Embolando Palavras

Arquivo para a tag “Eleições”

Eleições, Shakespeare, Cascudo

As folhinhas do calendário passaram numa velocidade surpreendente até aqui. Estamos há apenas três meses das eleições que vão escolher o novo presidente do Brasil, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. É verdade que enquanto a Copa do Mundo rola nos campos da África do Sul, pouca  gente quer saber de política, eleições e candidatos. Mas, mesmo com todas as atenções voltadas para a seleção do Dunga, o jogo da luta pelo poder continua a ser jogado diariamente.

O desfecho deste enredo só será conhecido em 3 de outubro, talvez um pouco depois, se houver segundo turno. Mas os primeiros atos dessa história com inspiração shakespeariana (vide a tragédia “Rei Lear”) foram e continuam sendo encenados sem intervalo.

No plano nacional, o confronto entre Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) representa mais que a prosaica disputa para saber quem sucederá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto.

Como disse Emir Sader, as eleições vão definir se o governo petista foi uma exceção, um parêntese no modelo neoliberal, ou a sinalização para um novo modelo de sociedade, com foco nas questões sociais (leia-se distribuição de renda e combate à miséria) e com o Estado exercendo a função de protagonista do desenvolvimento.

Já aqui na província de Cascudo, a eleição se aproxima sem que os candidatos tenham dito ainda a que vieram. Por enquanto, ocupam-se com pantomimas  sem graça, que só servem para encher as páginas de blogs ainda mais sem graça, alinhados com um ou outro lado.

Neste Rio Grande do Norte, prevalecem ainda as pequenas ideias, as nulidades intelectuais e o silêncio cúmplice com os absurdos cometidos pelos mandatários de plantão.

Anúncios

O xadrez de 2010

Não deu pra comentar antes a pesquisa CNI/IBOPE, divulgada no início da semana, sobre a sucessão presidencial. Mas o assunto movimentou a blogosfera, gerou várias análises e dividiu opiniões. As interpretações variaram conforme as convicções políticas do freguês. Resumidamente, a pesquisa indicou que José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) caíram, enquanto Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) cresceram.

No principal cenário pesquisado, Serra lidera com 34%, Dilma e Ciro aparecem empatados com 14%, Heloisa Helena (PSOL) figura com 8% e Marina surge com 6%.

No segundo cenário, quando Aécio Neves (PSDB) substitui Serra, Ciro Gomes lidera com 25%, Dilma vem em seguida com 16%, Aécio com 12%, Heloísa Helena com 11% e Marina Silva com 8%.

Em outra simulação, sem Heloisa Helena na lista, Serra lidera com 35%, Ciro Gomes aparece com 17%, Dilma Rousseff soma 15% e Marina Silva, 8%. Com Aécio no lugar de Serra e sem Heloísa Helena, Ciro Gomes lidera com 28%, seguido de Dilma com 18%, Aécio com 13% e Marina Silva com 11%.

No levantamento que exlui Marina, Serra tem 34%, Ciro 17%, Dilma 15% e Heloisa Helena, 10%. Em relação às pesquisa anterior, realizada em junho, quando a senadora Marina Silva ainda não aparecia nas simulações, José Serra caiu 4% e Dilma Rousseff caiu 3%. Já Ciro Gomes cresceu 5% e Heloisa Helena, 3%. 

Agora vamos às análises sobre os números. Os comentaristas divergem sobre a importância das pesquisas nesta época, quando ainda falta mais de um ano para as eleições. Alguns afirmam que o jogo já começou pra valer, enquanto outros dizem que é cedo demais pra se prever alguma coisa. A imprensa tucana comemorou a queda da ministra Dilma Rousseff, mas procurou esconder o tombo do governador José Serra. Estratégia previsível. Faz parte da campanha para desacreditar a pré-candidatura da petista.

Dilma, como se sabe, há tempos enfrenta artilharia pesada, com a fabricação de sucessivos escândalos pela mídia. A mais recente armação foi o Linagate. Considerando esse longo processo de exposição desfavorável, associado à exploração desumana do câncer da ministra, a queda de Dilma Rousseff era esperada.

A mídia simpática aos tucanos se esforçou para fazer crer que a candidatura da ministra “naufragou”. Para isso, seguiram um roteiro pré-definido:

– Destacar que Dilma “caiu”, enquanto Serra apenas “oscilou negativamente”; 

– Enfatizar que Dilma tem a maior “rejeição” (40%), sem mencionar os 30% de reprovação ao candidato tucano;

– Não dizer, em hipótese alguma, que Dilma só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% — isso quer dizer que a ministra tem maior potencial de crescimento, principalmente quando ficar claro para a população que ela é a candidata do presidente mais popular da história do país (Lula, segundo a pesquisa, tem 81% de aprovação).

No blog Óleo do Diabo, Miguel do Rosário destacou o que chamou de “cacoetes” usados pela mídia na divulgação da pesquisa:

Quero destacar um ponto que ninguém parece ter percebido. No quadro mais importante, o que inclui Serra, Ciro Gomes, Dilma, Heloísa Helena e Marina, a imprensa repetiu ad infinitum que Ciro “ultrapassou” Dilma. Está claro que há uma tentativa, que não é de hoje, de romper a aliança PT-PMDB. O ponto que ninguém viu é que Ciro não está à frente de Dilma. Está em empate técnico. Ele tem 17%, ela tem 15%. Esses dois pontos percentuais correspondem à margem de erro. Para quem não sabe, a margem de erro embute um fator casual. Ou seja, é possível que a mesma pesquisa, se fosse realizada na mesma época, usando os mesmos métodos, mas entrevistando pessoas diferentes, poderia trazer Dilma à frente de Ciro.

 

Em relação à “rejeição” de Dilma, Miguel observou o seguinte:

Dilma Roussef só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% e Ciro Gomes, por 45%. Esses dados se conformam perfeitamente com os das outras pesquisas, que mostram o crescimento mais rápido de Dilma junto às classes educadas, com ensino superior e com renda mais alta, as quais, provavelmente, já sabem muito bem quem é Dilma e que ela deverá ser a candidata apoiada pelo presidente Lula. Cotejando a pesquisa com a sólida popularidade de Lula, as perspectivas de Dilma são as mais positivas. (…) Entre os  menos escolarizados, Lula tem aprovação de 88%. Para mim é evidente que, quando o presidente estiver liberado para participar do horário eleitoral e informar os cidadãos de que sua candidata é Dilma, este povão simples e honesto irá votar em peso nela. Mas Lula também tem aprovação de 71% entre os que tem curso superior completo ou mais, e 72% tanto entre os que ganham de 5 a 10 salários como os que ganham mais de 10 salários. Ou seja, mesmo entre o público alvo da grande imprensa, aqueles que mais consomem carros e adquirem imóveis nas capitais, Lula tem uma vasta e sólida aprovação. Repare ainda que a aprovação de Lula no Nordeste é de 90%, um índice jamais visto em nenhum país democrático, ainda mais para um governante em final de mandato, com todos os desgastes decorrentes daí.

 

No Vi o Mundo,Luiz Carlos Azenha escreveu que “a campanha eleitoral está em andamento”, mas acha que, por enquanto, toda movimentação ainda é “interna”:

José Serra precisa provar sua viabilidade eleitoral antes de obter o compromisso firme dos financiadores de campanha. Por isso trabalha para inflar Marina e Ciro e para limar, pela ordem, Aécio Neves e Dilma Rousseff. Nessa tarefa, conta com o inestimável apoio da maior parte da mídia corporativa.

Acho que as pesquisas de opinião pública valem muito pouco faltando mais de um ano para a eleição.

(…)

Romper a aliança entre PT e PMDB parece ser o grande objetivo estratégico de Serra. Para isso, ele precisa criar dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Dilma. É disso que se trata. Como analisou Rodrigo Vianna com acerto, anteriormente, é a UDN tentando romper o acordo entre PTB e PSD.

Com a economia brasileira bombando, a máquina do governo federal nas mãos, o apoio de Lula e do PMDB, Dilma Rousseff é uma candidata fortíssima, ainda que os números das pesquisas não reflitam isso ou tenham sido deturpados para não refletir isso — no que acredito, especialmente quando o IBOPE diz que Dilma tem uma taxa de rejeição de 40%. Tornar Dilma a vilã terrorista da classe média apenas repete o padrão do “medo” usado contra Lula, mas já é campanha eleitoral, sim. Clássica.

 

O Escrevinador Rodrigo Viana aposta que o personagem central desse xadrez político que começa a ser jogado agora com olhos voltados para 2010 é Ciro Gomes:

O que sei dizer é o seguinte: de fato, a maior parte da população não está pensando em eleição. O que não quer dizer que o jogo já não tenha começado.

Lá na frente, quando a grande massa de eleitores entrar em campo, parte do jogo já terá sido jogado.

Serra ou Aécio no PSDB?

Dilma com PMDB ou Dilma com Ciro?

Lula terá um ou dois candidatos?

Tudo isso começa a ser definido agora.

A minha tese central é que esse arranjo (ou dessarranjo?) de forças hoje tem um personagem central: Ciro Gomes.

Ele, e não Marina, pode mudar toda a estratégia eleitoral do governo.

Lula e o PT estão preparados para uma eleição plebiscitária: Dilma é Lula; Serra é o anti-Lula.

Ciro aparece nas pesquisas com força suficiente para manter sua candidatura. Uma candidatura lulista, mas fora da estratégia oficial do governo.

Vários leitores (aqui, e no blog do Azenha) acham que a candidatura Ciro serve aos interesses de Serra.

Discordo frontalmente. E, nesse ponto, discordo também do Azenha.

Para Serra – com sua máquina de dossiês e o apoio do PIG – é mais fácil centrar fogo em Dilma. É mais fácil colar nela a pecha de “inexperiente”, de “pau mandado de Lula” ou (para agradar a extrema-direita) de “terrorista”.

Se Ciro sair candidato, Serra terá dois adversários para bater. Serão dois contra um. Se centrar todo fogo em Dilma, Ciro cresce. Se bater muito em Ciro, vem a Dilma com apoio do Lula.

Esse é o ponto que trago para debate. Apesar de faltar muito tempo para as eleições, essa escolha será feita nos próximos meses (muito antes da Copa do Mundo e do Carnaval).

Fora isso, lembro também o papel de Aécio. Dentro do PT , há quem tema mais a candidatura dele do que a de Serra. Faz sentido. Ele tem condições de se apresentar não como “anti-Lula”, mas como o “pós-Lula”.

(…)

Mas o fato é que muita gente no PT avalia que Aécio pode mesmo ser um candidato mais difícil de derrotar, apesar de hoje estar atrás nas pesquisas.

Entre os tucanos, muita gente também sabe disso. Mas como tirar da corrida o governador de São Paulo, com mais de 30% de intenções de voto?

Isso tudo está em jogo, desde agora.

Aécio está se guardando “pra quando o carnaval chegar”. Serra (representante da neo-UDN) segue em sua estratégia de rachar a aliança PT-PMDB (que reproduz a velha aliança PSD-PTB).

Com a economia bombando, e a popularidade de Lula nas alturas (como lembra o Azenha), o PMDB dificilmente ficará contra a candidatura apoiada pelo lulismo. Seria suicídio. E o velho PSD (digo, PMDB) não é de cometer suicídio político.

Ciro já se lançou ao mar. Pode até não ser candidato. Mas, nesse caso, venderá mais caro para o lulismo o apoio do chamado bloquinho (PSB-PDT-PCdoB), o que pode atrapalhar (mas não inviabilizar) as negociações do PT com o PMDB.

Muito antes da final da Copa da África do Sul, tudo isso estará já acertado. 

 

Papo de Buteco

As opiniões acima são bastante críveis, principalmente porque levam em conta todas as variáveis que a mídia, em sua sanha pró-tucana, tentou esconder.

Mas como esse blog é democrático, vamos deixar a palavra de jornalistas e afins um pouco de lado para dar espaço à voz rouca das ruas e seus palpiteiros políticos.

Numa roda de amigos ontem à noite, ao som do chorinho, o papo sobre as eleições e a pesquisa do Ibope rolava solto. Destaco a opinião de um colega petista, preocupado com a situação: “Quando José Dirceu caiu, o partido (PT) ficou sem candidato natural. Naquele momento, Lula deveria ter preparado Marina Silva para ser sua sucessora. Marina tem a simpatia do povo e tem uma história de vida parecida com a dele (Lula). Mas Lula se isolou em sua popularidade e deu às costas ao PT. Aí decidiu ungir Dilma sua candidata, mas a ministra não cresce. Dilma não leva essa“, desabafou.

Este embolador ouviu a confissão de “medo” de outro petista, que também acredita que Lula errou ao escolher Dilma para ser sua candidata: “A candidata deveria ser Marina. O jogo não vai ser nada fácil. Corremos o sério risco de perder o governo para os tucanos e ver o país retroceder.”

É isso aí. A guerra vai ser dura mesmo.

AI-5 Digital: votação adiada

censura

O Senado aprovou ontem (9) o texto-base da reforma eleitoral, mas deixou para depois a votação sobre as restrições – eufemismo para censura – ao uso da internet nas coberturas das campanhas políticas a partir de 2010. O projeto, apelidado de AI-5 Digital, tem como relatores os senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE).

O projeto original recebeu críticas pesadas porque representaria,segundo os críticos, uma mordaça contra a liberdade de opinião através da internet. Fortemente acuados, os relatores apresentaram emenda para garantir a “livre manifestação do pensamento” em blogs e sites de relacionamento (como Orkut e Twitter), mas as restrições aos sites jornalísticos continuam valendo.

Pelo texto aprovado ontem, os candidatos à Presidência da República poderão fazer propaganda paga na internet, com algumas limitações sobre o tamanho e o número dos anúncios – cada candidato só poderá inserir até 24 propagandas durante a campanha.

Os sites serão obrigados a dedicar o mesmo espaço aos candidatos, além de não poderem emitir opinião sobre as eleições, como já ocorre nas emissoras de rádio e televisão.

A emenda que limita a atuação dos sites jornalísticos em período eleitoral será votada em separado. De acordo com a proposta dos senadores Eduardo Azeredo e Marco Maciel, os sites não poderão publicar notícias sobre nenhum candidato sem “motivo jornalístico que justifique” nem divulgar pesquisas eleitorais com “manipulação de dados, ainda que sob a forma de entrevista jornalística.”

A multa para quem infringir a lei varia de R$ 5 mil a R$ 30 mil. Para entrar em vigor em 2010, o projeto precisa ser aprovado até 30 de setembro e publicado no Diário Oficial até o dia 3 de outubro – exatamente um ano antes da próxima eleição.

Mesmo contra as evidências, Eduardo Azeredo, em entrevista à Terra Magazine, negou que o projeto tenha algo a ver com censura. “Não há, absolutamente, nenhuma censura à internet [ no projeto]”, declarou.

Resta perguntar quem vai determinar o que são esses “motivos jornalísticos” para que se aceite a publicação de notícias sobre os candidatos.

Folha e a campanha contra o PAC

A mídia conservadora segue engajada na tentativa de desacreditar o governo federal e suas realizações. Desde o lançamento do PAC, a imprensa a serviço da direita distorce informações para convencer o público do “fracasso” do programa.

A Folha de São Paulo deu mais um passo nessa estratégia. Na edição de hoje (8), o jornal vem com uma notícia que é um primor em manipulação.

Leiam a matéria e a seguir comento:

 

Trabalho escravo é flagrado em obra do PAC

Fiscais resgatam 98 trabalhadores em construção de usina no interior de Goiás

Em instalações sem cama nem banheiro, funcionários trabalhavam em troca de comida, acumulavam dívidas e não recebiam salários

EDUARDO SCOLESE

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Fiscais do governo federal e do Ministério Público do Trabalho encontraram e resgataram 98 trabalhadores em regime análogo à escravidão numa obra que integra o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), no sul de Goiás.
A partir de uma denúncia, a ação de procuradores e de auditores do Ministério do Trabalho numa usina hidrelétrica começou no início da semana passada e somente foi concluída na madrugada de anteontem, quando os trabalhadores foram indenizados e puderam retornar às suas casas.
A construção da usina Salto do Rio Verdinho é de responsabilidade da Votorantim Energia, braço do Grupo Votorantim, e tem o apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que no final do ano passado injetou cerca de R$ 250 milhões na sua implantação.
Planalto e PT apostam no PAC como uma vitrine da candidatura petista para a sucessão de Lula no ano que vem. Na semana passada, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata petista a presidente, aproveitou um evento sobre saneamento para, em discurso, falar das preocupações sociais e ambientais do programa. Ela chegou a compará-lo ao Bolsa Família.
O PAC, porém, é um motivo de reservas a Dilma por parte de movimentos sociais e de ambientalistas, caso do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Eles avaliam que o programa prioriza a geração de emprego e o crescimento da economia sem levar em conta as condições socioambientais.
Procurada ontem, a Casa Civil não se manifestou sobre o flagrante da fiscalização.

Sem salário e banheiro
O resgate na usina ocorreu nos limites dos municípios de Caçu e Itarumã (a cerca de 370 km de Goiânia). Sem salários e instalados em alojamentos precários (sem cama e banheiro), os trabalhadores atuavam no desmate e na limpeza de uma antiga fazenda que será usada como reservatório de água, assim que as comportas da usina forem abertas.
A contratação deles ocorreu por meio de “gatos” (como são chamados os aliciadores de mão-de-obra degradante) ligados a uma empresa terceirizada que já atuava na obra quando o Grupo Votorantim assumiu o projeto, em 2007 -a obra começou em 2005.
Um desses “gatos” oferecia alimentos aos trabalhadores, mas, como esses não recebiam salários e estavam sem dinheiro, eram obrigados a acumular dívidas em troca da comida -uma forma de mantê-los sob “escravidão”, já que não podiam sair sem quitar as contas.
Contratada para a limpeza do terreno, a empresa (Construtora Lima e Cerávolo, com sede no sul do Piauí) foi buscar os trabalhadores no interior de Mato Grosso e de Minas. Desde que chegaram, a partir de maio, não receberam salários.
Diante do flagrante, o Grupo Votorantim assumiu as dívidas com os 98 trabalhadores e com outros 30, da região, que souberam da ação e aproveitaram para cobrar dívidas anteriores. O grupo desembolsou R$ 420 mil com as rescisões, alugou ônibus para o transporte deles a MT e MG e decidiu rescindir o contrato com a empresa.

 

A análise da arquitetura da matéria ajuda a revelar o propósito subliminar desse factóide: começa com a denúncia de trabalho escravo e, em seguida, dá uma guinada política quando diz que o PAC será usado como vitrine pelo governo na sucessão presidencial. É a deixa para citar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), responsável pelo gerenciamento do programa. O repórter lembra que a ministra é pré-candidata do PT à eleição presidencial. Pronto: Dilma é a responsável pelo trabalho escravo.

A Folha esticou a corda de maneira grotesca e irresponsável. Primeiro vem a notícia negativa, depois a associação da notícia à ministra Dilma Rousseff para tentar desgastá-la. A matéria força a barra para enganar o leitor fazendo-o crer que caberia à Casa Civil fiscalizar a execução das obras do PAC, quando, na verdade, essa é uma tarefa de outros órgãos, como Ministério do Trabalho, Ministério Público Federal e IBAMA, entre outros.

Luis Nassif demonstrou com precisão como a notícia foi manipulada:

 

Vamos ver onde o repórter Scolese peca por desinformação e onde peca por má fé:

Por desinformação

1. Qualquer obra do PAC é de responsabilidade civil e criminal do seu executor.

2. A fiscalização cabe aos órgãos competentes – Ministério do Trabalho, Ministério Público Federal, IBAMA etc., não à Casa Civil, que coordena o PAC, nem à Fazenda, que libera os recursos.

3. Pela matéria, as empresas responsáveis foram autuadas.

Por má fé

No pé da matéria, diluídas no texto as seguintes informações:

1. A tal obra começou em 2005, tocada pela Construtora Lima e Cerávolo – que praticou o chamado “trabalho escravo”.

2. A Votorantim assumiu a obra em 2007. Rompeu o contrato com as terceirizadoras de mão de obra e já indenizou os 98 trabalhadores que haviam ingressado com a ação. Portanto, o problema já foi solucionado há dois anos.

3. O PAC começou em 2007 – quando o problema já estava solucionado. O repórter Scolese poderia estar desinformado quanto à responsabilidade do PAC nas obras. Não estava quanto ao ano em que o problema foi solucionado e o ano em que o PAC começou.

4. As repórtes Andrea Michel e Laura Capriglione, na Folha, mostram que há espaço para matérias jornalísticas dignas do nome.

ERRATA

Houve um engano na minha leitura sobre a data da solução do problema. Segundo a matéria, a Votorantim só resolveu a questão após o flagrante da semana passada.

 

Alguém ainda acredita na isenção do PIG?

AI-Digital: Azeredo diz que limite à web foi votado “sem querer”

BRASÍLIA (Folhapress) – Um dos relatores da reforma eleitoral, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) reconheceu ontem que os senadores votaram “sem perceber” o artigo que cria obstáculos à cobertura da internet, e prometeu apresentar emenda limitando as restrições apenas a debates entre candidatos. “Não tenho receio de recuar quando necessário, mas nesse caso estou apenas esclarecendo um ponto que havia sido aprovado pela Câmara e passou despercebido pelos senadores”, afirmou.

Ele se refere à sessão conjunta das comissões de Ciência e Tecnologia e de Constituição e Justiça do Senado, na última quarta-feira, em que foi mantido texto da Câmara submetendo a cobertura eleitoral da internet às mesmas regras impostas a TVs e rádios – que são concessões públicas. Por essa regra, sites, portais e blogs noticiosos não poderiam emitir opinião durante a campanha nem realizar entrevistas individualizadas com candidatos. Também poderiam ter problemas ao exibir charges.

Azeredo agora deve apresentar emenda liberando mais o trabalho da internet, com exceção de debates transmitidos em vídeo e áudio na rede mundial de computadores. Nesses casos, o sites teriam de seguir as regras de TVs e rádios: candidatos de partidos com no mínimo dez parlamentares no Congresso teriam de ser obrigatoriamente convidados.

Mesmo essa restrição pode cair. O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), propôs emenda autorizando totalmente a cobertura eleitoral pela internet. Também propõe que seja eliminada a regra pela qual sites e blogs de candidatos e partidos têm de sair do ar 48 horas antes da eleição. Uma terceira emenda do petista pretende acabar com a exigência de que institutos de pesquisa sigam metodologia fornecida pelo IBGE.

A votação no plenário do Senado deve ocorrer na terça-feira. Como haverá modificação com relação ao texto da Câmara, o projeto novamente será votado pelos deputados, que, em tese, podem novamente mudar tudo.

Para que isso não ocorra, Azeredo e o relator da reforma na Câmara, Flávio Dino (PCdoB-MA), já estão conversando para tentar chegar a um consenso. “É importante buscarmos um marco regulatório da internet, como têm as outras mídias.” 

 

Protógenes é do PCdoB

O delegado Protógenes Queiroz vai ingressar no PCdoB, será candidato em 2010 e apoiará o nome indicado pelo presidente Lula para a Presidência da República.

É que o revela o próprio delegado em entrevista a Bob Fernandes e Claudia Leal na Terra Magazine:

Delegado Protógenes vai anunciar ingresso no PCdoB e é notificado pela PF

O delegado Protógenes Queiroz chegou há pouco ao Hotel São Paulo Inn, na Santa Efigênia, centro da cidade, onde agora discursa em cerimônia de ingresso no PCdoB. À porta do hotel, esperava a viatura da Polícia Federal de placa DPF-9952.

Protógenes foi notificado de Processo Administrativo Disciplinar sobre o caso Paulo Maluf, que foi desarquivado. Agora são seis processos contra ele na PF. Segundo o delegado, são processos que podem gerar demissão ou suspensão. Na última segunda-feira, 31, ele passou a tarde toda depondo na PF.

Foram duas as intimações. A sobre o caso Maluf chegou pelo fax do hotel São Paulo Inn. A outra, referente ainda à Satiagraha, foi entregue por um agente da PF.

Ao receber a notificação, sorrindo, o delegado disse para o constrangido agente:

– O voo tá rápido, heim?

Referia-se certamente às ordens emanadas da direção da Polícia Federal em Brasília.

Terra Magazine

Isolado dentro da própria Polícia Federal durante a operação que prendeu Daniel Dantas & Cia, atacado por setores do governo federal, Protógenes anuncia:

– Firmei um compromisso de estar na base aliada do presidente Lula.

Leia entrevista:

Terra Magazine – Por que o PCdoB?
Protógenes Queiroz –
Porque é um partido que tem um projeto nacional com o qual eu mais me identifico. Eu e um grupo suprapartidário que me acompanha já há meses. Que entre outras bandeiras, defende a riqueza do Brasil para os brasileiros e o combate à corrupção.

O senhor conversou com vários partidos, eu soube que inclusive com o PT…
Sim, conversei com vários partidos, inclusive o PT e mais de uma vez. Anteontem tive uma conversa fraterna com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, firmei um compromisso de estar na base aliada do presidente Lula, que iniciou um projeto de transformações reais do país.

O senhor será candidato por qual estado?
Por São Paulo.

 

E a quê, deputado ou senador?
Como te disse, há um grupo suprapartidário que há muitos meses caminha junto e vários deles ingressarão também no PCdoB. Ainda não está definido, meses antes da eleição é que essa decisão será tomada, mas vamos manter a continuidade da agenda.

Vox Populi:Dilma lidera em alguns Estados

Do portal aquiacontece:

O jornal “O Globo” apresentou a informação que o governador Aécio Neves (MG) está fazendo circular entre os dirigentes do PSDB pesquisa do instituto Vox Populi com números que podem ser considerados ruins para a candidatura tucana.

Em um primeiro cenário o governador José Serra (SP) lidera a disputa, mas já está atrás da ministra Dilma Rousseff na Bahia (32% x 22%) e em Pernambuco (32% x 24%). Também está atrás do Ciro Gomes (PSB-CE) no Rio de Janeiro (19% x 16%). O governador tucano vence Dilma em Minas Gerais (33% x 18%) e em São Paulo (40% x 17%).

Em um outro cenário Aécio lidera em Minas contra Dilma (68% x 10%) e tem leve desvantagem em São Paulo (18% x 14%). Duas mil pessoas foram ouvidas entre 31 de julho e 4 de agosto.

Navegação de Posts