Embolando Palavras

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Folha publica comentário preconceituoso contra nordestinos

Uma pequena matéria postada no site da Folha.com, sobre o desafio que o ex-presidente FHC fez ao seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, convidando-o a disputar outra eleição contra ele, rendeu quase 1200 comentários. Em entrevista a um programa de rádio, FHC mandou o seguinte recado para Lula: “Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo.

O devaneio de FHC, porém, tem pouca — para não dizer nenhuma — importância. O que despertou minha atenção e indignação foi o comentário de um leitor, identificado como Ivo Antonio, prontamente publicado pela Folha.com.

Eleitor declarado do tucano, Ivo se referiu aos nordestinos, em tom pejorativo, como aqueles que “tem (sic) como prato preferido farinha e de sobremesa rapadura” e completou afirmando que, se os moradores dessa região não pudessem votar, FHC derrotaria Lula.

SE OS QUE TEM COMO PRATO PREFERIDO FARINHA E DE SOBREMESA RAPADURA. NAO PODER VOTAR. E CONTAR MENTIRA.(onde o molusco e imbativel) ABRO APOSTO E DOU 2 POR 1 A FAVOR DO FHC“, escreveu o leitor, que, como se vê, não domina bem as normas gramaticais.

O comentário reflete o velho preconceito que vigora em camadas do Sul e do Sudeste do Brasil contra os habitantes do Norte e do Nordeste. Ele não citou os nordestinos, mas ao mencionar a farinha e a rapadura, dois ingredientes muito usados na culinária regional, deixou explícito a quem estava se referindo.

Particularmente, não considero ofensa ser chamado de comedor de farinha ou de rapadura. Tenho orgulho da minha condição de nordestino, da herança cultural dessa terra e da capacidade de resistência desse povo historicamente esquecido. Não custa lembrar as sábias palavras de Euclides da Cunha, segundo quem “O sertanejo é, antes de tudo, um forte“.

Mas o comentário do leitor da Folha.com nada tem a ver com o reconhecimento da riqueza cultural dos nordestinos — o que inclui os elementos da nossa culinária, com seus cheiros e sabores apreciados por gente do mundo inteiro. Ele destilou preconceito em cada palavra. É o típico pensamento de setores do Sul e do Sudeste que se julgam superiores aos habitantes das demais regiões do país.

Na eleição de 2010, esse pensamento aflorou com força. Inconformados com a derrota de José Serra (PSDB), os conservadores propagaram a falsa tese de que Dilma Rousseff (PT) só teria sido eleita em função dos votos do Norte e do Nordeste. Mas um levantamento com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que a petista derrotaria o tucano mesmo se fossem computados apenas os votos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A xenofobia da elite e da classe média burguesa do Sul e do Sudeste contra os nordestinos não é novidade. Em São Paulo, há um movimento batizado de “SP para Paulistas” que, em manisfesto na internet, defende, entre outros pontos, limites à migração nordestina.

Uma das integrantes do movimento, a estudante de Direito Mayara Petrusco declarou no Twitter, logo após a vitória de Dilma, que “nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado“. A declaração lhe rendeu  uma denúncia junto ao Ministério Público Federal, apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Pernambuco (OAB-PE). Para a entidade, o ato configurava os crimes de racismo e de incitação pública à pratica delituosa, no caso, homicídio.

Outra integrante do movimento, a atendente de suporte técnico Fabiana Pereira, 35 anos, afirmou que “São Paulo sustenta o Bolsa Família”, o que, em sua opinião, contribui para atrair nordestinos para a cidade. “São Paulo sustenta e eles (nordestinos) decidem quem vai nos governar”, declarou a jovem, em entrevista à Terra Magazine.

O próprio José Serra, quando era governador de São Paulo, em entrevista ao SP TV da Rede Globo, chegou a culpar os migrantes nordestinos pela baixa qualidade de ensino em seu Estado.

É lamentável que isso ainda ocorra no Brasil. É igualmente lamentável que políticos utilizem deste artifício para conquistar votos. Mas é ainda mais triste que veículos como a Folha abram espaço para esses xenófobos exalarem seu preconceito.

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Flagrado em blitz da Lei Seca, Aécio vira piada em redes sociais

Flagrado dirigindo no Rio de Janeiro com a carteira de habilitação vencida, o senador tucano Aécio Neves (MG) teve o documento apreendido e, com a repercussão sobre o assunto, virou um dos temas mais comentados neste domingo no Twitter. A rastag #aeciodevassa ficou em terceiro lugar no ranking dos assuntos mais populares da rede social.

Aécio Neves se recusou a fazer o teste do bafômetro ao ser abordado por uma blitz da Lei Seca, na madrugada deste domingo (17), no bairro do Leblon. O senador pagou multa de R$ 957,70 e teve o carro liberado após chamar um amigo para conduzir o veículo. Em nota, a assessoria do tucano alegou que o ex-governador mineiro não sabia que sua habilitação estava vencida.

O vexame de Aécio Neves, que uma semana antes fez um discurso no Senado Federal e foi ungido pelo PIG como o próximo presidente da República, virou motivo de piada no Twitter. O perfil @Aecio_Devassa foi criado para satirizar o tucano.

O PSDB, partido de Aécio, também virou alvo das gozações na rede social. Num blog, uma enquete perguntava qual o novo significado do partido: Partido do Senador Dirigindo Bêbado, Partido Só Da Birita, Pode Sair Dirigindo Bêbado, Puta Sacanagem Dar o Bafômetro ou Putz, Saí e fui Detido na Blitz?

A Maria Frô fez uma seleção das melhores piadas postadas na rede com o novo líder da oposição ao governo Dilma. Numa delas, a pretensão do senador mineiro de governar o país virou motivo de trocadilho: “Aécio provou que está preparado para dirigir o Brasil“, postou @larissafreitasc.

Além disso, um vídeo antigo, em que o então governador de Minas Gerais aparece fazendo campanha contra motoristas que dirigem após consumirem bebida alcoólica, se voltou contra o tucano. O episódio, como se vê, arranhou a imagem de bom moço cuidadosamente lapidada pelo senador mineiro.

Polícia apreende carteira de habilitação de Aécio Neves

Do Blog do Ailton Medeiros:

O Rio, vocês sabem, não é a Taba. Aqui um policial foi preso, acreditem, porque deu voz de prisão a um deputado que dirigia embriagado. Na cidade maravilhosa a cantiga da perua é outra.

Segundo o “Globo”, o senador Aécio Neves teve sua carteira habilitação apreendida durante uma blitz da Lei Seca, realizada na madrugada deste domingo, no Leblon. Segue notícia:

RIO – O senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve a Carteira Nacional de Habilitação apreendida durante uma blitz da Lei Seca, realizada na madrugada deste domingo, no Leblon. O parlamentar foi parado por volta das 3h, na esquina das ruas Bartolomeu Mitre e General San Martin, e optou por não fazer o teste do bafômetro. Os fiscais da blitz constataram que a carteira de Aécio estava com a data de validade vencida. O documento foi apreendido, e o senador foi multado em R$ 957,70.

Aécio só foi liberado ao chamar um amigo para dirigir o seu carro, uma Land Rover. Procurada para comentar o caso, a assessoria de imprensa do senador ainda não foi encontrada.

Quer dizer que Aécio Neves estava dirigindo bêbado? Já imaginaram se fosse o ex-presidente Lula? Quais seriam as manchetes dos jornais do PIG?

Rodrigo Vianna: “FHC quer o subtucanismo sem povo”

Do Escrevinhador

Em algum momento, lá pelo fim do segundo mandato de Lula, quando o presidente operário bateu em níveis inacreditáveis de popularidade, FHC foi tomado pelo pânico. Escreveu, então, um artigo (acho que no “Estadão”) qualificando o lulismo de “subperonismo”.

Quem conhece a Argentina e o Brasil sabe que no país vizinho Perón é uma presença ainda hoje dominante na política. Curioso: os argentinos desmontaram o Estado criado por Perón (e o autor do desmonte foi, esse sim, um subperonista – Carlos Menem, homem de costeletas largas e pensamentos curtos), mas o peronismo persiste como referência quase mítica no discurso político.

Nós, brasileiros, somos mais pragmáticos. Aqui, Vargas praticamente sumiu do imaginário popular. Mas sobrevive no Estado brasileiro – que FHC tentou desmontar. Vocês se lembram? Em 94, pouco antes de assumir a presidência, o tucano disse que uma das tarefas no Brasil era “enterrar a era Vargas”. Não conseguiu. Vargas sobrevive no BNDES, na Previdência Social, no salário-mínimo, na Petrobrás, nos sindicatos. O Brasil moderno foi construído sobre os alicerces deixados por Vargas. FHC gostaria de tê-los dinamitado.

Agora, o ex-presidente tucano reaparece. Não para tentar desqualificar o lulismo. Mas para lançar um alerta. Ele teme que as “oposições” se percam ”no burburinho [êpa, cuidado Stanley!!!] das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo“…. E pede que os tucanos deixem pra lá essa história de falar com o povão, e concentrem-se nas classes médias.

Literalmente, em artigo que acaba de ser publicado, o ex-presidente afirma:

“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.”

FHC lança, assim, as bases do “subtucanismo”.

Em algum momento, quando ainda estava no poder, ele havia dito: “esqueçam o que escrevi”. Agora, escreve: “esqueçam o povão”.

Mas o subtucanismo de FHC não deve ser desprezado. Ele parte de uma constatação real, concreta. A de que a oposição (que se refugiou no discurso moralista da classe média) pode perder também esse quinhão. O ex-presidente e ex-sociólogo afirma que a tarefa da oposição é de uma “complexidade crescente a partir dos primeiros passos do governo Dilma que, com estilo até agora contrastante com o do antecessor, pode envolver parte das classes médias.”

Aqui nesse blog, ainda nas primeiras semanas de governo Dilma, escrevi um pequeno texto, intitulado “PT rumo ao centro e oposição na UTI”. Duvido que FHC tenha se rebaixado, e lido o subjornalismo que aqui praticamos. Mas, curiosamente, era mais ou menos isso que eu afirmava naquele post:

É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro! Isso sufoca a direita e a oposição.

Minha subanálise, baseada em subobservações dos primeiros movimentos de Dilma, avançava um pouco mais:

Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno de 2010. Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente.

O discurso de Aécio

A grande mídia deu amplíssima cobertura — elogiosa, registre-se — ao discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), ontem, numa sessão que durou quase cinco horas. O neto de Tancredo Neves marcou posição como líder da oposição.

No plenário do Senado, o ex-governador tucano de SP, José Serra, duas vezes derrotado pelo PT, tentou disputar as atenções com o colega mineiro, mas acabou relegado ao lugar de coadjuvante.

Como disse Paulo Henrique Amorim, Aécio “fez um discurso de neoliberal diet“. Ao contrário do que cantou o PIG, o ex-governador mineiro não apresentou nenhuma proposta para um novo projeto de país. Trocou o “choque de gestão” pelo “choque de realidade”, inventou a roda ao dizer que a função da oposição “é se opor”, como não pensei nisso antes?, e, como era previsível, atacou o PT, Lula e Dilma.

O discurso representou, na prática, o lançamento da candidatura de Aécio Neves à sucessão presidencial de 2014. Alguém duvida que a imprensa conservadora já escolheu seu candidato?

Blogueiros Progressistas do RN debatem comunicação, política e ativismo social

No último final de semana, o movimento dos Blogueiros Progressistas do RN realizou seu primeiro Encontro Estadual em Natal, com a presença da educadora, historiadora e ativista social Conceição Oliveira, autora do blog “Maria Frô. Democratização da comunicação, redes sociais, governança solidária, gestão e políticas públicas foram alguns dos temas tratados durante o evento realizado no auditório do IFRN da Cidade Alta.

No debate de abertura sobre militância na rede, Conceição Oliveira destacou que, com a explosão da blogosfera, o jornalismo tradicional precisou se “refazer”. “Uma das riquezas da internet é que, quando você tem contribuições de outras áreas, você faz o jornalismo se refazer. É preciso contextualizar as coisas”.

Como exemplo da força da blogosfera progressista, Conceição citou a eleição presidencial de 2010, quando a grande imprensa jogou pesado para eleger o candidato da direita, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“Olhando o que podemos fazer na blogosfera, fico impressionada com o que as ‘formiguinhas’ podem fazer. Conseguimos vencer toda a mídia institucional nas eleições do ano passado. É impressionante”, comemorou.

Para Conceição, a blogosfera progressista, “apesar das diferenças políticas, tem muita clareza do lugar em que deve estar”. Ela acrescentou que o trabalho da militância de esquerda na rede é ser “contra-hegemônico”.

“Temos que disputar esse campo político. Quando a gente faz esse trabalho de formiguinha, organiza-se, nós fazemos a diferença. Na hora em que o [Jair] Bolsonaro [deputado federal pelo PP-RJ] falou aquilo no CQC , na hora subiu uma tag no twitter. A gente estava de olho, estamos envolvidos de uma maneira que não deixamos nada passar. Nós somos solidários quando a causa vale a pena”.

No dia 23/03, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou o que o deputado faria se seu filho namorasse uma negra, Bolsonaro disse que seus filhos não corriam esse risco, muito menos tornarem-se homossexuais, porque não haviam sido criados em ambiente promíscuo.

Por causa das declarações racistas e homofóbicas, o presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro), Wadih Damous, pediu a cassação do mandato de Bolsonaro.

“O desafio é sair dessa fase puramente militante”

Conceição enfatizou que o desafio da blogosfera progressista é “sair dessa fase puramente militante”, porque a grande imprensa atua, verdadeiramente, “como um partido político”.

“Fazemos uma oposição cerrada a esse jornalismo cheio de factóides, sem compromisso com a verdade. Há dezenas de casos que dariam pra fazer tese de factóides que viraram capa da ‘Veja’. Nós estamos lidando de fato com um partido político. Os leitos que inventaram a expressão PIG [Partido da Imprensa Golpista]têm toda razão”, pontuou.

Como exemplo desta atuação partidária da imprensa conservadora, Conceição lembrou das constantes crises fabricadas para derrubar o governo Lula.

“Como é que você tem uma imprensa que, durante oito anos, criou crises dia a dia? As críticas que o governo Lula merecia foram feitas pela esquerda. Lula foi chamado de ‘estuprador’, foi chamado de cerceador da liberdade de imprensa, mas não fez um enfrentamento contra essa mídia”.

Conceição conclamou os blogueiros progressistas a cerrarem fileiras para que o novo marco regulatório da comunicação se torne realidade.

“Nosso grande desafio é fazer esse marco regulatório sair do papel. Ele não vai sair como queremos, mas precisamos que saía o mais próximo possível. Mesmo sem o marco, temos uma legislação que é constantemente desrespeitada, principalmente pelas TVs”.

O Projeto de Lei que regulamenta os meios de comunicação no Brasil foi consluído no fim do governo Lula e estava pronto para ser enviado ao Congresso Nacional. Com a posse da presidenta Dilma Rousseff, o novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, recolheu o projeto para fazer nova “avaliação” — o que indica que, sem pressão popular, o documento não sairá da gaveta.

Alerta

Conceição observou ainda que é preciso “politizar o debate” sobre a disputa política. Para ela, quando se limita ao “poder pelo poder”, mesmo no campo da esquerda, a disputa não vale a pena.

Citando o caso de Natal, onde se vive um caos administrativo sob a administração da prefeita Micarla de Sousa (PV), cuja eleição se apoiou numa combinação de populismo, preconceito e xenofobismo, Conceição alertou para a urgência de nos organizarmos “para impedirmos que outro oportunista chegue ao poder”.

Mais debates

Além do debate com Conceição Oliveira, o encontro promoveu uma discussão sobre políticas nas áreas da Educação, Saúde, Cultura e Segurança, reunindo à mesa a educadora Cláudia Santa Rosa, o ex-diretor do Conselho Nacional de Saúde Francisco Júnior e os jornalistas Tácito Costa e Cézar Alves.

A programação do sábado terminou com um debate com o sociólogo Paulo Araújo, consultor da Unesco, sobre redes sociais, governança solidária e gestão pública.

No domingo pela manhã, os blogueiros revisaram a aprovaram a Carta de Natal, com os pontos programáticos que serão defendidos pelo movimento e servirão para orientar as próximas ações e debates do Blogprog-RN.

O I Encontro dos Blogueiros Progressistas do RN reuniu uma média de 30 participantes, entre blogueiros, tuiteiros, usuários de outras redes sociais e ativistas sociais. O evento contou ainda com as ilustres presenças da deputada federal Fátima Bezerra (PT), do deputado estadual Fernando Mineiro (PT) e do vereador George Câmara (PCdoB).

Apesar da ausência, os vereadores Raniere Barbosa (PRB) e Júlia Arruda (PSB) contribuiram para a realização do Encontro do Blogprog-RN e, por isso, merecem nosso agradecimento.

Caetano defende Bethânia e ataca a “Veja” e a “Folha”

Tenho muitas ressalvas ao pensamento político de Caetano Veloso, mas, neste artigo, concordo com tudo o que disse o irmão de Maria Bethânia. Ao comentar o linchamento vivido pela irmã, criticou o jornalismo praticado pela Veja e pela Folha, afirmou que as duas publicações enganam os leitores e disparou ironias contra três expoentes do PIG: Ricardo Noblat (O Globo), Reinaldo Azevedo (Veja) e Mônica Bergamo (Folha). “Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades“, protestou.

Leia, abaixo, a íntegra do artigo (via Fala Particular):

Caetano Veloso – Bethânia

Não concebo por que o cara que aparece no YouTube ameaçando explodir o Ministério da Cultura com dinamite não é punido. O que há afinal? Será que consideram a corja que se “expressa” na internet uma tribo indígena? Inimputável? E cadê a Abin, a PF, o MP? O MinC não é protegido contra ameaças? Podem dizer que espero punição porque o idiota xinga minha irmã. Pode ser. Mas o que me move é da natureza do que me fez reagir à ridícula campanha contra Chico ter ganho o prêmio de Livro do Ano. Aliás, a “Veja” (não, Reinaldo, não danço com você nem morta!) aderiu ao linchamento de Bethânia com a mesma gana. E olha que o André Petry, quando tentou me convencer a dar uma entrevista às páginas amarelas da revista marrom, me assegurou que os então novos diretores da publicação tinham decidido que esta não faria mais “jornalismo com o fígado” (era essa a autoimagem de seus colegas lá dentro). Exigi responder por escrito e com direito a rever o texto final. Petry aceitou (e me disse que seus novos chefes tinham aceito). Terminei não dando entrevista nenhuma, pois a revista (achando um modo de me dizer um “não” que Petry não me dissera — e mostrando que queria continuar a “fazer jornalismo com o fígado”) logo publicou ofensa contra Zé Miguel, usando palavras minhas.

A histeria contra Chico me levou a ler o romance de Edney Silvestre (que teria sido injustiçado pela premiação de “Leite derramado”). Silvestre é simpático, mas, sinceramente, o livro não tem condições sequer de se comparar a qualquer dos romances de Chico: vi o quão suspeita era a gritaria, até nesse pormenor. Igualmente suspeito é o modo como “Folha”, “Veja” e uma horda de internautas fingem ver o caso do blog de Bethânia. O que me vem à mente, em ambas as situações, é a desaforada frase obra-prima de Nietzsche: “É preciso defender os fortes contra os fracos.” Bethânia e Chico não foram alvejados por sua inépcia, mas por sua capacidade criativa.

A “Folha” disparou, maliciosamente, o caso. E o tratou com mais malícia do que se esperaria de um jornal que — embora seu dono e editor tenha dito à revista “Imprensa”, faz décadas, que seu modelo era a “Veja” — se vende como isento e aberto ao debate em nome do esclarecimento geral. A “Veja” logo pôs que Bethânia tinha ganho R$ 1,3 milhão quando sabe-se que a equipe que a aconselhou a estender à internet o trabalho que vem fazendo apenas conseguiu aprovação do MinC para tentar captar, tendo esse valor como teto. Os editores da revista e do jornal sabem que estão enganando os leitores. E estimulando os internautas a darem vazão à mescla de rancor, ignorância e vontade de aparecer que domina grande parte dos que vivem grudados à rede. Rede, aliás, que Bethânia mal conhece, não tendo o hábito de navegar na web, nem sequer sentindo-se atraída por ela.

Os planos de Bethânia incluíam chegar a escolas públicas e dizer poemas em favelas e periferias das cidades brasileiras. Aceitou o convite feito por Hermano como uma ampliação desse trabalho. De repente vemos o Ricardo Noblat correr em auxílio de Mônica Bergamo, sua íntima parceira extracurricular de longa data. Também tenho fígado. Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades. Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto “máfia do dendê”, expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um “Verdade tropical”). Pensam o quê? Que eu vou ser discreto e sóbrio? Não. Comigo não, violão.

O projeto que envolve o nome de Bethânia (que consistiria numa série de 365 filmes curtos com ela declamando muito do que há de bom na poesia de língua portuguesa, dirigidos por Andrucha Waddington), recebeu permissão para captar menos do que os futuros projetos de Marisa Monte, Zizi Possi, Erasmo Carlos ou Maria Rita. Isso para só falar de nomes conhecidos. Há muitos que desconheço e que podem captar altíssimo. O filho do Noblat, da banda Trampa, conseguiu R$ 954 mil. No audiovisual há muitos outros que foram liberados para captar mais. Aqui o link: http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/02/Resultado-CNIC-184%C2%AA.pdf

Por que escolher Bethânia para bode expiatório? Por que, dentre todos os nossos colegas (autorizados ou não a captar o que quer que seja), ninguém levanta a voz para defendê-la veementemente? Não há coragem? Não há capacidade de indignação? Será que no Brasil só há arremedo de indignação udenista? Maria Bethânia tem sido honrada em sua vida pública. Não há nada que justifique a apressada acusação de interesses escusos lançada contra ela. Só o misto de ressentimento, demagogia e racismo contra baianos (medo da Bahia?) explica a afoiteza. Houve o artigo claro de Herman Vianna aqui neste espaço. Houve a reportagem equilibrada de Mauro Ventura. Todos sabem que Bethânia não levou R$ 1,3 milhão. Todos sabem que ela tampouco tem a função de propor reformas à Lei Rouanet. A discussão necessária sobre esse assunto deve seguir. Para isso, é preciso começar por não querer destruir, como o Brasil ainda está viciado em fazer, os criadores que mais contribuem para o seu crescimento. Se pensavam que eu ia calar sobre isso, se enganaram redondamente. Nunca pedi nada a ninguém. Como disse Dona Ivone Lara (em canção feita para Bethânia e seus irmãos baianos): “Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há?”

Prestes a deixar o DEM, Kassab vira alvo da Folha

Prestes a deixar o DEM para fundar um novo partido, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, virou alvo da Folha de São Paulo. Na edição desta quarta-feira (9), a manchete do jornal diz que “Promessas de Kassab patinam após 2 anos“.

De acordo com a matéria, Kassab enfrenta dificuldades para cumprir suas principais promessas eleitorais, dentre as quais “construir hospitais, expandir e requalificar corredores e terminais de ônibus, investir no Rodoanel e eliminar o “turno da fome” nas escolas e a fila de espera por vaga em creches“.

A matéria está correta. O dever da imprensa é esse mesmo, fiscalizar o poder, cobrar os governantes e informar a população. A imprensa natalense prestaria um grande serviço ao povo se seguisse o exemplo e fizesse um balanço das promessas não cumpridas da prefeita Micarla de Sousa (PV), como fizemos aqui no blog.

O problema é que a Folha de São Paulo resolveu cobrar as promessas de Kassab somente após o prefeito decidir deixar a oposição e migrar para a base do governo da presidenta Dilma Rousseff.

O jornal sempre pegou leve com a gestão da dupla Serra (PSDB) / Kassab (DEM), que assumiu a Prefeitura de São Paulo em 2005. Depois, com a renúncia de Serra para concorrer ao governo estadual, Kassab se tornou titular do cargo, sem nunca enfrentar muitos problemas com a Folha. Novos tempos.

O polêmico discurso de Dilma no aniversário da Folha

A presidenta Dilma Rousseff compareceu à cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, ontem à noite, quando proferiu um discurso em defesa da liberdade de imprensa. A presença e o discurso da presidenta geraram muita polêmica. Para muitos, Dilma errou ao comparecer ao evento e, mais ainda, ao elogiar o “bom jornalismo” do jornal da família Frias.

Em texto publicado no “Brasília, eu vi“, o jornalista Leandro Fortes afirmou que Dilma, em seu discurso, cometeu o “pecado capital” de ter “corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão”.

Transcrevo, abaixo, a íntegra do artigo de Leandro Fortes (comento em seguida):

Dilma na cova dos leões

Na íntegra do discurso de Dilma Rousseff proferido na cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, disponibilizado na internet pela página do Portal UOL, lê-se, não sem certo espanto: “Estou aqui representando a Presidência da República. Estou aqui como presidente da República”. Das duas uma: ou Dilma abriu mão, em um discurso oficial, de sua batalha pessoal para ser chamada de “presidenta”, ou, mais grave, a transcrição de seu discurso foi alterada para se enquadrar aos ditames do anfitrião, que a chama ostensivamente de “presidente”, muito mais por birra do que por purismo gramatical.

Caso tenha, de fato, por conta própria, aberto mão do título de “presidenta” que, até então, lhe parecia tão caro, este terá sido, contudo, o menor dos pecados de Dilma Rousseff no regabofe de 90 anos da Folha.

Explica-se: é a mesma Folha que estampou uma ficha falsa da atual presidenta em sua primeira página, dando início a uma campanha oficial que pretendia estigmatizá-la, às vésperas da campanha eleitoral de 2010, como terrorista, assaltante de banco e assassina. A ela e a seus companheiros de luta, alguns mortos no combate à ditadura.

Ditadura, aliás, chamada de “ditabranda”, pela mesma Folha.

Esta mesma Folha que, ainda na campanha de 2010, escalou um colunista para, imbuído de sutileza cavalar, chamá-la, e à atual senadora Marta Suplicy, de vadia e vagabunda.

Essa mesma Folha, ora homenageada com a presença de Dilma Rousseff.

Digo o menor dos pecados porque o maior, o mais grave, o inaceitável, não foi o de submeter a Presidência da República a um duvidoso rito de diplomacia de uma malfadada estratégia de realpolitik. O pecado capital de Dilma foi ter, quase que de maneira singela, corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão. Em noite de gala da rua Barão de Limeira, a presidenta usou como seu o discurso distorcido sobre dois temas distintos transformados, deliberadamente, em um só para, justamente, não ser uma coisa nem outra. Uma manipulação conceitual bolada como estratégia de defesa e ataque prévios à possível disposição do governo em rever as leis e normas que transformaram o Brasil num país dominado por barões de mídia dispostos, quando necessário, a apelar para o golpismo editorial puro e simples.

A liberdade de expressão que garantiu o surgimento de uma blogosfera crítica e atuante durante a guerra eleitoral de 2010 nada tem a ver com aquela outra, defendida pela Associação Nacional dos Jornais, comandada por uma executiva da Folha de S.Paulo. São posições, na verdade, antagônicas. A Dilma, é bom lembrar, a Folha jamais pediu desculpas (nem a seus próprios leitores, diga-se de passagem) por ter ostentado uma ficha falsa fabricada por sites de extrema-direita e vendida, nas bancas, como produto oficial do DOPS. Jamais.

Ao comparecer ao aniversário da Folha, a quem, imagina-se, deve ter processado por conta da ficha falsa, Dilma se fez acompanhar de um séquito no qual se incluiu o ministro da Justiça. Fez, assim, uma concessão que está no cerne das muitas desgraças recentes da história política brasileira, baseada na arte de beijar a mão do algoz na esperança, tão vã como previsível, de que esta não irá outra vez se levantar contra ela. Ledo engano. Estão a preparar-lhe uma outra surra, desta feita, e sempre por ironia, com o chicote da liberdade de imprensa, de expressão, cada vez mais a tomar do patriotismo o status de último refúgio dos canalhas.

Dilma foi torturada em um cárcere da ditadura, esta mesma, dita branda, que usufruiu de veículos da Folha para transporte e remoção de prisioneiros políticos – acusação feita pela jornalista Beatriz Kushnir no livro “Cães de guarda” (Editora Boitempo), nunca refutada pelos donos do jornal.

A presidenta conhece a verdadeira natureza dos agressores. Deveria saber, portanto, da proverbial inutilidade de se colocar civilizadamente entre eles.

A parcialidade,  o partidarismo e o reacionarismo da Folha de S.Paulo não são nenhuma novidade. Os episódios descritos por Leandro Fortes ainda estão vivos na memória daqueles que, como eu, se engajaram na eleição de Dilma Rousseff.

Apesar disso, considero exageradas as críticas à presidenta. A meu ver, Dilma teria sido extremamente descortês se não tivesse ido à cerimônia. Ao comparecer, demonstrou uma postura republicana, como convém à situação.

Em relação ao discurso, não vi, em nenhum momento, Dilma se referir à Folha como exemplo de “bom jornalismo”. A presidenta fez uma deferência ao fundador do jornal, Octavio Frias de Oliveira, citando-o como “um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador“.

Ao dizer isso, Dilma estaria concordando com o jornalismo praticado pela Folha? Não. Creio que a presidenta está se referindo somente à qualidade técnica do jornal, sem fazer nenhuma defesa da sua linha editorial, como muitos, apressadamente, interpretaram.

Discordo quando Dilma diz que a Folha ocupou um papel “decisivo em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso das Diretas Já”. Neste ponto, abusou da diplomacia.

Como lembrou Leandro Fortes, o jornal rebatizou a ditadura para “ditabranda” e, à época do regime dos generais, emprestou veículos para transporte e remoção de prisioneiros políticos. A Folha seguiu o mesmo receituário da TV Globo, que aderiu à campanha das Diretas Já apenas quando não havia outra saída.

No mais, Dilma fez um discurso óbvio: condenou a censura, defendeu a liberdade de expressão e disse que o governo “deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia“. Acrescentou, como havia dito durante a disputa eleitoral, que prefere “o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras“.

Dilma afirmou ainda que uma imprensa “livre, plural e investigativa” é “imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais.

A Folha, malandramente, tentou fazer crer que, ao pregar a “liberdade de imprensa e expressão“, Dilma estaria corroborando com o ‘modus operandi’ da grande imprensa e chancelando a doutrina da mídia conservadora — avessa a temas como regulação, controle social dos meios de comunicação e revisão do modelo brasileiro de concessões públicas de rádio e TV.

Não concordo com Leandro Fortes, para quem Dilma fez uma “concessão aos seus algozes”. A presidenta, na verdade, deu um recado ao jornal ao ponderar a necessidade da imprensa ser “livre e plural”. Liberdade de imprensa não é licença para manipular, distorcer ou mesmo inventar os fatos. Quando em vez de informar a mídia tenta influenciar os fatos, significa que extrapolou a sua função e abusou da liberdade.

A Folha é qualquer coisa, menos plural. Na cobertura da eleição presidencial de 2010, dedicou sucessivas páginas a factóides criados pela oposição, publicou na capa uma ficha falsa contra a então candidata petista e apoiou a campanha difamatória e fascista promovida pelo então candidato tucano, o ex-governador de São Paulo, José Serra.

Dilma demonstrou habilidade extrema ao preferir as entrelinhas para dizer o que pensa dos barões da mídia.

 

Veja é acusada de plagiar reportagem da Scientific American

Do Comunique-se:

Um leitor da revista Veja acusa a publicação de cometer plágio em uma matéria na edição Especial Sustentabilidade, veiculada no último sábado (18/12). A reportagem “10 mitos sobre a sustentabilidade” apresenta alguns trechos iguais aos publicados em março de 2009 na Scientific American, com o título “Top 10 Myths about Sustainability”. No entanto, a Veja nega e diz que há apenas uma fonte em comum, mas que também ouviu outros entrevistados.

Algumas partes do texto são realmente diferentes e há entrevistas de Anthony Cortese, fundador e presidente da Second Nature, Rosely Imbernon, especialista em educação ambiental da Universidade de São Paulo e Mark Lee, diretor da Sustainability, mas há outros trechos iguais ou bem similares à revista norte-americana.

De acordo com o editor-executivo da Veja, Jaime Klintowitz, o leitor já foi respondido e o que houve foi apenas uma fonte em comum, Anthony Cortese, fundador e presidente da Second Nature. “De 10 títulos há 7 em comum, tem essa coincidência. Mas nossa principal fonte é a mesma da Scientific American, o Anthony Cortese. De qualquer forma, matérias sobre esses são assuntos são parecidas”, explicou.

 

Emir Sader diz que Brasil mudou “perfil social” e está “menos injusto”

Por Alisson Almeida, no portal Nominuto.com:

Foto: Elpídio Júnior

“O Brasil está menos injusto que antes”. A afirmação é do filósofo, cientista político e professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo) Emir Sader, que fez palestra e lançou o livro “Brasil: entre o passado e o presente”, hoje pela manhã, em Natal. Para ele, o “perfil social” do país mudou desde a ascensão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder em 2003.

“O país está menos injusto do que era antes. Isso nunca aconteceu [antes]. Ficou igual ou piorou”, comentou, acrescentado que essa “prioridade nas políticas sociais” estaria ajudando o Brasil a reverter a condição de “um dos países mais desiguais do mundo”.

Emir Sader disse enxergar a situação atual como “uma ponte para a construção de outro tipo de sociedade”. Para ele, além do poder em si, o que está em disputa nas eleições presidenciais deste ano “é o lugar do Brasil no mundo”.

O professor elogiou a política externa brasileira, sustentando que, nos últimos sete anos, o país alcançou o status de “nação soberana” graças ao que considera como “política de prioridade dos acordos regionais [com os países da América Latina e América do Sul] em vez dos tratados de livre comércio com os Estados Unidos”.

“Nós diversificamos o comércio internacional, retomamos o intercâmbio com a China, o intercâmbio regional, o mercado interno de consumo popular. A diversificação internacional foi fundamental para o Brasil conquistar o lugar soberano que tem no mundo”, declarou.

Emir Sader afirmou que o “papel do Estado” também mudou neste período, o que teria funcionado como impulsão para os fenômenos do “desenvolvimento econômico” e da “distribuição de renda” experimentados pelo país. “Tudo isso indica que o Brasil de hoje é diferente do que era antes”, apregoou.

Ele criticou duramente o pré-candidato tucano a presidente, José Serra, a quem chamou de “ignorante” em política internacional. A crítica se deve às declarações do ex-governador de São Paulo acusando a Bolívia de ser “cúmplice” do tráfico de drogas.

“O Serra é um ignorante, não conhece política internacional, nunca esteve na Bolívia na vida. O grande produtor e traficante de cocaína na América do Sul e no mundo é a Colômbia. Em segundo é o Afeganistão. Por que ele não faz essa crítica à Colômbia?”, indagou.

O professor disse que o Brasil não é “condescendente” com supostas “práticas autoritárias” de nenhum regime, mas que o país está a favor de um “mundo multipolar”.

“O Brasil não está a favor do regime do Irã. O que o Brasil quer é um mundo multipolar, sem a superioridade militar norte-americana. O Brasil não está a favor do regime de Cuba, da Venezuela nem do Irã. Está a favor de uma solução equilibrada que não considere que o Irã é o maior risco para o mundo”, argumentou.

“Oposição está sem discurso”

Emir Sader acusou a oposição ao governo federal de estar “sem discurso”. “Eu acho que eles [partidos de oposição] estão sem discurso, porque o povo não quer mudar, quer aprofundar o que está aí [com o governo Lula]”.

Para o cientista político, a estratégia da oposição de reivindicar a paternidade dos programas sociais do governo petista não funcionou, porque o povo não reconheceu isso. Por isso, continuou, tucanos e democratas teriam partido para as “críticas pontuais” à gestão lulista.

“Ele [José Serra] está indo para os dois eixos fundamentais da política da direita: segurança pública com linha dura e redução de impostos. É o discurso tradicional da direita. As grandes soluções, criação de ministérios, todos os eixos tradicionais da direita. Eles dão aquela pinta que são mais progressistas. O Serra tem dito que é mais progressista que a Dilma [Rousseff, candidata do PT à sucessão presidencial]”, ironizou.

Emir Sader disse ainda que a “abstinência do poder” fez mal às legendas da oposição, principalmente ao DEM, partido que considera “em plena derrocada”.

“O DEM é um partido do poder. A abstinência do poder já fez mal pra ele [DEM]. Depois, o desencontro com o PSDB na oposição. Terceiro, o programa Bolsa Família puxou o tapete social deles, ajudou a enfraquecer as lideranças coronelísticas que eles tinham, principalmente no Nordeste”, comentou.

O professor afirmou que “a nova geração de líderes da direita é bem pior que a anterior”. “Eles pegaram o espólio de líderes decadentes”, completou.

A situação do Rio Grande do Norte, único Estado onde o DEM apresenta chances concretas de vitória nas eleições regionais, seria, na visão dele, uma “exceção”.

“Acho que isso daqui [no RN] é uma exceção que não muda a regra geral. A vitória [das esquerdas] neste ano vai liquidar uma geração da direita no Brasil”, apostou.

Imprensa

Emir Sader criticou também o comportamento da chamada grande imprensa na cobertura do processo sucessório nacional. Para ele, os maiores veículos jornalísticos estariam atuando como “partido de oposição”.

“O problema não é só que o candidato da [Rede] Globo, da Folha de São Paulo e da [Editora] Abril é o [José] Serra. Eles estão editorializando tudo. Como confessou a executiva da Folha, diante da fraqueza dos partidos de oposição, eles são o partido. Isso é gravíssimo. É uma confissão aberta de que não há nem imparcialidade informativa”, avaliou.

Emir Sader atribuiu esse comportamento da mídia ao “desconhecimento das transformações que estão ocorrendo no país”.

“Pela cobertura que eles [veículos de imprensa] dão, não se dão conta do que é o país real. Eles estão desencontrados do país. É uma elite branca do Centro-Sul que está de costas para a realidade”.

Direitos Humanos: O que a imprensa esconde

Por Luciano Martins Costa no Observatório da Imprensa:

A imprensa brasileira fez um ótimo serviço ao colocar em debate o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

A imprensa brasileira fez um péssimo serviço ao adotar atitude tendenciosa diante do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

Essas são as duas posições antagônicas e inconciliáveis que se pode identificar nos comentários sobre o decreto publicado em dezembro e que só foi descoberto pelos jornais na segunda semana de janeiro. No entanto, nenhum jornal ainda mergulhou profundamente na questão. Apenas artigos esparsos, sempre em flagrante minoria em relação às opiniões contrárias, defendem o decreto.

As escolhas da imprensa, destacando textos que condenam tópicos específicos do decreto, estimulam claramente uma visão conservadora sobre uma medida que representa, na sua totalidade, a consolidação de conquistas sociais importantes dos brasileiros.

Para entender e discutir as possíveis distorções, seria essencial oferecer antes um panorama completo do que representam os três programas já apresentados nos últimos quinze anos.

Já se disse aqui que os PNDHs são conjuntos de propostas que trazem a visão do Estado brasileiro – e não de um governo ou grupo político, especificamente – sobre questões fundamentais para a estratégia do país. Essas propostas, em todas as três versões, foram amplamente discutidas em reuniões públicas, desde a primeira delas. Participaram dos debates entidades representativas de movimentos sociais de todos os tipos e tendências.

A partir do 2º PNDH, os debates também aconteceram pela internet. Só não se manifestaram aquelas organizações que, por sua própria natureza, evitam colocar em público a defesa de seus interesses e preferem atuar nos bastidores – ou através da imprensa.

Essas propostas reproduzem e consolidam compromissos assumidos pelo Brasil em acordos internacionais.

Ninguém pode tirar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que anda estranhamente calado sobre o tema – a autoria da proposta original, elaborada quando ele ainda era o chanceler, no governo José Sarney.

E desde a primeira versão, o Programa Nacional de Direitos Humanos vem indicando uma tendência que a imprensa tenta agora fazer reverter: a de impor o controle social sobre os meios de comunicação.

Outras questões, como o direito da mulher a dispor de seu próprio corpo, são pontos pacíficos nas legislações dos países desenvolvidos há décadas. Da mesma forma, a necessidade de julgar os torturadores é questão já decidida. Mesmo porque, os opositores do regime militar já foram “julgados”, à maneira da ditadura. Muitos deles foram torturados, alguns até a morte, outros simplesmente executados; há desaparecidos cujo paradeiro ainda não se conhece; milhares foram prejudicados em suas vidas profissionais e familiares.

Para entender os temas realmente polêmicos, que teriam sido contrabandeados para dentro do decreto por militantes ressentidos, a imprensa precisaria antes propor o debate sobre o sentido geral do decreto, coisa que ainda não fez.

Façamos de conta, então, que não existe o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, apresentado pelo atual governo, e motivo de tanta celeuma. Fiquemos com o 2º PNDH, decretado em 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Comecemos pelo capítulo referente à “Garantia do Direito à Liberdade – Opinião e Expressão”, tema tão caro à imprensa nacional. Está escrito lá, no item 101:

“Apoiar a instalação, no âmbito do Poder Legislativo, do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e televisão, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos”.

Em seguida, leia-se o item 102:

“Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social [grifo meu] sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.

No texto introdutório, o então presidente referendava o 1º PNDH, publicado quase seis anos antes, em maio de 1996 – no meio do seu primeiro mandato, diga-se de passagem –, no qual foi criada a orientação geral para a legislação referente aos crimes do regime militar, como a lei 9.140/95, que definiu o reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas em razão de participação política, “pela quais o Estado brasileiro reconheceu a responsabilidade por essas mortes e concedeu indenização aos familiares das vítimas”. Cita ainda, como resultado do 1º PNDH, a lei 9.455/97, que tipificou o crime de tortura.

Preocupada em dar espaço às opiniões mais conservadoras, a imprensa anda escondendo esses detalhes.

Aguarda-se artigo do ex-presidente Fernando Henrique para esclarecer devidamente o assunto.

Comentário

Há pouco conversava com o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) pelo Twitter. O tucano insistia na falácia de que o 3º PNDH era mais uma tentativa do governo Lula de controlar a imprensa. O artido de Luciano Martins, ao resgatar o 2º PNDH editado pelo ex-presidente FHC – tucano, como Rogério Marinho – comprova a dissimulação da imprensa e da oposição.

E agora, “Dr.” Boris Casoy?

O blog reproduz o comentário do leitor Neto Moura:

– E agora “Dr.” Boris Casoy?! Onde ficará sua já tão “impoluta credibilidade”?

– E como será de agora em diante usado (se conseguir ainda usá-lo depois de tudo) a sua tão celebre e famosa (e agora CAPENGA) frase “ISSO É UMA VERGONHA!”?!

– São Incríveis como as máscaras dos ditos “intocáveis” e “puros arcanjos” da “ÉTICA e MORAL BRASILEIRA” neste início de século 21 e juntamente com o advento da comunicação e a informação midiática fazem cair por terra hipócritas desse naipe!

– É… Os tempos realmente mudaram “Dr.” Casoy! A interatividade, agora globalizada, é a maior e mortal das armas que uma sociedade cercada por pessoas do seu tipo pode ter!

– E viva a internet! E viva os meios de comunicação que a cada dia estão mais interativos (YouTube), que é para onde transbordam todas as calhordices de pessoas do “seu tipo”!

– Como posso classificar esse tipo de comentário? Nojento? Repulsivo? Desprezível? Preconceituoso? Arrogante? Discriminador? Podre? Cretino? Estúpido? Imbecil? Vil? Falso? Vergonhoso? Odioso? mal educado? Desprezível? Burro? Infeliz? Inconseqüente? Palerma? Cruel? Opressor? … Bem, dentre tantos outros adjetivos que poderiam ser usados, estes, porém, são apenas descrições e não julgamento, desse ato/atitude, transformado no áudio/fala em rede nacional!

– Que pena “Dr.” Boris que só agora sua máscara caiu… E viva os lixeiros! “…que do alto de suas vassouras…”! Fizeram cair por terra mais um DRAGÃO da Mídia Nacional!

– Rabino que rouba loja chique no exterior, políticos que ficam impunes de suas roubalheiras e jornalistas que falam o que querem, também ouvem o que não quer!

– E no final, afinal, o que nos resta? Que atirem a primeira pedra quem nunca errou/pecou!?

– Quem somos nós?! Somos todos hipocritamente humanos ao julgarmos e emitir juízo de valor?!

– Em fim, todos nós merecemos perdão! Mas infelizmente, o perdão não faz apagar (do YouTube e de nossas mentes) as marcas que ficarão registradas para a posteridade!

– Um lobo na pele de cordeiro?! Quem diria, heim “Dr.” Casoy?! Quem diria…Bem, eu diria! Você realmente nunca foi um Miss Simpatia, pelo contrário, do alto de seu pedantismo, qualquer comentário feito por vossa senhoria, se tornava imediatamente populista, falso e antipático.

– Que me desculpem o juízo de valor e a crucificação de um “arauto” das comunicações em massa! Mas pelo menos esse, realmente culpado o é! Como todos perceberam em seu vídeo de desculpas formal e deveras esfarrapadas…

– Sejamos então práticos nessas horas senhores! Solução?! Hora de apagar as luzes da ribalta e se aposentar “Dr.” Casoy! Não espere muito mais de nós após tamanha transparência em rede nacional! Sinta-se DEMITIDO e PROIBIDO de adentrar nossos lares.

Para reinterpretar Boris Casoy

O jornalista Fábio Pannunzio saiu em defesa do colega Boris Casoy. Em seu blog, Pannunzio argumentou que as “condenações veementes” à “frase infeliz” dita pelo apresentador do Jornal da Band são “exagero”.

Num inacreditável malabarismo hermenêutico, Pannunzio tenta reinterpretar o comentário preconceituoso de Boris: “O diálogo permite várias interpretações diferentes. Segundo a Vanessa Kalil, que é minha amiga querida e é também a editora-executiva do Jornal da Noite, o sentido verdadeiro não era o que foi abstraído pela opinião pública. O que ele estaria querendo dizer é que havia restado aos garis, que estão na base da pirâmide social, dar a mensagem de boas festas naquela edição do telejornal.”

O injustiçado Boris Casoy, na verdade, queria prestar uma homenagem aos garis. Nós é que transformamos a honra em vergonha. Deve ter sido por isso que começou o comentário com um sonoro “Que merda!”.

As “profundas desculpas” de Boris Casoy

Boris Casoy pediu “desculpas profundas” pela “frase infeliz”, dita num vazamento de áudio do Jornal da Band, que ofendeu os garis.

O âncora zombou dos trabalhadores que desejaram “feliz ano novo” aos telespectadores, referindo-se a eles (os garis), em tom jocoso, como “os mais baixos da escala do trabalho”.

Não sei vocês, mas Boris Casoy não me convenceu com essa pose de arrependido.

Veja o vídeo abaixo:

Boris Casoy, a direita e o povo

As bruxas andam soltas nos telejornais. Depois da âncora do JN português ter sido desancada ao vivo, agora é a vez de um apresentador brasileiro ser desmascarado.

Boris Casoy, apresentador do Jornal da Band, sem saber que o áudio estava ligado, deixou escapar um comentário em que destila preconceito contra um gari.

Que merda… dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras… dois lixeiros, o mais baixo da escala do trabalho”, diz o jornalista, acompanhado do riso cúmplice dos colegas de bancada.

Com a repercussão negativa do vídeo, Boris se viu obrigado a pedir “profundas desculpas” aos telespectadores. Pura desfarçatez momentânea. O ato falho de Boris serviu para trazer à tona, inequivocamente, aquilo que a elite direitista pensa sobre os trabalhadores brasileiros, mas se envergonha de dizer em público: lugar de pobre é na senzala.

Boris nunca escondeu sua verve direitista. O proconceito desse senhor, em si, não me surpreende. O que me espanta é a forma escrachada como esse prócer da elite tupiniquim demonstra sua ojeriza aos homens e mulheres que, verdadeiramente, constroem o Brasil.

Veja o vídeo abaixo:

Bate-boca ao vivo no Jornal Nacional de Portugal

Numa entrevista ao vivo, o advogado e jornalista português António Marinho Pinto acusou a apresentadora Manuela Moura Guedes – âncora do Jornal Nacional da TVI (espécie de TV Globo de Portugal) – de fazer mau jornalismo e violar sistematicamente o estatuto da profissão.

O que você faz é julgamento disfarçado de entrevista“, disparou, acrescentando que a jornalista não informa, mas emite “julgamento sumário sobre as pessoas, manipulando fatos, truncando afirmações e o discurso das pessoas“.

Notaram alguma semelhança com o tratamento que a mídia daqui costuma dar às notícias?

Veja o vídeo do barraco abaixo:

Sobre manchetes sensacionalistas

Manchetes sensacionalistas são moda na grande imprensa. Funciona assim: escândalos artificiais são publicados em letras garrafais e, a seguir, desmentidos em cantos de página.  

Quando não há escândalo na praça, a gente arranja alguma coisa — descontextualiza, superdimensiona ou tira um “fato novo” da cartola mesmo.

Manchete do G1  deste domingo: “‘Acho normal’ que mensaleiros exerçam direitos políticos, diz Dilma”.

Na matéria, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) não diz o que a manchete sensacionalista afirma que ela diz.

Leiam a declaração da ministra: “Acho que o PT está procedendo de forma correta. Acho normal que exerçam seus direitos políticos. Ninguém pode ser cassado a priori. Eu acho que a gente deu um passo grande no Brasil quando se compara com outros países do mundo, e dizemos que somos uma das maiores democracias”.

Vamos contextualizar: Dilma não “saiu em defesa dos mensaleiros”. A ministra disse que qualquer filiado ao partido, no gozo dos seus direitos partidários, tem a prerrogativa de participar do processo eleitoral em curso.

Não cabe à ministra vetar a participação de ninguém no processo político interno do PT. Como a própria matéria afirma, as pessoas acusadas de participarem do “mensalão” ainda não foram julgados pela Justiça. Portanto, não podem ser condenados a priori.

Dizer que “Dilma saiu em defesa dos mensaleiros” é, no mínimo, usar de má fé, levando os leitores a acreditarem que a ministra concorda com as ações supostamente praticadas pelos réus.

Imprensa protege José Serra

Na semana passada (sexta-feira, 13), três vigas de sustentação de um viaduto do Rodoanel, obra viária realizada pelo governador tucano José Serra em São Paulo, desabaram sobre dois carros pequenos e um caminhão, deixando três pessoas feridas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou “79 irregularidades graves” no Rodoanel do Serra, mas a notícia não mereceu a primeira página dos jornalões da grande imprensa.

Já imaginaram se o governador de São Paulo fosse do PT?

PIG abafa vexame de Aécio Neves

A imprensa tucana, como era previsível, não repercutiu o barraco protagonizado pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB), domingo passado, em uma festa no badalado Hotel Fasano, Rio de Janeiro. De acordo com pessoas que estavam no evento, Aécio Neves agrediu a namorada com um empurrão e um tapa.

A tragédia da vida privada do governador playboy não teria a menor importância se não se tratasse de alguém que tem a ambição de governar nosso país. Então, interessa a cada brasileiro saber se o neto de Tancredo Neves é ou não agressor de mulheres, é ou não emocionalmente desequilibrado, é ou não chegado num .

Mas a blindagem ao tucano, desta vez, ultrapassou as montanhas mineiras, onde o governador conta com o silêncio conivente da maior parte da imprensa.

O PIG escalou um triunvirato de peso pra defender Aécio: Lauro Jardim, Ricardo Noblat e Lúcia Hipólito.

Lauro classificou o caso como uma “insidiosa campanha de boatos”. Lúcia disse que Aécio é “vítima de ataques pessoais”. Noblat disse que a namorada do governador só “escorregou”. Tropa de choque afiada essa de Aecinho.

Imagino se os atuais indignados com a “insidiosa campanha” contra o tucano ficariam igualmente indignados se os “boatos” fossem contra algum petista.

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