Embolando Palavras

A agressão de Eugênio Bezerra

Fiquei afastado do blog por muito tempo. Primeiro, por causa das eleições. Depois, porque estava sem ânimo pra voltar a escrever. Estava me sentindo perdido em um “jardim de veredas bifurcadas”, como escreveu Borges. Ensaiei voltar algumas vezes, mas ficou só na tentativa. Agora, decidi voltar pra contar a história da agressão que sofri na noite de ontem (28), pelo assessor especial da prefeita de Natal, Micarla de Sousa, o jornalista Eugênio Bezerra.

Entendi que seria melhor tornar a confusão pública porque a questão envolve detalhes que ultrapassam a esfera privada. Não é a primeira vez, nem fui o primeiro a ser agredido pelo assessor da prefeita. A diferença foi que, desta vez, a agressão foi física.

Como relatei ao delegado da Delegacia de Polícia de Cidade da Esperança, Pedro Paulo Falcão, ao passar pela área de lazer em frente ao Carrefour, onde está sendo instalada a árvore de Natal pela Prefeitura, no bairro de Mirassol, dei de cara com Eugênio Bezerra.

Eu vinha do Shopping Cidade Jardim, onde estava com um amigo (Matheus) e uma amiga (Tânia). Após lancharmos no Pittsburg, Tânia pegou a condução e seguiu pra casa dela, no bairro de Nova Parnamirim. Eu e Matheus fomos caminhando em direção ao Shopping Via Direta pra pegar o ônibus até o bairro onde moro – Dix Sept Rosado.

Meu amigo seguiu na minha frente. Tirei duas fotos da arvore, depois continuei caminhando. Quando atravessei a rua, vi que Eugênio vinha na minha direção. Peguei o celular pra ligar pra Matheus, que estava uns 50 metros à frente. Pra minha surpresa e espanto, ao passar por mim, Eugênio me parou dizendo: “Diga aí, mau caráter”. Não entendi direito, achei até que ele estava brincando. Estirei a mão pra cumprimentá-lo. Ele afastou minha mão, dizendo que não “apertava mão de mau caráter”.

Ainda meio atordoado, perguntei como ele ainda tinha coragem de dirigir a palavra a mim, mesmo sabendo que não tenho lhe tenho nenhuma estima. Ele me chamou de mau caráter mais uma vez e disse: “Eu ainda vou lhe dar um ‘cacete’ se você não parar de me perturbar”. Eu respondi dizendo que se ele cumprisse a ameaça, teria que responder por isso. Depois disso, ele me chutou e me empurrou. Fiquei desequilibrado, mas não cheguei a cair. Chamei Matheus, porque sabia que precisaria de uma testemunha da agressão.

Depois de chamar meu amigo, me virei novamente pra Eugênio, que me acertou com um soco no nariz. Tentei tirar uma foto dele com meu celular pra comprovar que ele estava lá no local, temendo que ele negasse a agressão, ou mesmo que tivesse estado na praça naquele dia e horário. Matheus viu, ainda à distância, o momento em que levei o soco. Ele veio em nossa direção, mas Eugênio correu para o carro dele e fugiu pra não ser pego em flagrante.

Liguei para a emergência da Polícia Militar, relatei o fato e esperei a viatura chegar. Quando os policiais chegaram, contei o que havia acontecido. Os policiais me instruíram a ir pra DP de plantão, porque não teriam como fazer nada, uma vez que o agressor havia fugido e eles não poderia dar o flagrante.

Eu e Matheus pegamos o ônibus e fomos pra DP de Cidade da Esperança. Ao chegarmos lá, fiquei ainda mais surpreso ao encontrar o próprio Eugênio, que tentava prestar queixa contra mim, alegando que havia “metido a mão” em mim pra se defender. Ele argumentou que eu o havia agredido primeiro com palavras ofensivas, depois o empurrado. O delegado perguntou se ele tinha alguma marca corporal ou uma testemunha. Ele disse que não, simplesmente porque essa versão dele é a mais pura e deslavada mentira.

Diante do delegado, do chefe de investigações e de outros dois policiais, Eugênio assumiu que me agrediu fisicamente, mas tentou se justificar fazendo alegações sem apresentar nenhuma prova. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar.

Eugênio disse que estava no local de trabalho dele (?!) e que eu fui lá exclusivamente para agredi-lo. Os amigos dele no Twitter, para defendê-lo, o ajudaram a divulgar essa lorota. É mentira. Como já disse, passei pelo local ocasionalmente, porque estava indo pegar o ônibus no Shopping Via Direta. Tenho pelo menos duas testemunhas que podem atestar isso. Nem passou pela minha cabeça que o assessor da prefeita pudesse estar lá. Mesmo se soubesse, aquele é um local PÚBLICO. Tenho o direito de ir e vir, sem precisar pedir autorização ao senhor Eugênio Bezerra.

Tenho uma testemunha, um exame de Raio-X e um laudo do ITEP atestando que fui agredido e, em conseqüência disso, sofri um “trauma no nariz”, caracterizado como uma “lesão leve”, conforme atestado assinado pelo médico legista Dr. Abelardo Rangel Monteiro Filho. O que Eugênio Bezerra tem para confirmar a versão dele? Alguma testemunha? Algum exame físico? Alguma gravação? Nada. Absolutamente nada. Nem poderia ter, porque se trata de uma grande mentira.

Ainda na delegacia, após registrar o Boletim de Ocorrência Nº 1199/2010 e abrir um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência), fui instruído a comparecer ao ITEP, a fim de fazer o exame de corpo-delito. Chegando ao ITEP, fui orientado a ir ao hospital para fazer um exame de Raio-X da face e do nariz. Fui ao Hospital Walfredo Gurgel, onde fiz o exame solicitado. Depois, retornei ao ITEP para ser examinado pelo médico-legista. Quando voltei pra casa, passava das 3h da manhã desta segunda-feira (29). Foram quase oito horas entre delegacia, Walfredo Gurgel e ITEP.

No final, ficou agendada uma audiência no Juizado Especial Criminal para o dia 12 de janeiro de 2011, quando eu e o meu agressor deveremos comparecer na presença do juiz. Não sei o que vai acontecer, mas asseguro que buscarei a justiça até o fim. Não tenho medo das ameaças, nem das agressões do assessor da prefeita Micarla de Sousa – aliás, gostaria que a prefeita, desta vez, em vez do silêncio cúmplice, dissesse se reprova a atitude do seu assessor, se vai tomar alguma providência, ou se, novamente, vai passar a mão na cabeça dele.

Histórico

Eugênio Bezerra tem um longo histórico de agressões contra pessoas que criticam a administração da prefeita Micarla de Sousa. Os inúmeros casos lhe renderam, inclusive, o apelido de “Pitbull de Micarla”, dado pelo “Novo Jornal”, em matéria de capa do dia 10 de janeiro deste ano com o perfil do jornalista (leia a íntegra da matéria aqui).

Por vezes, a fé cega à borboleta e à administração verde o faz perder a cabeça, e ele transforma o palco imenso da internet em ringue, trava rinhas pessoais com jornalistas que vão contra os mandos da pevista, faz bravatas, chama para briga. Nessas horas, a argumentação pobre, as discussões de baixo nível e os erros de escrita transformam o escudo em munição para os adversários e a prefeita vira alvo fácil: por que Micarla de Sousa confiaria justamente a ele o nobre cargo de assessor especial? Aliás, qual é a função de um assessor especial?”, escreveu a jornalista Luana Ferreira sobre Eugênio Bezerra.

Eugênio vive se fazendo de vítima, com um cinismo bem peculiar, dizendo que tenho “obsessão” por ele e que sou seu “carma”. Ele não exita em recrutar amigos anônimos, que adotam perfis falsos nas redes sociais pra espalhar boatos e tentar assassinar minha reputação. Para quem ainda imagina que sou o único a ter problemas com o assessor da prefeita, transcrevo mais um trecho da matéria de Luana Ferreira, relatando as ameaças que o rapaz fez às jornalistas Anna Ruth Dantas, Eliana Lima e Laurita Arruda:

Entre os colegas jornalistas, ganhou os apelidos de “mucama” e “apupo-ruminante” – este último recentemente, depois de ameaçar as jornalistas Anna Ruth, Eliana Lima (do jornal Tribuna do Norte) e Laurita Arruda (blogueira) após as três escreverem sobre o show de Padre Fábio, que ganhou R$ 221 mil da prefeitura para cantar em Natal em 25 de dezembro. “Vou falar sobre mentiras e verdades. Bom e mal (sic) jornalismo no caso do show de Pe Fábio”, postou no Twitter. Em seguida, ameaçou: “Vou falar claro sobre a cobertura da Tribuna. Das coleguinhas (sic) Anna Ruth, abelhinha e Laurita. Alias (sic) sobre esta ultima (sic) tenho um babado forte”. (Leia também aqui sobre a ameaça às jornalistas)

Os meus problemas com Eugênio começaram quando ainda trabalhava com ele na assessoria de imprensa da então deputada estadual Micarla de Sousa. Enfrentei a fúria dele diversas vezes, quando combati sua postura ditatorial e bati de frente contra suas tentativas de assédio moral. Meu currículo chegou às mãos dele através de um sobrinho seu, à época meu vizinho e amigo. Eugênio disse que havia gostado do meu perfil e, principalmente, dos meus textos. Acertamos minha ida, como estagiário, para o gabinete da Borboleta. Após me formar, continuei trabalhando lá, mas agora recebendo o piso salarial da categoria.

Quando vieram as eleições de 2008, Eugênio me chamou pra ir pra assessoria de imprensa da campanha. Atuei apenas duas semanas nesta função. A então marqueteira de Micarla, Balila Santana, me convidou pra integrar a equipe de marketing, pra fazer pesquisa de conteúdo. Antes de começar a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, Balila deixou a campanha, sendo acompanhada pelos profissionais que vieram pra Natal a convite dela. A campanha ficou sem redator.

A experiente jornalista carioca Tânia Celidônio foi convocada para a função. Quando ela chegou, nos conhecemos e comecei a colaborar com alguns textos. Tânia, então, me indicou para ser redator auxiliar, uma vez que a campanha era complexa e ela acreditava que precisaria de ajuda. O publicitário José Ivan, que havia assumido o lugar de Balila, concordou com a indicação. Assim, me tornei redator da campanha vitoriosa da Borboleta.

Faltando umas três semanas para o dia da eleição, por motivos estritamente pessoais, pedi demissão da campanha. Meus colegas de trabalho pediram, à unanimidade, para que eu pudesse rever minha decisão. Mas estava convicto.

Depois disso, com a vitória de Micarla, começou meu inferno astral. Eugênio deu início a uma campanha difamatória contra mim pelos quatro cantos de Natal. Recrutou e municiou pessoas, inclusive jornalistas, para me atacar no Orkut e no Twitter. Eles diziam que, em vez de pedir demissão, eu havia sido demitido da campanha, por “incompetência” e porque teria “problemas com a equipe”.

Além disso, investigaram minha vida e começaram a espalhar que eu havia sido demitido de todos os lugares onde tinha trabalhado. A ação orquestrada tinha a função de assassinar minha reputação, para que eu não conseguisse mais espaço no meio jornalístico da cidade.

As coisas pioraram depois que o denunciei por ter insinuando, numa comunidade do Orkut, que os funcionários públicos são ladrões. Essa história está contada aqui. Com a publicação da denúncia, Eugênio retaliou violando meu e-mail e meu perfil na rede social, além de fazer uma ameaça de morte (leia aqui). Na época, registrei um BO na mesma DP de Cidade da Esperança e remeti os indícios do crime virtual à Polícia Federal. Até hoje aguardo o resultado da investigação.

Depois desse episódio, Eugênio se retraiu um pouco, limitando-se a fazer provocações pelo Twitter. Ele me acusou recentemente de estar por trás do perfil @BlockdeMicarla, criado pra protestar contra o bloqueio imposto pela prefeita de Natal a quem lhe faz alguma pergunta inconveniente na rede social. Comenta-se que o responsável por bloquear as personas non gratas é ninguém menos que o próprio Eugênio Bezerra.

Apesar de aprovar e considerar a ideia do protesto criativa, não sou o seu autor. Nunca precisei me esconder atrás do anonimato pra dizer o que penso da gestão Micarla de Sousa, nem das atitudes irresponsáveis e truculentas do seu assessor especial. As minhas críticas são públicas e devidamente assinadas.

Agora, com o episódio da agressão física, Eugênio mostrou que não aprendeu nada com as besteiras que fez nestes dois anos como assessor especial da prefeita. Por causa das muitas encrencas, recebeu ainda o apelido de “mucama de Micarla”, dado pelo jornalista Diógenes Dantas.

Eugênio usa Micarla como escudo para suas grosserias, sua truculência e seu comportamento desequilibrado. A prefeita, lamentavelmente, acoberta os sucessivos atos irresponsáveis do seu assessor especial, demonstrando que concorda, indiretamente, com tudo o que seu pupilo faz. Numa cidade séria, esse deslumbrado já teria sido demitido e condenado ao ostracismo. Na Natal de Micarla, porém, as coisas não funcionam como manda a lógica.

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10 opiniões sobre “A agressão de Eugênio Bezerra

  1. Pedimos a esse Jornalista que fale com o seu advogado para procurar o Condomínio onde esse covarde mora. Lá tem inúmeras queixas de agressão contra funcionários e Síndica, da parte dele. Todas as informações que puderem juntar será portante para que esse canalha se ferre. O Condomínio que Ele mora é o Letícia Garcia, por tras do Banco do Brasil da Airton Sena.

  2. Pingback: Para relembrar, a agressão de Eugênio Bezerra | Blog do Renato

  3. Pingback: O macartismo de Micarla « Arengueiro Natal/RN/Brasil

  4. Pingback: O macartismo de Micarla – Sobre o novo adjunto da SAGA « Afauna Natal

  5. Cristiano Silveira em disse:

    Camarada Alisson

    Fiquei revoltado quando li o que esse energúmeno fez contra você. Mas os “valentões” sempre terminam da mesma forma: num fim rápido e trágico.

    Espero que tudo se resolva da melhor forma possível e que esse canalha responda na Justiça pela agressão.

    Abraço.

  6. é isso aí Alisson. Aguenta firme. Estou aqui simplesmente estarrecida com o que acabei de ler…. impressionada com tamanha falta de caráter de pessoas que ocupam cargos públicos e que deveriam se dá ao respeito e respeitar. É o mínimo.
    Força e qq coisa pode contar comigo.
    Um abraço, Dani

  7. foi preciso você leva umas pancadas, para eu conhecer sua forma detalhada e o seu zelo pela notícia, parabéns por trazer os fétidos fatos do bastidores da prefeitura de natal e seus patéticos assessores.

  8. Prezado Alisson,

    Lamentável esta agressão! Lamentável! Novamente, a nossa solidariedade. Este agressor (que me recuso até em citar o nome) passou de todos os limites. Qualquer Juiz de bom senso não hesitará em estabelecer que o mesmo mantenha, sob pena de reclusão, uma distância mínima da vossa pessoa. Aproveito para sugerir que tome, além das medidas penais que vi já estar tomando, todas as medidas administrativas cabíveis, certificando-se junto a Secretaria de “Administração” (a SEGELM) da legislação que deve ser seguida por todos os servidores públicos quanto ao código de ética/conduta, lembrando-se de que todos os cargos comissionados são também, na forma da Lei, SERVIDORES PÚBLICOS! A mínima agressão por parte de um Servidor Público a um cidadão, e mais ainda, a um jornalista, por clara motivação politico-administrativa, já é fato mais do que suficiente para a sua DEMISSÃO SUMÁRIA. Todo(a) e qualquer superior(a) de uma instituição, se sério(a), competente, e comprometido(a), é fiel zelador(a) da conduta de todos os seus subordinados. Tome todas as medidas, incluindo OAB, Sindicato dos Jornalistas, e Ministério Público, para garantir que a Prefeita do Natal não venha alegar desconhecimento destes fatos deploráveis, e seja OFICIALMENTE notificada. É INADMISSÍVEL, e um atentado à Democracia e aos Direitos Civis, que um Servidor Público venha a cometer além do já comprovado assédio profissional, uma agressão física de fato, já confessada pelo próprio agressor, a um cidadão que em última instância deveria estar ao seu serviço, diga-se: PÚBLICO! Nos indignamos e nos colocamos à inteira disposição para, no que for possível, prestarmos nosso apoio e solidariedade.

    Atenciosamente,
    Paulo Araújo
    Sociólogo
    Ex-Secretário Adjunto do Desenvolvimento Comunitário do Município do Natal e Ex-Presidente do COMDICA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
    Diretor de Planejamento e Projetos da FNS – Federação Nacional dos Sociólogos

    PS: Estarei fora de Natal de 30/11 a 04/12 em palestra no Rio de Janeiro, na 9a. ExpoBrasil Desenvolvimento Local

  9. Gustavo Lucena em disse:

    Preliminarmente, presto solidariedade ao blogueiro.

    Isso é resultado de um Estado provinciano, que encontra-se 60, 70 anos atrasada em relação ao resto do Brasil.

    Eugênio Bezerra é só uma ponta do iceberg de uma sociedade viciada em todos os seus aspectos que existe aqui na taba.

    Uma sociedade que se orgulha de ser autoritária, patrimonialista, nepotista, bajuladora dos poderosos e cúmplice com a corrupção.

    Já dizia Ailton Medeiros, Natal é ótima, sem os natalenses.

  10. Alisson, me solidarizo com o colega e sugiro que procure o Sindicato dos Jornalistas para que a entidade se pronucie sobre o corrido, até pelo fato de que a agressão partiu de um outro jornalista. Isso, por si só, não tem o menor cabimento.

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