Embolando Palavras

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Wikileaks e as eleições de 2010: as vísceras do jornalismo do PIG

Com informações dos blogs Gonzum e Maria Frô

Documentos vazados pelo Wikileaks, sobre as eleições 2010, revelaram que o então candidato tucano José Serra apostava suas fichas em Marina Silva (PV) para ser sua vice e ajudá-lo a derrotar Dilma Rousseff (PT). A informação foi repassada ao cônsul americano pelo colunista da Veja, Diogo Mainardi, que lhe contou sobre uma conversa que teve com o ex-governador de São Paulo.

Com base nas informações de Mainardi, o cônsul americano afirma que José Serra pediria a Marina Silva para ser a vice dele. Diante da improbabilidade disso acontecer, o tucano esperava o apoio dela no segundo turno da eleição de 2010.

Na mesma nota, o diplomata americano conta que, durante um almoço, Mainardi lhe revelou que escreveu um artigo na Veja defendendo a chapa Serra / Marina depois que o tucano lhe disse que a verde era a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Na coluna em questão, Mainardi batizou a dobradinha Serra / Marina de “chapa cabocla”. “Uma chapa formada por José Serra e Marina Silva embaralharia a campanha de 2010, pegando o PT no contrapé e enterrando de vez a desastrada candidatura de Dilma Rousseff”, escreveu o colunista.

Apesar da defesa da “chapa cabocla”, Mainardi confessou ao cônsul que não acreditava na sua concretização. Para o colunista, Marina estava “interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência.

Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, lhe dissera, no início desse mês, que permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice na chapa de José Serra“, diz trecho da nota vazada pelo Wikileaks.

A opinião de Mainardi era compartilhada pelo colunista d’OGlobo, Merval Pereira, que, em encontro no dia 21 de janeiro, disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), estaria disposto a “fazer tudo” para ajudar José Serra, inclusive ser seu vice.

Merval disse acreditar que “não só [Aécio] Neves aceitará ser vice-presidente de Serra, mas também que Marina Silva apoiaria Serra num eventual segundo turno.

Como se sabe, tanto as análises de Mainardi, chamado de “renomado colunista político”, como as previsões de Merval Pereira revelaram-se enormes furadas. O problema é que, ao confundir análise com torcida, os dois colunistas do PIG passaram por cima dos fatos e se apegaram à ilusão de que suas hipóteses virariam verdade por inércia.

A promiscuidade entre a velha imprensa e a direita tucana não é novidade. Além dos delírios de José Serra, o documento do Wikileaks expôs as vísceras do jornalismo praticado pela grande mídia.

Ao emprestarem suas páginas para Mainardi e Merval repassarem os recados ditados pelo tucano, Veja e O Globo trocaram a fantasia da imparcialidade pelas vestes da subserviência.

Ao lado de Micarla, Marina é ignorada no Alecrim

Deu no Diário de Natal:

Uma saia justa para Marina

O fato de ainda ser desconhecida de boa parte do eleitorado potiguar fez Marina Silva, candidata à presidência da República pelo Partido Verde, enfrentar uma situação, no mínimo, embaraçosa enquanto caminhava no bairro do Alecrim ontem pela manhã. Alguns eleitores rejeitaram apertar a mão da presidenciável, entretanto com seu jeito tranquilo Marina respeitou a decisão dos eleitores e continuou caminhando ao lado prefeita Micarla de Sousa que apostou no descrédito dos políticos para o fato ocorrido com a presidenciável do PV.

Eleições, Shakespeare, Cascudo

As folhinhas do calendário passaram numa velocidade surpreendente até aqui. Estamos há apenas três meses das eleições que vão escolher o novo presidente do Brasil, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. É verdade que enquanto a Copa do Mundo rola nos campos da África do Sul, pouca  gente quer saber de política, eleições e candidatos. Mas, mesmo com todas as atenções voltadas para a seleção do Dunga, o jogo da luta pelo poder continua a ser jogado diariamente.

O desfecho deste enredo só será conhecido em 3 de outubro, talvez um pouco depois, se houver segundo turno. Mas os primeiros atos dessa história com inspiração shakespeariana (vide a tragédia “Rei Lear”) foram e continuam sendo encenados sem intervalo.

No plano nacional, o confronto entre Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) representa mais que a prosaica disputa para saber quem sucederá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto.

Como disse Emir Sader, as eleições vão definir se o governo petista foi uma exceção, um parêntese no modelo neoliberal, ou a sinalização para um novo modelo de sociedade, com foco nas questões sociais (leia-se distribuição de renda e combate à miséria) e com o Estado exercendo a função de protagonista do desenvolvimento.

Já aqui na província de Cascudo, a eleição se aproxima sem que os candidatos tenham dito ainda a que vieram. Por enquanto, ocupam-se com pantomimas  sem graça, que só servem para encher as páginas de blogs ainda mais sem graça, alinhados com um ou outro lado.

Neste Rio Grande do Norte, prevalecem ainda as pequenas ideias, as nulidades intelectuais e o silêncio cúmplice com os absurdos cometidos pelos mandatários de plantão.

Para quem vão os votos de Ciro?

Por Maurício Dias (Carta Capital /Coluna Rosa dos Ventos):

Votos de Ciro Gomes tendem a favorecer Dilma, diz especialista

A retirada da pré-candidatura do Deputado Ciro Gomes à Presidência da República consolida uma pergunta que já rondava o debate sobre a sucessão presidencial: para onde escoarão os votos do eleitor de Ciro? Para Serra ou para Dilma?

Na terça-feira 27, o PSB defenestrou Ciro Gomes. A Executiva do partido decidiu, por 11 votos contra 2, que os socialistas não teriam candidatura própria à Presidência da República. Mas, além desse fator, sem a presença de Ciro Gomes na competição, cresce a possibilidade de a eleição de outubro ser definida no primeiro turno. Um resultado possível em eleição polarizada, entre petistas e tucanos, e ainda com forte viés plebiscitário como será a de outubro.

Nesse ambiente inteiramente polarizado,a oposição e a imprensa que a vocaliza reagiram à decisão do PSB de retirar o nome de Ciro do páreo e, principalmente, contra a decisão de consolidar o apoio à candidata governista.

O que será dos votos de Ciro? O cientista político Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, responde à pergunta assim: “os votos de Ciro Gomes vão mais para Dilma Rousseff do que para José Serra. Em dados gerais, pelos nossos cruzamentos, 50% vão para a candidata do PT e 30% para o candidato do PSDB.”

Para ele, os 20% restantes seriam redistribuídos igualmente entre Marina Silva, do PV, e os indecisos.

“Se considerarmos as proporções para Dilma e para Serra, temos 65% dos votos indo para ela e 35% para ele”, diz Guedes.

A lógica do raciocínio de Ricardo Guedes baseia-se no princípio do que ele considera “pacto do tipo social-democrata europeu”, que teria se formado no Brasil. Ou seja, “a esquerda passa a ser institucionalizada, e a direita cede para programas sociais”.

Os votos de Ciro Gomes favoreceriam, assim, Dilma Rousseff por estar na posição de centro-esquerda do especto político.

Guedes lembra que o eleitor de Marina Silva, o terceiro nome da disputa com potencial de voto pequeno, mas possivelmente decisivo, pode vir a fazer voto útil em Dilma, na reta final das eleições. Isso ocorreu com a ex-senadora Heloísa Helena, do PSOL, nas eleições presidenciais de 2006. Ela chegou a ter 15% das intenções de voto (um número muito próximo ao porcentual máximo atingido por Ciro nas pesquisas de 2009) e terminou com 5%.

Guedes afirma que o voto dela “fluiu para Lula”.

O nome de Plínio de Arruda Sampaio, recentemente definido como pré-candidato do PSOL, ainda não foi incluído nas pesquisas.

Ricardo Guedes engrossa o coro daqueles que acham possível (como já falou João Francisco Meira, do Vox Populi), a eleição ser decidida pela via rápida, em apenas um turno. A favor da candidata do PT.

As condições econômicas e sociais favorecem a candidatura de Dilma Rousseff, que expressa o voto na continuidade, estando a oposição com dificuldades de formular um projeto alternativo para o País. Com a tendência de maior conhecimento de Dilma, as intenções de voto permanecerão equilibradas até o início do período eleitoral, com os programas eleitorais nos meios de comunicação e os debates”.

Ao contrário do que se esperava, a questão ambiental não tomou conta dos debates. Isso projeta dificuldades para Marina manter um porcentual de votos acima de um dígito. A pesquisa Ibope, mais recente, indicou que 10% dos eleitores votariam nela se a eleição fosse hoje.

Os debates, segundo Guedes, serão fundamentais para a alteração, ou não, dessas tendências. Ele acredita que, como ocorreu com a candidatura de Heloísa Helena nas eleições passadas, parte do eleitorado de Marina Silva pode vir a fazer o voto útil. Enviado pelo amigo Amorim de São Paulo.

A baldeação de Marina Silva

Quando a senadora Marina Silva (AC) deixou o PT para ingressar no PV, petistas denunciaram a manobra: a candidatura à Presidência da República da ex-companheira serviria de escada para José Serra, uma vez que os verdes são aliadíssimos do tucano que governa o Estado de São Paulo.

O PV sempre negou que Marina se submeteria a esse papel, afirmando que a candidatura da senadora era para valer.

Quando Marina escolheu Eduardo Jorge – nomeado secretário de Meio Ambiente de São Paulo pelo então prefeito José Serra (PSDB) e mantido no cargo pelo sucessor Gilberto Kassab (DEM) – para coordenar sua campanha presidencial as especulações aumentaram.

Ontem (13), o deputado federal Fernando Gabeira (RJ) – com o respaldo de Marina Silva – disse que aceita se candidatar ao Governo do Rio de Janeiro por uma aliança PV-PSDB, escancarando de vez que os verdes estarão mais cedo ou mais tarde com José Serra na disputa presidencial.

Transcrevo a seguir a análise da Carta Maior sobre a “baldeação de Marina Silva”:

“Ergue-se no Rio a ponte para a baldeação de Marina Silva rumo à coalizão demotucana; na 4º feira, 13, Serra discutiu os acertos diretamente com o demo César Maia e o verde Gabeira. A travessia de Marina envolve duas etapas: 1º) uma dobradinha PV/PSDB na disputa estadual com Gabeira na cabeça, em troca de uma embaixada em Paris, caso Serra vença as eleições; 2º) num eventual segundo turno da disputa presidencial, a coalizão demotucana seria pincelada de verde, com o apoio explícito de Gabeira e Marina ao tucano paulista”.

(Carta Maior e os rumos de quem deixou o PT pela coerência ética; 14-01)

Marina escolhe ex-secretário de José Serra para coordenação da campanha presidencial

Eduardo Jorge – nomeado secretário de Meio Ambiente de São Paulo pelo então prefeito José Serra (PSDB) e mantido no cargo pelo sucessor Gilberto Kassab (DEM) – vai coordenar a campanha presidencial da senadora Marina Silva (PV-AC).

Para quem não sabe, Eduardo Jorge é um dos fundadores do PT. Deixou o Partido dos Trabalhadores para se filiar ao PV em 2003. A assessoria do secretário confirmou o convite para fazer parte da coordenação da campanha de Marina Silva.

O Portal Vermelho destaca que a escolha de Eduardo Jorge “reforça as especulações de que a candidatura de Marina se tornará uma espécie de linha auxiliar da candidatura tucana à presidência”.

O PV, como era previsível, nega que Marina vá servir de escada para Serra (com perdão do trocadilho), bem como descarta a possibilidade da senadora ser a vice na chapa do PSDB.

Mas o fato é que Eduardo Jorge, mesmo sem se dizer serrista, é homem de confiança do governador tucano e integra o secretariado da administração do DEM em SP. Então, sua escolha para coordenar a campanha de Marina Silva levanta suspeitas perfeitamente críveis, mas, ao mesmo tempo, não nos autoriza a fazer afirmações categóricas.

O jeito é esperar pra ver o que acontece.

A manipulação das pesquisas eleitorais

Ricardo Noblat divulgou o resultado de uma pesquisa encomendada pelo PSDB ao Ibope que mostra o crescimento de José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República, com 41% contra 35% da pesquisa anterior.

Neste cenário, Dilma Rousseff (PT) aparece em segundo lugar, com 17%, seguida de Ciro Gomes (PSB) com 16% e Marina Silva (PV) com 9%.

O que Noblat, conhecido pelas barrigas que noticia em seu blog, não disse aos seu leitores é que a pesquisa atual não pode ser comparada com a anterior, porque o levantamento atual não apresentou aos entrevistados o nome do candidato sozinho, mas sim acompanhado do vice.

É o que revela Renata Lo Prete no Painel da Folha:

Bananas… A pesquisa Ibope em que José Serra obtém 41% de intenção de voto não pode ser comparada com a anterior do instituto, na qual o tucano havia registrado 35%. Encomendado pelo PSDB, o levantamento mais recente não apresentou ao entrevistado o nome do candidato sozinho, mas sim acompanhado de um vice.

…e laranjas. Serra atingiu 41% tendo o correligionário Aécio Neves como vice. No caso de Dilma (17%), o companheiro de chapa foi Temer.

O xadrez de 2010

Não deu pra comentar antes a pesquisa CNI/IBOPE, divulgada no início da semana, sobre a sucessão presidencial. Mas o assunto movimentou a blogosfera, gerou várias análises e dividiu opiniões. As interpretações variaram conforme as convicções políticas do freguês. Resumidamente, a pesquisa indicou que José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) caíram, enquanto Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) cresceram.

No principal cenário pesquisado, Serra lidera com 34%, Dilma e Ciro aparecem empatados com 14%, Heloisa Helena (PSOL) figura com 8% e Marina surge com 6%.

No segundo cenário, quando Aécio Neves (PSDB) substitui Serra, Ciro Gomes lidera com 25%, Dilma vem em seguida com 16%, Aécio com 12%, Heloísa Helena com 11% e Marina Silva com 8%.

Em outra simulação, sem Heloisa Helena na lista, Serra lidera com 35%, Ciro Gomes aparece com 17%, Dilma Rousseff soma 15% e Marina Silva, 8%. Com Aécio no lugar de Serra e sem Heloísa Helena, Ciro Gomes lidera com 28%, seguido de Dilma com 18%, Aécio com 13% e Marina Silva com 11%.

No levantamento que exlui Marina, Serra tem 34%, Ciro 17%, Dilma 15% e Heloisa Helena, 10%. Em relação às pesquisa anterior, realizada em junho, quando a senadora Marina Silva ainda não aparecia nas simulações, José Serra caiu 4% e Dilma Rousseff caiu 3%. Já Ciro Gomes cresceu 5% e Heloisa Helena, 3%. 

Agora vamos às análises sobre os números. Os comentaristas divergem sobre a importância das pesquisas nesta época, quando ainda falta mais de um ano para as eleições. Alguns afirmam que o jogo já começou pra valer, enquanto outros dizem que é cedo demais pra se prever alguma coisa. A imprensa tucana comemorou a queda da ministra Dilma Rousseff, mas procurou esconder o tombo do governador José Serra. Estratégia previsível. Faz parte da campanha para desacreditar a pré-candidatura da petista.

Dilma, como se sabe, há tempos enfrenta artilharia pesada, com a fabricação de sucessivos escândalos pela mídia. A mais recente armação foi o Linagate. Considerando esse longo processo de exposição desfavorável, associado à exploração desumana do câncer da ministra, a queda de Dilma Rousseff era esperada.

A mídia simpática aos tucanos se esforçou para fazer crer que a candidatura da ministra “naufragou”. Para isso, seguiram um roteiro pré-definido:

– Destacar que Dilma “caiu”, enquanto Serra apenas “oscilou negativamente”; 

– Enfatizar que Dilma tem a maior “rejeição” (40%), sem mencionar os 30% de reprovação ao candidato tucano;

– Não dizer, em hipótese alguma, que Dilma só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% — isso quer dizer que a ministra tem maior potencial de crescimento, principalmente quando ficar claro para a população que ela é a candidata do presidente mais popular da história do país (Lula, segundo a pesquisa, tem 81% de aprovação).

No blog Óleo do Diabo, Miguel do Rosário destacou o que chamou de “cacoetes” usados pela mídia na divulgação da pesquisa:

Quero destacar um ponto que ninguém parece ter percebido. No quadro mais importante, o que inclui Serra, Ciro Gomes, Dilma, Heloísa Helena e Marina, a imprensa repetiu ad infinitum que Ciro “ultrapassou” Dilma. Está claro que há uma tentativa, que não é de hoje, de romper a aliança PT-PMDB. O ponto que ninguém viu é que Ciro não está à frente de Dilma. Está em empate técnico. Ele tem 17%, ela tem 15%. Esses dois pontos percentuais correspondem à margem de erro. Para quem não sabe, a margem de erro embute um fator casual. Ou seja, é possível que a mesma pesquisa, se fosse realizada na mesma época, usando os mesmos métodos, mas entrevistando pessoas diferentes, poderia trazer Dilma à frente de Ciro.

 

Em relação à “rejeição” de Dilma, Miguel observou o seguinte:

Dilma Roussef só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% e Ciro Gomes, por 45%. Esses dados se conformam perfeitamente com os das outras pesquisas, que mostram o crescimento mais rápido de Dilma junto às classes educadas, com ensino superior e com renda mais alta, as quais, provavelmente, já sabem muito bem quem é Dilma e que ela deverá ser a candidata apoiada pelo presidente Lula. Cotejando a pesquisa com a sólida popularidade de Lula, as perspectivas de Dilma são as mais positivas. (…) Entre os  menos escolarizados, Lula tem aprovação de 88%. Para mim é evidente que, quando o presidente estiver liberado para participar do horário eleitoral e informar os cidadãos de que sua candidata é Dilma, este povão simples e honesto irá votar em peso nela. Mas Lula também tem aprovação de 71% entre os que tem curso superior completo ou mais, e 72% tanto entre os que ganham de 5 a 10 salários como os que ganham mais de 10 salários. Ou seja, mesmo entre o público alvo da grande imprensa, aqueles que mais consomem carros e adquirem imóveis nas capitais, Lula tem uma vasta e sólida aprovação. Repare ainda que a aprovação de Lula no Nordeste é de 90%, um índice jamais visto em nenhum país democrático, ainda mais para um governante em final de mandato, com todos os desgastes decorrentes daí.

 

No Vi o Mundo,Luiz Carlos Azenha escreveu que “a campanha eleitoral está em andamento”, mas acha que, por enquanto, toda movimentação ainda é “interna”:

José Serra precisa provar sua viabilidade eleitoral antes de obter o compromisso firme dos financiadores de campanha. Por isso trabalha para inflar Marina e Ciro e para limar, pela ordem, Aécio Neves e Dilma Rousseff. Nessa tarefa, conta com o inestimável apoio da maior parte da mídia corporativa.

Acho que as pesquisas de opinião pública valem muito pouco faltando mais de um ano para a eleição.

(…)

Romper a aliança entre PT e PMDB parece ser o grande objetivo estratégico de Serra. Para isso, ele precisa criar dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Dilma. É disso que se trata. Como analisou Rodrigo Vianna com acerto, anteriormente, é a UDN tentando romper o acordo entre PTB e PSD.

Com a economia brasileira bombando, a máquina do governo federal nas mãos, o apoio de Lula e do PMDB, Dilma Rousseff é uma candidata fortíssima, ainda que os números das pesquisas não reflitam isso ou tenham sido deturpados para não refletir isso — no que acredito, especialmente quando o IBOPE diz que Dilma tem uma taxa de rejeição de 40%. Tornar Dilma a vilã terrorista da classe média apenas repete o padrão do “medo” usado contra Lula, mas já é campanha eleitoral, sim. Clássica.

 

O Escrevinador Rodrigo Viana aposta que o personagem central desse xadrez político que começa a ser jogado agora com olhos voltados para 2010 é Ciro Gomes:

O que sei dizer é o seguinte: de fato, a maior parte da população não está pensando em eleição. O que não quer dizer que o jogo já não tenha começado.

Lá na frente, quando a grande massa de eleitores entrar em campo, parte do jogo já terá sido jogado.

Serra ou Aécio no PSDB?

Dilma com PMDB ou Dilma com Ciro?

Lula terá um ou dois candidatos?

Tudo isso começa a ser definido agora.

A minha tese central é que esse arranjo (ou dessarranjo?) de forças hoje tem um personagem central: Ciro Gomes.

Ele, e não Marina, pode mudar toda a estratégia eleitoral do governo.

Lula e o PT estão preparados para uma eleição plebiscitária: Dilma é Lula; Serra é o anti-Lula.

Ciro aparece nas pesquisas com força suficiente para manter sua candidatura. Uma candidatura lulista, mas fora da estratégia oficial do governo.

Vários leitores (aqui, e no blog do Azenha) acham que a candidatura Ciro serve aos interesses de Serra.

Discordo frontalmente. E, nesse ponto, discordo também do Azenha.

Para Serra – com sua máquina de dossiês e o apoio do PIG – é mais fácil centrar fogo em Dilma. É mais fácil colar nela a pecha de “inexperiente”, de “pau mandado de Lula” ou (para agradar a extrema-direita) de “terrorista”.

Se Ciro sair candidato, Serra terá dois adversários para bater. Serão dois contra um. Se centrar todo fogo em Dilma, Ciro cresce. Se bater muito em Ciro, vem a Dilma com apoio do Lula.

Esse é o ponto que trago para debate. Apesar de faltar muito tempo para as eleições, essa escolha será feita nos próximos meses (muito antes da Copa do Mundo e do Carnaval).

Fora isso, lembro também o papel de Aécio. Dentro do PT , há quem tema mais a candidatura dele do que a de Serra. Faz sentido. Ele tem condições de se apresentar não como “anti-Lula”, mas como o “pós-Lula”.

(…)

Mas o fato é que muita gente no PT avalia que Aécio pode mesmo ser um candidato mais difícil de derrotar, apesar de hoje estar atrás nas pesquisas.

Entre os tucanos, muita gente também sabe disso. Mas como tirar da corrida o governador de São Paulo, com mais de 30% de intenções de voto?

Isso tudo está em jogo, desde agora.

Aécio está se guardando “pra quando o carnaval chegar”. Serra (representante da neo-UDN) segue em sua estratégia de rachar a aliança PT-PMDB (que reproduz a velha aliança PSD-PTB).

Com a economia bombando, e a popularidade de Lula nas alturas (como lembra o Azenha), o PMDB dificilmente ficará contra a candidatura apoiada pelo lulismo. Seria suicídio. E o velho PSD (digo, PMDB) não é de cometer suicídio político.

Ciro já se lançou ao mar. Pode até não ser candidato. Mas, nesse caso, venderá mais caro para o lulismo o apoio do chamado bloquinho (PSB-PDT-PCdoB), o que pode atrapalhar (mas não inviabilizar) as negociações do PT com o PMDB.

Muito antes da final da Copa da África do Sul, tudo isso estará já acertado. 

 

Papo de Buteco

As opiniões acima são bastante críveis, principalmente porque levam em conta todas as variáveis que a mídia, em sua sanha pró-tucana, tentou esconder.

Mas como esse blog é democrático, vamos deixar a palavra de jornalistas e afins um pouco de lado para dar espaço à voz rouca das ruas e seus palpiteiros políticos.

Numa roda de amigos ontem à noite, ao som do chorinho, o papo sobre as eleições e a pesquisa do Ibope rolava solto. Destaco a opinião de um colega petista, preocupado com a situação: “Quando José Dirceu caiu, o partido (PT) ficou sem candidato natural. Naquele momento, Lula deveria ter preparado Marina Silva para ser sua sucessora. Marina tem a simpatia do povo e tem uma história de vida parecida com a dele (Lula). Mas Lula se isolou em sua popularidade e deu às costas ao PT. Aí decidiu ungir Dilma sua candidata, mas a ministra não cresce. Dilma não leva essa“, desabafou.

Este embolador ouviu a confissão de “medo” de outro petista, que também acredita que Lula errou ao escolher Dilma para ser sua candidata: “A candidata deveria ser Marina. O jogo não vai ser nada fácil. Corremos o sério risco de perder o governo para os tucanos e ver o país retroceder.”

É isso aí. A guerra vai ser dura mesmo.

Marina diz que PV não quer ser um “partido de massa”

Do Portal Terra:

 

A senadora Marina Silva (AC) afirmou nesta segunda-feira que o PV não pretende ser um partido de massa. A ex-ministra do Meio Ambiente disse que a maior dificuldade que tem enfrentado desde que se filiou à legenda, após 30 anos de militância no PT, é o grande número de pessoas que tem pedido para entrar no partido.

“Até agora, a minha maior dificuldade tem sido a festa. Porque, no Brasil inteiro, há uma grande quantidade de pessoas querendo se filiar. Pessoas de altíssimo nível, da academia, da intelectualidade, do mundo artístico, de todos os segmentos. O PV não tem a pretensão de se transformar em um partido de massa. O PV quer ter uma relação de parceria com os núcleos vivos da sociedade”, afirmou Marina, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que vai ao ar nesta noite.

O Partido Verde tem registrado aumento no número de filiações desde a entrada da senadora na legenda. Só em São Paulo, a sigla, que recebia 600 filiações por semana, passou a ter 3 mil semanais. O vereador mais votado da capital paulista, Gabriel Chalita (PSDB), e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pretendem entrar para a legenda.

 

Leia mais aqui.

O plano de Marina

Li no Fator RRH que a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), vai apoiar a candidatura da senadora Marina Silva (AC), caso ela se filie mesmo ao PV e aceite disputar a Presidência da República. Até aí, tudo bem. Micarla é a única prefeita de capital do PV e tem obrigação de marchar com seu partido em 2010.

Mas foi este trecho que está no blog do professor Ricardo Rosado que chamou minha atenção: “Pelo que diz o site do partido a prefeita fará parte da equipe que vai elaborar o programa de governo.”

Peraí… será que entendi direito? Micarla vai ajudar na elaboração do plano de governo de Marina Silva?

Mas que contribuição a prefeita teria a dar? Na campanha do ano passado, Micarla de Sousa apresentou um plano de governo fictício, com o pomposo nome de GPS (Gestão por Políticas de Sustentabilidade). Mas o badalado GPS permaneceu escondido, sem chegar ao conhecimento da sociedade.

Talvez porque o plano não passava de um documento amador, onde os problemas da cidade eram apresentados superficialmente, acompanhados das respectivas receitas mágicas para solucioná-los. Todas as mazelas de Natal seriam resolvidos com a utilização de uma listinha de verbos no infinitivo: aumentar, ampliar, melhorar, criar, priorizar… por aí vai.

Micarla assumiu a Prefeitura de Natal prometendo fazer um choque de gestão, mas até agora não disse a que veio. O desgoverno, principalmente na área da saúde, é a marca da sua administração.

Então, em quê Micarla teria a contribur com o plano de governo de Marina?

Senador João Pedro: “Saída de Marina divide esquerda”

Por Diego Salmen na Terra Magazine:

O PT perde uma “militante histórica e exemplar” com a saída de Marina Silva, avalia o senador João Pedro (PT-AM), até ontem colega de partido da ex-ministra do Meio Ambiente. Dizendo-se preocupado, o congressista faz uma ressalva:

– (Tenho a preocupação) De a história dela, uma história exemplar, encontrar dificuldades por conta da dubiedade e da aproximação do PV com o projeto do PSDB, haja vista que a maioria do PV está aliada aos tucanos.

Nesta entrevista a Terra Magazine, o senador – atual presidente da CPI da Petrobras – faz o prognóstico de uma eventual candidatura de Marina à presidência. E analisa as consequências de um divisão no campo de esquerda para as eleições de 2010.

– Isso ajuda o projeto neoliberal do DEM e do PSDB. Essa divisão ajuda a eles. Paciência… Vamos enfrentar.

Confira a entrevista:

Terra Magazine – Como avalia a saída de Marina Silva do PT?
João Pedro –
É uma perda. Você perde uma militante exemplar, histórica, respeitada, que ajudou a consolidar o partido na sua região, no seu estado e em nível nacional. Agora, tudo indica que ela vai pro PV, e aí eu tenho uma preocupação.

Qual?
De a história dela, uma história exemplar, encontrar dificuldades por conta da dubiedade e da aproximação do PV com o projeto do PSDB, haja vista que a maioria do PV está aliada aos tucanos. Eu faço esse registro.

O senhor acha que o histórico de confronto de Marina com interesses do agronegócio pode dificultar a construção de uma candidatura à presidência?
Acho que ela levantou bandeiras corretas. Marina fez um bom combate defendendo políticas públicas em respeito à economia familiar, em respeito às populações tradicionais, em respeito à questão ambiental, social. Ela fez isso, é dela. Mas também é do governo, haja visto que o governo tem um ministério só para cuidar da agricultura familiar (Ministério do Desenvolvimento Agrário), e outro para lidar com exportações e agronegócio (Ministério da Agricultura). Essa é a composição do Brasil. Isso forma a economia e a sociedade brasileiras.

A vinculação da imagem de Marina à defesa do meio ambiente não pode fazer dela candidata do “samba de uma nota só”, como disse o presidente Lula? O senhor compartilha dessa avaliação?
Não, eu tenho outra opinião. Ela representa um tema, e a Marina vai fazer um debate qualificado. Ela tem um foco, mas tem uma formação para fazer um debate mais amplo.

Uma eventual candidatura de Marina à presidência não pode enfraquecer a proposta de eleição plebiscitária defendida pelo PT contra o PSDB? Pode dividir o eleitorado mais à esquerda?
Essa divisão no campo da esquerda eu vejo com muita preocupação. Não é bom. Isso ajuda o projeto neoliberal do DEM e do PSDB. Essa divisão ajuda a eles. Paciência… Vamos enfrentar. A gente se encontra no segundo turno (risos). Não é brincadeira: nós temos um projeto vitorioso no campo popular de esquerda que não se completou. Por isso a candidatura da Dilma, de continuidade, é para nós avançarmos em conquistas sociais. Eu vejo essa divisão com muita preocupação, e não ajuda esse projeto de continuidade.

Por outro lado, Marina sofreu um desgaste grande antes de sair do Ministério do Meio Ambiente, houve desentendimentos com outros ministérios e ela voltou a ser senadora. Não é legítimo ela buscar um espaço próprio nessas condições?
Eu respeito a decisão da Marina, o caminho que ela está escolhendo. Agora, eu fico com meu projeto, eu faço parte de um projeto que eu considero vitorioso. E eu lamento profundamente que ela não faça a defesa desse projeto que eu considero vitorioso, projeto do qual ela foi figura importante no ministério. O debate dentro do governo é permanente; isso (a falta de debate) é um sonho de que você terá um governo sem conflito, sem debate.

Sim…
Nós aprendemos com a vida, com a militância, que a disputa de idéias para viabilizar um projeto é dura, longa, profunda. Então nós temos de ter a maturidade de viver com o contencioso, com o contraditório. Não tem desgaste nem precipitação (na saída de Marina do PT). É normal num governo de esquerda, popular, com um projeto nacional, que haja esse debate. Eu vejo com naturalidade. Vai ser sempre sim.

São contradições inerentes ao processo?
Claro. O Brasil é um país democrático. Vai ter que dialogar com o MST, com o agronegócio, com a Via Campesina, enfim, com todos os setores da sociedade. Esse é o desafio do governo: encontrar o ponto de equilibrio, de chegar ao consenso. E nós avançamos muito nos últimos anos por conta da capacidade que o presidente Lula tem de dialogar, eu vejo isso de forma positiva.

Como vê uma candidatura de Marina em um partido sem a inserção popular que o PT, bem ou mal, poderia oferecer?
Não tenho dúvida (de que Marina sentirá falta da inserção popular do PT). Isso para mim é um fato. O PV é um partido que não está estruturado, não está presente no Brasil. É claro que eu compreendo… interiorizar um partido nas pequenas, médias regiões é um processo longo. O PV está longe de estar no interior do Brasil. Marina pode cumprir o papel de ajudar o PV, porque ela é um nome nacional; no projeto da candidatura, ela vai encontrar dificuldades porque o PV não está presente (no interior do país), mas ao mesmo tempo ela vai ajudar o PV a se consolidar, a se fazer presente.

 

A carta de Marina

A senadora Marina Silva anunciou hoje (19) seu desligamento do Partido dos Trabalhadores (PT), após quase 30 anos de filiação. Marina comunicou a decisão em carta enviada ao presidente do partido, Ricardo Berzoini.

Leia abaixo a íntegra da carta de Marina:

 

“Brasília, 19 de agosto de 2009

Caro companheiro Ricardo Berzoini,

Tornou-se pública nas últimas semanas, tendo sido objeto de conversa fraterna entre nós, a reflexão política em que me encontro há algum tempo e que passou a exigir de mim definições, diante do convite do Partido Verde para uma construção programática capaz de apresentar ao Brasil um projeto nacional que expresse os conhecimentos, experiências e propostas voltados para um modelo de desenvolvimento em cujo cerne esteja a sustentabilidade ambiental, social e econômica.

O que antes era tratado em pequeno círculo de familiares, amigos e companheiros de trajetória  política, foi muito ampliado pelo diálogo com lideranças e militantes do Partido dos Trabalhadores, a cujos argumentos e questionamentos me expus com lealdade e atenção. Não foi para mim um processo fácil. Ao contrário, foi intenso, profundamente marcado pela emoção e pela vinda à tona de cada momento significativo de uma trajetória de quase trinta anos, na qual ajudei a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avanços materializados na eleição do Presidente Lula, em 2002.

Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito, mas estou certa de que o faço numa inflexão necessária à coerência com o que acredito ser necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade. Tenho certeza de que enfrentarei muitas dificuldades, mas a busca do novo, mesmo quando cercada de cuidados para não desconstituir os avanços a duras penas alcançados, nunca é isenta de riscos.

Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.

Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula e participei de importantes conquistas, das quais poderia citar, a título de exemplo, a queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro. Entendo, porém, que faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas.

É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque não é exclusiva de governos. Ela está presente nos partidos políticos em geral e em vários setores da sociedade, que reagem a sair de suas práticas insustentáveis e pressionam as estruturas públicas para mantê-las.

Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas semanas perguntou-me por que não continuar fazendo esse embate dentro do PT. E chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental no Brasil – com importantes experiências em curso, que deveriam ganhar escala nacional, provindas de governos locais e estaduais, agências federais, academia, movimentos sociais, empresas, comunidades locais e as organizações não-governamentais – é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País. Assim como vem sendo feito pelo próprio Partido dos Trabalhadores, desde sua origem, no que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos direitos humanos.

Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa com que me ouviu, estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e dirigentes com quem dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio Mercadante e a meus companheiros da bancada do Senado, que sempre me acolheram em todos esses momentos. E, de modo muito especial, quero me referir aos companheiros do Acre, de quem não me despedi, porque acredito firmemente que temos uma parceria indestrutível, acima de filiações partidárias. Não fiz nenhum movimento para que outros me acompanhassem na saída do PT, respeitando o espaço de exercício da cidadania política de cada militante. Não estou negando os imprescindíveis frutos das searas já plantadas, estou apenas me dispondo a continuar as semeaduras  em outras searas.

Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos.

Saudações fraternas,

Marina Silva”

 

Marina Silva anuncia saída do PT

Da Agência Brasil:

A senadora Maria Silva acaba de anunciar o seu desligamento do Partido dos Trabalhadores (PT), na Comissão de Meio Ambiente do Senado. Segundo ela, isso não significa um rompimento com o partido, ao qual foi filiada por 30 anos.

Ela diz que, a partir de agora, se sente livre para conduzir as conversas de filiação com o Partido Verde (PV). Neste momento, segundo a parlamentar, ela faz uma “revisão programática” para adoção de um modelo sustentável como o do PV.

O PV já anunciou em outro momento que gostaria de tê-la como candidata às eleições de 2010.

Lendo as entrelinhas

A Folha de São Paulo deste domingo (16) traz os números da nova pesquisa Datafolha sobre a intenção de voto dos brasileiros para a eleição presidencial de 2010.

Os dados do levantamento são os seguintes:

José Serra (PSDB): 37% (eram 38% na pesquisa anterior)

Dilma Rousseff (PT): 16%

Ciro Gomes (PSB): 15%

Marina Silva (PT): 3%

Esse é o principal cenário pesquisado. Os números variam quando Serra é substituído pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB), que chega a 20% no cenário sem Ciro. Neste caso, Dilma e Heloísa Helena (PSOL) registram o mesmo percentual: 24%.

Interessante é como a Folha joga confete para Serra e diminui a importância de Dilma. Na Folha Online, o índice de Dilma é anunciado como se fosse um vexame: 

Presença constante com o presidente Lula em eventos pelo país, Dilma manteve 16% e está tecnicamente empatada com o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), com 15%.

A Folha deveria aplicar a mesma lógica ao tucano José Serra. O governador de São Paulo tem feito incursões agressivas na mídia, principalmente via publicidade estatal em rede nacional, como no caso da Sabesp. Serra contou ainda com uma generosa superexposição televisiva, especialmente nos telejornais e programas de entretenimento da Globo. No Jornal Nacional, muita serpentina para a lei anti-fumo. Serra também foi convidado único do Programa do Jô, onde vendeu seu peixe à vontade. Apesar dessa presença ostensiva na mídia, Serra caiu 1% na nova rodada de pesquisas Datafolha. Isso sim é um vexame.

Dilma, por sua vez, está na mira do PIG desde que foi elevada à condição de pré-candidata petista. O sensacionalismo descarado da repercusão do episódio da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, como tentativa de associar a ministra a um desgastadíssimo José Sarney, é a nova estratégia da campanha para desgastar Dilma Rousseff. Apesar desse tratamento desfavorável, a ministra se manteve com 16%. Não é pouca coisa.

A pesquisa também apontou que a popularidade do governo Lula continua na estratosfera. De acordo com o Datafolha, o governo petista é avaliado como ótimo/bom por 67% dos entrevistados (eram 69% antes). Enquanto isso, 25% acham o governo regular. Apenas 8% classificam a administração de Lula como ruim/péssima.

A Folha observa que o presidente manteve os excelentes índices de aprovação apesar da “mais nova crise política nacional“. Mas, até onde sei, a crise se passa no Senado, não na Alvorada. O que a Folha pretende ao tentar induzir os leitores a culparem Lula pelo que ocorre no Senado?

Sobre as pesquisas eleitorais

Luis Nassif comenta a volta das pesquisas:

Pesquisa Datafolha que será publicada neste domingo (16) pela Folha indica que o governador José Serra (PSDB-SP) está na frente na preferência dos eleitores na sucessão presidencial em 2010.

O jornal já está nas bancas da Grande São Paulo.

Serra tem 37% das intenções de voto. Em segundo lugar, estão empatados a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) com 16% e o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) com 15%.

Heloísa Helena (PSOL) tem 12% e está em quarto lugar. A senadora Marina Silva (PT-AC) tem 3% das intenções de voto.

A pesquisa ouviu 4.100 entrevistados entre os dias 11 e 13 de agosto, em 171 municípios. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos.

Comentário:

Para entender a volta das pesquisas:

1. Superexposição de José Serra na mídia, especialmente no Jornal Nacional. Dia desses chegaram a dar 3 minutos para uma senhora, nem um mínimo de appeal televiso, falar sobre a … defensoria pública em São Paulo, com direito a fornecer o telefone para todo o Brasil.

2. Todo o carnaval em cima da lei antifumo.

3. Todo o carnaval em cima do imbróglio Sarney, associando-o a Lula e a Dilma.

4. O factóide da ex-Secretaria da Receita.

Em cima disso, tome pesquisa e garanta a sobrevida da candidatura Serra.

Pergunto: é uma interferência indevida na vida democrática do país ou não?

 

O comentário do leitor Fernando Gama também é interessante: “Nassif, acho interessante abordar um aspecto que foi negligenciado nos comentários seus. O fato de a pesquisa colocar dois candidatos governistas na mesma pesquisa (Dilma e Ciro) é uma tentativa clara de manipulação. Os dois acabam dividindo os votos, ao passo que Serra, aparece sozinho na oposição. Uma pesquisa justa deveria incluir o Aécio, para dividir votos com Serra, ou excluir Dilma ou Ciro. Assim teríamos uma exata noção das chances de cada candidato. Da forma como foi feita, deixando Serra sozinho na oposição, e colocando várias forças governistas para disputar voto, é manipulação. Acredito em Serra 37% e Dilma (16+15=31%). Acho que essa que é a verdadeira informação que se pode tirar da pesquisa.”

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