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Obama enfrenta o PIG dos EUA

A Casa Branca decretou guerra contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista) dos Estados Unidos. O principal alvo é a rede Fox News, tida como uma “organização partidarizada, que funciona como apêndice do Partido Republicano.” A acusação é da diretora de Comunicações de Barack Obama, Anita Dunn.

Anita disse, sem meias palavras, como o PIG de lá trabalha. Em entrevista ao diário The New York Times, domingo (11), a diretora declarou que “a rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico.”

A revista Time explicou a nova estratégia de Obama para reagir aos ataques da mídia conservadora norte-americana:

Todas as críticas, diárias, repetidas, as justas e também as injustas, e as delirantes, todas, estão pesando sobre a Casa Branca, objeto de ataques incansáveis. Então, a Casa Branca pensou em uma nova estratégia: em vez de facilitar a vida dos jornalistas, oferecendo-lhes fatos que os jornais e jornalistas usam em seguida como se fossem ‘prova’ do que escreveriam contra Obama mesmo sem qualquer verificação ou sem qualquer prova, a Casa Branca decidiu entrar no jogo e criticar mordazmente o jornalismo de futricas, os políticos e os veículos que vivem de publicar bobagens, ou mentiras, ou invenções completamente nascidas das cabeças dos ‘jornalistas’, como, por exemplo, a ideia de que o plano de Obama para reforma da assistência à saúde dos norte-americanos incluiria “clínicas sexuais” a serem implantadas nas escolas. Obama, descansado e relaxado depois dos feriados em Martha’s Vineyard, riu da ideia dos ‘jornalistas’ e disse aos auxiliares que “Ok. Vamos chamar os caras p’ra conversar lá fora.”

Em outro trecho da matéria, Anita Dunn justifica a nova tática governista: “Trata-se de opinião partidarizada, travestida de noticiário e de jornalismo“, disparou ao comentar o modus operandi da Fox News. A matéria completa está no blog do Azenha.

Por alguns instantes, tive a impressão que a secretária de Obama estava falando sobre o Brasil e o PIG tupiniquim. Parece que os conservadores da mídia ianque fizeram um curso avançado de mau jornalismo com a turma daqui — Globo, Veja, Folha, entre outros.

Lamentavelmente, o popularíssimo presidente Lula se acovardou, fugiu do enfrentamento e preferiu conciliar com o PIG, esperando que os conservadores fossem menos hostis. Não deu certo.  O governo vive sob fogo cruzado da mídia tucana, saudosa da era neoliberal.

Mesmo assim, o governo recompensou os barões da mídia com o direito de indicar 40% dos delegados com poder de voto na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que vai ocorrer entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília.

Assim, a caixa-preta das concessões de rádio e televisão continua inviolável.

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Por uma comunicação livre e democrática

Entre os temas que serão debatidos na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, a questão das concessões de rádio e TV deverão ocupar espaço privilegiado.

No Brasil, esse assunto é uma verdadeira caixa-preta. Ninguém sabe quando vencem as concessões em vigor, muito menos quais os critérios para outorga das permissões de operação destes serviços.

Convivemos, em todas as regiões do país, com o escândalo dos políticos concessionários de emissoras de rádio e televisão, num flagrante desrespeito à regra constitucional.

Enquanto o país não enfrentar esse desafio, nunca seremos, verdadeiramente, uma democracia plena.

Leiam, a seguir, artigo de Diogo Moyses na Terra Magazine sobre os desafios da 1ª CNC:

 

A Conferência Nacional de Comunicação

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação vai ocorrer entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília. Antes disso, devem acontecer etapas estaduais em praticamente todos os Estados, além de algumas etapas municipais.

O evento – que melhor se enquadraria no conceito de “processo”- é um marco na história política brasileira: enquanto muitas áreas de políticas públicas já realizaram diversas edições de suas conferências, a comunicação manteve-se até agora fora da lista de temas que mereciam ser discutidos de forma pública e transparente. É assim com a saúde, com a educação, com o meio ambiente, com a segurança pública e tantos outros assuntos. Por que haveria de ser diferente com a comunicação?

Historicamente – e isso não é segredo para ninguém – a comunicação tem sido tratada no Brasil como uma pauta privada, com portas sempre fechadas e bem trancadas. Empresas de rádio e televisão, assim como as empresas de telecomunicações sempre tiveram interlocução privilegiada com o poder público. Para elas, as portas estão invariavelmente abertas.

Defender os interesses da sociedade nesse campo sempre foi tarefa difícil. Por isso, a realização da 1ª Conferência foi e deve ser comemorada.

Mas, como já era esperado, o processo tem sido complexo: os empresários, conscientes de que possuem um relacionamento privilegiado com o Estado, se encarregam de tentar deslegitimar a iniciativa. Liderados pela Abert – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV -, muitos já inclusive pularam fora da comissão organizadora.

Não é de se estranhar. Afinal, para quem hoje manda e desmanda no governo e no Congresso, o que melhor pode acontecer é ficar tudo exatamente do jeito que está.

Mesmo buscando tornar a Conferência um evento de menor importância, os empresários obtiveram do governo o direito de indicar 40% dos delegados com direito a voto, percentual nunca visto em qualquer outra conferência. Com esta “representação”, terão o poder de veto a quaisquer resoluções que contrariem seus interesses, reduzindo drasticamente a capacidade da Conferência apontar diretrizes que realmente busquem democratizar as comunicações no Brasil.

Mesmo com essas limitações – que infelizmente contaram com a bênção de setores da sociedade civil – a Conferência ainda sim é um espaço importante de intervenção política, nem que seja para tornar o tema realmente presente no cotidiano da sociedade brasileira. Para um assunto quase sempre invisível, não é pouca coisa.

Entre as pautas a serem discutidas, duas merecem destaque.

O primeiro está relacionado às concessões de rádio e TV. Até hoje, ao contrário de todos os países desenvolvidos, o Brasil não possui instrumentos que permitam à sociedade participar dos processos de outorga e renovação das concessões. É fundamental, por isso, que a Conferência aponte caminhos para que os concessionários sejam fiscalizados e regulados como quaisquer outros prestadores de serviço público, sem que empresários e seus porta-vozes acusem estas iniciativas de censura. Não custa lembrar que censura e controle social são coisas completamente distintas, opostas até. Todas as democracias consolidadas no mundo sabem disso.

O segundo tema está relacionado à universalização da banda larga. O acesso do serviço por todos os cidadãos é um imperativo ético de nossos tempos. Se a exclusão digital é motor da perpetuação e radicalização das desigualdades já existentes, a universalização do acesso pode ser um motor para que essas desigualdades sejam reduzidas.

Se esta bandeira já foi praticamente apropriada por todos os setores (até as empresas de telecomunicações dizem que querem universalizar o serviço), o que está em debate é a forma de torná-la realidade, seja por meio das empresas que atualmente ofertam banda larga, seja por meio de uma empresa pública forte. Após anos de dominação do pensamento neoliberal, hoje (ufa!) já há condições de discutirmos soluções para além do mercado.

Mas os temas em debate na Conferência não se resumem a estes. Todos os outros também são de grande interesse da sociedade.

E, mesmo sabendo dos limites impostos ao debate em função do boicote empresarial e da passividade do governo, vale à pena participar. Pelo menos para mostrar que a sociedade não mais aceita que poucos mandem e desmandem em um setor tão importante para a democracia brasileira.

Fica o convite.

Caminhos para democratização da comunicação

Reproduzo abaixo a mensagem enviada ao blog por Daniel Dantas do De Olho no Discurso:

A teoria da comunicação e do jornalismo apontam, no mundo, os melhores caminhos para a democratização da comunicação. Basicamente, quatro pontos são reiterados como fundamentais eixos de orientação. O primeiro e mais fundamental é a auto-regulamentação da área, através da criação de mecanismos como um Conselho de Jornalistas. O segundo a necessidade de formação superior na área de comunicação para os profissionais da área – em cursos que abranjam de maneira integral uma boa formação teórica e prática, além de uma boa formação humana. O terceiro é o controle social da mídia através de um mecanismo como o já previsto na nossa Constituição: Conselho de Comunicação Social, com paridade entre poder público, sociedade civil, empresários. A Conferência da área este ano é um bom mecanismo. O quarto eixo é a liberdade de expressão – não necessariamente liberdade de imprensa ou de empresa.

Mobilização Pró-Conferência no RN

Reproduzo a seguinte mensagem enviada pelo amigo Daniel Valença sobre a mobilização potiguar Pró-Conferência Nacional de Comunicação:

Neste sábado (12), na UnP da Avenida Floriano Peixoto, das 9h às 17h, Conferência Livre de Democratização da Comunicação, para mobilização e acúmulo de debate político para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação.

Programação

Manhã: Palestras com João Emanuel (UFRN) ; Rudson (Intervozes); MST.

Tarde: Divisão em grupos de trabalho.

Almoço garantido pelo evento.

Conferência Nacional de Comunicação

Reproduzo, com atraso, post do Blog do Rovai sobre a publicação no Diário Oficial do regimento da Conferência Nacional de Comunicação:

 

Pró-Conferência

Foi publicado no Diário Oficial de hoje [03/09] o regimento da Conferência Nacional de Comunicação. A partir de agora, podem e devem começar as convocações das etapas estaduais que precisam ocorrer até o dia 8 de novembro. É uma corrida contra o tempo, já que a etapa nacional será em Brasília de 1 a 3 de dezembro.

A Confecom é uma conquista histórica e é fundamental garantir a participação do maior número possível de representantes da sociedade civil na sua construção. Se você quer participar no seu estado e/ou ajudar na mobilização na sua cidade, acesse informações a partir do site pró-conferência.

Nesse processo inicial, duas questões foram polêmicas. A primeira é que os empresários terão direito a 40% dos delegados na etapa nacional, a sociedade civil a mesma proporção e o governo 20%.

Dada a diferença no numero de empresários de comunicação e de movimentos sociais, é evidente que há uma distorção nessa paridade.

 

Alguém sabe como anda esse processo aqui no RN?

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