Embolando Palavras

Interstícios

A vida é um moinho, pregava Cartola. A vida é um redemoinho, ouso acrescentar. Mas, a despeito da fatalidade dos dias, sempre haverá Shakespeare: “Ainda é madrugada / Deixa clarear / Deixa o sol vir bordar os cabelos da aurora”.

Às vezes tenho medo da claridade do sol, porque a luz é sempre reveladora. Não há como escapar da luminosidade perturbadora do dia. A noite é sempre passageira – os medos não. Eu não queria sentir o que sinto, mas sobre isso não exerço nenhum domínio. Então, calo e me rendo à desorientação.

Mas, se ainda assim, você perguntar o que quero, insisto na prerrogativa do silêncio, para não esmagar com palavras as entrelinhas [Copyright Clarice Lispector] – porque ruim é quando as coisas ficam na superficialidade da clareza.

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