Embolando Palavras

As entranhas do jornalismo potiguar

THAISA GALVÃO É DEMITIDA DO JH

Como diz o título daquele filme antigo do Speilberg, um dia a casa cai. Demorou, mas caiu para Thaisa Galvão, a blogueira — na ausência de um termo melhor — política mais badalada de Natal. 

Thaisa foi demitida ontem (20) da Editoria-Geral do “Jornal de Hoje”, cargo que ocupava desde 2000.  De uns anos para cá, graças à visibilidade alcançada com a função, a agora ex-editora virou uma espécie de estrela do colunismo político do RN, principalmente depois do lançamento do seu blog — espécie de vitrine virtual usada para promover amigos, chantagear desafetos e assassinar a reputação dos que cruzarem seu caminho.

A demissão de Thaisa é um mergulho nas entranhas do jornalismo potiguar. Ela é a síntese de um tipo de jornalista que se transformou quase num modelo de sucesso: bajuladora dos poderosos, íntima dos mandatários de plantão e cúmplice da pequena política.

Há poucos dias, comentei aqui no blog o episódio da festa de aniversário que a prefeita Micarla de Sousa ofereceu, em sua casa, para a “amiga” Thaisa Galvão. Faço questão de repetir o comentário que postei na época: trata-se de um exemplo escancarado da promiscuidade que impera entre jornalistas e governantes em Natal, onde aqueles que deveriam fiscalizar o poder se orgulham da intimidade que ostentam com os poderosos. 

No livro “Simulacro e poder: uma análise da mídia“, a filósofa Marilena Chaui observa que, com a transformação dos jornais de órgãos de notícias a órgãos de opinião, os jornalistas passaram a ocupar o lugar que, tradicionalmente, cabia a grupos e classes sociais e a partidos políticos.

A “ascensão do partidarismo”, destaca a professora, “deixa o leitor ainda mas desconfiado em relação às notícias”. Por isso, continua, “o jornalista se tornou protagonista da destruição da opinião pública”.

Thaisa nunca deu importância à opinião pública, porque sempre achou que jornalista não tem que dar satisfação a ninguém — isso seria muito comezinho. Prestar contas, sim, mas só aos seus patrociadores, entre os quais o governo estadual, a prefeitura da capital e a Assembléia Legislativa.

Ailton Medeiros contou que o dono do JH, Marcos Aurélio de Sá, “estava preocupado com a imagem do jornal, arranhada por conta das relações de sua editora com a prefeita Micarla de Sousa e o governo Wilma de Faria“.

Mas Thaisa, ao que parece, não vai ficar muito tempo desempregada. A prefeita Micarla de Sousa, logo que soube da demissão da amiga, ligou oferecendo-lhe a direção de jornalismo da TV Ponta Negra. É um reconhecimento justo pelo empenho que Thaisa sempre demonstrou na defesa dos interesses da prefeita.

Longe de ser referência para alguém, Thaisa é uma vergonha para aqueles que encaram o jornalismo com o mínimo de ética, seriedade e respeito — respeito essencialmente ao cidadão, o verdadeiro “patrão” a quem devemos fidelidade.

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