Embolando Palavras

Arquivo para a tag “Mídia”

Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão será lançada dia 19

Do Barão de Itararé

Na próxima terça (19/04) acontecerá o ato de lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular, no Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados, a partir das 14h. O ato contará com a presença de parlamentares e representantes de organizações da sociedade civil que discutem o tema.

A Frente é uma iniciativa de membros da Câmara dos Deputados, em parceria com entidades da sociedade civil, que visa a promover, acompanhar e defender iniciativas que ampliem o exercício do direito humano à liberdade de expressão e do direito à comunicação. Para a deputada Luiza Erundina, propositora da Frente, a criação deste espaço de articulação, que agrega parlamentares e organizações da sociedade civil, é de suma importância para que a liberdade de expressão e a própria democracia se consolidem no Brasil.

As organizações da sociedade civil envolvidas no processo de construção da Frente lançaram várias convocatórias, chamando outras entidades para participarem do ato e para aderirem à Frente. Em uma das convocatórias, as entidades argumentam que o ano de 2011 será decisivo para a democratização das comunicações no país, por conta da proposta de novo marco regulatório das comunicações que deve ser encaminhado ao Congresso pelo Ministério das Comunicações e por conta dos debates sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que pretende massificar o acesso a internet .

“Precisamos somar forças no parlamento, onde será necessário muita mobilização e pressão para aprovar as alterações nas leis da comunicação a nosso favor. Assim, convocamos as entidades e as cidadãs e cidadãos à somarem esforços com os/as parlamentares que defendem a democracia nas comunicações para o lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação com Participação Popular no dia 19 de abril”, convocam as entidades que estão se mobilizando para o ato.

No ato, além da aprovação do manifesto e do estatuto da Frente, deverá também ser escolhida a coordenação, que será formada por deputados/as e representantes de organizações da sociedade civil que compõem a Frente.

Como surgiu

A idéia de criar a Frente partiu da deputada Luiza Erundina (PSB/SP) quando, em abril de 2010, no lançamento da Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação), entidade formada por representantes de veículos alternativos de comunicação e blogueiros, ela informou que iria articular a criação de uma frente parlamentar com a finalidade de discutir, acompanhar e propor iniciativas com vistas à democratização da comunicação. Ainda em 2010, Erundina colhe assinaturas de deputados/as que se comprometem a constituir um núcleo inicial de criação da Frente. No início dessa legislatura, em 2011, com o apoio do deputado Emiliano José (PT/BA), a criação da Frente volta a ser discutida e deputados/as e organizações da sociedade civil passam a reunir-se periodicamente para encaminhar as providências para constituição formal da Frente junto à Câmara dos Deputados.

Atualmente, além da deputada Luiza Erundina e do deputado Emiliano José outros parlamentares também trabalham pela criação da Frente, como o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a deputada Luciana Santos (PCdoB/PE), Paulo Pimenta (PT/RS), que formam a coordenação provisória da Frente.

Lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular
Data: 19/04/2011 (terça)
Hora: 14h
Local: Auditório Nereu Ramos, Subsolo do Anexo II, Câmara dos Deputados

Bate-boca ao vivo no Jornal Nacional de Portugal

Numa entrevista ao vivo, o advogado e jornalista português António Marinho Pinto acusou a apresentadora Manuela Moura Guedes – âncora do Jornal Nacional da TVI (espécie de TV Globo de Portugal) – de fazer mau jornalismo e violar sistematicamente o estatuto da profissão.

O que você faz é julgamento disfarçado de entrevista“, disparou, acrescentando que a jornalista não informa, mas emite “julgamento sumário sobre as pessoas, manipulando fatos, truncando afirmações e o discurso das pessoas“.

Notaram alguma semelhança com o tratamento que a mídia daqui costuma dar às notícias?

Veja o vídeo do barraco abaixo:

É preciso resistir

Navegando pelo blog do Eduardo Guimarães, encontrei um post sobre jornalistas que questionam o status cuo da imprensa brasileira. Ele chama o fenômeno de “revolta dos jornalistas”.

Para Eduardo, muitos destes profissionais adotaram esta postura combativa porque não aceitaram fazer o público de bobo, como queriam os barões da mídia. Em vez disso, escolheram expor as estranhas da nossa imprensa.

Mas tanta coragem assim tem um preço. Os que recusam o papel de capacho são relegados, quase sempre, ao limbo jornalístico:

“Os outros jornalistas mencionados receberam de seus ex-empregadores aquele desprezo como de quem diz “você não importa”, estratégia usada freqüentemente pela indústria da desinformação para pôr desafetos na “geladeira” e lhes fechar as portas do mercado de trabalho através das famigeradas associações de classe midiáticas.”

Eduardo afirma, em outro trecho, que “o jogo é pesado“. Eu acrescento: pesado e sujo, meu caro.

Digo isso com conhecimento de causa. Desde o episódio da denúncia contra o aspone que chamou os funcionários públicos de “ladrões” fui condenado ao limbo.

Resguardadas as devidas proporções, enfrento, aqui na província, perseguição semelhante a que Luis Nassif tem se deparado com a Editora Abril, depois que decidiu desmascarar a Veja e alguns colunistas desse panfleto reacionário.

Em Natal, é quase proibido pensar, cogitar e existir. Jornalista que ousa questionar a ordem vigente não é bem visto no meio.

Um desses aduladores profissionais que se dizem jornalistas disse que eu deveria me preocupar com minha “má fama”. 

Disse ao panaca que não escolhi esta profissão para agradar a ninguém. Os únicos compromissos que tenho é com a sociedade e a minha consciência.

Não me vendo e não me rendo. Prefiro, mil vezes, colocar minha viola no saco e voltar ao pé-de-serra de onde vim a negociar a consciência em troca das migalhas da mesa dos poderosos.

Ao contrário do que disse o PIG, IDH do Brasil melhorou

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, ontem (5), o Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil (IDH), referente a 2007. O IDH brasileiro ficou em 0,813 (a escala vai de 0 a 1), índice considerado elevado.

A série histórica mostra que nosso IDH vem melhorando sistematicamente:

2009 ▲ 0.813
2006 ▲ 0.807
2005 ▲ 0.800
2000 ▲ 0.789
1995 ▲ 0.753
1990 ▲ 0,723
1985 ▲ 0,700
1980 ▲ 0.685

Mas o PIG, pra variar, distorceu a notícia. O UOL sapecou uma manchete maliciosa dando a entender que o IDH caiu: “Expectativa de vida puxa para baixo indicador de desenvolvimento no Brasil, diz ONU“. A matéria não corresponde ao que é vendido na manchete.

Os jornais preferiram insistir no ranking dos países, destacando que o Brasil ficou em 75º lugar, entre 182 pesquisados. Especialistas questionam o ranking, porque, afirmam, não há como comparar países cujas realidades são historicamente diferentes.

A dívida social do Brasil é secular, mas, por outro lado, sob o governo Lula, o abismo da desigualdade vem sendo reduzido a passos largos. De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 32 milhões de brasileiros deixaram a miséria absoluta

Esse dado, apesar de representar um salto gigantesco na melhora da qualidade de vida, não significa que chegamos ao céu. Ainda há muito o que ser feito para quitar nosso passivo social.

Houve um tempo em que o país crescia aceleradamente, mas o “bolo” não era repartido: a concentração de renda, a desigualdade e a exploração só aumentavam. A mídia a serviço da elite deve sentir saudades dessa época – o povo, certamente, não.

O xadrez de 2010

Não deu pra comentar antes a pesquisa CNI/IBOPE, divulgada no início da semana, sobre a sucessão presidencial. Mas o assunto movimentou a blogosfera, gerou várias análises e dividiu opiniões. As interpretações variaram conforme as convicções políticas do freguês. Resumidamente, a pesquisa indicou que José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) caíram, enquanto Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) cresceram.

No principal cenário pesquisado, Serra lidera com 34%, Dilma e Ciro aparecem empatados com 14%, Heloisa Helena (PSOL) figura com 8% e Marina surge com 6%.

No segundo cenário, quando Aécio Neves (PSDB) substitui Serra, Ciro Gomes lidera com 25%, Dilma vem em seguida com 16%, Aécio com 12%, Heloísa Helena com 11% e Marina Silva com 8%.

Em outra simulação, sem Heloisa Helena na lista, Serra lidera com 35%, Ciro Gomes aparece com 17%, Dilma Rousseff soma 15% e Marina Silva, 8%. Com Aécio no lugar de Serra e sem Heloísa Helena, Ciro Gomes lidera com 28%, seguido de Dilma com 18%, Aécio com 13% e Marina Silva com 11%.

No levantamento que exlui Marina, Serra tem 34%, Ciro 17%, Dilma 15% e Heloisa Helena, 10%. Em relação às pesquisa anterior, realizada em junho, quando a senadora Marina Silva ainda não aparecia nas simulações, José Serra caiu 4% e Dilma Rousseff caiu 3%. Já Ciro Gomes cresceu 5% e Heloisa Helena, 3%. 

Agora vamos às análises sobre os números. Os comentaristas divergem sobre a importância das pesquisas nesta época, quando ainda falta mais de um ano para as eleições. Alguns afirmam que o jogo já começou pra valer, enquanto outros dizem que é cedo demais pra se prever alguma coisa. A imprensa tucana comemorou a queda da ministra Dilma Rousseff, mas procurou esconder o tombo do governador José Serra. Estratégia previsível. Faz parte da campanha para desacreditar a pré-candidatura da petista.

Dilma, como se sabe, há tempos enfrenta artilharia pesada, com a fabricação de sucessivos escândalos pela mídia. A mais recente armação foi o Linagate. Considerando esse longo processo de exposição desfavorável, associado à exploração desumana do câncer da ministra, a queda de Dilma Rousseff era esperada.

A mídia simpática aos tucanos se esforçou para fazer crer que a candidatura da ministra “naufragou”. Para isso, seguiram um roteiro pré-definido:

– Destacar que Dilma “caiu”, enquanto Serra apenas “oscilou negativamente”; 

– Enfatizar que Dilma tem a maior “rejeição” (40%), sem mencionar os 30% de reprovação ao candidato tucano;

– Não dizer, em hipótese alguma, que Dilma só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% — isso quer dizer que a ministra tem maior potencial de crescimento, principalmente quando ficar claro para a população que ela é a candidata do presidente mais popular da história do país (Lula, segundo a pesquisa, tem 81% de aprovação).

No blog Óleo do Diabo, Miguel do Rosário destacou o que chamou de “cacoetes” usados pela mídia na divulgação da pesquisa:

Quero destacar um ponto que ninguém parece ter percebido. No quadro mais importante, o que inclui Serra, Ciro Gomes, Dilma, Heloísa Helena e Marina, a imprensa repetiu ad infinitum que Ciro “ultrapassou” Dilma. Está claro que há uma tentativa, que não é de hoje, de romper a aliança PT-PMDB. O ponto que ninguém viu é que Ciro não está à frente de Dilma. Está em empate técnico. Ele tem 17%, ela tem 15%. Esses dois pontos percentuais correspondem à margem de erro. Para quem não sabe, a margem de erro embute um fator casual. Ou seja, é possível que a mesma pesquisa, se fosse realizada na mesma época, usando os mesmos métodos, mas entrevistando pessoas diferentes, poderia trazer Dilma à frente de Ciro.

 

Em relação à “rejeição” de Dilma, Miguel observou o seguinte:

Dilma Roussef só é conhecida por 32% dos entrevistados, enquanto Serra é por 66% e Ciro Gomes, por 45%. Esses dados se conformam perfeitamente com os das outras pesquisas, que mostram o crescimento mais rápido de Dilma junto às classes educadas, com ensino superior e com renda mais alta, as quais, provavelmente, já sabem muito bem quem é Dilma e que ela deverá ser a candidata apoiada pelo presidente Lula. Cotejando a pesquisa com a sólida popularidade de Lula, as perspectivas de Dilma são as mais positivas. (…) Entre os  menos escolarizados, Lula tem aprovação de 88%. Para mim é evidente que, quando o presidente estiver liberado para participar do horário eleitoral e informar os cidadãos de que sua candidata é Dilma, este povão simples e honesto irá votar em peso nela. Mas Lula também tem aprovação de 71% entre os que tem curso superior completo ou mais, e 72% tanto entre os que ganham de 5 a 10 salários como os que ganham mais de 10 salários. Ou seja, mesmo entre o público alvo da grande imprensa, aqueles que mais consomem carros e adquirem imóveis nas capitais, Lula tem uma vasta e sólida aprovação. Repare ainda que a aprovação de Lula no Nordeste é de 90%, um índice jamais visto em nenhum país democrático, ainda mais para um governante em final de mandato, com todos os desgastes decorrentes daí.

 

No Vi o Mundo,Luiz Carlos Azenha escreveu que “a campanha eleitoral está em andamento”, mas acha que, por enquanto, toda movimentação ainda é “interna”:

José Serra precisa provar sua viabilidade eleitoral antes de obter o compromisso firme dos financiadores de campanha. Por isso trabalha para inflar Marina e Ciro e para limar, pela ordem, Aécio Neves e Dilma Rousseff. Nessa tarefa, conta com o inestimável apoio da maior parte da mídia corporativa.

Acho que as pesquisas de opinião pública valem muito pouco faltando mais de um ano para a eleição.

(…)

Romper a aliança entre PT e PMDB parece ser o grande objetivo estratégico de Serra. Para isso, ele precisa criar dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Dilma. É disso que se trata. Como analisou Rodrigo Vianna com acerto, anteriormente, é a UDN tentando romper o acordo entre PTB e PSD.

Com a economia brasileira bombando, a máquina do governo federal nas mãos, o apoio de Lula e do PMDB, Dilma Rousseff é uma candidata fortíssima, ainda que os números das pesquisas não reflitam isso ou tenham sido deturpados para não refletir isso — no que acredito, especialmente quando o IBOPE diz que Dilma tem uma taxa de rejeição de 40%. Tornar Dilma a vilã terrorista da classe média apenas repete o padrão do “medo” usado contra Lula, mas já é campanha eleitoral, sim. Clássica.

 

O Escrevinador Rodrigo Viana aposta que o personagem central desse xadrez político que começa a ser jogado agora com olhos voltados para 2010 é Ciro Gomes:

O que sei dizer é o seguinte: de fato, a maior parte da população não está pensando em eleição. O que não quer dizer que o jogo já não tenha começado.

Lá na frente, quando a grande massa de eleitores entrar em campo, parte do jogo já terá sido jogado.

Serra ou Aécio no PSDB?

Dilma com PMDB ou Dilma com Ciro?

Lula terá um ou dois candidatos?

Tudo isso começa a ser definido agora.

A minha tese central é que esse arranjo (ou dessarranjo?) de forças hoje tem um personagem central: Ciro Gomes.

Ele, e não Marina, pode mudar toda a estratégia eleitoral do governo.

Lula e o PT estão preparados para uma eleição plebiscitária: Dilma é Lula; Serra é o anti-Lula.

Ciro aparece nas pesquisas com força suficiente para manter sua candidatura. Uma candidatura lulista, mas fora da estratégia oficial do governo.

Vários leitores (aqui, e no blog do Azenha) acham que a candidatura Ciro serve aos interesses de Serra.

Discordo frontalmente. E, nesse ponto, discordo também do Azenha.

Para Serra – com sua máquina de dossiês e o apoio do PIG – é mais fácil centrar fogo em Dilma. É mais fácil colar nela a pecha de “inexperiente”, de “pau mandado de Lula” ou (para agradar a extrema-direita) de “terrorista”.

Se Ciro sair candidato, Serra terá dois adversários para bater. Serão dois contra um. Se centrar todo fogo em Dilma, Ciro cresce. Se bater muito em Ciro, vem a Dilma com apoio do Lula.

Esse é o ponto que trago para debate. Apesar de faltar muito tempo para as eleições, essa escolha será feita nos próximos meses (muito antes da Copa do Mundo e do Carnaval).

Fora isso, lembro também o papel de Aécio. Dentro do PT , há quem tema mais a candidatura dele do que a de Serra. Faz sentido. Ele tem condições de se apresentar não como “anti-Lula”, mas como o “pós-Lula”.

(…)

Mas o fato é que muita gente no PT avalia que Aécio pode mesmo ser um candidato mais difícil de derrotar, apesar de hoje estar atrás nas pesquisas.

Entre os tucanos, muita gente também sabe disso. Mas como tirar da corrida o governador de São Paulo, com mais de 30% de intenções de voto?

Isso tudo está em jogo, desde agora.

Aécio está se guardando “pra quando o carnaval chegar”. Serra (representante da neo-UDN) segue em sua estratégia de rachar a aliança PT-PMDB (que reproduz a velha aliança PSD-PTB).

Com a economia bombando, e a popularidade de Lula nas alturas (como lembra o Azenha), o PMDB dificilmente ficará contra a candidatura apoiada pelo lulismo. Seria suicídio. E o velho PSD (digo, PMDB) não é de cometer suicídio político.

Ciro já se lançou ao mar. Pode até não ser candidato. Mas, nesse caso, venderá mais caro para o lulismo o apoio do chamado bloquinho (PSB-PDT-PCdoB), o que pode atrapalhar (mas não inviabilizar) as negociações do PT com o PMDB.

Muito antes da final da Copa da África do Sul, tudo isso estará já acertado. 

 

Papo de Buteco

As opiniões acima são bastante críveis, principalmente porque levam em conta todas as variáveis que a mídia, em sua sanha pró-tucana, tentou esconder.

Mas como esse blog é democrático, vamos deixar a palavra de jornalistas e afins um pouco de lado para dar espaço à voz rouca das ruas e seus palpiteiros políticos.

Numa roda de amigos ontem à noite, ao som do chorinho, o papo sobre as eleições e a pesquisa do Ibope rolava solto. Destaco a opinião de um colega petista, preocupado com a situação: “Quando José Dirceu caiu, o partido (PT) ficou sem candidato natural. Naquele momento, Lula deveria ter preparado Marina Silva para ser sua sucessora. Marina tem a simpatia do povo e tem uma história de vida parecida com a dele (Lula). Mas Lula se isolou em sua popularidade e deu às costas ao PT. Aí decidiu ungir Dilma sua candidata, mas a ministra não cresce. Dilma não leva essa“, desabafou.

Este embolador ouviu a confissão de “medo” de outro petista, que também acredita que Lula errou ao escolher Dilma para ser sua candidata: “A candidata deveria ser Marina. O jogo não vai ser nada fácil. Corremos o sério risco de perder o governo para os tucanos e ver o país retroceder.”

É isso aí. A guerra vai ser dura mesmo.

Enquanto PIG faz campanha contra, mídia estrangeira elogia novas regras do pré-sal

Está no Portal Vermelho:

Mídia estrangeira ignora a brasileira e destaca papel do pré-sal

Ao contrário da maior parte da mídia brasileira — que atribuiu um viés estatizante nas regras do pré-sal enviadas ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva —, a imprensa estrangeira enfatizou a importância das mudanças para garantir a independência do país e a implementação de ações de combate à pobreza.

O jornal britânico The Guardian relata em sua reportagem desta terça-feira (1º) que Lula “prometeu injetar bilhões de petrodólares na guerra contra a pobreza após as maiores descobertas de petróleo da década”. E acrescenta que a nova legislação permitirá que os lucros sejam usados para “cuidar” da educação e da pobreza de uma vez por todas”.

O The Guardian comenta que a descoberta dos novos campos de petróleo, a partir de novembro de 2007, levou o Brasil a suspender os leilões de concessão de novos blocos para a exploração de petróleo “para dar ao governo uma parcela maior dos lucros”. Ao mesmo tempo, afirma que as companhias petrolíferas do mundo reagiram de forma “nervosa” ao anúncio do marco regulatório

O Wall Street Journal realçou as promessas de riqueza e desenvolvimento feitas por Lula, mas afirma que o país terá que superar as dificuldades encontradas por gerações de governantes sul-americanos: “transformar a riqueza de vastos recursos naturais em uma máquina de desenvolvimento”. “O Brasil, com alguns dos maiores estoques do mundo de minério de ferro e prata, tem uma das maiores diferenças entre os ricos e os pobres”, diz a reportagem.

Já o The New York Times enfatizou a “mudança nacionalista” do país, que fortalece a atuação estatal da Petrobras na exploração da camada. “O governo brasileiro propôs mudanças às leis existentes na segunda-feira para dar o papel principal no desenvolvimento das reservas-chave de petróleo em águas profundas para a gigante estatal da energia, a Petrobras, em detrimento das rivais estrangeiras”, observa o diário.

“O novo marco regulatório do país representa uma virada nacionalista para o Brasil”, diz a reportagem, que comenta que os campos descobertos nos últimos dois anos podem transformar o Brasil em uma grande potência mundial de energia.

Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), a imprensa estrangeira tem tratado o pré-sal com muito mais serenidade que a brasileira. “Os estrangeiros têm destacado a importância do pré-sal para o Brasil e a indústria petrolífera mundial, comemorando a conquista, ao contrário de setores da mídia nacional, que tratam o assunto de forma equivocada e distorcida”.

Ferro questiona a midia brasileira por qualificar a proposta do novo marco regulatório como estatista e nacionalista, numa cobertura com viés superado. “Essa mesma imprensa esquece que o governo dos Estados Unidos, a meca do capitalismo, comprou a General Motors e metade do Citybank”.

Ele frisou que o novo marco garante a soberania e os interesses nacionais e assegura recursos para combater a pobreza, melhorar a educação e aprimorar a ciência, tecnologia. “Tudo sem romper com os contratos vigentes até agora”.

Esdras

Este blog tem por norma não censurar comentários. O espaço sempre esteve e continuará aberto ao contraditório. É só checar aí na lista de mensagens pra ver que os comentários desfavoráveis são comuns. A unanimidade, segundo Nelson Rodrigues, é burra. 

O Embolando não existe para satisfazer o meu ego. Já passei dos 30 e resolvi, há tempos, essa necessidade de auto-afirmação que todos nós enfrentamos numa determinada fase da vida. Isso aqui é só uma janela (virtual) de onde observo as coisas e dou meus pitacos sobre o que acho interessante. Às vezes fico meio sem saco pra escrever, porque tenho a impressão que nada acontece e a vida, como cantava Cazuza, é só um museu de grandes novidades.

Algumas pessoas reclamam quando não encontram nada aqui sobre esse ou aquele assunto. Não vão encontrar mesmo. Blog não é enciclopédia, jornal nem portal de notícias. Estão procurando no lugar errado. Não dá pra abraçar o mundo, como dizia minha avó. Tenho, como qualquer pessoa normal, uma vida real pra levar. Isso leva tempo. 

Mas deixa voltar à história dos comentários. Esdras é um dos leitores mais ativos do blog. Não o conheço. Nem sei se esse é mesmo seu nome. O fato é que em quase todos os posts ele aparece comentando, cutucando, acusando este escriba disso e daquilo outro. Esdras mantém com o blog uma relação e amor e ódio – mais ódio que amor, registre-se.

Não estou reclamando dele. As visitas de Esdras me deixam lisonjeado. Mas fico impressionado com a agressividade de alguns comentários. No último, Esdras reclamou da postagem sobre as enquetes realizadas pelo UOL, perguntando aos navegantes quais eram os partidos mais e menos sérios do país. PT e PSDB foram apontados, respectivamente, como as legendas mais e menos sérias.

Pois bem. Esdras achou aí motivo pra me desancar, como se eu tivesse algo a ver com a enquete do UOL. Ele disse que eu estava como “criança saltitante” com o resultado da sondagem e ainda questionou meu profissionalismo como jornalista. “Risível“, acrescentou em tom sarcástico. Pensei em bloquear o comentário, porque achei meio ofensivo, mas deixei passar. Daí que só agora parei pra responder.

Esdras, minhas opiniões, convicções e posicionamento ideológico são questões suficientemente claras. Mas se restar alguma dúvida, sugiro a leitura do meu perfil. Como costumo dizer, citando Torquato Neto, eu quero é desafinar o coro dos contentes. Não sou filiado ao PT nem a nenhum outro partido. Mas como esquerdista convicto, admiro a história desse partido construído por muitos corações e mentes que ousaram sonhar o sonho impossível de construir um novo país. A admiração, ao contrário do que você imagina, não me impede de fazer as críticas que julgo oportunas, como na novela José Sarney, quando marquei posição contrária ao apoio do PT a esse arcaico coronel maranhense.

O PT não é perfeito, como alguns petistas ingênuos acreditavam. Desde o nascimento, há 30 anos, até a chegada ao governo com as duas eleições de Lula, o partido passou por diversas provas de fogo e sofreu os desgastes inerentes ao exercício do poder. Ficaram alguns mortos pelo caminho. O discurso sofreu arranhões. Houve pranto e ranger de dentes. Os desiludidos abandonaram o barco e, sem perceber, viraram instrumentos dos conservadores de plantão na tentativa de sabotar o governo do ex-metalúrgico.

A importância do PT para a redemocratização, a inclusão de novos temas na pauta nacional e a discussão de uma nova agenda – focada nas questões sociais – para o país não pode ser minimizada. Gostem ou não, o partido mudou a forma de se fazer política no Brasil ao trazer a público assuntos antes quase esquecidos, como a desiguldade social, a reforma agrária e a defesa dos direitos das chamadas minorias. No governo, a maioria dessas bandeiras foi colocada em prática.

Não vou entrar aqui no debate sobre os tropeços. Eles existiram, não há como negar. Mas creio que o saldo é positivo. O país avançou, mudou, melhorou com o PT. A desigualdade social diminuiu, a ditribuição de renda aumentou e muitos que nunca tiveram uma oportunidade na vida agora conseguem enxergar um futuro diferente. As estatísticas estão aí pra comprovar.

Entao, meu caro Esdras, mesmo sem ser petista, defendo sem nenhum constrangimento a contribuição que o PT tem dado ao nosso país varonil. O PT é maior que alguns deslumbrados que meteram os pés pelas mãos quando subiram o Planalto.

Enquanto você se deixa levar por esse quiprocó comezinho alimentado pelas velhas raposas recionárias, com irrestrito apoio da mídia conservadora, eu me preocupo com embates mais sérios.

Azenha: Teria o projeto político de Lula se esgotado?

Do Vi o Mundo:

Antes que vocês se esgoelem me atacando, destaco que coloquei um ponto de interrogação no final da frase.

O ponto de interrogação é o melhor amigo dos jornalistas. Eu tinha uma editora que amava ponto de interrogação nas chamadas de um programa. Ela também adorava dizer que “pela primeira vez o homem pisa” nesse lugar. Um dia, de gozação, um gaiato gravou dentro do banheiro das mulheres: “Pela primeira vez um homem pisa nesse lugar”.

Mas eu falava da interrogação. Explico: ela me ocorreu em um debate recente sobre o papel da mídia no Brasil. Um colega lamentou a falta de audácia do governo Lula para institucionalizar a democratização da mídia. Foram oito anos e pouquíssimos avanços. As famílias que controlam os meios fizeram e aconteceram nos últimos oito anos, depois de oito anos de “paz dos cemitérios” no governo FHC.

Sim, agora enchemos duas Kombis em sites ditos “alternativos” na internet. Mas os grandes portais, a gente há de convir, estão nas mãos dos mesmos. Os portais obedecem cegamente à matriz de pensamento ditada por meia dúzia de jornalistas da Globo, da Folha, de Veja e do Estadão.

Dito isso, argumentei com o meu colega: não dá para vencer eleição dizendo apenas o que o governo Dilma não vai ser. Tá bom, não vai ser neoliberal. Tá bom, não vai bater no MST. Tá bom, não vai cortar os programas sociais. Já sabemos o que ela não fará. E o que fará?

Esse era o ponto que eu queria ter debatido com meu colega, que precisou sair apressadamente. Teria o projeto político do presidente Lula se esgotado? Seria um sintoma disso o fato de que Lula ainda precisa de Sarney, de Renan e de Collor? Seria um sintoma disso o surgimento da candidatura de Marina Silva? Da permanência de Ciro Gomes com bons índices nas pesquisas? Ajudem-me a responder, please. Dessa vez eu só participarei nos comentários.

PS: By the way, sobre a pesquisa Datafolha, acho que o Serra deu um vôo de galinha. Caiu 1% depois da mais intensa promoção pessoal de um governador de estado jamais vista na história da TV brasileira.

A guerra pela hegemonia na mídia

Edir Macedo acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A Globo deita, rola e faz carnaval. Deflagrada a guerra entre a Record e a TV da família Marinho.

No Jornal Nacional, a emissora do Jardim Botânico dá amplo espaço às acusações do Ministéro Público contra o líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A denúncia do MP diz que Edir Macedo usou o dinheiro dos dízimos e ofertas dos fiéis da IURD para comprar a TV Record e outros bens. A Justiça aceitou a denúncia na última segunda (10), transformando em réus o bispo e outras nove pessoas.

O contra-ataque veio no Jornal da Record, com uma reportagem acusando Rede Globo de “manipular o noticiário”. Para comprovar o jogo sujo da concorrente, a matéria relembrou episódios como a clássica edição do debate entre Lula e Collor no segundo turno das eleições de 1989, fato apontado como decisivo na vitória daquele que se intitulava caçador de marajás.

A família Marinho sempre usou a emissora a favor de seus interesses pessoais“, dizia trecho da matéria. A Globo, por sua vez, continua destacando o caso Edir Macedo, mostrando vídeos antigos onde o bispo aparece ensinando aos obreiros da IURD como extrair dinheiro dos fiéis. A artilharia também conta com cenas de cultos da IURD, onde pastores pedem, sem nenhum pudor, para que os fiéis “entreguem tudo”.

Ontem (13), uma longa matéria do Jornal da Record mostrou histórias de fiéis bem-sucedidos da IURD, pessoas que teriam alcançado a prosperidade graças ao ensinamentos da seita do bispo. O que o Jornal da Record não disse é que a Teologia da Prosperidade é um amontoado de promessas falaciosas, vendidas como música para milhões de desesperados que lotam igrejas neopentecostais em busca de esperança.

Essas igrejas sabem como explorar o potencial arrebatador das promessas de riqueza, saúde e felicidade emocional. Mas fica só nisso mesmo: promessas. Depois que acordam do transe, as pessoas veem a esperança escorrer pelo ralo. Para o sociólogo Paulo Romeiro, essa corrente teológica tem produzido uma “geração de decepcionados”, pessoas que se frustram quando não encontram as “respostas imediatas” para seus problemas.

Mas, voltando à briga entre a Globo e a Record, o que chama atenção na troca de acusações é que, neste caso, os dois lados têm razão. Independente da motivação, ninguém pode acusar a Globo de manipulação neste episódio. Alguém, minimamente inteligente, duvida que Edir Macedo tenha desviado dinheiro da IURD para comprar a Record? Por outro lado, quem não conhece o histórico de armações da Globo?

Nessa guerra, não há inocentes. Não é a democratização dos meios de comunicação que está em jogo. A guerra entre a Globo e a Record é pela hegemonia midiática. Por isso, é pura ingenuidade torcer por alguém nessa história. De que valeria a queda do império global  só pra dar lugar a um império universal, sustentado às custas da exploração da fé alheia?!

Navegação de Posts