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Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão será lançada dia 19

Do Barão de Itararé

Na próxima terça (19/04) acontecerá o ato de lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular, no Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados, a partir das 14h. O ato contará com a presença de parlamentares e representantes de organizações da sociedade civil que discutem o tema.

A Frente é uma iniciativa de membros da Câmara dos Deputados, em parceria com entidades da sociedade civil, que visa a promover, acompanhar e defender iniciativas que ampliem o exercício do direito humano à liberdade de expressão e do direito à comunicação. Para a deputada Luiza Erundina, propositora da Frente, a criação deste espaço de articulação, que agrega parlamentares e organizações da sociedade civil, é de suma importância para que a liberdade de expressão e a própria democracia se consolidem no Brasil.

As organizações da sociedade civil envolvidas no processo de construção da Frente lançaram várias convocatórias, chamando outras entidades para participarem do ato e para aderirem à Frente. Em uma das convocatórias, as entidades argumentam que o ano de 2011 será decisivo para a democratização das comunicações no país, por conta da proposta de novo marco regulatório das comunicações que deve ser encaminhado ao Congresso pelo Ministério das Comunicações e por conta dos debates sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que pretende massificar o acesso a internet .

“Precisamos somar forças no parlamento, onde será necessário muita mobilização e pressão para aprovar as alterações nas leis da comunicação a nosso favor. Assim, convocamos as entidades e as cidadãs e cidadãos à somarem esforços com os/as parlamentares que defendem a democracia nas comunicações para o lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação com Participação Popular no dia 19 de abril”, convocam as entidades que estão se mobilizando para o ato.

No ato, além da aprovação do manifesto e do estatuto da Frente, deverá também ser escolhida a coordenação, que será formada por deputados/as e representantes de organizações da sociedade civil que compõem a Frente.

Como surgiu

A idéia de criar a Frente partiu da deputada Luiza Erundina (PSB/SP) quando, em abril de 2010, no lançamento da Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação), entidade formada por representantes de veículos alternativos de comunicação e blogueiros, ela informou que iria articular a criação de uma frente parlamentar com a finalidade de discutir, acompanhar e propor iniciativas com vistas à democratização da comunicação. Ainda em 2010, Erundina colhe assinaturas de deputados/as que se comprometem a constituir um núcleo inicial de criação da Frente. No início dessa legislatura, em 2011, com o apoio do deputado Emiliano José (PT/BA), a criação da Frente volta a ser discutida e deputados/as e organizações da sociedade civil passam a reunir-se periodicamente para encaminhar as providências para constituição formal da Frente junto à Câmara dos Deputados.

Atualmente, além da deputada Luiza Erundina e do deputado Emiliano José outros parlamentares também trabalham pela criação da Frente, como o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a deputada Luciana Santos (PCdoB/PE), Paulo Pimenta (PT/RS), que formam a coordenação provisória da Frente.

Lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular
Data: 19/04/2011 (terça)
Hora: 14h
Local: Auditório Nereu Ramos, Subsolo do Anexo II, Câmara dos Deputados

Blogueiros Progressistas do RN debatem comunicação, política e ativismo social

No último final de semana, o movimento dos Blogueiros Progressistas do RN realizou seu primeiro Encontro Estadual em Natal, com a presença da educadora, historiadora e ativista social Conceição Oliveira, autora do blog “Maria Frô. Democratização da comunicação, redes sociais, governança solidária, gestão e políticas públicas foram alguns dos temas tratados durante o evento realizado no auditório do IFRN da Cidade Alta.

No debate de abertura sobre militância na rede, Conceição Oliveira destacou que, com a explosão da blogosfera, o jornalismo tradicional precisou se “refazer”. “Uma das riquezas da internet é que, quando você tem contribuições de outras áreas, você faz o jornalismo se refazer. É preciso contextualizar as coisas”.

Como exemplo da força da blogosfera progressista, Conceição citou a eleição presidencial de 2010, quando a grande imprensa jogou pesado para eleger o candidato da direita, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“Olhando o que podemos fazer na blogosfera, fico impressionada com o que as ‘formiguinhas’ podem fazer. Conseguimos vencer toda a mídia institucional nas eleições do ano passado. É impressionante”, comemorou.

Para Conceição, a blogosfera progressista, “apesar das diferenças políticas, tem muita clareza do lugar em que deve estar”. Ela acrescentou que o trabalho da militância de esquerda na rede é ser “contra-hegemônico”.

“Temos que disputar esse campo político. Quando a gente faz esse trabalho de formiguinha, organiza-se, nós fazemos a diferença. Na hora em que o [Jair] Bolsonaro [deputado federal pelo PP-RJ] falou aquilo no CQC , na hora subiu uma tag no twitter. A gente estava de olho, estamos envolvidos de uma maneira que não deixamos nada passar. Nós somos solidários quando a causa vale a pena”.

No dia 23/03, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou o que o deputado faria se seu filho namorasse uma negra, Bolsonaro disse que seus filhos não corriam esse risco, muito menos tornarem-se homossexuais, porque não haviam sido criados em ambiente promíscuo.

Por causa das declarações racistas e homofóbicas, o presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro), Wadih Damous, pediu a cassação do mandato de Bolsonaro.

“O desafio é sair dessa fase puramente militante”

Conceição enfatizou que o desafio da blogosfera progressista é “sair dessa fase puramente militante”, porque a grande imprensa atua, verdadeiramente, “como um partido político”.

“Fazemos uma oposição cerrada a esse jornalismo cheio de factóides, sem compromisso com a verdade. Há dezenas de casos que dariam pra fazer tese de factóides que viraram capa da ‘Veja’. Nós estamos lidando de fato com um partido político. Os leitos que inventaram a expressão PIG [Partido da Imprensa Golpista]têm toda razão”, pontuou.

Como exemplo desta atuação partidária da imprensa conservadora, Conceição lembrou das constantes crises fabricadas para derrubar o governo Lula.

“Como é que você tem uma imprensa que, durante oito anos, criou crises dia a dia? As críticas que o governo Lula merecia foram feitas pela esquerda. Lula foi chamado de ‘estuprador’, foi chamado de cerceador da liberdade de imprensa, mas não fez um enfrentamento contra essa mídia”.

Conceição conclamou os blogueiros progressistas a cerrarem fileiras para que o novo marco regulatório da comunicação se torne realidade.

“Nosso grande desafio é fazer esse marco regulatório sair do papel. Ele não vai sair como queremos, mas precisamos que saía o mais próximo possível. Mesmo sem o marco, temos uma legislação que é constantemente desrespeitada, principalmente pelas TVs”.

O Projeto de Lei que regulamenta os meios de comunicação no Brasil foi consluído no fim do governo Lula e estava pronto para ser enviado ao Congresso Nacional. Com a posse da presidenta Dilma Rousseff, o novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, recolheu o projeto para fazer nova “avaliação” — o que indica que, sem pressão popular, o documento não sairá da gaveta.

Alerta

Conceição observou ainda que é preciso “politizar o debate” sobre a disputa política. Para ela, quando se limita ao “poder pelo poder”, mesmo no campo da esquerda, a disputa não vale a pena.

Citando o caso de Natal, onde se vive um caos administrativo sob a administração da prefeita Micarla de Sousa (PV), cuja eleição se apoiou numa combinação de populismo, preconceito e xenofobismo, Conceição alertou para a urgência de nos organizarmos “para impedirmos que outro oportunista chegue ao poder”.

Mais debates

Além do debate com Conceição Oliveira, o encontro promoveu uma discussão sobre políticas nas áreas da Educação, Saúde, Cultura e Segurança, reunindo à mesa a educadora Cláudia Santa Rosa, o ex-diretor do Conselho Nacional de Saúde Francisco Júnior e os jornalistas Tácito Costa e Cézar Alves.

A programação do sábado terminou com um debate com o sociólogo Paulo Araújo, consultor da Unesco, sobre redes sociais, governança solidária e gestão pública.

No domingo pela manhã, os blogueiros revisaram a aprovaram a Carta de Natal, com os pontos programáticos que serão defendidos pelo movimento e servirão para orientar as próximas ações e debates do Blogprog-RN.

O I Encontro dos Blogueiros Progressistas do RN reuniu uma média de 30 participantes, entre blogueiros, tuiteiros, usuários de outras redes sociais e ativistas sociais. O evento contou ainda com as ilustres presenças da deputada federal Fátima Bezerra (PT), do deputado estadual Fernando Mineiro (PT) e do vereador George Câmara (PCdoB).

Apesar da ausência, os vereadores Raniere Barbosa (PRB) e Júlia Arruda (PSB) contribuiram para a realização do Encontro do Blogprog-RN e, por isso, merecem nosso agradecimento.

Caetano defende Bethânia e ataca a “Veja” e a “Folha”

Tenho muitas ressalvas ao pensamento político de Caetano Veloso, mas, neste artigo, concordo com tudo o que disse o irmão de Maria Bethânia. Ao comentar o linchamento vivido pela irmã, criticou o jornalismo praticado pela Veja e pela Folha, afirmou que as duas publicações enganam os leitores e disparou ironias contra três expoentes do PIG: Ricardo Noblat (O Globo), Reinaldo Azevedo (Veja) e Mônica Bergamo (Folha). “Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades“, protestou.

Leia, abaixo, a íntegra do artigo (via Fala Particular):

Caetano Veloso – Bethânia

Não concebo por que o cara que aparece no YouTube ameaçando explodir o Ministério da Cultura com dinamite não é punido. O que há afinal? Será que consideram a corja que se “expressa” na internet uma tribo indígena? Inimputável? E cadê a Abin, a PF, o MP? O MinC não é protegido contra ameaças? Podem dizer que espero punição porque o idiota xinga minha irmã. Pode ser. Mas o que me move é da natureza do que me fez reagir à ridícula campanha contra Chico ter ganho o prêmio de Livro do Ano. Aliás, a “Veja” (não, Reinaldo, não danço com você nem morta!) aderiu ao linchamento de Bethânia com a mesma gana. E olha que o André Petry, quando tentou me convencer a dar uma entrevista às páginas amarelas da revista marrom, me assegurou que os então novos diretores da publicação tinham decidido que esta não faria mais “jornalismo com o fígado” (era essa a autoimagem de seus colegas lá dentro). Exigi responder por escrito e com direito a rever o texto final. Petry aceitou (e me disse que seus novos chefes tinham aceito). Terminei não dando entrevista nenhuma, pois a revista (achando um modo de me dizer um “não” que Petry não me dissera — e mostrando que queria continuar a “fazer jornalismo com o fígado”) logo publicou ofensa contra Zé Miguel, usando palavras minhas.

A histeria contra Chico me levou a ler o romance de Edney Silvestre (que teria sido injustiçado pela premiação de “Leite derramado”). Silvestre é simpático, mas, sinceramente, o livro não tem condições sequer de se comparar a qualquer dos romances de Chico: vi o quão suspeita era a gritaria, até nesse pormenor. Igualmente suspeito é o modo como “Folha”, “Veja” e uma horda de internautas fingem ver o caso do blog de Bethânia. O que me vem à mente, em ambas as situações, é a desaforada frase obra-prima de Nietzsche: “É preciso defender os fortes contra os fracos.” Bethânia e Chico não foram alvejados por sua inépcia, mas por sua capacidade criativa.

A “Folha” disparou, maliciosamente, o caso. E o tratou com mais malícia do que se esperaria de um jornal que — embora seu dono e editor tenha dito à revista “Imprensa”, faz décadas, que seu modelo era a “Veja” — se vende como isento e aberto ao debate em nome do esclarecimento geral. A “Veja” logo pôs que Bethânia tinha ganho R$ 1,3 milhão quando sabe-se que a equipe que a aconselhou a estender à internet o trabalho que vem fazendo apenas conseguiu aprovação do MinC para tentar captar, tendo esse valor como teto. Os editores da revista e do jornal sabem que estão enganando os leitores. E estimulando os internautas a darem vazão à mescla de rancor, ignorância e vontade de aparecer que domina grande parte dos que vivem grudados à rede. Rede, aliás, que Bethânia mal conhece, não tendo o hábito de navegar na web, nem sequer sentindo-se atraída por ela.

Os planos de Bethânia incluíam chegar a escolas públicas e dizer poemas em favelas e periferias das cidades brasileiras. Aceitou o convite feito por Hermano como uma ampliação desse trabalho. De repente vemos o Ricardo Noblat correr em auxílio de Mônica Bergamo, sua íntima parceira extracurricular de longa data. Também tenho fígado. Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades. Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto “máfia do dendê”, expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um “Verdade tropical”). Pensam o quê? Que eu vou ser discreto e sóbrio? Não. Comigo não, violão.

O projeto que envolve o nome de Bethânia (que consistiria numa série de 365 filmes curtos com ela declamando muito do que há de bom na poesia de língua portuguesa, dirigidos por Andrucha Waddington), recebeu permissão para captar menos do que os futuros projetos de Marisa Monte, Zizi Possi, Erasmo Carlos ou Maria Rita. Isso para só falar de nomes conhecidos. Há muitos que desconheço e que podem captar altíssimo. O filho do Noblat, da banda Trampa, conseguiu R$ 954 mil. No audiovisual há muitos outros que foram liberados para captar mais. Aqui o link: http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/02/Resultado-CNIC-184%C2%AA.pdf

Por que escolher Bethânia para bode expiatório? Por que, dentre todos os nossos colegas (autorizados ou não a captar o que quer que seja), ninguém levanta a voz para defendê-la veementemente? Não há coragem? Não há capacidade de indignação? Será que no Brasil só há arremedo de indignação udenista? Maria Bethânia tem sido honrada em sua vida pública. Não há nada que justifique a apressada acusação de interesses escusos lançada contra ela. Só o misto de ressentimento, demagogia e racismo contra baianos (medo da Bahia?) explica a afoiteza. Houve o artigo claro de Herman Vianna aqui neste espaço. Houve a reportagem equilibrada de Mauro Ventura. Todos sabem que Bethânia não levou R$ 1,3 milhão. Todos sabem que ela tampouco tem a função de propor reformas à Lei Rouanet. A discussão necessária sobre esse assunto deve seguir. Para isso, é preciso começar por não querer destruir, como o Brasil ainda está viciado em fazer, os criadores que mais contribuem para o seu crescimento. Se pensavam que eu ia calar sobre isso, se enganaram redondamente. Nunca pedi nada a ninguém. Como disse Dona Ivone Lara (em canção feita para Bethânia e seus irmãos baianos): “Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há?”

Blogueiros Progressistas do RN realizam 1° Encontro em Natal

“Militância na internet, blogosfera e os blogueiros progressistas”. Esse é o tema da palestra de abertura do 1º Encontro Estadual dos Blogueiros Progressistas do RN (Blogprog-RN), marcado para os dias 1, 2 e 3 de abril, no auditório do IFRN do Centro de Natal. A exposição ficará a cargo da educadora, historiadora e ativista social Conceição Oliveira, autora do blog “Maria Frô”.

O evento vai discutir os rumos da democratização do acesso e produção da informação e da comunicação nesta década que se inicia. O Encontro Estadual é resultado da iniciativa realizada ainda em agosto do ano passado pelo Centro de Estudos em Mídia Alternativa Barão de Itararé, quando mais de 300 blogueiros, tuiteiros e outros militantes de 17 estados reuniram-se em São Paulo para debater a democratização da mídia e o papel da blogosfera.

Em janeiro, os progressistas potiguares estrearam suas atividades em Natal promovendo um encontro com o neurocientista Miguel Nicolelis, que, entre outros assuntos, discorreu sobre o que chamou de “mito” da imparcialidade jornalística e científica.

No Encontro Estadual, haverá espaço para troca de experiências entre blogueiros, tuiteiros e ativistas sociais do RN, mesa redonda para debater as redes sociais e políticas públicas, oficina sobre a usabilidade e navegação e debate sobre governança solidária, gestão pública e redes sociais.

Além de Conceição Oliveira, participarão do Encontro do Blogprog-RN o sociólogo e consultor da Unesco Paulo Araújo, a educadora Cláudia Santa Rosa, a professora da UFRN Taciana Burgos e os jornalistas Tácito Costa e Cézar Alves.

Na noite de abertura (sexta-feira, 1º), os blogueiros progressistas vão se encontrar no Bardallos Comida e Arte, localizado no Beco da Lama, ponto de encontro da boemia natalense. A programação cultural ficará por conta do grupo Catita Choro & Gafieira. A entrada é gratuita.

As inscrições para o 1º Encontro Estadual podem ser realizadas pelo sítio do Blogprog-RN (www.blogprogressistasrn.com). Lá também é possível ver a programação completa do evento.

Escândalo: Estrutura de Comunicação da Prefeitura de Mossoró era usada para alimentar blog apócrifo

Na edição deste domingo (20), o jornal “O Mossoroense” revela detalhes do escândalo que está sendo chamado de “Watergate de Mossoró“. De acordo com a reportagem, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Mossoró era usada para atualizar o blog de “Paulo Doido“, publicação apócrifa que servia para atacar críticos da prefeita Fafá Rosado (DEM).

As informações se baseiam em documentos fornecidos à Justiça pela Google Brasil, pelo provedor Mikrocenter e pela Velox. A documentação mostrou que computadores do gabinete da prefeitura de Mossoró e da Reitoria da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) foram utilizados na prática de crimes virtuais.

Ainda segundo a matéria (leia a íntegra aqui), o blog apócrifo foi criado em 18 de fevereiro de 2010 e saiu do ar em 13 de julho do mesmo ano, na mesma data em que a Justiça requisitou que o Google informasse quem eram seus autores.

Tratava-se de um grupo de servidores comissionados da Prefeitura de Mossoró, lotados na Gerência da Comunicação, que arquitetaram a ferramenta com a finalidade de atacar políticos adversários da prefeita Fafá Rosado e jornalistas que criticam a atual administração“, diz um trecho da matéria.

A documentação em posse da Justiça apontou que o grupo era integrado pelos jornalistas Pedro Carlos (assessor de imprensa da gestão mossoroense e diretor executivo do Correio da Tarde) e Neto Queiroz (colunista da Gazeta do Oeste, consultor de Comunicação da Prefeitura de Mossoró e assessor de imprensa do deputado estadual e marida da prefeita mossoroense, Leonardo Nogueira – DEM) e pelo gerente executivo da Comunicação da Prefeitura de Mossoró, o contabilista Ivanaldo Fernandes.

A reportagem do jornal O Mossoroense informou que ouviu os envolvidos no escândalo, mas todos, apesar da documentação repassada pelos provedores de internet, negaram participação no caso.

É um episódio gravíssimo de atentado à liberdade de expressão. Mas casos como esse não ocorrem só em Mossoró. Em Natal, críticos da gestão da prefeita Micarla de Sousa (PV) também são vítimas de ataques, ameaças e perseguições.

Denúncias indicam que, assim como em Mossoró, a estrutura de Comunicação do Palácio Felipe Camarão serve como plataforma para ataques anônimos aos desafetos da prefeita-borboleta. Nas redes sociais, multiplicam-se perfis falsos, recrutados pelos micarlistas, para desancar quem é considerado persona non grata pelos integrantes do borboletário.

Esperamos que a Justiça de Natal siga o exemplo de Mossoró e, pelo bem da democracia e da liberdade, desmonte a quadrilha que tenta intimidar os críticos da administração municipal.

 

Encontro de Blogueiros Progressistas do RN será em abril

Do BlogProgRN:

O I Encontro de Blogueiros Progressistas do RN acontecerá de 1 a 3 de abril de 2011, em Natal (RN), no auditório do IFRN, no Centro. Uma programação recheada discutir os rumos da democratização da informação e da comunicação nesta década que se inicia. O Encontro estadual de blogueiros progressistas resulta da iniciativa realizada ainda em agosto do ano passado pelo Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé. Por três dias, em São Paulo, reuniram-se mais de 300 blogueiros, tuiteiros e outros militantes de 17 estados para debater a democratização da mídia e a emergência dessa entidade cada vez melhor definida que é a blogosfera.

Evidentemente a denominação “blogueiros progressistas” tem despertado certa polêmica. Para nós é progressista aquele que assim se define e compartilha de nossa Carta de Princípios. Quando fizemos o nosso encontro de aquecimento com o professor Miguel Nicolelis, fomos alvos de muitas críticas. Afinal, o encontro foi um sucesso.

Na segunda que vem, estaremos com Sérgio Vilar comemorando o Dia da Poesia, com transmissão ao vivo via Internet.

Para o segundo semestre, as ideias são muitas. Mas tudo começa no nosso primeiro encontro estadual.

Os interessados em participar podem se inscrever preenchendo a ficha de inscrição do link. A ficha pode ser acessada também no cabeçalho deste blog.

Mas atenção: a inscrição custa R$ 20,00 (R$ 10,00 para estudantes). Para confirmá-la, portanto, será necessário realizar um depósito nesses valores na seguinte conta do Banco do Brasil:

Agência: 3698-6

Conta: 20 483-8, variação 1 (poupança)

A conta é no nome de Kênia Andrade do Nascimento Gondim. A inscrição será confirmada com o envio de uma cópia do comprovante de depósito para o e-mail blogprogressistasrn@uol.com.br.

Você poderá se inscrever na hora (se ainda restarem vagas), mas aí o valor será R$ 30,00 (R$ 15,00 para estudantes). Estudantes deverão anexar no e-mail uma cópia de comprovante de matrícula ou de carteira de estudante válida – ou apresentá-la no credenciamento do evento.

A seguir, a programação (que ainda poderá reservar boas surpresas):

Sexta-feira (01/04)

* Abertura cultural – Espaço Cultural Buraco da Catita – 20h

Sábado (02/04)

* 8h às 9h – Credenciamento

* 9h – Mesa de abertura

* 9h30 – Abertura – Rodrigo Vianna (http://www.rodrigovianna.com.br)

* 10h10 – Debate

* 10h30 – Intervalo

* 10h50 – Divisão de grupos (para trocas de experiências e elaboração de propostas de trabalho)

* 12h20 – Almoço

* 13h30 – Oficina – Usabilidade e navegação nas redes sociais – Prof. Dra. Taciana Burgos (UFRN)

* 14h30 – Intervalo

* 14h50 – Mesa: Redes sociais e políticas públicas (Cezar Alves, Tácito Costa, Cláudia Santa Rosa, Francisco Júnior – a confirmar)

* 15h30 – Debate

* 16h – Redes sociais, governança solidária e gestão pública – Paulo Araújo.

* 17h – Encerramento

Domingo (03/04)

* 9h às 12h – Plenária final (aprovação de relatórios dos grupos, documentos finais e moções).

Há uma etapa prévia ao encontro que se refere à elaboração de um pré-documento a ser enviado aos participantes para balizar a discussão e a plenária que o aprovará ou não. Já começamos a elaborar o texto e ele será partilhado com todos os inscritos antes da realização do evento.

É isso. Esperamos realizar um grande encontro. Em prol da democratização da comunicação. Esta semana ainda divulgaremos os cartazes com mais informações.

Informações sobre os demais encontros estaduais e o encontro nacional, que acontecerá em junho, em Brasília, no site do Barão de Itararé.

Wikileaks e as eleições de 2010: as vísceras do jornalismo do PIG

Com informações dos blogs Gonzum e Maria Frô

Documentos vazados pelo Wikileaks, sobre as eleições 2010, revelaram que o então candidato tucano José Serra apostava suas fichas em Marina Silva (PV) para ser sua vice e ajudá-lo a derrotar Dilma Rousseff (PT). A informação foi repassada ao cônsul americano pelo colunista da Veja, Diogo Mainardi, que lhe contou sobre uma conversa que teve com o ex-governador de São Paulo.

Com base nas informações de Mainardi, o cônsul americano afirma que José Serra pediria a Marina Silva para ser a vice dele. Diante da improbabilidade disso acontecer, o tucano esperava o apoio dela no segundo turno da eleição de 2010.

Na mesma nota, o diplomata americano conta que, durante um almoço, Mainardi lhe revelou que escreveu um artigo na Veja defendendo a chapa Serra / Marina depois que o tucano lhe disse que a verde era a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Na coluna em questão, Mainardi batizou a dobradinha Serra / Marina de “chapa cabocla”. “Uma chapa formada por José Serra e Marina Silva embaralharia a campanha de 2010, pegando o PT no contrapé e enterrando de vez a desastrada candidatura de Dilma Rousseff”, escreveu o colunista.

Apesar da defesa da “chapa cabocla”, Mainardi confessou ao cônsul que não acreditava na sua concretização. Para o colunista, Marina estava “interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência.

Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, lhe dissera, no início desse mês, que permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice na chapa de José Serra“, diz trecho da nota vazada pelo Wikileaks.

A opinião de Mainardi era compartilhada pelo colunista d’OGlobo, Merval Pereira, que, em encontro no dia 21 de janeiro, disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), estaria disposto a “fazer tudo” para ajudar José Serra, inclusive ser seu vice.

Merval disse acreditar que “não só [Aécio] Neves aceitará ser vice-presidente de Serra, mas também que Marina Silva apoiaria Serra num eventual segundo turno.

Como se sabe, tanto as análises de Mainardi, chamado de “renomado colunista político”, como as previsões de Merval Pereira revelaram-se enormes furadas. O problema é que, ao confundir análise com torcida, os dois colunistas do PIG passaram por cima dos fatos e se apegaram à ilusão de que suas hipóteses virariam verdade por inércia.

A promiscuidade entre a velha imprensa e a direita tucana não é novidade. Além dos delírios de José Serra, o documento do Wikileaks expôs as vísceras do jornalismo praticado pela grande mídia.

Ao emprestarem suas páginas para Mainardi e Merval repassarem os recados ditados pelo tucano, Veja e O Globo trocaram a fantasia da imparcialidade pelas vestes da subserviência.

Prestes a deixar o DEM, Kassab vira alvo da Folha

Prestes a deixar o DEM para fundar um novo partido, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, virou alvo da Folha de São Paulo. Na edição desta quarta-feira (9), a manchete do jornal diz que “Promessas de Kassab patinam após 2 anos“.

De acordo com a matéria, Kassab enfrenta dificuldades para cumprir suas principais promessas eleitorais, dentre as quais “construir hospitais, expandir e requalificar corredores e terminais de ônibus, investir no Rodoanel e eliminar o “turno da fome” nas escolas e a fila de espera por vaga em creches“.

A matéria está correta. O dever da imprensa é esse mesmo, fiscalizar o poder, cobrar os governantes e informar a população. A imprensa natalense prestaria um grande serviço ao povo se seguisse o exemplo e fizesse um balanço das promessas não cumpridas da prefeita Micarla de Sousa (PV), como fizemos aqui no blog.

O problema é que a Folha de São Paulo resolveu cobrar as promessas de Kassab somente após o prefeito decidir deixar a oposição e migrar para a base do governo da presidenta Dilma Rousseff.

O jornal sempre pegou leve com a gestão da dupla Serra (PSDB) / Kassab (DEM), que assumiu a Prefeitura de São Paulo em 2005. Depois, com a renúncia de Serra para concorrer ao governo estadual, Kassab se tornou titular do cargo, sem nunca enfrentar muitos problemas com a Folha. Novos tempos.

O polêmico discurso de Dilma no aniversário da Folha

A presidenta Dilma Rousseff compareceu à cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, ontem à noite, quando proferiu um discurso em defesa da liberdade de imprensa. A presença e o discurso da presidenta geraram muita polêmica. Para muitos, Dilma errou ao comparecer ao evento e, mais ainda, ao elogiar o “bom jornalismo” do jornal da família Frias.

Em texto publicado no “Brasília, eu vi“, o jornalista Leandro Fortes afirmou que Dilma, em seu discurso, cometeu o “pecado capital” de ter “corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão”.

Transcrevo, abaixo, a íntegra do artigo de Leandro Fortes (comento em seguida):

Dilma na cova dos leões

Na íntegra do discurso de Dilma Rousseff proferido na cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, disponibilizado na internet pela página do Portal UOL, lê-se, não sem certo espanto: “Estou aqui representando a Presidência da República. Estou aqui como presidente da República”. Das duas uma: ou Dilma abriu mão, em um discurso oficial, de sua batalha pessoal para ser chamada de “presidenta”, ou, mais grave, a transcrição de seu discurso foi alterada para se enquadrar aos ditames do anfitrião, que a chama ostensivamente de “presidente”, muito mais por birra do que por purismo gramatical.

Caso tenha, de fato, por conta própria, aberto mão do título de “presidenta” que, até então, lhe parecia tão caro, este terá sido, contudo, o menor dos pecados de Dilma Rousseff no regabofe de 90 anos da Folha.

Explica-se: é a mesma Folha que estampou uma ficha falsa da atual presidenta em sua primeira página, dando início a uma campanha oficial que pretendia estigmatizá-la, às vésperas da campanha eleitoral de 2010, como terrorista, assaltante de banco e assassina. A ela e a seus companheiros de luta, alguns mortos no combate à ditadura.

Ditadura, aliás, chamada de “ditabranda”, pela mesma Folha.

Esta mesma Folha que, ainda na campanha de 2010, escalou um colunista para, imbuído de sutileza cavalar, chamá-la, e à atual senadora Marta Suplicy, de vadia e vagabunda.

Essa mesma Folha, ora homenageada com a presença de Dilma Rousseff.

Digo o menor dos pecados porque o maior, o mais grave, o inaceitável, não foi o de submeter a Presidência da República a um duvidoso rito de diplomacia de uma malfadada estratégia de realpolitik. O pecado capital de Dilma foi ter, quase que de maneira singela, corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão. Em noite de gala da rua Barão de Limeira, a presidenta usou como seu o discurso distorcido sobre dois temas distintos transformados, deliberadamente, em um só para, justamente, não ser uma coisa nem outra. Uma manipulação conceitual bolada como estratégia de defesa e ataque prévios à possível disposição do governo em rever as leis e normas que transformaram o Brasil num país dominado por barões de mídia dispostos, quando necessário, a apelar para o golpismo editorial puro e simples.

A liberdade de expressão que garantiu o surgimento de uma blogosfera crítica e atuante durante a guerra eleitoral de 2010 nada tem a ver com aquela outra, defendida pela Associação Nacional dos Jornais, comandada por uma executiva da Folha de S.Paulo. São posições, na verdade, antagônicas. A Dilma, é bom lembrar, a Folha jamais pediu desculpas (nem a seus próprios leitores, diga-se de passagem) por ter ostentado uma ficha falsa fabricada por sites de extrema-direita e vendida, nas bancas, como produto oficial do DOPS. Jamais.

Ao comparecer ao aniversário da Folha, a quem, imagina-se, deve ter processado por conta da ficha falsa, Dilma se fez acompanhar de um séquito no qual se incluiu o ministro da Justiça. Fez, assim, uma concessão que está no cerne das muitas desgraças recentes da história política brasileira, baseada na arte de beijar a mão do algoz na esperança, tão vã como previsível, de que esta não irá outra vez se levantar contra ela. Ledo engano. Estão a preparar-lhe uma outra surra, desta feita, e sempre por ironia, com o chicote da liberdade de imprensa, de expressão, cada vez mais a tomar do patriotismo o status de último refúgio dos canalhas.

Dilma foi torturada em um cárcere da ditadura, esta mesma, dita branda, que usufruiu de veículos da Folha para transporte e remoção de prisioneiros políticos – acusação feita pela jornalista Beatriz Kushnir no livro “Cães de guarda” (Editora Boitempo), nunca refutada pelos donos do jornal.

A presidenta conhece a verdadeira natureza dos agressores. Deveria saber, portanto, da proverbial inutilidade de se colocar civilizadamente entre eles.

A parcialidade,  o partidarismo e o reacionarismo da Folha de S.Paulo não são nenhuma novidade. Os episódios descritos por Leandro Fortes ainda estão vivos na memória daqueles que, como eu, se engajaram na eleição de Dilma Rousseff.

Apesar disso, considero exageradas as críticas à presidenta. A meu ver, Dilma teria sido extremamente descortês se não tivesse ido à cerimônia. Ao comparecer, demonstrou uma postura republicana, como convém à situação.

Em relação ao discurso, não vi, em nenhum momento, Dilma se referir à Folha como exemplo de “bom jornalismo”. A presidenta fez uma deferência ao fundador do jornal, Octavio Frias de Oliveira, citando-o como “um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador“.

Ao dizer isso, Dilma estaria concordando com o jornalismo praticado pela Folha? Não. Creio que a presidenta está se referindo somente à qualidade técnica do jornal, sem fazer nenhuma defesa da sua linha editorial, como muitos, apressadamente, interpretaram.

Discordo quando Dilma diz que a Folha ocupou um papel “decisivo em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso das Diretas Já”. Neste ponto, abusou da diplomacia.

Como lembrou Leandro Fortes, o jornal rebatizou a ditadura para “ditabranda” e, à época do regime dos generais, emprestou veículos para transporte e remoção de prisioneiros políticos. A Folha seguiu o mesmo receituário da TV Globo, que aderiu à campanha das Diretas Já apenas quando não havia outra saída.

No mais, Dilma fez um discurso óbvio: condenou a censura, defendeu a liberdade de expressão e disse que o governo “deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia“. Acrescentou, como havia dito durante a disputa eleitoral, que prefere “o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras“.

Dilma afirmou ainda que uma imprensa “livre, plural e investigativa” é “imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais.

A Folha, malandramente, tentou fazer crer que, ao pregar a “liberdade de imprensa e expressão“, Dilma estaria corroborando com o ‘modus operandi’ da grande imprensa e chancelando a doutrina da mídia conservadora — avessa a temas como regulação, controle social dos meios de comunicação e revisão do modelo brasileiro de concessões públicas de rádio e TV.

Não concordo com Leandro Fortes, para quem Dilma fez uma “concessão aos seus algozes”. A presidenta, na verdade, deu um recado ao jornal ao ponderar a necessidade da imprensa ser “livre e plural”. Liberdade de imprensa não é licença para manipular, distorcer ou mesmo inventar os fatos. Quando em vez de informar a mídia tenta influenciar os fatos, significa que extrapolou a sua função e abusou da liberdade.

A Folha é qualquer coisa, menos plural. Na cobertura da eleição presidencial de 2010, dedicou sucessivas páginas a factóides criados pela oposição, publicou na capa uma ficha falsa contra a então candidata petista e apoiou a campanha difamatória e fascista promovida pelo então candidato tucano, o ex-governador de São Paulo, José Serra.

Dilma demonstrou habilidade extrema ao preferir as entrelinhas para dizer o que pensa dos barões da mídia.

 

Democracia, comunicação e política

“Contra os políticos pesa também acusação de conduzir a linha editorial dos periódicos de grande circulação e de canais de rádio e televisão locais, fortalecendo as imagens por meio de matérias jornalísticas positivas, dirigindo críticas aos oponentes.”

O trecho da notícia acima, para nosso desânimo, não é sobre nenhum figurão da política potiguar. Trata-se de denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o governador do Acre, Tião Viana (PT), o seu vice, Carlos Messias, o senador Jorge Viana (PT) e os dois suplentes dele. Para o MPE, eles cometeram abusos e ilícitos usando meios de comunicação locais.

Fico me perguntando por que o Ministério Público do RN não segue o exemplo do MPE do Acre. Políticos usando jornais, rádios e emissoras de televisão com fins eleitorais é uma prática antiga por aqui. Todas as concessões de TV no RN estão sob controle de políticos: as famílias Alves e Maia e a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), controlam, respectivamente, as afiliadas locais da Globo, Record e SBT.

Não dá pra ignorar a influência que esses meios de comunicação exercem sobre o jogo político, chegando, muitas vezes, a interferir nos critérios de escolha dos cidadãos. Como intermediários entre a fonte de informação e o público, os meios de comunicação selecionam o que e como noticiar e influenciam no julgamento popular sobre os fatos.

Essa influência, obviamente, nem sempre é determinante. As duas eleições do ex-presidente Lula (PT) e a recente eleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) estão aí pra demonstrar que, sim, é possível se contrapor à força da mídia conservadora. Mas esses dois casos são exceções que só confirmam a regra.

Pra ficarmos por aqui mesmo, basta lembrarmos o fenômeno Micarla de Sousa. A prefeita de Natal chegou ao cargo em 2008, entre outros fatores, graças à imagem que projetou junto à população através da televisão.

Durante dois anos, Micarla fez da TV Ponta Negra o trampolim para a sua vitoriosa candidatura. Transformou o vídeo em tribuna particular, assumiu o lugar de porta-voz das queixas do povo e se apresentou como uma espécie de justiceira dos fracos e oprimidos.

Enquanto não mexermos na caixa-preta das concessões de rádio e TV no Brasil, casos como esse continuarão se repetindo. Como disse a professora e filósofa Marilena Chauí, em entrevista à revista Caros Amigos, sem comunicação não há democracia. Caso esse modelo de comunicação atrasado e concentrador se perpetue no país, nunca seremos a democracia que sonhamos ser.

A revolução em curso no Egito

A convulsão social que tomou conta do Egito desde o último dia 25 de janeiro, data em que eclodiram os protestos de rua pedindo o fim do regime ditatorial de Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, chama a atenção, entre outros motivos, pelo protagonismo da internet e das redes sociais — a “teia”, como prefere o neurocientista Miguel Nicolelis — no planejamento, convocação e divulgação do movimento democrático naquele país do Oriente Médio.

O jornalista inglês Robert Fisk, em artigo reproduzido na Carta Maior, disse que “Esta é uma revolução pelo Twitter e pelo Facebook e há muito que a tecnologia derrubou as normas caducas da censura“.

No debate com os Blogueiros Progressistas do RN, na última sexta-feira (28), Miguel Nicolelis afirmou que a teia se espalharia e, em breve, daria início a uma nova democracia libertária, cujo fundamento seria o maior engajamento dos indivíduos. O que está acontecendo no Egito pode ser encarado, quem sabe, como prenúncio da realização dessa utopia.

Não por acaso, o governo de Hosni Mubarak cortou o acesso à rede, na tentativa de impedir que a internet continuasse sendo usada para convocar novas manifestações. A censura, pelo visto, não deverá surtir efeito. Nesta terça-feira (1°), segundo noticiaram as agências internacionais, os opositores do presidente egípcio anunciaram novo protesto na praça Tahir, onde começou o levante, na capital Cairo.

O Movimento 6 de Abril é o principal grupo de oposição responsável pela organização dos protestos. A Irmandade Muçulmana, antes resistente em aliar-se ao movimento, declarou apoio oficial ao levante.

O presidente Hosni Mubarak tenta, a todo custo, manter-se no poder. Ele nomeou, pela primeira vez em 30 anos, um vice-presidente, um novo primeiro-ministro e trocou um punhado de outros ministros. As oposições, porém, rejeitaram o diálogo com o regime.

No domingo (30), Mohamed ElBaradei, Prêmio Nobel da Paz, nomeado pela Coalizão Nacional por Mudança para negociar com Hosni Mubarak, juntou-se aos rebeldes da praça Thair, disse à multidão que “a mudança chegará” e pediu o fim do regime do presidente egípcio.

Até agora, mais de cem pessoas morrerram durante a onda de protestos no país.O jurista Wálter Maierovitch, em seu blog na Terra Magazine, afirmou que o estopim da revolta do povo egípcio foi quando Mubarak resolveu preparar a sua sucessão, cujas eleições estão marcadas para outubro próximo. o presidente escolheu ninguém menos que o filho mais novo, Gamal Mubarak, 47, para sucedê-lo. O povo, então, reagiu.

Os analistas contam que a reação popular egípcia é inspirada no levante que derrubou o ditador da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, que governava o país há 23 anos. Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita. O efeito dominó fez surgir levantes também na Jordânia, Iêmen, Argélia, Mauritânia, Sudão e Omã.

A imprensa ocidental, ecoando a voz dos Estados Unidos, sustenta que o risco é que a ditadura de Hosni Mubarak seja substituída por outra de inspiração islâmica, com a tomada do poder por grupos tidos como extremistas. Para Robert Fisk, essa tese é furada. “É apenas uma massa de egípcios asfixiada por décadas de fracasso e humilhação“, escreveu.

Na expectativa de afastar as desconfianças dos líderes das potências ocidentais, supostamente preocupados com a ascenção dos extremistas islâmicos, ElBaradei se disse disposto a assumir a presidência temporária do Egito para “uma transição à democracia”. A Irmandade Muçulmana, grupo político mais organizado do país, declarou apoio à pretensão do líder pacifista, sinalizando que o tema da religião não está em pauta.

Mas por falar em religião, as cenas de cristãos cercando as mesquitas para que muçulmanos pudessem fazer suas preces forneceram, até aqui, a mais bonita alegoria da revolução egípcia.

A teia é a trincheira da resistência democrática

A teia se espalha. O encontro com o neurocientista Miguel Nicolelis, promovido pelo movimento dos Blogueiros Progressistas do RN, na última sexta-feira (28), repercutiu na blogosfera nacional, enquanto por aqui a regra foi silêncio. Os valorosos Carta Potiguar, Substantivo Plural e Jornalismo em Foco foram das poucas exceções.

Um amigo, entre perplexo e incrédulo, comentou: “A palestra de uma das 100 pessoas mais importantes do mundo, segundo a revista Science, só repercutiria em Natal se fosse alheia à seboseira local”.

O curioso é que essa turma bravejou contra o movimento blogprogrn, desdenhando da classificação de “progressistas”. Um jornal da cidade ironizou dizendo que o grupo se auto-intitulava progressista. Tive que responder sobre isso várias vezes. O desinteresse pelo debate com o maior cientista brasileiro vivo é auto-explicativo e revela quem são e como pensam os conservadores – ainda que resistam em vestir a carapuça.

Mas voltemos ao bate-papo com Nicolelis. Em certo momento da conversa, ele disse acreditar que essa teia, formada pela multiplicidade de redes sociais, poderá nos levar a um novo modelo de democracia libertária, em que é “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia, do fato”.

Nicolelis não poupou críticas à manipulação praticada pela grande mídia brasileira. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato. Vivemos durante muitos anos nas mãos de quem manipulava, mas nós evoluímos (…). A disseminação da verdade pelos meios de comunicação de massa são dólares. Durante séculos acreditávamos naquilo que vinha escrito. ‘Isso aqui foi o cara da Folha de São Paulo que escreveu e é verdade’ “, provocou, levantando risos do auditório lotado.

Por falar em Folha de São Paulo, Nicolelis contou um episódio que presenciou no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suiça) para demonstrar como a velha mídia conservadora coloca em prática a estratégia da manipulação dos fatos. “Eu sentei ao lado de um jornalista da Folha. Falaram do sucesso do Brasil em Davos, mas no outro dia o jornalista não deu uma linha sobre isso na coluna dele. Pelo contrário, a tônica era ‘Ninguém fala do Brasil em Davos’. Inacreditável”.

Para se contrapor a essa manipulação nociva, o neurocientista defendeu que essa teia de indivíduos, ideias e conhecimento deve se espalhar, até que atraia cada um, transformando a todos em protagonistas do novo mundo que tanto desejamos. A teia é a trincheira da resistência democrática.

“Apesar de todas as diferenças aparentes que são minúsculas, somos todos iguais. A neurociência é a teia. Olhando pra todos nós ao mesmo tempo, vão chegar à mesma conclusão: nós somos todos muito iguais. Não é a toa que somos da mesma espécie. Destoamos no atacado, mas no varejo somos previsíveis. Uma visão, uma ideologia de mundo nos dividiu, mas a teia vai nos unir”.

Em encontro com blogueiros potiguares, Nicolelis fala sobre ciência, democracia, política e jornalismo

O movimento dos Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte recebeu, na noite desta sexta-feira (28), o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke (EUA) e co-fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lilly Safra. O evento, realizado no auditório da Livraria Siciliano (Shopping Midway Mall), serviu como preparação para o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas do RN, marcado para os dias 25, 26 e 27 de março.

O tema do bate-papo foi “Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência”. Nicolelis iniciou dizendo que sua participação no evento demonstrava o poder dessas novas formas de comunicação. “Estou no Twitter há apenas 15 dias, mas já estou aqui para falar sobre redes sociais – mesmo sem saber nada sobre isso”, brincou, arrancando risos da plateia.

Em seguida, disse que o título da palestra poderia ser “Eu juro que eu sou eu”, fazendo referência ao debate travado com uma badalada blogueira potiguar, a quem teve que provar que seu recém-criado perfil no Twitter não era um fake.

Nicolelis aproveitou o episódio como gancho para tratar da questão da identidade no contexto das redes sociais. Ele sustentou que o modelo de mundo que conhecemos, bem como nossa identidade, não passa de uma “simulação” do cérebro. Emendou dizendo que a “cultura do ‘eu’ é uma ilusão”.

“Eu me defrontei com essa ilusão ao tentar provar que eu sou eu. Eu me engajei num debate com uma jornalista que foi uma das coisas mais fascinantes. Comecei a falar das minhas opiniões, primeiro sobre a política do RN, mas não funcionou”.

“Pare pra pensar: nós vivemos num mundo em que qualquer um pode ser eu, qualquer um pode assumir qualquer personalidade. O sucesso das redes sociais, em minha opinião de neurocientista, se deve, primeiro,  a uma coisa que vou tratar no livro que será lançado no próximo mês. Daqui a algumas centenas de anos não vamos precisar disso aqui, teclado, celular… Nós vamos pensar e nos comunicar, nos amalgamar numa rede conscientemente sem a necessidade dessas coisas pouco eficientes, como os nossos dedos, os teclados… Nós já estamos observando, mesmo com os limites que temos, já vivemos os primórdios de uma sociedade onde a identidade real não faz diferença nenhuma”, discorreu.

O neurocientista destacou que as redes sociais “conseguiram fazer as identidades, às quais a gente se apegou tanto, desaparecerem”. “Você pode assumir o que você sempre quis ser, mas não podia por medo do preconceito. Nós ainda não conseguimos lidar com o fato que as pessoas são de diferentes matizes. As redes têm essa vantagem de permitir que as pessoas possam assumir [suas ideias] livremente”.

“Não existe isso de imparcialidade”

Após discorrer sobre as redes sociais e a dispersão da identidade, Nicolelis afirmou que a ideia da “imparcialidade”, tanto jornalística quanto científica, não passa de “balela”. “Como neurocientistas, estamos cansados de saber que não existe isso de imparcialidade, como pretendem os jornalistas. Não existe imparcialidade nem jornalística nem científica”.

Para comprovar sua sentença, relembrou a cobertura midiática das eleições presidenciais do ano passado, quando a imprensa tradicional, mesmo se dizendo “imparcial”, se alinhou à candidatura do candidato do PSDB/DEM, o ex-governador de São Paulo José Serra.

“O que aconteceu no Brasil na eleição passada foi a demonstração da falácia de certos meios de imprensa e do partidarismo que invadiu essa opinião dita imparcial. Mas o desmentido só ocorreu nesse lugar capilarizado chamado blogosfera. A guerra da informação foi travada aí. A eleição foi ganha na trincheira da blogosfera, porque os desmentidos eram instantâneos”, comentou.

Nicolelis defendeu que a “teia” – termo que disse preferir usar para se referir às redes sociais – que está se formando no Brasil “é um fenômeno mundial de relevância fundamental”. Para ele, a blogosfera teve um papel de destaque nas eleições de 2010.

“Essa teia já ganhou uma eleição do ponto de vista da informação, já derrotou o exército de uma mídia que tem opinião, mas que exerceu essa opinião sem dizer. Aí é que tá o engodo. A opinião é legítima, mas esconder que tem opinião não é”.

Miguel Nicolelis frisou que outro efeito provocado pelo surgimento dessa teia é o fato de considerar “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia e do fato”. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato”.

Mesmo ressaltando sua condição de neófito, Nicolelis demonstrou entusiasmo com o potencial dessa “teia” desembocar no surgimento de um novo modelo de democracia, em que os indivíduos tenham um novo papel.

“A democracia representativa é muito interessante, mas ela faliu, porque o grande objetivo dos representantes dos indivíduos do planeta é representar a si mesmo. Existe um potencial imenso de uma nova democracia, onde os indivíduos tenham um novo papel, em que possam ser agentes atuantes e definidores da nossa cidadania”.

Sobre a imprensa e os bajuladores

Por Gustavo Barbosa, colaborador do blog

 

“Repete a sabedoria popular que o mundo é dos intrépidos ou dos apurados na agilidade do salto. Poderemos sentenciar que também é dos medíocres. Porque, com efeito, são estes os que contam com as melhores probabilidades de vencer, visto como, hábeis na insinuação, na submissão e no agrado, não lhe é difícil rodear-se de quem os ampare na escalada das posições vantajosas. E sobem porque, cônscios da incapacidade e possuídos de ambição, exímios parecem na arte de conservar o sorriso, a cabeça baixa e a mão estendida.” Assim se inicia o artigo “Justiça, afinal”, escrito por Israel Nazareno e publicado no dia 14 de agosto de 1949 no extinto jornal “A República”, que também possuía Câmara Cascudo como colaborador.

Bajular é uma arte. Arte malsã de permutar o auto-respeito por benesses pessoais. Talvez seja também o caminho mais próximo para o êxito profissional. Não há dúvidas, entretanto, que é o mais indigno, cujas veredas se preenchem apenas por aqueles cuja pequenez constitui a maior e mais genuína qualidade de seus espíritos. Optar pelo sucesso indigno e amoral é, no fim das contas, uma opção particular, em especial daqueles para os quais os fins justificam os meios. Difícil de respeitar, é verdade, mas devemos observar os adeptos de tal escolha conforme aconselha Anatole France, citado por Lima Barreto em Os Bruzundangas: com ironia e piedade. O próprio Lima Barreto, por sinal, com a fina e genial acidez que o tornou o maior nome do nosso pré-modernismo, também dedicou em Triste fim de Policarpo Quaresma algumas cáusticas linhas à bajulação quando discorre sobre o personagem Genelício, intocável caricatura do capachão escatológico e nonsense: “moço, menos de trinta anos, ameaçava ter um grande futuro. Não havia ninguém mais bajulador e submisso do que ele. Nenhum pudor, nenhuma vergonha! Enchia os chefes e os superiores de todo o incenso que podia.” Um fiel retrato do puxassaquismo, universalmente onipresente além de sempre carregado da irrelevância ínsita aos que o exercitam – a menos que, naturalmente, influa de alguma forma nos interesses da coletividade, o que ocorre quando se materializa através dos meios de comunicação somado ao envolvimento político de cargos e interesses públicos, como há de se tratar a seguir.

A bajulação em solos potiguares possui suas idiossincrasias, principalmente em se tratando da relação entre a imprensa e os atores políticos locais. Em completa consonância com o feudalóide viés coronelista que ainda permeia nossa classe política, o apadrinhamento e o clientelismo ainda são a motriz da nossa comunicação social. Em troca de favores e benefícios materiais como cargos, sinecuras, verbas publicitárias e algum prestígio – note-se que aqui o prestígio nasce, vejam vocês, da adulação e do bobo-cortismo voluntário – um exército de bajuladores coloca-se a postos para derramar oceânicos litros de saliva nos testículos de seus patrões senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores, prontos para alienar sua consciência, liberdade e dignidade sem qualquer parcimônia, tudo em prol do mais abjeto servilismo.

Com o advento dos blogs e sua conseqüente popularização, houve uma proliferação maciça de blogueiros e colunistas que, mestres no ofício de lamber botas e destruir as biografias dos adversários de seus senhores, conseguiram galgar a notoriedade que almejavam. No entanto, a democratização da informação – em grande parte oriunda da própria blogosfera – da mesma forma garantiu o contraponto a essa desvairada vassalagem virtual com a insurgência de nomes independentes que não hesitaram em escancarar as vísceras do puxassaquismo em rede.

Mas se a democratização da informação proporcionada pela internet concebeu ferramentas para neutralizar um pouco as hostes de blogueiros acólitos, a mesma paridade de armas não existe nas mídias impressa e televisa, a começar por esta última, que conta com o aval do Estado. Concessões públicas de rádio e TV são deliberadamente utilizadas como veículos de promoção pessoal de grupos políticos, estando as três maiores redes televisivas locais comprometidas com interesses puramente partidários. A mídia impressa, então, possui igualmente um vínculo muito mais que umbilical com interesses escusos e anti-republicanos, visto que o abuso de poder econômico com vistas a favorecer pessoal e politicamente determinados indivíduos por meio de veículos de comunicação fere de morte dois dos maiores sustentáculos do Estado Democrático de Direito: a garantia de isonomia entre os cidadãos e a existência de uma imprensa realmente fiscalizadora e investigativa, preocupada com a real apuração da verdade factual bem como com a defesa do interesse público, não com sandices, rinhas e picuinhas políticas senis e provincianas existentes entre a clientelista e atrasada classe política norterriograndense.

Ao final, pode-se achar que bajular é ofício dos mais fáceis. Ledo engano. Submeter-se cabisbaixamente aos desígnios megalomaníacos dos tubarões locais exige uma constante violação moral para aqueles nos quais ainda remanesce alguma dignidade. Para os completamente amorais, também não é função das menos ardorosas, pois a eles resta a instabilidade ocasionada pela efemeridade com que seus senhores permanecem no poder. Uma vez derrotados nas urnas, perde o inveterado serviçal seu eventual cargo comissionado, sua assessoria e a publicidade governamental em seu blog ou jornal é cessada, secando por completo a fonte estatal que oxigenava sua submissão. Inicia-se, então, um novo périplo por um novo patronato, escamoteando de vez a já escassa e solapada dignidade que lhe resta.

Diante das escassas oportunidades que nossa terra proporciona ao desenvolvimento de um jornalismo independente que, antes sirva de manutenção do status quo, confronte-o, resta aos diletantes e vocacionados sobreviverem às duras penas, esforçando-se para ganhar seu pão sem alijar suas convicções e sem sucumbir diante da promiscuidade oportunista e vendilhona que melhor caracteriza as relações de poder entre imprensa e políticos no Rio Grande do Norte. São esses comunicadores os verdadeiros heróis da resistência, verdadeiras ameaças às hordas de parasitas aduladores que os cercam e ao senhorio político a que tão caninamente servem.

Inexplicável silêncio

Por Luis Fausto, no blog Brasília Urgente:

 

“Pitbull de Micarla” volta a atacar

Soube hoje, apesar do inexplicável silêncio que toda a mídia potiguar impôs ao caso, sabe-se lá por quais e misteriosos motivos, que Eugênio Bezerra, assessor especial da Prefeitura de Natal, voltou a mostrar as garras e a demonstrar a insanidade que lhe renderam no Novo Jornal o apelido de “pitbull de Micarla” – a prefeita Micarla de Souza que o mantém no cargo desde o primeiro instante.

Eugênio agrediu um jornalista, Alisson Almeida, no último domingo.

E agora vai responder criminalmente pelo destempero, em audiência judicial marcada para o começo do próximo ano.

Emir Sader diz que Brasil mudou “perfil social” e está “menos injusto”

Por Alisson Almeida, no portal Nominuto.com:

Foto: Elpídio Júnior

“O Brasil está menos injusto que antes”. A afirmação é do filósofo, cientista político e professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo) Emir Sader, que fez palestra e lançou o livro “Brasil: entre o passado e o presente”, hoje pela manhã, em Natal. Para ele, o “perfil social” do país mudou desde a ascensão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder em 2003.

“O país está menos injusto do que era antes. Isso nunca aconteceu [antes]. Ficou igual ou piorou”, comentou, acrescentado que essa “prioridade nas políticas sociais” estaria ajudando o Brasil a reverter a condição de “um dos países mais desiguais do mundo”.

Emir Sader disse enxergar a situação atual como “uma ponte para a construção de outro tipo de sociedade”. Para ele, além do poder em si, o que está em disputa nas eleições presidenciais deste ano “é o lugar do Brasil no mundo”.

O professor elogiou a política externa brasileira, sustentando que, nos últimos sete anos, o país alcançou o status de “nação soberana” graças ao que considera como “política de prioridade dos acordos regionais [com os países da América Latina e América do Sul] em vez dos tratados de livre comércio com os Estados Unidos”.

“Nós diversificamos o comércio internacional, retomamos o intercâmbio com a China, o intercâmbio regional, o mercado interno de consumo popular. A diversificação internacional foi fundamental para o Brasil conquistar o lugar soberano que tem no mundo”, declarou.

Emir Sader afirmou que o “papel do Estado” também mudou neste período, o que teria funcionado como impulsão para os fenômenos do “desenvolvimento econômico” e da “distribuição de renda” experimentados pelo país. “Tudo isso indica que o Brasil de hoje é diferente do que era antes”, apregoou.

Ele criticou duramente o pré-candidato tucano a presidente, José Serra, a quem chamou de “ignorante” em política internacional. A crítica se deve às declarações do ex-governador de São Paulo acusando a Bolívia de ser “cúmplice” do tráfico de drogas.

“O Serra é um ignorante, não conhece política internacional, nunca esteve na Bolívia na vida. O grande produtor e traficante de cocaína na América do Sul e no mundo é a Colômbia. Em segundo é o Afeganistão. Por que ele não faz essa crítica à Colômbia?”, indagou.

O professor disse que o Brasil não é “condescendente” com supostas “práticas autoritárias” de nenhum regime, mas que o país está a favor de um “mundo multipolar”.

“O Brasil não está a favor do regime do Irã. O que o Brasil quer é um mundo multipolar, sem a superioridade militar norte-americana. O Brasil não está a favor do regime de Cuba, da Venezuela nem do Irã. Está a favor de uma solução equilibrada que não considere que o Irã é o maior risco para o mundo”, argumentou.

“Oposição está sem discurso”

Emir Sader acusou a oposição ao governo federal de estar “sem discurso”. “Eu acho que eles [partidos de oposição] estão sem discurso, porque o povo não quer mudar, quer aprofundar o que está aí [com o governo Lula]”.

Para o cientista político, a estratégia da oposição de reivindicar a paternidade dos programas sociais do governo petista não funcionou, porque o povo não reconheceu isso. Por isso, continuou, tucanos e democratas teriam partido para as “críticas pontuais” à gestão lulista.

“Ele [José Serra] está indo para os dois eixos fundamentais da política da direita: segurança pública com linha dura e redução de impostos. É o discurso tradicional da direita. As grandes soluções, criação de ministérios, todos os eixos tradicionais da direita. Eles dão aquela pinta que são mais progressistas. O Serra tem dito que é mais progressista que a Dilma [Rousseff, candidata do PT à sucessão presidencial]”, ironizou.

Emir Sader disse ainda que a “abstinência do poder” fez mal às legendas da oposição, principalmente ao DEM, partido que considera “em plena derrocada”.

“O DEM é um partido do poder. A abstinência do poder já fez mal pra ele [DEM]. Depois, o desencontro com o PSDB na oposição. Terceiro, o programa Bolsa Família puxou o tapete social deles, ajudou a enfraquecer as lideranças coronelísticas que eles tinham, principalmente no Nordeste”, comentou.

O professor afirmou que “a nova geração de líderes da direita é bem pior que a anterior”. “Eles pegaram o espólio de líderes decadentes”, completou.

A situação do Rio Grande do Norte, único Estado onde o DEM apresenta chances concretas de vitória nas eleições regionais, seria, na visão dele, uma “exceção”.

“Acho que isso daqui [no RN] é uma exceção que não muda a regra geral. A vitória [das esquerdas] neste ano vai liquidar uma geração da direita no Brasil”, apostou.

Imprensa

Emir Sader criticou também o comportamento da chamada grande imprensa na cobertura do processo sucessório nacional. Para ele, os maiores veículos jornalísticos estariam atuando como “partido de oposição”.

“O problema não é só que o candidato da [Rede] Globo, da Folha de São Paulo e da [Editora] Abril é o [José] Serra. Eles estão editorializando tudo. Como confessou a executiva da Folha, diante da fraqueza dos partidos de oposição, eles são o partido. Isso é gravíssimo. É uma confissão aberta de que não há nem imparcialidade informativa”, avaliou.

Emir Sader atribuiu esse comportamento da mídia ao “desconhecimento das transformações que estão ocorrendo no país”.

“Pela cobertura que eles [veículos de imprensa] dão, não se dão conta do que é o país real. Eles estão desencontrados do país. É uma elite branca do Centro-Sul que está de costas para a realidade”.

Micarla e a cooptação da liberdade de informação

Li, entre cético e atônito, o comentário do ex-prefeito de Parnamirim, Agnelo Alves, sobre a proposta que a prefeita de Natal, Micarla de Sousa, teria feito ao senador Garibaldi Filho para apoiar o peemedebista na disputa pelo Senado. Micarla teria se comprometido a votar em Garibaldi desde que o senador garantisse o apoio da Tribuna do Norte e da InterTV Cabugi à administração do PV.

Caso seja verdade a versão narrada pelo jornalista, estamos diante de uma tentativa absurda de cooptação da liberdade de informação. É bom, porém, que se dê à nota o devido desconto, uma vez que Agnelo Alves é pai do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, desafeto declarado de Micarla de Sousa.

Mas é preciso que a prefeita esclareça isso o quanto antes, porque é inadmissível que a jornalista Micarla de Sousa recorra a métodos tão espúrios para tentar silenciar as críticas à sua gestão. Os políticos precisam entender, mesmo a contragosto, que a democracia é o espaço do contraditório. Micarla deve saber disso. Falta colocar em prática.

Direitos Humanos: O que a imprensa esconde

Por Luciano Martins Costa no Observatório da Imprensa:

A imprensa brasileira fez um ótimo serviço ao colocar em debate o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

A imprensa brasileira fez um péssimo serviço ao adotar atitude tendenciosa diante do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

Essas são as duas posições antagônicas e inconciliáveis que se pode identificar nos comentários sobre o decreto publicado em dezembro e que só foi descoberto pelos jornais na segunda semana de janeiro. No entanto, nenhum jornal ainda mergulhou profundamente na questão. Apenas artigos esparsos, sempre em flagrante minoria em relação às opiniões contrárias, defendem o decreto.

As escolhas da imprensa, destacando textos que condenam tópicos específicos do decreto, estimulam claramente uma visão conservadora sobre uma medida que representa, na sua totalidade, a consolidação de conquistas sociais importantes dos brasileiros.

Para entender e discutir as possíveis distorções, seria essencial oferecer antes um panorama completo do que representam os três programas já apresentados nos últimos quinze anos.

Já se disse aqui que os PNDHs são conjuntos de propostas que trazem a visão do Estado brasileiro – e não de um governo ou grupo político, especificamente – sobre questões fundamentais para a estratégia do país. Essas propostas, em todas as três versões, foram amplamente discutidas em reuniões públicas, desde a primeira delas. Participaram dos debates entidades representativas de movimentos sociais de todos os tipos e tendências.

A partir do 2º PNDH, os debates também aconteceram pela internet. Só não se manifestaram aquelas organizações que, por sua própria natureza, evitam colocar em público a defesa de seus interesses e preferem atuar nos bastidores – ou através da imprensa.

Essas propostas reproduzem e consolidam compromissos assumidos pelo Brasil em acordos internacionais.

Ninguém pode tirar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que anda estranhamente calado sobre o tema – a autoria da proposta original, elaborada quando ele ainda era o chanceler, no governo José Sarney.

E desde a primeira versão, o Programa Nacional de Direitos Humanos vem indicando uma tendência que a imprensa tenta agora fazer reverter: a de impor o controle social sobre os meios de comunicação.

Outras questões, como o direito da mulher a dispor de seu próprio corpo, são pontos pacíficos nas legislações dos países desenvolvidos há décadas. Da mesma forma, a necessidade de julgar os torturadores é questão já decidida. Mesmo porque, os opositores do regime militar já foram “julgados”, à maneira da ditadura. Muitos deles foram torturados, alguns até a morte, outros simplesmente executados; há desaparecidos cujo paradeiro ainda não se conhece; milhares foram prejudicados em suas vidas profissionais e familiares.

Para entender os temas realmente polêmicos, que teriam sido contrabandeados para dentro do decreto por militantes ressentidos, a imprensa precisaria antes propor o debate sobre o sentido geral do decreto, coisa que ainda não fez.

Façamos de conta, então, que não existe o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, apresentado pelo atual governo, e motivo de tanta celeuma. Fiquemos com o 2º PNDH, decretado em 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Comecemos pelo capítulo referente à “Garantia do Direito à Liberdade – Opinião e Expressão”, tema tão caro à imprensa nacional. Está escrito lá, no item 101:

“Apoiar a instalação, no âmbito do Poder Legislativo, do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e televisão, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos”.

Em seguida, leia-se o item 102:

“Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social [grifo meu] sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.

No texto introdutório, o então presidente referendava o 1º PNDH, publicado quase seis anos antes, em maio de 1996 – no meio do seu primeiro mandato, diga-se de passagem –, no qual foi criada a orientação geral para a legislação referente aos crimes do regime militar, como a lei 9.140/95, que definiu o reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas em razão de participação política, “pela quais o Estado brasileiro reconheceu a responsabilidade por essas mortes e concedeu indenização aos familiares das vítimas”. Cita ainda, como resultado do 1º PNDH, a lei 9.455/97, que tipificou o crime de tortura.

Preocupada em dar espaço às opiniões mais conservadoras, a imprensa anda escondendo esses detalhes.

Aguarda-se artigo do ex-presidente Fernando Henrique para esclarecer devidamente o assunto.

Comentário

Há pouco conversava com o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) pelo Twitter. O tucano insistia na falácia de que o 3º PNDH era mais uma tentativa do governo Lula de controlar a imprensa. O artido de Luciano Martins, ao resgatar o 2º PNDH editado pelo ex-presidente FHC – tucano, como Rogério Marinho – comprova a dissimulação da imprensa e da oposição.

A nova Bahia e o novo Brasil

“(…) Há uma emergência das classes populares, há uma crescente transparência dos gastos públicos, há uma marcha efetiva da democratização dos investimentos públicos. O velho Brasil está sendo ultrapassado. Um novo Brasil está nascendo. Um segmento da intelectualidade tem reagido. Quem lê os jornais pode verificar facilmente que a reação ao governo Lula está na ordem do dia nos escritos de muita gente que tem uma história de esquerda e que se proclama democrata convicto. Lula faz a coisa certa: ignora as reações, realiza. Não entra em polêmicas, apresenta fatos. Fala com os jornalistas, mas fala também direto com a sociedade. É uma comunicação objetiva, inteligente. Desqualifica os seus críticos sistemáticos.

O que é a democracia? Para esses epígonos, conscientes ou não do Brasil do passado, é a tradicional democracia sem povo. Uma democracia crassa. Na Bahia a questão parece ser mais delicada porque nada indica que estejam em jogo questões ideológicas. O problema é mais objetivo: os privilégios que, junto com filhos não pródigos de Henrique II, deixam o palco. Certamente, o caminho correto de uma boa comunicação nesses casos é ignorar os que lutam por privilégios. Responder ao que existe de critica real, objetiva, concreta. Deixar que as viúvas dos privilégios, falem e se cansem de falar.”

Trecho do artigo “Um caso para se olhar com atenção” do jornalista baiano Francisco Viana na Terra Magazine.

Dessa a mucama não vai gostar…

Não percam a edição de amanhã do Novo Jornal. Uma matéria promete mexer com os ânimos da mucama-mor da corte da prefeita Micarla de Sousa (PV).

A prefeita, aliás, parece nunca ter lido os conselhos de Maquiavel em “O Príncipe”: “Não há outro meio de guardar-se da adulação, a não ser fazendo com que os homens entendam que não te ofendem dizendo a verdade; mas, quando todos podem dizer-te a verdade, passam a faltar-te com a reverência”.

Cuidado com a peste dos aduladores que infestam sua corte, prefeita.

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