Embolando Palavras

Lucinha

A teia da vida é feita de fios cujas pontas nem sempre se encontram. O tempo tece o cordel do destino, como o vento leve, ligando as frouxas conexões que compõem os sonhos. Porque quando os olhos fecham, a luz apaga. A teia, instável, desfaz-se, como o tecido do vestido velho que a menina não usa mais.

Não há mais carnaval, só dias feitos de saudade, lembrança e incerteza. A casa está cheia da ausência dela. Mas as recordações, como disse Borges, “durarão para além de nosso esquecimento”. Em seu lugar, ficou o abraço vazio, a sinfonia inacabada, o verso sem rima.

Ela está por aí, entre galáxias, estrelas e supernovas. Tornou a ficar encantada, como profetizou Guimarães Rosa. Então, como se fosse mágica, repetimos cada palavra na esperança que seja verdade. Mas antes que janeiro chegasse ao fim, a luz que mantinha acesa a candeia perdeu força, a voz se calou, o corpo se aquietou.

Era feita de alegria, esperança e quimera. Agora é poesia, memória e falta.

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3 opiniões sobre “Lucinha

  1. Luana em disse:

    Que bonito, Alisson. Por onde andas? Aliás, quem é Lucinha? Beijos.

  2. Álvaro Guedes em disse:

    Grande Lucinha!! Após o texto não tenho mais o q acrescentar, a nao ser os meus sentimentos…

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