Embolando Palavras

Faz silêncio

Fazer o quê, se só resta a poesia? Isso lhe parece pouco? É tarde, a noite está logo ali. As horas anunciam a proximidade do silêncio. Faz silêncio em meu peito. Porque o silêncio é uma grande coisa. O silêncio é o perdão da palavra. Por isso eu calo, mesmo com tanta coisa pra falar. Mas o que falo não faz mais efeito.

Eu sou assim mesmo, temperamental, inseguro, desequilibrado. Não confio nas minhas impressões — muito menos neste meu vagabundo coração. Não sou mais um menino com sua pipa: sou um homem com aspirações imortais.

Agora, talvez aproveite essa rara tarde iluminada para abrir a janela do quarto. Depois, só esperar que o tempo passe e leve com ele essa melancolia que insiste em ficar.

Despeço-me, então, com Clarice: “Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso.”

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Uma opinião sobre “Faz silêncio

  1. Melina em disse:

    “Abre a janela agora
    Deixa que o sol te veja
    É só lembrar que o amor é tão maior”

    Transpondo silêncios, compondo poesia além do vazio de uma tarde.

    [nesse espaço cabe um sorriso]

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