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O impeachment de Micarla

Tácito Costa, em seu Substantivo Plural, fez uma análise da administração Micarla de Sousa em Natal e disse ser contra o impeachment da prefeita-borboleta, como vem sendo defendido por cada vez mais pessoas nas redes sociais, principalmente o Twitter.

Manifestei, diversas vezes, minha opinião contrária ao impeachment de Micarla. Defendo que a prefeita deve sentir nas urnas a manifestação da reprovação popular. Talvez, só assim, quando não lhe restar mais nenhum artifício de marketing, ela se dê conta da própria inépcia para o cargo e do abismo político em que se encontra.

Temos, apenas, que o “efeito pedagógico” a que Tácito Costa se refere seja só utopia. Nossa sociedade é politicamente imatura. O preconceito é algo mais arraigado do que supõe nossa vã filosofia.

Vide o que aconteceu no segundo turno da eleição presidencial de 2010, quando Dilma Rousseff foi derrotada em Natal devido a onda de boatos fascistas/religiosos. Outro exemplo é a sequência de derrotas da deputada federal Fátima Bezerra (PT) nas disputas pela Prefeitura de Natal.

Em vez de competência, seriedade e ética, a maioria valoriza abstrações como carisma, simpatia e até mesmo beleza como atributos definidores do seu voto. Enquanto o povo pensar dessa maneira, estamos constantemente sujeitos ao aparecimento de novas Micarlas.

Eis o texto de Tácito:

 

Apesar da devastação e desesperança que legou a Natal em apenas dois anos de mandato, Micarla de Sousa deve continuar como prefeita. O seu impeachment, defendido com um certo voluntarismo juvenil nas redes sociais, principalmente no Twitter, não é a solução política para a cidade.

Por duas razões principais: daria o mandato ao vice Paulinho Freire, político acanhado e uma incógnita administrativa, de perfil conservador e alinhado ainda mais à direita; poderia ensejar uma vitimização de Micarla, uma política forjada de forma artificiosa pelo marketing, mas com domínio da demagogia e que poderia sair fortalecida do processo.

Por isso, não faz sentido o “fica Paulinho” bradado por alguns nas redes sociais. O risco seria mudar para tudo continuar igual, conforme a famosa advertência empregada por Lampedusa em seu “O Leopardo” (“Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”).

Bebamos esse cálice amargo até o fim.

É possível que a gestão micarlista tenha um efeito didático, pedagógico mesmo sobre os eleitores. Principalmente porque corpinhos bombados e rostinhos bonitos já se insinuam para assumirem o lugar da atual prefeita na próxima eleição. Então, deixemos ela e sua troupe cumprirem até o fim o ciclo de desatinos para com Natal.

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Idas e vindas de Micarla

Na avaliação dos dois anos da gestão Micarla de Sousa em Natal, disse que a prefeita governa na base do marketing. Tudo parece teatro, encenação e espetáculo nessa administração. A jogada mais recente envolve a novela do seu retorno ao comando da Prefeitura, após se licenciar para se submeter a uma cirurgia cardíaca em São Paulo.

No final de dezembro, Micarla convovou a imprensa pra anunciar que se licenciaria do cargo, porque faria uma cirurgia cardíaca no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. A cirurgia foi realizada no dia 14 de janeiro. De acordo com a recomendação médica, a prefeita deveria ficar ausente por pelo menos 30 dias.

No final de semana passado, porém, ela avisou que reassumiria na segunda-feira (31) seu posto no Palácio Felipe Camarão, que vinha sendo ocupado interinamente pelo vice, Paulinho Freire.

Especula-se que a interinidade de Paulinho teria provocado os ciúmes de Micarla. A prefeita teria ficado incomodada com as comparações que estariam sendo feitas entre sua gestão e o curtíssimo período de mandato de Paulinho Freire.

O desgaste de Micarla é tamanho que mesmo as medidas impopulares tomadas pelo vice, como o aumento da passagem urbana, em vez de respingarem nele, colaram como tatuagem nela.

As manifestações pedindo a saída de Micarla da Prefeitura se intensificaram. Enquanto isso, surgia o movimento “Fica, Paulinho”. Não que o vice seja melhor que a titular, mas diante da desilusão com Micarla, qualquer um que sentar na cadeira de prefeito contará com mais simpatia do povo.

Eis que repentinamente a prefeita recuou e decidiu não reassumir o cargo. Dizendo-se surpreendida com o “ritmo acelerado do coração”, avisou que iria repousar um pouco mais e só voltaria após liberação médica. 

Mas, numa nova jogada marqueteira, Micarla mudou mais uma vez de ideia, disse que iria “contrariar as ordens médicas” e anunciou que estava no pedaço a partir desta terça-feira (1º).

Voltou com o trololó de sempre, dizendo que se sente “bem e determinada para cumprir minha missão de administrar Natal”. Prometeu trabalhar “incansavelmente para apresentar os resultados que a população esperar”.

Paulinho Freire, na primeira entrevista que deu ao voltar à condição de vice, admitiu que a administração da chefe vive um “desgaste” e afirmou que a gestão PV/PP/DEM “ficou devendo nos dois primeiros anos”.

Pra nós, pobres mortais, não resta outra coisa a não ser contar os dias pra que esse pesadelo protagonizado pela dupla Micarla/Paulinho à frente da Prefeitura de Natal chegue ao fim.

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