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Ainda sobre Micarla e a terceirização do combate à dengue

A Prefeita Micarla de Sousa (PV), vocês sabem, terceirizou, pela bagatela de R$ 8 milhões, o combate à dengue em Natal. Conforme publicação no Diário Oficial do Municipío (DOM) do último dia 14, a empresa pernambucana ITCI (Instituto de Tecnologia, Capacitação e Integração Social) foi contratada, pelo período de três meses, para realizar ações de combate à endemia na capital potiguar.

Um direto do Sindicato dos Agentes de Saúde (SINDAS-RN) denunciou que a Prefeitura de Natal ignorou os alertas sobre uma previsível epidemia de dengue em 2011 e engavetou o processo para contratação de 150 agentes de endemias via concurso público para favorecer a terceirização. A contratação dos 150 agentes custaria, pelo período de três anos, R$ 4 milhões aos cofres públicos.

Quase duas semanas depois da contratação do ITCI, como informou a Tribuna do Norte, nenhum dos 150 agentes de saúde terceirizados estão em campo. O secretário municipal de Comunicação, Jean Valério, disse à reportagem do jornal que o combate à dengue começaria nesta segunda-feira (25), mas o diretor administrativo do ITCI, Ramon Mello, disse que os agentes sairão à ruas somente na próxima quinta-feira (28).

Enquanto isso, o contrato entre o município e o ITCI virou alvo de investigação do Ministério Público Estadual. Ainda segundo a Tribuna do Norte, o promotor de Justiça da Defesa do Patrimônio Público, Emanuel Dhayan Bezerra de Almeida, instaurou inquérito civil na quinta-feira passada para apurar as denúncias de ilegalidades no processo de contratação da organização social pernambucana por R$ 8.116.675,72.

Apesar da investigação do Ministério Público e do atraso no início das ações, numa demonstração de generosidade extrema da prefeita Micarla de Sousa, o município antecipou o pagamento de 35% do valor do contrato (correspondente a R$ 2,84 milhões) ao ITCI.

Como se não bastasse, mesmo com o circo pegando fogo em Natal, o secretário municipal de Saúde, Thiago Trindade, viajou para passar a semana santa na Europa.

A sensação que tenho é que estamos num barco à deriva. Quando a gente pensa que as coisas não podem ficar piores que estão, Micarla e sua turma conseguem nos surpreender. Onde será que essa nau vai parar?

Denúncia: Prefeitura ignorou previsão de epidemia de dengue e premeditou terceirização

A denúncia está publicada no Blog da Kallyna Kelly. O secretário do Sindicato dos Agentes de Saúde (SINDAS-RN), Cosmo Mariz, afirmou que a Prefeitura de Natal ignorou os alertas sobre uma previsível epidemia de dengue em 2001, engavetou o processo para contratação de 150 agentes de endemias via concurso público e, finalmente, terceirizou o combate à doença para a empresa pernambucana ITCI pela módica quantia de R$ 8 milhões.

O diretor do SINDAS-RN sustentou que, conforme estudo realizado pela equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde, na gestão da ex-secretária Ana Tânia Sampaio, a contratação dos 15o agentes custaria menos de R$ 4 milhões em três anos. Como explicar, então, a opção pela terceirização?

Como explicar que, em meio a uma suposta crise financeira, o município desembolse R$ 8 milhões para uma empresa que não tem experiência nenhuma em combate à dengue?

Para Cosmo Mariz, a explicação é simples: a terceirização foi premeditada, em detrimento ao bem da população.

Leia, abaixo, a íntegra da denúncia feita pelo diretor do SINDAS-RN:

Desde a gestão da ex-secretária de saúde Ana Tânia alertei sobre necessidade de se contratar urgentemente mais 150 agentes de combate às endemias- ACE para o Programa Municipal de Controle do Dengue-PMCD, tendo em vista que o déficit de pessoal indicava uma possível epidemia de dengue em 2011.

Atendendo a minha solicitação verbal e tendo a visão de gestora responsável e comprometida com o SUS, Ana Tânia solicitou de sua equipe técnica um estudo para verificar se minha solicitação tinha fundamento. Com a conclusão do levantamento técnico, a ex-secretária solicitou urgência no envio de uma justificativa técnica para alterar a Lei Complementar Municipal 080/2007 e aumentar o número de agentes de endemias e comunitários de 450 para 600 ACE e de 600 para 1.000 ACS.

No dia 19/02/2009 a justificativa técnica foi elaborada e posteriormente o projeto de lei que, votado na Câmara Municipal de Vereadores dia 5/6/2009, se transformou na lei Complementar nº 106/2009. Uma vez aumentada às vagas para possibilitar a realização de um certame, foi aberto o processo sob nº 010607/2009-56 pedindo a realização de um processo seletivo público com urgência.

Como eu tinha a preocupação de aumentar o quadro de agentes, acompanhei o processo de perto em todas as fases administrativas, levando-o várias vezes em mãos para determinados setores tais como: DOTAÇÃO ORÇAMENTÁRIA, DEPARTAMENTO DE GESTÃO DO TRABALHO-DGTES, ACESSORIA JURÍDICA, GABINETE DA SECRETÁRIA ETC, com intuito de dar agilidade ao processo.

No dia 05 de maio de 2009 levei o processo para Procuradoria Geral do Município, conforme consta na movimentação do processo, mas depois daí ele parou na assessoria jurídica da SMS em 22/05/2009 e, mesmo solicitando a atual gestão da SMS que desse prosseguimento no processo seletivo para contratação dos agentes, o processo não saiu mais da assessoria jurídica, onde permanece enclausurado.

Se não bastassem esses fatos, a Prefeita cortou um milhão de reais na atual previsão do orçamento do Município para o combate a dengue.

Diante de todos esses fatos e principalmente depois do anúncio da contratação da Organização Social, o que custará aos contribuintes cerca de 8 milhões e meio, só podemos tirar a seguinte conclusão: “TERCERIZAÇÃO E ENRIQUECIMENTO FOI PREMEDITADA E SEQUER PENSARAM NO MAL QUE PODERIA CAUSAR AO POVO DE NATAL”.

Tenho todos os dados que comprovam a denúncia e cópias dos impactos financeiros para o triênio 2010-2011-2012 cujos gastos com a contratação dos 150 agentes NÃO ULTRAPASSARIA 4 MILHÕES DE REAIS EM 3 ANOS.

Cosmo Mariz

Secretário do Sindicato dos Agentes de Saúde – SINDAS-RN

As aves de rapina do PV

Em carta ao Novo Jornal, publicada nesta terça-feira (13), a ex-presidente do PV, a bióloga Darcy Girassol, classsifica os atuais dirigentes do partido como “aves de rapina”.

Na edição de domingo (11) do mesmo jornal, o escritor Franklin Jorge chama o PV de “Partido da Lorota”. Em tom ácido, Jorge afirma que o partido da prefeita Micarla de Sousa “desbotou e manchou uma crônica planetária de defesa da sustentabilidade e da ecologia geográfica humana”.

Em outro trecho, Franklin diz que o PV natalense é composto pelo “baixo clero da política paroquiana”, lamenta que a “trupe mambembe” so liderança da prefeita-borboleta venha sendo tratada de forma “complacente” e setencia que, sob o governo de Micarla de Sousa, Natal virou um “campo minado”.

O PV perdeu o bonde da história, ao transformar-se em objeto de repúdio e chacota pública na figura dessa prefeita cheia de rompantes e palavrório. Um partido que tem devastado o verde e desementido, na prática, o seu próprio ideário filosófico“, anota.

Em sua carta, em resposta ao artigo de Franklin Jorge, Darcy Girassol acusa o presidente de honra do PV, Rivaldo Fernandes, de ter dado um “golpe” para assumir o comando da legenda no Rio Grande do Norte.

As aves de rapina tomaram conta do PV com o aval de Luiz Penna [presidente nacional da sigla]. Isto não aconteceu só aqui no RN. Em vários estados houve mudanças para ampliar e legalizar o PV. Visão estreita, perdeu-se a qualidade e boa parte dos militantes comprometidos com o manifesto, o programa e as diretrizes“, escreve a bióloga.

Dizer mais o que sobre o PV e Micarla de Sousa? Pra mim, está se tornando cansativo escrever sobre essa gestão desastrada que aí está. Em pouco mais de dois anos, a prefeita-borboleta cometeu tantas trapalhadas que, daqui pra frente, nada mais nos surpreende.

Neste período, Natal virou um enorme clichê. As alegorias discursivas usadas pela prefeita para justificar sua inoperância, além de indignação, são motivo de riso. Vide a teoria da orquestração e a tentativa de responsabilizar as elites pelo seu fracasso, duas teses fantasiosas que foram repetidas à exaustão pela lepidoptera e pelo seu séquito de aduladores.

A volta do lixão de Cidade Nova, extinto em 2004, é o que, senão o carimbo definitivo da falência do governo pevista em Natal? O caso chamou a atenção da Executiva Nacional do PV, que estuda “intervir” na situação para tentar amenizar o estrago à imagem da legenda.

Pelo Twitter, o secretário municipal de Comunicação, Jean Valério, reclamou que o Novo Jornal não tenha citado “a versão da Prefeitura” na matéria sobre o lixão. Mas que versão é capaz de justificar esse absurdo, cara-pálida?!

Micarla transforma Natal numa “Manguetown”

Fui pro mangue catar lixo, pegar caranguejo, conversar com urubu“. Com esses versos, Chico Science narra o cotidiano caótico da Manguetown, uma representação da cidade do Recife, a metrópole onde homens, lixo e urubus dividem o mesmo espaço desordenado.

No refrão, Chico descreve a perplexidade de quem é obrigado a conviver com essa desordem: “Andando por entre os becos/ Andando em coletivos/ Ninguém foge ao cheiro sujo/ Da lama da manguetown“.

Graças a prefeita Micarla de Sousa (PV), Natal está vivendo seus dias de Manguetown. Não é exagero. A volta do lixão de Cidade Nova, com as lamentáveis cenas de homens, mulheres e crianças caçando sua sobrevivência em meio aos detritos da sociedade, é o retrato sem retoques do abandono da cidade que, em outros tempos, foi cantada pelo nosso Pedrinho Mendes como a “linda baby” onde “belo cai o sol sobre esse rio“.

Com Micarla, Natal perdeu a beleza. Os natalenses, perderam o orgulho desta “terra de um deus mar” — para citar novamente Pedrinho Mendes.

Por piores que fossem as previsões sobre a administração de Micarla, ninguém poderia imaginar que a primeira prefeita de capital do Partido Verde ficaria conhecida pela volta do problema do lixão.

A Prefeitura discute o valor da dívida com as transportadoras e com a Braseco, empresa que administra o Aterro Sanitário de Ceará-Mirim — destino final dos resíduos de Natal, Parnamirim e da própria Ceará-Mirim –, enquanto assistimos atônitos e incrédulos as imagens dos homens-urubus.

Desnorteada, a administração que prometia inaugurar uma nova época de desenvolvimento sustentável dá vexame nacional.

Lembrei dos versos de outra música de Chico Science (Da lama ao caos) que serve para representar os tristes dias que vive nossa outrora linda baby nestes tempos de Micarla de Sousa: “Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça/Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça“.

Blogueiros Progressistas do RN debatem comunicação, política e ativismo social

No último final de semana, o movimento dos Blogueiros Progressistas do RN realizou seu primeiro Encontro Estadual em Natal, com a presença da educadora, historiadora e ativista social Conceição Oliveira, autora do blog “Maria Frô. Democratização da comunicação, redes sociais, governança solidária, gestão e políticas públicas foram alguns dos temas tratados durante o evento realizado no auditório do IFRN da Cidade Alta.

No debate de abertura sobre militância na rede, Conceição Oliveira destacou que, com a explosão da blogosfera, o jornalismo tradicional precisou se “refazer”. “Uma das riquezas da internet é que, quando você tem contribuições de outras áreas, você faz o jornalismo se refazer. É preciso contextualizar as coisas”.

Como exemplo da força da blogosfera progressista, Conceição citou a eleição presidencial de 2010, quando a grande imprensa jogou pesado para eleger o candidato da direita, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“Olhando o que podemos fazer na blogosfera, fico impressionada com o que as ‘formiguinhas’ podem fazer. Conseguimos vencer toda a mídia institucional nas eleições do ano passado. É impressionante”, comemorou.

Para Conceição, a blogosfera progressista, “apesar das diferenças políticas, tem muita clareza do lugar em que deve estar”. Ela acrescentou que o trabalho da militância de esquerda na rede é ser “contra-hegemônico”.

“Temos que disputar esse campo político. Quando a gente faz esse trabalho de formiguinha, organiza-se, nós fazemos a diferença. Na hora em que o [Jair] Bolsonaro [deputado federal pelo PP-RJ] falou aquilo no CQC , na hora subiu uma tag no twitter. A gente estava de olho, estamos envolvidos de uma maneira que não deixamos nada passar. Nós somos solidários quando a causa vale a pena”.

No dia 23/03, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou o que o deputado faria se seu filho namorasse uma negra, Bolsonaro disse que seus filhos não corriam esse risco, muito menos tornarem-se homossexuais, porque não haviam sido criados em ambiente promíscuo.

Por causa das declarações racistas e homofóbicas, o presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro), Wadih Damous, pediu a cassação do mandato de Bolsonaro.

“O desafio é sair dessa fase puramente militante”

Conceição enfatizou que o desafio da blogosfera progressista é “sair dessa fase puramente militante”, porque a grande imprensa atua, verdadeiramente, “como um partido político”.

“Fazemos uma oposição cerrada a esse jornalismo cheio de factóides, sem compromisso com a verdade. Há dezenas de casos que dariam pra fazer tese de factóides que viraram capa da ‘Veja’. Nós estamos lidando de fato com um partido político. Os leitos que inventaram a expressão PIG [Partido da Imprensa Golpista]têm toda razão”, pontuou.

Como exemplo desta atuação partidária da imprensa conservadora, Conceição lembrou das constantes crises fabricadas para derrubar o governo Lula.

“Como é que você tem uma imprensa que, durante oito anos, criou crises dia a dia? As críticas que o governo Lula merecia foram feitas pela esquerda. Lula foi chamado de ‘estuprador’, foi chamado de cerceador da liberdade de imprensa, mas não fez um enfrentamento contra essa mídia”.

Conceição conclamou os blogueiros progressistas a cerrarem fileiras para que o novo marco regulatório da comunicação se torne realidade.

“Nosso grande desafio é fazer esse marco regulatório sair do papel. Ele não vai sair como queremos, mas precisamos que saía o mais próximo possível. Mesmo sem o marco, temos uma legislação que é constantemente desrespeitada, principalmente pelas TVs”.

O Projeto de Lei que regulamenta os meios de comunicação no Brasil foi consluído no fim do governo Lula e estava pronto para ser enviado ao Congresso Nacional. Com a posse da presidenta Dilma Rousseff, o novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, recolheu o projeto para fazer nova “avaliação” — o que indica que, sem pressão popular, o documento não sairá da gaveta.

Alerta

Conceição observou ainda que é preciso “politizar o debate” sobre a disputa política. Para ela, quando se limita ao “poder pelo poder”, mesmo no campo da esquerda, a disputa não vale a pena.

Citando o caso de Natal, onde se vive um caos administrativo sob a administração da prefeita Micarla de Sousa (PV), cuja eleição se apoiou numa combinação de populismo, preconceito e xenofobismo, Conceição alertou para a urgência de nos organizarmos “para impedirmos que outro oportunista chegue ao poder”.

Mais debates

Além do debate com Conceição Oliveira, o encontro promoveu uma discussão sobre políticas nas áreas da Educação, Saúde, Cultura e Segurança, reunindo à mesa a educadora Cláudia Santa Rosa, o ex-diretor do Conselho Nacional de Saúde Francisco Júnior e os jornalistas Tácito Costa e Cézar Alves.

A programação do sábado terminou com um debate com o sociólogo Paulo Araújo, consultor da Unesco, sobre redes sociais, governança solidária e gestão pública.

No domingo pela manhã, os blogueiros revisaram a aprovaram a Carta de Natal, com os pontos programáticos que serão defendidos pelo movimento e servirão para orientar as próximas ações e debates do Blogprog-RN.

O I Encontro dos Blogueiros Progressistas do RN reuniu uma média de 30 participantes, entre blogueiros, tuiteiros, usuários de outras redes sociais e ativistas sociais. O evento contou ainda com as ilustres presenças da deputada federal Fátima Bezerra (PT), do deputado estadual Fernando Mineiro (PT) e do vereador George Câmara (PCdoB).

Apesar da ausência, os vereadores Raniere Barbosa (PRB) e Júlia Arruda (PSB) contribuiram para a realização do Encontro do Blogprog-RN e, por isso, merecem nosso agradecimento.

Escândalo: Estrutura de Comunicação da Prefeitura de Mossoró era usada para alimentar blog apócrifo

Na edição deste domingo (20), o jornal “O Mossoroense” revela detalhes do escândalo que está sendo chamado de “Watergate de Mossoró“. De acordo com a reportagem, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Mossoró era usada para atualizar o blog de “Paulo Doido“, publicação apócrifa que servia para atacar críticos da prefeita Fafá Rosado (DEM).

As informações se baseiam em documentos fornecidos à Justiça pela Google Brasil, pelo provedor Mikrocenter e pela Velox. A documentação mostrou que computadores do gabinete da prefeitura de Mossoró e da Reitoria da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) foram utilizados na prática de crimes virtuais.

Ainda segundo a matéria (leia a íntegra aqui), o blog apócrifo foi criado em 18 de fevereiro de 2010 e saiu do ar em 13 de julho do mesmo ano, na mesma data em que a Justiça requisitou que o Google informasse quem eram seus autores.

Tratava-se de um grupo de servidores comissionados da Prefeitura de Mossoró, lotados na Gerência da Comunicação, que arquitetaram a ferramenta com a finalidade de atacar políticos adversários da prefeita Fafá Rosado e jornalistas que criticam a atual administração“, diz um trecho da matéria.

A documentação em posse da Justiça apontou que o grupo era integrado pelos jornalistas Pedro Carlos (assessor de imprensa da gestão mossoroense e diretor executivo do Correio da Tarde) e Neto Queiroz (colunista da Gazeta do Oeste, consultor de Comunicação da Prefeitura de Mossoró e assessor de imprensa do deputado estadual e marida da prefeita mossoroense, Leonardo Nogueira – DEM) e pelo gerente executivo da Comunicação da Prefeitura de Mossoró, o contabilista Ivanaldo Fernandes.

A reportagem do jornal O Mossoroense informou que ouviu os envolvidos no escândalo, mas todos, apesar da documentação repassada pelos provedores de internet, negaram participação no caso.

É um episódio gravíssimo de atentado à liberdade de expressão. Mas casos como esse não ocorrem só em Mossoró. Em Natal, críticos da gestão da prefeita Micarla de Sousa (PV) também são vítimas de ataques, ameaças e perseguições.

Denúncias indicam que, assim como em Mossoró, a estrutura de Comunicação do Palácio Felipe Camarão serve como plataforma para ataques anônimos aos desafetos da prefeita-borboleta. Nas redes sociais, multiplicam-se perfis falsos, recrutados pelos micarlistas, para desancar quem é considerado persona non grata pelos integrantes do borboletário.

Esperamos que a Justiça de Natal siga o exemplo de Mossoró e, pelo bem da democracia e da liberdade, desmonte a quadrilha que tenta intimidar os críticos da administração municipal.

 

O macartismo de Micarla

Disfarçadamente, sem muito barulho, a prefeita Micarla de Sousa (PV) aproveitou o anúncio da reforma administrativa, na semana passada, para arrumar uma nova acomodação para um velho amigo que andava um pouco sumido.

Além dos 17 novos secretários, a edição de quinta-feira (10) do Diário Oficial do Município (DOM) trouxe a nomeação de Eugênio Bezerra, ex-assessor especial do gabinete da prefeita, para o cargo de secretário adjunto de Gestão Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb).

Como adjunto da Semurb, Eugênio será responsável pela política de educação ambiental do município, pela gestão do Parque da Cidade e pela revisão do Plano Diretor de Natal. É ou não pra ficar assustado?

Pra quem não sabe, fui agredido pelo novo secretário adjunto da Semurb, em novembro do ano passado, quando passava pela área de lazer em frente ao Carrefour, onde foi instalada a Árvore de Natal. O caso está relatado, em detalhes, aqui. Até agora, aguardo a primeira audiência da ação que impetrei contra o agressor na Justiça Criminal.

A imprensa potiguar ignorou o fato do assessor da prefeita agredir um jornalista. O Sindicato dos Jornalistas seguiu o mesmo caminho. Conversei com um dirigente do Sindjorn, segundo quem o sindicato analisou o caso e chegou à conclusão que se tratava de uma “questão pessoal” entre dois jornalistas. É exatamente o que o secretário quer fazer parecer, mas que não corresponde à realidade.

A agressão que sofri se deu em função das críticas que faço à administração do PV. Para Eugênio Bezerra, quem se atreve a apontar os desmandos da prefeita-borboleta é imediatamente convertido em inimigo público número um. As jornalistas Anna Ruth Dantas, Eliana Lima e Laurita Arruda também entraram na mira do secretário após fazerem críticas à chefe dele.

O comportamento ameaçador de Eugênio Bezerra segue um padrão, que se repete sempre que se sente acuado. O soco, as ameaças e as mentiras plantadas pelos bobos da corte a serviço do borboletário tiveram uma só finalidade: coibir um jornalista de exercer o seu sagrado direito à livre expressão e crítica. É o macartismo de Micarla de Sousa.

Com a repercussão do caso da agressão contra esse escriba, Micarla chamou seu assessor às falas. Na internet, circulou a informação que a prefeita havia determinado a “suspensão” do seu fiel defensor. Obediente, se submeteu ao “castigo”, deixou de frequentar o gabinete da chefe e se auto-impôs um período sabático. Houve quem dissesse que havia sido exonerado, mesmo sem registro no DOM.

Questionei a prefeita sobre a situação de Eugênio. Perguntei se o assessor havia mesmo sido exonerado, ou se continuava recebendo salário, pago com dinheiro público, sem trabalhar, uma vez que estava “suspenso” das suas funções. Micarla ignorou os questionamentos.

Agora, ficamos sabendo que o “castigo” era conversa pra boi dormir. Em vez de demitir o assessor que agrediu um jornalista, a prefeita o premiou com a nomeação para a Semurb. Eugênio sumiu por um tempo para limpar sua imagem e retornar mais forte.

O Código de Ética do Servidor Público é claro ao preconizar que “A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral.

O Código determina ainda que “A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.

A prefeita deveria explicar à sociedade por que nomeou um agressor confesso para seu primeiro escalão, jogando no lixo o Código de Ética que deveria levar como bíblia da sua administração.

Perguntei aos meus incrédulos botões se, por acaso, os consultores da Fundação Getúlio Vargas avalizaram essa escolha. Fiquei sem respostas.

O trololó de Micarla

Em mais uma entrevista evasiva, desta vez para a Tribuna do Norte, a prefeita Micarla de Sousa (PV) voltou a mencionar a tese da “orquestração” para explicar a rejeição ao seu governo, que beira os 80%.

Perguntada sobra como avaliava a reprovação popular, Micarla saiu-se com essa: “Números não são para serem criticados ou analisados. Números são frios.” Nada mais vago.

Para Micarla, quando lhe é desfavorável, a estatística não serve pra nada. Algum assessor deveria dizer à prefeita que os números não são “frios”. Longe disso. Os números medem a insatifação dos natalenses diante da pífia administração que vem realizando na cidade desde janeiro de 2009.

A prefeita se nega a nomear os responsáveis pela “orquestração”. Como lembrou um leitor do blog, Micarla culpa os “perdedores” pelo seu desastre, mas esquece que quase todos que patrocinaram sua candidatura a abandonaram.

Outrora aliados, o senador José Agripino (DEM), o vice-governador Robinson Faria (PMN) e os deputados federais João Maia (PR), Rogério Marinho (PSDB) e Fábio Faria (PMN) agora militam na oposição, reforçando as críticas à gestão da prefeita-borboleta.

Num movimento inverso, os ex-desafetos Vágner Araújo (PSB), Cláudio Porpino (PSB) e o deputado federal Henrique Alves (PMDB) se aliaram àquela sobre quem disseram cobras e lagartos em 2008, quando pediram votos para a adversária de Micarla, a deputada federal Fátima Bezerra (PT).

Afinal, quem são os perdedores, orquestradores e sabotadores que a prefeita tenta responsabilizar pelo caos do município? O que teria levado Agripino, Robinson, João Maia, Rogério Marinho e Fábio Faria a pularem fora do barco do PV?

Francamente, a prefeita precisa encontrar um argumento melhor pra explicar a inércia da sua gestão. Recorrer à figura de “mulher, mãe e perseguida”, como vem fazendo, não a ajudará a obter o reconhecimento do povo.

Inventada pela publicidade, Micarla precisa abandonar as pirotecnias midiáticas e começar a governar a cidade. Com o anúncio do “reoordenamento administrativo”, feito na semana passada, a prefeita avisou que começaria uma “nova era administrativa”, com foco nos resultados para as demandas da população.

Mas a prometida revolução administrativa não resistiu ao teste da primeira semana. Convidado para a Secretaria de Esportes, o presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol, José Vanildo da Silva, avisou que não aceita ser adjunto da pasta, ainda que interinamente, como lhe propôs a prefeita.

Assim, o novo secretariado deverá amargar, somente uma semana após seu anúncio, sua primeira baixa. É mais uma demonstração da ausência de planejamento na gestão do PV. Mesmo com a consultoria da Fundação Getúlio Vargas, Micarla não consegue montar um secretariado minimamente capacitado. Enquanto isso, ficamos aqui, jogando milho aos pombos.

 

Wilma enquadra aliados e diz que “PSB é oposição ao PV”

A ex-governadora Wilma de Faria, presidente estadual do PSB, usou o twitter para mandar um recado aos correligionários que aceitaram participar do secretariado da prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV).

Ex-colaboradores das duas gestões de Wilma de Faria no RN, os socialistas Vágner Araújo e Cláudio Porpino assumiram, respectivamente, as pastas de Gestão de Pessoas, Logística e Modernização Organizacional (Segelm) e Serviços Urbanos (Semsur) da administração verde.

Observadores políticos enxergaram na nomeação de Várgner e Porpino, dois nomes da “cozinha” da ex-governadora, um ensaio de aproximação entre Micarla de Sousa e Wilma de Faria. Isolada politicamente, abandonada pelos antigos aliados, a prefeita estaria tentando atrair para sua base legendas que dão sustentação ao governo da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Em três mensagens postadas no site de relacionamentos, a ex-governadora colocou um ponto final nas especulações ao dizer que “O PSB não é aliado do PV”.

Repetindo o que eu já disse aos jornalistas: o psb não concorda com o modelo administrativo implantado pela atual gestão, portanto, quem assumir qualquer cargo na adm. de Natal, terá que se licenciar do partido. O psb não é aliado do pv. É oposição, portanto essa atitude é de coerência!“, declarou.

Diante da ênfase de Wilma, não resta outra alternativa para Vágner Araújo e Cláudio Porpino a não ser seguir o conselho do Capitão Nascimento: “Pede pra sair!”.

 

A revolução é aqui

Os ventos revolucionários que estão varrendo o Oriente Médio e a África, derrubando ditaduras e destronando tiranos, parecem haver chegado à nossa provinciana capital.

Enquanto as massas do Egito e da Líbia se rebelaram contra seus respectivos mandatários, Mubarak e Kadafi, natalenses saíram às ruas ontem e ocuparam vários pontos da cidade em protesto contra a prefeita Micarla de Sousa (PV).

O movimento batizado de “Fora Micarla” reuniu estudantes secundaristas e universitários, servidores públicos, representantes dos transportes alternativos e cidadãos inconformados com o caos administrativo em Natal.

No caldeirão das reivindicações, coube um pouco de tudo: revogação do aumento da tarifa do ônibus  urbano, reajustada de R$ 2,00 para R$ 2,20 no início de janeiro; unificação da bilhetagem eletrônica para ônibus e alternativos; apoio à greve dos professores municipais; entre outros pontos.

Alguns jornais, como é praxe por aqui, preferiram enfatizar os “transtornos” e o “tumulto” provocados pelas manifestações. Para esses veículos, é melhor manter a ordem artificial ao expôr as feridas que corroem nosso frágil tecido social.

A prefeita que governa como se a cidade fosse a antessala da TV Ponta Negra deve ter ficado assustada ao perceber que seus truques de marketing não surtem mais efeitos sobre o povo.

O impeachment de Micarla

Tácito Costa, em seu Substantivo Plural, fez uma análise da administração Micarla de Sousa em Natal e disse ser contra o impeachment da prefeita-borboleta, como vem sendo defendido por cada vez mais pessoas nas redes sociais, principalmente o Twitter.

Manifestei, diversas vezes, minha opinião contrária ao impeachment de Micarla. Defendo que a prefeita deve sentir nas urnas a manifestação da reprovação popular. Talvez, só assim, quando não lhe restar mais nenhum artifício de marketing, ela se dê conta da própria inépcia para o cargo e do abismo político em que se encontra.

Temos, apenas, que o “efeito pedagógico” a que Tácito Costa se refere seja só utopia. Nossa sociedade é politicamente imatura. O preconceito é algo mais arraigado do que supõe nossa vã filosofia.

Vide o que aconteceu no segundo turno da eleição presidencial de 2010, quando Dilma Rousseff foi derrotada em Natal devido a onda de boatos fascistas/religiosos. Outro exemplo é a sequência de derrotas da deputada federal Fátima Bezerra (PT) nas disputas pela Prefeitura de Natal.

Em vez de competência, seriedade e ética, a maioria valoriza abstrações como carisma, simpatia e até mesmo beleza como atributos definidores do seu voto. Enquanto o povo pensar dessa maneira, estamos constantemente sujeitos ao aparecimento de novas Micarlas.

Eis o texto de Tácito:

 

Apesar da devastação e desesperança que legou a Natal em apenas dois anos de mandato, Micarla de Sousa deve continuar como prefeita. O seu impeachment, defendido com um certo voluntarismo juvenil nas redes sociais, principalmente no Twitter, não é a solução política para a cidade.

Por duas razões principais: daria o mandato ao vice Paulinho Freire, político acanhado e uma incógnita administrativa, de perfil conservador e alinhado ainda mais à direita; poderia ensejar uma vitimização de Micarla, uma política forjada de forma artificiosa pelo marketing, mas com domínio da demagogia e que poderia sair fortalecida do processo.

Por isso, não faz sentido o “fica Paulinho” bradado por alguns nas redes sociais. O risco seria mudar para tudo continuar igual, conforme a famosa advertência empregada por Lampedusa em seu “O Leopardo” (“Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”).

Bebamos esse cálice amargo até o fim.

É possível que a gestão micarlista tenha um efeito didático, pedagógico mesmo sobre os eleitores. Principalmente porque corpinhos bombados e rostinhos bonitos já se insinuam para assumirem o lugar da atual prefeita na próxima eleição. Então, deixemos ela e sua troupe cumprirem até o fim o ciclo de desatinos para com Natal.

Leia mais aqui.

 

As tiradas de Nicolelis

Miguel Nicolelis contou no encontro com o blogprogrn, semana passada, sua epopeia para provar a uma blogueira natalense que não era um fake. Ela havia reclamado das opiniões que o neurocientista postara no Twitter. “Cientista não fala isso”, argumentou.

Apesar da repreensão da blogueira, Nicolelis continua expressando suas opiniões na ‘teia’. Desta vez, o assunto das tuitadas do neurocientista foi Micarla, Natal e o Egito. Tudo embolado no mesmo balaio. Veja:

Natal, dois anos depois de Micarla

Há pouco mais de dois anos, Micarla de Sousa (PV) assumia o comando da Prefeitura de Natal. Eleita em primeiro turno, com o apoio decisivo do DEM, a jovem empresária chegou ao Palácio Felipe Camarão prometendo um choque de gestão na cidade. Com seu carisma, convenceu a maioria da população das suas intenções. O povo, sobretudo os estratos mais humildes da sociedade, depositou na pevista grande dose de esperança.

Dois anos depois da ascenção de Micarla, como está a capital potiguar? Para quem se deu ao trabalho de ler o plano de governo da então candidata do PV, o badalado GPS (Gestão por Políticas de Sustentabilidade), a conclusão é inevitável: Micarla é um fracasso.

A administração do PV não conseguiu avançar em nenhuma área. Pelo contrário. Natal retrocedeu nestes dois anos de poder de Micarla. Pra começar, leia um trecho da introdução do GPS, apresentado na campanha de 2008:

“Aqui [Plano de Governo], segurança, saneamento básico, pavimentação de ruas, energia elétrica, ordenamento da ocupação urbana e do trânsito, controle dos vários tipos de poluição e preservação ambiental não são palavras vazias, mas áreas que demandam soluções a curto, médio e longo prazo.

Quando se desce aos detalhes do plano, chegando-se às metas enumeradas pelo documento, o fracasso fica mais evidente. Em dado trecho, estão lá escritas as seguintes promessas: “Reduzir, na faixa de 10% ao ano: o déficit habitacional e as pendências fundiárias; o analfabetismo; o desemprego e os níveis de violência“.

Em outro trecho, a promessa é de aumentar em 10% ao ano, com base em quais estudos?!, os seguintes índices: saneamento, drenagem e pavimentação e a “oferta de eletricidade e telefonia pública (mediante gestões e planejamento compartilhado junto às concessionárias)“, além de “aprimorar a organização do trânsito”, “fomentar ainda mais a indústria do turismo”, “orientar e proteger grupos sociais em situações de risco”, “conferir maior eficiência às contas e aos serviços públicos” e “colocar Natal na pauta do movimento ecológico internacional.”

A prefeita deveria vir a público para exibir os índices que comprovem que sua gestão atingiu alguma dessas metas apresentadas no fictício GPS, assinado pela própria Micarla de Sousa, pelo coordenador do plano Marcos Valério de Araújo e por outros 28 “colaboradores” — entre os quais a “comunicadora” Priscila de Sousa, sua irmã.

As promessas vão além. Mas fiquemos, porém, nas áreas eleitas pela prefeita como prioritárias. Micarla concentrou boa parta da sua campanha em críticas à situação da saúde pública na gestão do ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT). Para resolver o problema, anunciou que construiria um Hospital da Mulher na Zona Oeste, um hospital de traumato-ortopedia na Zona Norte e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em cada região da cidade; disse que aumentaria em 10% ao ano o número de especialistas, leitos e ambulâncias, acompanhando o crescimento estimado da população; e se comprometeu em deixar a cidade com 1 médico público para cada 300 habitantes, nas quatro regiões administrativas.

Na educação, a lista de promessas é extensa: construir escolas, melhorar a estrutura das atuais, premiar a cada semestre as escolas melhor conservadas, construir novas escolas em regime de tempo integral, entre outras.

Na habitação, Micarla prometeu criar o “Bônus Moradia” para financiar reformas e a “Bolsa Moradia” para custear aluguéis de famílias removidas de áreas de risco.

As promessas para a segurança pública, se cumpridas, transformariam a cidade num verdadeiro paraíso. Entre outras coisas, anunciou que dobraria o efetivo da guarda municipal dos atuais 500 para 1.000 servidores; criaria rondas noturnas e diurnas motorizadas da guarda municipal; e criaria o Observatório da Violência e do Trânsito. Micarla foi a Bogotá (Colômbia) e a Diadema (São Paulo), gravou imagens para seu programa eleitoral e afirmou que implantaria os programas adotados por essas duas cidades que, com um conjunto de ações articuladas, conseguiram reduzir seus índices de violência.

O saldo da gestão Micarla de Sousa, como se vê, é pra lá de negativo. Faltam realizações, sobram promessas. Até agora, apesar de ter criado a Secretaria de Relações Interinstitucionais e Governança Solidária (Serig), como observou o ex-secretário adjunto da pasta, o sociólogo Paulo Araújo, a prefeita não adotou o modelo da governança como forma de governo. As práticas administrativas, ao contrário, são atrasadas e baseadas no clientelismo.

Perdemos a conta das trocas realizadas pela prefeita no seu secretariado. Para 2011, Micarla anunciou mais uma reforma administrativa. No ano passado, o município contratou os serviços de consultoria Fundação Getúlio Vargas, prometendo implantar um sistema de metas e melhorar a gestão em cada secretaria. Os cidadãos pagaram a conta, mas não viram o resultado.

O que menos se viu nestes dois anos de mandato de Micarla de Sousa foi planejamento, seriedade no trato da coisa pública e empenho verdadeiro para solucionar os problemas da população. A prefeita governa apelando para truques de marketing, faz da emissora de televisão da família dela palanque eletrônico para tentar resgatar sua popularidade e persegue aqueles que ousam criticar sua desastrosa administração.

Micarla brinca o tempo inteiro com a inteligência, a paciência e a boa vontade dos natalenses. Há poucos meses, armou um grande circo para dizer que não haveria aumento da tarifa do transporte coletivo da capital. No início do ano, se licenciou do cargo para fazer uma cirurgia cardíaca, delegando ao vice-prefeito Paulinho Freire a espinhosa tarefa de autorizar o aumento da passagem urbana. Com a estratégia, espera reduzir o impacto negativo da medida sobre a sua minguadíssima popularidade. O feitiço, ao que tudo indica, deverá se voltar contra a feiticeira.

Com 80% de reprovação popular, Micarla é um caso perdido. As pessoas estão cada vez mais insatisfeitas e fazem questão de manifestar isso. A revolta está nas pixações nos muros da cidade, nas manifestações públicas e nos gritos de “Fora Micarla!!!” que surgiram na internet e eclodiram nas ruas.

O desgaste de Micarla

Mais uma notícia recuperada. Li no blog de Laurita Arruda o resultado da pesquisa Perfil sobre a avaliação do primeiro ano de gestão da prefeita Micarla de Sousa (PV). Pelos números, 46,75% da população desaprovam a atuação da pevista, enquanto 30,37% concordam com a forma como a gestora administra a cidade. A turma dos “indiferentes” soma 19,38%.

Ontem, recebi a ligação de um secretário da atual gestão. A pretexto de desejar-me “feliz ano novo”, o secretário revelou sua preocupação com os rumos do governo municipal. “Nós passamos o ano na defensiva, respondendo os ataques da oposição. Desde aquela viagem desastrada para Portugal, é só desgaste”, desabafou.

Esse desgaste é resultado de várias ações desastradas da gestão que aí está. Além do “Voo Colombo” (a caravana de 40 pessoas que a prefeita levou para Portugal com dinheiro público), teve o escândalo da Funcarte (o misterioso pagamento dos salários atrasados de 85 servidores da instituição na conta corrente de um motorista), a controversa decoração natalina, o exorbitante cachê do padre Fábio de Melo (R$ 221 mil por um show) e o aumento astronômico do IPTU dos moradores da Zona Norte.

Mas esses espisódios são apenas sinais de fumaça. A verdadeira explicação para a insatisfação da maioria dos natalenses é a frustração do povo diante das expectativas depositadas na prefeita. Micarla venceu a eleição de 2008 com o discurso do “crescimento sustentável” e com a promessa de resolver rapidamente os maiores problemas da população: saúde, segurança e educação. A solução – repetia a então candidata – é o planejamento.

O que vimos até aqui, porém, contradiz o discurso da campanha. Nas três áreas escolhidas como prioridade a prefeita ainda não disse a que veio. Não há sinais de planejamento. Tudo cheira a improviso. As pessoas reclamam da falta de médicos nos postos de saúde, da elevação da tarifa de ônibus, do trânsito cada vez mais caótico, das ruas esburacadas, da violência… A lista é quase inesgotável.

Micarla passava a impressão que, assim como o rei Midas, tinha o poder de transformar tudo o que tocava em outro. O povo acreditou e a consagrou prefeita. Mas parece que o encantamento (e a paciência das pessoas) está quase no fim.

Deu na Folha: Micarla incha secretariado

A notícia passou despercebida, mas ainda é tempo de resgatá-la. Uma matéria da Folha Online (31/12) revelou que os prefeitos de 11 capitais brasileiras ampliaram o número de secretários no primeiro ano de mandato. A prefeita Micarla de Sousa (PV) está entre os gestores que aumentaram o primeiro escalão.

A matéria destaca que “a reforma na estrutura, em alguns casos, é seguida de aumento dos custos“. A Prefeitura de Natal não informou se houve aumento de gastos com a criação das novas secretarias municipais.

Entre as novas pastas criadas pela prefeita natalense está a Secretaria de Assuntos Parlamentares, ocupada pelo aspone Eugênio Bezerra, aquele que chama funcionário público de ladrão e ameaça revelar os “babados fortes” dos jornalistas que criticam a administração municipal.

Invasão de privacidade

A vida nesta província chamada Natal não é nada fácil. Pior ainda se você é jornalista e não vende sua alma ao diabo – metaforicamente falando, claro.

A jornalista Laurita Arruda repercutiu em seu Território Livre as declarações do presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, que afirmou que estava “cagando e andando” para o que disessem dele.

Depois disso, a jornalista virou o alvo da vez dos bad boys do borboletário (crédito para Adriano Sousa) e viu sua intimidade virar notícia nos blogues de aluguel dos aspones da vida.

No Twitter, o vereador Paulo Wagner (PV), que recentemente desceu o nível contra o jornalista e professor Ricardo Rosado, seguiu a mesma estratégia e aproveitou pra fazer piada com a vida amorosa da blogueira.

O marido da prefeita Micarla de Sousa (PV), Miguel Webber, achou a piada de Paulo Wagner engraçada e retuitou a mensagem.

Pra essa turma, não há limites. Eles agem unidos, perseguem e intimidam quem não se alinha. É uma verdadeira patrulha. Tudo para tentar calar quem ousa discordar do status cuo.

 

 

A ‘cagada’ do presidente da Funcarte

Aos leitores mais conservadores, peço que não se escandalizem com o título do post. Mas não há palavra mais apropriada pra definir o episódio: uma tremenda cagada, daquelas cujo rastro da fedentina pode ser sentido a quilômetros de distância.

Na edição de domingo (22) do “Novo Jornal”, o presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, deu a seguinte declaração: “Estou cagando e andando para o que dizem de mim; trabalho há 25 anos com jornalismo cultural”.

Para quem não sabe, o presidente da Funcarte é o responsável — pelo menos oficialmente — pela promoção da política cultural da cidade.

Rodrigues Neto — figura das mais simpáticas, registre-se — afirma que trabalha há mais de duas décadas com “jornalismo cultural”, como se isso o credenciasse para o cargo que ocupa.

Tenho calafrios quando jornalistas se dizem “especialistas” em alguma coisa, principalmente em cultura.

“Especialistas” que não sabem desenhar um ó com a quenga de um coco proliferam como erva daninha.

Quando folheio os cadernos culturais dos nossos jornais, quase sempre termino frustrado, porque há pouquíssimo de cultura ali.

Então, quando Rodrigues Neto alardeia sua experiência em “jornalismo cultural”, pra mim, não diz nada.

O presidente da Funcarte diria mais se expusesse claramente o que danado pensa sobre cultura, se revelasse pra nós que fazemos parte desta massa inculta um pouco do seu vasto conhecimento cultural e, finalmente, o que raios planeja pra essa área tão desprezada pelos sucessivos governos — além de “apoiar as quadrilhas juninas da cidade”, como disse em entrevista a outro jornal.

Mas a verborragia de Rodrigues Neto é só mais um episódio envolvendo subordinados da prefeita Micarla de Sousa (PV) que se metem a fazer declarações irresponsáveis.

Primeiro foi o aspone mais próximo da prefeita, Eugênio Bezerra, secretário do quê mesmo, hein?!, que chamou os funcionários públicos de “ladrões” (o caso está contado aqui).

Agora é Rodrigues Neto, meio que zombando desta plebe rude, que declara: “Estou cagando e andando para o que dizem de mim“.

A prefeita Micarla de Sousa, pelo menos publicamente, não se pronunciou em nenhuma das ocasiões. Preferiu adotar o silêncio covarde, cúmplice e conivente.

Transcrevo trecho do artigo de Adriano Sousa publicado na edição de ontem (25) do Novo Jornal: “Não se conhece palavra ou ação da alcaidina para enquadrar os bad boys do borboletário, lembrando-lhes que o decoro lingüístico é necessário e desejável em funções públicas, no mínimo como evidência de decoros maiores e mais vantajosos no manejo dos nossos réis“.

Caso estivéssemos numa cidade séria, os dois secretários teriam sido demitidos imediatamente. Mas estamos em Natal, sob o reinado de uma prefeita que se julga acima do bem e do mal.

Comenta-se que a prefeita é refém de alguns “bad boys do borboletário” (genial, Adriano!) e, por isso, não ousa contrariá-los, mesmo quando a “cagada” que cometem é grande demais.

Comenta-se ainda que a relação entre a lepidóptera e os insetos menores é na base do amor e ódio.

Pra mim, Eugênio Bezerra e Rodrigues Neto são alter egos de Micarla de Sousa. Eles são, cada um do seu jeito, expressões não declaradas da personalidade da prefeita.

 

 

“Natal em Natal”: R$ 600 mil só com iluminação

Do Blog de Diógenes Dantas (comento em seguida):

 

Natal em Natal sob suspeita

Parece que não foi apenas “cansaço” que derrubou o artista plástico Cesar Revorêdo do comando da Funcarte – fundação que cuida da Capitania das Artes -, em Natal.

Uma fonte me revelou que uma proposta de iluminação e decoração da cidade no período natalino, cujo montante pode ser de 600 mil reais – só o projeto, sem a execução -, teria sido o verdadeiro motivo da queda de Revorêdo.

Uma consultoria gaúcha, que teria promovido as iluminações em Gramado e Pelotas, teria sido apresentada a César Revorêdo. E esta mesma empresa teria sugerido o projeto de 600 mil reais.

Algo similar realizado em Gramado e Pelotas não saiu por mais de 80 mil reais, segundo a minha fonte. E a turma lá no sul reclamou muito do preço, achou caro.

Pois bem. César Revorêdo também achou caro e disse que não tinha dinheiro para gastar no projeto, cujo valor seria a metade de tudo que a Prefeitura de Natal investirá no evento, que já virou tradição no final do ano.

A negativa de Revorêdo provocou o processo de “fritura” e o ex-auxiliar caiu em desgraça perante o colega-secretário que apresentou a consultoria gaúcha.

Segundo eu soube, representantes da empresa que apresentou o projeto de iluminação estão hospedados há mais de um mês num dos hotéis da Via Costeira, aguardando o sinal “verde” da gestão de Micarla de Sousa.

A conta do hotel já passa dos 30 mil reais, segundo me contaram. E o dono do hotel já anda agoniado com medo do calote.

Vamos esperar que a “história” que me contaram não passe de um “conto de natal”. Se não…

 

Cadê o ministério público?!

No Panorama Político, Ana Ruth informou que o custo total da decoração natalina será de R$ 3,2 milhões.

Torrar R$ 3,2 milhões — R$ 600 mil só com iluminação — com decoração natalina é um escândalo.

Mais que isso. É um escárnio com a população, obrigada a conviver com péssimos serviços públicos.

A prefeita confunde a cidade com um estúdio de televisão, em que basta um pouco de luz, brilho e um cenário bonito pra dar a impressão que a vida é um grande programa de auditório.

 

Escândalo na cultura natalense

Após denúncia do Diário de Natal, o presidente da Funcarte, César Revorêdo, entregou o cargo.

É mais um secretário que abandona o barco da prefeita Micarla de Sousa (PV). A diferença é que, neste caso, o secretário sai enfrentando pesadas acusações de uso irregular do dinheiro público.

Esperamos que o caso não pare neste pedido de demissão. Pelo contrário. Em respeito à coisa pública, cobramos uma investigação aprofundada deste escândalo, com punição exemplar dos possíveis culpados.

Leiam, a seguir, a íntegra da matéria do DN:

 

César Revorêdo entrega o cargo

Decisão foi tomada depois da denúncia de que a Funcarte usou um motorista para pagar funcionários

Depois de uma reunião de quase duas horas com a prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV), no final de tarde de ontem, o artista plástico César Revorêdo entregou o cargo de presidente da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), que ocupava desde o início da administração. Hoje à tarde, a partir das 14h, ele concederá entrevista coletiva na sede da Funcarte para explicar os motivos da sua decisão e fazer um balanço do período em que ficou à frente da instituição cultural.

O pedido de César Revorêdo foi feito através de uma carta entregue à prefeita, na qual ele agradeceu o convite e expôs ações desenvolvidas durante a sua gestão. Ainda não houve a confirmação de quem irá substituir o ex-secretário. Entretanto, o nome mais provável é do jornalista Rodrigues Neto, que ocupa atualmente o cargo de vice-presidente da Fundação.

Na última sexta-feira, o Diário de Natal publicou matéria denunciando o pagamento de salários atrasados de 85 funcionários da Funcarte, realizado através de um depósito no valor de R$ 180.790,17 na conta do motorista César Jones da Silva. O pagamento é relativo aos meses de março, abril, maio, junho e julho deste ano. Segundo César Revorêdo, a escolha do procedimento teria ocorrido pela necessidade de agilizar os pagamentos. Ele explicou também que a indicação específica do motorista correu porque nem todas as pessoas com salários atrasados possuía [sic] conta corrente. O ex-presidente garantiu que não houve desvio de recursos e nem lesão [sic] ao erário público, já que todas as pessoas receberam aquilo que lhes era devido. Até março, esses servidores – que não são comissionados, terceirizados ou efetivos – recebiam os salários por meio de convênio entre a Funcarte e a Cooperarte. Diante do fim do convênio, os servidores ficaram desamparados. Mas, por uma decisão da presidência da Fundação, continuaram prestando serviço até que a situação fosse regularizada.

A Controladora Geral do Município, Regina Mota, informou que orientou Revorêdo a realizar os depósitos de forma individulaizada, ainda que fosse necessário abrir uma conta corrente para cada servidor. Segundo ela, o precedimento adotado para o pagamento não é normal e nem de praxe no serviço público. 
  

Enquanto a Copa não vem, vamos aos copos

A frase que dá título ao post é da lavra de Woden Madruga, em sua coluna na Tribuna do Norte. Em tom sarcástico, pero sin perder la doçura, o veterano jornalista discorre sobre política, carnaval e Darwin:

Lixo

Enquanto a Copa não vem (vamos aos copos) a Cidade  mergulha na falta de segurança (total e absoluta), no lixo passando do meio fio, do caos no Trânsito pegando carreira com o caos da Saúde Pública.

No meio dessa tragédia toda, tem ainda as sessões da Câmara de Vereadores e a tuitagem na Assembleia Legislativa. Olha-se no calendário político: Falta menos de seis meses para terminar o mandato da governadora Wilma. E administração de Micarla galopa para completar um ano. Nonada.

Nesse meio tempo vem o Carnatal, vem o verão e com ele os parrachos. Ah! os papos dos parrachos!

Estamos mesmo no ano do bicentenário de Darwin. Foi  num papo desses de parrachos, entre o Atlântico e o Pacífico, que Darwin teve o estalo da teoria da evolução. Foi, bicho! 

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