Embolando Palavras

Arquivo para a tag “José Serra”

Eleitor apela: Rosalba e Agripino, não tenham vergonha de Serra!!!

Os eleitores de Rosalba e José Agripino começam a demonstrar insatisfação com a tentativa dos democratas de esconder o apoio deles ao presidenciável tucano José Serra – o homem bom que vai salvar o país da horda petista.

O cartaz acima foi produzido por um desses eleitores, que pede para Rosalba e Agripino “assumirem o casamento” com José Serra. O ‘Embolando’, claro, endossa a campanha e reforça o apelo: Rosalba e Jajá, parem de esconder que vocês estão com José Serra.

Rosalba esconde Serra, mas o blog revela

A candidata do DEM ao Governo do Estado, Rosalba Ciarlini, tem feito o possível para esconder o apoio dela ao candidato do PSDB ao Planalto, José Serra. Em entrevistas à imprensa potiguar, a senadora se referiu ao tucano como “meu candidato”, sem dizer o nome dele. Mas o ‘Embolando’ resolveu deixar claro quem é o candidato de Rosalba: o homem bom José Serra, essa figura simpática que aparece ao lado dela na foto acima.

Roberto Jefferson dispara: “O DEM é uma merda”

A coisa está fedendo mais que o previsto. O PSDB anunciou que o vice de José Serra será o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O primeiro a dar a informação, pelo Twitter, foi o deputado federal cassado Roberto Jefferson (PTB), para quem Serra é a “síntese” do homem bom.

O episódio gerou um reboliço danado, levou o DEM a ameaçar romper a aliança com o PSDB e provocou a reação de outros aliados dos tucanos.

Em resposta à choradeira dos democratas, Jefferson usou novamente o Twitter para atacar o partido: “O DEM é uma merda!!!”, escreveu o performático petebista.

Não satisfeito, Jefferson ainda tripudiou da legenda, dizendo que, se as carpideiras do DEM insistirem, os petebistas disputarão a indicação do tesoureiro do partido, Benito Gama, para a vice de José Serra.

Enquanto isso, Lula e Dilma Rousseff assistem de camarote as trapalhadas da oposição.

DEM ameaça romper com PSDB

O DEM, preterido pelo PSDB na escolha do vice de José Serra, ameaça romper a aliança nacional com os tucanos. A informação é do jornalista Fernando Rodrigues do UOL, segundo quem o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) vai defender a cisão no próximo dia 30, na convenção da legenda em Brasília.

Os democratas estão irritados com a escolha do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para ser o companheiro de chapa de José Serra na disputa presidencial. Os líderes do DEM reafirmaram, pela imprensa, que o partido só abre mão da indicação em favor do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB).

“O poder do Serra de desorganizar as coisas é fora do comum. O Álvaro Dias não acrescenta nada e desagrega muito”, declarou Caiado, acrescentando que “se não tiver um freio de arrumação esse PSDB jamais vai respeitar o Democratas”.

Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, ressurgiu das cinzas para reforçar as ameaças de Ronaldo Caiado e dizer que o partido só aceita a chapa puro-sangue se for com Aécio Neves.

“Recebemos bem a chapa puro-sangue com Aécio Neves. Se não, para manter uma relação harmoniosa com o DEM na campanha, defendemos que Serra escolha um democrata para a vice”, declarou à Folha.com.

Roberto Jefferson anuncia: vice de Serra será Álvaro Dias

No post anterior, comentei a identificação entre o deputado federal cassado e presidente nacional do PTB Roberto Jefferson e o candidato do PSDB a presidente José Serra.

Jefferson, o bufão, disse que Serra, o homem bom, “é a síntese dos valores que cremos”. Os dois estão tão íntimos, como gêmeos xifófagos, que o homem bom delegou ao bufão a responsabilidade de anunciar o aguardado vice do tucano.

Pelo Twitter, Jefferson revelou que o PSDB vai para a disputa com chapa “puro-sangue”: “”Falei agora com o [senador] Sergio Guerra [presidente nacional do PSDB]. O vice será o [senador] Álvaro Dias”, escreveu.

Resta saber como o DEM vai reagir à escolha, porque os líderes democratas vinham sustentando que a legenda não abriria mão da indicação. A relação entre tucanos e demos, abalada desde o estouro do mensalão do Arruda, tende a ficar ainda mais instável.

Espelho, espelho meu…

O programa partidário do PTB, exibido ontem à noite na TV, foi protagonizado pelo candidato tucano à Presidência da República, José Serra. O deputado federal cassado Roberto Jefferson, lembram dele?, surgiu no vídeo dizendo que José Serra “é a síntese dos valores que cremos, dos valores que esposamos e dos valores que defendemos”.

Então vamos lá. Recordar é viver: Jefferson atuou na tropa de choque do ex-presidente impeachmado Fernando Collor de Melo, foi acusado de comandar um esquema de cobrança de propina nos Correios e terminou sendo cassado por quebra de decoro parlamentar.

Com um currículo desse, Jefferson ainda tem a desfaçatez de falar em “valores”?!

José Serra, o homem bom (copyrigth Professor Hariovaldo Almeida Prado), parece mesmo ser a síntese dessa pantomima encenada pelo bufão que comanda o PTB.

Eles são tão idênticos que dá para imaginar o diálogo de Jefferson com a própria imagem: ” _ Espelho, espelho meu, há alguém mais parecido com o Serra que eu?”.

CNI/Ibope: Dilma se isola na liderança da corrida presidencial

A nova pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje mostra a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) isolada na liderança da corrida presidencial, com 40%, seguida pelo ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB), com 35%. A senadora Marina Silva (PV) surge em terceiro, com 9% das intenções de voto.

A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 21 deste mês, em 140 cidades e ouviu 2.002 eleitores. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o n° 16292/2010. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

É a primeira vez que o Ibope mostra Dilma à frente de Serra. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 5, a petista e o tucano estavam empatados com 37%.

Na simulação de segundo turno, Dilma venceria Serra por 45% a 38%.

Dilma também lidera na pesquisa espontânea, com 22%, contra 16% de Serra e 3% de Marina.

No critério rejeição, 30% dos entrevistados disseram que não votariam em Serra de jeito nenhum. A rejeição de Dilma ficou em 23%.

A pesquisa revelou que 73% dos eleitores identificam Dilma como a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda segundo a pesquisa, a aprovação ao governo Lula atingiu novo recorde: 85% consideram o governo ótimo ou bom.

Os números chegam a surpreender, porque a pesquisa foi feita após a exibição dos programas de TV do DEM, PPS e PSDB, ambos estrelados pelo candidato tucano.

Dilma cresceu mesmo depois do desgaste provocado pelo caso dos suposto dossiês contra Serra, que teriam sido produzidos pelo núcleo de “inteligência” da campanha dela. A oposição explorou o caso à exaustão e Serra chegou a culpar Dilma diretamente pelo episódio.

Não é à toa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ter “sérias dúvidas” sobre a possibilidade de vitória de José Serra.

Emir Sader diz que Brasil mudou “perfil social” e está “menos injusto”

Por Alisson Almeida, no portal Nominuto.com:

Foto: Elpídio Júnior

“O Brasil está menos injusto que antes”. A afirmação é do filósofo, cientista político e professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo) Emir Sader, que fez palestra e lançou o livro “Brasil: entre o passado e o presente”, hoje pela manhã, em Natal. Para ele, o “perfil social” do país mudou desde a ascensão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder em 2003.

“O país está menos injusto do que era antes. Isso nunca aconteceu [antes]. Ficou igual ou piorou”, comentou, acrescentado que essa “prioridade nas políticas sociais” estaria ajudando o Brasil a reverter a condição de “um dos países mais desiguais do mundo”.

Emir Sader disse enxergar a situação atual como “uma ponte para a construção de outro tipo de sociedade”. Para ele, além do poder em si, o que está em disputa nas eleições presidenciais deste ano “é o lugar do Brasil no mundo”.

O professor elogiou a política externa brasileira, sustentando que, nos últimos sete anos, o país alcançou o status de “nação soberana” graças ao que considera como “política de prioridade dos acordos regionais [com os países da América Latina e América do Sul] em vez dos tratados de livre comércio com os Estados Unidos”.

“Nós diversificamos o comércio internacional, retomamos o intercâmbio com a China, o intercâmbio regional, o mercado interno de consumo popular. A diversificação internacional foi fundamental para o Brasil conquistar o lugar soberano que tem no mundo”, declarou.

Emir Sader afirmou que o “papel do Estado” também mudou neste período, o que teria funcionado como impulsão para os fenômenos do “desenvolvimento econômico” e da “distribuição de renda” experimentados pelo país. “Tudo isso indica que o Brasil de hoje é diferente do que era antes”, apregoou.

Ele criticou duramente o pré-candidato tucano a presidente, José Serra, a quem chamou de “ignorante” em política internacional. A crítica se deve às declarações do ex-governador de São Paulo acusando a Bolívia de ser “cúmplice” do tráfico de drogas.

“O Serra é um ignorante, não conhece política internacional, nunca esteve na Bolívia na vida. O grande produtor e traficante de cocaína na América do Sul e no mundo é a Colômbia. Em segundo é o Afeganistão. Por que ele não faz essa crítica à Colômbia?”, indagou.

O professor disse que o Brasil não é “condescendente” com supostas “práticas autoritárias” de nenhum regime, mas que o país está a favor de um “mundo multipolar”.

“O Brasil não está a favor do regime do Irã. O que o Brasil quer é um mundo multipolar, sem a superioridade militar norte-americana. O Brasil não está a favor do regime de Cuba, da Venezuela nem do Irã. Está a favor de uma solução equilibrada que não considere que o Irã é o maior risco para o mundo”, argumentou.

“Oposição está sem discurso”

Emir Sader acusou a oposição ao governo federal de estar “sem discurso”. “Eu acho que eles [partidos de oposição] estão sem discurso, porque o povo não quer mudar, quer aprofundar o que está aí [com o governo Lula]”.

Para o cientista político, a estratégia da oposição de reivindicar a paternidade dos programas sociais do governo petista não funcionou, porque o povo não reconheceu isso. Por isso, continuou, tucanos e democratas teriam partido para as “críticas pontuais” à gestão lulista.

“Ele [José Serra] está indo para os dois eixos fundamentais da política da direita: segurança pública com linha dura e redução de impostos. É o discurso tradicional da direita. As grandes soluções, criação de ministérios, todos os eixos tradicionais da direita. Eles dão aquela pinta que são mais progressistas. O Serra tem dito que é mais progressista que a Dilma [Rousseff, candidata do PT à sucessão presidencial]”, ironizou.

Emir Sader disse ainda que a “abstinência do poder” fez mal às legendas da oposição, principalmente ao DEM, partido que considera “em plena derrocada”.

“O DEM é um partido do poder. A abstinência do poder já fez mal pra ele [DEM]. Depois, o desencontro com o PSDB na oposição. Terceiro, o programa Bolsa Família puxou o tapete social deles, ajudou a enfraquecer as lideranças coronelísticas que eles tinham, principalmente no Nordeste”, comentou.

O professor afirmou que “a nova geração de líderes da direita é bem pior que a anterior”. “Eles pegaram o espólio de líderes decadentes”, completou.

A situação do Rio Grande do Norte, único Estado onde o DEM apresenta chances concretas de vitória nas eleições regionais, seria, na visão dele, uma “exceção”.

“Acho que isso daqui [no RN] é uma exceção que não muda a regra geral. A vitória [das esquerdas] neste ano vai liquidar uma geração da direita no Brasil”, apostou.

Imprensa

Emir Sader criticou também o comportamento da chamada grande imprensa na cobertura do processo sucessório nacional. Para ele, os maiores veículos jornalísticos estariam atuando como “partido de oposição”.

“O problema não é só que o candidato da [Rede] Globo, da Folha de São Paulo e da [Editora] Abril é o [José] Serra. Eles estão editorializando tudo. Como confessou a executiva da Folha, diante da fraqueza dos partidos de oposição, eles são o partido. Isso é gravíssimo. É uma confissão aberta de que não há nem imparcialidade informativa”, avaliou.

Emir Sader atribuiu esse comportamento da mídia ao “desconhecimento das transformações que estão ocorrendo no país”.

“Pela cobertura que eles [veículos de imprensa] dão, não se dão conta do que é o país real. Eles estão desencontrados do país. É uma elite branca do Centro-Sul que está de costas para a realidade”.

A baldeação de Marina Silva

Quando a senadora Marina Silva (AC) deixou o PT para ingressar no PV, petistas denunciaram a manobra: a candidatura à Presidência da República da ex-companheira serviria de escada para José Serra, uma vez que os verdes são aliadíssimos do tucano que governa o Estado de São Paulo.

O PV sempre negou que Marina se submeteria a esse papel, afirmando que a candidatura da senadora era para valer.

Quando Marina escolheu Eduardo Jorge – nomeado secretário de Meio Ambiente de São Paulo pelo então prefeito José Serra (PSDB) e mantido no cargo pelo sucessor Gilberto Kassab (DEM) – para coordenar sua campanha presidencial as especulações aumentaram.

Ontem (13), o deputado federal Fernando Gabeira (RJ) – com o respaldo de Marina Silva – disse que aceita se candidatar ao Governo do Rio de Janeiro por uma aliança PV-PSDB, escancarando de vez que os verdes estarão mais cedo ou mais tarde com José Serra na disputa presidencial.

Transcrevo a seguir a análise da Carta Maior sobre a “baldeação de Marina Silva”:

“Ergue-se no Rio a ponte para a baldeação de Marina Silva rumo à coalizão demotucana; na 4º feira, 13, Serra discutiu os acertos diretamente com o demo César Maia e o verde Gabeira. A travessia de Marina envolve duas etapas: 1º) uma dobradinha PV/PSDB na disputa estadual com Gabeira na cabeça, em troca de uma embaixada em Paris, caso Serra vença as eleições; 2º) num eventual segundo turno da disputa presidencial, a coalizão demotucana seria pincelada de verde, com o apoio explícito de Gabeira e Marina ao tucano paulista”.

(Carta Maior e os rumos de quem deixou o PT pela coerência ética; 14-01)

Marina escolhe ex-secretário de José Serra para coordenação da campanha presidencial

Eduardo Jorge – nomeado secretário de Meio Ambiente de São Paulo pelo então prefeito José Serra (PSDB) e mantido no cargo pelo sucessor Gilberto Kassab (DEM) – vai coordenar a campanha presidencial da senadora Marina Silva (PV-AC).

Para quem não sabe, Eduardo Jorge é um dos fundadores do PT. Deixou o Partido dos Trabalhadores para se filiar ao PV em 2003. A assessoria do secretário confirmou o convite para fazer parte da coordenação da campanha de Marina Silva.

O Portal Vermelho destaca que a escolha de Eduardo Jorge “reforça as especulações de que a candidatura de Marina se tornará uma espécie de linha auxiliar da candidatura tucana à presidência”.

O PV, como era previsível, nega que Marina vá servir de escada para Serra (com perdão do trocadilho), bem como descarta a possibilidade da senadora ser a vice na chapa do PSDB.

Mas o fato é que Eduardo Jorge, mesmo sem se dizer serrista, é homem de confiança do governador tucano e integra o secretariado da administração do DEM em SP. Então, sua escolha para coordenar a campanha de Marina Silva levanta suspeitas perfeitamente críveis, mas, ao mesmo tempo, não nos autoriza a fazer afirmações categóricas.

O jeito é esperar pra ver o que acontece.

O papel do poder público no enfrentamento da crise

Transcrevo o excelente artigo de Eduardo Marques, analisando para o Portal Luis Nassif as diferenças entre as agendas petista e tucana para o Brasil:

 

DIFERENÇAS NO ENFRENTAMENTO DA CRISE

Por Eduardo Marques

Muito tem sido dito, ultimamente, sobre as possíveis semelhanças de projetos entre as candidaturas tucana e petista em 2010. O período de crise pelo qual o Brasil passou, porém, revelou-se importante para fazermos um balanço sobre as reais diferenças de projetos que estarão em jogo no ano que vem.

O Governo Lula, para enfrentar a crise, reduziu alíquotas de impostos, aumentou o gasto público, baixou os juros e ampliou o crédito público, implantando uma política tributária, fiscal, monetária e creditícia anti-recessiva, promovendo diretamente e financiando a produção e o consumo. Também manteve e aprofundou as políticas sociais de transferência de renda. Esta agenda tirou o país da crise rapidamente.

No Governo Serra, a venda do patrimônio público, o “arrocho salarial”, o congelamento dos recursos para financiamento da produção e o aumento da carga tributária permaneceram como elementos centrais da administração tucana. Uma política tributária, fiscal e creditícia irresponsável, aprofundando a crise econômica. A insistência nesta agenda ultrapassada foi definida pelo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda do Governo Lula, em reportagem recente (O Estado de São Paulo, 2/10/2009), como “terrorismo fiscal”.

As diferenças entre o Governo Lula e o Governo Serra no enfrentamento da crise econômica revelam, na verdade, profundas diferenças na concepção de ambos em relação ao papel do poder público.

Para o Governo Lula, o poder público pode e deve atuar fortemente na garantia do desenvolvimento social e econômico do país.

Já a agenda tucana tem como eixo principal o Ajuste Fiscal Permanente iniciado em 1997, com a assinatura do Acordo da Dívida do Estado de São Paulo com a União. Naquele momento, Mário Covas se comprometeu a aumentar a arrecadação, cortar gastos (sobretudo com o funcionalismo público), vender o patrimônio público (privatizar), não realizar novas operações de crédito e reduzir os investimentos. Buscava-se, deste modo, ampliar o superávit primário, gerando recursos para o pagamento dos encargos da dívida pública.

De lá para cá, quase nada mudou na agenda dos governos tucanos no Estado de São Paulo, nem durante a grave crise econômica e financeira pela qual o país passou no final de 2008 e princípio de 2009.

Para sermos mais precisos, as diferenças entre Lula e Serra no enfrentamento da crise econômica e financeira recente podem ser apresentadas em quatro pontos:

· Política tributária: enquanto o Governo Lula reduziu a alíquota de impostos federais, como o IPI, para setores econômicos com grande impacto na produção, na geração de emprego e na renda – como no caso da indústria automobilística, no setor de material de construção e no setor de eletrodomésticos da chamada “linha branca” -, o Governo Serra ampliou para dezenas de setores o mecanismo da substituição (antecipação) tributária do ICMS, cobrando impostos sobre as empresas sem que estas tivessem efetivamente vendido seus produtos, retirando recursos do caixa das empresas no auge da crise, desestimulando as vendas promocionais no setor atacadista e varejista e prejudicando as micro e pequenas empresas.

· Compensação aos municípios: o Governo Lula implantou medidas de compensação aos municípios pela queda na arrecadação e nas transferências do Fundo de Participação dos Municípios/FPM. A compensação foi de R$ 1 bilhão, assegurando-se o repasse dos mesmos valores de 2008, recorde histórico do FPM. O Governo Serra não criou nenhuma medida de compensação aos municípios pela queda dos repasses do ICMS nos primeiros meses do ano.

· Crédito para a produção e o consumo: o Governo Lula ampliou a oferta de crédito para a produção e o consumo através dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES), compensando a redução da oferta de crédito dos bancos privados no auge da crise. O Governo Serra vendeu o Banco Nossa Caixa e congelou mais de 61% dos recursos da Agência de Fomento do Estado de São Paulo (cerca de R$ 492 milhões), nos primeiros meses de 2009.

· Políticas sociais e garantia de renda: o Governo Lula garantiu o aumento real do salário mínimo e do Programa Bolsa Família em 2009, além de seguir corrigindo o salário do servidor público federal. Já o Governo Serra não cumpre a data-base do funcionalismo público e segue arrochando o salário dos servidores. Mais ainda, no início de 2009, bloqueou cerca de 20% dos recursos nos principais programas sociais de transferência de renda, tais como o “Renda Cidadã” e o “Ação Jovem”;

Moral da história: a verdadeira agenda do desenvolvimento econômico e social continua com o governo petista, e graças a ela, entramos por último e saímos primeiro da grave crise econômica e financeira que se abateu sobre o mundo. Já os tucanos continuam com uma agenda congelada no tempo, baseada no antigo “ajuste fiscal permanente”, caminho óbvio para o Estado Mínimo.

O xadrez de 2010

Não deu pra comentar antes a pesquisa CNI/IBOPE, divulgada no início da semana, sobre a sucessão presidencial. Mas o assunto movimentou a blogosfera, gerou várias análises e dividiu opiniões. As interpretações variaram conforme as convicções políticas do freguês. Resumidamente, a pesquisa indicou que José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) caíram, enquanto Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) cresceram.

No principal cenário pesquisado, Serra lidera com 34%, Dilma e Ciro aparecem empatados com 14%, Heloisa Helena (PSOL) figura com 8% e Marina surge com 6%.

No segundo cenário, quando Aécio Neves (PSDB) substitui Serra, Ciro Gomes lidera com 25%, Dilma vem em seguida com 16%, Aécio com 12%, Heloísa Helena com 11% e Marina Silva com 8%.

Em outra simulação, sem Heloisa Helena na lista, Serra lidera com 35%, Ciro Gomes aparece com 17%, Dilma Rousseff soma 15% e Marina Silva, 8%. Com Aécio no lugar de Serra e sem Heloísa Helena, Ciro Gomes lidera com 28%, seguido de Dilma com 18%, Aécio com 13% e Marina Silva com 11%.

No levantamento que exlui Marina, Serra tem 34%, Ciro 17%, Dilma 15% e Heloisa Helena, 10%. Em relação às pesquisa anterior, realizada em junho, quando a senadora Marina Silva ainda não aparecia nas simulações, José Serra caiu 4% e Dilma Rousseff caiu 3%. Já Ciro Gomes cresceu 5% e Heloisa Helena, 3%. 

Agora vamos às análises sobre os números. Os comentaristas divergem sobre a importância das pesquisas nesta época, quando ainda falta mais de um ano para as eleições. Alguns afirmam que o jogo já começou pra valer, enquanto outros dizem que é cedo demais pra se prever alguma coisa. A imprensa tucana comemorou a queda da ministra Dilma Rousseff, mas procurou esconder o tombo do governador José Serra. Estratégia previsível. Faz parte da campanha para desacreditar a pré-candidatura da petista.

Dilma, como se sabe, há tempos enfrenta artilharia pesada, com a fabricação de sucessivos escândalos pela mídia. A mais recente armação foi o Linagate. Considerando esse longo processo de exposição desfavorável, associado à exploração desumana do câncer da ministra, a queda de Dilma Rousseff era esperada.

A mídia simpática aos tucanos se esforçou para fazer crer que a candidatura da ministra “naufragou”. Para isso, seguiram um roteiro pré-definido:

– Destacar que Dilma “caiu”, enquanto Serra apenas “oscilou negativamente”; 

– Enfatizar que Dilma tem a maior “rejeição” (40%), sem mencionar os 30% de reprovação ao candidato tucano;

– Não dizer, em hipótese alguma, que Dilma só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% — isso quer dizer que a ministra tem maior potencial de crescimento, principalmente quando ficar claro para a população que ela é a candidata do presidente mais popular da história do país (Lula, segundo a pesquisa, tem 81% de aprovação).

No blog Óleo do Diabo, Miguel do Rosário destacou o que chamou de “cacoetes” usados pela mídia na divulgação da pesquisa:

Quero destacar um ponto que ninguém parece ter percebido. No quadro mais importante, o que inclui Serra, Ciro Gomes, Dilma, Heloísa Helena e Marina, a imprensa repetiu ad infinitum que Ciro “ultrapassou” Dilma. Está claro que há uma tentativa, que não é de hoje, de romper a aliança PT-PMDB. O ponto que ninguém viu é que Ciro não está à frente de Dilma. Está em empate técnico. Ele tem 17%, ela tem 15%. Esses dois pontos percentuais correspondem à margem de erro. Para quem não sabe, a margem de erro embute um fator casual. Ou seja, é possível que a mesma pesquisa, se fosse realizada na mesma época, usando os mesmos métodos, mas entrevistando pessoas diferentes, poderia trazer Dilma à frente de Ciro.

 

Em relação à “rejeição” de Dilma, Miguel observou o seguinte:

Dilma Roussef só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% e Ciro Gomes, por 45%. Esses dados se conformam perfeitamente com os das outras pesquisas, que mostram o crescimento mais rápido de Dilma junto às classes educadas, com ensino superior e com renda mais alta, as quais, provavelmente, já sabem muito bem quem é Dilma e que ela deverá ser a candidata apoiada pelo presidente Lula. Cotejando a pesquisa com a sólida popularidade de Lula, as perspectivas de Dilma são as mais positivas. (…) Entre os  menos escolarizados, Lula tem aprovação de 88%. Para mim é evidente que, quando o presidente estiver liberado para participar do horário eleitoral e informar os cidadãos de que sua candidata é Dilma, este povão simples e honesto irá votar em peso nela. Mas Lula também tem aprovação de 71% entre os que tem curso superior completo ou mais, e 72% tanto entre os que ganham de 5 a 10 salários como os que ganham mais de 10 salários. Ou seja, mesmo entre o público alvo da grande imprensa, aqueles que mais consomem carros e adquirem imóveis nas capitais, Lula tem uma vasta e sólida aprovação. Repare ainda que a aprovação de Lula no Nordeste é de 90%, um índice jamais visto em nenhum país democrático, ainda mais para um governante em final de mandato, com todos os desgastes decorrentes daí.

 

No Vi o Mundo,Luiz Carlos Azenha escreveu que “a campanha eleitoral está em andamento”, mas acha que, por enquanto, toda movimentação ainda é “interna”:

José Serra precisa provar sua viabilidade eleitoral antes de obter o compromisso firme dos financiadores de campanha. Por isso trabalha para inflar Marina e Ciro e para limar, pela ordem, Aécio Neves e Dilma Rousseff. Nessa tarefa, conta com o inestimável apoio da maior parte da mídia corporativa.

Acho que as pesquisas de opinião pública valem muito pouco faltando mais de um ano para a eleição.

(…)

Romper a aliança entre PT e PMDB parece ser o grande objetivo estratégico de Serra. Para isso, ele precisa criar dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Dilma. É disso que se trata. Como analisou Rodrigo Vianna com acerto, anteriormente, é a UDN tentando romper o acordo entre PTB e PSD.

Com a economia brasileira bombando, a máquina do governo federal nas mãos, o apoio de Lula e do PMDB, Dilma Rousseff é uma candidata fortíssima, ainda que os números das pesquisas não reflitam isso ou tenham sido deturpados para não refletir isso — no que acredito, especialmente quando o IBOPE diz que Dilma tem uma taxa de rejeição de 40%. Tornar Dilma a vilã terrorista da classe média apenas repete o padrão do “medo” usado contra Lula, mas já é campanha eleitoral, sim. Clássica.

 

O Escrevinador Rodrigo Viana aposta que o personagem central desse xadrez político que começa a ser jogado agora com olhos voltados para 2010 é Ciro Gomes:

O que sei dizer é o seguinte: de fato, a maior parte da população não está pensando em eleição. O que não quer dizer que o jogo já não tenha começado.

Lá na frente, quando a grande massa de eleitores entrar em campo, parte do jogo já terá sido jogado.

Serra ou Aécio no PSDB?

Dilma com PMDB ou Dilma com Ciro?

Lula terá um ou dois candidatos?

Tudo isso começa a ser definido agora.

A minha tese central é que esse arranjo (ou dessarranjo?) de forças hoje tem um personagem central: Ciro Gomes.

Ele, e não Marina, pode mudar toda a estratégia eleitoral do governo.

Lula e o PT estão preparados para uma eleição plebiscitária: Dilma é Lula; Serra é o anti-Lula.

Ciro aparece nas pesquisas com força suficiente para manter sua candidatura. Uma candidatura lulista, mas fora da estratégia oficial do governo.

Vários leitores (aqui, e no blog do Azenha) acham que a candidatura Ciro serve aos interesses de Serra.

Discordo frontalmente. E, nesse ponto, discordo também do Azenha.

Para Serra – com sua máquina de dossiês e o apoio do PIG – é mais fácil centrar fogo em Dilma. É mais fácil colar nela a pecha de “inexperiente”, de “pau mandado de Lula” ou (para agradar a extrema-direita) de “terrorista”.

Se Ciro sair candidato, Serra terá dois adversários para bater. Serão dois contra um. Se centrar todo fogo em Dilma, Ciro cresce. Se bater muito em Ciro, vem a Dilma com apoio do Lula.

Esse é o ponto que trago para debate. Apesar de faltar muito tempo para as eleições, essa escolha será feita nos próximos meses (muito antes da Copa do Mundo e do Carnaval).

Fora isso, lembro também o papel de Aécio. Dentro do PT , há quem tema mais a candidatura dele do que a de Serra. Faz sentido. Ele tem condições de se apresentar não como “anti-Lula”, mas como o “pós-Lula”.

(…)

Mas o fato é que muita gente no PT avalia que Aécio pode mesmo ser um candidato mais difícil de derrotar, apesar de hoje estar atrás nas pesquisas.

Entre os tucanos, muita gente também sabe disso. Mas como tirar da corrida o governador de São Paulo, com mais de 30% de intenções de voto?

Isso tudo está em jogo, desde agora.

Aécio está se guardando “pra quando o carnaval chegar”. Serra (representante da neo-UDN) segue em sua estratégia de rachar a aliança PT-PMDB (que reproduz a velha aliança PSD-PTB).

Com a economia bombando, e a popularidade de Lula nas alturas (como lembra o Azenha), o PMDB dificilmente ficará contra a candidatura apoiada pelo lulismo. Seria suicídio. E o velho PSD (digo, PMDB) não é de cometer suicídio político.

Ciro já se lançou ao mar. Pode até não ser candidato. Mas, nesse caso, venderá mais caro para o lulismo o apoio do chamado bloquinho (PSB-PDT-PCdoB), o que pode atrapalhar (mas não inviabilizar) as negociações do PT com o PMDB.

Muito antes da final da Copa da África do Sul, tudo isso estará já acertado. 

 

Papo de Buteco

As opiniões acima são bastante críveis, principalmente porque levam em conta todas as variáveis que a mídia, em sua sanha pró-tucana, tentou esconder.

Mas como esse blog é democrático, vamos deixar a palavra de jornalistas e afins um pouco de lado para dar espaço à voz rouca das ruas e seus palpiteiros políticos.

Numa roda de amigos ontem à noite, ao som do chorinho, o papo sobre as eleições e a pesquisa do Ibope rolava solto. Destaco a opinião de um colega petista, preocupado com a situação: “Quando José Dirceu caiu, o partido (PT) ficou sem candidato natural. Naquele momento, Lula deveria ter preparado Marina Silva para ser sua sucessora. Marina tem a simpatia do povo e tem uma história de vida parecida com a dele (Lula). Mas Lula se isolou em sua popularidade e deu às costas ao PT. Aí decidiu ungir Dilma sua candidata, mas a ministra não cresce. Dilma não leva essa“, desabafou.

Este embolador ouviu a confissão de “medo” de outro petista, que também acredita que Lula errou ao escolher Dilma para ser sua candidata: “A candidata deveria ser Marina. O jogo não vai ser nada fácil. Corremos o sério risco de perder o governo para os tucanos e ver o país retroceder.”

É isso aí. A guerra vai ser dura mesmo.

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