Embolando Palavras

O trololó de Micarla

Em mais uma entrevista evasiva, desta vez para a Tribuna do Norte, a prefeita Micarla de Sousa (PV) voltou a mencionar a tese da “orquestração” para explicar a rejeição ao seu governo, que beira os 80%.

Perguntada sobra como avaliava a reprovação popular, Micarla saiu-se com essa: “Números não são para serem criticados ou analisados. Números são frios.” Nada mais vago.

Para Micarla, quando lhe é desfavorável, a estatística não serve pra nada. Algum assessor deveria dizer à prefeita que os números não são “frios”. Longe disso. Os números medem a insatifação dos natalenses diante da pífia administração que vem realizando na cidade desde janeiro de 2009.

A prefeita se nega a nomear os responsáveis pela “orquestração”. Como lembrou um leitor do blog, Micarla culpa os “perdedores” pelo seu desastre, mas esquece que quase todos que patrocinaram sua candidatura a abandonaram.

Outrora aliados, o senador José Agripino (DEM), o vice-governador Robinson Faria (PMN) e os deputados federais João Maia (PR), Rogério Marinho (PSDB) e Fábio Faria (PMN) agora militam na oposição, reforçando as críticas à gestão da prefeita-borboleta.

Num movimento inverso, os ex-desafetos Vágner Araújo (PSB), Cláudio Porpino (PSB) e o deputado federal Henrique Alves (PMDB) se aliaram àquela sobre quem disseram cobras e lagartos em 2008, quando pediram votos para a adversária de Micarla, a deputada federal Fátima Bezerra (PT).

Afinal, quem são os perdedores, orquestradores e sabotadores que a prefeita tenta responsabilizar pelo caos do município? O que teria levado Agripino, Robinson, João Maia, Rogério Marinho e Fábio Faria a pularem fora do barco do PV?

Francamente, a prefeita precisa encontrar um argumento melhor pra explicar a inércia da sua gestão. Recorrer à figura de “mulher, mãe e perseguida”, como vem fazendo, não a ajudará a obter o reconhecimento do povo.

Inventada pela publicidade, Micarla precisa abandonar as pirotecnias midiáticas e começar a governar a cidade. Com o anúncio do “reoordenamento administrativo”, feito na semana passada, a prefeita avisou que começaria uma “nova era administrativa”, com foco nos resultados para as demandas da população.

Mas a prometida revolução administrativa não resistiu ao teste da primeira semana. Convidado para a Secretaria de Esportes, o presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol, José Vanildo da Silva, avisou que não aceita ser adjunto da pasta, ainda que interinamente, como lhe propôs a prefeita.

Assim, o novo secretariado deverá amargar, somente uma semana após seu anúncio, sua primeira baixa. É mais uma demonstração da ausência de planejamento na gestão do PV. Mesmo com a consultoria da Fundação Getúlio Vargas, Micarla não consegue montar um secretariado minimamente capacitado. Enquanto isso, ficamos aqui, jogando milho aos pombos.

 

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