Embolando Palavras

A teia é a trincheira da resistência democrática

A teia se espalha. O encontro com o neurocientista Miguel Nicolelis, promovido pelo movimento dos Blogueiros Progressistas do RN, na última sexta-feira (28), repercutiu na blogosfera nacional, enquanto por aqui a regra foi silêncio. Os valorosos Carta Potiguar, Substantivo Plural e Jornalismo em Foco foram das poucas exceções.

Um amigo, entre perplexo e incrédulo, comentou: “A palestra de uma das 100 pessoas mais importantes do mundo, segundo a revista Science, só repercutiria em Natal se fosse alheia à seboseira local”.

O curioso é que essa turma bravejou contra o movimento blogprogrn, desdenhando da classificação de “progressistas”. Um jornal da cidade ironizou dizendo que o grupo se auto-intitulava progressista. Tive que responder sobre isso várias vezes. O desinteresse pelo debate com o maior cientista brasileiro vivo é auto-explicativo e revela quem são e como pensam os conservadores – ainda que resistam em vestir a carapuça.

Mas voltemos ao bate-papo com Nicolelis. Em certo momento da conversa, ele disse acreditar que essa teia, formada pela multiplicidade de redes sociais, poderá nos levar a um novo modelo de democracia libertária, em que é “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia, do fato”.

Nicolelis não poupou críticas à manipulação praticada pela grande mídia brasileira. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato. Vivemos durante muitos anos nas mãos de quem manipulava, mas nós evoluímos (…). A disseminação da verdade pelos meios de comunicação de massa são dólares. Durante séculos acreditávamos naquilo que vinha escrito. ‘Isso aqui foi o cara da Folha de São Paulo que escreveu e é verdade’ “, provocou, levantando risos do auditório lotado.

Por falar em Folha de São Paulo, Nicolelis contou um episódio que presenciou no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suiça) para demonstrar como a velha mídia conservadora coloca em prática a estratégia da manipulação dos fatos. “Eu sentei ao lado de um jornalista da Folha. Falaram do sucesso do Brasil em Davos, mas no outro dia o jornalista não deu uma linha sobre isso na coluna dele. Pelo contrário, a tônica era ‘Ninguém fala do Brasil em Davos’. Inacreditável”.

Para se contrapor a essa manipulação nociva, o neurocientista defendeu que essa teia de indivíduos, ideias e conhecimento deve se espalhar, até que atraia cada um, transformando a todos em protagonistas do novo mundo que tanto desejamos. A teia é a trincheira da resistência democrática.

“Apesar de todas as diferenças aparentes que são minúsculas, somos todos iguais. A neurociência é a teia. Olhando pra todos nós ao mesmo tempo, vão chegar à mesma conclusão: nós somos todos muito iguais. Não é a toa que somos da mesma espécie. Destoamos no atacado, mas no varejo somos previsíveis. Uma visão, uma ideologia de mundo nos dividiu, mas a teia vai nos unir”.

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