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Carta Capital: Relatório da PF não confirma “mensalão”

Por Leandro Fortes

O escândalo do mensalão voltou à cena. Em páginas recheadas de gráficos, infográficos, tabelas e quadros de todos os tipos e tamanhos, a revista Época anunciou, na edição que chegou às bancas no sábado 2, ter encontrado a pedra fundamental da mais grave crise política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2005 e 2006. Com base em um relatório sigiloso da Polícia Federal, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, a  semanal da Editora Globo concluiu sem mais delongas: a PF havia provado a existência do mensalão e o uso de dinheiro público no esquema administrado pelo publicitário Marcos Valério de Souza. Outro aspecto da reportagem chamada atenção: o esforço comovente em esconder o papel do banqueiro Daniel Dantas no financiamento do valerioduto. Alguns trechos pareciam escritos para beatificar o dono do Opportunity, apresentado como um empresário achacado pela sanha petista por dinheiro.

As provas do descalabro estariam nas 332 páginas do inquérito 2.474, tocado pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, da Divisão de Combate a Crimes Financeiros da PF e encaminhado ao ministro Joaquim Barbosa, relator no STF do processo do  “mensalão”. Inspirados no relato de Época,  editorialistas, colunistas e demais istas não tiveram dúvidas: o mensalão estava provado. Estranhamente, a mesma turma praticamente silenciou a respeito dos trechos que tratavam de Dantas.

Infelizmente, os leitores de Época não foram informados corretamente a respeito do conteúdo do relatório escrito, com bastante rigor e minúcias, pelo delegado Zampronha. Em certa medida, sobretudo na informação básica mais propalada, a de que o “mensalão” havia sido confirmado, esses mesmos leitores foram enganados. Não há uma única linha no texto que confirme a existência do tal esquema de pagamentos mensais a parlamentares da base governista em troca de apoio a projetos do governo no Congresso Nacional.

Ao contrário. Em mais de uma passagem, o policial faz questão de frisar que o inquérito, longe de ser o “relatório final do mensalão”, é uma investigação suplementar do chamado “valerioduto”, solicitada pela Procuradoria Geral da República, para dar suporte à denúncia inicial, esta sim baseada na tese dos pagamentos mensais. Trata, portanto, da complexa rede de arrecadação, distribuição e lavagem de dinheiro sujo montada por Marcos Valério. Zampronha teve, inclusive, o trabalho de relatar como esse esquema a envolver financiamento ilegal de campanha e lobbies privados começou em 1999, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, e terminou em 2005, na administração Lula, após ser denunciado pelo deputado Roberto Jefferson, do PTB. Ao longo do texto, fica clara a percepção do delegado de que nunca houve “mensalão” (o pagamento mensal a parlamentares), mas uma estratégia mafiosa de formação de caixa 2 e que avançaria sobre o dinheiro público de forma voraz caso não tivesse sido interrompida pela eclosão do escândalo.

Na quarta-feira 6, CartaCapital teve acesso ao relatório. Para não tornar seus leitores escravos da interpretação exclusiva da reportagem que se segue, decidiu publicar na internet (www.cartacapital.com.br) a íntegra do documento. Assim, os interessados poderão tirar suas próprias conclusões. Poderão verificar, por exemplo, que o delegado ateve-se a identificar as fontes de financiamento do valerioduto. E mais: notar que Dantas é o principal alvo do inquérito.

Ao contrário do que deu a entender a revista Época, não se trata do “relatório final” sobre o mensalão. Muito menos foi encomendado pelo ministro Barbosa para esclarecer “o maior escândalo de corrupção da República”, como adjetiva a semanal. Logo na abertura do relatório, Zampronha faz questão de explicar – e o fará em diversos trechos: a investigação serviu para consolidar as informações relativas às operações financeiras e de empréstimos fajutos do “núcleo Marcos Valério”. Em seguida, trata, em 36 páginas (mais de 10% de todo o texto), das relações de Marcos Valério com Dantas e com os petistas. À página 222, anota, por exemplo: “Pelos elementos de prova reunidos no presente inquérito, contata-se que Marcos Valério atuava como interlocutor do Grupo Opportunity junto a representantes do Partido dos Trabalhadores, sendo possível concluir que os contratos (de publicidade) realmente foram firmados a título de remuneração pela intermediação de interesse junto a instâncias governamentais”.

O foco sobre Dantas não fez parte de uma estratégia pessoal do delegado. No fim do ano passado, a Procuradoria Geral da República determinou à PF a realização de diligências focadas no relacionamento do valerioduto com as empresas Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular.  As três operadoras de telefonia, controladas à época pelo Opportunity, mantinham vultosos contratos com as agências DNA e SMP&B de Marcos Valério. Zampronha solicitou todos os documentos referentes a esses pagamentos, tais como contratos, recibos, notas fiscais e comprovantes de serviços prestados. A conclusão foi de que a dupla Dantas-Valério foi incapaz de comprovar os serviços contratados.

As análises financeiras dos laudos periciais encomendados ao Instituto Nacional de Criminalística da PF revelaram que, entre 1999 e 2002, no segundo governo FHC, apenas a Telemig Celular e a Amazônia Celular pagaram às empresas de Marcos Valério, via 1.169 depósitos em dinheiro, um total de 77,3 milhões de reais. Entre 2003 e 2005, no governo Lula, esses créditos, consumados por 585 depósitos das empresas de Dantas, chegaram a 87,4 milhões de reais. Ou seja, entre 1999 e 2005, o banqueiro irrigou o esquema de corrupção montado por Marcos Valério com nada menos que 164 milhões de reais. O cálculo pode estar muito abaixo do que realmente pode ter sido transferido, pois se baseia no que os federais conseguiram rastrear.

Segundo o relatório, existem triangulações financeiras típicas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro. Em uma delas, realizada em 30 de julho de 2004, a Telemig Celular pagou 870 mil reais à SMP&B, depósito que se somou a outro, de 2,5 milhões de reais, feito pela Brasil Telecom. O total de 3,4 milhões de reais serviu de suporte para transferências feitas em favor da empresa Athenas Trading, no valor de 1,9 milhão de reais, e para a By Brasil Trading, de 976,8 mil reais, ambas utilizadas pelo esquema de Marcos Valério para mandar dinheiro ao exterior por meio de operações de câmbio irregulares, de modo a inviabilizar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos. Em consequência, Zampronha repassou ao Ministério Público Federal a função de investigar se houve efetiva prestação de serviços por parte das agências de Marcos Valério às empresas controladas pelo Opportunity.

A principal pista da participação de Dantas na irrigação do valerioduto surgiu, porém, a partir de uma auditoria interna da Brasil Telecom, realizada em 2006. Ali demonstrou-se que, às vésperas da instalação da CPMI dos Correios, em 2005, na esteira do escândalo do “mensalão” e no momento em que a permanência do Opportunity no comando da telefônica estava sob ameaça, a DNA e a SMP&B celebraram com a BrT contratos de 50 milhões de reais. Dessa forma, as duas empresas de Marcos Valério puderam, sozinhas, abocanhar 40% da verba publicitária da Brasil Telecom. Isso sem que a área de marketing da operadora tivesse sido  consultada.

Ao delegado, Dantas afirmou que, a partir de 2000, ainda no governo FHC, passou a “sofrer pressões” da italiana Telecom Italia, sócia da BrT. Em 2003, já no governo Lula, o banqueiro afirma ter sido procurado pelo então ministro-chefe da Casa Civil, o ex-deputado José Dirceu, com quem teria se reunido em Brasília.

Na conversa com Dirceu, afirma Dantas, o ministro teria se mostrado interessado em resolver os problemas societários da BrT e encerrar o litígio do Opportunity com os fundos de pensão de empresas estatais. O Palácio do Planalto teria escalado o então presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb, para cuidar do assunto. Casseb viria a ser um dos alvos da arapongagem da Kroll a pedido do Opportunity. O caso, que envolveu a espionagem de integrantes do governo FHC e da administração Lula, baseou a Operação Chacal da PF em 2004.

Dantas afirmou ter se recusado a “negociar” com o PT. Após a recusam acrescenta, as pressões aumentaram e ele teria começado a ser perseguido pelo governo. Mas o banqueiro não foi capaz de provar nenhuma das acusações, embora seja claro que petistas se aproveitaram da guerra comercial na telefonia para extrair dinheiro do orelhudo. Só não sabiam com quem se metiam. Ou sabiam?

O fundador do Opportunity também repetiu a versão de que um de seus sócios, Carlos Rodemburg, havia sido procurado pelo então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, acompanhado de Marcos Valério, para ser informado de um déficit de 50 milhões de reais nas contas do partido. Teria sido uma forma velada de pedido de propina, segundo Dantas, nunca consolidado. O próprio banqueiro, contudo, admitiu que Delúbio não insinuou dar nada em troca da eventual contribuição solicitada. Negou, também, que tenha mantido qualquer relação pessoal ou comercial com Marcos Valério, o que, à luz das provas recolhidas por Zampronha, soam como deboche. “O depoimento de Daniel Dantas está repleto de respostas evasivas e esquecimentos de datas e detalhes dos fatos”, informou no despacho ao ministro Barbosa.

Chamou a atenção do delegado o fato de os contratos da BrT com as agências de Marcos Valério terem somado os exatos 50 milhões de reais que teriam sido citados por Delúbio no encontro com Rodemburg. Para Zampronha, a soma dos contratos, assim como outras diligências realizadas pelo novo inquérito, “indicam claramente” que, por algum motivo, o Grupo Opportunity decidiu efetuar os repasses supostamente solicitados por Delúbio, com a intermediação das agências de Marcos Valério, como forma de dissimular os pagamentos.

Os contratos da DNA e da SMP&B com a Brasil Telecom, segundo Zampronha, obedecem a uma sofisticada técnica de lavagem de dinheiro, usada em todo o esquema de Marcos Valério, conhecida como commingling (mescla, em inglês). Consiste em misturar operações ilícitas com atividades comerciais legais, de modo a permitir que outras empresas privadas possam se valer dos mesmos mecanismos de simulação e superfaturamento de contratos de publicidade para encobrir dinheiro sujo. No caso da BrT, cada um dos contratos, no valor de 25 milhões de reais, exigia contratação de terceiros para serem executados. Além disso, havia a previsão de pagamento fixo de 187,5 mil reais mensais às duas agências do Valerioduto, referente à prestação de serviços de “mídia e produção”.

Surpreendentemente, e contra todas as evidências, Dantas disse nunca ter participado da administração da BrT. Por essa razão, não teria condições de prestar qualquer informação sobre os contratos firmados pela então presidente da empresa, Carla Cicco, indicada por ele, com as agências de Marcos Valério. De volta a Itália desde 2005, Carla Cicco informou à PF não ter tido qualquer participação ou influência na contratação das agências, apesar de admitir ter assinado os contratos. Disse ter se encontrado com Marcos Valério uma única vez, numa reunião de trabalho com representantes da DNA.

O protagonismo de Dantas no valerioduto e o desmembramento da rede de negócios montada por Marcos Valério, desde 1999, nos governos do PSDB e do PT são elementos que, no relatório da PF, desmontam, por si só, a tese do pagamento de propinas mensais a parlamentares. Ou seja, a tese do “mensalão”, na qual se baseou a denúncia da PGR encaminhada ao Supremo, não encontra respaldo na investigação de Zampronha, a ponto de sequer ser considerada como ponto de análise.

O foco do delegado é outro crime, gravíssimo e comum ao sistema político brasileiro, de financiamento partidário baseado em arrecadação ilícita, montagem de caixa 2 e, passadas as eleições, divisão ilegal de restos de campanha a aliados e correligionários. Por essa razão, ele encomendou os novos laudos detalhados ao INC.

Uma das primeiras conclusões dos laudos de exame contábil foi que Marcos Valério usava a DNA Propaganda para desviar recursos do Fundo de Incentivo Visanet, empresa com participação acionária do Banco do Brasil, e distribui-los aos participantes do esquema do PT e de partidos aliados. O fundo foi criado em 2001 com o objetivo de financiar ações de marketing para incentivar o uso de cartões da bandeira Visa. O Visanet foi, inicialmente, constituído com recursos da Companhia Brasileira de Meios e Pagamentos (CBMP), nome oficial da empresa privada Visanet, e distribuído em cotas proporcionais de um total de 492 milhões de reais a 26 acionistas. Além do BB participam o Bradesco, Itaú, HSBC, Santander, Rural, e até mesmo o Panamericano, vendido recentemente por Silvio Santos ao banqueiro André Esteves. “Para operar tais desvios, Marcos Valério aproveita-se da confusão existente entre a verba oriunda do Fundo de Incentivo Visanet e aquela relacionada ao orçamento de publicidade próprio do Banco do Brasil”, anotou o policial.

O BB repassava mais de 30% do volume distribuído pelo fundo, cerca de 147,6 milhões de reais, valor correspondente à participação da instituição no capital da Visanet. Desse total, apenas a DNA Propaganda recebeu 60,5% do dinheiro, cerca de 90 milhões de reais, entre 2001 e 2005, divididos por dois anos no governo FHC, e por dois anos e meio, no governo Lula. Daí a constatação de que, de fato, por meio da Visanet, o valerioduto foi irrigado com dinheiro público. O que nunca se falou, contudo, é que essa sangria não se deu somente durante o governo petista, embora tenha sido nele o período de maior fartura da atividade criminosa. Quando eram os tucanos a coordenar o fundo, Marcos Valério meteu a mão em ao menos 17,2 milhões de reais.

De acordo com o relatório da PF, Marcos Valério tinha consciência de que agências de publicidade e propaganda representavam um mecanismo eficaz para desviar dinheiro público, por conta do caráter subjetivo dos serviços demandados. Mas havia um detalhe mais importante, como percebeu Zampronha. Com as agências, Valério passou a lidar com a compra de espaços publicitários em diversos veículos de comunicação. “Esta relação econômica estreitava o vínculo do empresário com tais veículos e poderia facilitar o direcionamento de coberturas jornalísticas”.

As Organizações Globo, proprietária da revista Época, sonegou a seus leitores, por exemplo, ter sido a maior beneficiária de uma das principais empresas do valerioduto. À página 68 do relatório, e em outras tantas, a TV Globo é citada explicitamente. Escreve o delegado: “A nota emitida pela empresa de comunicação destaca-se por sua natureza fiscal de adiantamento, “publicidade futura”, isto é, a nota por si só não traz qualquer prestação de serviço, como também não há elementos que vincule os valores adiantados ao fundo de incentivo Visanet”. Zampronha se referia a contratos firmados em 2003 no valor de 720 mil reais e 2,88 milhões de reais. Entre 2004 e 2005, a TV Globo receberia outros pagamentos da DNA, no valor total de 1,2 milhão de reais, lançados na planilha de controle do Fundo Visanet.

Mesmo tratado com simpatia na reportagem da Época, o Opportunity não perdoou. No item 17 de uma longa nota oficial em resposta, o banco atira: “Na Telemig, segundo informações prestadas à CPI do Mensalão, a maioria dos recursos eram repassados às Organizações Globo. Por isso, a apuração desses fatos fica fácil de ser feita pela Época.”

Segundo Zampronha, o objetivo do valerioduto era criar empresas de fachada para auxiliar na movimentação de dinheiro sujo e manter os interessados longe dos órgãos oficiais de fiscalização e controle. O leque de agremiações políticas para as quais Marcos Valério “prestava serviços” era tão grande que não restou dúvida ao delegado: “Estamos diante de um profissional sem qualquer viés partidário”. Isso não minimiza o fato de o PT, além de qualquer outra legenda, ter se lambuzado no esquema. Não fosse a denúncia de Jefferson, o valerioduto teria se inscrutado de forma absoluta no Estado brasileiro e se transformado em uma torneira permanemente aberta por onde jorraria dinheiro público para os cofres petistas.

CartaCapital não espera, como de costume, que esta reportagem tenha repercussões na mídia nativa. À exceção da desbotada tese do mensalão, que serve à disputa político-partidária na qual os meios de comunicação atuam como protagonistas, não há nenhum interesse em elucidar os fatos. O que, se assim for, provará que a sociedade afluente navega tranquilamente sobre o velho mar de lama.

Clicando aqui, você encontra os links para a íntegra do relatório da PF.

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O polêmico discurso de Dilma no aniversário da Folha

A presidenta Dilma Rousseff compareceu à cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, ontem à noite, quando proferiu um discurso em defesa da liberdade de imprensa. A presença e o discurso da presidenta geraram muita polêmica. Para muitos, Dilma errou ao comparecer ao evento e, mais ainda, ao elogiar o “bom jornalismo” do jornal da família Frias.

Em texto publicado no “Brasília, eu vi“, o jornalista Leandro Fortes afirmou que Dilma, em seu discurso, cometeu o “pecado capital” de ter “corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão”.

Transcrevo, abaixo, a íntegra do artigo de Leandro Fortes (comento em seguida):

Dilma na cova dos leões

Na íntegra do discurso de Dilma Rousseff proferido na cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, disponibilizado na internet pela página do Portal UOL, lê-se, não sem certo espanto: “Estou aqui representando a Presidência da República. Estou aqui como presidente da República”. Das duas uma: ou Dilma abriu mão, em um discurso oficial, de sua batalha pessoal para ser chamada de “presidenta”, ou, mais grave, a transcrição de seu discurso foi alterada para se enquadrar aos ditames do anfitrião, que a chama ostensivamente de “presidente”, muito mais por birra do que por purismo gramatical.

Caso tenha, de fato, por conta própria, aberto mão do título de “presidenta” que, até então, lhe parecia tão caro, este terá sido, contudo, o menor dos pecados de Dilma Rousseff no regabofe de 90 anos da Folha.

Explica-se: é a mesma Folha que estampou uma ficha falsa da atual presidenta em sua primeira página, dando início a uma campanha oficial que pretendia estigmatizá-la, às vésperas da campanha eleitoral de 2010, como terrorista, assaltante de banco e assassina. A ela e a seus companheiros de luta, alguns mortos no combate à ditadura.

Ditadura, aliás, chamada de “ditabranda”, pela mesma Folha.

Esta mesma Folha que, ainda na campanha de 2010, escalou um colunista para, imbuído de sutileza cavalar, chamá-la, e à atual senadora Marta Suplicy, de vadia e vagabunda.

Essa mesma Folha, ora homenageada com a presença de Dilma Rousseff.

Digo o menor dos pecados porque o maior, o mais grave, o inaceitável, não foi o de submeter a Presidência da República a um duvidoso rito de diplomacia de uma malfadada estratégia de realpolitik. O pecado capital de Dilma foi ter, quase que de maneira singela, corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão. Em noite de gala da rua Barão de Limeira, a presidenta usou como seu o discurso distorcido sobre dois temas distintos transformados, deliberadamente, em um só para, justamente, não ser uma coisa nem outra. Uma manipulação conceitual bolada como estratégia de defesa e ataque prévios à possível disposição do governo em rever as leis e normas que transformaram o Brasil num país dominado por barões de mídia dispostos, quando necessário, a apelar para o golpismo editorial puro e simples.

A liberdade de expressão que garantiu o surgimento de uma blogosfera crítica e atuante durante a guerra eleitoral de 2010 nada tem a ver com aquela outra, defendida pela Associação Nacional dos Jornais, comandada por uma executiva da Folha de S.Paulo. São posições, na verdade, antagônicas. A Dilma, é bom lembrar, a Folha jamais pediu desculpas (nem a seus próprios leitores, diga-se de passagem) por ter ostentado uma ficha falsa fabricada por sites de extrema-direita e vendida, nas bancas, como produto oficial do DOPS. Jamais.

Ao comparecer ao aniversário da Folha, a quem, imagina-se, deve ter processado por conta da ficha falsa, Dilma se fez acompanhar de um séquito no qual se incluiu o ministro da Justiça. Fez, assim, uma concessão que está no cerne das muitas desgraças recentes da história política brasileira, baseada na arte de beijar a mão do algoz na esperança, tão vã como previsível, de que esta não irá outra vez se levantar contra ela. Ledo engano. Estão a preparar-lhe uma outra surra, desta feita, e sempre por ironia, com o chicote da liberdade de imprensa, de expressão, cada vez mais a tomar do patriotismo o status de último refúgio dos canalhas.

Dilma foi torturada em um cárcere da ditadura, esta mesma, dita branda, que usufruiu de veículos da Folha para transporte e remoção de prisioneiros políticos – acusação feita pela jornalista Beatriz Kushnir no livro “Cães de guarda” (Editora Boitempo), nunca refutada pelos donos do jornal.

A presidenta conhece a verdadeira natureza dos agressores. Deveria saber, portanto, da proverbial inutilidade de se colocar civilizadamente entre eles.

A parcialidade,  o partidarismo e o reacionarismo da Folha de S.Paulo não são nenhuma novidade. Os episódios descritos por Leandro Fortes ainda estão vivos na memória daqueles que, como eu, se engajaram na eleição de Dilma Rousseff.

Apesar disso, considero exageradas as críticas à presidenta. A meu ver, Dilma teria sido extremamente descortês se não tivesse ido à cerimônia. Ao comparecer, demonstrou uma postura republicana, como convém à situação.

Em relação ao discurso, não vi, em nenhum momento, Dilma se referir à Folha como exemplo de “bom jornalismo”. A presidenta fez uma deferência ao fundador do jornal, Octavio Frias de Oliveira, citando-o como “um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador“.

Ao dizer isso, Dilma estaria concordando com o jornalismo praticado pela Folha? Não. Creio que a presidenta está se referindo somente à qualidade técnica do jornal, sem fazer nenhuma defesa da sua linha editorial, como muitos, apressadamente, interpretaram.

Discordo quando Dilma diz que a Folha ocupou um papel “decisivo em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso das Diretas Já”. Neste ponto, abusou da diplomacia.

Como lembrou Leandro Fortes, o jornal rebatizou a ditadura para “ditabranda” e, à época do regime dos generais, emprestou veículos para transporte e remoção de prisioneiros políticos. A Folha seguiu o mesmo receituário da TV Globo, que aderiu à campanha das Diretas Já apenas quando não havia outra saída.

No mais, Dilma fez um discurso óbvio: condenou a censura, defendeu a liberdade de expressão e disse que o governo “deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia“. Acrescentou, como havia dito durante a disputa eleitoral, que prefere “o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras“.

Dilma afirmou ainda que uma imprensa “livre, plural e investigativa” é “imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais.

A Folha, malandramente, tentou fazer crer que, ao pregar a “liberdade de imprensa e expressão“, Dilma estaria corroborando com o ‘modus operandi’ da grande imprensa e chancelando a doutrina da mídia conservadora — avessa a temas como regulação, controle social dos meios de comunicação e revisão do modelo brasileiro de concessões públicas de rádio e TV.

Não concordo com Leandro Fortes, para quem Dilma fez uma “concessão aos seus algozes”. A presidenta, na verdade, deu um recado ao jornal ao ponderar a necessidade da imprensa ser “livre e plural”. Liberdade de imprensa não é licença para manipular, distorcer ou mesmo inventar os fatos. Quando em vez de informar a mídia tenta influenciar os fatos, significa que extrapolou a sua função e abusou da liberdade.

A Folha é qualquer coisa, menos plural. Na cobertura da eleição presidencial de 2010, dedicou sucessivas páginas a factóides criados pela oposição, publicou na capa uma ficha falsa contra a então candidata petista e apoiou a campanha difamatória e fascista promovida pelo então candidato tucano, o ex-governador de São Paulo, José Serra.

Dilma demonstrou habilidade extrema ao preferir as entrelinhas para dizer o que pensa dos barões da mídia.

 

Obama enfrenta o PIG dos EUA

A Casa Branca decretou guerra contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista) dos Estados Unidos. O principal alvo é a rede Fox News, tida como uma “organização partidarizada, que funciona como apêndice do Partido Republicano.” A acusação é da diretora de Comunicações de Barack Obama, Anita Dunn.

Anita disse, sem meias palavras, como o PIG de lá trabalha. Em entrevista ao diário The New York Times, domingo (11), a diretora declarou que “a rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico.”

A revista Time explicou a nova estratégia de Obama para reagir aos ataques da mídia conservadora norte-americana:

Todas as críticas, diárias, repetidas, as justas e também as injustas, e as delirantes, todas, estão pesando sobre a Casa Branca, objeto de ataques incansáveis. Então, a Casa Branca pensou em uma nova estratégia: em vez de facilitar a vida dos jornalistas, oferecendo-lhes fatos que os jornais e jornalistas usam em seguida como se fossem ‘prova’ do que escreveriam contra Obama mesmo sem qualquer verificação ou sem qualquer prova, a Casa Branca decidiu entrar no jogo e criticar mordazmente o jornalismo de futricas, os políticos e os veículos que vivem de publicar bobagens, ou mentiras, ou invenções completamente nascidas das cabeças dos ‘jornalistas’, como, por exemplo, a ideia de que o plano de Obama para reforma da assistência à saúde dos norte-americanos incluiria “clínicas sexuais” a serem implantadas nas escolas. Obama, descansado e relaxado depois dos feriados em Martha’s Vineyard, riu da ideia dos ‘jornalistas’ e disse aos auxiliares que “Ok. Vamos chamar os caras p’ra conversar lá fora.”

Em outro trecho da matéria, Anita Dunn justifica a nova tática governista: “Trata-se de opinião partidarizada, travestida de noticiário e de jornalismo“, disparou ao comentar o modus operandi da Fox News. A matéria completa está no blog do Azenha.

Por alguns instantes, tive a impressão que a secretária de Obama estava falando sobre o Brasil e o PIG tupiniquim. Parece que os conservadores da mídia ianque fizeram um curso avançado de mau jornalismo com a turma daqui — Globo, Veja, Folha, entre outros.

Lamentavelmente, o popularíssimo presidente Lula se acovardou, fugiu do enfrentamento e preferiu conciliar com o PIG, esperando que os conservadores fossem menos hostis. Não deu certo.  O governo vive sob fogo cruzado da mídia tucana, saudosa da era neoliberal.

Mesmo assim, o governo recompensou os barões da mídia com o direito de indicar 40% dos delegados com poder de voto na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que vai ocorrer entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília.

Assim, a caixa-preta das concessões de rádio e televisão continua inviolável.

Sardenberg, comentarista da Globo, sai da linha

Do Portal Vermelho:

 

Grosseria de Sardenberg repercute na blogosfera

O comentarista Carlos Alberto Sardenberg, da Globo, irritou-se com a blogueira Sonia Montenegro ao ser questionado sobre a preocupação da grande imprensa em reproduzir os argumentos dos golpistas em Honduras. Ele respondeu a mensagem afirmando que essa opinião está “alguma coisa entre a cretinice e estupidez ou ideologia esquerdista, que é a mesma coisa”.

Diante da grosseria, a blogueira, colaborada da Agência Assaz Atroz, divulgou a resposta e sua réplica: “Engraçado, minha mãe, que bem me educou, sempre me disse que a agressividade é a arma de quem não tem argumentos. Mais grave no caso de um jornalista, que ataca gratuitamete uma leitora que lhe pede um esclarecimento.”

Para ela, Sardenberg revelou o seu lado anti-democrático, preconceituoso e desrespeitoso. “A postura de um jornalista, deveria ser da maior isenção possível e principalmente de respeito por todas as opiniões, ainda que não concorde com elas”.

Ele ficou irritado ao receber o comentário postado no blog de Eduardo Guimarães (http://edu.guim.blog.uol.com.br) dando conta de que a imprensa brasileira deve explicações sobre sua atuação na crise de Honduras. “Escandaliza sua evidente preocupação de reproduzir os argumentos dos golpistas hondurenhos, o que explica a facilidade de acesso de uma Globo a sítios em Tegucigalpa que poucos meios de comunicação estão tendo.”

O texto diz ainda que “é imperativo que se investigue os contatos dos grandes meios de comunicação brasileiros com o regime golpista de Honduras e uma eventual aliança desses meios com aquele regime”.

O jornalismo canalha da imprensa golpista

Quando a gente diz que a imprensa se transformou no PIG (Partido da Imprensa Golpista), há quem duvide. Qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico consegue perceber como a mídia manipula, distorce e descontextualiza as informações, conforme a conveniência da situação.

A estratégia mais usada é fabricar e divulgar escândalos contra desafetos políticos, cuja reputação é assassinada sem direito de defesa. Transforma-se uma versão do caso na única versão possível. O público quase nunca tem acesso ao contraditório. Os escândalos são noticiados em manchetes nas capas de jornais para, dias depois, serem desmentidos em constrangedores cantos de página.

Para quem ainda acredita no PIG, Luis Nassif revelou mais uma armação vastamente destacada, acriticamente, pela mídia a serviço dos tucanos.

É o vergonhoso caso do dossiê mentiroso produzido contra Victor Martins, irmão do ministro Franklin Martins (Comunicações), divulgado pelo reacionário Diogo Mainardi em sua coluna na Veja.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal comprovaram que o dossiê divulgado por Mainardi é falso. No documento, Victor Martins, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), é acusado favorecer prefeituras que contratavam a Análise Consultoria, empresa que o diretor tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Em troca, as prefeituras receberiam mais dinheiros dos royalties da Petrobras.

O dossiê, segundo a PF, foi fabricado por Wilson Ferreira Pinna, agente federal aposentado, lotado na ANP.

Leia abaixo matéria do Portal Vermelho sobre o assunto:

PF descobre quem foi que tramou com a Veja os ataques a Martins

O agente federal aposentado Wilson Ferreira Pinna, lotado na Agência Nacional de Petróleo (ANP), foi apontado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. O dossiê falsificado foi usado pela revista Veja para atacar a ANP e o ministro.

O material falsificado acusava Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que ele tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal dos irmãos de Vitor, inclusive do ministro.

Após a revista “Veja” divulgar o dossiê em abril, primeiramente através da coluna de Diogo Mainardi e posteriormente em matérias da própria revista, o Ministério Público Federal constatou que o documento não estava no inquérito da Delegacia Fazendária, que apura corrupção nos repasses de royalties. A inexistência do dossiê levou o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a abrir novo inquérito.

Em maio, a PF descobriu um pendrive com o falso dossiê, as declarações de renda obtidas ilegalmente e as transcrições de gravações telefônicas. Não se sabe ainda qual jornalsita da revista Veja recebeu o pendrive, mas os policiais identificaram Pinna como o autor.

Por meio de representação à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, onde tramita o inquérito, foi pedida a prisão do agente, além de busca e apreensão na sua casa e na ANP.

O pedido foi para as mãos do juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal, que não analisou o caso, provocando um conflito de competência. Tudo parou até 15 de julho, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu que a competência é da 2ª Vara. Após negar pedido de prisão, Hartmann intimou Pinna a apresentar sua defesa, antes de decidir se aceita a denúncia.

Ontem, procurado pelo Estado, Pinna reclamou da divulgação do caso por conta do segredo de Justiça e depois se apegou na rejeição do pedido de prisão para se defender. Vitor repetiu o que falou na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: “Quero justiça, saber quem fez essa investigação criminosa, a mando de quem, quem pagou e com qual objetivo.”

Em seu blog, o jornalista Luís Nassif afirma que a lógica deste novo episódio do dissiê contra Martins é a mesma que descreve na série de matérias que desmascaram a revista Veja, especialmente no capítulo “O Lobista de Dantas”. “Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi. Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático”, denuncia Nassif.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

 

Matéria de ontem (25) da Folha de São Paulo afirmava que Wilson Ferreira Pinna, autor do dossiê falso, foi nomeado em 2005 pela diretoria colegiada da ANP para o cargo de assessor do diretor-geral Haroldo Lima, tornando-se seu “homem de confiança”. Em carta ao jornal, Haroldo Lima desmentiu as informações.

O diretor-geral afirmou que o jornalista Marcio Aith “não apurou a matéria como deveria”. Haroldo sustentou que  Pinna nunca esteve em seu gabinete nem era seu “homem de confiança”.

O jornal mentiu ainda, segundo o diretor, ao dizer que Pinna “foi recrutado por Lima em agosto de 2005”. Haroldo esclareceu que o araponga, na verdade, ingressou na ANP em 27 de setembro de 2001. A ANP, nessa época, era presidida por David Zylbersztajn, genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso. (Leia a íntegra da carta de Haroldo Lima no blog do Azenha)

No Jornal Nacional de sábado (26), o repórter Eduardo Tchao chamou o dossiê de “relatório”. A Globo tentou se justificar por ter divulgado a falsificação. O JN não disse que Pinna foi levado para a ANP pelo genro de FHC. O JN também não disse que Victor Martins é irmão do ministro Franklin Martins. A matéria terminou sem que o telespectador fosse informado sobre o conteúdo do dossiê falso.

Globo e Censura: tudo a ver

Emissora quer controlar participação dos seus artistas no Orkut e no Twitter

Como sabemos, a história da emissora da família Marinho guarda muita proximidade com o regime de excessão que vigou no Brasil durante 20 anos, onde prevaleceu, em quase todo o período, a regra da censura.  A ditadura controlava tudo e só deixava passar o que não era considerado “subversivo”. A Globo deu apoio irrestrito ao regime, inclusive omitindo dos seus noticiários o movimento das “Diretas Já”.

Esse DNA ditatorial, com a mania de querer controlar tudo ao seu redor, ainda é caracterísco da Globo. No blog dia a dia, bi a bit da Terra Magazine, o cientista Silvio Meira revela que a vênus platinada baixou uma  norma restringindo o uso das chamadas redes sociais pelos seus contratados (principalmente artistas). Com isso, a emissora quer controlar o que seus funcionários fazem e as opiniões que emitem em sites de relacionamento, como o Orkut e o Twitter.

Silvio conta mais sobre por que a Globo quer controlar o Orkut e o Twitter dos seus artistas:

 

a globo tem, sob contrato, a maioria dos artistas mais rentáveis, como audiência –e propaganda- do país. e todos eles assinam um contrato que transforma sua “produção” em propriedade da empresa. o que é normal, pois o mesmo ocorre na record, na folha, no estado… ou qualquer outro lugar onde pessoas trabalham, arrendadas, para produzir performance ou conteúdo. faz parte do jogo.

ocorre que todo mundo que assina os contratos está, também no twitter, facebook, youTube…, não só de livre e espontânea vontade mas porque, de certa forma, tem que estar lá. afinal, artistas são pontos focais de redes sociais; e as redes sociais reais, daqui de fora, estão todas lá, na rede…

a globo [entre muitas outras empresas “de conteúdo”] está incomodada com essa, digamos, dispersão de conteúdo supostamente sob seu controle e baixou uma norma proibindo, a seus contratados… “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à emissora, ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”. segundo a empresa, a razão é proteger seus… “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

por que a globo está fazendo isso? porque boa parte da “audiência” de seus contratados está fora de seu controle, em redes como twitter e facebook. porque as redes sociais são uma ameaça de fato à hegemonia da TV sobre o que costumava ser chamado de “audiência” e, lá nas redes, é de fato “comunidade”. e porque a globo, entre muitos outros, bem que poderia ter criado as suas próprias redes sociais, mas não o fez.

 

Para ler a íntegra do texto, clique aqui.

Lendo as entrelinhas

A Folha de São Paulo deste domingo (16) traz os números da nova pesquisa Datafolha sobre a intenção de voto dos brasileiros para a eleição presidencial de 2010.

Os dados do levantamento são os seguintes:

José Serra (PSDB): 37% (eram 38% na pesquisa anterior)

Dilma Rousseff (PT): 16%

Ciro Gomes (PSB): 15%

Marina Silva (PT): 3%

Esse é o principal cenário pesquisado. Os números variam quando Serra é substituído pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB), que chega a 20% no cenário sem Ciro. Neste caso, Dilma e Heloísa Helena (PSOL) registram o mesmo percentual: 24%.

Interessante é como a Folha joga confete para Serra e diminui a importância de Dilma. Na Folha Online, o índice de Dilma é anunciado como se fosse um vexame: 

Presença constante com o presidente Lula em eventos pelo país, Dilma manteve 16% e está tecnicamente empatada com o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), com 15%.

A Folha deveria aplicar a mesma lógica ao tucano José Serra. O governador de São Paulo tem feito incursões agressivas na mídia, principalmente via publicidade estatal em rede nacional, como no caso da Sabesp. Serra contou ainda com uma generosa superexposição televisiva, especialmente nos telejornais e programas de entretenimento da Globo. No Jornal Nacional, muita serpentina para a lei anti-fumo. Serra também foi convidado único do Programa do Jô, onde vendeu seu peixe à vontade. Apesar dessa presença ostensiva na mídia, Serra caiu 1% na nova rodada de pesquisas Datafolha. Isso sim é um vexame.

Dilma, por sua vez, está na mira do PIG desde que foi elevada à condição de pré-candidata petista. O sensacionalismo descarado da repercusão do episódio da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, como tentativa de associar a ministra a um desgastadíssimo José Sarney, é a nova estratégia da campanha para desgastar Dilma Rousseff. Apesar desse tratamento desfavorável, a ministra se manteve com 16%. Não é pouca coisa.

A pesquisa também apontou que a popularidade do governo Lula continua na estratosfera. De acordo com o Datafolha, o governo petista é avaliado como ótimo/bom por 67% dos entrevistados (eram 69% antes). Enquanto isso, 25% acham o governo regular. Apenas 8% classificam a administração de Lula como ruim/péssima.

A Folha observa que o presidente manteve os excelentes índices de aprovação apesar da “mais nova crise política nacional“. Mas, até onde sei, a crise se passa no Senado, não na Alvorada. O que a Folha pretende ao tentar induzir os leitores a culparem Lula pelo que ocorre no Senado?

O blog da serva do Senhor

Passando pelo Blog do Fialho, cheguei ao inacreditável Blog da Cleycianneuma serva do Senhor no mundo da internet. A autora do blog se descreve como modelo fotográfica e cristã batizada há 2 anos. Cleycianne diz que seu objetivo é “comentar as coisas que acontecem na internet com uma visão cristã”.

O blog é recheado de textos engraçadíssimos. Num post sobre o caso da troca de acusações entre a Globo e a Record, Cleycianne faz o seguinte comentário:

Estamos cansados de sermos perseguidos!! Eu não sou da Igreja do Edir Macedo, mas vejo a injustiça que estão fazendo!!! Um homem de Deus, perseguido pela mídia, principalmente pela satânica Rede Globo!!

Para provar que Edir Macedo é um homem de Deus, eu fiz um estudo utilizando o programa Photoshop mostrando como o rosto de Jesus se encaixa perfeitamente no do Pastor, ou seja, ele realmente é abençoado!!

Edir Macedo

 

Cleycianne é um gênio: sarcástica, irônica, cara-de-pau e loira!!!

A guerra pela hegemonia na mídia

Edir Macedo acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A Globo deita, rola e faz carnaval. Deflagrada a guerra entre a Record e a TV da família Marinho.

No Jornal Nacional, a emissora do Jardim Botânico dá amplo espaço às acusações do Ministéro Público contra o líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A denúncia do MP diz que Edir Macedo usou o dinheiro dos dízimos e ofertas dos fiéis da IURD para comprar a TV Record e outros bens. A Justiça aceitou a denúncia na última segunda (10), transformando em réus o bispo e outras nove pessoas.

O contra-ataque veio no Jornal da Record, com uma reportagem acusando Rede Globo de “manipular o noticiário”. Para comprovar o jogo sujo da concorrente, a matéria relembrou episódios como a clássica edição do debate entre Lula e Collor no segundo turno das eleições de 1989, fato apontado como decisivo na vitória daquele que se intitulava caçador de marajás.

A família Marinho sempre usou a emissora a favor de seus interesses pessoais“, dizia trecho da matéria. A Globo, por sua vez, continua destacando o caso Edir Macedo, mostrando vídeos antigos onde o bispo aparece ensinando aos obreiros da IURD como extrair dinheiro dos fiéis. A artilharia também conta com cenas de cultos da IURD, onde pastores pedem, sem nenhum pudor, para que os fiéis “entreguem tudo”.

Ontem (13), uma longa matéria do Jornal da Record mostrou histórias de fiéis bem-sucedidos da IURD, pessoas que teriam alcançado a prosperidade graças ao ensinamentos da seita do bispo. O que o Jornal da Record não disse é que a Teologia da Prosperidade é um amontoado de promessas falaciosas, vendidas como música para milhões de desesperados que lotam igrejas neopentecostais em busca de esperança.

Essas igrejas sabem como explorar o potencial arrebatador das promessas de riqueza, saúde e felicidade emocional. Mas fica só nisso mesmo: promessas. Depois que acordam do transe, as pessoas veem a esperança escorrer pelo ralo. Para o sociólogo Paulo Romeiro, essa corrente teológica tem produzido uma “geração de decepcionados”, pessoas que se frustram quando não encontram as “respostas imediatas” para seus problemas.

Mas, voltando à briga entre a Globo e a Record, o que chama atenção na troca de acusações é que, neste caso, os dois lados têm razão. Independente da motivação, ninguém pode acusar a Globo de manipulação neste episódio. Alguém, minimamente inteligente, duvida que Edir Macedo tenha desviado dinheiro da IURD para comprar a Record? Por outro lado, quem não conhece o histórico de armações da Globo?

Nessa guerra, não há inocentes. Não é a democratização dos meios de comunicação que está em jogo. A guerra entre a Globo e a Record é pela hegemonia midiática. Por isso, é pura ingenuidade torcer por alguém nessa história. De que valeria a queda do império global  só pra dar lugar a um império universal, sustentado às custas da exploração da fé alheia?!

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