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Bate-boca ao vivo no Jornal Nacional de Portugal

Numa entrevista ao vivo, o advogado e jornalista português António Marinho Pinto acusou a apresentadora Manuela Moura Guedes – âncora do Jornal Nacional da TVI (espécie de TV Globo de Portugal) – de fazer mau jornalismo e violar sistematicamente o estatuto da profissão.

O que você faz é julgamento disfarçado de entrevista“, disparou, acrescentando que a jornalista não informa, mas emite “julgamento sumário sobre as pessoas, manipulando fatos, truncando afirmações e o discurso das pessoas“.

Notaram alguma semelhança com o tratamento que a mídia daqui costuma dar às notícias?

Veja o vídeo do barraco abaixo:

O jornalismo canalha da imprensa golpista

Quando a gente diz que a imprensa se transformou no PIG (Partido da Imprensa Golpista), há quem duvide. Qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico consegue perceber como a mídia manipula, distorce e descontextualiza as informações, conforme a conveniência da situação.

A estratégia mais usada é fabricar e divulgar escândalos contra desafetos políticos, cuja reputação é assassinada sem direito de defesa. Transforma-se uma versão do caso na única versão possível. O público quase nunca tem acesso ao contraditório. Os escândalos são noticiados em manchetes nas capas de jornais para, dias depois, serem desmentidos em constrangedores cantos de página.

Para quem ainda acredita no PIG, Luis Nassif revelou mais uma armação vastamente destacada, acriticamente, pela mídia a serviço dos tucanos.

É o vergonhoso caso do dossiê mentiroso produzido contra Victor Martins, irmão do ministro Franklin Martins (Comunicações), divulgado pelo reacionário Diogo Mainardi em sua coluna na Veja.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal comprovaram que o dossiê divulgado por Mainardi é falso. No documento, Victor Martins, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), é acusado favorecer prefeituras que contratavam a Análise Consultoria, empresa que o diretor tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Em troca, as prefeituras receberiam mais dinheiros dos royalties da Petrobras.

O dossiê, segundo a PF, foi fabricado por Wilson Ferreira Pinna, agente federal aposentado, lotado na ANP.

Leia abaixo matéria do Portal Vermelho sobre o assunto:

PF descobre quem foi que tramou com a Veja os ataques a Martins

O agente federal aposentado Wilson Ferreira Pinna, lotado na Agência Nacional de Petróleo (ANP), foi apontado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. O dossiê falsificado foi usado pela revista Veja para atacar a ANP e o ministro.

O material falsificado acusava Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que ele tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal dos irmãos de Vitor, inclusive do ministro.

Após a revista “Veja” divulgar o dossiê em abril, primeiramente através da coluna de Diogo Mainardi e posteriormente em matérias da própria revista, o Ministério Público Federal constatou que o documento não estava no inquérito da Delegacia Fazendária, que apura corrupção nos repasses de royalties. A inexistência do dossiê levou o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a abrir novo inquérito.

Em maio, a PF descobriu um pendrive com o falso dossiê, as declarações de renda obtidas ilegalmente e as transcrições de gravações telefônicas. Não se sabe ainda qual jornalsita da revista Veja recebeu o pendrive, mas os policiais identificaram Pinna como o autor.

Por meio de representação à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, onde tramita o inquérito, foi pedida a prisão do agente, além de busca e apreensão na sua casa e na ANP.

O pedido foi para as mãos do juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal, que não analisou o caso, provocando um conflito de competência. Tudo parou até 15 de julho, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu que a competência é da 2ª Vara. Após negar pedido de prisão, Hartmann intimou Pinna a apresentar sua defesa, antes de decidir se aceita a denúncia.

Ontem, procurado pelo Estado, Pinna reclamou da divulgação do caso por conta do segredo de Justiça e depois se apegou na rejeição do pedido de prisão para se defender. Vitor repetiu o que falou na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: “Quero justiça, saber quem fez essa investigação criminosa, a mando de quem, quem pagou e com qual objetivo.”

Em seu blog, o jornalista Luís Nassif afirma que a lógica deste novo episódio do dissiê contra Martins é a mesma que descreve na série de matérias que desmascaram a revista Veja, especialmente no capítulo “O Lobista de Dantas”. “Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi. Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático”, denuncia Nassif.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

 

Matéria de ontem (25) da Folha de São Paulo afirmava que Wilson Ferreira Pinna, autor do dossiê falso, foi nomeado em 2005 pela diretoria colegiada da ANP para o cargo de assessor do diretor-geral Haroldo Lima, tornando-se seu “homem de confiança”. Em carta ao jornal, Haroldo Lima desmentiu as informações.

O diretor-geral afirmou que o jornalista Marcio Aith “não apurou a matéria como deveria”. Haroldo sustentou que  Pinna nunca esteve em seu gabinete nem era seu “homem de confiança”.

O jornal mentiu ainda, segundo o diretor, ao dizer que Pinna “foi recrutado por Lima em agosto de 2005”. Haroldo esclareceu que o araponga, na verdade, ingressou na ANP em 27 de setembro de 2001. A ANP, nessa época, era presidida por David Zylbersztajn, genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso. (Leia a íntegra da carta de Haroldo Lima no blog do Azenha)

No Jornal Nacional de sábado (26), o repórter Eduardo Tchao chamou o dossiê de “relatório”. A Globo tentou se justificar por ter divulgado a falsificação. O JN não disse que Pinna foi levado para a ANP pelo genro de FHC. O JN também não disse que Victor Martins é irmão do ministro Franklin Martins. A matéria terminou sem que o telespectador fosse informado sobre o conteúdo do dossiê falso.

Lendo as entrelinhas

A Folha de São Paulo deste domingo (16) traz os números da nova pesquisa Datafolha sobre a intenção de voto dos brasileiros para a eleição presidencial de 2010.

Os dados do levantamento são os seguintes:

José Serra (PSDB): 37% (eram 38% na pesquisa anterior)

Dilma Rousseff (PT): 16%

Ciro Gomes (PSB): 15%

Marina Silva (PT): 3%

Esse é o principal cenário pesquisado. Os números variam quando Serra é substituído pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB), que chega a 20% no cenário sem Ciro. Neste caso, Dilma e Heloísa Helena (PSOL) registram o mesmo percentual: 24%.

Interessante é como a Folha joga confete para Serra e diminui a importância de Dilma. Na Folha Online, o índice de Dilma é anunciado como se fosse um vexame: 

Presença constante com o presidente Lula em eventos pelo país, Dilma manteve 16% e está tecnicamente empatada com o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), com 15%.

A Folha deveria aplicar a mesma lógica ao tucano José Serra. O governador de São Paulo tem feito incursões agressivas na mídia, principalmente via publicidade estatal em rede nacional, como no caso da Sabesp. Serra contou ainda com uma generosa superexposição televisiva, especialmente nos telejornais e programas de entretenimento da Globo. No Jornal Nacional, muita serpentina para a lei anti-fumo. Serra também foi convidado único do Programa do Jô, onde vendeu seu peixe à vontade. Apesar dessa presença ostensiva na mídia, Serra caiu 1% na nova rodada de pesquisas Datafolha. Isso sim é um vexame.

Dilma, por sua vez, está na mira do PIG desde que foi elevada à condição de pré-candidata petista. O sensacionalismo descarado da repercusão do episódio da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, como tentativa de associar a ministra a um desgastadíssimo José Sarney, é a nova estratégia da campanha para desgastar Dilma Rousseff. Apesar desse tratamento desfavorável, a ministra se manteve com 16%. Não é pouca coisa.

A pesquisa também apontou que a popularidade do governo Lula continua na estratosfera. De acordo com o Datafolha, o governo petista é avaliado como ótimo/bom por 67% dos entrevistados (eram 69% antes). Enquanto isso, 25% acham o governo regular. Apenas 8% classificam a administração de Lula como ruim/péssima.

A Folha observa que o presidente manteve os excelentes índices de aprovação apesar da “mais nova crise política nacional“. Mas, até onde sei, a crise se passa no Senado, não na Alvorada. O que a Folha pretende ao tentar induzir os leitores a culparem Lula pelo que ocorre no Senado?

A guerra pela hegemonia na mídia

Edir Macedo acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A Globo deita, rola e faz carnaval. Deflagrada a guerra entre a Record e a TV da família Marinho.

No Jornal Nacional, a emissora do Jardim Botânico dá amplo espaço às acusações do Ministéro Público contra o líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A denúncia do MP diz que Edir Macedo usou o dinheiro dos dízimos e ofertas dos fiéis da IURD para comprar a TV Record e outros bens. A Justiça aceitou a denúncia na última segunda (10), transformando em réus o bispo e outras nove pessoas.

O contra-ataque veio no Jornal da Record, com uma reportagem acusando Rede Globo de “manipular o noticiário”. Para comprovar o jogo sujo da concorrente, a matéria relembrou episódios como a clássica edição do debate entre Lula e Collor no segundo turno das eleições de 1989, fato apontado como decisivo na vitória daquele que se intitulava caçador de marajás.

A família Marinho sempre usou a emissora a favor de seus interesses pessoais“, dizia trecho da matéria. A Globo, por sua vez, continua destacando o caso Edir Macedo, mostrando vídeos antigos onde o bispo aparece ensinando aos obreiros da IURD como extrair dinheiro dos fiéis. A artilharia também conta com cenas de cultos da IURD, onde pastores pedem, sem nenhum pudor, para que os fiéis “entreguem tudo”.

Ontem (13), uma longa matéria do Jornal da Record mostrou histórias de fiéis bem-sucedidos da IURD, pessoas que teriam alcançado a prosperidade graças ao ensinamentos da seita do bispo. O que o Jornal da Record não disse é que a Teologia da Prosperidade é um amontoado de promessas falaciosas, vendidas como música para milhões de desesperados que lotam igrejas neopentecostais em busca de esperança.

Essas igrejas sabem como explorar o potencial arrebatador das promessas de riqueza, saúde e felicidade emocional. Mas fica só nisso mesmo: promessas. Depois que acordam do transe, as pessoas veem a esperança escorrer pelo ralo. Para o sociólogo Paulo Romeiro, essa corrente teológica tem produzido uma “geração de decepcionados”, pessoas que se frustram quando não encontram as “respostas imediatas” para seus problemas.

Mas, voltando à briga entre a Globo e a Record, o que chama atenção na troca de acusações é que, neste caso, os dois lados têm razão. Independente da motivação, ninguém pode acusar a Globo de manipulação neste episódio. Alguém, minimamente inteligente, duvida que Edir Macedo tenha desviado dinheiro da IURD para comprar a Record? Por outro lado, quem não conhece o histórico de armações da Globo?

Nessa guerra, não há inocentes. Não é a democratização dos meios de comunicação que está em jogo. A guerra entre a Globo e a Record é pela hegemonia midiática. Por isso, é pura ingenuidade torcer por alguém nessa história. De que valeria a queda do império global  só pra dar lugar a um império universal, sustentado às custas da exploração da fé alheia?!

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