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Efeitos dos programas sociais

Duas notícias da sexta-feira (16) passaram despercebidas, mas ainda merecem destaque.

A primeira dá conta de uma pesquisa segundo a qual o programa Fome Zero, criado no início do primeiro mandato do presidente Lula, reduziu a desnutrição infantil em 73% e a mortalidade infantil em 45% no Brasil. 

A outra revela o resultado de um estudo que apontou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões provocado pela expansão do Bolsa Família.

É pra fazer aqueles que chamam os programas sociais de “esmolas” e “fábrica de vagabundos” reverem seus conceitos. Leiam:

 

Da Folha Online:

Fome Zero reduziu a desnutrição infantil em 73%, diz ONG

O grupo ativista ActionAid divulgou relatório nesta sexta-feira elogiando o Brasil e a China pelos esforços feitos para combater a fome nos países. O documento cita o programa Fome Zero, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reduziu a desnutrição infantil em 73% e a mortalidade infantil em 45% no Brasil. A China reduziu o número de pessoas que passam fome em 58 milhões ao longo de dez anos. (Íntegra Aqui)

 

Do Estadão:

Expansão do Bolsa-Família elevou PIB em R$ 43,1 bilhões, indica estudo

Economista e aluno do Insper pesquisaram efeitos do projeto na economia dos municípios entre 2004 e 2006

Fernando Dantas, RIO

 

A expansão do valor total dos benefícios pagos pelo Bolsa-Família entre 2005 e 2006, de R$ 1,8 bilhão, provocou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões, e receitas adicionais de impostos de R$ 12,6 bilhões. Esse ganho tributário é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa-Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões.

Essas estimativas estão num estudo recém concluído dos economistas Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec-São Paulo, e de Paulo Henrique Landim Junior, aluno da graduação do Insper.

O objetivo do trabalho era investigar os efeitos do Bolsa-Família – que hoje atinge 12,9 milhões de famílias – na economia dos municípios. Os pesquisadores investigaram 5,5 mil municípios nos anos de 2004, 2005 e 2006. Os dados utilizados foram o PIB, a população e a arrecadação de tributos nos municípios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e os desembolsos do Bolsa-Família, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

A partir dessa base, Menezes e Landim empregaram métodos estatísticos para calcular o impacto na economia municipal de aumentos dos repasses do programa per capita – os repasses divididos pela população do município (e não pelo número de beneficiários). A conclusão foi de que um aumento de 10% no repasse médio per capita do Bolsa-Família leva a uma ampliação de 0,6% no PIB municipal no ano em que ocorre a expansão e no seguinte.

“O impacto pode parecer pequeno, mas quando analisamos os efeitos levando em conta os números absolutos do PIB, ele é bem grande”, diz Menezes.

A magnitude do efeito do Bolsa-Família no PIB ficou a clara quando os pesquisadores fizeram o que chamaram de “análise de custo-benefício”, tomando os anos de 2005 e 2006. Entre os dois períodos, os repasses do programa subiram de R$ 5,7 bilhões para R$ 7,5 bilhões, num salto de R$ 1,8 bilhão, ou de 30,34%. O valor médio do repasse em 2006 foi de R$ 61,97 por família, e o porcentual da população beneficiada foi de 36,4%.

Considerando-se a relação de 0,6% a mais de PIB para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o aumento de 30,34% em 2006 significa um ganho no conjunto dos municípios – isto é, do País – de 1,82%. Aplicado ao PIB de 2006 de R$ 2,37 trilhões, chega-se ao PIB adicional de R$ 43,1 bilhões. Dessa forma, para cada R$ 0,04 de Bolsa-Família a mais, o ganho de PIB foi de R$ 1.

Menezes fez cálculos adicionais, levando em conta que a distribuição do aumento do Bolsa-Família de 2005 para 2006 não foi homogênea entre todos os municípios brasileiros, e obteve resultados muito parecidos.

Ele diz que aquele efeito explica-se pelo chamado “multiplicador keynesiano”, que faz com que um gasto adicional circule pela economia – de quem paga para quem recebe – várias vezes, aumentando a demanda bem mais do que o seu valor inicial.

A análise dos dois economistas permitiu avaliar também o impacto dos aumentos de repasses do Bolsa-Família nos diferentes setores da economia municipal. O maior efeito foi encontrado na indústria – para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o PIB industrial aumenta 0,81%. Nos serviços, o impacto foi de 0,19%, enquanto na agricultura não foi registrado efeito significativo.

“É possível que a indústria tenha sido mais afetada por causa do aumento de consumo de energia elétrica, água, esgoto e gás das famílias pobres e extremamente pobres que recebem Bolsa-Família”, diz Menezes.

No caso da arrecadação municipal, o estudo indica que um aumento de 10% nos repasses leva a um aumento médio de 1,36%. Levando-se em conta o total de impostos gerados nos municípios em 2006, de R$ 304,7 bilhões, concluiu-se que o aumento de 30,34% do Bolsa-Família provocou uma alta de 4,1% na arrecadação, ou R$ 12,6 bilhões.

NÚMEROS

R$ 7,5 bilhões
foi o total gasto com o Bolsa-Família em 2006

R$ 1,8 bilhão
refere-se à parcela que superou o gasto de 2005

R$ 43 bilhões
foi o PIB gerado pelo gasto adicional com o Bolsa-Família em 2006

R$12,6 bilhões
foi a receita adicional de impostos com o programa em 2006

 

Ainda sobre o IDH

Faltou uma informação sobre o IDH.

O Brasil melhorou em todas as categorias: expectativa de vida ao nascer; proporção de adultos analfabetos; taxa bruta de matrícula escolar; e no PIB per capita.

Leiam, abaixo, trecho da matéria do Portal Vermelho:

 

IDH do Brasil avança mas em ritmo ainda lento, diz Pnud

Brasil tem um histórico de aumento contínuo e constante do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), porém, a passos muito curtos. Essa é a constatação do coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano 2009 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Flávio Comim.

(…)

O documento foi divulgado hoje (5) e mostra que o país ocupa a 75ª posição em um ranking que inclui 182 nações. Segundo o relatório, o Brasil não tem conseguido avançar na lista. De 1980 a 2007, o IDH brasileiro aumentou apenas 0,63%.

No ano passado, o país ocupava o 70º lugar, mas uma revisão de dados fez com que a Dominica, a Rússia e Granada, subissem no ranking, ultrapassando a posição brasileira. “Dominica e Granada foram beneficiadas pelo aumento da expectativa de vida quando houve a revisão dos dados. No caso da Rússia, foi o aumento da renda que pesou”, explicou o coordenador.

Além disso, a entrada de Andorra e Liestenstein no ranking divulgado este ano (referente a 2007), também em posições acima da brasileira, fez com que o país caísse cinco posições, apesar de seu valor bruto no índice ter subido de 0,808, em 2006, para 0,813, em 2007.

De acordo com Comim, isso significa que o Brasil permanece na mesma posição. “Se um país cresce pouco, ele acaba ficando para trás no ranking”, explicou. Na análise dele, o maior desafio para que o Brasil consiga elevar consideravelmente sua posição no ranking é aumentar a expectativa de vida da população, que atualmente é de 72 anos em média – dez a menos do que a japonesa, por exemplo.

Nesse ponto, o maior entrave, segundo Comim, tem sido a alta taxa de mortalidade infantil brasileira. “Isso está ligado não só à saúde, mas também à educação. Por exemplo, entre as crianças filhas de mães sem nenhum acesso à educação, as taxas de mortalidade infantil chegam a 119 por mil nascidos vivos. É um número maior do que os de muitos países africanos”, afirmou o coordenador.

Para ele, aplicar 7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro na saúde é pouco. “Faz 30 anos que o Brasil está atrás da Argentina, do Uruguai e do Chile no índice. O que puxa o IDH brasileiro para baixo é a saúde, a expectativa de vida”, destacou. Além disso, ele disse que a taxa média de matrícula de 87,2% nos níveis fundamental, médio e superior acaba sendo prejudicada pelo alto índice de analfabetismo.

“Se olhássemos apenas a taxa de matrícula, teríamos um IDH igual ao de países desenvolvidos. Mas, quando se acrescentam os 10% de analfabetos, isso puxa o IDH da educação para 71º [lugar]. Se olhássemos só a expectativa de vida, nosso IDH seria o de 82º.”

Apesar disso, ele reconhece que os programas de transferência de renda do governo podem ter reflexos positivos no índice. “Com esses programas, as crianças estão tendo acesso à alimentação e nutrição. Então, mais tarde, pode sim aparecer o resultado disso na expectativa de vida”, afirmou Comim.

O diretor de Análises do Ministério da Saúde, Otaliba Libanio, questionou os dados do Pnud. Segundo ele, o IDH foi baseado em informações defasadas e considera a taxa de mortalidade infantil do último Censo, ou seja, de 1991 a 2000. Para ele é preciso “buscar uma harmonização dos dados com o Ministério da Saúde”. “Eu tenho certeza de que, quando sair o censo do ano que vem, vamos ter uma melhora no índice”, afirmou Libanio.

De acordo com o diretor, atualmente, a taxa de mortalidade infantil brasileira é de 17,9 crianças de até 5 anos a cada mil nascidas vivas. “Nos último dez anos foram criadas várias inciativas, como o Saúde da Família, que ajudaram a baixar a taxa de mortalidade infantil. Nós, inclusive, vamos conseguir alcançar a meta do milênio nessa área antes do prazo previsto.”

 

Perceberam a sutil diferença entre uma matéria honesta e outra tendenciosa, como a do UOL?

‘Le Monde’: Lula teve ‘visão correta’ ao falar que crise era ‘marolinha’

Os números do PIB do último trimestre (+ 1,9%) e da geração de empregos em agosto (+ 242 mil vagas) mostraram que o Brasil lidera a retomada do crescimento mundial após a crise econômica global.

Antes, quando economistas afirmavam que estávamos na iminência do apocalipse, o presidente Lula zombou dos profetas do caos e disse que a crise por aqui era só uma ‘marolinha’. Lula foi crucificado pela declaração. Mas nada como o tempo pra mostrar quem estava com a razão.

A oposição apostava que o país iria à lona e, em consequência, a popularidade de Lula iria minguar até 2010. O PIG fez festa antecipada para José Serra, o presidente de férias. Mas as coisas não seguiram essa lógica catastrófica e, para desespero dos urubus de plantão, Lula surfa na onda da retomada do crescimento.

O jornal francês  ‘Le Monde’ publicou artigo nesta quinta-feira (17) dizendo que Lula acertou ao dizer que a crise era só uma ‘marolinha’, segundo informa o UOL Notícias.

Leia a matéria completa abaixo:

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão “bastante correta” ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma “marolinha”, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira (leia a matéria em português aqui).

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real.

“A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais”, afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado “A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics”, o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo – Brasil, Rússia, Índia e China – um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países

 
“É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna”, diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.

O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços.

Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses. 

Era só uma marolinha

PIB cresce 1,9% e país sai da “recessão técnica”

Essa é pra quem duvidou quando o presidente Lula disse que a crise econômica no Brasil era só uma “marolinha”. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (11) o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano. Os números desapontaram os profetas do caos, aqueles que apostavam que o país iria à lona na onda da recessão mundial. De acordo com o IBGE, a economia brasileira cresceu 1,9% na comparação com o primeiro trimestre.

Comparando com o mesmo período de 2008, houve uma retração no PIB brasileiro de 1,2%. No primeiro semestre de 2009, o PIB caiu 1,5% ante o mesmo período de 2008. No primeiro semestre de 2009, o PIB caiu 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já nos quatro trimestres (12 meses), o PIB apresentou crescimento de 1,3% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

A previsão do mercado é o PIB brasileiro termine o ano registrando queda de 0,16%. Mas os especialistas esperam um 2010 bem melhor, com crescimento de 4%.

Leia mais aqui.

Fim da crise: Brasil cresceu entre 1,8% e 2,0% no 2º trimestre

Ministro Guido Mantega

Ministro Guido Mantega

Em entrevista à Agência Reuters, ontem (4), em Londres, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia brasileira cresceu até 2% no segundo trimestre deste ano e está no caminho de se expandir 5% ao longo de 2010.

 

“As medidas adotadas no Brasil tiveram efeito e o Brasil é um dos primeiros países a sair da recessão”, disse a jornalistas em Londres, onde participa do encontro de ministros de Finanças do G20.

“Nós teremos crescimento de 1,8% a 2,0% no segundo trimestre.”

O desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de abril a junho será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana que vem.

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