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A escandalização do nada

O partido da imprensa segue o roteiro pré-determinado de ataques de laboratório contra a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

A ‘Veja’ escreveu o novo capítulo da farsa do caso Lina Vieira, divulgando o factóide da agenda encontrada. A Folha repercutiu o caso ontem (18). 

Hoje (19), a Folha Online deu mais espaço ao quiprocó, destacando a opinião de senadores e deputados oposicionistas sobre a revelação da “prova” do encontro que Lina afirmou ter tido com Dilma no ano passado.

É uma forçassão de barra tão grande que a gente chega a se espantar com o amadorismo dessa turma. Leiam o trecho abaixo da matéria da Folha:

“Dilma terá de vir a público e se explicar”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). “Está claro que a conversa sempre existiu”, declarou Pedro Simon (PMDB-RS). Outro senador, Osmar Dias (PDT), pré-candidato ao governo do Paraná, disse crer na palavra da ministra, que sempre negou a reunião com a ex-secretária. 

José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, pediu que Lina Vieira “colabore e venha a público” pessoalmente.

Na agenda que Lina diz ter encontrado, há menção a uma audiência com Dilma na página de 9 de outubro de 2008. Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina.”

Dilma vir a público se explicar? Agripino inverteu o princípio básico da prerrogativa da inocência. O ônus da prova cabe a quem acusa. Assim, quem tem que vir a público se explicar é Lina, em vez de disparar factóides na imprensa através do misterioso amigo, que ninguém sabe se existe mesmo.

Pedro Simon deveria ganhar um prêmio pela capacidade de produzir truísmos. A sentença do velho caudilho é um petardo capaz de acabar com os planos políticos da ministra: “Está claro que a conversa sempre existiu”.

Mas o próprio governo, há dois meses, não havia divulgado o registro da audiência da ex-secretária com a ministra nesta data — 9 de outubro de 2008?! Tanto que a Folha confirma: “Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina.”

O que a Folha não deixa claro aos seus leitores é algo que o blog já observou nos outros posts: 1) A audiência não foi “sigilosa” — o que é comprovado pelo registro do Palácio do Planalto; 2) A pauta da audiência não foi as investigações sobre a família Sarney, mas sim o Fórum CEOS, conforme revelado pelo senador Aloizio Mercadante e confirmado pela própria Lina Vieira, em depoimento à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no dia 18 de agosto do ano passado.

Apesar dos fatos comprovarem a farsa, a imprensa a serviço dos tucanos insiste na escandalização do nada.

O caso Lina Vieira e a verdadeira face do PIG

Já era previsível. O PIG recomeçou os ataques contra a ministra Dilma Rousseff. A indústria de criação de escândalos artificiais havia dado um tempo, mas agora voltou a agir orquestradamente.

O roteiro é sempre o mesmo. O primeiro veículo publica o escândalo em destaque, na primeira página. No dia seguinte, os outros repercutem a farsa. Transforma-se uma versão dos fatos — a que interessa à mídia tucana — na única versão possível.

As contradições começam a aparecer. A farsa cedo ou tarde se torna evidente. O jornalismo de aluguel termina escancarado. Mas o estrago está feito. O alvo da indústria de assassinato de reputações já foi exposto ao escárnio público. A nódoa forjada em sua biografia jamais será removida. Para muitos, fica a versão da farsa.

Nesta nova ofensiva, cube à ‘Veja’ dar o primeiro passo, ressuscitando o factóide do caso Lina Vieira. A ex-secretária da Receita Federal, segundo a revista, contou a um amigo que havia encontrado, dois meses depois, a agenda onde anotou a mão a data do encontro sigiloso com a ministra da Casa Civil: 9 de outubro de 2008.

O rigor jornalístico da ‘Veja’ é uma coisa invejável. A revista publica, com estardalhaço, uma informação baseada apenas no relato do “amigo anônimo”, como se isso fosse uma coisa absolutamente crível. É preciso ser ingênuo demais pra ser convencido dessa lorota.

No post anterior, comentei que a novela de Lina Vieira era muito inverossímel. Ninguém leva tanto tempo pra encontrar uma simples agenda. Mas isso nem é o mais importante. Quando comparamos as muitas versões contadas pela ex-secretária, os buracos ficam claros.

Primeiro, Lina não se lembrava do dia do encontro com Dilma, mas sussurou aos senadores da oposição, nos bastidores, que a data era 19 de dezembro. Oficialmente, disse somente que a reunião aconteceu próximo do final do ano passado, provavelmente à tarde e que o gabinete da ministra estava na penumbra.

Depois, subitamente, Lina encontra a agenda e ficamos sabendo que o encontro ocorreu no dia 9 de outubro, às 10h13. Aquela história do dia 19 de dezembro, à tarde, na penumbra, não passou de um “equívoco” da ex-comandante do fisco brasileiro. É muito desatenta a nossa “cidadã natalense”, não?! 

No outro post, observei ainda que a ‘Veja’ tentou dar ares de novidade a uma informação velha. É a velha tática de vender um blefe como se fosse nitroglicerina pura.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), durante o depoimento de Lina Viera à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em 18 de agosto, listou as datas das audiências que Lina teve com Dilma.

No dia 9 de outubro, conforme revelou o petista naquela ocasião, Lina esteve na Casa Civil para tratar com a ministra do Fórum CEOS, que se realizaria no dia 10 de outubro daquele ano. A própria Lina, respondendo ao senador, confirmou a informação.

Então, cadê a novidade? A própria ‘Veja’ reconhece que a data já havia sido confirmada pelo governo:

Em agosto passado, o senador Romero Jucá, um dos principais defensores do governo no Congresso, divulgou um relatório com as entradas oficiais de Lina no Palácio do Planalto. De acordo com Jucá, a ex-secretária esteve no Planalto quatro vezes – em outubro de 2008 e nos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2009. O único ingresso registrado no ano passado, portanto, ocorreu em 9 de outubro, às 10h13. Lina, segundo os registros oficiais, deixou o Planalto às 11h29 do mesmo dia.”

O engraçado é que muita gente desdenha quando dizemos que a imprensa conservadora se transformou num apêndice da oposição demo-tucana e age como se fosse um partido político. Na semana em que o presidente Lula e a ministra Dilma percorreram o sertão nordestino para inspecionar as obras de revitalização do rio São Francisco, desenterram esse factóide protagonizado pela ex-secretária. O PIG mostrou sua verdadeira face.

‘Veja’ desenterra factóide de Lina Vieira

A revista ‘Veja’, panfleto reacionário da Editora Abril, ressuscitou o factóide do encontro sigiloso que a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, jurou ter tido com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. No encontro, segundo Lina, a ministra pediu para “acelerar” as investigações contra o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Dilma assegurou que o encontro misterioso nunca aconteceu.

Dois meses depois, a revista afirma que o encontro teria ocorrido no dia 9 de outubro de 2008. Quando trouxe o caso à tona, Lina não se lembrava a hora, o dia nem o mês da reunião. Mas a ‘Veja’ sustenta que, agora, a ex-secretária encontrou a agenda perdida, onde constaria o registro correto da data do encontro, com a singela observação: “Dar retorno à ministra sobre família Sarney”.

De acordo com a revista, Lina confidenciara a “um amigo” (quem?!) que achou a agenda — outrora perdida em meio às quinquilharias que haviam sido despachadas para Natal. A revista conta que procurou Lina para confirmar a história, mas a ex-secretária respondeu que não falaria mais sobre o caso.

Agora, respondam, por favor: Qual a credibilidade de uma notícia dessa? Como podemos tomar como crível uma informação baseada somente na revelação de um amigo anônimo? Além disso, mesmo que a ex-secretária venha a público confirmar que encontrou a referida agenda, isso prova o quê? Qualquer pessoa pode forjar o registro de um compromisso que nunca existiu em sua agenda particular. Como alguém pode demorar dois longos meses para encontrar uma simples agenda?! Essa novelinha é inverossímel demais.

Fora que não há, verdadeiramente, nenhuma novidade na revelação desta data. Quando Lina depôs na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no dia 18 de agosto, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) divulgou um levantamento com o registro das datas em que a ex-secretária se encontrara com a ministra Dilma Rousseff. Conforme o relatório, Lina esteve com Dilma nos dias 14 de agosto e 9 de outubro de 2008 e nos dias 22 de janeiro, 16 de fevereiro e 19 de maio de 2009.

Vamos, então, repassar alguns pontos: Lina disse que havia sido “chamada às pressas” pela ministra para um encontro “sigiloso”; contou que ouvira da chefe de gabinete da ministra, Erenice Guerra, a orientação para que o encontro fosse mantido em segredo; quando confrontada com o levantamento apresentado pelo senador Aloizio Mercadante, sustentou que o encontro aconteceu, mas que não havia sido oficialmente registrado.

Não é preciso fazer muito esforço para juntar as peças do quebra-cabeça: se não constava na agenda oficial da ministra, o encontro “às pressas” a que Lina se refere não poderia jamais ter ocorrido no dia 9 de outubro, porque — truísmo dos truísmos!!! — o encontro do dia 9 de outubro estava registrado na AGENDA OFICIAL da ministra. 

Daí ficamos assim: Lina não se lembrava da data do encontro com Dilma. Agora, quando Dilma começa a ensaiar uma recuperação política, após longa exposição negativa na imprensa, ressuscitam este factóide.

É coincidência demais para o meu gosto. Melhor botar as barbas de molho e ficar de olhos bem abertos com o que ainda vem por aí.

Agripino passa cada vergonha…

O senador José Agripino (DEM-RN) é aquele que quis dar uma de escroto, mas saiu com o rabo entre as pernas quando disse, numa sessão da Comissão de Infra-Estrutura do Senado, em maio do ano passado, que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) havia mentido na época da ditadura militar.

Teve que ouvir a ministra dizer: “Nós estávamos em lados diferentes naquela época, senador“. Dilma lutou contra a ditadura. Agripino serviu ao regime dos generais com devoção canina e chegou a ser nomeado prefeito biônico de Natal.

Agripino é um político arcaico, coronelista e anti-democrático. Na década de 1980, protagonizou o escândalo do “rabo-de-palha”, quando tentou fraudar as eleições na capital potiguar comprando o voto dos pobres “com uma feirazinha, com um enxoval, com umas coisinhas“, conforme revelado por gravações daquela época.

O líder dos demos é conhecido pelo estilo autoritário, arrogante e falastrão. Agripino é capaz dos maiores truismos, mas se acha um gênio por isso. Fora os babões que vivem ao seu redor ninguém o leva a sério.

Mas quando a gente pensa que Jajá atingiu o clímax, o senador vem e nos surpreende. Ao discursar nesta quarta (2) no plenário do Senado sobre as novas regras do pré-sal, ele se saiu com a seguinte jóia:

Qual é o meu receio? É que se esteja agora anunciando um novo marco regulatório que troca as concessões por uma lei de partilha, partilha que significa a volta à ingerência do Estado, que o presidente Lula, justifica. Tenho receio muito forte porque o pré-sal que está descoberto e meio quantificado em uma extensão de 800 km por 200 km de largura, do Espírito Santo a Santa Catarina, não é privilégio apenas do Brasil. Tenho informações de que há pré-sal nas costas de Angola.

Alguém entendeu o que ele quis dizer com isso? Nem eu.

É por essas e outras que digo que ninguém leva Agripino a sério. Jajá não cansa de passar vergonha.

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