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Dilma está muito bem em quatro estados: DF, RS, BA e RS

Do Blog do Nassif:

Os impasses da oposição

Por Marco Antônio

A informação de Dora Kramer, ontem, em sua coluna, sobre a pesquisa encomendada pelo DEM no Distrito Federal e na Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais é fundamental para que possamos estabelecer um debate em torno da agenda política imediata.

Segundo a pesquisa, levada ao conhecimento do PSDB para que Serra assumisse sua candidatura ou abrisse espaço para Aécio, teve os seguintes resultados ( números não divulgados), em texto transcrito literalmente da colunista

Há quatro amostras: Distrito Federal, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Na capital, Ciro Gomes aparece em primeiro lugar, Dilma Rousseff em segundo e José Serra em terceiro. Em Salvador, Dilma empata com Serra e abre vantagem na região metropolitana. No Rio Grande do Sul, a candidata do presidente Lula também aparece na frente e, em Minas, diz o DEM, o quadro é de ‘aperto’.

Confrontado com os dados, o PSDB só contesta este último.”

Isso demonstra, em primeiro lugar, a total falta de conexão com a realidade das pesquisas divulgadas por IBOPE e DataFolha. O que não é novidade, mas agora é confirmada por uma fonte suspeita: o encomendante. Por isso, a preocupação com a ” campanha antecipada” de Dilma, a exposição maior da Ministra está realmente dando resultados.

Em segundo lugar, demonstra que Aécio realmente está bem abaixo de Serra nas intenções. Ou o DEM não estaria pedindo a Serra que se decidisse logo e dando a preferência a ele. Na verdade, o DEM já viu que só resta antecipar a agenda eleitoral. E não pretende apostar outras fichas em ” cavalos paraguaios”. Aécio tem um piso de votos baixíssimo. Não há nenhuma garantia nem indicação fática de que poderia subir nas pesquisas. Pelo contrário, a tese de sua invencibilidade em Minas é totalmente contestada pelo praticamente empate de Dilma com o candidato do PSDB no Estado. E evidentemente foram feitos cenários alternando os nomes peessedebistas e até uma chapa puro-sangue, já que o interesse principal era descobrir a chance de Dilma e a de qual dos dois tucanos era maior, para tentar a composição de chapa.

Além disso, a tese do ” confronto”, que Serra protagonizaria com sua candidatura, e Aécio não, não se sustenta. Na campanha, Aécio não conseguirá se desvincular da herança de FHC, principalmente se tiver aliados como o próprio, Arthur Virgílio, Agripino Maia, ACM Jr, Alckmin e companhia. Sem falar do próprio Serra, o qual, aparecendo na campanha, o que é inevitável, já gerará a vinculação com o passado tucano.

Em política, nada é definitivo. Mas no momento, é impossível dizer que Dilma não vislumbra céus tranquilos. Enquanto o PSDB encontra-se diante de uma Esfinge que ameaça devorá-lo, caso não decifre o enigma. Ou se decifrá-lo errado, este sim, o dilema.

 

 

A manipulação das pesquisas eleitorais

Ricardo Noblat divulgou o resultado de uma pesquisa encomendada pelo PSDB ao Ibope que mostra o crescimento de José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República, com 41% contra 35% da pesquisa anterior.

Neste cenário, Dilma Rousseff (PT) aparece em segundo lugar, com 17%, seguida de Ciro Gomes (PSB) com 16% e Marina Silva (PV) com 9%.

O que Noblat, conhecido pelas barrigas que noticia em seu blog, não disse aos seu leitores é que a pesquisa atual não pode ser comparada com a anterior, porque o levantamento atual não apresentou aos entrevistados o nome do candidato sozinho, mas sim acompanhado do vice.

É o que revela Renata Lo Prete no Painel da Folha:

Bananas… A pesquisa Ibope em que José Serra obtém 41% de intenção de voto não pode ser comparada com a anterior do instituto, na qual o tucano havia registrado 35%. Encomendado pelo PSDB, o levantamento mais recente não apresentou ao entrevistado o nome do candidato sozinho, mas sim acompanhado de um vice.

…e laranjas. Serra atingiu 41% tendo o correligionário Aécio Neves como vice. No caso de Dilma (17%), o companheiro de chapa foi Temer.

Esperança para sertanejos, transposição do ‘Velho Chico’ começa a virar realidade

Excelente reportagem de Bob Fernandes na Terra Magazine:

 

No São Francisco, Lula batiza Dilma no coração do Nordeste
E não é que a Transposição do Rio São Francisco começou a se tornar concreta? Deixou de ser um discurso secular, desde Dom Pedro II, contornou a polêmica e as razões de quem, com razões, é contra, aglutinou os que, com suas razões, são a favor, e já é concreta. Concreto, para ser literal.

Serão, ao final de 2012, 713 km de canais condutores de água, da bacia do São Francisco para cinco Estados do Nordeste. Disso, algo como 200 km está em estado adiantado no que é considerado o mais difícil: a terraplanagem, as detonações com dinamite em terrenos rochosos, as construções de dutos com até 13 metros de largura por 3 a 5 metros de altura.

Duzentos quilômetros “no ponto” e 20km completos, com a manta impermeável – para impedir infiltrações no solo – e a cobertura de concreto nos canais. A concretagem é visível no sobrevoo em helicópteros da Marinha, Exército e Aeronáutica.

A Transposição do São Francisco, com suas polêmicas e suas razões (técnicas ou religiosas), é uma obra simbólica do governo Lula que, para demarcar tanto, viaja e acampa desta quarta à sexta-feira em Minas, Bahia e Pernambuco.

A instalação desta “Coluna Lula” se dará com a presença de quatro ministros, aguardados oito governadores em todo o giro e uma penca de senadores, deputados, prefeitos e camarilhas. Na retaguarda, mais de 150 funcionários federais, 3 helicópteros e pelo menos dois aviões.

A presidenciável Dilma, of course, levada por Lula, com toda pompa nesta circunstância, para seu batismo oficial no Nordeste, às vésperas de uma sucessão que, como se vê, já começou.

Obra simbólica por vários motivos. Para a Transposição, o governo já gastou R$ 1,2 bilhão, licitou R$ 4,5 bilhões e, segundo o próprio Lula no “Café com o presidente” da última segunda, chegará a R$ 6 bilhões até o final dos Eixos Leste e Norte.

Sempre valendo-se de projeções que levam em conta a população de 2025 – assim trabalham os engenheiros -, a Transposição deverá levar água a um universo de 12 milhões de nordestinos. Ainda segundo a mesma estimativa, ao final de 2012 mais de 4 milhões estarão no raio de influência do megaprojeto.

Simbólica a obra do São Francisco porque, primeiro e antes de tudo, em Pernambuco, nas vizinhanças da Garanhuns onde Lula nasceu e de onde migrou com a mãe Lindu e seis irmãos para São Paulo. Todos num caminhão pau-de-arara. E desceu para o Sul ladeando o mesmo Velho Chico, como, por mais de uma vez, já lembrou o próprio Lula.

Simbólico o pernoite de Lula, Dilma e sua “Coluna” nos acampamentos dos lotes 11 e 1 a partir de hoje. Ali, em meio a engenheiros e peões, ele pretende reavivar no imaginário popular, na memória do Nordeste, que lhe deu vitória avassaladora em 2006, as suas origens: de nordestino, de retirante da seca, de peão.

Simbólica porque a viagem contará com a presença do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), aspirante a presidenciável, e nesta quarta tem a primeira parada em Pirapora, nas Minas Gerais do também presidenciável tucano Aécio Neves, que lá deverá estar, certamente provocando urticária nos companheiros emplumados, os tucanos.

Simbólico, porque quem pensa a comunicação do governo pretende tanto.

Para isso, enfiou num avião espanhol CASA – ou C-105, rebatizado de “Amazonas” – 26 jornalistas de uma dezena de grupos de mídia do Brasil e do mundo. Internacionais, a revista alemã Der Spiegel, o jornal francês Le Monde, a londrina BBC e, informação da presidência, aguarda-se para hoje o desembarque da britânica The Economist. Do Brasil, além de periódicos regionais como a CNR e APJ, as redes Record, Globo, Amazonas, a Empresa Brasileira de Comunicação, as revistas Época, Piauí e Terra Magazine, deste Portal Terra.

Viagem desse pelotão midiático iniciada na segunda, a ser encerrada para alguns nesta quarta, em Barra (BA), e sequenciada por veículos regionais e correspondentes nacionais até a sexta-feira. E não apenas. Ontem, terça-feira, por volta da hora do almoço, Nordeste afora lá estava a voz de Lula onipresente nas emissoras de rádio. Tema? A Transposição, pauta do último “Café com o presidente”.

Entre experimentados correspondentes estrangeiros, os efeitos da concretização de um discurso secular, depois de horas de sobrevoos por centenas de quilômetros de canais rasgados no agreste pernambucano:

– Isso é parecido com o que Roosevelt fez nos anos 30, nos Estados Unidos – diz um dos europeus.

Outro correspondente balbucia, ainda no helicóptero:

– Impressionante… A gente ouve falar da obra, do Rio São Francisco, mas não tem a dimensão, geográfica até, enquanto não vê.

Nessa superposição de simbolismos que é também midiática e extremamente política, nos aquedutos da sucessão de 2010, quem por três meses bolou a viagem e o acampamento de Lula e sua “Coluna” entre peões, não deixou de recordar as inspeções cinematográficas de Juscelino nas obras da Brasília do final dos anos 50. Até mesmo a hospedagem numa casa de alvenaria e madeira evoca essa imagem.

Nesse jogo de símbolos, nada se perde, nem tanto se cria, tudo se recicla.

À margem das 4.500 máquinas, dos canais e da sucessão 2010, a dimensão humana do projeto e de seus 8.400 operários.

No canteiro de Custódia (PE), o motorista Luiz Carlos conta ter largado o grupo de forró “Rio de Ouro” para dirigir o ônibus que conduz os peões, dia e noite. Pega no volante às 5h30. “Com o forró, eu rodava só 5 km por semana. O cara se estressa. Aqui de noite eu tô em casa e ganho melhor”. Ele e o colega, José Neto, estimam que cerca de 80% dos trabalhadores são da região. “O resto é técnico que vem de fora”.

“Empregou muita gente que não podia plantar cebola (especialidade na região)”, conta o lavrador Alecsandro Pereira. “Por agora, não tem do que desgostar de Lula”, completa Fernando Faustino dos Santos. Ambos grudam as mãos nas cercas da Vila Produtiva em Salgueiro (PE), onde serão realocadas famílias atingidas pelas obras. No entorno, muitos desejam obter uma casa de alvenaria com 99 metros quadrados. Há casos de moradores que pagam aluguel e receberão uma residência própria.

– Quero dar um alô pro Lula… Meu barraco de tábua não dá mais, vou pedir uma casa! Três vezes não pode, mas quero Dilma Rousseff – declara o lavrador Deolindo Andrade dos Santos, 58 anos e oito filhos.

Nesta quarta, em Barra, na Bahia, deverão ser ouvidas vozes de opositores do projeto. Dom Luiz Cappio, o bispo que chegou à greve de fome em protesto contra a obra, não deverá estar na cidade. Mas seus seguidores, sim.

 

Na Vila Produtiva, depois de ter falado a operários em outro trecho da viagem, Lula sorteará cinco entre as 55 casas (três quartos, banheiro e cozinha), construídas em terrenos de meio hectare para produção agrícola comunitária. Uma das futuras moradoras reconhece que essa “cultura coletiva” ainda precisa ser disseminada entre os pequenos lavradores. Aglutinação ainda mais difícil no momento em que cada desalojado recebe R$ 800 para deslocamento e R$1.200 mensais enquanto se arrasta nos tribunais a querela das indenizações.

O xadrez de 2010

Não deu pra comentar antes a pesquisa CNI/IBOPE, divulgada no início da semana, sobre a sucessão presidencial. Mas o assunto movimentou a blogosfera, gerou várias análises e dividiu opiniões. As interpretações variaram conforme as convicções políticas do freguês. Resumidamente, a pesquisa indicou que José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) caíram, enquanto Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) cresceram.

No principal cenário pesquisado, Serra lidera com 34%, Dilma e Ciro aparecem empatados com 14%, Heloisa Helena (PSOL) figura com 8% e Marina surge com 6%.

No segundo cenário, quando Aécio Neves (PSDB) substitui Serra, Ciro Gomes lidera com 25%, Dilma vem em seguida com 16%, Aécio com 12%, Heloísa Helena com 11% e Marina Silva com 8%.

Em outra simulação, sem Heloisa Helena na lista, Serra lidera com 35%, Ciro Gomes aparece com 17%, Dilma Rousseff soma 15% e Marina Silva, 8%. Com Aécio no lugar de Serra e sem Heloísa Helena, Ciro Gomes lidera com 28%, seguido de Dilma com 18%, Aécio com 13% e Marina Silva com 11%.

No levantamento que exlui Marina, Serra tem 34%, Ciro 17%, Dilma 15% e Heloisa Helena, 10%. Em relação às pesquisa anterior, realizada em junho, quando a senadora Marina Silva ainda não aparecia nas simulações, José Serra caiu 4% e Dilma Rousseff caiu 3%. Já Ciro Gomes cresceu 5% e Heloisa Helena, 3%. 

Agora vamos às análises sobre os números. Os comentaristas divergem sobre a importância das pesquisas nesta época, quando ainda falta mais de um ano para as eleições. Alguns afirmam que o jogo já começou pra valer, enquanto outros dizem que é cedo demais pra se prever alguma coisa. A imprensa tucana comemorou a queda da ministra Dilma Rousseff, mas procurou esconder o tombo do governador José Serra. Estratégia previsível. Faz parte da campanha para desacreditar a pré-candidatura da petista.

Dilma, como se sabe, há tempos enfrenta artilharia pesada, com a fabricação de sucessivos escândalos pela mídia. A mais recente armação foi o Linagate. Considerando esse longo processo de exposição desfavorável, associado à exploração desumana do câncer da ministra, a queda de Dilma Rousseff era esperada.

A mídia simpática aos tucanos se esforçou para fazer crer que a candidatura da ministra “naufragou”. Para isso, seguiram um roteiro pré-definido:

– Destacar que Dilma “caiu”, enquanto Serra apenas “oscilou negativamente”; 

– Enfatizar que Dilma tem a maior “rejeição” (40%), sem mencionar os 30% de reprovação ao candidato tucano;

– Não dizer, em hipótese alguma, que Dilma só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% — isso quer dizer que a ministra tem maior potencial de crescimento, principalmente quando ficar claro para a população que ela é a candidata do presidente mais popular da história do país (Lula, segundo a pesquisa, tem 81% de aprovação).

No blog Óleo do Diabo, Miguel do Rosário destacou o que chamou de “cacoetes” usados pela mídia na divulgação da pesquisa:

Quero destacar um ponto que ninguém parece ter percebido. No quadro mais importante, o que inclui Serra, Ciro Gomes, Dilma, Heloísa Helena e Marina, a imprensa repetiu ad infinitum que Ciro “ultrapassou” Dilma. Está claro que há uma tentativa, que não é de hoje, de romper a aliança PT-PMDB. O ponto que ninguém viu é que Ciro não está à frente de Dilma. Está em empate técnico. Ele tem 17%, ela tem 15%. Esses dois pontos percentuais correspondem à margem de erro. Para quem não sabe, a margem de erro embute um fator casual. Ou seja, é possível que a mesma pesquisa, se fosse realizada na mesma época, usando os mesmos métodos, mas entrevistando pessoas diferentes, poderia trazer Dilma à frente de Ciro.

 

Em relação à “rejeição” de Dilma, Miguel observou o seguinte:

Dilma Roussef só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% e Ciro Gomes, por 45%. Esses dados se conformam perfeitamente com os das outras pesquisas, que mostram o crescimento mais rápido de Dilma junto às classes educadas, com ensino superior e com renda mais alta, as quais, provavelmente, já sabem muito bem quem é Dilma e que ela deverá ser a candidata apoiada pelo presidente Lula. Cotejando a pesquisa com a sólida popularidade de Lula, as perspectivas de Dilma são as mais positivas. (…) Entre os  menos escolarizados, Lula tem aprovação de 88%. Para mim é evidente que, quando o presidente estiver liberado para participar do horário eleitoral e informar os cidadãos de que sua candidata é Dilma, este povão simples e honesto irá votar em peso nela. Mas Lula também tem aprovação de 71% entre os que tem curso superior completo ou mais, e 72% tanto entre os que ganham de 5 a 10 salários como os que ganham mais de 10 salários. Ou seja, mesmo entre o público alvo da grande imprensa, aqueles que mais consomem carros e adquirem imóveis nas capitais, Lula tem uma vasta e sólida aprovação. Repare ainda que a aprovação de Lula no Nordeste é de 90%, um índice jamais visto em nenhum país democrático, ainda mais para um governante em final de mandato, com todos os desgastes decorrentes daí.

 

No Vi o Mundo,Luiz Carlos Azenha escreveu que “a campanha eleitoral está em andamento”, mas acha que, por enquanto, toda movimentação ainda é “interna”:

José Serra precisa provar sua viabilidade eleitoral antes de obter o compromisso firme dos financiadores de campanha. Por isso trabalha para inflar Marina e Ciro e para limar, pela ordem, Aécio Neves e Dilma Rousseff. Nessa tarefa, conta com o inestimável apoio da maior parte da mídia corporativa.

Acho que as pesquisas de opinião pública valem muito pouco faltando mais de um ano para a eleição.

(…)

Romper a aliança entre PT e PMDB parece ser o grande objetivo estratégico de Serra. Para isso, ele precisa criar dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Dilma. É disso que se trata. Como analisou Rodrigo Vianna com acerto, anteriormente, é a UDN tentando romper o acordo entre PTB e PSD.

Com a economia brasileira bombando, a máquina do governo federal nas mãos, o apoio de Lula e do PMDB, Dilma Rousseff é uma candidata fortíssima, ainda que os números das pesquisas não reflitam isso ou tenham sido deturpados para não refletir isso — no que acredito, especialmente quando o IBOPE diz que Dilma tem uma taxa de rejeição de 40%. Tornar Dilma a vilã terrorista da classe média apenas repete o padrão do “medo” usado contra Lula, mas já é campanha eleitoral, sim. Clássica.

 

O Escrevinador Rodrigo Viana aposta que o personagem central desse xadrez político que começa a ser jogado agora com olhos voltados para 2010 é Ciro Gomes:

O que sei dizer é o seguinte: de fato, a maior parte da população não está pensando em eleição. O que não quer dizer que o jogo já não tenha começado.

Lá na frente, quando a grande massa de eleitores entrar em campo, parte do jogo já terá sido jogado.

Serra ou Aécio no PSDB?

Dilma com PMDB ou Dilma com Ciro?

Lula terá um ou dois candidatos?

Tudo isso começa a ser definido agora.

A minha tese central é que esse arranjo (ou dessarranjo?) de forças hoje tem um personagem central: Ciro Gomes.

Ele, e não Marina, pode mudar toda a estratégia eleitoral do governo.

Lula e o PT estão preparados para uma eleição plebiscitária: Dilma é Lula; Serra é o anti-Lula.

Ciro aparece nas pesquisas com força suficiente para manter sua candidatura. Uma candidatura lulista, mas fora da estratégia oficial do governo.

Vários leitores (aqui, e no blog do Azenha) acham que a candidatura Ciro serve aos interesses de Serra.

Discordo frontalmente. E, nesse ponto, discordo também do Azenha.

Para Serra – com sua máquina de dossiês e o apoio do PIG – é mais fácil centrar fogo em Dilma. É mais fácil colar nela a pecha de “inexperiente”, de “pau mandado de Lula” ou (para agradar a extrema-direita) de “terrorista”.

Se Ciro sair candidato, Serra terá dois adversários para bater. Serão dois contra um. Se centrar todo fogo em Dilma, Ciro cresce. Se bater muito em Ciro, vem a Dilma com apoio do Lula.

Esse é o ponto que trago para debate. Apesar de faltar muito tempo para as eleições, essa escolha será feita nos próximos meses (muito antes da Copa do Mundo e do Carnaval).

Fora isso, lembro também o papel de Aécio. Dentro do PT , há quem tema mais a candidatura dele do que a de Serra. Faz sentido. Ele tem condições de se apresentar não como “anti-Lula”, mas como o “pós-Lula”.

(…)

Mas o fato é que muita gente no PT avalia que Aécio pode mesmo ser um candidato mais difícil de derrotar, apesar de hoje estar atrás nas pesquisas.

Entre os tucanos, muita gente também sabe disso. Mas como tirar da corrida o governador de São Paulo, com mais de 30% de intenções de voto?

Isso tudo está em jogo, desde agora.

Aécio está se guardando “pra quando o carnaval chegar”. Serra (representante da neo-UDN) segue em sua estratégia de rachar a aliança PT-PMDB (que reproduz a velha aliança PSD-PTB).

Com a economia bombando, e a popularidade de Lula nas alturas (como lembra o Azenha), o PMDB dificilmente ficará contra a candidatura apoiada pelo lulismo. Seria suicídio. E o velho PSD (digo, PMDB) não é de cometer suicídio político.

Ciro já se lançou ao mar. Pode até não ser candidato. Mas, nesse caso, venderá mais caro para o lulismo o apoio do chamado bloquinho (PSB-PDT-PCdoB), o que pode atrapalhar (mas não inviabilizar) as negociações do PT com o PMDB.

Muito antes da final da Copa da África do Sul, tudo isso estará já acertado. 

 

Papo de Buteco

As opiniões acima são bastante críveis, principalmente porque levam em conta todas as variáveis que a mídia, em sua sanha pró-tucana, tentou esconder.

Mas como esse blog é democrático, vamos deixar a palavra de jornalistas e afins um pouco de lado para dar espaço à voz rouca das ruas e seus palpiteiros políticos.

Numa roda de amigos ontem à noite, ao som do chorinho, o papo sobre as eleições e a pesquisa do Ibope rolava solto. Destaco a opinião de um colega petista, preocupado com a situação: “Quando José Dirceu caiu, o partido (PT) ficou sem candidato natural. Naquele momento, Lula deveria ter preparado Marina Silva para ser sua sucessora. Marina tem a simpatia do povo e tem uma história de vida parecida com a dele (Lula). Mas Lula se isolou em sua popularidade e deu às costas ao PT. Aí decidiu ungir Dilma sua candidata, mas a ministra não cresce. Dilma não leva essa“, desabafou.

Este embolador ouviu a confissão de “medo” de outro petista, que também acredita que Lula errou ao escolher Dilma para ser sua candidata: “A candidata deveria ser Marina. O jogo não vai ser nada fácil. Corremos o sério risco de perder o governo para os tucanos e ver o país retroceder.”

É isso aí. A guerra vai ser dura mesmo.

Pesquisa Vox Populi na íntegra

Luiz Carlos Azenha publicou os números corretos da pesquisa Vox Populi para presidente do Brasil, divulgada nesta terça (18) no Jornal da Band.

Confiram:

Cenário 1

José Serra (PSDB): 30%

Dilma Rousseff (PT): 21%

Ciro Gomes (PSB): 17%

Heloísa Helena (PSOL): 12%

 

Cenário 2

José Serra (PSDB): 36%

Dilma Rousseff (PT): 24%

Heloísa Helena (PSOL): 16%

 

Cenário 3

Dilma Rousseff (PT): 25%

Aécio Neves (PSDB): 21%

Heloísa Helena (PSOL): 18%

 

Cenário 4

Dilma Rousseff (PT): 21%

Ciro Gomes (PSB): 20%

Aécio Neves (PSDB): 16%

Heloísa Helena (PSOL): 12%

 

A pesquisa tem margem de erro de 2,2%, foi feita com 2 mil eleitores em 23 estados, entre 31/07 e 04/08.

Dilma vence Serra no RS

O efeito Yeda Crusius começa a respingar na pré-candidatura do tucano José Serra. O Cloaca News informa que uma pesquisa do Vox Populi sobre a intenção de voto dos eleitores do RS revelou que a ministra Dilma Rousseff (PT) é a preferida de 26% dos eleitores, enquanto o governador de S. Paulo, José Serra (PSDB), é o preferido de 25%. Ciro Gomes (PSB) tem 16% e Heloísa Helena (PSOL), 10%. Serra leva uma surra quando somadas as intenções de voto da esquerda.

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