Embolando Palavras

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Wilma enquadra aliados e diz que “PSB é oposição ao PV”

A ex-governadora Wilma de Faria, presidente estadual do PSB, usou o twitter para mandar um recado aos correligionários que aceitaram participar do secretariado da prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV).

Ex-colaboradores das duas gestões de Wilma de Faria no RN, os socialistas Vágner Araújo e Cláudio Porpino assumiram, respectivamente, as pastas de Gestão de Pessoas, Logística e Modernização Organizacional (Segelm) e Serviços Urbanos (Semsur) da administração verde.

Observadores políticos enxergaram na nomeação de Várgner e Porpino, dois nomes da “cozinha” da ex-governadora, um ensaio de aproximação entre Micarla de Sousa e Wilma de Faria. Isolada politicamente, abandonada pelos antigos aliados, a prefeita estaria tentando atrair para sua base legendas que dão sustentação ao governo da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Em três mensagens postadas no site de relacionamentos, a ex-governadora colocou um ponto final nas especulações ao dizer que “O PSB não é aliado do PV”.

Repetindo o que eu já disse aos jornalistas: o psb não concorda com o modelo administrativo implantado pela atual gestão, portanto, quem assumir qualquer cargo na adm. de Natal, terá que se licenciar do partido. O psb não é aliado do pv. É oposição, portanto essa atitude é de coerência!“, declarou.

Diante da ênfase de Wilma, não resta outra alternativa para Vágner Araújo e Cláudio Porpino a não ser seguir o conselho do Capitão Nascimento: “Pede pra sair!”.

 

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Democracia, comunicação e política

“Contra os políticos pesa também acusação de conduzir a linha editorial dos periódicos de grande circulação e de canais de rádio e televisão locais, fortalecendo as imagens por meio de matérias jornalísticas positivas, dirigindo críticas aos oponentes.”

O trecho da notícia acima, para nosso desânimo, não é sobre nenhum figurão da política potiguar. Trata-se de denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o governador do Acre, Tião Viana (PT), o seu vice, Carlos Messias, o senador Jorge Viana (PT) e os dois suplentes dele. Para o MPE, eles cometeram abusos e ilícitos usando meios de comunicação locais.

Fico me perguntando por que o Ministério Público do RN não segue o exemplo do MPE do Acre. Políticos usando jornais, rádios e emissoras de televisão com fins eleitorais é uma prática antiga por aqui. Todas as concessões de TV no RN estão sob controle de políticos: as famílias Alves e Maia e a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), controlam, respectivamente, as afiliadas locais da Globo, Record e SBT.

Não dá pra ignorar a influência que esses meios de comunicação exercem sobre o jogo político, chegando, muitas vezes, a interferir nos critérios de escolha dos cidadãos. Como intermediários entre a fonte de informação e o público, os meios de comunicação selecionam o que e como noticiar e influenciam no julgamento popular sobre os fatos.

Essa influência, obviamente, nem sempre é determinante. As duas eleições do ex-presidente Lula (PT) e a recente eleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) estão aí pra demonstrar que, sim, é possível se contrapor à força da mídia conservadora. Mas esses dois casos são exceções que só confirmam a regra.

Pra ficarmos por aqui mesmo, basta lembrarmos o fenômeno Micarla de Sousa. A prefeita de Natal chegou ao cargo em 2008, entre outros fatores, graças à imagem que projetou junto à população através da televisão.

Durante dois anos, Micarla fez da TV Ponta Negra o trampolim para a sua vitoriosa candidatura. Transformou o vídeo em tribuna particular, assumiu o lugar de porta-voz das queixas do povo e se apresentou como uma espécie de justiceira dos fracos e oprimidos.

Enquanto não mexermos na caixa-preta das concessões de rádio e TV no Brasil, casos como esse continuarão se repetindo. Como disse a professora e filósofa Marilena Chauí, em entrevista à revista Caros Amigos, sem comunicação não há democracia. Caso esse modelo de comunicação atrasado e concentrador se perpetue no país, nunca seremos a democracia que sonhamos ser.

Nicolelis nega candidatura à Prefeitura de Natal

O neurocientista Miguel Nicolelis, tuiteiro engajado, crítico da administração verde na capital potiguar, descartou a possibilidade de concorrer à Prefeitura de Natal em 2012.

Pelo Twitter, Nicolelis avisou: “Podem cortar essa história pela raiz“.

Nem cruza os dendritos dos meus neuronios corticais! Nao ha hipotese alguma!“, completou.

Miguel Nicolelis tem repetido que a classe política do Rio Grande do Norte está “falida”. Em 2003, implantou em Macaíba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lilly Safra e a escola de ensino fundamental complementar Alfredo J. Monte Verde, no bairro de Cidade da Esperança em Natal.

No ano passado, Nicolelis lançou um documento chamado Manifesto da Ciência Tropical: Uso democrático da ciência para transformação social e econômica do Brasil.

Entre outros pontos, o documento propões a criação de um “programa de educação científica pública, protagonista e cidadã de alto nível” para beneficiar um milhão de crianças; criação de centros nacionais de formação de professores de Ciência; e Criação de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia espalhados pelo país (clique aqui e leia mais sobre o manifesto).

As iniciativas, o engajamento e a coragem cívica de Nicolelis ajudam a explicar a exaltação que se formou em torno do seu nome. Em artigo no Novo Jornal, o jornalista Everton Dantas lançou o nome do cientista para a vaga ocupada por Micarla de Sousa.

Everton citou o “apagão de inteligência” vivido pelos governantes e legisladores locais, disse enxergar em Nicolelis o único capaz de “resolver a equação que é termos um Estado tão cheio de potencialidades e ao mesmo tempo tão ‘anêmico’” e argumentou que a candidatura dele “daria fim à histórica ocupação oligárquica da Prefeitura”.

É inegável que diante do vácuo de ideias em que vivemos, Miguel Nicolelis logo se destacaria porque ousa pensar. A ousadia, porém, vai mais longe. Ao pensar, ele se posiciona diante dos fatos, critica, cobra respostas. Manter essa postura, aqui onde vigora uma espécie de pacto da hipocrisia, é assumir riscos.

Mas para nosso desalento, Nicolelis enfatizou que a política partidária não está em seus planos. No encontro promovido pelo blogprogrn, semana passada, ao ser questionado se pensava em entrar pra política, respondeu: “Mas isso que eu faço é que é política”.

Ao recusar o lugar de herói que alguns querem lhe atribuir, Nicolelis dá outro recado: a capacidade inventiva, organizacional e mobilizatória da cidadania é muito maior que a burocracia do poder.

O impeachment de Micarla

Tácito Costa, em seu Substantivo Plural, fez uma análise da administração Micarla de Sousa em Natal e disse ser contra o impeachment da prefeita-borboleta, como vem sendo defendido por cada vez mais pessoas nas redes sociais, principalmente o Twitter.

Manifestei, diversas vezes, minha opinião contrária ao impeachment de Micarla. Defendo que a prefeita deve sentir nas urnas a manifestação da reprovação popular. Talvez, só assim, quando não lhe restar mais nenhum artifício de marketing, ela se dê conta da própria inépcia para o cargo e do abismo político em que se encontra.

Temos, apenas, que o “efeito pedagógico” a que Tácito Costa se refere seja só utopia. Nossa sociedade é politicamente imatura. O preconceito é algo mais arraigado do que supõe nossa vã filosofia.

Vide o que aconteceu no segundo turno da eleição presidencial de 2010, quando Dilma Rousseff foi derrotada em Natal devido a onda de boatos fascistas/religiosos. Outro exemplo é a sequência de derrotas da deputada federal Fátima Bezerra (PT) nas disputas pela Prefeitura de Natal.

Em vez de competência, seriedade e ética, a maioria valoriza abstrações como carisma, simpatia e até mesmo beleza como atributos definidores do seu voto. Enquanto o povo pensar dessa maneira, estamos constantemente sujeitos ao aparecimento de novas Micarlas.

Eis o texto de Tácito:

 

Apesar da devastação e desesperança que legou a Natal em apenas dois anos de mandato, Micarla de Sousa deve continuar como prefeita. O seu impeachment, defendido com um certo voluntarismo juvenil nas redes sociais, principalmente no Twitter, não é a solução política para a cidade.

Por duas razões principais: daria o mandato ao vice Paulinho Freire, político acanhado e uma incógnita administrativa, de perfil conservador e alinhado ainda mais à direita; poderia ensejar uma vitimização de Micarla, uma política forjada de forma artificiosa pelo marketing, mas com domínio da demagogia e que poderia sair fortalecida do processo.

Por isso, não faz sentido o “fica Paulinho” bradado por alguns nas redes sociais. O risco seria mudar para tudo continuar igual, conforme a famosa advertência empregada por Lampedusa em seu “O Leopardo” (“Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”).

Bebamos esse cálice amargo até o fim.

É possível que a gestão micarlista tenha um efeito didático, pedagógico mesmo sobre os eleitores. Principalmente porque corpinhos bombados e rostinhos bonitos já se insinuam para assumirem o lugar da atual prefeita na próxima eleição. Então, deixemos ela e sua troupe cumprirem até o fim o ciclo de desatinos para com Natal.

Leia mais aqui.

 

Chofer de Micarla é pago por empresa da família da prefeita, diz secretário

 

Do ‘Panorama Político‘, assinado pela jornalista Anna Ruth Dantas, vem a informação: o secretário municipal de Comunicação, Jean Valério, afirmou que o motirista particular que a prefeita de Natal, Micarla de Sousa, mantém em São Paulo é pago pela “empresa da família” dela.

Jean Valério disse ainda que a prefeita “fez viagens a São Paulo apenas para tratar de assuntos da administração e de saúde”.

Em nota na revista Poder, a jornalista Joyce Pascovich havia dito que o chofer de Micarla seria pago com dinheiro da Prefeitura de Natal.

Desgraça pouca é bobagem

O jornalista e publicitário Sávio Hackradt, em seu Calogotango, fez o alerta: os caciques potiguares começaram a armar a estratégia para conquistar a Prefeitura de Natal em 2012. Depois de patrocinarem a desastrosa eleição de Micarla de Sousa (PV), o senador José Agripino (DEM) e o vice-governador eleito Robinson Faria (PMN) abandonaram a canoa furada da lepidoptera e deram a largada rumo ao Palácio Felipe Camarão, sede do Executivo Municipal.

Agripino deseja fazer do filho, o deputado federal Felipe Maia (DEM), o sucessor de Micarla de Sousa. Enquanto isso, Robinson ameaça lançar a candidatura do filho e dublê de deputado federal, Fábio Faria (PMN), para se contrapor ao herdeiro do clã Maia.

Ao mesmo tempo, Robinson flerta com a candidatura da deputada estadual Gesane Marinho (PMN). Na verdade, como observa Sávio, a candidatura da “deputada da alimentação” não passa de blefe. Robinson pretende usar Fábio ou Gesane como cartas para negociar um possível apoio ao filho de Agripino.

É isso aí, amigo. Depois do presente de grego que prepararam pra gente com a eleição de Micarla, o senador e o novo vice-governador agora querem aprontar mais essa. Felipe, Fábio e Gesane… É por isso que eu digo que desgraça pouca é bobagem.

Micarla tenta sobreviver no poder

Por Tiago Negreiros, no site da Carta Capital:

 

Com metade da gestão cumprida, o saldo para Natal é devastador e justifica o altíssimo descrédito da população com Micarla de Sousa (PV), escreve o leitor Tiago Negreiros

 

Neste mês a prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV) fará (mais) uma nova reforma do seu secretariado. Em janeiro sua gestão completará dois anos e, ao longo desse tempo, 25 secretários já foram substituídos. O secretário-chefe do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra (PV), está otimista com as mudanças e promete uma “guinada na gestão”. Até o perfil ideológico da administração vai entrar na cota. Antes de direita, sob a estreita aliança com o DEM do senador José Agripino, Micarla procurará agora se aproximar das legendas ditas de esquerda. Partidos como PCdoB já foram sondados e, com uma espécie de carta convite nas mãos, o secretário dita: “quem vier, será bem vindo”. Mas quem quer?

A administração de Micarla de Sousa é desaprovada por 77,6% da população de Natal. Os dados divulgados recentemente pelo instituto Consult traduzem em números o sentimento da população potiguar. Enquanto muitas gestões iniciam nesta época do ano apoios que no futuro possam dar suporte a uma reeleição, na administração de Micarla a preocupação é em conseguir concluir o governo. Na pesquisa de intenções de voto para a Prefeitura de Natal, Micarla aparece empatada com o sétimo colocado. Nem a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crucius (PSDB), com tantas denúncias de corrupção no currículo, aparecia tão mal nas sondagens eleitorais. Um vexame para quem tem o poder nas mãos.

Micarla de Sousa inventou de entrar para a política em 2004, quando a então governadora Wilma de Faria (PSB) lhe convidou para compor como vice-prefeita a chapa pela reeleição do prefeito Carlos Eduardo Alves. A estratégia de Wilma era meramente midiática; Micarla apresentava na emissora de sua família, a TV Ponta Negra (filiada do SBT), um programa jornalístico de bastante audiência na cidade, o “Jornal do Dia”. Assim, neutralizava a força política do candidato e também apresentador de tevê Luiz Almir. Venceram de forma apertada a eleição e, dois anos depois, Micarla seguia carreira solo ao tentar uma vaga na Assembléia Legislativa. O blá blá blá na TV Ponta Negra lhe possibilitou pleno êxito nas urnas, sendo uma das mais bem votadas na época. Seu apoio a Carlos Eduardo ruíra, visto que a deputada estadual já mirava os olhos para a Prefeitura. Em 2008 lá estava ela, apresentando o programa “60 Minutos”, prometendo mundos e fundos para a Cidade, bajulando aliados e destilando ferrenhas críticas a Carlos Eduardo e sua candidata à sucessão, Fátima Bezerra (PT). Era um despudorado uso de uma concessão pública a serviço próprio. A maioria da população acreditou e consagrou Micarla de Sousa Prefeita de Natal no primeiro turno com 50,8% dos votos.

A vitória foi um marco para o Partido Verde. Falava-se que houvera um “divisor de águas”, visto que Natal era a única capital em que o PV conquistara uma Prefeitura. Meses depois, em entrevista ao Estadão, o presidente do partido José Luiz Penna dissera que Micarla era uma das cotadas para concorrer a Presidência. A prefeita de Natal seria um plano B caso Marina Silva recusasse a proposta dos verdes.

Com metade da gestão cumprida, o saldo para Natal é devastador e justifica o altíssimo descrédito da população com Micarla de Sousa. A saúde, por exemplo, já está em seu terceiro secretário. Uma média de mudança praticamente a cada seis meses. Há 17 anos servindo ao município, a enfermeira Jussara de Paiva Nunes revela que a atual situação da saúde é “grave” e que nos postos de saúde da capital do Rio Grande do Norte faltam até produtos de limpeza. “Há uma total desvalorização na saúde. Nós nunca tivemos atenção, mas nessa última gestão a situação é mais grave. As condições de trabalho são péssimas, faltam de tudo, desde produtos de limpeza, a medicamentos e profissionais”.

A administração do dinheiro público também é ineficiente. Em setembro e novembro a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) – responsável pelos cadastramentos do Bolsa Família – teve a luz cortada por falta de pagamento. Pelo mesmo motivo postos de saúde ficaram sem telefone e internet, prejudicando a marcação de consultas. Os pacientes, quando tinham dinheiro e desejavam marcar os atendimentos médicos, se encaminhavam para uma lan house mais próxima do posto. Sem dinheiro, muitos voltavam para casa sem a consulta marcada. Prédios de diversas secretarias estão com pagamentos de alugueis atrasados, entre eles, o da Secretaria de Saúde e Educação. Com dívidas de mais de R$ 20 milhões com as empresas de coleta, o lixo se acumula em diversos locais, atraindo moscas, baratas e muito mau cheiro numa Cidade que é destino turístico para milhares de brasileiros e estrangeiros.

Nas eleições deste ano Micarla foi ignorada pelos aliados. O senador re-eleito José Agripino (DEM) e a governadora eleita Rosalba Ciarlini (DEM) fizeram muitas caminhadas e carreatas em Natal, mas, em nenhuma delas, a prefeita da cidade foi convidada. A então presidenciável e colega de partido Marina Silva (PV), quando esteve em Natal, não se furtou em convidar Micarla para realizar uma caminhada no centro da Cidade. Ao estender as mãos para cumprimentar os eleitores, muitos se recusaram a atender a gentileza da ex-ministra do Meio Ambiente. Ainda em campanha pela Cidade, Marina concedeu palestra em um auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e foi obrigada a passar pelo constrangimento de ouvir Micarla de Sousa ser vaiada pelas centenas de pessoas presentes. No segundo turno Micarla apoiou Dilma Roussef, o que causou o rompimento da aliança com José Agripino. Abandonando o navio antes do naufrágio, a verdade é que o democrata esperava qualquer motivo para encerrar o apoio com a prefeita. Já se encontra entre seus planos o lançamento da candidatura do seu filho, o deputado federal Felipe Maia (DEM), para a Prefeitura de Natal.

Para tornar a situação de Micarla de Sousa ainda mais delicada, corre na internet um abaixo assinado que pede o seu impeachment. A lista já conta com mais de 1,7 mil nomes, entre os assinantes, vários comentários ácidos e em tons de desabafo: “Nossa cidade está um caos”; “É necessário mudar urgente antes que não reste nada na Prefeitura. A insatisfação é geral”; “Micarla, você é o câncer de Natal”; “Desde que Micarla assumiu a passagem de ônibus não para de subir. Eu não aguento mais”; “Micarla está sucateando a saúde. A população chega para ser atendida nos postos de saúde e não tem atendimento”; “Sou funcionária de contrato temporário da Prefeitura via Semtas e nossos salários atrasam muito. No mês passado atrasou 20 dias. O lanche dos grupos dos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) está faltando. Então, diante de tanto descaso, acredito que a prefeita deva ser exonerada de seu cargo”.

Na Câmara dos Vereadores de Natal Micarla de Sousa tem a maioria. Dos 21 vereadores da Cidade, 13 vão apoiar a prefeita em 2011. Este número já foi bem maior. No início do mandato, 17 vereadores faziam parte da bancada de Micarla. Com uma oposição ainda minoria, o vereador George Câmara (PCdoB) não acredita no impeachment da prefeita. Além do mais, para ele, os motivos para abrir um processo de impedimento ainda são “subjetivos”. “A gestão é uma catástrofe e o desgaste que Micarla sofre, mesmo em tão pouco tempo de governo, é grande. Mas os motivos para a abertura do processo são subjetivos. Para tal seria necessário, por exemplo, uma denúncia de corrupção”, esclarece.

Enquanto isso a Prefeitura de Natal vai tentando sobreviver. O secretário-chefe do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra, em entrevista ao Diário de Natal, culpou o Governo Lula (PT) e a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) pela má avaliação da Prefeitura. “Faltou o apoio que Natal tanto precisou do Governo do Estado, no ano de 2009 e 2010. Tanto do Governo do Estado quanto do Governo Federal. Isso evidentemente trouxe uma dificuldade cada vez maior para a gestão.” Com o apoio a Dilma Roussef, o secretário está otimista com a vinda de recursos para Natal: “Com relação ao Governo Federal, a prefeita Micarla já começou a ser tratada como aliada. Ela aprovou R$ 180 milhões em recursos federais, que virão para várias obras e investimentos. Temos a perspectiva de muito mais recursos para o início de 2011.”

A principal liderança do PT no Rio Grande do Norte, a deputada federal Fátima Bezerra, rebateu as críticas de Kalazans: “O acesso de Natal ou qualquer outra cidade ao Governo Federal vai depender da capacidade de gestão e bons projetos. O Governo Federal está fazendo sua parte. Esperamos que a Prefeitura faça a dela.”

A agressão de Eugênio Bezerra

Fiquei afastado do blog por muito tempo. Primeiro, por causa das eleições. Depois, porque estava sem ânimo pra voltar a escrever. Estava me sentindo perdido em um “jardim de veredas bifurcadas”, como escreveu Borges. Ensaiei voltar algumas vezes, mas ficou só na tentativa. Agora, decidi voltar pra contar a história da agressão que sofri na noite de ontem (28), pelo assessor especial da prefeita de Natal, Micarla de Sousa, o jornalista Eugênio Bezerra.

Entendi que seria melhor tornar a confusão pública porque a questão envolve detalhes que ultrapassam a esfera privada. Não é a primeira vez, nem fui o primeiro a ser agredido pelo assessor da prefeita. A diferença foi que, desta vez, a agressão foi física.

Como relatei ao delegado da Delegacia de Polícia de Cidade da Esperança, Pedro Paulo Falcão, ao passar pela área de lazer em frente ao Carrefour, onde está sendo instalada a árvore de Natal pela Prefeitura, no bairro de Mirassol, dei de cara com Eugênio Bezerra.

Eu vinha do Shopping Cidade Jardim, onde estava com um amigo (Matheus) e uma amiga (Tânia). Após lancharmos no Pittsburg, Tânia pegou a condução e seguiu pra casa dela, no bairro de Nova Parnamirim. Eu e Matheus fomos caminhando em direção ao Shopping Via Direta pra pegar o ônibus até o bairro onde moro – Dix Sept Rosado.

Meu amigo seguiu na minha frente. Tirei duas fotos da arvore, depois continuei caminhando. Quando atravessei a rua, vi que Eugênio vinha na minha direção. Peguei o celular pra ligar pra Matheus, que estava uns 50 metros à frente. Pra minha surpresa e espanto, ao passar por mim, Eugênio me parou dizendo: “Diga aí, mau caráter”. Não entendi direito, achei até que ele estava brincando. Estirei a mão pra cumprimentá-lo. Ele afastou minha mão, dizendo que não “apertava mão de mau caráter”.

Ainda meio atordoado, perguntei como ele ainda tinha coragem de dirigir a palavra a mim, mesmo sabendo que não tenho lhe tenho nenhuma estima. Ele me chamou de mau caráter mais uma vez e disse: “Eu ainda vou lhe dar um ‘cacete’ se você não parar de me perturbar”. Eu respondi dizendo que se ele cumprisse a ameaça, teria que responder por isso. Depois disso, ele me chutou e me empurrou. Fiquei desequilibrado, mas não cheguei a cair. Chamei Matheus, porque sabia que precisaria de uma testemunha da agressão.

Depois de chamar meu amigo, me virei novamente pra Eugênio, que me acertou com um soco no nariz. Tentei tirar uma foto dele com meu celular pra comprovar que ele estava lá no local, temendo que ele negasse a agressão, ou mesmo que tivesse estado na praça naquele dia e horário. Matheus viu, ainda à distância, o momento em que levei o soco. Ele veio em nossa direção, mas Eugênio correu para o carro dele e fugiu pra não ser pego em flagrante.

Liguei para a emergência da Polícia Militar, relatei o fato e esperei a viatura chegar. Quando os policiais chegaram, contei o que havia acontecido. Os policiais me instruíram a ir pra DP de plantão, porque não teriam como fazer nada, uma vez que o agressor havia fugido e eles não poderia dar o flagrante.

Eu e Matheus pegamos o ônibus e fomos pra DP de Cidade da Esperança. Ao chegarmos lá, fiquei ainda mais surpreso ao encontrar o próprio Eugênio, que tentava prestar queixa contra mim, alegando que havia “metido a mão” em mim pra se defender. Ele argumentou que eu o havia agredido primeiro com palavras ofensivas, depois o empurrado. O delegado perguntou se ele tinha alguma marca corporal ou uma testemunha. Ele disse que não, simplesmente porque essa versão dele é a mais pura e deslavada mentira.

Diante do delegado, do chefe de investigações e de outros dois policiais, Eugênio assumiu que me agrediu fisicamente, mas tentou se justificar fazendo alegações sem apresentar nenhuma prova. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar.

Eugênio disse que estava no local de trabalho dele (?!) e que eu fui lá exclusivamente para agredi-lo. Os amigos dele no Twitter, para defendê-lo, o ajudaram a divulgar essa lorota. É mentira. Como já disse, passei pelo local ocasionalmente, porque estava indo pegar o ônibus no Shopping Via Direta. Tenho pelo menos duas testemunhas que podem atestar isso. Nem passou pela minha cabeça que o assessor da prefeita pudesse estar lá. Mesmo se soubesse, aquele é um local PÚBLICO. Tenho o direito de ir e vir, sem precisar pedir autorização ao senhor Eugênio Bezerra.

Tenho uma testemunha, um exame de Raio-X e um laudo do ITEP atestando que fui agredido e, em conseqüência disso, sofri um “trauma no nariz”, caracterizado como uma “lesão leve”, conforme atestado assinado pelo médico legista Dr. Abelardo Rangel Monteiro Filho. O que Eugênio Bezerra tem para confirmar a versão dele? Alguma testemunha? Algum exame físico? Alguma gravação? Nada. Absolutamente nada. Nem poderia ter, porque se trata de uma grande mentira.

Ainda na delegacia, após registrar o Boletim de Ocorrência Nº 1199/2010 e abrir um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência), fui instruído a comparecer ao ITEP, a fim de fazer o exame de corpo-delito. Chegando ao ITEP, fui orientado a ir ao hospital para fazer um exame de Raio-X da face e do nariz. Fui ao Hospital Walfredo Gurgel, onde fiz o exame solicitado. Depois, retornei ao ITEP para ser examinado pelo médico-legista. Quando voltei pra casa, passava das 3h da manhã desta segunda-feira (29). Foram quase oito horas entre delegacia, Walfredo Gurgel e ITEP.

No final, ficou agendada uma audiência no Juizado Especial Criminal para o dia 12 de janeiro de 2011, quando eu e o meu agressor deveremos comparecer na presença do juiz. Não sei o que vai acontecer, mas asseguro que buscarei a justiça até o fim. Não tenho medo das ameaças, nem das agressões do assessor da prefeita Micarla de Sousa – aliás, gostaria que a prefeita, desta vez, em vez do silêncio cúmplice, dissesse se reprova a atitude do seu assessor, se vai tomar alguma providência, ou se, novamente, vai passar a mão na cabeça dele.

Histórico

Eugênio Bezerra tem um longo histórico de agressões contra pessoas que criticam a administração da prefeita Micarla de Sousa. Os inúmeros casos lhe renderam, inclusive, o apelido de “Pitbull de Micarla”, dado pelo “Novo Jornal”, em matéria de capa do dia 10 de janeiro deste ano com o perfil do jornalista (leia a íntegra da matéria aqui).

Por vezes, a fé cega à borboleta e à administração verde o faz perder a cabeça, e ele transforma o palco imenso da internet em ringue, trava rinhas pessoais com jornalistas que vão contra os mandos da pevista, faz bravatas, chama para briga. Nessas horas, a argumentação pobre, as discussões de baixo nível e os erros de escrita transformam o escudo em munição para os adversários e a prefeita vira alvo fácil: por que Micarla de Sousa confiaria justamente a ele o nobre cargo de assessor especial? Aliás, qual é a função de um assessor especial?”, escreveu a jornalista Luana Ferreira sobre Eugênio Bezerra.

Eugênio vive se fazendo de vítima, com um cinismo bem peculiar, dizendo que tenho “obsessão” por ele e que sou seu “carma”. Ele não exita em recrutar amigos anônimos, que adotam perfis falsos nas redes sociais pra espalhar boatos e tentar assassinar minha reputação. Para quem ainda imagina que sou o único a ter problemas com o assessor da prefeita, transcrevo mais um trecho da matéria de Luana Ferreira, relatando as ameaças que o rapaz fez às jornalistas Anna Ruth Dantas, Eliana Lima e Laurita Arruda:

Entre os colegas jornalistas, ganhou os apelidos de “mucama” e “apupo-ruminante” – este último recentemente, depois de ameaçar as jornalistas Anna Ruth, Eliana Lima (do jornal Tribuna do Norte) e Laurita Arruda (blogueira) após as três escreverem sobre o show de Padre Fábio, que ganhou R$ 221 mil da prefeitura para cantar em Natal em 25 de dezembro. “Vou falar sobre mentiras e verdades. Bom e mal (sic) jornalismo no caso do show de Pe Fábio”, postou no Twitter. Em seguida, ameaçou: “Vou falar claro sobre a cobertura da Tribuna. Das coleguinhas (sic) Anna Ruth, abelhinha e Laurita. Alias (sic) sobre esta ultima (sic) tenho um babado forte”. (Leia também aqui sobre a ameaça às jornalistas)

Os meus problemas com Eugênio começaram quando ainda trabalhava com ele na assessoria de imprensa da então deputada estadual Micarla de Sousa. Enfrentei a fúria dele diversas vezes, quando combati sua postura ditatorial e bati de frente contra suas tentativas de assédio moral. Meu currículo chegou às mãos dele através de um sobrinho seu, à época meu vizinho e amigo. Eugênio disse que havia gostado do meu perfil e, principalmente, dos meus textos. Acertamos minha ida, como estagiário, para o gabinete da Borboleta. Após me formar, continuei trabalhando lá, mas agora recebendo o piso salarial da categoria.

Quando vieram as eleições de 2008, Eugênio me chamou pra ir pra assessoria de imprensa da campanha. Atuei apenas duas semanas nesta função. A então marqueteira de Micarla, Balila Santana, me convidou pra integrar a equipe de marketing, pra fazer pesquisa de conteúdo. Antes de começar a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, Balila deixou a campanha, sendo acompanhada pelos profissionais que vieram pra Natal a convite dela. A campanha ficou sem redator.

A experiente jornalista carioca Tânia Celidônio foi convocada para a função. Quando ela chegou, nos conhecemos e comecei a colaborar com alguns textos. Tânia, então, me indicou para ser redator auxiliar, uma vez que a campanha era complexa e ela acreditava que precisaria de ajuda. O publicitário José Ivan, que havia assumido o lugar de Balila, concordou com a indicação. Assim, me tornei redator da campanha vitoriosa da Borboleta.

Faltando umas três semanas para o dia da eleição, por motivos estritamente pessoais, pedi demissão da campanha. Meus colegas de trabalho pediram, à unanimidade, para que eu pudesse rever minha decisão. Mas estava convicto.

Depois disso, com a vitória de Micarla, começou meu inferno astral. Eugênio deu início a uma campanha difamatória contra mim pelos quatro cantos de Natal. Recrutou e municiou pessoas, inclusive jornalistas, para me atacar no Orkut e no Twitter. Eles diziam que, em vez de pedir demissão, eu havia sido demitido da campanha, por “incompetência” e porque teria “problemas com a equipe”.

Além disso, investigaram minha vida e começaram a espalhar que eu havia sido demitido de todos os lugares onde tinha trabalhado. A ação orquestrada tinha a função de assassinar minha reputação, para que eu não conseguisse mais espaço no meio jornalístico da cidade.

As coisas pioraram depois que o denunciei por ter insinuando, numa comunidade do Orkut, que os funcionários públicos são ladrões. Essa história está contada aqui. Com a publicação da denúncia, Eugênio retaliou violando meu e-mail e meu perfil na rede social, além de fazer uma ameaça de morte (leia aqui). Na época, registrei um BO na mesma DP de Cidade da Esperança e remeti os indícios do crime virtual à Polícia Federal. Até hoje aguardo o resultado da investigação.

Depois desse episódio, Eugênio se retraiu um pouco, limitando-se a fazer provocações pelo Twitter. Ele me acusou recentemente de estar por trás do perfil @BlockdeMicarla, criado pra protestar contra o bloqueio imposto pela prefeita de Natal a quem lhe faz alguma pergunta inconveniente na rede social. Comenta-se que o responsável por bloquear as personas non gratas é ninguém menos que o próprio Eugênio Bezerra.

Apesar de aprovar e considerar a ideia do protesto criativa, não sou o seu autor. Nunca precisei me esconder atrás do anonimato pra dizer o que penso da gestão Micarla de Sousa, nem das atitudes irresponsáveis e truculentas do seu assessor especial. As minhas críticas são públicas e devidamente assinadas.

Agora, com o episódio da agressão física, Eugênio mostrou que não aprendeu nada com as besteiras que fez nestes dois anos como assessor especial da prefeita. Por causa das muitas encrencas, recebeu ainda o apelido de “mucama de Micarla”, dado pelo jornalista Diógenes Dantas.

Eugênio usa Micarla como escudo para suas grosserias, sua truculência e seu comportamento desequilibrado. A prefeita, lamentavelmente, acoberta os sucessivos atos irresponsáveis do seu assessor especial, demonstrando que concorda, indiretamente, com tudo o que seu pupilo faz. Numa cidade séria, esse deslumbrado já teria sido demitido e condenado ao ostracismo. Na Natal de Micarla, porém, as coisas não funcionam como manda a lógica.

Secretário diz que não desmentiu diretora sobre show do padre Fábio de Melo

O secretário municipal de Comunicação Social, Jean Valério, disse que não desmentiu a diretora da Talento Produções, Eliomara Marques, quando afirmou que a Prefeitura de Natal não conhecia os gastos detalhados do show do padre Fábio de Melo.

Eliomara havia assegurado que o município tinha conhecimento prévio do orçamento detalhado dos R$ 221 mil para o show do padre-cantor. Jean Valério, em entrevista à Tribuna do Norte, sustentou que o detalhamento só poderia ser feito pela empresa após o evento.

O secretário confirmou que a Prefeitura de Natal sabia do valor do show, bem como da destinação do dinheiro para cobrir todas as despesas com a produção do evento. Entretanto, observou que a prefeita solicitou a prestação de contas da empresa para comprovar os gastos.

“Tão logo recebamos esse documento da empresa enviaremos a informação ao blog e a toda imprensa”, garantiu Jean Valério.

O inferno do padre

Parafraseando Dante Alighieri, o inferno do padre Fábio de Melo, desde o dia do bendito show em Natal (25 de dezembro), parece longe do fim. Ao contrário do poema épico/teológico do escritor italiano, ninguém sabe ainda se essa história nada divina terminará em comédia ou tragédia.

Comentei em outro post as declarações da diretora da Talento Produções, Eliomara Marques, segundo quem a Prefeitura de Natal tinha conhecimento prévio do orçamento detalhado dos R$ 221 mil para o show do padre-cantor.

Para recordar: a prefeita Micarla de Sousa (PV) mandou segurar o cachê do padre até que a empresa fizesse a prestação de contas do evento, sob a alegação que a Talento Produções não havia detalhado o referido orçamento.

Numa matéria de ontem (5) da Tribuna do Norte, o secretário municipal de Comunicação Social, Jean Valério, desmentiu a diretora, insistindo que a Prefeitura de Natal desconhecia o orçamento do show.

A prefeitura tinha conhecimento de que no valor [R$ 221 mil] estava incluído todos os custos, mas não quanto custaria cada item da despesa. Esse detalhamento só poderia ser feito após o show”, garantiu o secretário.

Com isso, fica a dúvida sobre quem está mentindo nessa conversa. Micarla, quando jura que não conhecia o orçamento, ou a diretora da empresa, quando assegura que a Prefeitura de Natal já tinha essa informação? Independente da resposta, ainda que aceitássemos a justificativa oficial, a observação continuaria válida:como é que a prefeita contrata um show sem conhecer o orçamento do evento?

Enquanto não se chega a um desfecho convincente, o padre reza para abreviar a passagem pelos círculos desse inferno e chegar logo ao paraíso – preferencialmente, sem paradas no purgatório.

O show do padre Fábio de Melo e o jogo de cena da Prefeitura de Natal

Novas emoções da novela eclesiástica em que se envolveu a prefeita Micarla de Sousa (PV) com a contratação do padre Fábio de Melo para realizar aquela missa-show no aniversário da cidade (25 de dezembro).

Desde a divulgação do super-cachê pago ao padre-cantor (R$ 221 mil), Micarla tem dado versões desencontradas para amenizar o constrangimento. Primeiro, disse que desconhecia o valor do contrato.

Como a desculpa não colou, arranjou outra versão: a bufunfa não era só para o cachê do sacerdote, mas cobriria todos os custos de produção do evento, incluindo o fretamento de um jatinho para deslocamento da estrela da festa.

Mas as explicações oficiais não foram suficientes para diminuir o desgaste. O caso continuou repercutindo negativamente. O padre revelou que tentou cancelar o evento em Natal quando soube que Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB) desistiram dos shows, mas nossa prefeita – segundo Fábio de Melo – não concordou.

Os R$ 221 mil seriam a fatura da turnê nordestina e deveriam ser rateados entre as três cidades. Com o cancelamento dos eventos em Fortaleza e João Pessoa, Micarla aceitou pagar sozinha pelos três shows.

Acuada pelas críticas, a prefeita decidiu segurar o cachê do padre e só fazer o pagamento após a prestação de contas pela empresa organizadora do evento – Talento Produções. Micarla alegava que precisava conhecer a planilha detalhada dos custos do show-missa.

Já havia manifestado meu estranhamento aqui no blog com essa medida. Como é que a prefeita contrata um show sem conhecer o orçamento do evento? A empresa arbitrou um valor e a prefeita aceitou sem questionar?

Agora, eis a buemba, como diria o Macaco Simão. Contrariando a versão oficial, a diretora da Talento Produções, Eliomara Marques, afirmou que a Prefeitura de Natal tinha conhecimento prévio do orçamento detalhado dos R$ 221 ml para o show do padre-cantor. A informação está na matéria do jornalista Júlio Pinheiro no Nominuto.com.

Eliomara assegurou que a empresa entregararia a prestação de contas detalhada do evento ainda hoje, mas destacou que, no momento da celebração do contrato, já havia informado todas as despesas para a realização do show-missa.

Ela alegou que o fretamento do jatinho particular, as passagens áreas dos músicos e o pagamento de impostos determinaram o custo elevado do evento. Com o jatinho e as passagens teriam sido gastos R$ 88.900. Já com os impostos, o custo teria chegado a R$ 35.360.

A diretora não informou o valor específico do cachê do padre nem dos músicos, dizendo que isso “não seria ético” e passando a bola para a Prefeitura de Natal. “A própria Prefeitura [de Natal] é que deverá expor os gastos, porque não seria ético que nós fizéssemos isso“, declarou.

O fato é que Eliomara deixou Micarla em maus lençóis, porque se é verdade que a empresa já havia informado o orçamento detalhado do evento antes da assinatura do contrato, só podemos concluir que a prefeita mentiu e que esse negócio de segurar o cachê do padre é puro jogo de cena.

Com a palavra, a excelentíssima prefeita de Natal.

O desgaste de Micarla

Mais uma notícia recuperada. Li no blog de Laurita Arruda o resultado da pesquisa Perfil sobre a avaliação do primeiro ano de gestão da prefeita Micarla de Sousa (PV). Pelos números, 46,75% da população desaprovam a atuação da pevista, enquanto 30,37% concordam com a forma como a gestora administra a cidade. A turma dos “indiferentes” soma 19,38%.

Ontem, recebi a ligação de um secretário da atual gestão. A pretexto de desejar-me “feliz ano novo”, o secretário revelou sua preocupação com os rumos do governo municipal. “Nós passamos o ano na defensiva, respondendo os ataques da oposição. Desde aquela viagem desastrada para Portugal, é só desgaste”, desabafou.

Esse desgaste é resultado de várias ações desastradas da gestão que aí está. Além do “Voo Colombo” (a caravana de 40 pessoas que a prefeita levou para Portugal com dinheiro público), teve o escândalo da Funcarte (o misterioso pagamento dos salários atrasados de 85 servidores da instituição na conta corrente de um motorista), a controversa decoração natalina, o exorbitante cachê do padre Fábio de Melo (R$ 221 mil por um show) e o aumento astronômico do IPTU dos moradores da Zona Norte.

Mas esses espisódios são apenas sinais de fumaça. A verdadeira explicação para a insatisfação da maioria dos natalenses é a frustração do povo diante das expectativas depositadas na prefeita. Micarla venceu a eleição de 2008 com o discurso do “crescimento sustentável” e com a promessa de resolver rapidamente os maiores problemas da população: saúde, segurança e educação. A solução – repetia a então candidata – é o planejamento.

O que vimos até aqui, porém, contradiz o discurso da campanha. Nas três áreas escolhidas como prioridade a prefeita ainda não disse a que veio. Não há sinais de planejamento. Tudo cheira a improviso. As pessoas reclamam da falta de médicos nos postos de saúde, da elevação da tarifa de ônibus, do trânsito cada vez mais caótico, das ruas esburacadas, da violência… A lista é quase inesgotável.

Micarla passava a impressão que, assim como o rei Midas, tinha o poder de transformar tudo o que tocava em outro. O povo acreditou e a consagrou prefeita. Mas parece que o encantamento (e a paciência das pessoas) está quase no fim.

Deu na Folha: Micarla incha secretariado

A notícia passou despercebida, mas ainda é tempo de resgatá-la. Uma matéria da Folha Online (31/12) revelou que os prefeitos de 11 capitais brasileiras ampliaram o número de secretários no primeiro ano de mandato. A prefeita Micarla de Sousa (PV) está entre os gestores que aumentaram o primeiro escalão.

A matéria destaca que “a reforma na estrutura, em alguns casos, é seguida de aumento dos custos“. A Prefeitura de Natal não informou se houve aumento de gastos com a criação das novas secretarias municipais.

Entre as novas pastas criadas pela prefeita natalense está a Secretaria de Assuntos Parlamentares, ocupada pelo aspone Eugênio Bezerra, aquele que chama funcionário público de ladrão e ameaça revelar os “babados fortes” dos jornalistas que criticam a administração municipal.

Disse-me-disse na gestão Micarla

Comentário do jornalista Diógenes Dantas em seu Twitter:

“O disse-me-disse na gestão de Micarla é lamentável. Pouco profissional. As mucamas dão o tom do discurso medíocre.”

Ailton Medeiros: Micarla perdeu o bonde

Comentário do jornalista Ailton Medeiros:

“Micarla perdeu o bonde, e os natalenses, a esperança. E imaginar que não faz um ano que a borboleta tomou posse, hein?”

Artistas do Auto de Natal dizem que não receberam cachê

A prefeita Micarla de Sousa (PV) vai querer apagar o “Auto de Natal” deste ano rapidinho da memória. O evento só lhe tem trazido dor de cabeça. Depois da confusão com o valor do cachê do padre Fábio de Melo (R$ 221 mil), agora é a vez dos artistas que participaram do evento rasgarem o verbo.

No dia 23 de dezembro, última noite de espetáculos, os atores ameaçavam não realizar o show, em protesto pelo não pagamento dos cachês. Micarla se reuniu com os artistas nos camarins e assegurou que o dinheiro já havia sido depositado nas respectivas contas. O problemas, aparentemente, estava resolvido. Mas só aparentemente.

O jornalista Tácito Costa informa pelo Twitter que os atores foram ao banco hoje (28) sacar o cachê, mas o dinheiro não estava na conta como prometido pela prefeita.

“Artistas que participaram do auto de natal estão se mobilizando para irem hoje ainda à Funcarte protestar contra o não pagamento do cachê”, comentou o jornalista.

“Prefeitura teve 1 ano para planejar os festejos natalinos. Até agora, é um desgaste atrás do outro. Pior: envolveu até a igreja na confusão”, acrescentou.

Micarla precisa, urgentemente, se pronunciar sobre mais esse episódio. Dessa vez, com uma explicação convincente. Ficaria muito ruim se constatássemos que a prefeita da capital faltou com a verdade.

Secretário nega suspensão do pagamento do cachê ao padre Fábio

Do Nominuto.com:

Jean Valério explica que pagamento foi apenas “condicionado à prestação de contas” pela Talento Produções, empresa que organizou o evento.

Por Alisson Almeida

Diante da repercussão da medida anunciada pela prefeita Micarla de Sousa (PV) de segurar o cachê do padre Fábio de Melo, o secretário municipal de Comunicação Social, Jean Valério, entrou em contato com a reportagem do Nominuto.com para explicar que o pagamento não foi suspenso, mas apenas “condicionado” à prestação de contas pela empresa organizadora do evento – Talento Produções.

O secretário usou o Twitter para comunicar, ontem (27) à noite, a decisão da prefeita: “A prefeita Micarla determinou: O pagamento à empresa contratada para o show de Padre Fábio em Natal só será feito após prestação de contas”.

“Não houve suspensão nem adiamento, porque não havia data marcada para o pagamento ser realizado. A prefeita quer total transparência nesse processo e, por isso, solicitou à empresa [Talento Produções] o detalhamento dos gastos. Mas há não dúvidas que o contrato é totalmente lícito”, esclareceu.

Segundo Jean Valério, a decisão de condicionar o pagamento à prestação de contas “foi acordada entre a gestora [Micarla de Sousa] e o padre Fábio [de Melo]”.

“Concluída a prestação de contas, com notas fiscais de serviços executados (deslocamento, hospedagem, cachês…), tudo será levado a público”, acrescentou.

Ainda segundo o secretário, a Prefeitura de Natal não efetuou, por enquanto, nenhum pagamento ao padre nem à Talento Produções. “E só fará [o pagamento] após a empresa Talento comprovar todos os gastos. Que serão divulgados”, assegurou.

O procedimento adotado pela Prefeitura de Natal vai de encontro à prática padrão adotada pelos contratantes de shows na cidade. Geralmente, artistas e bandas recebem o cachê antes mesmo das apresentações. Em alguns casos, é efetuado o pagamento de 50% do cachê antes do show. O restante é pago após o evento.

Micarla condiciona pagamento de show a prestação de contas

Do Nominuto.com

A empresa contratada para produzir o show do padre Fábio de Melo terá que comprovar os gastos para receber os R$ 221 mil acertados em contrato.

Por Alisson Almeida

A prefeita Micarla de Sousa condicionou o pagamento de R$ 221 mil pelo show do padre Fábio Melo à prestação de contas que deve ser feita pela empresa contratada para produzir o evento, a Talento Produções.

“A prefeita Micarla determinou: O pagamento à empresa contratada para o show de Padre Fábio em Natal só será feito após prestação de contas”, informou o secretário municipal de Comunicação Social, Jean Valério, ontem (28) à noite, através do Twitter.

O sacerdote havia sido contratado para celebrar uma missa-show em comemoração aos 410 anos de fundação de Natal e aos 100 anos da Arquidiocese de Natal. O evento, realizado no Machadão no último dia 25, reuniu um público estimado pela organização em 25 mil pessoas.

Em nota, a prefeita explicou que os R$ 221 mil gastos no evento não correspondiam apenas ao cachê do padre-cantor, mas incluía a estrutura do show (passagens aéreas, montagem do palco, iluminação e músicos). Ainda segundo Micarla, o valor foi estipulado pela Talento Produções.

Mesmo com as justificativas oficiais, o episódio continuou gerando polêmica e levou a prefeita a suspender o pagamento. “A decisão foi acordada entre a gestora [Micarla de Sousa] e o padre Fábio [de Melo]. Este último aguarda documentos comprovando gastos. A ordem é dar transparência total”, escreveu Jean Valério em sua página no microblog.

“Concluída a prestação de contas, com notas fiscais de serviços executados (deslocamento, hospedagem, cachês…), tudo será levado a público”, acrescentou.

“Até o momento a Prefeitura não efetivou qualquer pagamento. E só fará após a empresa Talento comprovar todos os gastos. Que serão divulgados”, informou.

Versões desencontradas

Em entrevista a um jornal da cidade, a prefeita afirmou que a Arquidiocese de Natal a procurou para pedir à gestora para realizar a missa-show com o padre-cantor em virtude da visibilidade que o sacerdote desfruta na mídia nacional.

A versão da prefeita foi negada pelo padre Sávio Ribeiro, diretor-geral das comemorações do centenário da instituição. De acordo com o religioso, a Arquidiocese de Natal não sugeriu o show do padre Fábio de Melo. A iniciativa, ainda segundo o reverendo, partiu da Prefeitura de Natal.

Micarla passa navalha na oposição

Li na Tribuna do Norte que a prefeita Micarla de Sousa (PV) passou a navalha em 17 projetos de lei de autoria dos vereadores oposicionistas. De acordo com o vereador Raniere Barbosa (PRB), a prefeita assinou os vetos após o período legal – portanto, a navalhada é uma fraude.

Por falar em fraude, li no blog de Eliana Lima que hackers tentaram fraudar uma enquete sobre a avaliação da gestão Micarla de Sousa. A colunista-abelhinha não deu pistas sobre os hackers, mas sabe-se que eram micarlistas, uma vez que a fraude era pra favorecer a prefeita, pessimamente avaliada na enquete.

A desaprovação ao (des)governo Micarla de Sousa chega a 58.85% (somando-se os votos das opções “péssima ” e “ruim”), enquanto a aprovação é de apenas 31.56% (“ótima” + “boa”). Para 9.65% dos que votaram na enquete, a administração verde é somente “razoável”.

Os aspones da corte da prefeita estão se especializando em fraudes na internet. O assessor mais próximo da lepidóptera – aquele que chamou os funcionários públicos de “ladrões” – é perito em roubar senhas de e-mail e hackear contas de Orkut de quem atrapalha o caminho dele.

Numa cidade séria, esse irresponsável teria sido demitido. Mas para a prefeita de Natal ele é um incompetente útil.

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