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Em entrevista-bomba, Arruda envolve Agripino e Micarla no “mensalão do DEM”

Com seis meses de atraso, o site da revista Veja, maior representante da mídia conservadora brasileira, publicou entrevista com o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), que acusou os caciques do seu antigo partido de receberem dinheiro do esquema do mensalão do DEM.

Após a deflagração da Operação Caixa de Pandora pela Polícia Federal, Arruda foi preso, perdeu o mandato e terminou expulso do DEM. A investigação da PF revelou que o ex-governador comandava um esquema de arrecadação e distribuiçaõ de propinas com dinheiro público no DF.

Na entrevista (leia a íntegra aqui), concedida em setembro do ano passado, segundo advogados do ex-governador, mas publicada somente agora pela Veja, Arruda diz que deu “ajuda financeira” à cúpula do DEM. Os senadores José Agripino (RN) e Demóstenes Torres (TO), o ex-senador MArco Maciel (PE) e os deputados federais Rodrigo Maia (RJ), ACM Neto (BA) e Ronaldo Caiado (GO) são citados como beneficiários da quadrilha do DF.

Ao mencionar a ajuda ao senador potiguar, atual presidente nacional da legenda, Arruda envolveu também a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), no esquema de corrupção. O ex-governador disse que José Agripino o procurou pedindo R$ 150 mil para a campanha de Micarla em 2008. “Eu ajudei e até a Micarla veio aqui me agradecer depois de eleita“, declarou.

Os líderes do DEM, como era previsível, negaram as acusações de José Roberto Arruda. As negativas, porém, devem ir além das declarações razas. A simples estratégia de desqualificar o denunciante não convence. O ex-governador era a maior estrela do DEM, chegou a ser cotado para ser vice do tucano José Serra na disputa pela Presidência da República e sua administração era tida como vitrine do partido.

Quando ainda estava preso na Polícia Federal, Arruda havia ameaçado os ex-colegas de partido de revelar a participação deles no mensalão do DEM. Por algum motivo misterioso, a revista guardou a entrevista até agora.

A prefeita Micarla de Sousa é outra que precisa prestar esclarecimentos públicos sobre as acusações de Arruda. Micarla esteve mesmo com o ex-governador e o agradeceu pela suposta ajuda financeira a sua campanha? Caso seja verdade, trata-se de fato gravíssimo.

O senador José Agripino, conhecido pelas bandas daqui pelo seu envolvimento no escândalo do “rabo de palha“, se vê citado em um novo caso cabeludo. Logo agora, quando assumiu a presidência do partido para tentar salvá-lo da morte iminente. Com a palavra, o nosso Jajá.

 

A lenta morte do DEM

O outrora poderoso DEM, cujas raízes remetem à ARENA (Aliança Renovadora Nacional), sustentáculo da ditadura militar, vive seu pior momento político desde a eleição de Lula em 2002, quando o partido começou a minguar e perder importância no cenário político brasileiro.

A anunciada saída do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deverá transformar o ex-FPL e ex-PDS numa legenda periférica. Kassab confirmou que criará outro partido para, mais tarde, fazer sua fusão com o PSB. Pretende levar senadores, deputados, vereadores e prefeitos para a nova agremiação política.

O DEM começou a perder espaço ainda durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando os tucanos ganharam a preferência da parcela mais conservadora dos eleitores. Com o fim da Era FHC, os liberais entraram em queda livre.

Nas últimas eleições, a legenda diminuiu ainda mais na Câmara e no Senado. A bancada ficou reduzida a 46 deputados federais (eram 65 em 2006) e 5 senadores (eram 14 até o fim de 2010).

Mas o partido poderá ficar ainda menor. É que a senadora Kátia Abreu (TO), líder da bancada ruralista, declarou que a oposição “está na UTI”, revelou que se sente “desconfortável” e admitiu que deverá ingressar em outro partido.

Além dela, o partido poderá perder ainda a governadora do RN, Rosalba Ciarlini. Na imprensa potiguar, comenta-se que a democrata pensa em migrar para uma legenda da base aliada da presidenta Dilma Rousseff (PT). Caso tenha êxito a estratégia do prefeito de São Paulo de criar um novo partido e posteriormente incorporá-lo ao PSB, driblando as regras contra a infidelidade partidária, Rosalba estaria disposta a acompanhar Gilberto Kassab. Assim, num futuro próximo, assumiria o comando do PSB no RN.

Conservadorismo

Como observou Maria Inês Nassif, repórter especial de Política do Valor Econômico, a imagem do DEM sempre esteve ligada ao conservadorismo. A legenda mudou de nome, inventou um novo slogan — “O partido das novas ideias” — e renovou sua liderança, mas continuou identificado à ideologia arcaica, ao coronelismo regional e às oligaquias estaduais, que se projetaram nacionalmente com a ajuda do regime militar.

Apesar das pirotecnias retóricas e publicitárias, o partido, na verdade, nunca deu nenhum passo para romper com sua velha estrutura apoiada na eternização de lideranças desgastadas ou de seus herdeiros, como os deputados federais Rodrigo Maia (RJ) e ACM Neto (BA). Prova disso é a eleição do senador José Agripino (RN), prevista para ocorrer em março, para a presidência da legenda.

O senador potiguar é um símbolo da tradição coronelística e oligárquica que dominou o país durante décadas, com notada predominância na região Nordeste. O começo da trajetória de Agripino não deixa dúvidas quanto a isso: prefeito biônico de Natal, nomeado pelo primo e então governador Lavoisier Maia, ingressou na política pela porta da ditadura.

Antes dele, seu pai, Tarcísio Maia, havia sido nomeado governador do RN pelo general Golobery do Couto e Silva durante o governo Geisel. Com a ascenção petista ao poder em 2003, Agripino notabilizou-se ao liderar o partido em sua ‘cruzada ética’ durante a oposição ao governo Lula.

O monopólio do discurso moral era a estratégia para tentar sobreviver junto à opinião pública. O plano caiu por terra quando a Polícia Federal prendeu José Roberto Arruda, único governador eleito pela legenda em 2006, acusado de comandar um esquema de pagamento de propina no Distrito Federal. O episódio ficou conhecido como o mensalão do DEM.

Resta esperar para ver se o partido vai continuar minguando até desaparecer ou se encontrará um caminho que evite a iminente extinção.

 

Desgraça pouca é bobagem

O jornalista e publicitário Sávio Hackradt, em seu Calogotango, fez o alerta: os caciques potiguares começaram a armar a estratégia para conquistar a Prefeitura de Natal em 2012. Depois de patrocinarem a desastrosa eleição de Micarla de Sousa (PV), o senador José Agripino (DEM) e o vice-governador eleito Robinson Faria (PMN) abandonaram a canoa furada da lepidoptera e deram a largada rumo ao Palácio Felipe Camarão, sede do Executivo Municipal.

Agripino deseja fazer do filho, o deputado federal Felipe Maia (DEM), o sucessor de Micarla de Sousa. Enquanto isso, Robinson ameaça lançar a candidatura do filho e dublê de deputado federal, Fábio Faria (PMN), para se contrapor ao herdeiro do clã Maia.

Ao mesmo tempo, Robinson flerta com a candidatura da deputada estadual Gesane Marinho (PMN). Na verdade, como observa Sávio, a candidatura da “deputada da alimentação” não passa de blefe. Robinson pretende usar Fábio ou Gesane como cartas para negociar um possível apoio ao filho de Agripino.

É isso aí, amigo. Depois do presente de grego que prepararam pra gente com a eleição de Micarla, o senador e o novo vice-governador agora querem aprontar mais essa. Felipe, Fábio e Gesane… É por isso que eu digo que desgraça pouca é bobagem.

A vereadora, o escândalo e a alegoria do “faz-de-conta”

Num único ato, o pano veio ao chão, a coxia iluminada trouxe à cena a trama armada às escuras, os atores — sem a proteção das máscaras — se mostraram como em verdade são: artistas mambembes num espetáculo tosco.

No palco, uma personagem caricata protagoniza um enredo sem pudor. Flagrada, tenta a última cartada para escapar da execração pública: dissimula. Farsa, truque e tragédia se misturam nessa história de escândalo, vergonha e mentira.

O episódio em questão é o caso da vereadora sargento Mary Regina (PDT), que desde a última sexta-feira (03) anda às voltas com a divulgação de 18 vídeos no Youtube, nos quais revela, em pormenores, o modus operandi da pequena política natalense.

Na série de gravações, a parlamentar conta com desenvoltura segredos até então inconfessos: a negociação para reeleger o colega vereador Dickson Nasser (PSB) para a Presidência da Câmara de Natal (o passe ficou acertado em R$ 10 mil); o esquema envolvendo os cargos comissionados a serviço do gabinete dela (a vereadora admite que fica com parte dos salários dos funcionários); as razões para apoiar a reeleição do senador José Agripino (a pedetista se refere ao democrata como “péssimo governador”, jura que o destesta, mas esclarece que só está interessada “no dinheiro dele” e no espaço na TV Tropical); o plano para conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa (Regina explica que precisa de R$ 700 mil para bancar a campanha e comprar lideranças no interior); e os ataques aos companheiros da oposição (afirma que o vereador Raniere Barbosa enriqueceu ilicitamente às custas da Semsur e acusa o vereador George Câmara de manter 30 cargos comissionados no Governo do Estado).

Um dia após o estouro da bomba, a vereadora divulgou um nota de esclarecimento em seu blog, em que se esforça, sem sucesso, para justificar o injustificável. Regina assume que a imagem e a voz nas gravações são dela, mas se diz vítima de uma armação.

Para desviar o foco do escândalo, argumenta que estava “desarmada numa reunião entre amigos”, resume o problema à divulgação dos vídeos e, evocando a máxima existencialista de que “o inferno são os outros”, lamenta que “algumas pessoas” tenham agido “sem pensar no mal” que estavam causando à categoria dos policiais militares.

Na mesma nota, a vereadora nega ter recebido dinheiro de Dickson Nasser, chama Raniere Barbosa de “amigo”, afirma invejar “sadiamente” George Câmara, derrete-se em elogios a José Agripino — a quem antes qualificara de “péssimo governador” — e revela que foi “orientada” a criticar o democrata para “acalmar alguns ‘companheiros’ que desejavam vantagens pessoais”.

As justificativas da vereadora, além de surreais, soam como escárnio contra nossa cansada inteligência. Apesar da clareza das imagens, Regina imagina ser possível nos convencer do seu plano infantil para juntar os cacos da sua imagem.

Os vídeos, os desmentidos e a desfaçatez, somados, produzem a alegoria perfeita para o “faz-de-conta” em que se transformou a disputa pelo poder na terra de Cascudo. No final, fica sempre aquela sensação de que já vimos esse filme antes.

Jajá e a democracia

O blog reproduz o comentário do leitor e colaborador Zózimo Carlisle sobre a metamorfose do filhote da ditadura, José Agripino, aquele que serviu ao regime dos generais, mas agora cospe no prato em que comeu:

 

Jajá, um revolucionário da democracia! Aliás, o próprio nome do partido dele já diz. Engraçado esse alinhamento político-partidário brasileiro, em que a sigla do partido em nada reflete a ideologia dos seus representantes, tampouco da teoria política original. Trata-se única e exclusivamente de marketing e publicidade.

Agripino e a quebra do Bandern e do BDRN

Ainda no embalo das comemorações pelos 30 anos de “vida pública” (sic) de José Agripino, o blog reproduz o comentário do leitor Gustavo Lucena sobre duas realizações de Jajá à frente do Governo do RN:

 

Caro Alysson Dantas, vc se esqueceu de mencionar que no desgoverno de José Agripino Maia, ocorreram a quebra de 2 bancos estaduais: o Bandern (1991) e o BDRN (1994), ambos por mal uso e má-gestão.

Ou seja, isso por si só já demonstra a (falta de) competência e probidade do homem do rabo-de-palha.

 

Filhote da ditadura, Agripino comemora 30 anos na política

Agripino Maia

José Agripino comemorou 30 anos de “vida pública” (sic) na semana passada. Várias personalidades do DEM (ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL) vieram a Natal render homenagens ao senador. Todos teceram loas ao “espírito público” (sic) do potiguar. O primo de Jajá, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, disse que Agripino “é uma das maiores referências da política do país”.

O blog não poderia deixar a data passar em branco e, modestamente, relembra algumas passagens da carreira política de Jajá que certamente não foram mencionadas durante os festejos:

– Prefeito biônico de Natal, nomeado em 1979 pelo então governador e primo Lavoisier Maia – este nomeado para o cargo pelo pai de José Agripino, Tarcísio Maia (Tarcísio havia sido convocado para assumir o governo estadual, em 1975, pelo general Golbery do Couto e Silva, a “eminência parda do governo Geisel”);

– Com as bênçãos da ditadura, beneficiado pelo voto camarão (os eleitores só podiam votar em candidatos de um mesmo partido, sob pena de anularem o voto) e pela pesada estrutura do então PDS, elegeu-se governador, pela primeira vez, em 1982;

– Em 1985, foi flagrado numa reunião com auxiliares e 120 prefeitos, acertando a estratégia para eleger sua então secretária de Promoção Social, Wilma Maia, prefeita de Natal. A estratégia era a seguinte: os prefeitos deveriam comprar títulos eleitorais, distribuir presentes, incentivar tumultos nos processos de votação e apuração e usar veículos oficiais com placas frias para transportar eleitores do interior para a capital. No final da reunião, Aripino deu a última instrução: “Não podemos deixar rabo-de-palha”. A frase de Agripino batizou aquele que entraria para a história como um dos maiores escândalos políticos do Rio Grande do Norte. O “rabo-de-palha” é um fantasma cujo espectro persegue Jajá até hoje.

– Gravações da fatídica reunião revelaram como Agripino pretendia ganhar o voto dos pobres: “Com uma feirazinha, com um enxoval, com umas coisinhas”.

– Em outro trecho, Agripino revela seu peculiar conceito de democracia: “Vamos indicar a área para vocês trabalharem e inclusive nas áreas modestas, de eleitores indecisos que são sensíveis a uma conversa e a uma negociação, que será feita por nós ou por eles. Democracia é isto!”

– Em 1991, elegeu-se governador pela segunda vez, derrotando o primo Lavoisier Maia. O segundo mandato terminou marcado por outro escândalo: a fraude do “Ganhe Já” – loteria em que o cidadão trocava notas fiscais por cupons que lhe davam o direito de concorrer a prêmios.

– Em 21 de novembro de 1994, o Jornal de Natal publica reportagem sobre a farsa do “Ganhe Já”, revelando como o programa foi usado para enriquecer os amigos do governador:

 

“A Falência do Ganhe Já e o Arrocho Fiscal. A campanha do Ganhe Já, denunciada sistematicamente por este jornal como uma farsa, que vendia uma falsa realidade do Rio Grande do Norte (tendo inclusive motivado a decisão do JN a não publicar quqlaquer anúncio da campanha), faliu sem jamais ter alcançado seu objetivo, aumentar a arrecadação do Estado. Foi apenas um sangradouro de dinheiro que financiou a Dumbo Publicidade e fornecedores e levou o Erário a esvaziar-se a ponto de o Estado não ter dinheiro em caixa sequer para o pagamento da folha do funcionalismo.

O empobrecimento do Estado, que tem hoje uma legião de 1 milhão de flagelados (…), se deu na exata medida do enriquecimento de ‘amigos do peito’ do governador, com destaque para os proprietários da Dumbo Publicidade, responsável pela farsa do Ganhe Já, que manteve quase toda a imprensa amordaçada durante os quatro anos de governo pefelista.

Como tudo que cercou o Ganhe Já antes de sua falência total, a participação da empresa Informe Prestação de Serviços Ltda., terceirizada pela Dumbo Publicidade para executar a campanha, também é um mistério. E dos mais nebulosos. Contratada sem licitação, depois que o então secretário de Fazenda Manoel Pereira anulou inexplicavelmente a concorrência que havia sido aberta justamente para se escolher a firma que iria trabalhar no Ganhe Já, a Informe viveu sempre nas sombras.”

 

– Herdou do pai a concessão da TV Tropical, afiliada da Rede Record, presente dos generais do regime para o velho Tarcísio Maia.

– Além da TV Tropical, controla pelo menos cinco emissoras de rádio no Rio Grande do Norte.

– Utiliza, desavergonhadamente, o aparato midiático que dispõe (concessões públicas, registre-se) para fazer autopromoção e atacar adversários políticos.

– Levou uma surra da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) quando tentou constrangê-la na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em maio do ano passado, insinuando que a ministra estaria mentindo aos senadores porque admitira que mentiu, sob tortura, na ditadura militar. Ouviu, constrangido, a ministra dizer que, naquela época do regime dos generais, os dois (Dilma e Agripino) estavam em “lados diferentes”.

Essa é a pequena contribuição do blog para a retrospectiva política de José Agripino. Lamentavelmente, ninguém tocou em nenhum desses assuntos na festa de Jajá. Caberia à imprensa resgatar esses fatos do passado para lançar luz sobre o presente, levando a informação completa e contextualizada à sociedade. Mais uma vez, prevaleceu a subserviência aos poderosos.

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