Embolando Palavras

Sobre qualquer coisa

Estava pensando sobre o que escrever. Há muitas palavras, mas pouco o que dizer. Na noite passada, sonhei com palavras enfeitadas, mas quando acordei a realidade estava novamente lá, sem enfeites. A realidade é só a realidade, como o dia é só o dia e o cinza da tarde dura a semana inteira.

Não, não tenho grandes aspirações. Meus sonhos são simples e, talvez por isso mesmo, mais intangíveis. “A eternidade é o estado das coisas neste momento”, escreveu Clarice Lispector. Agora, quando nada acontece, tudo se extingue. Mas ainda não sei sobre o que escrever. Todas as coisas parecem insossas, como as manhãs nubladas. Escolho as palavras erradas, porque nunca é fácil encontrar a palavra certa.

Estou adiando o inevitável. Cedo ou tarde, tenho que reconhecer que não tenho sobre o que escrever. Não faltam apenas palavras — falta o essencial, falta o sentido das coisas, falta o sentido do sentido. Desconfio que entrei num labirinto silencioso, cujos corredores ficam mais longos enquanto procuro a saída.

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Uma opinião sobre “Sobre qualquer coisa

  1. Zózimo Carlisle em disse:

    E eis que, do nada, surgem belíssimas palavras, frases e parágrafos. Se são os verbetes corretos, também não sei, mas posso garantir que a combinação deles está impecável. Se você urge por Lispector, acho que o mentor do Nada, Sartre, também se orgulharia de suas divagações.

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