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Blogueiros Progressistas do RN debatem comunicação, política e ativismo social

No último final de semana, o movimento dos Blogueiros Progressistas do RN realizou seu primeiro Encontro Estadual em Natal, com a presença da educadora, historiadora e ativista social Conceição Oliveira, autora do blog “Maria Frô. Democratização da comunicação, redes sociais, governança solidária, gestão e políticas públicas foram alguns dos temas tratados durante o evento realizado no auditório do IFRN da Cidade Alta.

No debate de abertura sobre militância na rede, Conceição Oliveira destacou que, com a explosão da blogosfera, o jornalismo tradicional precisou se “refazer”. “Uma das riquezas da internet é que, quando você tem contribuições de outras áreas, você faz o jornalismo se refazer. É preciso contextualizar as coisas”.

Como exemplo da força da blogosfera progressista, Conceição citou a eleição presidencial de 2010, quando a grande imprensa jogou pesado para eleger o candidato da direita, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“Olhando o que podemos fazer na blogosfera, fico impressionada com o que as ‘formiguinhas’ podem fazer. Conseguimos vencer toda a mídia institucional nas eleições do ano passado. É impressionante”, comemorou.

Para Conceição, a blogosfera progressista, “apesar das diferenças políticas, tem muita clareza do lugar em que deve estar”. Ela acrescentou que o trabalho da militância de esquerda na rede é ser “contra-hegemônico”.

“Temos que disputar esse campo político. Quando a gente faz esse trabalho de formiguinha, organiza-se, nós fazemos a diferença. Na hora em que o [Jair] Bolsonaro [deputado federal pelo PP-RJ] falou aquilo no CQC , na hora subiu uma tag no twitter. A gente estava de olho, estamos envolvidos de uma maneira que não deixamos nada passar. Nós somos solidários quando a causa vale a pena”.

No dia 23/03, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou o que o deputado faria se seu filho namorasse uma negra, Bolsonaro disse que seus filhos não corriam esse risco, muito menos tornarem-se homossexuais, porque não haviam sido criados em ambiente promíscuo.

Por causa das declarações racistas e homofóbicas, o presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro), Wadih Damous, pediu a cassação do mandato de Bolsonaro.

“O desafio é sair dessa fase puramente militante”

Conceição enfatizou que o desafio da blogosfera progressista é “sair dessa fase puramente militante”, porque a grande imprensa atua, verdadeiramente, “como um partido político”.

“Fazemos uma oposição cerrada a esse jornalismo cheio de factóides, sem compromisso com a verdade. Há dezenas de casos que dariam pra fazer tese de factóides que viraram capa da ‘Veja’. Nós estamos lidando de fato com um partido político. Os leitos que inventaram a expressão PIG [Partido da Imprensa Golpista]têm toda razão”, pontuou.

Como exemplo desta atuação partidária da imprensa conservadora, Conceição lembrou das constantes crises fabricadas para derrubar o governo Lula.

“Como é que você tem uma imprensa que, durante oito anos, criou crises dia a dia? As críticas que o governo Lula merecia foram feitas pela esquerda. Lula foi chamado de ‘estuprador’, foi chamado de cerceador da liberdade de imprensa, mas não fez um enfrentamento contra essa mídia”.

Conceição conclamou os blogueiros progressistas a cerrarem fileiras para que o novo marco regulatório da comunicação se torne realidade.

“Nosso grande desafio é fazer esse marco regulatório sair do papel. Ele não vai sair como queremos, mas precisamos que saía o mais próximo possível. Mesmo sem o marco, temos uma legislação que é constantemente desrespeitada, principalmente pelas TVs”.

O Projeto de Lei que regulamenta os meios de comunicação no Brasil foi consluído no fim do governo Lula e estava pronto para ser enviado ao Congresso Nacional. Com a posse da presidenta Dilma Rousseff, o novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, recolheu o projeto para fazer nova “avaliação” — o que indica que, sem pressão popular, o documento não sairá da gaveta.

Alerta

Conceição observou ainda que é preciso “politizar o debate” sobre a disputa política. Para ela, quando se limita ao “poder pelo poder”, mesmo no campo da esquerda, a disputa não vale a pena.

Citando o caso de Natal, onde se vive um caos administrativo sob a administração da prefeita Micarla de Sousa (PV), cuja eleição se apoiou numa combinação de populismo, preconceito e xenofobismo, Conceição alertou para a urgência de nos organizarmos “para impedirmos que outro oportunista chegue ao poder”.

Mais debates

Além do debate com Conceição Oliveira, o encontro promoveu uma discussão sobre políticas nas áreas da Educação, Saúde, Cultura e Segurança, reunindo à mesa a educadora Cláudia Santa Rosa, o ex-diretor do Conselho Nacional de Saúde Francisco Júnior e os jornalistas Tácito Costa e Cézar Alves.

A programação do sábado terminou com um debate com o sociólogo Paulo Araújo, consultor da Unesco, sobre redes sociais, governança solidária e gestão pública.

No domingo pela manhã, os blogueiros revisaram a aprovaram a Carta de Natal, com os pontos programáticos que serão defendidos pelo movimento e servirão para orientar as próximas ações e debates do Blogprog-RN.

O I Encontro dos Blogueiros Progressistas do RN reuniu uma média de 30 participantes, entre blogueiros, tuiteiros, usuários de outras redes sociais e ativistas sociais. O evento contou ainda com as ilustres presenças da deputada federal Fátima Bezerra (PT), do deputado estadual Fernando Mineiro (PT) e do vereador George Câmara (PCdoB).

Apesar da ausência, os vereadores Raniere Barbosa (PRB) e Júlia Arruda (PSB) contribuiram para a realização do Encontro do Blogprog-RN e, por isso, merecem nosso agradecimento.

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Caetano defende Bethânia e ataca a “Veja” e a “Folha”

Tenho muitas ressalvas ao pensamento político de Caetano Veloso, mas, neste artigo, concordo com tudo o que disse o irmão de Maria Bethânia. Ao comentar o linchamento vivido pela irmã, criticou o jornalismo praticado pela Veja e pela Folha, afirmou que as duas publicações enganam os leitores e disparou ironias contra três expoentes do PIG: Ricardo Noblat (O Globo), Reinaldo Azevedo (Veja) e Mônica Bergamo (Folha). “Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades“, protestou.

Leia, abaixo, a íntegra do artigo (via Fala Particular):

Caetano Veloso – Bethânia

Não concebo por que o cara que aparece no YouTube ameaçando explodir o Ministério da Cultura com dinamite não é punido. O que há afinal? Será que consideram a corja que se “expressa” na internet uma tribo indígena? Inimputável? E cadê a Abin, a PF, o MP? O MinC não é protegido contra ameaças? Podem dizer que espero punição porque o idiota xinga minha irmã. Pode ser. Mas o que me move é da natureza do que me fez reagir à ridícula campanha contra Chico ter ganho o prêmio de Livro do Ano. Aliás, a “Veja” (não, Reinaldo, não danço com você nem morta!) aderiu ao linchamento de Bethânia com a mesma gana. E olha que o André Petry, quando tentou me convencer a dar uma entrevista às páginas amarelas da revista marrom, me assegurou que os então novos diretores da publicação tinham decidido que esta não faria mais “jornalismo com o fígado” (era essa a autoimagem de seus colegas lá dentro). Exigi responder por escrito e com direito a rever o texto final. Petry aceitou (e me disse que seus novos chefes tinham aceito). Terminei não dando entrevista nenhuma, pois a revista (achando um modo de me dizer um “não” que Petry não me dissera — e mostrando que queria continuar a “fazer jornalismo com o fígado”) logo publicou ofensa contra Zé Miguel, usando palavras minhas.

A histeria contra Chico me levou a ler o romance de Edney Silvestre (que teria sido injustiçado pela premiação de “Leite derramado”). Silvestre é simpático, mas, sinceramente, o livro não tem condições sequer de se comparar a qualquer dos romances de Chico: vi o quão suspeita era a gritaria, até nesse pormenor. Igualmente suspeito é o modo como “Folha”, “Veja” e uma horda de internautas fingem ver o caso do blog de Bethânia. O que me vem à mente, em ambas as situações, é a desaforada frase obra-prima de Nietzsche: “É preciso defender os fortes contra os fracos.” Bethânia e Chico não foram alvejados por sua inépcia, mas por sua capacidade criativa.

A “Folha” disparou, maliciosamente, o caso. E o tratou com mais malícia do que se esperaria de um jornal que — embora seu dono e editor tenha dito à revista “Imprensa”, faz décadas, que seu modelo era a “Veja” — se vende como isento e aberto ao debate em nome do esclarecimento geral. A “Veja” logo pôs que Bethânia tinha ganho R$ 1,3 milhão quando sabe-se que a equipe que a aconselhou a estender à internet o trabalho que vem fazendo apenas conseguiu aprovação do MinC para tentar captar, tendo esse valor como teto. Os editores da revista e do jornal sabem que estão enganando os leitores. E estimulando os internautas a darem vazão à mescla de rancor, ignorância e vontade de aparecer que domina grande parte dos que vivem grudados à rede. Rede, aliás, que Bethânia mal conhece, não tendo o hábito de navegar na web, nem sequer sentindo-se atraída por ela.

Os planos de Bethânia incluíam chegar a escolas públicas e dizer poemas em favelas e periferias das cidades brasileiras. Aceitou o convite feito por Hermano como uma ampliação desse trabalho. De repente vemos o Ricardo Noblat correr em auxílio de Mônica Bergamo, sua íntima parceira extracurricular de longa data. Também tenho fígado. Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades. Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto “máfia do dendê”, expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um “Verdade tropical”). Pensam o quê? Que eu vou ser discreto e sóbrio? Não. Comigo não, violão.

O projeto que envolve o nome de Bethânia (que consistiria numa série de 365 filmes curtos com ela declamando muito do que há de bom na poesia de língua portuguesa, dirigidos por Andrucha Waddington), recebeu permissão para captar menos do que os futuros projetos de Marisa Monte, Zizi Possi, Erasmo Carlos ou Maria Rita. Isso para só falar de nomes conhecidos. Há muitos que desconheço e que podem captar altíssimo. O filho do Noblat, da banda Trampa, conseguiu R$ 954 mil. No audiovisual há muitos outros que foram liberados para captar mais. Aqui o link: http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/02/Resultado-CNIC-184%C2%AA.pdf

Por que escolher Bethânia para bode expiatório? Por que, dentre todos os nossos colegas (autorizados ou não a captar o que quer que seja), ninguém levanta a voz para defendê-la veementemente? Não há coragem? Não há capacidade de indignação? Será que no Brasil só há arremedo de indignação udenista? Maria Bethânia tem sido honrada em sua vida pública. Não há nada que justifique a apressada acusação de interesses escusos lançada contra ela. Só o misto de ressentimento, demagogia e racismo contra baianos (medo da Bahia?) explica a afoiteza. Houve o artigo claro de Herman Vianna aqui neste espaço. Houve a reportagem equilibrada de Mauro Ventura. Todos sabem que Bethânia não levou R$ 1,3 milhão. Todos sabem que ela tampouco tem a função de propor reformas à Lei Rouanet. A discussão necessária sobre esse assunto deve seguir. Para isso, é preciso começar por não querer destruir, como o Brasil ainda está viciado em fazer, os criadores que mais contribuem para o seu crescimento. Se pensavam que eu ia calar sobre isso, se enganaram redondamente. Nunca pedi nada a ninguém. Como disse Dona Ivone Lara (em canção feita para Bethânia e seus irmãos baianos): “Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há?”

Blogueiros Progressistas do RN realizam 1° Encontro em Natal

“Militância na internet, blogosfera e os blogueiros progressistas”. Esse é o tema da palestra de abertura do 1º Encontro Estadual dos Blogueiros Progressistas do RN (Blogprog-RN), marcado para os dias 1, 2 e 3 de abril, no auditório do IFRN do Centro de Natal. A exposição ficará a cargo da educadora, historiadora e ativista social Conceição Oliveira, autora do blog “Maria Frô”.

O evento vai discutir os rumos da democratização do acesso e produção da informação e da comunicação nesta década que se inicia. O Encontro Estadual é resultado da iniciativa realizada ainda em agosto do ano passado pelo Centro de Estudos em Mídia Alternativa Barão de Itararé, quando mais de 300 blogueiros, tuiteiros e outros militantes de 17 estados reuniram-se em São Paulo para debater a democratização da mídia e o papel da blogosfera.

Em janeiro, os progressistas potiguares estrearam suas atividades em Natal promovendo um encontro com o neurocientista Miguel Nicolelis, que, entre outros assuntos, discorreu sobre o que chamou de “mito” da imparcialidade jornalística e científica.

No Encontro Estadual, haverá espaço para troca de experiências entre blogueiros, tuiteiros e ativistas sociais do RN, mesa redonda para debater as redes sociais e políticas públicas, oficina sobre a usabilidade e navegação e debate sobre governança solidária, gestão pública e redes sociais.

Além de Conceição Oliveira, participarão do Encontro do Blogprog-RN o sociólogo e consultor da Unesco Paulo Araújo, a educadora Cláudia Santa Rosa, a professora da UFRN Taciana Burgos e os jornalistas Tácito Costa e Cézar Alves.

Na noite de abertura (sexta-feira, 1º), os blogueiros progressistas vão se encontrar no Bardallos Comida e Arte, localizado no Beco da Lama, ponto de encontro da boemia natalense. A programação cultural ficará por conta do grupo Catita Choro & Gafieira. A entrada é gratuita.

As inscrições para o 1º Encontro Estadual podem ser realizadas pelo sítio do Blogprog-RN (www.blogprogressistasrn.com). Lá também é possível ver a programação completa do evento.

Jogo de Poder

Depois que assisti “Jogo de Poder”, no domingo passado, tive vontade de reler “Microfísica do Poder”, clássico de Michel Foucault. Na obra, o filósofo francês expõe sua ideia sobre a circulação do poder. Para ele, o poder em si não existe, mas sim as relações e as práticas de poder.

Foucault fala em “micropráticas de poder”, que reproduzem as “grandes estratégias de poder”. Essas micro-relações não se dão só na política, como pensam muitos, mas se instalam no cotidiano.

Mas o que, enfim, isso tem a ver com o filme?

“Jogo de Poder” é uma mistura entre drama político e pessoal do casal Valerie Plame (Naomi Watts) e Joseph Wilson (Sean Penn). Ela é uma agente da CIA designada para investigar evidências da suposta existência de armas de destruição em massa no Iraque. O marido, um embaixador aposentado chamado para encontrar provas da suposta venda de urânio enriquecido proveniente do Níger.

Ao contrário do discurso sustentado pela administração de Geoge W. Bush, Valerie descobre que o Iraque não desenvolveu nenhum programa de armas nucleares. Wilson chega à mesma conclusão e atesta que o Níger não forneceu urânio para o país de Sadam Hussein, o que desagrada a Casa Branca.

Para justificar a invasão contra o Iraque, o governo ignora o resultado da investigação. Vem do gabinete do vice-presidente Dick Cheney a ordem para “mudar a história”.

Wilson escreve um artigo no New York Times denunciando a mentira da Casa Branca. Para atingi-lo, revelam a identidade secreta da sua mulher, destruindo a carreira de Valerie.

O casal inicia uma cruzada midiática contra a farsa propagada pela Casa Branca. Um funcionário do gabinete presidencial chama Valerie para tentar convencê-la a demover o marido dela da empreitada. Para persuadi-la, diz que Wilson nada pode fazer contra o governo. “Ali estão os homens mais poderosos da história da humanidade“, argumenta.

Valerie e Wilson não dão ouvidos aos recados oficiais. A consequência é que o nome, a reputação e a vida deles vão para a lata do lixo. Hostilizados, perseguidos e ameaçados, precisam provar que foram envolvidos injustamente numa trama em que o poder institucionalizado, em vez de defender os cidadãos, destrói suas vidas.

Numa escala menor, vemos isso ocorrer diariamente nas micro-relações que compõem o mosaico social, político e cultural da nossa província. O caso do blog de “Paulo Doido”, criado para atacar os críticos da prefeita de Mossoró, Fafá Rosado (DEM), é um exemplo da reprodução dessas “micropráticas de poder” descritas por Foucault.

Como ficou comprovado pela investigação do Ministério Público, a estrutura municipal serviu como base para a montagem e a execucação da estratégia que tinha como missão assassinar a reputação daqueles que ousaram não se curvar à vontade dos mandatários da cidade. Para defender, manter e prolongar o poder, não exitaram em “mudar a história”, ainda que, para isso, tenham precisado mentir, denegrir e desmoralizar cidadãos a quem deveriam proteger.

O jogo é sempre esse. Os personagens são sempre iguais. As armas são sempre as mesmas. Contrariando os princípios democráticos, pelo quais deveriam se guiar, os poderosos de plantão, lá e cá, agem como se o poder fosse um fim si. Quando se veem ameaçados, transformam críticos em alvos a serem abatidos.

A crise no Ministério da Cultura

Análise: A gênese de uma crise

Por Jotabê Medeiros (O Estado de S. Paulo):

 

Ana de Hollanda inicia sua trajetória no Ministério da Cultura colecionando más notícias. A maior delas, esta semana, foi o anúncio de um corte orçamentário que chega a R$ 760 milhões (R$ 526 milhões no orçamento direto e R$ 237 milhões em emendas parlamentares). Gilberto Gil e Juca Ferreira, seus antecessores no cargo, enfrentaram problemas de dimensões parecidas, contingenciamentos monstruosos, mas amortizaram seus efeitos em longas negociações pelos corredores palacianos. Seria hora de demonstrar habilidade política. Ana de Hollanda encastelou-se no MinC e não demonstra ter trânsito nem no Congresso nem nos ministérios monetários, o que complica grandemente a situação.

A eclosão do caso Emir Sader encobre um problema maior e de mais difícil resolução: Ana enfrenta resistências duras dentro do PT e seus aliados na área cultural, o PC do B e o PV. Ao definir a questão da propriedade intelectual como uma discussão de fundo privado, desagradou de A a Z dentro do espectro da economia criativa. Dos “moderados” , como o antropólogo Hermano Vianna e o professor e músico José Miguel Wisnik, aos radicais, como o sociólogo Sergio Amadeu e o professor Ronaldo Lemos, da FGV, todos acham que falta estofo teórico ao MinC para conduzir a questão.

As mostras de descontinuidade contradizem seu discurso de posse, quando disse que era preciso avançar nas conquistas das gestões anteriores. Trocou o notável curador Paulo Herkenhoff da organização do festival Europalia, na Bélgica, apressadamente ano, alegando que o orçamento da participação brasileira era muito elevado. Ocorre que a estratégia de divulgação da cultura brasileira no exterior era uma das meninas dos olhos de Gilberto Gil, inspirado nos modelos francês, britânico e alemão, que são vencedores.

Ana ainda perde gradativamente os aliados do tema Cultura no Congresso. De Manuela D`Ávila (PC do B) a Angelo Vanhoni (PT), passando por gente da oposição, todos tem dado demonstração de ceticismo quanto às capacidades da ministra em contornar situações difíceis e buscar consensos. Aliás, consenso é algo que não parece estar em seus planos. Não fez nenhuma reunião com a classe artística e se conduz dentro de uma rotina de gabinete – eventualmente fugindo dela para fazer “incertas” entre a população, como no recente caso das enchentes. É mais reativa do que ativa, deixando-se levar às cordas pelos oponentes, em vez de sair na frente (até agora, nem um artigo seu saiu em jornais, defendendo suas posições, e sua única entrevista foi vaga e demonstrou que tem se preparado pouco para os duelos que o cargo exige).

 

MinC cancela nomeação de Emir Sader para a Casa de Rui Barbosa

Do Portal Vermelho:

 

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, cancelou a nomeação do sociólogo Emir Sader para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa. A decisão foi confirmada em nota publicada nesta quarta (2), no site da pasta. O novo nome ainda não foi definido. A decisão do ministério ocorre após o jornal Folha de S.Paulo publicar texto no qual atribui a Sader críticas à ministra Ana de Hollanda- “meio autista”- e à própria Casa Rui Barbosa – “meio de costas para a realidade”.

As declarações foram publicadas no domingo, no suplemento Ilustríssima. O sociólogo teria dito ainda que os cortes orçamentários do governo atingiriam mais a pasta da Cultura porque a ministra “fica quieta”. Em seu blog, Sader afirmou que a entrevista foi “deturpada” e que “não houve intenção nenhuma de desqualificação”.

O professor lamentou o texto “editorializado” da Folha, que começa indicando que o “espectro do comunismo” ronda o Ministério da Cultura. “A entrevista é editorializada desde o título até o final. Não tem nem a generosidade de te dar a palavra e depois, no final, dizer o que acha. É tudo editorializado”, lamenta. O título é “Um emirado para Emir”.

Sader argumentou que parte de sua conversa com os repórteres Marcelo Bortoloti e Paulo Werneck foi feita na condição de off, prática jornalística pela qual se publica o conteúdo sem citar a fonte. Além das críticas à ministra e à fundação, o texto atribui ao intelectual a seguinte afirmação: “O Caetano (Veloso) ziguezagueia, fala qualquer coisa. O (Gilberto) Gil foi ministro, tem que ter mais coerência, tem que fazer política. Quem diria que aquele nego baiano tem muito mais articulação do que o Caetano?”

O sociólogo entende que a intenção por trás da reportagem do diário paulista vai muito além de sua posse na fundação. “O problema não é comigo. É tentar inviabilizar um espaço de pluralismo intelectual, teórico, político. Isso é o que os assusta porque são do pensamento único. Então, quando se começa a falar, a dar voz pra esse, pra outro, pra outro, pra outro, ficam apavorados”, disse nesta terça-feira.

Sader não havia chegado a assumir o cargo. Ele defendia que a fundação fosse direcionada a estudar as transformações recentes no Brasil, especialmente as relacionadas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos últimos três dias, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tentou contornar a crise, confirmou uma fonte no Palácio do Planalto. Algumas fontes apontavam que o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, defendia a permanência de Sader no cargo. Ele, no entanto, nega que tenha se envolvido. “Não me meti no assunto, não tomei qualquer iniciativa em relação a essa questão”, afirma, segundo sua assessoria de imprensa.

Depois do anúncio do Ministério, voltando atrás na nomeação, Sader também divulgou um comunicado, nesta quarta, no qual afirma que “o MinC tem assumido posições das quais discordo frontalmente, tornando impossível para mim trabalhar no Ministério, neste contexto”.

O sociólogo também destaca que “setores que detiveram durante muito tempo o monopólio na formação da opinião pública reagiram com a brutalidade típica da direita brasileira” ao seu projeto para a fundação. Leia abaixo:

 

Comunicado – Sobre a Casa de Rui Barbosa

Por Emir Sader, em seu blog

Consultado sobre a possibilidade de assumir a direção da Fundação Casa de Rui Barbosa, elaborei proposta, expressa no texto “O trabalho intelectual no Brasil de hoje”. No documento proponho que, além das suas funções tradicionais, a Casa passasse a ser um espaço de debate pluralista sobre temas do Brasil contemporâneo, um déficit claro no plano intelectual atual.

Como se poderia esperar, setores que detiveram durante muito tempo o monopólio na formação da opinião pública reagiram com a brutalidade típica da direita brasileira. Paralelamente, o MINC tem assumido posições das quais discordo frontalmente, tornando impossível para mim trabalhar no Ministério, neste contexto.

Dificuldades adicionais, multiplicadas pelos setores da mídia conservadora, se acrescentaram, para tornar inviável que esse projeto pudesse se desenvolver na Casa de Rui Barbosa. Assim, o projeto será desenvolvido em outro espaço público, com todas as atividades enunciadas e com todo o empenho que sempre demonstrei no fortalecimento do pensamento crítico e na oposição ao pensamento único, assumindo com coragem e determinação os desafios que nos deixa o Brasil do Lula e que abre com esperança o Governo da Presidente Dilma.

 

Rio de Janeiro, 2 de março de 2011

Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

 

 

A teia é a trincheira da resistência democrática

A teia se espalha. O encontro com o neurocientista Miguel Nicolelis, promovido pelo movimento dos Blogueiros Progressistas do RN, na última sexta-feira (28), repercutiu na blogosfera nacional, enquanto por aqui a regra foi silêncio. Os valorosos Carta Potiguar, Substantivo Plural e Jornalismo em Foco foram das poucas exceções.

Um amigo, entre perplexo e incrédulo, comentou: “A palestra de uma das 100 pessoas mais importantes do mundo, segundo a revista Science, só repercutiria em Natal se fosse alheia à seboseira local”.

O curioso é que essa turma bravejou contra o movimento blogprogrn, desdenhando da classificação de “progressistas”. Um jornal da cidade ironizou dizendo que o grupo se auto-intitulava progressista. Tive que responder sobre isso várias vezes. O desinteresse pelo debate com o maior cientista brasileiro vivo é auto-explicativo e revela quem são e como pensam os conservadores – ainda que resistam em vestir a carapuça.

Mas voltemos ao bate-papo com Nicolelis. Em certo momento da conversa, ele disse acreditar que essa teia, formada pela multiplicidade de redes sociais, poderá nos levar a um novo modelo de democracia libertária, em que é “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia, do fato”.

Nicolelis não poupou críticas à manipulação praticada pela grande mídia brasileira. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato. Vivemos durante muitos anos nas mãos de quem manipulava, mas nós evoluímos (…). A disseminação da verdade pelos meios de comunicação de massa são dólares. Durante séculos acreditávamos naquilo que vinha escrito. ‘Isso aqui foi o cara da Folha de São Paulo que escreveu e é verdade’ “, provocou, levantando risos do auditório lotado.

Por falar em Folha de São Paulo, Nicolelis contou um episódio que presenciou no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suiça) para demonstrar como a velha mídia conservadora coloca em prática a estratégia da manipulação dos fatos. “Eu sentei ao lado de um jornalista da Folha. Falaram do sucesso do Brasil em Davos, mas no outro dia o jornalista não deu uma linha sobre isso na coluna dele. Pelo contrário, a tônica era ‘Ninguém fala do Brasil em Davos’. Inacreditável”.

Para se contrapor a essa manipulação nociva, o neurocientista defendeu que essa teia de indivíduos, ideias e conhecimento deve se espalhar, até que atraia cada um, transformando a todos em protagonistas do novo mundo que tanto desejamos. A teia é a trincheira da resistência democrática.

“Apesar de todas as diferenças aparentes que são minúsculas, somos todos iguais. A neurociência é a teia. Olhando pra todos nós ao mesmo tempo, vão chegar à mesma conclusão: nós somos todos muito iguais. Não é a toa que somos da mesma espécie. Destoamos no atacado, mas no varejo somos previsíveis. Uma visão, uma ideologia de mundo nos dividiu, mas a teia vai nos unir”.

Em encontro com blogueiros potiguares, Nicolelis fala sobre ciência, democracia, política e jornalismo

O movimento dos Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte recebeu, na noite desta sexta-feira (28), o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke (EUA) e co-fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lilly Safra. O evento, realizado no auditório da Livraria Siciliano (Shopping Midway Mall), serviu como preparação para o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas do RN, marcado para os dias 25, 26 e 27 de março.

O tema do bate-papo foi “Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência”. Nicolelis iniciou dizendo que sua participação no evento demonstrava o poder dessas novas formas de comunicação. “Estou no Twitter há apenas 15 dias, mas já estou aqui para falar sobre redes sociais – mesmo sem saber nada sobre isso”, brincou, arrancando risos da plateia.

Em seguida, disse que o título da palestra poderia ser “Eu juro que eu sou eu”, fazendo referência ao debate travado com uma badalada blogueira potiguar, a quem teve que provar que seu recém-criado perfil no Twitter não era um fake.

Nicolelis aproveitou o episódio como gancho para tratar da questão da identidade no contexto das redes sociais. Ele sustentou que o modelo de mundo que conhecemos, bem como nossa identidade, não passa de uma “simulação” do cérebro. Emendou dizendo que a “cultura do ‘eu’ é uma ilusão”.

“Eu me defrontei com essa ilusão ao tentar provar que eu sou eu. Eu me engajei num debate com uma jornalista que foi uma das coisas mais fascinantes. Comecei a falar das minhas opiniões, primeiro sobre a política do RN, mas não funcionou”.

“Pare pra pensar: nós vivemos num mundo em que qualquer um pode ser eu, qualquer um pode assumir qualquer personalidade. O sucesso das redes sociais, em minha opinião de neurocientista, se deve, primeiro,  a uma coisa que vou tratar no livro que será lançado no próximo mês. Daqui a algumas centenas de anos não vamos precisar disso aqui, teclado, celular… Nós vamos pensar e nos comunicar, nos amalgamar numa rede conscientemente sem a necessidade dessas coisas pouco eficientes, como os nossos dedos, os teclados… Nós já estamos observando, mesmo com os limites que temos, já vivemos os primórdios de uma sociedade onde a identidade real não faz diferença nenhuma”, discorreu.

O neurocientista destacou que as redes sociais “conseguiram fazer as identidades, às quais a gente se apegou tanto, desaparecerem”. “Você pode assumir o que você sempre quis ser, mas não podia por medo do preconceito. Nós ainda não conseguimos lidar com o fato que as pessoas são de diferentes matizes. As redes têm essa vantagem de permitir que as pessoas possam assumir [suas ideias] livremente”.

“Não existe isso de imparcialidade”

Após discorrer sobre as redes sociais e a dispersão da identidade, Nicolelis afirmou que a ideia da “imparcialidade”, tanto jornalística quanto científica, não passa de “balela”. “Como neurocientistas, estamos cansados de saber que não existe isso de imparcialidade, como pretendem os jornalistas. Não existe imparcialidade nem jornalística nem científica”.

Para comprovar sua sentença, relembrou a cobertura midiática das eleições presidenciais do ano passado, quando a imprensa tradicional, mesmo se dizendo “imparcial”, se alinhou à candidatura do candidato do PSDB/DEM, o ex-governador de São Paulo José Serra.

“O que aconteceu no Brasil na eleição passada foi a demonstração da falácia de certos meios de imprensa e do partidarismo que invadiu essa opinião dita imparcial. Mas o desmentido só ocorreu nesse lugar capilarizado chamado blogosfera. A guerra da informação foi travada aí. A eleição foi ganha na trincheira da blogosfera, porque os desmentidos eram instantâneos”, comentou.

Nicolelis defendeu que a “teia” – termo que disse preferir usar para se referir às redes sociais – que está se formando no Brasil “é um fenômeno mundial de relevância fundamental”. Para ele, a blogosfera teve um papel de destaque nas eleições de 2010.

“Essa teia já ganhou uma eleição do ponto de vista da informação, já derrotou o exército de uma mídia que tem opinião, mas que exerceu essa opinião sem dizer. Aí é que tá o engodo. A opinião é legítima, mas esconder que tem opinião não é”.

Miguel Nicolelis frisou que outro efeito provocado pelo surgimento dessa teia é o fato de considerar “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia e do fato”. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato”.

Mesmo ressaltando sua condição de neófito, Nicolelis demonstrou entusiasmo com o potencial dessa “teia” desembocar no surgimento de um novo modelo de democracia, em que os indivíduos tenham um novo papel.

“A democracia representativa é muito interessante, mas ela faliu, porque o grande objetivo dos representantes dos indivíduos do planeta é representar a si mesmo. Existe um potencial imenso de uma nova democracia, onde os indivíduos tenham um novo papel, em que possam ser agentes atuantes e definidores da nossa cidadania”.

Dona Militana

Por Nando José no Substantivo Plural:

“Cala-se o tempo, emudece a voz, entristece a alma parte em paz, MILITANA de todos os dias, na curva de São Gonçalo silencia a poesia.”

A morte de Saramago

José Saramago morreu no dia 18 de junho, aos 87 anos em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Um comunicado da Fundação Saramago informou que o escritor morreu acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila.

O apóstolo Paulo definiu a morte como a mais teimosa e iniludível manifestação da finitude humana. Saramago fantasiou que seria possível, quem sabe, frear o curso inexorável da vida para a morte. Mas, parafraseando uma das suas obras, a morte não faz intervalo e leva até os seres que parecem, em algum aspecto, encantados.

Apesar do luto, como disse um amigo historiador, que venha a vida e que se faça alegria, para que no fim, se aprenda a morrer um imortal.

Natal é superior

Do Substantivo Plural:

Por Gustavo de Castro

Estes dias perambulando feito um vagamundo por Natal, deixaram em mim marcas mais fundas que as fendas do mar.

Poder mergulhar novamente no verde deste oceano, caminhar por aí se escaldando de sol e brisa, chafurdando no vuco-vuco daqui, dali e dacolá… ai, ai. Fiquei sobretudo encantado com o Instituto Câmara Cascudo, que maravilha! É uma casa que engrandece Natal frente o Brasil. Deve ser apoiada, valorizada e aplaudida.

Por onde andei, chamou muito a minha atenção a insatisfação da população com a prefeita Micarla, sustentada hoje pelo tênue fio do agripinismo. Minha tia, de 80 anos, está revoltada e xingou a prefeita com palavras de outros carnatais. Minhas queridas amigas, em mesa de bar, resenhavam a estilo-dondoca, “a cidade, disse uma delas, é chefiada por uma boneca do SBT”. Outros estão apavorados com a falta de direção da cidade e o neo–carlismo cultural…

Bom é saber que a cidade é superior a todos esses vereadores panacas, alguns dublês de apresentadores de tv; bom é saber que os artistas da cidade resistem e protestam contra a mediocridade cultural da prefeitura e da governadoria. É uma lástima ver o PT apoiando este governo, assim como este espírito fraco e insosso de gestão que é a presidência da Fundação José Augusto.

Melhor sorte para Natal.

Artistas do Auto de Natal dizem que não receberam cachê

A prefeita Micarla de Sousa (PV) vai querer apagar o “Auto de Natal” deste ano rapidinho da memória. O evento só lhe tem trazido dor de cabeça. Depois da confusão com o valor do cachê do padre Fábio de Melo (R$ 221 mil), agora é a vez dos artistas que participaram do evento rasgarem o verbo.

No dia 23 de dezembro, última noite de espetáculos, os atores ameaçavam não realizar o show, em protesto pelo não pagamento dos cachês. Micarla se reuniu com os artistas nos camarins e assegurou que o dinheiro já havia sido depositado nas respectivas contas. O problemas, aparentemente, estava resolvido. Mas só aparentemente.

O jornalista Tácito Costa informa pelo Twitter que os atores foram ao banco hoje (28) sacar o cachê, mas o dinheiro não estava na conta como prometido pela prefeita.

“Artistas que participaram do auto de natal estão se mobilizando para irem hoje ainda à Funcarte protestar contra o não pagamento do cachê”, comentou o jornalista.

“Prefeitura teve 1 ano para planejar os festejos natalinos. Até agora, é um desgaste atrás do outro. Pior: envolveu até a igreja na confusão”, acrescentou.

Micarla precisa, urgentemente, se pronunciar sobre mais esse episódio. Dessa vez, com uma explicação convincente. Ficaria muito ruim se constatássemos que a prefeita da capital faltou com a verdade.

A ‘cagada’ do presidente da Funcarte

Aos leitores mais conservadores, peço que não se escandalizem com o título do post. Mas não há palavra mais apropriada pra definir o episódio: uma tremenda cagada, daquelas cujo rastro da fedentina pode ser sentido a quilômetros de distância.

Na edição de domingo (22) do “Novo Jornal”, o presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, deu a seguinte declaração: “Estou cagando e andando para o que dizem de mim; trabalho há 25 anos com jornalismo cultural”.

Para quem não sabe, o presidente da Funcarte é o responsável — pelo menos oficialmente — pela promoção da política cultural da cidade.

Rodrigues Neto — figura das mais simpáticas, registre-se — afirma que trabalha há mais de duas décadas com “jornalismo cultural”, como se isso o credenciasse para o cargo que ocupa.

Tenho calafrios quando jornalistas se dizem “especialistas” em alguma coisa, principalmente em cultura.

“Especialistas” que não sabem desenhar um ó com a quenga de um coco proliferam como erva daninha.

Quando folheio os cadernos culturais dos nossos jornais, quase sempre termino frustrado, porque há pouquíssimo de cultura ali.

Então, quando Rodrigues Neto alardeia sua experiência em “jornalismo cultural”, pra mim, não diz nada.

O presidente da Funcarte diria mais se expusesse claramente o que danado pensa sobre cultura, se revelasse pra nós que fazemos parte desta massa inculta um pouco do seu vasto conhecimento cultural e, finalmente, o que raios planeja pra essa área tão desprezada pelos sucessivos governos — além de “apoiar as quadrilhas juninas da cidade”, como disse em entrevista a outro jornal.

Mas a verborragia de Rodrigues Neto é só mais um episódio envolvendo subordinados da prefeita Micarla de Sousa (PV) que se metem a fazer declarações irresponsáveis.

Primeiro foi o aspone mais próximo da prefeita, Eugênio Bezerra, secretário do quê mesmo, hein?!, que chamou os funcionários públicos de “ladrões” (o caso está contado aqui).

Agora é Rodrigues Neto, meio que zombando desta plebe rude, que declara: “Estou cagando e andando para o que dizem de mim“.

A prefeita Micarla de Sousa, pelo menos publicamente, não se pronunciou em nenhuma das ocasiões. Preferiu adotar o silêncio covarde, cúmplice e conivente.

Transcrevo trecho do artigo de Adriano Sousa publicado na edição de ontem (25) do Novo Jornal: “Não se conhece palavra ou ação da alcaidina para enquadrar os bad boys do borboletário, lembrando-lhes que o decoro lingüístico é necessário e desejável em funções públicas, no mínimo como evidência de decoros maiores e mais vantajosos no manejo dos nossos réis“.

Caso estivéssemos numa cidade séria, os dois secretários teriam sido demitidos imediatamente. Mas estamos em Natal, sob o reinado de uma prefeita que se julga acima do bem e do mal.

Comenta-se que a prefeita é refém de alguns “bad boys do borboletário” (genial, Adriano!) e, por isso, não ousa contrariá-los, mesmo quando a “cagada” que cometem é grande demais.

Comenta-se ainda que a relação entre a lepidóptera e os insetos menores é na base do amor e ódio.

Pra mim, Eugênio Bezerra e Rodrigues Neto são alter egos de Micarla de Sousa. Eles são, cada um do seu jeito, expressões não declaradas da personalidade da prefeita.

 

 

Escândalo na cultura natalense

Após denúncia do Diário de Natal, o presidente da Funcarte, César Revorêdo, entregou o cargo.

É mais um secretário que abandona o barco da prefeita Micarla de Sousa (PV). A diferença é que, neste caso, o secretário sai enfrentando pesadas acusações de uso irregular do dinheiro público.

Esperamos que o caso não pare neste pedido de demissão. Pelo contrário. Em respeito à coisa pública, cobramos uma investigação aprofundada deste escândalo, com punição exemplar dos possíveis culpados.

Leiam, a seguir, a íntegra da matéria do DN:

 

César Revorêdo entrega o cargo

Decisão foi tomada depois da denúncia de que a Funcarte usou um motorista para pagar funcionários

Depois de uma reunião de quase duas horas com a prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV), no final de tarde de ontem, o artista plástico César Revorêdo entregou o cargo de presidente da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), que ocupava desde o início da administração. Hoje à tarde, a partir das 14h, ele concederá entrevista coletiva na sede da Funcarte para explicar os motivos da sua decisão e fazer um balanço do período em que ficou à frente da instituição cultural.

O pedido de César Revorêdo foi feito através de uma carta entregue à prefeita, na qual ele agradeceu o convite e expôs ações desenvolvidas durante a sua gestão. Ainda não houve a confirmação de quem irá substituir o ex-secretário. Entretanto, o nome mais provável é do jornalista Rodrigues Neto, que ocupa atualmente o cargo de vice-presidente da Fundação.

Na última sexta-feira, o Diário de Natal publicou matéria denunciando o pagamento de salários atrasados de 85 funcionários da Funcarte, realizado através de um depósito no valor de R$ 180.790,17 na conta do motorista César Jones da Silva. O pagamento é relativo aos meses de março, abril, maio, junho e julho deste ano. Segundo César Revorêdo, a escolha do procedimento teria ocorrido pela necessidade de agilizar os pagamentos. Ele explicou também que a indicação específica do motorista correu porque nem todas as pessoas com salários atrasados possuía [sic] conta corrente. O ex-presidente garantiu que não houve desvio de recursos e nem lesão [sic] ao erário público, já que todas as pessoas receberam aquilo que lhes era devido. Até março, esses servidores – que não são comissionados, terceirizados ou efetivos – recebiam os salários por meio de convênio entre a Funcarte e a Cooperarte. Diante do fim do convênio, os servidores ficaram desamparados. Mas, por uma decisão da presidência da Fundação, continuaram prestando serviço até que a situação fosse regularizada.

A Controladora Geral do Município, Regina Mota, informou que orientou Revorêdo a realizar os depósitos de forma individulaizada, ainda que fosse necessário abrir uma conta corrente para cada servidor. Segundo ela, o precedimento adotado para o pagamento não é normal e nem de praxe no serviço público. 
  

Perfil de um milionário narcisista

Justus, milionário, narcisista e tucano

Justus, milionário, narcisista e tucano

Uma boa dica de leitura é o perfil do empresário e apresentador Roberto Justus, escrito pelo jornalista Rodrigo Levino para a revista Poder Joyce Pascowitch.

O texto é leve, com doses sutis de ironia. Levino consegue trazer à tona o que se esconde sob a imagem do impávido empresário de sucesso.

Lá pelas tantas, ao comentar uma matéria da revista Piauí, Justus deixa escapar seu desprezo pelos intelectuais: “Se eu li aquele texto [da Piauí]? Claro que li! Dei boas risadas, é bem escrito. Mas, me responda, quem lê aquela merda? Meia dúzia de intelectuais como você”. 

Narcisista confesso, Justus gaba-se da fama de grande empreendedor, da fortuna que amealhou e das beldades que conquistou.  

Levino conta ainda que entre os “meandros ideológicos de Justus”, “vê-se aflorar um tucano”.

Leia o texto na íntegra aqui.

Atualizado às 16h44

Álvaro Guedes enviou comentário avisando que o link para a matéria não estava abrindo. Levino tinha colocado o texto em seu blog, mas, realmente, não está mais. A solução é ir direto ao site da revista.

 

Hoje é dia pra se ter alegria

Roberta Sá

 

Pelo jeito dela, pelo dengo, pela simpatia… É como o vento leve, em seu lábio a assobiar a melodia breve, lembrando brisa de mar…

Então, notícias perderão todo o controle dos fatos, celebridades cairão no anonimato, palavras deformadas, fotos desfocadas vão atravessar o atlântico… Jornais sairão em branco e as telas planas de plasma vão se dissolver… O argumento ficou sem assunto…

Porque hoje é dia de Roberta Sá no TAM… É dia pra se ter alegria.

Super-Nova

O vídeo abaixo mostra como um grupo de meninos e meninas da Favela da África (Redinha) decidiu usar a arte para expressar seu potencial criativo e se insurgir contra os estigmas que rondam a periferia.

Eles criaram um grupo de dança de rua (Super-Nova) e se apresentam em escolas e eventos em Natal e cidades do interior do RN.  Em dezembro do ano passado, o rapper carioca MV Bill, fundador da Central Única das Favelas (CUFA), esteve na capital potiguar e conheceu de perto o trabalho dos B’boys e das B’girls da África.

O roteiro e a direção do vídeo são assinados por este blogueiro. A edição é de Justino Neto.

Confiram:

Globo e Censura: tudo a ver

Emissora quer controlar participação dos seus artistas no Orkut e no Twitter

Como sabemos, a história da emissora da família Marinho guarda muita proximidade com o regime de excessão que vigou no Brasil durante 20 anos, onde prevaleceu, em quase todo o período, a regra da censura.  A ditadura controlava tudo e só deixava passar o que não era considerado “subversivo”. A Globo deu apoio irrestrito ao regime, inclusive omitindo dos seus noticiários o movimento das “Diretas Já”.

Esse DNA ditatorial, com a mania de querer controlar tudo ao seu redor, ainda é caracterísco da Globo. No blog dia a dia, bi a bit da Terra Magazine, o cientista Silvio Meira revela que a vênus platinada baixou uma  norma restringindo o uso das chamadas redes sociais pelos seus contratados (principalmente artistas). Com isso, a emissora quer controlar o que seus funcionários fazem e as opiniões que emitem em sites de relacionamento, como o Orkut e o Twitter.

Silvio conta mais sobre por que a Globo quer controlar o Orkut e o Twitter dos seus artistas:

 

a globo tem, sob contrato, a maioria dos artistas mais rentáveis, como audiência –e propaganda- do país. e todos eles assinam um contrato que transforma sua “produção” em propriedade da empresa. o que é normal, pois o mesmo ocorre na record, na folha, no estado… ou qualquer outro lugar onde pessoas trabalham, arrendadas, para produzir performance ou conteúdo. faz parte do jogo.

ocorre que todo mundo que assina os contratos está, também no twitter, facebook, youTube…, não só de livre e espontânea vontade mas porque, de certa forma, tem que estar lá. afinal, artistas são pontos focais de redes sociais; e as redes sociais reais, daqui de fora, estão todas lá, na rede…

a globo [entre muitas outras empresas “de conteúdo”] está incomodada com essa, digamos, dispersão de conteúdo supostamente sob seu controle e baixou uma norma proibindo, a seus contratados… “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à emissora, ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”. segundo a empresa, a razão é proteger seus… “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

por que a globo está fazendo isso? porque boa parte da “audiência” de seus contratados está fora de seu controle, em redes como twitter e facebook. porque as redes sociais são uma ameaça de fato à hegemonia da TV sobre o que costumava ser chamado de “audiência” e, lá nas redes, é de fato “comunidade”. e porque a globo, entre muitos outros, bem que poderia ter criado as suas próprias redes sociais, mas não o fez.

 

Para ler a íntegra do texto, clique aqui.

Ninguém é inesquecível

Texto com doses existencialistas que achei no blog do Rafael Galvão, sobre o tempo, o esquecimento e a imortalidade:

Do esquecimento

Durante muito tempo, em vez de deitar-me cedo, eu apenas não soube de verdade o que significava a palavra esquecer. Via nos filmes alguém se despedindo e dizendo “eu nunca vou esquecer você”, e então me pegava pensando que idiota, claro que não vai esquecer, depois de passar por tudo isso é impossível esquecer.

Foi só ao ver uma cena semelhante pela enésima vez que eu finalmente entendi. A TV passava “Dança com Lobos” e Kevin Costner se despedia de Graham Greene: “Eu nunca vou esquecer você”.

Eu já estava mais velho, já conhecia um pouco mais dessa humanidade impossível de conhecer de verdade. Foi só então, aí pelos vinte e poucos, que entendi o que se quer dizer com isso: não é esquecer a pessoa, que isso não se esquece, mas nunca deixar morrer o que se sentia por ela. É o tipo de coisa que só quando você passou por um bocado de gente na vida pode entender de verdade.

E é esse o problema das gentes, o fato de que no fim das contas todos seremos esquecidos. Eu tento conviver com isso; mas sei bem que a ilusão de que seremos lembrados ajuda a dar um sentido à vida. Imagino que para algumas pessoas a consciência real de que não há memória, só há esquecimento faria da vida algo um pouco mais triste, talvez até a fizesse não valer a pena.

A essas pessoas deve ser vedada a entrada em cemitérios. Porque um cemitério é isso, é esquecimento, e se disserem que é outra coisa estarão enganando você. Um cemitério é um lembrete constante de que você será esquecido, irrevogavelmente. E será esquecido apesar dos seus esforços, tão mais ridículos quanto maiores forem, de tentar ser lembrado.

As pessoas erigem monumentos, botam estátuas de anjos e de santos para guardar seus ossos inúteis, colocam na pedra ou no bronze seus nomes, colocam até panegíricos que ultrapassam o limite do ridículo, ostentam os títulos que lhe orgulhavam e lhe engrandeciam aos seus próprios olhos. Fazem o que está ao seu alcance para alcançar uma imortalidade, se não na alma, pelo menos na memória e nos tempos deste mundo.

E no entanto eles serão esquecidos, e se forem lembrados será para serem ridicularizados, olha que idiota, tanta pompa e tanto dinheiro gasto para nada, quem esse merda achava que era, fulano de tal, que diabo ele fez para achar que lembraríamos dele?

Leia mais aqui.

Pra se ter alegria

Roberta Sá

Está chegando o grande dia. Para quem, como eu, não vê a hora de conferir o primeiro dvd da potiguar Roberta Sá, a data de lançamento já está marcada: 3 e 4 de setembro, no Canecão (Rio de Janeiro).

O DVD é o registro do show Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria, gravado em apresentação realizada na casa carioca Vivo Rio.

O projeto conta com as participações especiais de Marcelo D2, Pedro Luís, Hamilton de Holanda, Chico Buarque e Marcello Gonçalves, Ney Matogrosso e Trio Madeira Brasil, Antônio Zambujo, Ricardo Cruz e Yamandú Costa.

Além das canções dos dois primeiros cds da cantora, o público poderá conferir a inédita “Agora Sim”.

Confira abaixo a relação das canções do DVD:
1- O Pedido
2-Alô Fevereiro
3- Eu Sambo Mesmo
4- Interessa?
5- A Vizinha do Lado
6- Cicatrizes
7- Casa Pré-Fabricada
8- Janeiros
9- Mais Alguém
10-Belo Estranho Dia de Amanhã
11- Samba de um Minuto
12- Agora Sim
13- Samba do Amor e Ódio
14- Pelas Tabelas
15- Fogo e Gasolina
16- Ah, Se eu Vou
17- Girando na Renda (com: Pedro Luís)
18- Laranjeira
19- Novo Amor (com: Hamilton Holanda)
20- No Braseiro
21- Samba do Balanço (com: Marcelo D2)
Faixas Extras:
1- Mambembe (com: Chico Buarque e Marcello Gonçalves)
2- Peito Vazio (com: Ney Matogrosso e Trio Madeira Brasil)
3- Eu já não Sei (com: Antônio Zambujo, Yamandú Costa e Ricardo Cruz)
4- Modinha (com: Yamandu Costa)

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