A publicidade da Vale azedou relação com o PT

    A Vale gastou R$ 178,8 milhões em publicidade nos últimos 12 meses terminados em setembro. A conta de propaganda da mineradora foi entregue a Nizan Guanaes, o marqueteiro predileto do PSDB ao longo de quase duas décadas. FHC e José Serra, entre outros, foram clientes de Nizan.

    No mercado publicitário, R$ 178,8 milhões é considerado um valor alto. Como comparação, a marca de sabão em pó OMO consumiu R$ 141,7 milhões no mesmo período. Os dados são do Ibope Monitor. Há também um outro dado curioso: mineradoras no mundo todo não costumam fazer publicidade, pois o seu produto (minério) não é vendido ao consumidor final.

    Esse gasto com propaganda e a escolha de Nizan foram dois fatores relevantes para que azedasse a relação entre a Vale e o Palácio do Planalto, sobretudo entre o PT e a Vale.

    Embora privatizada, a Vale tem participação acionária robusta de fundos de pensão das principais empresas estatais federais –esses fundos são controlados de maneira rígida por pessoas ligadas ao PT. Muitos petistas enxergaram como uma afronta ao governo no atual período pré-eleitoral o gasto de R$ 178,8 milhões em publicidade e a entrega da conta a um marqueteiro “tucano”.

    Não é à toa que Nizan Guanaes esteve recentemente em Brasília para conversar com Franklin Martins, o ministro da Secretaria de Comunicação de Lula. Franklin é o responsável por toda a área publicitária federal.

    Essas conexões sempre complexas entre política e publicidade foram abordadas hoje na coluna Brasília, da Folha de hoje (21.out.2009). A íntegra está abaixo:

    FERNANDO RODRIGUES

    A Vale e a política

    BRASÍLIA – A Vale ganha dinheiro explorando minério de ferro. Não há notícia de ameaça ao seu poderio em solo brasileiro. Ainda assim, a empresa se lançou com volúpia ao mercado publicitário.

    Nos últimos 12 meses terminados em setembro, a Vale torrou R$ 178,8 milhões em propaganda. No mesmo período, a marca de sabão em pó Omo consumiu R$ 141,7 milhões. Os dados são do Ibope Monitor -não consideram descontos, mas são elevados em todos os cálculos e comparações possíveis.

    Mineradoras pelo planeta afora praticamente não fazem propaganda. Seria jogar dinheiro pela janela.
Nenhum consumidor leva em conta ao comprar um carro se o aço foi produzido com o minério de ferro da Vale. Tanto faz.

    A atitude da Vale ao fazer propaganda como se fosse uma estatal destrambelhada obedece a motivações diferentes da lógica do mercado. Há componentes políticos e empresariais envolvidos.
O aspecto empresarial é obscuro. A Vale pode argumentar com a clássica necessidade de fixar a marca.
Seria um sofisma inaplicável, pois inexiste conexão capitalista entre o lucro da empresa e as propagandas na TV. A não ser que o componente político esteja presente.

    Aí vem o lado curioso. Uma empresa privada com despesas publicitárias acima de R$ 100 milhões segue as normas básicas de governança corporativa. Uma conta assim só é entregue a uma ou várias agências depois de um duro e competitivo processo de escolha.

    Não se conhece a forma pela qual a Vale concluiu ser conveniente dar sua conta milionária ao publicitário Nizan Guanaes. Mas sabe-se muito bem que o nome Nizan Guanaes causa pesadelos no PT. Nizan foi o marqueteiro preferido de tucanos, de FHC a José Serra. Todos conhecem no Brasil os vasos comunicantes entre publicidade e política. E os custos altíssimos da campanha eleitoral de 2010.”

    Lembra ou não o caso do mensalão? E aí, Lula mudou a forma de fazer política? Sabemos que ele não inventou essa jogada. Apenas aceitou ser igual à todo mundo. Péssima concessão, não?!

    • alissoncal em disse:

      Esdras, interessante vc dizer que sua “posição é de ler tudo, analisar, questionar, jogar a maior parte no lixo”, mas sempre forma opinião pelo PIG — cuja existência vc atribui às minhas “teorias conspiratórias”.

      A insatisfação do governo com a Vale, até onde se sabe, tem a ver com outros motivos. Esta estória que o relacionamento do governo com Vale “azedou” em função da publicidade da empresa ter ficado com o “publicitário do PSDB” parece um tanto quanto fantasiosa. Eu arriscaria dizer que é uma tentativa de diminuir o debate, para fazer as pessoas crerem que o interesse do governo com a empresa é eleitoreiro.

      Kennedy Alencar, também colunista da Folha, tem opinião bem diferente do seu colega de jornal:

      Lula tem o dever de debater rumo da Vale

      KENNEDY ALENCAR
      Colunista da Folha Online

      O presidente da República está certo ao querer discutir as diretrizes da Vale. Ela é uma empresa privada que tem bastante capital de origem pública. Os fundos de pensão de estatais federais e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) são sócios da companhia.

      Mais do que isso: ela explora riqueza naturais não renováveis. De acordo com a Constituição, no artigo 20, “os recursos minerais, inclusive os do subsolo” são “bens da União”. A Vale, portanto, explora essa riqueza por meio de autorização da União.

      Isso significa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem o direito de derrubar o presidente da empresa? Que deve discutir detalhes da administração cotidiana?

      Não.

      Mas o presidente da República tem o dever, de acordo com a sua consciência e em respeito aos votos que recebeu, de debater com a empresa os seus rumos, caso julgue que uma inflexão em sua atuação possa ser mais benéfica ao país.

      Dizer que o PT quer tomar a empresa de assalto com o objetivo de arrumar recursos para a campanha eleitoral de 2010 é desinformação. A gestão Lula tem sido uma mãe para os mais ricos. A elite empresarial brasileira está bastante disposta a contribuir para a eventual campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

      Os problemas, no caso da petista, são filtrar o excesso de oferta privada e desautorizar operadores oficiosos que vendem uma importância no governo que não possuem. O risco de Dilma é abrir a porteira para todo tipo de contribuição financeira. Mas isso será assunto de outra coluna, com mais detalhes ainda em apuração.

      De volta à Vale, é importante levar em conta que uma gestão privada não deve ser atrelada ao desejo do presidente de plantão. No entanto, é bom o argumento de que se trata de uma empresa que atua em área estratégica para o desenvolvimento do país. Faria mal um governo que desconsiderasse isso.

      É ótimo que, desde a privatização em 1997, o número de funcionários da Vale tenha passado de 10 mil para 60 mil. Muito bom que seu valor de mercado tenha subido de US$ 8 bilhões para US$ 125 bilhões.

      Certamente, o resultado foi excelente para os acionistas e para o Tesouro, para quem a mineradora pagou mais imposto. Mas essa performance não poderia ter sido ainda melhores?

      No caso da MMX, da empresário Eike Batista, a rentabilidade em relação a cada real aplicado nos últimos três anos foi duas vezes superior à da Vale. Ou seja, os números dizem muito coisa, mas não tudo.

      O assédio político à Vale deve ser combatido, mas a empresa precisa levar em conta os interesses estratégicos do país. Não é absurdo pedir que a Vale invista em siderurgia e que trate de agregar valor aos produtos que explora. Esse é um debate que interessa aos brasileiros.

  2. Fred Campos em disse:

    Realmente concordo com Azenha, ha uma parte da imprensa partidarizando as coisas, eu falo dele mesmo de seus amigos Rodrigo Viana e Paulo Henrique Amorim, falo também de Mino Carta e de Luis Nassif.
    Você não encontra uma crítica ao Governo Lula no Blog desse pessoal que citei acima.

    • esdras em disse:

      Taí: eu gostei, Fred.

      Eles (e o blogueiro) gritam e reclamam da partidarização, mas é só que fazem.

      E não venham dizer que eles se assumem partidários, pois não o fazem. Dão uma de donos da verdade ou de libertários.

      Um pelo outro, não quero troco!

      • alissoncal em disse:

        Não tenho procuração pra defender Azenha, Nassif nem Viana, mas desconheço qualquer fato que deponha contra a honra e a credibilidade dos nobres colegas. A crítica da mídia é essencial para o aprimoramento da democracia. Quem está satisfeito com o que está aí, continue bebendo dessa fonte tão “confiável”.

      • esdras em disse:

        Alisson, a bem da verdade, você deve lembrar que tenho falado sempre que a minha posição é de ler tudo, analisar, questionar, jogar a maior parte no lixo, e tentar ir formando a opinião, que no meu caso, está pronnta para mudar desde que sejam oferecidos bons argumentos.

        Quanto aos “nobres colegas”, desconfio muito de pessoas limpas demais. E com tanto tempo de janela.

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