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Jogo de Poder

Depois que assisti “Jogo de Poder”, no domingo passado, tive vontade de reler “Microfísica do Poder”, clássico de Michel Foucault. Na obra, o filósofo francês expõe sua ideia sobre a circulação do poder. Para ele, o poder em si não existe, mas sim as relações e as práticas de poder.

Foucault fala em “micropráticas de poder”, que reproduzem as “grandes estratégias de poder”. Essas micro-relações não se dão só na política, como pensam muitos, mas se instalam no cotidiano.

Mas o que, enfim, isso tem a ver com o filme?

“Jogo de Poder” é uma mistura entre drama político e pessoal do casal Valerie Plame (Naomi Watts) e Joseph Wilson (Sean Penn). Ela é uma agente da CIA designada para investigar evidências da suposta existência de armas de destruição em massa no Iraque. O marido, um embaixador aposentado chamado para encontrar provas da suposta venda de urânio enriquecido proveniente do Níger.

Ao contrário do discurso sustentado pela administração de Geoge W. Bush, Valerie descobre que o Iraque não desenvolveu nenhum programa de armas nucleares. Wilson chega à mesma conclusão e atesta que o Níger não forneceu urânio para o país de Sadam Hussein, o que desagrada a Casa Branca.

Para justificar a invasão contra o Iraque, o governo ignora o resultado da investigação. Vem do gabinete do vice-presidente Dick Cheney a ordem para “mudar a história”.

Wilson escreve um artigo no New York Times denunciando a mentira da Casa Branca. Para atingi-lo, revelam a identidade secreta da sua mulher, destruindo a carreira de Valerie.

O casal inicia uma cruzada midiática contra a farsa propagada pela Casa Branca. Um funcionário do gabinete presidencial chama Valerie para tentar convencê-la a demover o marido dela da empreitada. Para persuadi-la, diz que Wilson nada pode fazer contra o governo. “Ali estão os homens mais poderosos da história da humanidade“, argumenta.

Valerie e Wilson não dão ouvidos aos recados oficiais. A consequência é que o nome, a reputação e a vida deles vão para a lata do lixo. Hostilizados, perseguidos e ameaçados, precisam provar que foram envolvidos injustamente numa trama em que o poder institucionalizado, em vez de defender os cidadãos, destrói suas vidas.

Numa escala menor, vemos isso ocorrer diariamente nas micro-relações que compõem o mosaico social, político e cultural da nossa província. O caso do blog de “Paulo Doido”, criado para atacar os críticos da prefeita de Mossoró, Fafá Rosado (DEM), é um exemplo da reprodução dessas “micropráticas de poder” descritas por Foucault.

Como ficou comprovado pela investigação do Ministério Público, a estrutura municipal serviu como base para a montagem e a execucação da estratégia que tinha como missão assassinar a reputação daqueles que ousaram não se curvar à vontade dos mandatários da cidade. Para defender, manter e prolongar o poder, não exitaram em “mudar a história”, ainda que, para isso, tenham precisado mentir, denegrir e desmoralizar cidadãos a quem deveriam proteger.

O jogo é sempre esse. Os personagens são sempre iguais. As armas são sempre as mesmas. Contrariando os princípios democráticos, pelo quais deveriam se guiar, os poderosos de plantão, lá e cá, agem como se o poder fosse um fim si. Quando se veem ameaçados, transformam críticos em alvos a serem abatidos.

Morre Alberto Granado, companheiro de Che Guevara em viagens de motocicleta

Da Rede Brasil Atual

 

Alberto Granado, o acompanhante de Ernesto Che Guevara nas viagens que inspiraram o filme Diários de Motocicleta, de 2004, morreu no sábado (5) em Cuba, aos 88 anos. Juntos, Granado e Che fizeram o passeio que se tornou famoso e motivou o livro e o filme.

Por oito meses, a dupla viajou pela América Latina, em 1951. Na época, os dois estudantes de medicina conheceram a pobreza e a injustiça social do continente, o que despertou convicções revolucionárias em Che.

Depois de ajudar Fidel Castro a depor o ditador cubano Fulgêncio Batista em 1959, Che convidou Granado para morar em Cuba. Ali, Granado passou a lecionar bioquímica na Universidade de Havana. Segundo informações da imprensa cubana, Granado morreu de causas naturais, em Havana, e o corpo será cremado.

As cinzas de Granado serão espalhadas em três países: na Argentina, onde ele nasceu; em Cuba, onde viveu; e na Venezuela, país que amava. As informações são da imprensa estatal cubana. Granado e Che se tornaram amigos na infância.

O filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles, foi produzido a partir do diário mantido pelos dois amigos durante sua viagem, a maior parte dela feita na garupa da moto que eles chamavam de La Poderosa.

No filme, Granado foi interpretado pelo argentino Rodrigo de la Serna, e Che, pelo mexicano Gael García Bernal. Che Guevara foi morto na Bolívia, em 1967, enquanto tentava liderar uma revolução no país.

PSDB pode dar Oscar ao Brasil

Essa vem direto d’O Cão Chupando Manga:

 

SALVE GERALDO

Para quem não se lembra, no dia 12 de maio de 2006, a organização criminosa Primeiro Comando da Capital deflagrou uma onda de ataques terroristas contra delegacias, bases da polícia e policiais e bombeiros. Essa história é retratada no filme que representará o Brasil na escolha dos indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro [Salve Geral, do diretor Sérgio Resende].

Um justo reconhecimento aqueles que, em 16 anos de governo em São Paulo, permitiram que o PCC nascesse, crescesse e se organizasse. É o PSDB contribuindo com o cinema e com a cultura brasileira. Sem eles, essa história jamais seria possível.

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