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O macartismo de Micarla

Disfarçadamente, sem muito barulho, a prefeita Micarla de Sousa (PV) aproveitou o anúncio da reforma administrativa, na semana passada, para arrumar uma nova acomodação para um velho amigo que andava um pouco sumido.

Além dos 17 novos secretários, a edição de quinta-feira (10) do Diário Oficial do Município (DOM) trouxe a nomeação de Eugênio Bezerra, ex-assessor especial do gabinete da prefeita, para o cargo de secretário adjunto de Gestão Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb).

Como adjunto da Semurb, Eugênio será responsável pela política de educação ambiental do município, pela gestão do Parque da Cidade e pela revisão do Plano Diretor de Natal. É ou não pra ficar assustado?

Pra quem não sabe, fui agredido pelo novo secretário adjunto da Semurb, em novembro do ano passado, quando passava pela área de lazer em frente ao Carrefour, onde foi instalada a Árvore de Natal. O caso está relatado, em detalhes, aqui. Até agora, aguardo a primeira audiência da ação que impetrei contra o agressor na Justiça Criminal.

A imprensa potiguar ignorou o fato do assessor da prefeita agredir um jornalista. O Sindicato dos Jornalistas seguiu o mesmo caminho. Conversei com um dirigente do Sindjorn, segundo quem o sindicato analisou o caso e chegou à conclusão que se tratava de uma “questão pessoal” entre dois jornalistas. É exatamente o que o secretário quer fazer parecer, mas que não corresponde à realidade.

A agressão que sofri se deu em função das críticas que faço à administração do PV. Para Eugênio Bezerra, quem se atreve a apontar os desmandos da prefeita-borboleta é imediatamente convertido em inimigo público número um. As jornalistas Anna Ruth Dantas, Eliana Lima e Laurita Arruda também entraram na mira do secretário após fazerem críticas à chefe dele.

O comportamento ameaçador de Eugênio Bezerra segue um padrão, que se repete sempre que se sente acuado. O soco, as ameaças e as mentiras plantadas pelos bobos da corte a serviço do borboletário tiveram uma só finalidade: coibir um jornalista de exercer o seu sagrado direito à livre expressão e crítica. É o macartismo de Micarla de Sousa.

Com a repercussão do caso da agressão contra esse escriba, Micarla chamou seu assessor às falas. Na internet, circulou a informação que a prefeita havia determinado a “suspensão” do seu fiel defensor. Obediente, se submeteu ao “castigo”, deixou de frequentar o gabinete da chefe e se auto-impôs um período sabático. Houve quem dissesse que havia sido exonerado, mesmo sem registro no DOM.

Questionei a prefeita sobre a situação de Eugênio. Perguntei se o assessor havia mesmo sido exonerado, ou se continuava recebendo salário, pago com dinheiro público, sem trabalhar, uma vez que estava “suspenso” das suas funções. Micarla ignorou os questionamentos.

Agora, ficamos sabendo que o “castigo” era conversa pra boi dormir. Em vez de demitir o assessor que agrediu um jornalista, a prefeita o premiou com a nomeação para a Semurb. Eugênio sumiu por um tempo para limpar sua imagem e retornar mais forte.

O Código de Ética do Servidor Público é claro ao preconizar que “A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral.

O Código determina ainda que “A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.

A prefeita deveria explicar à sociedade por que nomeou um agressor confesso para seu primeiro escalão, jogando no lixo o Código de Ética que deveria levar como bíblia da sua administração.

Perguntei aos meus incrédulos botões se, por acaso, os consultores da Fundação Getúlio Vargas avalizaram essa escolha. Fiquei sem respostas.

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