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As aves de rapina do PV

Em carta ao Novo Jornal, publicada nesta terça-feira (13), a ex-presidente do PV, a bióloga Darcy Girassol, classsifica os atuais dirigentes do partido como “aves de rapina”.

Na edição de domingo (11) do mesmo jornal, o escritor Franklin Jorge chama o PV de “Partido da Lorota”. Em tom ácido, Jorge afirma que o partido da prefeita Micarla de Sousa “desbotou e manchou uma crônica planetária de defesa da sustentabilidade e da ecologia geográfica humana”.

Em outro trecho, Franklin diz que o PV natalense é composto pelo “baixo clero da política paroquiana”, lamenta que a “trupe mambembe” so liderança da prefeita-borboleta venha sendo tratada de forma “complacente” e setencia que, sob o governo de Micarla de Sousa, Natal virou um “campo minado”.

O PV perdeu o bonde da história, ao transformar-se em objeto de repúdio e chacota pública na figura dessa prefeita cheia de rompantes e palavrório. Um partido que tem devastado o verde e desementido, na prática, o seu próprio ideário filosófico“, anota.

Em sua carta, em resposta ao artigo de Franklin Jorge, Darcy Girassol acusa o presidente de honra do PV, Rivaldo Fernandes, de ter dado um “golpe” para assumir o comando da legenda no Rio Grande do Norte.

As aves de rapina tomaram conta do PV com o aval de Luiz Penna [presidente nacional da sigla]. Isto não aconteceu só aqui no RN. Em vários estados houve mudanças para ampliar e legalizar o PV. Visão estreita, perdeu-se a qualidade e boa parte dos militantes comprometidos com o manifesto, o programa e as diretrizes“, escreve a bióloga.

Dizer mais o que sobre o PV e Micarla de Sousa? Pra mim, está se tornando cansativo escrever sobre essa gestão desastrada que aí está. Em pouco mais de dois anos, a prefeita-borboleta cometeu tantas trapalhadas que, daqui pra frente, nada mais nos surpreende.

Neste período, Natal virou um enorme clichê. As alegorias discursivas usadas pela prefeita para justificar sua inoperância, além de indignação, são motivo de riso. Vide a teoria da orquestração e a tentativa de responsabilizar as elites pelo seu fracasso, duas teses fantasiosas que foram repetidas à exaustão pela lepidoptera e pelo seu séquito de aduladores.

A volta do lixão de Cidade Nova, extinto em 2004, é o que, senão o carimbo definitivo da falência do governo pevista em Natal? O caso chamou a atenção da Executiva Nacional do PV, que estuda “intervir” na situação para tentar amenizar o estrago à imagem da legenda.

Pelo Twitter, o secretário municipal de Comunicação, Jean Valério, reclamou que o Novo Jornal não tenha citado “a versão da Prefeitura” na matéria sobre o lixão. Mas que versão é capaz de justificar esse absurdo, cara-pálida?!

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Micarla transforma Natal numa “Manguetown”

Fui pro mangue catar lixo, pegar caranguejo, conversar com urubu“. Com esses versos, Chico Science narra o cotidiano caótico da Manguetown, uma representação da cidade do Recife, a metrópole onde homens, lixo e urubus dividem o mesmo espaço desordenado.

No refrão, Chico descreve a perplexidade de quem é obrigado a conviver com essa desordem: “Andando por entre os becos/ Andando em coletivos/ Ninguém foge ao cheiro sujo/ Da lama da manguetown“.

Graças a prefeita Micarla de Sousa (PV), Natal está vivendo seus dias de Manguetown. Não é exagero. A volta do lixão de Cidade Nova, com as lamentáveis cenas de homens, mulheres e crianças caçando sua sobrevivência em meio aos detritos da sociedade, é o retrato sem retoques do abandono da cidade que, em outros tempos, foi cantada pelo nosso Pedrinho Mendes como a “linda baby” onde “belo cai o sol sobre esse rio“.

Com Micarla, Natal perdeu a beleza. Os natalenses, perderam o orgulho desta “terra de um deus mar” — para citar novamente Pedrinho Mendes.

Por piores que fossem as previsões sobre a administração de Micarla, ninguém poderia imaginar que a primeira prefeita de capital do Partido Verde ficaria conhecida pela volta do problema do lixão.

A Prefeitura discute o valor da dívida com as transportadoras e com a Braseco, empresa que administra o Aterro Sanitário de Ceará-Mirim — destino final dos resíduos de Natal, Parnamirim e da própria Ceará-Mirim –, enquanto assistimos atônitos e incrédulos as imagens dos homens-urubus.

Desnorteada, a administração que prometia inaugurar uma nova época de desenvolvimento sustentável dá vexame nacional.

Lembrei dos versos de outra música de Chico Science (Da lama ao caos) que serve para representar os tristes dias que vive nossa outrora linda baby nestes tempos de Micarla de Sousa: “Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça/Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça“.

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