Embolando Palavras

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Folha publica comentário preconceituoso contra nordestinos

Uma pequena matéria postada no site da Folha.com, sobre o desafio que o ex-presidente FHC fez ao seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, convidando-o a disputar outra eleição contra ele, rendeu quase 1200 comentários. Em entrevista a um programa de rádio, FHC mandou o seguinte recado para Lula: “Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo.

O devaneio de FHC, porém, tem pouca — para não dizer nenhuma — importância. O que despertou minha atenção e indignação foi o comentário de um leitor, identificado como Ivo Antonio, prontamente publicado pela Folha.com.

Eleitor declarado do tucano, Ivo se referiu aos nordestinos, em tom pejorativo, como aqueles que “tem (sic) como prato preferido farinha e de sobremesa rapadura” e completou afirmando que, se os moradores dessa região não pudessem votar, FHC derrotaria Lula.

SE OS QUE TEM COMO PRATO PREFERIDO FARINHA E DE SOBREMESA RAPADURA. NAO PODER VOTAR. E CONTAR MENTIRA.(onde o molusco e imbativel) ABRO APOSTO E DOU 2 POR 1 A FAVOR DO FHC“, escreveu o leitor, que, como se vê, não domina bem as normas gramaticais.

O comentário reflete o velho preconceito que vigora em camadas do Sul e do Sudeste do Brasil contra os habitantes do Norte e do Nordeste. Ele não citou os nordestinos, mas ao mencionar a farinha e a rapadura, dois ingredientes muito usados na culinária regional, deixou explícito a quem estava se referindo.

Particularmente, não considero ofensa ser chamado de comedor de farinha ou de rapadura. Tenho orgulho da minha condição de nordestino, da herança cultural dessa terra e da capacidade de resistência desse povo historicamente esquecido. Não custa lembrar as sábias palavras de Euclides da Cunha, segundo quem “O sertanejo é, antes de tudo, um forte“.

Mas o comentário do leitor da Folha.com nada tem a ver com o reconhecimento da riqueza cultural dos nordestinos — o que inclui os elementos da nossa culinária, com seus cheiros e sabores apreciados por gente do mundo inteiro. Ele destilou preconceito em cada palavra. É o típico pensamento de setores do Sul e do Sudeste que se julgam superiores aos habitantes das demais regiões do país.

Na eleição de 2010, esse pensamento aflorou com força. Inconformados com a derrota de José Serra (PSDB), os conservadores propagaram a falsa tese de que Dilma Rousseff (PT) só teria sido eleita em função dos votos do Norte e do Nordeste. Mas um levantamento com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que a petista derrotaria o tucano mesmo se fossem computados apenas os votos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A xenofobia da elite e da classe média burguesa do Sul e do Sudeste contra os nordestinos não é novidade. Em São Paulo, há um movimento batizado de “SP para Paulistas” que, em manisfesto na internet, defende, entre outros pontos, limites à migração nordestina.

Uma das integrantes do movimento, a estudante de Direito Mayara Petrusco declarou no Twitter, logo após a vitória de Dilma, que “nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado“. A declaração lhe rendeu  uma denúncia junto ao Ministério Público Federal, apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Pernambuco (OAB-PE). Para a entidade, o ato configurava os crimes de racismo e de incitação pública à pratica delituosa, no caso, homicídio.

Outra integrante do movimento, a atendente de suporte técnico Fabiana Pereira, 35 anos, afirmou que “São Paulo sustenta o Bolsa Família”, o que, em sua opinião, contribui para atrair nordestinos para a cidade. “São Paulo sustenta e eles (nordestinos) decidem quem vai nos governar”, declarou a jovem, em entrevista à Terra Magazine.

O próprio José Serra, quando era governador de São Paulo, em entrevista ao SP TV da Rede Globo, chegou a culpar os migrantes nordestinos pela baixa qualidade de ensino em seu Estado.

É lamentável que isso ainda ocorra no Brasil. É igualmente lamentável que políticos utilizem deste artifício para conquistar votos. Mas é ainda mais triste que veículos como a Folha abram espaço para esses xenófobos exalarem seu preconceito.

O erro de FHC

Deu no tosabendo.com:

FHC comete erro de português em artigo

Diante da grande polêmica gerada pelo artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em que defende a tese de que o que o PSDB deve desistir do “povão” e das “massas carentes e pouco informadas”, um erro de ortografia passou despercebido. Apenas seis dias depois da divulgação, a colunista Mônica Bergamo, da Folha, observou que, ao comentar a situação econômica, FHC diz que “existe -ou existiu até a pouco- certa folga fiscal“. O correto é “existiu até há pouco”, com H, já que o sentido é “faz pouco tempo”. O texto foi distribuído para sites e blogs e também estava no site do PSDB.

Quer dizer que o príncipe dos sociólogos comete erros de português? É incrível. Há algo muito errado no ninho tucano. Aécio Neves tem carteira de habilitação apreendida por dirigir bêbado, FHC derrapando na gramática… O que é isso, senhores? Estão jogando na lama a tradição da nossa elite burguesa?

Rodrigo Vianna: “FHC quer o subtucanismo sem povo”

Do Escrevinhador

Em algum momento, lá pelo fim do segundo mandato de Lula, quando o presidente operário bateu em níveis inacreditáveis de popularidade, FHC foi tomado pelo pânico. Escreveu, então, um artigo (acho que no “Estadão”) qualificando o lulismo de “subperonismo”.

Quem conhece a Argentina e o Brasil sabe que no país vizinho Perón é uma presença ainda hoje dominante na política. Curioso: os argentinos desmontaram o Estado criado por Perón (e o autor do desmonte foi, esse sim, um subperonista – Carlos Menem, homem de costeletas largas e pensamentos curtos), mas o peronismo persiste como referência quase mítica no discurso político.

Nós, brasileiros, somos mais pragmáticos. Aqui, Vargas praticamente sumiu do imaginário popular. Mas sobrevive no Estado brasileiro – que FHC tentou desmontar. Vocês se lembram? Em 94, pouco antes de assumir a presidência, o tucano disse que uma das tarefas no Brasil era “enterrar a era Vargas”. Não conseguiu. Vargas sobrevive no BNDES, na Previdência Social, no salário-mínimo, na Petrobrás, nos sindicatos. O Brasil moderno foi construído sobre os alicerces deixados por Vargas. FHC gostaria de tê-los dinamitado.

Agora, o ex-presidente tucano reaparece. Não para tentar desqualificar o lulismo. Mas para lançar um alerta. Ele teme que as “oposições” se percam ”no burburinho [êpa, cuidado Stanley!!!] das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo“…. E pede que os tucanos deixem pra lá essa história de falar com o povão, e concentrem-se nas classes médias.

Literalmente, em artigo que acaba de ser publicado, o ex-presidente afirma:

“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.”

FHC lança, assim, as bases do “subtucanismo”.

Em algum momento, quando ainda estava no poder, ele havia dito: “esqueçam o que escrevi”. Agora, escreve: “esqueçam o povão”.

Mas o subtucanismo de FHC não deve ser desprezado. Ele parte de uma constatação real, concreta. A de que a oposição (que se refugiou no discurso moralista da classe média) pode perder também esse quinhão. O ex-presidente e ex-sociólogo afirma que a tarefa da oposição é de uma “complexidade crescente a partir dos primeiros passos do governo Dilma que, com estilo até agora contrastante com o do antecessor, pode envolver parte das classes médias.”

Aqui nesse blog, ainda nas primeiras semanas de governo Dilma, escrevi um pequeno texto, intitulado “PT rumo ao centro e oposição na UTI”. Duvido que FHC tenha se rebaixado, e lido o subjornalismo que aqui praticamos. Mas, curiosamente, era mais ou menos isso que eu afirmava naquele post:

É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro! Isso sufoca a direita e a oposição.

Minha subanálise, baseada em subobservações dos primeiros movimentos de Dilma, avançava um pouco mais:

Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno de 2010. Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente.

Carta Capital: Relatório da PF não confirma “mensalão”

Por Leandro Fortes

O escândalo do mensalão voltou à cena. Em páginas recheadas de gráficos, infográficos, tabelas e quadros de todos os tipos e tamanhos, a revista Época anunciou, na edição que chegou às bancas no sábado 2, ter encontrado a pedra fundamental da mais grave crise política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2005 e 2006. Com base em um relatório sigiloso da Polícia Federal, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, a  semanal da Editora Globo concluiu sem mais delongas: a PF havia provado a existência do mensalão e o uso de dinheiro público no esquema administrado pelo publicitário Marcos Valério de Souza. Outro aspecto da reportagem chamada atenção: o esforço comovente em esconder o papel do banqueiro Daniel Dantas no financiamento do valerioduto. Alguns trechos pareciam escritos para beatificar o dono do Opportunity, apresentado como um empresário achacado pela sanha petista por dinheiro.

As provas do descalabro estariam nas 332 páginas do inquérito 2.474, tocado pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, da Divisão de Combate a Crimes Financeiros da PF e encaminhado ao ministro Joaquim Barbosa, relator no STF do processo do  “mensalão”. Inspirados no relato de Época,  editorialistas, colunistas e demais istas não tiveram dúvidas: o mensalão estava provado. Estranhamente, a mesma turma praticamente silenciou a respeito dos trechos que tratavam de Dantas.

Infelizmente, os leitores de Época não foram informados corretamente a respeito do conteúdo do relatório escrito, com bastante rigor e minúcias, pelo delegado Zampronha. Em certa medida, sobretudo na informação básica mais propalada, a de que o “mensalão” havia sido confirmado, esses mesmos leitores foram enganados. Não há uma única linha no texto que confirme a existência do tal esquema de pagamentos mensais a parlamentares da base governista em troca de apoio a projetos do governo no Congresso Nacional.

Ao contrário. Em mais de uma passagem, o policial faz questão de frisar que o inquérito, longe de ser o “relatório final do mensalão”, é uma investigação suplementar do chamado “valerioduto”, solicitada pela Procuradoria Geral da República, para dar suporte à denúncia inicial, esta sim baseada na tese dos pagamentos mensais. Trata, portanto, da complexa rede de arrecadação, distribuição e lavagem de dinheiro sujo montada por Marcos Valério. Zampronha teve, inclusive, o trabalho de relatar como esse esquema a envolver financiamento ilegal de campanha e lobbies privados começou em 1999, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, e terminou em 2005, na administração Lula, após ser denunciado pelo deputado Roberto Jefferson, do PTB. Ao longo do texto, fica clara a percepção do delegado de que nunca houve “mensalão” (o pagamento mensal a parlamentares), mas uma estratégia mafiosa de formação de caixa 2 e que avançaria sobre o dinheiro público de forma voraz caso não tivesse sido interrompida pela eclosão do escândalo.

Na quarta-feira 6, CartaCapital teve acesso ao relatório. Para não tornar seus leitores escravos da interpretação exclusiva da reportagem que se segue, decidiu publicar na internet (www.cartacapital.com.br) a íntegra do documento. Assim, os interessados poderão tirar suas próprias conclusões. Poderão verificar, por exemplo, que o delegado ateve-se a identificar as fontes de financiamento do valerioduto. E mais: notar que Dantas é o principal alvo do inquérito.

Ao contrário do que deu a entender a revista Época, não se trata do “relatório final” sobre o mensalão. Muito menos foi encomendado pelo ministro Barbosa para esclarecer “o maior escândalo de corrupção da República”, como adjetiva a semanal. Logo na abertura do relatório, Zampronha faz questão de explicar – e o fará em diversos trechos: a investigação serviu para consolidar as informações relativas às operações financeiras e de empréstimos fajutos do “núcleo Marcos Valério”. Em seguida, trata, em 36 páginas (mais de 10% de todo o texto), das relações de Marcos Valério com Dantas e com os petistas. À página 222, anota, por exemplo: “Pelos elementos de prova reunidos no presente inquérito, contata-se que Marcos Valério atuava como interlocutor do Grupo Opportunity junto a representantes do Partido dos Trabalhadores, sendo possível concluir que os contratos (de publicidade) realmente foram firmados a título de remuneração pela intermediação de interesse junto a instâncias governamentais”.

O foco sobre Dantas não fez parte de uma estratégia pessoal do delegado. No fim do ano passado, a Procuradoria Geral da República determinou à PF a realização de diligências focadas no relacionamento do valerioduto com as empresas Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular.  As três operadoras de telefonia, controladas à época pelo Opportunity, mantinham vultosos contratos com as agências DNA e SMP&B de Marcos Valério. Zampronha solicitou todos os documentos referentes a esses pagamentos, tais como contratos, recibos, notas fiscais e comprovantes de serviços prestados. A conclusão foi de que a dupla Dantas-Valério foi incapaz de comprovar os serviços contratados.

As análises financeiras dos laudos periciais encomendados ao Instituto Nacional de Criminalística da PF revelaram que, entre 1999 e 2002, no segundo governo FHC, apenas a Telemig Celular e a Amazônia Celular pagaram às empresas de Marcos Valério, via 1.169 depósitos em dinheiro, um total de 77,3 milhões de reais. Entre 2003 e 2005, no governo Lula, esses créditos, consumados por 585 depósitos das empresas de Dantas, chegaram a 87,4 milhões de reais. Ou seja, entre 1999 e 2005, o banqueiro irrigou o esquema de corrupção montado por Marcos Valério com nada menos que 164 milhões de reais. O cálculo pode estar muito abaixo do que realmente pode ter sido transferido, pois se baseia no que os federais conseguiram rastrear.

Segundo o relatório, existem triangulações financeiras típicas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro. Em uma delas, realizada em 30 de julho de 2004, a Telemig Celular pagou 870 mil reais à SMP&B, depósito que se somou a outro, de 2,5 milhões de reais, feito pela Brasil Telecom. O total de 3,4 milhões de reais serviu de suporte para transferências feitas em favor da empresa Athenas Trading, no valor de 1,9 milhão de reais, e para a By Brasil Trading, de 976,8 mil reais, ambas utilizadas pelo esquema de Marcos Valério para mandar dinheiro ao exterior por meio de operações de câmbio irregulares, de modo a inviabilizar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos. Em consequência, Zampronha repassou ao Ministério Público Federal a função de investigar se houve efetiva prestação de serviços por parte das agências de Marcos Valério às empresas controladas pelo Opportunity.

A principal pista da participação de Dantas na irrigação do valerioduto surgiu, porém, a partir de uma auditoria interna da Brasil Telecom, realizada em 2006. Ali demonstrou-se que, às vésperas da instalação da CPMI dos Correios, em 2005, na esteira do escândalo do “mensalão” e no momento em que a permanência do Opportunity no comando da telefônica estava sob ameaça, a DNA e a SMP&B celebraram com a BrT contratos de 50 milhões de reais. Dessa forma, as duas empresas de Marcos Valério puderam, sozinhas, abocanhar 40% da verba publicitária da Brasil Telecom. Isso sem que a área de marketing da operadora tivesse sido  consultada.

Ao delegado, Dantas afirmou que, a partir de 2000, ainda no governo FHC, passou a “sofrer pressões” da italiana Telecom Italia, sócia da BrT. Em 2003, já no governo Lula, o banqueiro afirma ter sido procurado pelo então ministro-chefe da Casa Civil, o ex-deputado José Dirceu, com quem teria se reunido em Brasília.

Na conversa com Dirceu, afirma Dantas, o ministro teria se mostrado interessado em resolver os problemas societários da BrT e encerrar o litígio do Opportunity com os fundos de pensão de empresas estatais. O Palácio do Planalto teria escalado o então presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb, para cuidar do assunto. Casseb viria a ser um dos alvos da arapongagem da Kroll a pedido do Opportunity. O caso, que envolveu a espionagem de integrantes do governo FHC e da administração Lula, baseou a Operação Chacal da PF em 2004.

Dantas afirmou ter se recusado a “negociar” com o PT. Após a recusam acrescenta, as pressões aumentaram e ele teria começado a ser perseguido pelo governo. Mas o banqueiro não foi capaz de provar nenhuma das acusações, embora seja claro que petistas se aproveitaram da guerra comercial na telefonia para extrair dinheiro do orelhudo. Só não sabiam com quem se metiam. Ou sabiam?

O fundador do Opportunity também repetiu a versão de que um de seus sócios, Carlos Rodemburg, havia sido procurado pelo então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, acompanhado de Marcos Valério, para ser informado de um déficit de 50 milhões de reais nas contas do partido. Teria sido uma forma velada de pedido de propina, segundo Dantas, nunca consolidado. O próprio banqueiro, contudo, admitiu que Delúbio não insinuou dar nada em troca da eventual contribuição solicitada. Negou, também, que tenha mantido qualquer relação pessoal ou comercial com Marcos Valério, o que, à luz das provas recolhidas por Zampronha, soam como deboche. “O depoimento de Daniel Dantas está repleto de respostas evasivas e esquecimentos de datas e detalhes dos fatos”, informou no despacho ao ministro Barbosa.

Chamou a atenção do delegado o fato de os contratos da BrT com as agências de Marcos Valério terem somado os exatos 50 milhões de reais que teriam sido citados por Delúbio no encontro com Rodemburg. Para Zampronha, a soma dos contratos, assim como outras diligências realizadas pelo novo inquérito, “indicam claramente” que, por algum motivo, o Grupo Opportunity decidiu efetuar os repasses supostamente solicitados por Delúbio, com a intermediação das agências de Marcos Valério, como forma de dissimular os pagamentos.

Os contratos da DNA e da SMP&B com a Brasil Telecom, segundo Zampronha, obedecem a uma sofisticada técnica de lavagem de dinheiro, usada em todo o esquema de Marcos Valério, conhecida como commingling (mescla, em inglês). Consiste em misturar operações ilícitas com atividades comerciais legais, de modo a permitir que outras empresas privadas possam se valer dos mesmos mecanismos de simulação e superfaturamento de contratos de publicidade para encobrir dinheiro sujo. No caso da BrT, cada um dos contratos, no valor de 25 milhões de reais, exigia contratação de terceiros para serem executados. Além disso, havia a previsão de pagamento fixo de 187,5 mil reais mensais às duas agências do Valerioduto, referente à prestação de serviços de “mídia e produção”.

Surpreendentemente, e contra todas as evidências, Dantas disse nunca ter participado da administração da BrT. Por essa razão, não teria condições de prestar qualquer informação sobre os contratos firmados pela então presidente da empresa, Carla Cicco, indicada por ele, com as agências de Marcos Valério. De volta a Itália desde 2005, Carla Cicco informou à PF não ter tido qualquer participação ou influência na contratação das agências, apesar de admitir ter assinado os contratos. Disse ter se encontrado com Marcos Valério uma única vez, numa reunião de trabalho com representantes da DNA.

O protagonismo de Dantas no valerioduto e o desmembramento da rede de negócios montada por Marcos Valério, desde 1999, nos governos do PSDB e do PT são elementos que, no relatório da PF, desmontam, por si só, a tese do pagamento de propinas mensais a parlamentares. Ou seja, a tese do “mensalão”, na qual se baseou a denúncia da PGR encaminhada ao Supremo, não encontra respaldo na investigação de Zampronha, a ponto de sequer ser considerada como ponto de análise.

O foco do delegado é outro crime, gravíssimo e comum ao sistema político brasileiro, de financiamento partidário baseado em arrecadação ilícita, montagem de caixa 2 e, passadas as eleições, divisão ilegal de restos de campanha a aliados e correligionários. Por essa razão, ele encomendou os novos laudos detalhados ao INC.

Uma das primeiras conclusões dos laudos de exame contábil foi que Marcos Valério usava a DNA Propaganda para desviar recursos do Fundo de Incentivo Visanet, empresa com participação acionária do Banco do Brasil, e distribui-los aos participantes do esquema do PT e de partidos aliados. O fundo foi criado em 2001 com o objetivo de financiar ações de marketing para incentivar o uso de cartões da bandeira Visa. O Visanet foi, inicialmente, constituído com recursos da Companhia Brasileira de Meios e Pagamentos (CBMP), nome oficial da empresa privada Visanet, e distribuído em cotas proporcionais de um total de 492 milhões de reais a 26 acionistas. Além do BB participam o Bradesco, Itaú, HSBC, Santander, Rural, e até mesmo o Panamericano, vendido recentemente por Silvio Santos ao banqueiro André Esteves. “Para operar tais desvios, Marcos Valério aproveita-se da confusão existente entre a verba oriunda do Fundo de Incentivo Visanet e aquela relacionada ao orçamento de publicidade próprio do Banco do Brasil”, anotou o policial.

O BB repassava mais de 30% do volume distribuído pelo fundo, cerca de 147,6 milhões de reais, valor correspondente à participação da instituição no capital da Visanet. Desse total, apenas a DNA Propaganda recebeu 60,5% do dinheiro, cerca de 90 milhões de reais, entre 2001 e 2005, divididos por dois anos no governo FHC, e por dois anos e meio, no governo Lula. Daí a constatação de que, de fato, por meio da Visanet, o valerioduto foi irrigado com dinheiro público. O que nunca se falou, contudo, é que essa sangria não se deu somente durante o governo petista, embora tenha sido nele o período de maior fartura da atividade criminosa. Quando eram os tucanos a coordenar o fundo, Marcos Valério meteu a mão em ao menos 17,2 milhões de reais.

De acordo com o relatório da PF, Marcos Valério tinha consciência de que agências de publicidade e propaganda representavam um mecanismo eficaz para desviar dinheiro público, por conta do caráter subjetivo dos serviços demandados. Mas havia um detalhe mais importante, como percebeu Zampronha. Com as agências, Valério passou a lidar com a compra de espaços publicitários em diversos veículos de comunicação. “Esta relação econômica estreitava o vínculo do empresário com tais veículos e poderia facilitar o direcionamento de coberturas jornalísticas”.

As Organizações Globo, proprietária da revista Época, sonegou a seus leitores, por exemplo, ter sido a maior beneficiária de uma das principais empresas do valerioduto. À página 68 do relatório, e em outras tantas, a TV Globo é citada explicitamente. Escreve o delegado: “A nota emitida pela empresa de comunicação destaca-se por sua natureza fiscal de adiantamento, “publicidade futura”, isto é, a nota por si só não traz qualquer prestação de serviço, como também não há elementos que vincule os valores adiantados ao fundo de incentivo Visanet”. Zampronha se referia a contratos firmados em 2003 no valor de 720 mil reais e 2,88 milhões de reais. Entre 2004 e 2005, a TV Globo receberia outros pagamentos da DNA, no valor total de 1,2 milhão de reais, lançados na planilha de controle do Fundo Visanet.

Mesmo tratado com simpatia na reportagem da Época, o Opportunity não perdoou. No item 17 de uma longa nota oficial em resposta, o banco atira: “Na Telemig, segundo informações prestadas à CPI do Mensalão, a maioria dos recursos eram repassados às Organizações Globo. Por isso, a apuração desses fatos fica fácil de ser feita pela Época.”

Segundo Zampronha, o objetivo do valerioduto era criar empresas de fachada para auxiliar na movimentação de dinheiro sujo e manter os interessados longe dos órgãos oficiais de fiscalização e controle. O leque de agremiações políticas para as quais Marcos Valério “prestava serviços” era tão grande que não restou dúvida ao delegado: “Estamos diante de um profissional sem qualquer viés partidário”. Isso não minimiza o fato de o PT, além de qualquer outra legenda, ter se lambuzado no esquema. Não fosse a denúncia de Jefferson, o valerioduto teria se inscrutado de forma absoluta no Estado brasileiro e se transformado em uma torneira permanemente aberta por onde jorraria dinheiro público para os cofres petistas.

CartaCapital não espera, como de costume, que esta reportagem tenha repercussões na mídia nativa. À exceção da desbotada tese do mensalão, que serve à disputa político-partidária na qual os meios de comunicação atuam como protagonistas, não há nenhum interesse em elucidar os fatos. O que, se assim for, provará que a sociedade afluente navega tranquilamente sobre o velho mar de lama.

Clicando aqui, você encontra os links para a íntegra do relatório da PF.

Agora vai: PSDB convoca FHC para resolver impasse com o DEM

Deu na Folha.com:

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi chamado nesta terça-feira para participar da reunião com o comando do DEM, que discute uma solução para o impasse em torno do nome do vice na chapa do tucano José Serra ao Planalto.

O DEM ficou insatisfeito com o papel de coadjuvante que lhe foi imposto, já que PSDB escolheu um vice tucano, o senador Álvaro Dias (PR), em detrimento de um democrata. FHC participará do encontro acompanhado do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e do candidato ao Senado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

Como FHC estava em viagem ao exterior, ele ainda está se interando da situação para a reunião, que ocorre na véspera da convenção nacional do DEM. O ex-presidente acredita numa solução para o impasse, embora ainda não tenha uma engenharia para o caso.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, FHC confidenciou a um interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de Serra vencer a eleição presidencial.

CNI/Ibope: Dilma se isola na liderança da corrida presidencial

A nova pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje mostra a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) isolada na liderança da corrida presidencial, com 40%, seguida pelo ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB), com 35%. A senadora Marina Silva (PV) surge em terceiro, com 9% das intenções de voto.

A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 21 deste mês, em 140 cidades e ouviu 2.002 eleitores. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o n° 16292/2010. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

É a primeira vez que o Ibope mostra Dilma à frente de Serra. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 5, a petista e o tucano estavam empatados com 37%.

Na simulação de segundo turno, Dilma venceria Serra por 45% a 38%.

Dilma também lidera na pesquisa espontânea, com 22%, contra 16% de Serra e 3% de Marina.

No critério rejeição, 30% dos entrevistados disseram que não votariam em Serra de jeito nenhum. A rejeição de Dilma ficou em 23%.

A pesquisa revelou que 73% dos eleitores identificam Dilma como a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda segundo a pesquisa, a aprovação ao governo Lula atingiu novo recorde: 85% consideram o governo ótimo ou bom.

Os números chegam a surpreender, porque a pesquisa foi feita após a exibição dos programas de TV do DEM, PPS e PSDB, ambos estrelados pelo candidato tucano.

Dilma cresceu mesmo depois do desgaste provocado pelo caso dos suposto dossiês contra Serra, que teriam sido produzidos pelo núcleo de “inteligência” da campanha dela. A oposição explorou o caso à exaustão e Serra chegou a culpar Dilma diretamente pelo episódio.

Não é à toa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ter “sérias dúvidas” sobre a possibilidade de vitória de José Serra.

Emir Sader diz que Brasil mudou “perfil social” e está “menos injusto”

Por Alisson Almeida, no portal Nominuto.com:

Foto: Elpídio Júnior

“O Brasil está menos injusto que antes”. A afirmação é do filósofo, cientista político e professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo) Emir Sader, que fez palestra e lançou o livro “Brasil: entre o passado e o presente”, hoje pela manhã, em Natal. Para ele, o “perfil social” do país mudou desde a ascensão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder em 2003.

“O país está menos injusto do que era antes. Isso nunca aconteceu [antes]. Ficou igual ou piorou”, comentou, acrescentado que essa “prioridade nas políticas sociais” estaria ajudando o Brasil a reverter a condição de “um dos países mais desiguais do mundo”.

Emir Sader disse enxergar a situação atual como “uma ponte para a construção de outro tipo de sociedade”. Para ele, além do poder em si, o que está em disputa nas eleições presidenciais deste ano “é o lugar do Brasil no mundo”.

O professor elogiou a política externa brasileira, sustentando que, nos últimos sete anos, o país alcançou o status de “nação soberana” graças ao que considera como “política de prioridade dos acordos regionais [com os países da América Latina e América do Sul] em vez dos tratados de livre comércio com os Estados Unidos”.

“Nós diversificamos o comércio internacional, retomamos o intercâmbio com a China, o intercâmbio regional, o mercado interno de consumo popular. A diversificação internacional foi fundamental para o Brasil conquistar o lugar soberano que tem no mundo”, declarou.

Emir Sader afirmou que o “papel do Estado” também mudou neste período, o que teria funcionado como impulsão para os fenômenos do “desenvolvimento econômico” e da “distribuição de renda” experimentados pelo país. “Tudo isso indica que o Brasil de hoje é diferente do que era antes”, apregoou.

Ele criticou duramente o pré-candidato tucano a presidente, José Serra, a quem chamou de “ignorante” em política internacional. A crítica se deve às declarações do ex-governador de São Paulo acusando a Bolívia de ser “cúmplice” do tráfico de drogas.

“O Serra é um ignorante, não conhece política internacional, nunca esteve na Bolívia na vida. O grande produtor e traficante de cocaína na América do Sul e no mundo é a Colômbia. Em segundo é o Afeganistão. Por que ele não faz essa crítica à Colômbia?”, indagou.

O professor disse que o Brasil não é “condescendente” com supostas “práticas autoritárias” de nenhum regime, mas que o país está a favor de um “mundo multipolar”.

“O Brasil não está a favor do regime do Irã. O que o Brasil quer é um mundo multipolar, sem a superioridade militar norte-americana. O Brasil não está a favor do regime de Cuba, da Venezuela nem do Irã. Está a favor de uma solução equilibrada que não considere que o Irã é o maior risco para o mundo”, argumentou.

“Oposição está sem discurso”

Emir Sader acusou a oposição ao governo federal de estar “sem discurso”. “Eu acho que eles [partidos de oposição] estão sem discurso, porque o povo não quer mudar, quer aprofundar o que está aí [com o governo Lula]”.

Para o cientista político, a estratégia da oposição de reivindicar a paternidade dos programas sociais do governo petista não funcionou, porque o povo não reconheceu isso. Por isso, continuou, tucanos e democratas teriam partido para as “críticas pontuais” à gestão lulista.

“Ele [José Serra] está indo para os dois eixos fundamentais da política da direita: segurança pública com linha dura e redução de impostos. É o discurso tradicional da direita. As grandes soluções, criação de ministérios, todos os eixos tradicionais da direita. Eles dão aquela pinta que são mais progressistas. O Serra tem dito que é mais progressista que a Dilma [Rousseff, candidata do PT à sucessão presidencial]”, ironizou.

Emir Sader disse ainda que a “abstinência do poder” fez mal às legendas da oposição, principalmente ao DEM, partido que considera “em plena derrocada”.

“O DEM é um partido do poder. A abstinência do poder já fez mal pra ele [DEM]. Depois, o desencontro com o PSDB na oposição. Terceiro, o programa Bolsa Família puxou o tapete social deles, ajudou a enfraquecer as lideranças coronelísticas que eles tinham, principalmente no Nordeste”, comentou.

O professor afirmou que “a nova geração de líderes da direita é bem pior que a anterior”. “Eles pegaram o espólio de líderes decadentes”, completou.

A situação do Rio Grande do Norte, único Estado onde o DEM apresenta chances concretas de vitória nas eleições regionais, seria, na visão dele, uma “exceção”.

“Acho que isso daqui [no RN] é uma exceção que não muda a regra geral. A vitória [das esquerdas] neste ano vai liquidar uma geração da direita no Brasil”, apostou.

Imprensa

Emir Sader criticou também o comportamento da chamada grande imprensa na cobertura do processo sucessório nacional. Para ele, os maiores veículos jornalísticos estariam atuando como “partido de oposição”.

“O problema não é só que o candidato da [Rede] Globo, da Folha de São Paulo e da [Editora] Abril é o [José] Serra. Eles estão editorializando tudo. Como confessou a executiva da Folha, diante da fraqueza dos partidos de oposição, eles são o partido. Isso é gravíssimo. É uma confissão aberta de que não há nem imparcialidade informativa”, avaliou.

Emir Sader atribuiu esse comportamento da mídia ao “desconhecimento das transformações que estão ocorrendo no país”.

“Pela cobertura que eles [veículos de imprensa] dão, não se dão conta do que é o país real. Eles estão desencontrados do país. É uma elite branca do Centro-Sul que está de costas para a realidade”.

O “Dia D” de Serra

Serra sagrou-se candidato do PSDB. No mesmo dia, Dilma encontrou-se com sindicalistas.

José Serra, enfim, deixou a exitação para trás e assumiu a candidatura à Presidência da República. Esta é a segunda tentativa do tucano. A primeira foi em 2002, quando perdeu as eleições para o agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Neste ano, o espectro de Lula promete continuar assustando Serra. Pela primeira vez desde a redemocratização do país, Lula não será candidato, mas deverá participar ativamente da eleição. O presidente quer transformar a própria sucessão num plebiscito entre o seu governo e o governo do ex-presidente FHC, o guru do tucanato. Lula não medirá esforços para fazer da sua escolhida, a ex-ministra Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o Brasil.

Mas, voltemos a José Serra. O ex-governador de São Paulo vai mesmo comandar a tropa da oposição em 2010. No discurso que fez durante o lançamento da candidatura, ontem pela manhã em Brasília, Serra lançou o bordão que vai usar na campanha ( “O Brasil pode mais” ), repetiu velhos clichês da direita e tentou transmitir a imagem de grande conciliador nacional.

“O Brasil pode mais” parece ser a saída encontrada pelos marqueteiros tucanos para solucionar o problema da falta de discurso da oposição. É uma nova embalagem para um velho clichê: “continuar o que está dando certo, mas mudar o que está dando errado”.

O Chapeleiro Maluco da “Veja”, num tom meio envergonhado, inventou até uma justificativa para do PSDB: “o tucano reconhece e incorpora os avanços havidos no governo Lula — que ele inclui numa trajetória de conquistas dos últimos 25 anos — e diz ser preciso ir além”. Perceberam que agora, com a proximidade da eleição, eles admitem que houve “avanços no governo Lula”?!

O que Serra precisa dizer, sem embromação, é como ele vai fazer o país “ir além”. Ele vai repetir a política de juros estratosféricos, arrocho salarial, elevação de impostos, cortes em programas sociais, ausência de crédito, desemprego e privatizações do governo FHC?!

“O Brasil pode mais” nada mais é que uma tentativa dissimulada se livrar da carapuça anti-Lula, que a oposição vestiu durante esses mais de sete anos de governo petista. Invocado assim, como num passe de mágica, a frase pretende vender um conceito inovador, quando não passa do mais puro prosaicismo.

Serra pregou que o país poderia crescer mais se resolvesse os gargalos na infraestrutura. No discurso fica bonito, mas antes de prometer mais crescimento, o tucano deveria dizer, para acabar com qualquer dúvida, se vai mesmo acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como disse o senador José Guerra (CE), presidente nacional do PSDB, em entrevista à “Veja”.

O tucano fez menção aos programas sociais do governo Lula, com destaque para o “Bolsa Família”, dizendo que é tudo herança do governo FHC. É um discurso confuso, porque a oposição sempre criticou esses programas, classificando-os como “eleitoreiros”. Agora, reivindicam a paternidade das ações e prometem mantê-las. Então, vão continuar com os mesmo programas “eleitoreiros”?

Em outro momento, Serra invocou o tema da justiça, pregou o cumprimento da lei e protestou contra a impunidade. O discurso da moralidade, da ética e da justiça, definitivamente, não cai bem a nenhum tucano. Uma folheada rápida nas páginas da história recente do governo FHC e dos governos estaduais tucanos causaria constrangimentos à turma de plumagem colorida. Serra sabe disso, mas insiste na mesma bravata, apostando na memória curta da população.

Finalmente, Serra quis se mostrar como conciliador, como líder capaz de unificar a nação dividida pelo sectarismo lulo-petista. “Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão“, anunciou, em tom profético.

Pode haver discurso mais direitista? Nada mais conservador que tentar esconder a luta de classes, o abismo social que nos separa, a injustiça que fazer de uns mais cidadãos que outros. Cito Miguel do Rosário: “O PSDB está ao lado dos ricos, mas como não pode afirmar isso, então diz que não tem lado, que estará ao lado de todos. Não é assim, Serra. Os ricos não precisam de apoio governamental. Quem precisa são os pobres. Isso demarca quem está ao lado da maioria do povo brasileiro, que é ainda muito pobre, e quem não está“.

A resposta

O presidente Lula e a ex-ministra Dilma Rousseff não deixaram os tucanos sem resposta. Num evento paralelo ao lançamento da candidatura de Serra, Lula ironizou o slogan do PSDB: “Eles querem e nós fazemos. Essa é a diferença substancial”.

O presidente prosseguiu: “Dilma não será a candidata da defesa de teses abstratas, será a candidata de auto-afirmação. Se eles dizem o Brasil pode mais, nós fazemos mais”.

Em relação ao ataque do PSDB à suposta divisão regional e em classes incentivada pelo governo e pelo PT, Lula reagiu assim: “Não queremos é deixar a divisão que eles deixaram entre ricos e pobres”.

Dilma seguiu no mesmo tom usado pelo presidente: “Esse país pode mais porque nós fizemos com que ele pudesse mais”. A ex-ministra lembrou que esses que agora dizem que o país pode “ir além”, quando estiveram no governo fizeram exatamente o contrário. Na Era FHC, o país andou para trás. Dilma os batizou como “viúvas da estagnação” e “exterminadores do emprego e do futuro”.

No discurso que proferiu durante o evento promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), berço político de Lula e do PT, Dilma demarcou a diferença entre os projetos petista e tucano: a defesa dos mais pobres, a defesa do patrimônio nacional e o respeito aos movimentos sociais.

Destaco dois pontos do discurso de Dilma. O primeiro trata daquilo que deve ser a prioridade do governo: “O Estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro“.

O segundo é uma provocação direta ao “conciliador” José Serra, o governador que manda a polícia bater em professores grevistas: “A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos. Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos“.

Kennedy Alencar: “FHC esquece o passado”

O blog reproduz, na íntegra, o excelente artigo de Kennedy Alencar na Folha Online (comento em seguida):

 

O eleitor, esse ingrato analfabeto

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez novo movimento para assumir a linha de frente da oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em artigo no último domingo (01/11), nos jornais “O Globo” e “O Estado de S. Paulo” desceu a lenha em Lula com elegância e vigor.

Segundo FHC, o petista comete “transgressões cotidianas”. Atropela a lei e os “bons costumes”. Faz uma aliança de natureza política autoritária, unificando sob verbas públicas os interesses do Estado, de sindicatos, dos movimentos sociais, dos fundos de pensão e das grandes empresas. Alerta para o risco de subperonismo. E sapeca um novo conceito político-sociológico: “autoritarismo popular”.

Em meio a uma oposição sem discurso, com potenciais candidatos ao Palácio do Planalto que não desejam atacar Lula, FHC cumpre o papel de tentar desgastar um presidente, que, com sua alta popularidade, tentará eleger como sucessora a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

FHC, porém, esquece o passado. No seu governo, os fundos de pensão das estatais foram usados politicamente para a formação de consórcios privados que arremataram empresas públicas. O Estado, naqueles anos, atuou no limite da irresponsabilidade, como disse Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil que ficou muito rico nos anos FHC.

A Força Sindical, hoje nos colos de Lula, era massa de manobra do PSDB. A aliança com o PFL, hoje DEM, não difere muito da firmada pelo PT com o PMDB, em nome de um realismo político que sacrifica a ética. No estilo de governar, FHC e Lula se parecem, com algumas nuances.

O petista é mais desabrido ao abraçar figuras de biografias suspeitas?

Sim.

Mas o tucano nomeou um procurador-geral da República que ficou conhecido como engavetador-geral da República.

O procurador-geral é o único que pode pedir abertura de investigação e de processo penal contra o presidente da República. FHC não se arriscou com as seguidas nomeações de Geraldo Brindeiro. Lula escolheu o mais votado da categoria. E viu um deles denunciar a existência de uma organização criminosa em seu governo.

Houve tentações no governo Lula, mas ele nunca cruzou a linha que separa a democracia do autoritarismo. Quando tentou, a sociedade reagiu. Já o tucano mudou, com apoio popular, a regra eleitoral no meio do jogo, obtendo a possibilidade de disputar a reeleição em 1998.

Resumindo: FHC exagerou. E, quando isso acontece, costuma ser bom para o atacado.

O tucano parece que está chateado com o eleitor que votou democraticamente em Lula, um presidente que tem seguido à risca o que prometeu. “Autoritarismo popular” soa meio golpista e demófobo. Não é algo à altura do ex-presidente.

 

Há dois equívocos no artigo de Kennedy. Primeiro, dizer que FHC mudou a regra eleitoral “com apoio popular”. Não é verdade. FHC aprovou a reeleição com o dinheiro das privatizações, na maior negociata da história do Congresso Nacional, sem ouvir a população.

Depois, dizer que FHC apenas “exagerou” é ser condescendente demais com os desmandos do ressentido príncipe dos sociólogos.

 

Juca Kfouri: O Brasil é um Fla-Flu

Do Blog do Juca Kfouri:

 

Nada mais no Brasil parece ser avaliado sem a busca de segundos interesses.

Difícil dizer se as pessoas em geral julgam as demais pelo que elas são ou se, de fato, não há mais clima nem para uma informação.

Bem apurada e desinteressada, aqui mais uma vez reiterada, vinda de alguém que de política não entende e nem quer entender nada, apenas estava numa festa descolada.

Ah, mas se prejudica A é coisa de S.

Ou do PT.

Brilhantes, sagazes, Maquiavel teria inveja de analistas tão sofisticados.

Mas o cara vive criticando o PT, virou um fracassomaníaco (termo de FHC para criticar os petistas, mas recentemente adotado por alguns deles), ficou contra até o Rio-2016, argumenta outro.

Então é coisa de S mesmo.

E, aí, por mais que o cara tenha revelado que votou no Lula contra o Serra e anulado o voto, já desanimado, quando o páreo ficou entre Lula e Alckmin, é preciso achar um rótulo.

Então, fica engraçado.

Os que se julgam de esquerda passam a, taticamente (Lênin?), defender Aécios.

E a direita chic defende mesmo, no clube dos cafajestes tuiteiros, por exemplo, porque amigo é pra essas coisas.

Uma certa esquerda recente que apareceu na imprensa, diga-se, que calou durante a ditadura brasileira, mas que hoje, de má consciência e sem correr riscos, se faz de corajosa.

Já a elite branca, o termo é do insuspeito Cláudio Lembo, não entende por que o Brasil tem um inculto na presidência, a Bolívia tem um índio, a Venezuela um caudilho, o Paraguai um padre pedófilo, o Uruguai está em vias de ter um ex-guerrilheiro Tupamaro e por aí afora, tudo gente incapaz de se comportar bem numa festa chic, que gospe no chão e palita os dentes.

Não entende que foi ela quem, depois de mais de 500 anos de dominação e exploração, não conseguiu mais manter tampado o que queria explodir.

E explodiu.

Agora, aguenta.

Corre, blinda, vira gueto, se horroriza e mente, desqualifica, tenta sobreviver com seus privilégios nas Daslus da vida e suas lavagens de dinheiro, porque é isso, dinheiro é o critério do sucesso, seja como for.

Perfumados, engomados, mas cada vez mais amedrontados, embora chegados a um brilho aqui ou ali porque ninguém é de ferro.

E, ora bolas, desde quando uma bolacha na moça descontrolada é notícia, né não?

Notícia legal é a plantada, na praia, porque o amor é lindo e tudo perdoa, me bate que eu gamo.

E me engana que eu gosto.

Minas está onde sempre esteve e nada a moverá.

O Brasil nem tanto, se move, ao menos, o que não é pouco, incluindo excluídos que, segundo FHC, jamais poderiam sê-lo, infelizmente haveriam de morrer à míngua.

Mas, que diacho, não é que os que acabaram de chegar se deram conta que o cheiro de um Dior é muito mais agradável que o da graxa.

Engraxemo-nos, todos, pois, com Dior, é claro.

E, aí, quem, decepcionado, critica, denuncia, fiscaliza, é derrotista, moralista, até paulista, se a crítica for ao mau momento do Fluminense.

Seria tudo muito divertido, não fosse medíocre.

E pusilânime, dos dois lados.

Que, por sinal, se merecem.

 

A crônica de um ressentido

Depois de três dias longe do mundo virtual, dou de cara com o artigo do ex-presidente FHC, o grão-tucano, com críticas ácidas ao presidente Lula (PT).

FHC, como se sabe, quebrou o país, sucateou o serviço público e deixou um desemprego recorde como herança — apenas pra citar algumas realizações dos seus oito anos de (des) governo.

Diante do êxito do governo do presidente Lula, o tucano comporta-se como um típico ressentido. FHC apostava no fracasso do novo governo, mas viu o ex-metalúrgico devolver a dignidade ao povo brasileiro, criando as condições para mais de 40 milhões de pessoas ascenderem socialmente.

A comparação entre os governos FHC e Lula, levando-se em consideração todos os índices econômicos e sociais, é amplamente favorável ao petista. Mas o príncipe dos sociólogos padece daquela arrogância atávica característica da nossa elite.

Luiz Carlos Azenha acertou em cheio quando disse que a “carta-testamento” de FHC é um “chamamento às bases mais reacionárias e conservadoras do Brasil.”

É a essas bases que FHC se dirige quando prega que o governo está tomado pela “burocracia sindical” e acusa o presidente Lula de governar na base do “autoritarismo popular”. É a reedição da retórica do medo. A estratégia é antiga. Lembra quando a oposição e a imprensa tentavam colar em Lula a pecha de ditador, comparando-o a Hugo Chávez, com aquela balela histérica de terceiro mandato?

Num gesto de cinismo latente, FHC afirma que Lula “vai minando o espírito da democracia constitucional”. Mas será que é típico do “espírito da democracia constitucional” mudar a lei em benefício próprio, como fez FHC ao alterar a Constituição para permitir sua reeleição? O mesmo homem que um dia disse “esqueçam o que escrevi”, parece querer reeditar a máxima, agora dizendo: “esqueçam o que eu fiz”.

FHC também se levanta contra as obras do PAC, o novo marco regulatório do petróleo, a “ingerência governamental” na Vale — privatizada pelo tucano a preço de banana — e a política externa do atual governo. Assim, sem fazer muito esforço, o ex-presidente conseguiu produzir uma excelente anedota política.

Para os que quiserem conferir os devaneios de FHC, o artigo na íntegra está aqui.

O jornalismo canalha da imprensa golpista

Quando a gente diz que a imprensa se transformou no PIG (Partido da Imprensa Golpista), há quem duvide. Qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico consegue perceber como a mídia manipula, distorce e descontextualiza as informações, conforme a conveniência da situação.

A estratégia mais usada é fabricar e divulgar escândalos contra desafetos políticos, cuja reputação é assassinada sem direito de defesa. Transforma-se uma versão do caso na única versão possível. O público quase nunca tem acesso ao contraditório. Os escândalos são noticiados em manchetes nas capas de jornais para, dias depois, serem desmentidos em constrangedores cantos de página.

Para quem ainda acredita no PIG, Luis Nassif revelou mais uma armação vastamente destacada, acriticamente, pela mídia a serviço dos tucanos.

É o vergonhoso caso do dossiê mentiroso produzido contra Victor Martins, irmão do ministro Franklin Martins (Comunicações), divulgado pelo reacionário Diogo Mainardi em sua coluna na Veja.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal comprovaram que o dossiê divulgado por Mainardi é falso. No documento, Victor Martins, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), é acusado favorecer prefeituras que contratavam a Análise Consultoria, empresa que o diretor tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Em troca, as prefeituras receberiam mais dinheiros dos royalties da Petrobras.

O dossiê, segundo a PF, foi fabricado por Wilson Ferreira Pinna, agente federal aposentado, lotado na ANP.

Leia abaixo matéria do Portal Vermelho sobre o assunto:

PF descobre quem foi que tramou com a Veja os ataques a Martins

O agente federal aposentado Wilson Ferreira Pinna, lotado na Agência Nacional de Petróleo (ANP), foi apontado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. O dossiê falsificado foi usado pela revista Veja para atacar a ANP e o ministro.

O material falsificado acusava Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que ele tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal dos irmãos de Vitor, inclusive do ministro.

Após a revista “Veja” divulgar o dossiê em abril, primeiramente através da coluna de Diogo Mainardi e posteriormente em matérias da própria revista, o Ministério Público Federal constatou que o documento não estava no inquérito da Delegacia Fazendária, que apura corrupção nos repasses de royalties. A inexistência do dossiê levou o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a abrir novo inquérito.

Em maio, a PF descobriu um pendrive com o falso dossiê, as declarações de renda obtidas ilegalmente e as transcrições de gravações telefônicas. Não se sabe ainda qual jornalsita da revista Veja recebeu o pendrive, mas os policiais identificaram Pinna como o autor.

Por meio de representação à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, onde tramita o inquérito, foi pedida a prisão do agente, além de busca e apreensão na sua casa e na ANP.

O pedido foi para as mãos do juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal, que não analisou o caso, provocando um conflito de competência. Tudo parou até 15 de julho, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu que a competência é da 2ª Vara. Após negar pedido de prisão, Hartmann intimou Pinna a apresentar sua defesa, antes de decidir se aceita a denúncia.

Ontem, procurado pelo Estado, Pinna reclamou da divulgação do caso por conta do segredo de Justiça e depois se apegou na rejeição do pedido de prisão para se defender. Vitor repetiu o que falou na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: “Quero justiça, saber quem fez essa investigação criminosa, a mando de quem, quem pagou e com qual objetivo.”

Em seu blog, o jornalista Luís Nassif afirma que a lógica deste novo episódio do dissiê contra Martins é a mesma que descreve na série de matérias que desmascaram a revista Veja, especialmente no capítulo “O Lobista de Dantas”. “Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi. Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático”, denuncia Nassif.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

 

Matéria de ontem (25) da Folha de São Paulo afirmava que Wilson Ferreira Pinna, autor do dossiê falso, foi nomeado em 2005 pela diretoria colegiada da ANP para o cargo de assessor do diretor-geral Haroldo Lima, tornando-se seu “homem de confiança”. Em carta ao jornal, Haroldo Lima desmentiu as informações.

O diretor-geral afirmou que o jornalista Marcio Aith “não apurou a matéria como deveria”. Haroldo sustentou que  Pinna nunca esteve em seu gabinete nem era seu “homem de confiança”.

O jornal mentiu ainda, segundo o diretor, ao dizer que Pinna “foi recrutado por Lima em agosto de 2005”. Haroldo esclareceu que o araponga, na verdade, ingressou na ANP em 27 de setembro de 2001. A ANP, nessa época, era presidida por David Zylbersztajn, genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso. (Leia a íntegra da carta de Haroldo Lima no blog do Azenha)

No Jornal Nacional de sábado (26), o repórter Eduardo Tchao chamou o dossiê de “relatório”. A Globo tentou se justificar por ter divulgado a falsificação. O JN não disse que Pinna foi levado para a ANP pelo genro de FHC. O JN também não disse que Victor Martins é irmão do ministro Franklin Martins. A matéria terminou sem que o telespectador fosse informado sobre o conteúdo do dossiê falso.

Brasil deve controlar petróleo, defende Mercadante

Em entrevista à Terra Magazine, o senador Aloízio Mercadante (PT-SP) defendeu o controle do Estado sobre as reservas do pré-sal, a ampliação dos investimentos da Petrobras e lembrou que em cinco meses o governo do tucano FHC entregou diversos setores da economia do país à exploração estrangeira.

Leia abaixo trecho da matéria de Bob Fernandes:

 

Mercadante não deixou de recordar que os vigorosos críticos da agora oposição, no PSDB e DEM, bradam hoje contra o prazo de 90 dias apreciar e votar as regras do pré-sal, mas fizeram o oposto quando estavam no poder, nos anos FHC. Recorda o líder petista: DEM e PSDB votaram no ano de 1995, no espaço de 5 meses e 18 dias, 5 emendas constitucionais que mudaram a história econômica, a estrutura econômica do Estado brasileiro. O senador lista:

– Em um ano, o governo Fernando Henrique quebrou o monopólio estatal das telecomunicações. E fez uma mudança toda da regulação do setor para a privatização, em cinco meses. Quebrou o monopólio da distribuição do gás canalizado. Tudo isso, emenda constitucional, não é projeto de lei. Eliminou a diferença entre capital nacional e estrangeiro em cinco meses e 18 dias. Quebrou o monopólio do petróleo, refino etc. Também nesse ano de 1995, estendeu ao capital estrangeiro a navegação, interior e cabotagem. E praticamente todas essas emendas tramitaram no prazo de cinco meses. Só aí estou falando de cinco emendas constitucionais, que mudaram decisivamente a história econômica, a estrutura econômica do Estado brasileiro.

 

Para ler a matéria e a entrevista na íntegra clique aqui.

O homem limpo do DEM

Marco MacielA Carta Capital traz uma matéria interessante com o perfil do senador Marco Maciel (DEM-PE), ex-vice presidente da República, conhecido, segundo a revista, pela “reputação bem cultivada de conservador honesto”.

Leia abaixo trecho da matéria de Cynara Menezes:

 

O impermeável limpo

 

O rapaz engravatado, já nem tão rapaz assim, que abastece os senhores senadores a cada cinco minutos com providenciais copos orvalhados para refrescar as gargantas de suas excelências depois de tanto discursório na tribuna, é proibido de falar com repórteres. Mas, no fundo do plenário, ele cochicha:

– Uma das cenas mais impressionantes que já vi aqui foi uma vez que o finado senador Antonio Carlos Magalhães bateu a mão num copo e a água voou. O Marco Maciel, que estava do lado, deu três pulinhos para trás e não caiu nem uma gotinha no paletó dele.

É realmente de cair o queixo a habilidade de malabarista do senador do DEM em se manter limpo. Em plena crise no Senado, o magérrimo Maciel não viu resvalar sobre si nada que pudesse manchar a reputação bem cultivada de conservador honesto. Enquanto seus pares à destra e à sinistra eram enredados nos escândalos com uma viagenzinha ao exterior aqui, um neto empregado acolá, Maciel saltitava com seus passos lépidos pelos corredores da Casa. Imaculado.

Para fazer justiça ao pernambucano, é preciso dizer que sempre foi assim, desde que o ex-PFL ainda se chamava Arena. Poucos políticos podem se gabar de terem passado pela história contemporânea do Brasil, sempre de mãos dadas com o poder, menos agora, e permanecer com elas aparentemente como entrou, vazias. O maranhense José Sarney, de trajetória semelhante, que o diga. “Ninguém encontrará uma só fazenda no nome de Maciel. Nem uma só empresa onde apareça como sócio”, desafia um conterrâneo seu.

Com 50 anos de vida pública, iniciada no movimento estudantil, o único patrimônio visível do atual senador, ex-governador biônico, deputado federal e vice-presidente da República é um apartamento num edifício antigo em frente ao mar de Boa Viagem, no Recife. Espécie de monge do Parlamento, o catolicíssimo senador (há quem diga que simpatizante do Opus Dei) costuma falar que aprendeu com o pai, José do Rego Maciel, duas vezes deputado federal e prefeito do Recife, a exercer a política como “ação missionária”.

Leia a íntegra da matéria aqui.

Ex-secretário da Receita Federal de FHC afirma:Casos Petrobras e Dilma/Lina “são farsa”

Por Bob Fernandes na Terra Magazine:

O pernambucano Everardo Maciel mora há 34 anos em Brasília. Foi secretário executivo em 4 ministérios: Fazenda, Educação, Interior e Casa Civil, e foi Secretário da Fazenda no Distrito Federal. Everardo é hoje consultor do FMI, da ONU, integra 10 conselhos superiores, entre eles os da FIESP, Federação do Comércio e Associação Comercial de São Paulo e é do Conselho Consultivo do Conselho Nacional de Justiça.

Mas, nestes tempos futebolísticos, às vésperas de 2010, com tudo o que está no ar e nas manchetes e, em especial, diante do que afirma Everardo Maciel na entrevista que se segue, é importantíssimo ressaltar que ele foi, por longos 8 anos, “O” Secretário da Receita Federal dos governos Fernando Henrique Cardoso.

Dito isso, vamos ao que, sem meias palavras, afirma Everardo Maciel sobre os rumorosíssimos casos da dita “manobra contábil” da Petrobras – que desaguou numa CPI -, da suposta conversa entre a Ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretaria da Receita Lina Vieira e da alardeada “pressão de grandes contribuintes”, fator que explicaria a queda na arrecadação:

– Não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

Sobre a suposta manobra contábil que ganhou asas e virou fato quase inquestionável, diz o ex-Secretário da Receita Federal de FHC:

-É farsa, factóide… a Petrobras tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares.

E o caso Dilma/Lina?

– Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

E a queda na arrecadação por conta de alardeada pressão de grandes contribuintes?

-Farsa, factóide para tentar explicar, indevidamente, a queda na arrecadação.

Sobre essa mesma queda e alardeadas pressões, Everardo Maciel provoca com uma bateria de perguntas; que ainda não foram respondidas porque, convenientemente, ainda não foram feitas:

– Quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? A Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras?

Com a palavra Everardo Maciel, Secretário da Receita Federal nos 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso:

Terra Magazine – Algo perplexo soube que o senhor, Secretário da Receita Federal por 8 anos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, não tem a opinião que se imaginaria, e que está nas manchetes, editoriais e colunas de opinão, sobre o caso das ditas manobras contábeis da Petrobras, agora uma CPI?
Everardo Maciel –
Independentemente de ter trabalhado em qualquer governo, meu compromisso é dizer a verdade que eu conheço. Então, a verdade é que a discussão sobre essa suposta manobra contábil da Petrobras é rigorosamente uma farsa.

Uma farsa, um factóide?
É exatamente isso. Farsa, factóide. E por quê? Porque não se pode falar de manobra contábil, porque a contabilidade só tem um regime, que é o de competência.

Traduzindo em miúdos, aqui para leigos como eu….
Eu faço um registro competência… quer dizer o seguinte: os fatos são registrados em função da data que ocorreram e não da data em que foram liquidados. Por exemplo: eu hoje recebo uma receita. Se estou no regime de competência, a receita é apurada hoje. Entretanto, se o pagamento desta receita é feito no próximo mês, eu diria que a competência é agosto e o caixa é setembro. Isso é competência e caixa, esta é a diferença entre competência e caixa, de uma forma bem simples.

Cabe uma pergunta, de maneira bem simples: então, Secretário, há um bando de gente incompetente discutindo a competência?
Eu não chegaria a fazer essa observação assim porque não consigo identificar quem fez essas declarações, mas certamente quem as fez foi, para dizer o mínimo, pouco feliz.

Por que o senhor se refere, usa as expressões, “farsa” e “factóide”?
Vejamos: farsa ou factóide, como queiram, primeiro para explicar indevidamente a queda havida na arrecadação. Agora, a Petrobras, no meu entender, tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares. Para especialistas.

Então por que todo esse banzé no Oeste?
Não estou fazendo juízo de valor sobre a competência de ninguém, mas, neste caso, para o governo, me desculpem o trocadilho, o que contava era o caixa. E o caixa caiu. Para tentar explicar por que a arrecadação estava caindo, num primeiro momento se utilizou o factóide Petrobras. No segundo, se buscou explicações imprecisas sobre eventuais pressões de grandes contribuintes, às vezes qualificados em declarações em off como financiadores de campanha. Entretanto, não se identificou quem são esses grandes “financiadores de campanha” ou “contribuintes”. Desse modo, a interpretação caiu no campo da injúria.

O senhor tem quantos anos de Brasília?
Não consecutivamente, 34 anos. Descontado o período que passei fora, 30 anos.

Diante desse tempo, o senhor teria alguma espécie de dúvida de que o pano de fundo disso aí é a eleição 2010?
Eu acho que nesse caso, em particular e em primeiro lugar, o pano de fundo era a sobrevivência política de uma facção sindical dentro da Receita.

Seria o pessoal que o atormentou durante oito anos?
Não todo tempo. E de qualquer sorte, de forma inócua.

Sim, mas me refiro para o que reverbera para além da secretaria,do que chega às manchetes… os casos da Petrobras, um atrás do outro.
Todos esses casos são, serão esclarecidos, e acabam, acabarão sendo esquecidos, perderão qualquer serventia para 2010. São factóides de vida curta. Depois disso chegamos à terceira fase do factóide.

Mais ainda? Qual é?
Aí vem a história do virtual diálogo que teria ocorrido entre a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, e a secretária da receita, Lina Vieira. Não tem como se assegurar se houve ou deixou de haver o diálogo, mormente que teria sido entre duas pessoas, sem testemunhas. Agora tomemos como verdadeiro que tenha ocorrido o diálogo. Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal.

Sim, e aí?
Se era algo banal, deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era algo grave, deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

À parte suas funções conhecidas, de especialista, por que coisas tão óbvias como essa que o senhor tá dizendo não são ditas? Já há dois meses essa conversa no ar sem que se toque nos pontos certos, óbvios…
Eu não sei porque as pessoas não fazem as perguntas adequadas…

Talvez porque elas sejam incômodas para o jogo, para esse amontoado de simulacros que o senhor aponta? Quais seriam as perguntas reveladoras?
Por exemplo: quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? Ainda uma outra pergunta: a Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras? Respostas a isso permitiriam lançar luz sobre os assuntos.

Última pergunta, valendo-me de um jargão jornalístico: trata-se então de um amontoado de cascatas?
Não tenho o brilhantismo do jornalista para construir uma frase tão fortemente elegante e esclarecedora, mas, modestamente, prefiro dizer: farsa e factóide. Ao menos, no mínimo, algumas das coisas que tenho visto, lido e ouvido, não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

O que o PIG não diz

Marido de Lina Vieira foi ministro de FHC

Lina recebe orientações do marido, ex-ministro de FHC

Lina recebe orientações do marido, ex-ministro de FHC

Em meio a espetacularização do embate entre Dilma e Lina, ficamos sabendo, graças à blogosfera, que o marido da ex-secretária da Receita Federal, Alexandre Firmino de Melo Filho, tem DNA tucano.

Lina, vocês sabem, é aquela que inventou uma reunião secreta, sem data nem hora, com a ministra-chefe da Casa Civil. O PIG e a oposição se agarram em Lina para sabotar Dilma.

Mas o que ninguém sabia – porque isso o PIG não diz – é que o marido de Lina foi ministro adjunto e titular da Integração Nacional do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no período de 20/08/1999 a 17/07/2000.

Alexandre Firmino deu instruções à esposa Lina Vieira, em seu depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na última terça (18). Os senadores da oposição fizeram de conta que não o conheciam – os jornalistas do PIG também.

Isso pode não querer dizer nada, mas pode também dizer tudo e explicar a motivação de Lina. Tem cheiro de conspiração no ar.

Azenha: Teria o projeto político de Lula se esgotado?

Do Vi o Mundo:

Antes que vocês se esgoelem me atacando, destaco que coloquei um ponto de interrogação no final da frase.

O ponto de interrogação é o melhor amigo dos jornalistas. Eu tinha uma editora que amava ponto de interrogação nas chamadas de um programa. Ela também adorava dizer que “pela primeira vez o homem pisa” nesse lugar. Um dia, de gozação, um gaiato gravou dentro do banheiro das mulheres: “Pela primeira vez um homem pisa nesse lugar”.

Mas eu falava da interrogação. Explico: ela me ocorreu em um debate recente sobre o papel da mídia no Brasil. Um colega lamentou a falta de audácia do governo Lula para institucionalizar a democratização da mídia. Foram oito anos e pouquíssimos avanços. As famílias que controlam os meios fizeram e aconteceram nos últimos oito anos, depois de oito anos de “paz dos cemitérios” no governo FHC.

Sim, agora enchemos duas Kombis em sites ditos “alternativos” na internet. Mas os grandes portais, a gente há de convir, estão nas mãos dos mesmos. Os portais obedecem cegamente à matriz de pensamento ditada por meia dúzia de jornalistas da Globo, da Folha, de Veja e do Estadão.

Dito isso, argumentei com o meu colega: não dá para vencer eleição dizendo apenas o que o governo Dilma não vai ser. Tá bom, não vai ser neoliberal. Tá bom, não vai bater no MST. Tá bom, não vai cortar os programas sociais. Já sabemos o que ela não fará. E o que fará?

Esse era o ponto que eu queria ter debatido com meu colega, que precisou sair apressadamente. Teria o projeto político do presidente Lula se esgotado? Seria um sintoma disso o fato de que Lula ainda precisa de Sarney, de Renan e de Collor? Seria um sintoma disso o surgimento da candidatura de Marina Silva? Da permanência de Ciro Gomes com bons índices nas pesquisas? Ajudem-me a responder, please. Dessa vez eu só participarei nos comentários.

PS: By the way, sobre a pesquisa Datafolha, acho que o Serra deu um vôo de galinha. Caiu 1% depois da mais intensa promoção pessoal de um governador de estado jamais vista na história da TV brasileira.

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