Embolando Palavras

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A partidarização da imprensa

Ainda no embalo do factóide envolvendo Lina Vieira, Luiz Carlos Azenha escreveu um ótimo artigo sobre a partidarização da imprensa brasileira. Para o blgueiro, esse fenômeno “vai além do desapego à verdade factual”.

Temos jornalistas que, em nome de contemplar “os dois lados”, simplesmente se deixam usar para fazer propaganda política“, destacou.

Em relação ao episódio envolvendo Lina Vieira, Azenha afirmou que “a mídia transformou um factóide em um fato. Fez isso em nome dos partidos de oposição, numa clara estratégia para avançar os interesses partidários.”

Azenha comentou ainda o inusitado aparecimento da agenda de Lina Vieira, onde estaria o resgistro a mão da data do encontro que a ex-secretária disse ter tido com a ministra Dilma Rousseff — 9 de outubro de 2008:

“Quem é que fez a acusação sem apresentar provas, que se “esqueceu” da agenda e que aparentemente mudou de versão? Lina Vieira. A mídia, no entanto, continua assumindo como verdadeiras as declarações dela. Continua fazendo claramente o jogo dos partidos de oposição.”

Leia a íntegra do artigo aqui.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) também comentou, pelo Twitter, o suposto surgimento da agenda de Lina Vieira. “Antes Lina jurava que o tal encontro com Dilma p/tratar sobre Sarney teria sido em dezembro, à tarde. Agora na Veja ela diz que foi 09/10”, ponderou.

“No Senado mostrei a informação sobre os encontros de 09 e 10/10 nos quais tratou-se do Fórum CEOS. Ela confirmou. Agora se desdiz”, acrescentou o petista.

“Ela disse q a reunião foi à tarde. Mas foi na manhã d 9/10. À tarde Dilma e Lina foram a SP p/ o CEOS. Impossível se encontrarem no Planalto”, afirmou Mercadante.

Já sobre o assunto que teria sido tratado no suposto — a ministra, segundo Lina Vieira, pediu para “agilizar” as investigações do fisco contra a família Sarney –, o senador duvidou da versão contada pela ex-secretária: “Em outubro Sarney ñ era candidato à pr do Senado. Ñ fazia sentido, como diz Lina, Dilma interceder por ele junto à Receita”.

Apesar de todas as contradições comprovarem a farsa, ainda há quem continue afirmando que acredita em Lina Vieira, quase como uma confissão de fé às cegas.

Juro que tento, mas não consigo entender o encantamento que a “cidadã natalense” Lina Vieira exerce sobre os papa-jerimuns — principalmente os da imprensa.

 

O que é? O que é?

Do Balaio Vermelho:

 Uma pequena nota política

Lina Vieira: inocente útil, inocente inútil

ou inocente fútil?

Veja: uma revista raivosa, uma revista mentirosa

ou uma revista direitosa?

 

A escandalização do nada

O partido da imprensa segue o roteiro pré-determinado de ataques de laboratório contra a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

A ‘Veja’ escreveu o novo capítulo da farsa do caso Lina Vieira, divulgando o factóide da agenda encontrada. A Folha repercutiu o caso ontem (18). 

Hoje (19), a Folha Online deu mais espaço ao quiprocó, destacando a opinião de senadores e deputados oposicionistas sobre a revelação da “prova” do encontro que Lina afirmou ter tido com Dilma no ano passado.

É uma forçassão de barra tão grande que a gente chega a se espantar com o amadorismo dessa turma. Leiam o trecho abaixo da matéria da Folha:

“Dilma terá de vir a público e se explicar”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). “Está claro que a conversa sempre existiu”, declarou Pedro Simon (PMDB-RS). Outro senador, Osmar Dias (PDT), pré-candidato ao governo do Paraná, disse crer na palavra da ministra, que sempre negou a reunião com a ex-secretária. 

José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, pediu que Lina Vieira “colabore e venha a público” pessoalmente.

Na agenda que Lina diz ter encontrado, há menção a uma audiência com Dilma na página de 9 de outubro de 2008. Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina.”

Dilma vir a público se explicar? Agripino inverteu o princípio básico da prerrogativa da inocência. O ônus da prova cabe a quem acusa. Assim, quem tem que vir a público se explicar é Lina, em vez de disparar factóides na imprensa através do misterioso amigo, que ninguém sabe se existe mesmo.

Pedro Simon deveria ganhar um prêmio pela capacidade de produzir truísmos. A sentença do velho caudilho é um petardo capaz de acabar com os planos políticos da ministra: “Está claro que a conversa sempre existiu”.

Mas o próprio governo, há dois meses, não havia divulgado o registro da audiência da ex-secretária com a ministra nesta data — 9 de outubro de 2008?! Tanto que a Folha confirma: “Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina.”

O que a Folha não deixa claro aos seus leitores é algo que o blog já observou nos outros posts: 1) A audiência não foi “sigilosa” — o que é comprovado pelo registro do Palácio do Planalto; 2) A pauta da audiência não foi as investigações sobre a família Sarney, mas sim o Fórum CEOS, conforme revelado pelo senador Aloizio Mercadante e confirmado pela própria Lina Vieira, em depoimento à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no dia 18 de agosto do ano passado.

Apesar dos fatos comprovarem a farsa, a imprensa a serviço dos tucanos insiste na escandalização do nada.

‘Veja’ desenterra factóide de Lina Vieira

A revista ‘Veja’, panfleto reacionário da Editora Abril, ressuscitou o factóide do encontro sigiloso que a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, jurou ter tido com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. No encontro, segundo Lina, a ministra pediu para “acelerar” as investigações contra o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Dilma assegurou que o encontro misterioso nunca aconteceu.

Dois meses depois, a revista afirma que o encontro teria ocorrido no dia 9 de outubro de 2008. Quando trouxe o caso à tona, Lina não se lembrava a hora, o dia nem o mês da reunião. Mas a ‘Veja’ sustenta que, agora, a ex-secretária encontrou a agenda perdida, onde constaria o registro correto da data do encontro, com a singela observação: “Dar retorno à ministra sobre família Sarney”.

De acordo com a revista, Lina confidenciara a “um amigo” (quem?!) que achou a agenda — outrora perdida em meio às quinquilharias que haviam sido despachadas para Natal. A revista conta que procurou Lina para confirmar a história, mas a ex-secretária respondeu que não falaria mais sobre o caso.

Agora, respondam, por favor: Qual a credibilidade de uma notícia dessa? Como podemos tomar como crível uma informação baseada somente na revelação de um amigo anônimo? Além disso, mesmo que a ex-secretária venha a público confirmar que encontrou a referida agenda, isso prova o quê? Qualquer pessoa pode forjar o registro de um compromisso que nunca existiu em sua agenda particular. Como alguém pode demorar dois longos meses para encontrar uma simples agenda?! Essa novelinha é inverossímel demais.

Fora que não há, verdadeiramente, nenhuma novidade na revelação desta data. Quando Lina depôs na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no dia 18 de agosto, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) divulgou um levantamento com o registro das datas em que a ex-secretária se encontrara com a ministra Dilma Rousseff. Conforme o relatório, Lina esteve com Dilma nos dias 14 de agosto e 9 de outubro de 2008 e nos dias 22 de janeiro, 16 de fevereiro e 19 de maio de 2009.

Vamos, então, repassar alguns pontos: Lina disse que havia sido “chamada às pressas” pela ministra para um encontro “sigiloso”; contou que ouvira da chefe de gabinete da ministra, Erenice Guerra, a orientação para que o encontro fosse mantido em segredo; quando confrontada com o levantamento apresentado pelo senador Aloizio Mercadante, sustentou que o encontro aconteceu, mas que não havia sido oficialmente registrado.

Não é preciso fazer muito esforço para juntar as peças do quebra-cabeça: se não constava na agenda oficial da ministra, o encontro “às pressas” a que Lina se refere não poderia jamais ter ocorrido no dia 9 de outubro, porque — truísmo dos truísmos!!! — o encontro do dia 9 de outubro estava registrado na AGENDA OFICIAL da ministra. 

Daí ficamos assim: Lina não se lembrava da data do encontro com Dilma. Agora, quando Dilma começa a ensaiar uma recuperação política, após longa exposição negativa na imprensa, ressuscitam este factóide.

É coincidência demais para o meu gosto. Melhor botar as barbas de molho e ficar de olhos bem abertos com o que ainda vem por aí.

Caso Dilma x Lina: Ombudsman expõe falhas na cobertura

Mesmo com atraso, reproduzo a crítica do ombusdman da Folha de São Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, à cobertura do caso Dilma x Lina:

 

É difícil desvendar vespeiros

O assunto da tal reunião entre Lina Vieira e Dilma Rousseff é complexo, mas é para isso que há meios de comunicação

O “FOI-NÃO FOI” ao Planalto da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira para falar com a ministra Dilma Rousseff resultou na exposição pública do vespeiro de grupos políticos e sindicais que lutam pelo poder no órgão.

A Folha, que deflagrou o processo ao publicar entrevista de Vieira em 9 de agosto, na qual ela disse ter-se encontrado com Rousseff a sós “no final do ano passado”, não tem conseguido dar a seu leitor visão clara sobre que interesses de que pessoas estão em jogo nem esclarecer se a tal reunião de fato ocorreu e qual teria sido seu conteúdo e contexto.

O assunto é mesmo complexo. A ponto de um suposto peessedebista, Everardo Maciel, atacar a ex-secretária, que agora é estandarte da oposição, e o Ipea, acusado por antigovernistas de ter sido instrumentalizado pelo PT, divulgar estudo que serve como defesa de Vieira a qual, ao tomar posse, foi considerada ferramenta do PT para “destucanizar” a Receita.

Mas é para isso que existem os meios de comunicação: explicar situações difíceis de entender e relatar episódios complicados de reconstituir com segurança. O jornal não tem sido capaz de mostrar o que distingue a gestão de Vieira das anteriores. Afirma que as exonerações ocorridas após a sua saída constituem “a mais grave crise da história da Receita”, mas não o comprova (por exemplo, comparando quantos funcionários de alto e médio escalões deixaram as funções quando ela assumiu).

Na quinta-feira, classificou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, como “eminência parda” da Receita, mas não o ouviu nem identificou sua posição no entrevero. Também não escutou o ex-secretário Jorge Rachid. E sua entrevista com o ex-secretário Everardo Maciel saiu com atraso, mais curta e menos enfática, em comparação com as que ele deu a outros veículos.

Também foi com atraso que o jornal noticiou que o marido de Vieira foi ministro interino do governo FHC, o que não é muito relevante, mas não deixa de ser curioso.

A Folha também não revelou se os demissionários, que dizem ter deixado seus cargos para impedir a “politização” do fisco, ficaram sem emprego ou perderam remuneração, dado que ajudaria o leitor a balizar o grau de abnegação e idealismo que lhes deve atribuir.

Passadas três semanas, ainda não se sabe quem mentiu. Estabelecer o que é mentira e se ela constitui sempre desvio ético ou às vezes pode ser admissível ou até louvável já ocupou as mentes dos maiores filósofos, que não chegaram a consenso, como revela o interessante livro recomendado abaixo.

PARA LER
“A Saga do Mentiroso – Uma História da Falsidade”, de Jeremy Campbell, tradução de Virginia Martins Cortez, Graphia, 2008 (a partir de R$ 48)

Ex-secretário da Receita Federal de FHC afirma:Casos Petrobras e Dilma/Lina “são farsa”

Por Bob Fernandes na Terra Magazine:

O pernambucano Everardo Maciel mora há 34 anos em Brasília. Foi secretário executivo em 4 ministérios: Fazenda, Educação, Interior e Casa Civil, e foi Secretário da Fazenda no Distrito Federal. Everardo é hoje consultor do FMI, da ONU, integra 10 conselhos superiores, entre eles os da FIESP, Federação do Comércio e Associação Comercial de São Paulo e é do Conselho Consultivo do Conselho Nacional de Justiça.

Mas, nestes tempos futebolísticos, às vésperas de 2010, com tudo o que está no ar e nas manchetes e, em especial, diante do que afirma Everardo Maciel na entrevista que se segue, é importantíssimo ressaltar que ele foi, por longos 8 anos, “O” Secretário da Receita Federal dos governos Fernando Henrique Cardoso.

Dito isso, vamos ao que, sem meias palavras, afirma Everardo Maciel sobre os rumorosíssimos casos da dita “manobra contábil” da Petrobras – que desaguou numa CPI -, da suposta conversa entre a Ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretaria da Receita Lina Vieira e da alardeada “pressão de grandes contribuintes”, fator que explicaria a queda na arrecadação:

– Não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

Sobre a suposta manobra contábil que ganhou asas e virou fato quase inquestionável, diz o ex-Secretário da Receita Federal de FHC:

-É farsa, factóide… a Petrobras tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares.

E o caso Dilma/Lina?

– Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

E a queda na arrecadação por conta de alardeada pressão de grandes contribuintes?

-Farsa, factóide para tentar explicar, indevidamente, a queda na arrecadação.

Sobre essa mesma queda e alardeadas pressões, Everardo Maciel provoca com uma bateria de perguntas; que ainda não foram respondidas porque, convenientemente, ainda não foram feitas:

– Quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? A Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras?

Com a palavra Everardo Maciel, Secretário da Receita Federal nos 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso:

Terra Magazine – Algo perplexo soube que o senhor, Secretário da Receita Federal por 8 anos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, não tem a opinião que se imaginaria, e que está nas manchetes, editoriais e colunas de opinão, sobre o caso das ditas manobras contábeis da Petrobras, agora uma CPI?
Everardo Maciel –
Independentemente de ter trabalhado em qualquer governo, meu compromisso é dizer a verdade que eu conheço. Então, a verdade é que a discussão sobre essa suposta manobra contábil da Petrobras é rigorosamente uma farsa.

Uma farsa, um factóide?
É exatamente isso. Farsa, factóide. E por quê? Porque não se pode falar de manobra contábil, porque a contabilidade só tem um regime, que é o de competência.

Traduzindo em miúdos, aqui para leigos como eu….
Eu faço um registro competência… quer dizer o seguinte: os fatos são registrados em função da data que ocorreram e não da data em que foram liquidados. Por exemplo: eu hoje recebo uma receita. Se estou no regime de competência, a receita é apurada hoje. Entretanto, se o pagamento desta receita é feito no próximo mês, eu diria que a competência é agosto e o caixa é setembro. Isso é competência e caixa, esta é a diferença entre competência e caixa, de uma forma bem simples.

Cabe uma pergunta, de maneira bem simples: então, Secretário, há um bando de gente incompetente discutindo a competência?
Eu não chegaria a fazer essa observação assim porque não consigo identificar quem fez essas declarações, mas certamente quem as fez foi, para dizer o mínimo, pouco feliz.

Por que o senhor se refere, usa as expressões, “farsa” e “factóide”?
Vejamos: farsa ou factóide, como queiram, primeiro para explicar indevidamente a queda havida na arrecadação. Agora, a Petrobras, no meu entender, tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares. Para especialistas.

Então por que todo esse banzé no Oeste?
Não estou fazendo juízo de valor sobre a competência de ninguém, mas, neste caso, para o governo, me desculpem o trocadilho, o que contava era o caixa. E o caixa caiu. Para tentar explicar por que a arrecadação estava caindo, num primeiro momento se utilizou o factóide Petrobras. No segundo, se buscou explicações imprecisas sobre eventuais pressões de grandes contribuintes, às vezes qualificados em declarações em off como financiadores de campanha. Entretanto, não se identificou quem são esses grandes “financiadores de campanha” ou “contribuintes”. Desse modo, a interpretação caiu no campo da injúria.

O senhor tem quantos anos de Brasília?
Não consecutivamente, 34 anos. Descontado o período que passei fora, 30 anos.

Diante desse tempo, o senhor teria alguma espécie de dúvida de que o pano de fundo disso aí é a eleição 2010?
Eu acho que nesse caso, em particular e em primeiro lugar, o pano de fundo era a sobrevivência política de uma facção sindical dentro da Receita.

Seria o pessoal que o atormentou durante oito anos?
Não todo tempo. E de qualquer sorte, de forma inócua.

Sim, mas me refiro para o que reverbera para além da secretaria,do que chega às manchetes… os casos da Petrobras, um atrás do outro.
Todos esses casos são, serão esclarecidos, e acabam, acabarão sendo esquecidos, perderão qualquer serventia para 2010. São factóides de vida curta. Depois disso chegamos à terceira fase do factóide.

Mais ainda? Qual é?
Aí vem a história do virtual diálogo que teria ocorrido entre a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, e a secretária da receita, Lina Vieira. Não tem como se assegurar se houve ou deixou de haver o diálogo, mormente que teria sido entre duas pessoas, sem testemunhas. Agora tomemos como verdadeiro que tenha ocorrido o diálogo. Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal.

Sim, e aí?
Se era algo banal, deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era algo grave, deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

À parte suas funções conhecidas, de especialista, por que coisas tão óbvias como essa que o senhor tá dizendo não são ditas? Já há dois meses essa conversa no ar sem que se toque nos pontos certos, óbvios…
Eu não sei porque as pessoas não fazem as perguntas adequadas…

Talvez porque elas sejam incômodas para o jogo, para esse amontoado de simulacros que o senhor aponta? Quais seriam as perguntas reveladoras?
Por exemplo: quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? Ainda uma outra pergunta: a Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras? Respostas a isso permitiriam lançar luz sobre os assuntos.

Última pergunta, valendo-me de um jargão jornalístico: trata-se então de um amontoado de cascatas?
Não tenho o brilhantismo do jornalista para construir uma frase tão fortemente elegante e esclarecedora, mas, modestamente, prefiro dizer: farsa e factóide. Ao menos, no mínimo, algumas das coisas que tenho visto, lido e ouvido, não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

Artigo: Lina, Dilma e a oposição malabarista

Por Gustavo Barbosa, colaborador do blog:

O entrevero que vem ocorrendo entre a ministra Dilma Rousseff e a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira parece não vislumbrar um futuro breve e alvissareiro se depender da oposição, imbuída de uma esquizofrênica e incessante necessidade de arranhar a imagem da ministra até por coisas que, de fato, não existem.

O grande problema nisso tudo é que tal obstinação, contaminada pelos eleitoreiros e malcheirosos ventos da conveniência e do oportunismo, por ser pautada muitas vezes em uma sanha irracional em tipificar a conduta da ministra, tirou prumo do discurso inicial e deixou a oposição sem saber para onde mirar sua parca munição, ensejando, assim, quadros como o de agora: oposicionistas perdidos, fazendo maremotos em xícaras de café com o aval de toda a mídia mainstream.

Primeiramente, a oposição frisou de forma sucessiva e reiterada o crime consubstanciado na suposta intervenção da ministra Dilma Rousseff em pedir a ex-secretária Lina Vieira a da mesma forma suposta “agilização” das investigações de Fernando Sarney, filho do atual presidente do Congresso Nacional, José Sarney.

Deu-se início, assim, a uma batalha etimológica e semântica do que circunstancialmente viria a representar o termo “agilizar”; para Lina e a oposição, “agilizar” teria o sentido de “encerramento”; para alguns situacionistas, subsidiariamente – já que a nota regente continua sendo a de que o encontro não existiu – não teria significado nada que ultrapassasse as fronteiras do sentido literal.

Só que, uma vez a ex-secretária voltando atrás e afirmando não houve solicitação nesse sentido, mas sim um pedido cabal e literal de agilização, todas as hipóteses de crime se esvaíram. Um balde de água, então, foi jogado na pólvora da oposição, que ficou tanto sem saber para onde atirar como o que usar no lugar da inútil pólvora molhada.

Sem saber no que bater, uma vez que o crime não existiu,  passaram a fazer contorcionismos circenses para imputar responsabilidade à ministra por algo que, seja comprovado ou não, não dará em nada, pois não havendo conduta indecorosa, frustra-se toda e qualquer possibilidade de dar azo à criação de um processo administrativo ou judicial.

O que sobrou, então, para os oposicionistas continuarem com suas piruetas exegéticas acerca de um crime que não existiu foi simplesmente a possibilidade de, com esse episódio, auferir resultados eminentemente eleitorais, já que a coisa definitivamente não entrará em juízo e tampouco irá ensejar qualquer sanção à ministra de cunho também administrativo.

Se não há possibilidade de mobilização de processo administrativo ou judicial contra Dilma, qualquer primata pode enxergar que todo esse burburinho gira em torno apenas de uma coisa: as imbricações político-eleitorais para 2010.

Mais nada resta senão constatar as razões vis de dar continuidade à inquisitiva cruzada contra Dilma. A ficha falsa publicada pela Folha já caiu e o episódio com Lina provavelmente passará em branco. Cabe então perguntar: quando será o próximo acinte?

Ligações perigosas: a relação entre Lina e a família Sarney

Deu no Blog do Nassif:

 

Em observação

Por zanuja

Ora, ora, ora, parece q d. Lina tem muito mais coisas para explicar ao distinto público. Por exemplo, como o marido dela responde a um processo no STF juntinho de Roseana Sarney por improbidade adminitrativa? O dito processo está c a Ministra Carmem. Os laços de amizade da família de d.Lina com a família do senador Sarney é antiga. Se alguém estava querendo atrasar o andamento da investigação do Fernando Sarney, com certeza NÃO era a Ministra Dilma. Não senhor. Tem mais. A PF ameaçou prender a cúpula da Receita Federal, D. Lina no meio, po que estavam atrasando as investigações e por conta disso a Justiça mandou correspondência p a Receita solicitando “agilidade nas investigações”.

Comentário

O ponto central do comentário da Zanuja, que exige uma boa apuração e discussão, é acerca dessa suposta ameaça da PF contra a cúpula da Receita, a fim que agilizassem a operação.

Atenção: o EM OBSERVAÇÃO significa que a informação ainda carece de confirmação.

 

O que o PIG não diz

Marido de Lina Vieira foi ministro de FHC

Lina recebe orientações do marido, ex-ministro de FHC

Lina recebe orientações do marido, ex-ministro de FHC

Em meio a espetacularização do embate entre Dilma e Lina, ficamos sabendo, graças à blogosfera, que o marido da ex-secretária da Receita Federal, Alexandre Firmino de Melo Filho, tem DNA tucano.

Lina, vocês sabem, é aquela que inventou uma reunião secreta, sem data nem hora, com a ministra-chefe da Casa Civil. O PIG e a oposição se agarram em Lina para sabotar Dilma.

Mas o que ninguém sabia – porque isso o PIG não diz – é que o marido de Lina foi ministro adjunto e titular da Integração Nacional do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no período de 20/08/1999 a 17/07/2000.

Alexandre Firmino deu instruções à esposa Lina Vieira, em seu depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na última terça (18). Os senadores da oposição fizeram de conta que não o conheciam – os jornalistas do PIG também.

Isso pode não querer dizer nada, mas pode também dizer tudo e explicar a motivação de Lina. Tem cheiro de conspiração no ar.

As muitas versões de Lina Vieira

A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, confirmou hoje (18), em depoimento na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o polêmico encontro com a ministra Dilma Rousseff, no final do ano passado, quando a chefe da Casa Civil teria pedido a então comandandte do fisco para “agilizar” as investigações envolvendo empresas da família Sarney.

Esse foi o único ponto que Lina sustentou até o fim, sem titubear, mesmo não apresentando nenhuma prova do suposto encontro – nem ao menos lembrar a data e a hora da reunião secreta.

Desde que deu a controversa entrevista à Folha de São Paulo (09/08), Lina contou versões diferentes para a mesma história.

Ao jornal, a ex-secretária disse que interpretou o hipotético pedido de Dilma para “agilizar” as investigações com um recado para “encerrar” o caso. Para Lina, o pedido era motivado pela eleição no Senado.

Estava no processo de eleição do Senado, acho que não queriam problema com Sarney“, declarou.

Interrogada pelos senadores, Lina mudou a versão: negou que tivesse sido pressonada pela ministra, declarou que o pedido de Dilma foi apenas para “dar encaminhamento célere” às investigações e afirmou que a chefe da Casa Civil, em nenhum momento, mencionara a eleição no Senado durante a conversa.

O senador Aloízio Mercadante (PT-SP) observou que Lina, claramente, caíra em contradição. Lina disse uma coisa à Folha de São Paulo (“Interpretei o pedido da ministra para encerrar as investigações“) e outra à CCJ (“Entendi o pedido da ministra no sentido de dar encaminhamento célere às investigações. Não me senti pressionada. Não houve motivação política no pedido“).

Portanto, em uma das situações estava mentindo. Mercadante lembrou que, se o encontro tivesse realmente ocorrido e a ministra tivesse tentado interferir nas investigações da Receita Federal, “Dilma teria cometido um crime“. Mas Lina teria cometido “prevaricação“, continuou o petista, por não haver denunciado a interferência indevida aos seus superiores.

Nós só temos duas alternativas aqui: a senhora prevaricou ou não está falando a verdade”, declarou o senador de São Paulo.

Lina negou a prevaricação, mas não explicou por que não tornou o episódio público antes de ser exonerada da Receita Federal.

Pressionada, Lina admitiu não se lembrar do mês, do dia nem mesmo da hora do encontro na Casa Civil. Justificou o esquecimento dizendo que o encontro não estava registrado em sua agenda oficial. Depois, disse que era possível que houvesse algum registro em sua agenda pessoal, mas ponderou que estava de mudança e não conseguira, ainda, localizar o caderno particular.

À Folha, Lina descreveu a roupa que a ministra vestia no dia do encontro: “Estava com um xale, por cima de uma blusa, de óculos. Não estava, assim, de terninho.

Mercadante quis saber se Lina lembrava da roupa que a ministra usava em outras reuniões em que a ex-secretára da RF esteve presente. Lina respondeu que não lembrava.

Mercadante insistiu: “Mas a senhora só lembra da roupa que a ministra usava especificamente nesse dia? Não lembra a data do suposto encontro, mas descreve em detalhes a roupa que a ministra usava“.

Lina fez de conta que não era com ela.

A audiência na CCJ terminou, Lina não conseguiu provar o encontro e saiu desacreditada após as inexplicáveis mudanças de discurso.

Mercadante diz que memória de Lina “não é tão rigorosa”

O senador Aloízio Mercadante (PT-SP) perguntou à Lina Vieira quantas vezes ela havia se encontrado com a ministra Dilma Rousseff.

A ex-secretária da Receita Federal disse que se encontrou “duas ou três vezes” com a chefe da Casa Civil.

Mercadante listou várias audiências de Lina com Dilma e declarou: “Parece que a memória da senhora não é tão rigorosa“.

Para Mercadante, ao sustentar a versão que interpretara o suposto pedido da ministra no sentido de “encerrar” as investigações contra o filho de Sarney e associar isso ao processo de eleição do Senado, Lina estaria mentindo ou prevaricando, uma vez que, segundo o petista, se o encontro e o pedido ocorreram, Dilma teria cometido uma ilegalidade e Lina deveria ter denunciado o caso.

Nós só temos duas alternativas aqui: a senhora prevaricou ou não está falando a verdade“.

Lina e o espetáculo do PIG

O leitor que assina o comentário como Caco Fono escreve ao blog para dizer que “investigar lista de doadores para desacreditar funcionária pública exemplar é muita baixaria“, acusando petistas de cometerem ato tão repugnante. Caco se refere à descoberta sobre Iraneth Maria Dias Weiler, ex-chefe de gabinete de Lina Vieira, que foi doadora da campanha de FHC a presidente em 1998.

Caco, não sei se no mundo em que você vive as regras são iguais às daqui onde vivo. Até onde sei, lista de doadores de campanha é informação pública. Portanto, pode e deve ser divulgada. Não conheço o histórico de Iranet como funcionária pública, mas não é isso o que está em questão. Passado não absolve ninguém. É isso, aliás, o que faz o presidente do Senado, José Sarney, na tentativa canhestra de se defender. Sarney relembra sua condição de ex-presidente do país, responsável pela transição democrática, para reivindicar o lugar de incomum, sobre quem é inadmissível que se impute alguma culpa.
 
A servidora Iraneth está envolvida numa trama complicada, cujos interesses não são tão aparentes. Não há espaço pra ser ingênuo aqui – a ingenuidade é amiga íntima da burrice. A pergunta que pouca gente faz é por que essa história do suposto encontro secreto entre a ministra Dilma Rousseff e Lina Vieira só veio à tona agora? Lina acusou Dilma de praticar tráfico de influência a favor do filho de Sarney. É estranho o fato da ex-secretária da Receita Federal não ter denunciado o caso antes, se é que realmente isso ocorreu. Em vez de agir, Lina silenciou e, após ser demitida, procurou a imprensa para abrir o jogo.
 
Como não ficar com o pé atrás? Mais ainda: como não associar essa história ao histórico de factóides que a mídia já utilizou contra Dilma, sempre na esperança de desconstruir definitivamente a imagem da ministra? Lina e Iraneth aceitaram participar do espetáculo sensacionalista do PIG para inviabilizar a candidatura de Dilma em 2010. Não venham, agora, fazerem-se de pudicas.

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