Embolando Palavras

Kennedy Alencar: “FHC esquece o passado”

O blog reproduz, na íntegra, o excelente artigo de Kennedy Alencar na Folha Online (comento em seguida):

 

O eleitor, esse ingrato analfabeto

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez novo movimento para assumir a linha de frente da oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em artigo no último domingo (01/11), nos jornais “O Globo” e “O Estado de S. Paulo” desceu a lenha em Lula com elegância e vigor.

Segundo FHC, o petista comete “transgressões cotidianas”. Atropela a lei e os “bons costumes”. Faz uma aliança de natureza política autoritária, unificando sob verbas públicas os interesses do Estado, de sindicatos, dos movimentos sociais, dos fundos de pensão e das grandes empresas. Alerta para o risco de subperonismo. E sapeca um novo conceito político-sociológico: “autoritarismo popular”.

Em meio a uma oposição sem discurso, com potenciais candidatos ao Palácio do Planalto que não desejam atacar Lula, FHC cumpre o papel de tentar desgastar um presidente, que, com sua alta popularidade, tentará eleger como sucessora a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

FHC, porém, esquece o passado. No seu governo, os fundos de pensão das estatais foram usados politicamente para a formação de consórcios privados que arremataram empresas públicas. O Estado, naqueles anos, atuou no limite da irresponsabilidade, como disse Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil que ficou muito rico nos anos FHC.

A Força Sindical, hoje nos colos de Lula, era massa de manobra do PSDB. A aliança com o PFL, hoje DEM, não difere muito da firmada pelo PT com o PMDB, em nome de um realismo político que sacrifica a ética. No estilo de governar, FHC e Lula se parecem, com algumas nuances.

O petista é mais desabrido ao abraçar figuras de biografias suspeitas?

Sim.

Mas o tucano nomeou um procurador-geral da República que ficou conhecido como engavetador-geral da República.

O procurador-geral é o único que pode pedir abertura de investigação e de processo penal contra o presidente da República. FHC não se arriscou com as seguidas nomeações de Geraldo Brindeiro. Lula escolheu o mais votado da categoria. E viu um deles denunciar a existência de uma organização criminosa em seu governo.

Houve tentações no governo Lula, mas ele nunca cruzou a linha que separa a democracia do autoritarismo. Quando tentou, a sociedade reagiu. Já o tucano mudou, com apoio popular, a regra eleitoral no meio do jogo, obtendo a possibilidade de disputar a reeleição em 1998.

Resumindo: FHC exagerou. E, quando isso acontece, costuma ser bom para o atacado.

O tucano parece que está chateado com o eleitor que votou democraticamente em Lula, um presidente que tem seguido à risca o que prometeu. “Autoritarismo popular” soa meio golpista e demófobo. Não é algo à altura do ex-presidente.

 

Há dois equívocos no artigo de Kennedy. Primeiro, dizer que FHC mudou a regra eleitoral “com apoio popular”. Não é verdade. FHC aprovou a reeleição com o dinheiro das privatizações, na maior negociata da história do Congresso Nacional, sem ouvir a população.

Depois, dizer que FHC apenas “exagerou” é ser condescendente demais com os desmandos do ressentido príncipe dos sociólogos.

 

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