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Blogueiros Progressistas do RN debatem comunicação, política e ativismo social

No último final de semana, o movimento dos Blogueiros Progressistas do RN realizou seu primeiro Encontro Estadual em Natal, com a presença da educadora, historiadora e ativista social Conceição Oliveira, autora do blog “Maria Frô. Democratização da comunicação, redes sociais, governança solidária, gestão e políticas públicas foram alguns dos temas tratados durante o evento realizado no auditório do IFRN da Cidade Alta.

No debate de abertura sobre militância na rede, Conceição Oliveira destacou que, com a explosão da blogosfera, o jornalismo tradicional precisou se “refazer”. “Uma das riquezas da internet é que, quando você tem contribuições de outras áreas, você faz o jornalismo se refazer. É preciso contextualizar as coisas”.

Como exemplo da força da blogosfera progressista, Conceição citou a eleição presidencial de 2010, quando a grande imprensa jogou pesado para eleger o candidato da direita, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“Olhando o que podemos fazer na blogosfera, fico impressionada com o que as ‘formiguinhas’ podem fazer. Conseguimos vencer toda a mídia institucional nas eleições do ano passado. É impressionante”, comemorou.

Para Conceição, a blogosfera progressista, “apesar das diferenças políticas, tem muita clareza do lugar em que deve estar”. Ela acrescentou que o trabalho da militância de esquerda na rede é ser “contra-hegemônico”.

“Temos que disputar esse campo político. Quando a gente faz esse trabalho de formiguinha, organiza-se, nós fazemos a diferença. Na hora em que o [Jair] Bolsonaro [deputado federal pelo PP-RJ] falou aquilo no CQC , na hora subiu uma tag no twitter. A gente estava de olho, estamos envolvidos de uma maneira que não deixamos nada passar. Nós somos solidários quando a causa vale a pena”.

No dia 23/03, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou o que o deputado faria se seu filho namorasse uma negra, Bolsonaro disse que seus filhos não corriam esse risco, muito menos tornarem-se homossexuais, porque não haviam sido criados em ambiente promíscuo.

Por causa das declarações racistas e homofóbicas, o presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro), Wadih Damous, pediu a cassação do mandato de Bolsonaro.

“O desafio é sair dessa fase puramente militante”

Conceição enfatizou que o desafio da blogosfera progressista é “sair dessa fase puramente militante”, porque a grande imprensa atua, verdadeiramente, “como um partido político”.

“Fazemos uma oposição cerrada a esse jornalismo cheio de factóides, sem compromisso com a verdade. Há dezenas de casos que dariam pra fazer tese de factóides que viraram capa da ‘Veja’. Nós estamos lidando de fato com um partido político. Os leitos que inventaram a expressão PIG [Partido da Imprensa Golpista]têm toda razão”, pontuou.

Como exemplo desta atuação partidária da imprensa conservadora, Conceição lembrou das constantes crises fabricadas para derrubar o governo Lula.

“Como é que você tem uma imprensa que, durante oito anos, criou crises dia a dia? As críticas que o governo Lula merecia foram feitas pela esquerda. Lula foi chamado de ‘estuprador’, foi chamado de cerceador da liberdade de imprensa, mas não fez um enfrentamento contra essa mídia”.

Conceição conclamou os blogueiros progressistas a cerrarem fileiras para que o novo marco regulatório da comunicação se torne realidade.

“Nosso grande desafio é fazer esse marco regulatório sair do papel. Ele não vai sair como queremos, mas precisamos que saía o mais próximo possível. Mesmo sem o marco, temos uma legislação que é constantemente desrespeitada, principalmente pelas TVs”.

O Projeto de Lei que regulamenta os meios de comunicação no Brasil foi consluído no fim do governo Lula e estava pronto para ser enviado ao Congresso Nacional. Com a posse da presidenta Dilma Rousseff, o novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, recolheu o projeto para fazer nova “avaliação” — o que indica que, sem pressão popular, o documento não sairá da gaveta.

Alerta

Conceição observou ainda que é preciso “politizar o debate” sobre a disputa política. Para ela, quando se limita ao “poder pelo poder”, mesmo no campo da esquerda, a disputa não vale a pena.

Citando o caso de Natal, onde se vive um caos administrativo sob a administração da prefeita Micarla de Sousa (PV), cuja eleição se apoiou numa combinação de populismo, preconceito e xenofobismo, Conceição alertou para a urgência de nos organizarmos “para impedirmos que outro oportunista chegue ao poder”.

Mais debates

Além do debate com Conceição Oliveira, o encontro promoveu uma discussão sobre políticas nas áreas da Educação, Saúde, Cultura e Segurança, reunindo à mesa a educadora Cláudia Santa Rosa, o ex-diretor do Conselho Nacional de Saúde Francisco Júnior e os jornalistas Tácito Costa e Cézar Alves.

A programação do sábado terminou com um debate com o sociólogo Paulo Araújo, consultor da Unesco, sobre redes sociais, governança solidária e gestão pública.

No domingo pela manhã, os blogueiros revisaram a aprovaram a Carta de Natal, com os pontos programáticos que serão defendidos pelo movimento e servirão para orientar as próximas ações e debates do Blogprog-RN.

O I Encontro dos Blogueiros Progressistas do RN reuniu uma média de 30 participantes, entre blogueiros, tuiteiros, usuários de outras redes sociais e ativistas sociais. O evento contou ainda com as ilustres presenças da deputada federal Fátima Bezerra (PT), do deputado estadual Fernando Mineiro (PT) e do vereador George Câmara (PCdoB).

Apesar da ausência, os vereadores Raniere Barbosa (PRB) e Júlia Arruda (PSB) contribuiram para a realização do Encontro do Blogprog-RN e, por isso, merecem nosso agradecimento.

Caetano defende Bethânia e ataca a “Veja” e a “Folha”

Tenho muitas ressalvas ao pensamento político de Caetano Veloso, mas, neste artigo, concordo com tudo o que disse o irmão de Maria Bethânia. Ao comentar o linchamento vivido pela irmã, criticou o jornalismo praticado pela Veja e pela Folha, afirmou que as duas publicações enganam os leitores e disparou ironias contra três expoentes do PIG: Ricardo Noblat (O Globo), Reinaldo Azevedo (Veja) e Mônica Bergamo (Folha). “Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades“, protestou.

Leia, abaixo, a íntegra do artigo (via Fala Particular):

Caetano Veloso – Bethânia

Não concebo por que o cara que aparece no YouTube ameaçando explodir o Ministério da Cultura com dinamite não é punido. O que há afinal? Será que consideram a corja que se “expressa” na internet uma tribo indígena? Inimputável? E cadê a Abin, a PF, o MP? O MinC não é protegido contra ameaças? Podem dizer que espero punição porque o idiota xinga minha irmã. Pode ser. Mas o que me move é da natureza do que me fez reagir à ridícula campanha contra Chico ter ganho o prêmio de Livro do Ano. Aliás, a “Veja” (não, Reinaldo, não danço com você nem morta!) aderiu ao linchamento de Bethânia com a mesma gana. E olha que o André Petry, quando tentou me convencer a dar uma entrevista às páginas amarelas da revista marrom, me assegurou que os então novos diretores da publicação tinham decidido que esta não faria mais “jornalismo com o fígado” (era essa a autoimagem de seus colegas lá dentro). Exigi responder por escrito e com direito a rever o texto final. Petry aceitou (e me disse que seus novos chefes tinham aceito). Terminei não dando entrevista nenhuma, pois a revista (achando um modo de me dizer um “não” que Petry não me dissera — e mostrando que queria continuar a “fazer jornalismo com o fígado”) logo publicou ofensa contra Zé Miguel, usando palavras minhas.

A histeria contra Chico me levou a ler o romance de Edney Silvestre (que teria sido injustiçado pela premiação de “Leite derramado”). Silvestre é simpático, mas, sinceramente, o livro não tem condições sequer de se comparar a qualquer dos romances de Chico: vi o quão suspeita era a gritaria, até nesse pormenor. Igualmente suspeito é o modo como “Folha”, “Veja” e uma horda de internautas fingem ver o caso do blog de Bethânia. O que me vem à mente, em ambas as situações, é a desaforada frase obra-prima de Nietzsche: “É preciso defender os fortes contra os fracos.” Bethânia e Chico não foram alvejados por sua inépcia, mas por sua capacidade criativa.

A “Folha” disparou, maliciosamente, o caso. E o tratou com mais malícia do que se esperaria de um jornal que — embora seu dono e editor tenha dito à revista “Imprensa”, faz décadas, que seu modelo era a “Veja” — se vende como isento e aberto ao debate em nome do esclarecimento geral. A “Veja” logo pôs que Bethânia tinha ganho R$ 1,3 milhão quando sabe-se que a equipe que a aconselhou a estender à internet o trabalho que vem fazendo apenas conseguiu aprovação do MinC para tentar captar, tendo esse valor como teto. Os editores da revista e do jornal sabem que estão enganando os leitores. E estimulando os internautas a darem vazão à mescla de rancor, ignorância e vontade de aparecer que domina grande parte dos que vivem grudados à rede. Rede, aliás, que Bethânia mal conhece, não tendo o hábito de navegar na web, nem sequer sentindo-se atraída por ela.

Os planos de Bethânia incluíam chegar a escolas públicas e dizer poemas em favelas e periferias das cidades brasileiras. Aceitou o convite feito por Hermano como uma ampliação desse trabalho. De repente vemos o Ricardo Noblat correr em auxílio de Mônica Bergamo, sua íntima parceira extracurricular de longa data. Também tenho fígado. Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades. Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto “máfia do dendê”, expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um “Verdade tropical”). Pensam o quê? Que eu vou ser discreto e sóbrio? Não. Comigo não, violão.

O projeto que envolve o nome de Bethânia (que consistiria numa série de 365 filmes curtos com ela declamando muito do que há de bom na poesia de língua portuguesa, dirigidos por Andrucha Waddington), recebeu permissão para captar menos do que os futuros projetos de Marisa Monte, Zizi Possi, Erasmo Carlos ou Maria Rita. Isso para só falar de nomes conhecidos. Há muitos que desconheço e que podem captar altíssimo. O filho do Noblat, da banda Trampa, conseguiu R$ 954 mil. No audiovisual há muitos outros que foram liberados para captar mais. Aqui o link: http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/02/Resultado-CNIC-184%C2%AA.pdf

Por que escolher Bethânia para bode expiatório? Por que, dentre todos os nossos colegas (autorizados ou não a captar o que quer que seja), ninguém levanta a voz para defendê-la veementemente? Não há coragem? Não há capacidade de indignação? Será que no Brasil só há arremedo de indignação udenista? Maria Bethânia tem sido honrada em sua vida pública. Não há nada que justifique a apressada acusação de interesses escusos lançada contra ela. Só o misto de ressentimento, demagogia e racismo contra baianos (medo da Bahia?) explica a afoiteza. Houve o artigo claro de Herman Vianna aqui neste espaço. Houve a reportagem equilibrada de Mauro Ventura. Todos sabem que Bethânia não levou R$ 1,3 milhão. Todos sabem que ela tampouco tem a função de propor reformas à Lei Rouanet. A discussão necessária sobre esse assunto deve seguir. Para isso, é preciso começar por não querer destruir, como o Brasil ainda está viciado em fazer, os criadores que mais contribuem para o seu crescimento. Se pensavam que eu ia calar sobre isso, se enganaram redondamente. Nunca pedi nada a ninguém. Como disse Dona Ivone Lara (em canção feita para Bethânia e seus irmãos baianos): “Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há?”

Wikileaks e as eleições de 2010: as vísceras do jornalismo do PIG

Com informações dos blogs Gonzum e Maria Frô

Documentos vazados pelo Wikileaks, sobre as eleições 2010, revelaram que o então candidato tucano José Serra apostava suas fichas em Marina Silva (PV) para ser sua vice e ajudá-lo a derrotar Dilma Rousseff (PT). A informação foi repassada ao cônsul americano pelo colunista da Veja, Diogo Mainardi, que lhe contou sobre uma conversa que teve com o ex-governador de São Paulo.

Com base nas informações de Mainardi, o cônsul americano afirma que José Serra pediria a Marina Silva para ser a vice dele. Diante da improbabilidade disso acontecer, o tucano esperava o apoio dela no segundo turno da eleição de 2010.

Na mesma nota, o diplomata americano conta que, durante um almoço, Mainardi lhe revelou que escreveu um artigo na Veja defendendo a chapa Serra / Marina depois que o tucano lhe disse que a verde era a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Na coluna em questão, Mainardi batizou a dobradinha Serra / Marina de “chapa cabocla”. “Uma chapa formada por José Serra e Marina Silva embaralharia a campanha de 2010, pegando o PT no contrapé e enterrando de vez a desastrada candidatura de Dilma Rousseff”, escreveu o colunista.

Apesar da defesa da “chapa cabocla”, Mainardi confessou ao cônsul que não acreditava na sua concretização. Para o colunista, Marina estava “interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência.

Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, lhe dissera, no início desse mês, que permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice na chapa de José Serra“, diz trecho da nota vazada pelo Wikileaks.

A opinião de Mainardi era compartilhada pelo colunista d’OGlobo, Merval Pereira, que, em encontro no dia 21 de janeiro, disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), estaria disposto a “fazer tudo” para ajudar José Serra, inclusive ser seu vice.

Merval disse acreditar que “não só [Aécio] Neves aceitará ser vice-presidente de Serra, mas também que Marina Silva apoiaria Serra num eventual segundo turno.

Como se sabe, tanto as análises de Mainardi, chamado de “renomado colunista político”, como as previsões de Merval Pereira revelaram-se enormes furadas. O problema é que, ao confundir análise com torcida, os dois colunistas do PIG passaram por cima dos fatos e se apegaram à ilusão de que suas hipóteses virariam verdade por inércia.

A promiscuidade entre a velha imprensa e a direita tucana não é novidade. Além dos delírios de José Serra, o documento do Wikileaks expôs as vísceras do jornalismo praticado pela grande mídia.

Ao emprestarem suas páginas para Mainardi e Merval repassarem os recados ditados pelo tucano, Veja e O Globo trocaram a fantasia da imparcialidade pelas vestes da subserviência.

Dilma no RN: Aeronáutica desmente O Globo

Desde a última sexta-feira (4), a presidenta Dilma Rousseff  desembarcou no Rio Grande do Norte, onde veio se refugiar durante o período momesco no Centro de Lançamento Barreira do Inferno, em Parnamirim. O PIG, com o perdão do trocadilho, aproveitou para fazer carnaval com a notícia.

No mesmo dia em que Dilma chegava ao RN, o jornal “O Globo” saía com uma matéria afirmando que o Comando da Aeronáutica teria gasto R$ 8 milhões para hospedar a presidenta na base militar em Parnamirim.

O Coronel Aviador Marcelo Kanitz Damasceno disse, em nota, que a reportagem errou ao confundir “todo o volume de empenhos” previsto para a base em 2010 com os preparativos para receber Dilma Rousseff.

Leia, abaixo, a íntegra da nota emitida pelo comando da Aeronáutica:

“Em relação à reportagem “Em base militar com praia deserta, Dilma passará carnaval em família” (4/3), o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica esclarece que há equívocos nos dados que podem levar o leitor a uma interpretação errônea dos fatos.

A reportagem erra ao afirmar que ocorreram despesas no valor de R$ 8 milhões tendo em vista a visita da presidente da República. O valor que a reportagem alude possivelmente refere-se aos R$ 7.830.599,10 correspondentes a todo o volume de empenhos emitidos pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) em 2010, de acordo com dados disponíveis no Siafi.

Este valor refere-se às despesas de custeio administrativo de todas as atividades do CLBI em 2010, dentre os quais R$ 2,36 milhões de investimentos realizados para atender às demandas do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), como o lançamento do foguete Improved Orion, previsto para ocorrer em abril deste ano.

As melhorias envolvem reforma do lançador principal, ampliação da casamata, além de construções, como o prédio de montagem de motores e um laboratório para experimentos científicos.

CORONEL AVIADOR MARCELO KANITZ DAMASCENO — Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.”

O polêmico discurso de Dilma no aniversário da Folha

A presidenta Dilma Rousseff compareceu à cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, ontem à noite, quando proferiu um discurso em defesa da liberdade de imprensa. A presença e o discurso da presidenta geraram muita polêmica. Para muitos, Dilma errou ao comparecer ao evento e, mais ainda, ao elogiar o “bom jornalismo” do jornal da família Frias.

Em texto publicado no “Brasília, eu vi“, o jornalista Leandro Fortes afirmou que Dilma, em seu discurso, cometeu o “pecado capital” de ter “corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão”.

Transcrevo, abaixo, a íntegra do artigo de Leandro Fortes (comento em seguida):

Dilma na cova dos leões

Na íntegra do discurso de Dilma Rousseff proferido na cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, disponibilizado na internet pela página do Portal UOL, lê-se, não sem certo espanto: “Estou aqui representando a Presidência da República. Estou aqui como presidente da República”. Das duas uma: ou Dilma abriu mão, em um discurso oficial, de sua batalha pessoal para ser chamada de “presidenta”, ou, mais grave, a transcrição de seu discurso foi alterada para se enquadrar aos ditames do anfitrião, que a chama ostensivamente de “presidente”, muito mais por birra do que por purismo gramatical.

Caso tenha, de fato, por conta própria, aberto mão do título de “presidenta” que, até então, lhe parecia tão caro, este terá sido, contudo, o menor dos pecados de Dilma Rousseff no regabofe de 90 anos da Folha.

Explica-se: é a mesma Folha que estampou uma ficha falsa da atual presidenta em sua primeira página, dando início a uma campanha oficial que pretendia estigmatizá-la, às vésperas da campanha eleitoral de 2010, como terrorista, assaltante de banco e assassina. A ela e a seus companheiros de luta, alguns mortos no combate à ditadura.

Ditadura, aliás, chamada de “ditabranda”, pela mesma Folha.

Esta mesma Folha que, ainda na campanha de 2010, escalou um colunista para, imbuído de sutileza cavalar, chamá-la, e à atual senadora Marta Suplicy, de vadia e vagabunda.

Essa mesma Folha, ora homenageada com a presença de Dilma Rousseff.

Digo o menor dos pecados porque o maior, o mais grave, o inaceitável, não foi o de submeter a Presidência da República a um duvidoso rito de diplomacia de uma malfadada estratégia de realpolitik. O pecado capital de Dilma foi ter, quase que de maneira singela, corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão. Em noite de gala da rua Barão de Limeira, a presidenta usou como seu o discurso distorcido sobre dois temas distintos transformados, deliberadamente, em um só para, justamente, não ser uma coisa nem outra. Uma manipulação conceitual bolada como estratégia de defesa e ataque prévios à possível disposição do governo em rever as leis e normas que transformaram o Brasil num país dominado por barões de mídia dispostos, quando necessário, a apelar para o golpismo editorial puro e simples.

A liberdade de expressão que garantiu o surgimento de uma blogosfera crítica e atuante durante a guerra eleitoral de 2010 nada tem a ver com aquela outra, defendida pela Associação Nacional dos Jornais, comandada por uma executiva da Folha de S.Paulo. São posições, na verdade, antagônicas. A Dilma, é bom lembrar, a Folha jamais pediu desculpas (nem a seus próprios leitores, diga-se de passagem) por ter ostentado uma ficha falsa fabricada por sites de extrema-direita e vendida, nas bancas, como produto oficial do DOPS. Jamais.

Ao comparecer ao aniversário da Folha, a quem, imagina-se, deve ter processado por conta da ficha falsa, Dilma se fez acompanhar de um séquito no qual se incluiu o ministro da Justiça. Fez, assim, uma concessão que está no cerne das muitas desgraças recentes da história política brasileira, baseada na arte de beijar a mão do algoz na esperança, tão vã como previsível, de que esta não irá outra vez se levantar contra ela. Ledo engano. Estão a preparar-lhe uma outra surra, desta feita, e sempre por ironia, com o chicote da liberdade de imprensa, de expressão, cada vez mais a tomar do patriotismo o status de último refúgio dos canalhas.

Dilma foi torturada em um cárcere da ditadura, esta mesma, dita branda, que usufruiu de veículos da Folha para transporte e remoção de prisioneiros políticos – acusação feita pela jornalista Beatriz Kushnir no livro “Cães de guarda” (Editora Boitempo), nunca refutada pelos donos do jornal.

A presidenta conhece a verdadeira natureza dos agressores. Deveria saber, portanto, da proverbial inutilidade de se colocar civilizadamente entre eles.

A parcialidade,  o partidarismo e o reacionarismo da Folha de S.Paulo não são nenhuma novidade. Os episódios descritos por Leandro Fortes ainda estão vivos na memória daqueles que, como eu, se engajaram na eleição de Dilma Rousseff.

Apesar disso, considero exageradas as críticas à presidenta. A meu ver, Dilma teria sido extremamente descortês se não tivesse ido à cerimônia. Ao comparecer, demonstrou uma postura republicana, como convém à situação.

Em relação ao discurso, não vi, em nenhum momento, Dilma se referir à Folha como exemplo de “bom jornalismo”. A presidenta fez uma deferência ao fundador do jornal, Octavio Frias de Oliveira, citando-o como “um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador“.

Ao dizer isso, Dilma estaria concordando com o jornalismo praticado pela Folha? Não. Creio que a presidenta está se referindo somente à qualidade técnica do jornal, sem fazer nenhuma defesa da sua linha editorial, como muitos, apressadamente, interpretaram.

Discordo quando Dilma diz que a Folha ocupou um papel “decisivo em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso das Diretas Já”. Neste ponto, abusou da diplomacia.

Como lembrou Leandro Fortes, o jornal rebatizou a ditadura para “ditabranda” e, à época do regime dos generais, emprestou veículos para transporte e remoção de prisioneiros políticos. A Folha seguiu o mesmo receituário da TV Globo, que aderiu à campanha das Diretas Já apenas quando não havia outra saída.

No mais, Dilma fez um discurso óbvio: condenou a censura, defendeu a liberdade de expressão e disse que o governo “deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia“. Acrescentou, como havia dito durante a disputa eleitoral, que prefere “o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras“.

Dilma afirmou ainda que uma imprensa “livre, plural e investigativa” é “imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais.

A Folha, malandramente, tentou fazer crer que, ao pregar a “liberdade de imprensa e expressão“, Dilma estaria corroborando com o ‘modus operandi’ da grande imprensa e chancelando a doutrina da mídia conservadora — avessa a temas como regulação, controle social dos meios de comunicação e revisão do modelo brasileiro de concessões públicas de rádio e TV.

Não concordo com Leandro Fortes, para quem Dilma fez uma “concessão aos seus algozes”. A presidenta, na verdade, deu um recado ao jornal ao ponderar a necessidade da imprensa ser “livre e plural”. Liberdade de imprensa não é licença para manipular, distorcer ou mesmo inventar os fatos. Quando em vez de informar a mídia tenta influenciar os fatos, significa que extrapolou a sua função e abusou da liberdade.

A Folha é qualquer coisa, menos plural. Na cobertura da eleição presidencial de 2010, dedicou sucessivas páginas a factóides criados pela oposição, publicou na capa uma ficha falsa contra a então candidata petista e apoiou a campanha difamatória e fascista promovida pelo então candidato tucano, o ex-governador de São Paulo, José Serra.

Dilma demonstrou habilidade extrema ao preferir as entrelinhas para dizer o que pensa dos barões da mídia.

 

PIG abafa vexame de Aécio Neves

A imprensa tucana, como era previsível, não repercutiu o barraco protagonizado pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB), domingo passado, em uma festa no badalado Hotel Fasano, Rio de Janeiro. De acordo com pessoas que estavam no evento, Aécio Neves agrediu a namorada com um empurrão e um tapa.

A tragédia da vida privada do governador playboy não teria a menor importância se não se tratasse de alguém que tem a ambição de governar nosso país. Então, interessa a cada brasileiro saber se o neto de Tancredo Neves é ou não agressor de mulheres, é ou não emocionalmente desequilibrado, é ou não chegado num .

Mas a blindagem ao tucano, desta vez, ultrapassou as montanhas mineiras, onde o governador conta com o silêncio conivente da maior parte da imprensa.

O PIG escalou um triunvirato de peso pra defender Aécio: Lauro Jardim, Ricardo Noblat e Lúcia Hipólito.

Lauro classificou o caso como uma “insidiosa campanha de boatos”. Lúcia disse que Aécio é “vítima de ataques pessoais”. Noblat disse que a namorada do governador só “escorregou”. Tropa de choque afiada essa de Aecinho.

Imagino se os atuais indignados com a “insidiosa campanha” contra o tucano ficariam igualmente indignados se os “boatos” fossem contra algum petista.

O medo de Agripino

Li nos jornalões do PIG que o DEM está exigindo a vaga de vice na chapa presidencial do PSDB. Um dos nomes cotados é o do senador potiguar José Agripino.

Mas Jajá declarou que, se chamado, vai declinar do convite, alegando que sua prioridade é a reeleição ao Senado.

Na verdade, Jajá tem medo de embarcar numa canoa furada, porque sabe que José Serra, provável candidato tucano, tem pouquíssimas chances de vencer a ministra Dilma Rousseff (PT), candidata do presidente Lula à sucessão.

É só uma questão de tempo pra candidatura da petista crescer — mesmo com o jogo pesado da mídia tucana contra a ministra. Uma pesquisa que o próprio DEM encomendou revelou que a situação do tucano não é nada boa. Dilma supera ou empata com Serra em quatro estados: Distrito Federal, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Agripino não tem coragem de entrar numa partida tão disputada e correr o risco de ficar sem nada. Em 2006, Jajá tentou ser vice de Alckmin, mas o PSDB o boicotou.

Naquela ocasião, o senador não teria nada a perder, porque mesmo com uma provável derrota nacional, ainda teria quatro anos pela frente no Senado.

Agora, o a brincadeira é mais difícil.

 

A máquina de fabricar escândalos

A Folha de S. Paulo deu mais uma demonstração que age como partido político de oposição. 

Leiam a matéria abaixo (comento em seguida):

Minha Casa, Minha Vida privilegia corretora sindical 

Dirigida por petistas, Fenae tem monopólio informal da venda de seguros do programa

Duas seguradoras fecham acordo com corretora para explorar mercado em que giram cerca de R$ 40 mi; CEF afirma que atuação é livre

FERNANDO BARROS DE MELLO

DA REPORTAGEM LOCAL

Uma corretora dirigida por sindicalistas da Caixa Econômica Federal, que são filiados ao PT e também doadores de candidatos a deputado e prefeito pelo partido, é a maior negociadora de seguros de entrega de obras do Minha Casa, Minha Vida, programa do governo federal lançado há sete meses.
A Fenae Corretora é a única a ter acordo com a Caixa para a venda do seguro-garantia do programa habitacional -um negócio de milhões de reais. Empreiteiras e corretores ouvidos pela Folha afirmam haver um monopólio informal.
Construtoras que participam do programa são obrigadas a contratar um seguro para garantir a entrega das moradias, caso as próprias empreiteiras não cumpram o prometido.
Duas seguradoras, Caixa Seguros e J Malucelli, dominam o mercado até o momento. A Fenae Corretora é quem faz a intermediação entre construtoras e seguradoras.
Em julho, Caixa Seguros, J Malucelli e Fenae divulgaram comunicado ao setor financeiro anunciando um acordo “para explorarem juntas esse mercado”. À Folha, o setor de relações com investidores da J Malucelli confirmou que quase a totalidade dos seguros é negociada, até agora, pela parceria das três empresas.
A Caixa diz que quaisquer seguradoras e corretoras podem participar e o mercado é livre. A Fenae afirma ser uma das mais experientes da área.
O Minha Casa, Minha Vida -que é uma das principais bandeiras da pré-campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Planalto- promete investir R$ 34 bilhões na construção de um milhão de casas populares. O valor a ser segurado é de 10% de cada obra.
Isso representaria um prêmio de cerca de R$ 40 milhões para as seguradoras que atuarem nesse nicho -considerando uma taxa conservadora de gratificação de menos de 1,5% sobre o valor total segurado.
A comissão a ser recebida pelos corretores de seguro, segundo documento da própria J Malucelli, chega a 10% do prêmio recebido pelas seguradoras (o que representaria um total de R$ 4 milhões para a Fenae, caso seja a única a explorar o mercado).
Em pouco mais de três meses, mais de R$ 4 bilhões em financiamentos da Caixa para o Minha Casa foram garantidos pela J Malucelli, segundo a própria empresa. Alexandre Malucelli, vice-presidente da J Malucelli Seguros, diz que a Fenae “é a corretora cativa da Caixa Seguros” e que por isso foi escolhida para a parceria.
“O seguro-garantia é complexo e a Caixa tem o direito de indicar a seguradora de sua confiança. O que combatemos é o abuso, a imposição de representantes”, diz André Dabus, coordenador de Crédito e Garantia do Sincor-SP (sindicato dos corretores). “Os corretores entendem que banco é banco, corretora é corretora. Monopólio não é sadio. Esperamos que a Caixa não fique na contramão da história.”

Doações

 
A Fenae Corretora é ligada à Fenae (Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal), entidade associada à CUT (Central Única dos Trabalhadores). Pedro Beneduzzi Leite preside tanto a corretora como a entidade sindical.
Filiado ao PT desde 1990 e com carreira no Paraná, ele já foi doador de campanha do presidente do PT, Ricardo Berzoini (R$ 4 mil em 2006), e da mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), Gleisi Hoffmann, a quem destinou R$ 4 mil em 2008, quando ela disputou a Prefeitura de Curitiba.
Alexandre Monteiro, diretor-executivo da Fenae Corretora, é doador de campanha de Ricardo Berzoini (R$ 9 mil) e de Geraldo Magela (R$ 1,5 mil).
Já Fernando Ferraz Rêgo Neiva, presidente e membro efetivo do conselho fiscal, foi candidato pelo PT-MG a deputado federal em 2006.

 

A matéria vende uma coisa na manchete, mas entrega outro produto ao leitor. O jornal sustenta que a Caixa “privilegia” a Fenae no negócio dos seguros do programa “Minha Casa, Minha Vida”. A razão do tratamento especial, conforme a argumentação do jornal, é que a corretora é dirigida por sindicalistas filiados ao PT. É simples assim, como somar dois mais dois.

Mas a matéria, pasmem, não revela nenhuma irregularidade no acordo da Fenae com a Caixa. A “denúncia” se resume, repito, a um ponto: a corretora é dirigida por petistas. Esse é o escândalo.

Ficamos sabendo pela própria matéria que a Fenae tem bom conceito no mercado e que o acordo com as duas construtoras (Caixa Seguros e J Malucelli) para exploração do seguro-moradia obrigatório do “Minha Casa, Minha Vida” se deu às claras, com divulgação pública ao setor financeiro.

A Folha diz que “empreiteiras e corretores” afirmaram haver um “monopólio informal” da Fenae. Mas a informação é desmentida mais à frente pelo coordenador do sindicatos dos corretores, que diz que o banco “tem o direito de indicar a seguradora de sua confiança”.

Pra completar o samba do crioulo doido, seguindo o manjado roteiro para tentar configurar o escândalo, o jornal acrescenta que a corretora já fez doações a vários candidatos do Partido dos Trabalhadores. Mas, se as doações foram legais, cadê o crime?

O jornal ainda encontrou espaço, numa matéria que não trata sobre eleições, pra associar o “Minha Casa, Minha Vida” à pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República.

É a Folha mostrando, novamente, que tem lado e a quem serve.

Uma notícia, várias versões

Um amigo enviou a mensagem abaixo tirando sarro do PIG:

AS VÁRIAS FORMAS DE SE DAR UMA NOTÍCIA

Se a história da Chapeuzinho Vermelho fosse verdade, como ela seria contada na imprensa no Brasil? Veja as diferentes maneiras de contar a mesma história.
*Jornal Nacional*
(William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem…’
(Fátima Bernardes): ‘…mas a atuação de um caçador evitou a tragédia.’
*Programa da Hebe*
‘…que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?’

*Cidade Alerta*
(Datena): ‘…onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!

*Superpop*
(Luciana Gimenez): ‘Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!’

*Globo Repórter*
(Chamada do programa): ‘Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente? O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta. E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter.’

*Discovery Channel*
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.

*Revista Veja*
Lula sabia das intenções do Lobo.

*Revista Cláudia*
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

*Revista Nova*
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama!

*Revista Isto É*
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

*Revista Playboy*
(Ensaio fotográfico do mês seguinte): ‘ Veja o que só o lobo viu’.

*Revista Vip*
As 100 mais sexies – desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!

*Revista G Magazine*
(Ensaio com o lenhador) ‘O lenhador mostra o machado’.

*Revista Caras*
(Ensaio fotográfico com a Chapeuzinho na semana seguinte): Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: ‘Até ser devorada, eu não dava valor pra miutas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa.’

*Revista Superinteressante*
Lobo Mau: mito ou verdade?

*Revista Tititi*
Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio.

*Folha de São Paulo*
Legenda da foto: ‘Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador’. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

*O Estado de São Paulo*
Lobo que devorou menina seria filiado ao PT.

*O Globo*
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor de idade carente.

*O Dia*
Lenhador desempregado tem dia de herói

*Extra*
Promoção do mês: junte 20 selos mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho!

*Meia hora*
Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco!

*O Povo*Sangue e tragédia na casa da vovó.
*Wagner Montes*
Agora vejam só vocês meu amigo telespectador, minha dona de casa que nessa hora está cuidando do lar, arrumando as crianças para a escola….. vejam só esse covarde de codinome Lobo….. que se acha todo malandrão…. PRA CIMA DELE MINHA POLIÇADA !!!! Alô minha rapaziada da Civil, alô comandante do CORE, aquele abraço, alô meu pessoal do 16º, 22º…. É PRA ARREGASSAR MESMO!!! Bota a cara dele aí na tela produção…. Bota na tela aí… ESCRAAAAAAAAACHA !!!!!!!!!!
*Correio da Bahia e TV Bahia*

Menina usando um chapeuzinho vermelho é atacada por um lobo e não consegue atendimento em nenhum hospital do Estado. Governador não está nem aí.

Serra dá um “jeitinho” de fazer propaganda fora de São Paulo

O blog reproduz o post a seguir, retirado do blog do Guilherme Scalzilli:

O turista eleitoral

No último dia 15, a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou a Proposta de Emenda Constitucional 1/2008, da deputada Célia Leão (PSDB). Agora, a administração José Serra está livre para financiar “publicidade de qualquer natureza fora do território do Estado, para fins de propaganda governamental”. A idéia é promover o turismo.
Entenderam?

Mas espera um pouquinho – e aquela milionária campanha “institucional”, paga pelo contribuinte para o governo paulista se vender aos espectadores amapaenses? Era tudo irregular mesmo, na cara dura? E ninguém faz nada?
As críticas de Lula aos Tribunais de Contas são de fato absurdas.

O PIG é mesmo cego, surdo e mudo diante das reinações do Zé Pedágio.

O caso Lina Vieira e a verdadeira face do PIG

Já era previsível. O PIG recomeçou os ataques contra a ministra Dilma Rousseff. A indústria de criação de escândalos artificiais havia dado um tempo, mas agora voltou a agir orquestradamente.

O roteiro é sempre o mesmo. O primeiro veículo publica o escândalo em destaque, na primeira página. No dia seguinte, os outros repercutem a farsa. Transforma-se uma versão dos fatos — a que interessa à mídia tucana — na única versão possível.

As contradições começam a aparecer. A farsa cedo ou tarde se torna evidente. O jornalismo de aluguel termina escancarado. Mas o estrago está feito. O alvo da indústria de assassinato de reputações já foi exposto ao escárnio público. A nódoa forjada em sua biografia jamais será removida. Para muitos, fica a versão da farsa.

Nesta nova ofensiva, cube à ‘Veja’ dar o primeiro passo, ressuscitando o factóide do caso Lina Vieira. A ex-secretária da Receita Federal, segundo a revista, contou a um amigo que havia encontrado, dois meses depois, a agenda onde anotou a mão a data do encontro sigiloso com a ministra da Casa Civil: 9 de outubro de 2008.

O rigor jornalístico da ‘Veja’ é uma coisa invejável. A revista publica, com estardalhaço, uma informação baseada apenas no relato do “amigo anônimo”, como se isso fosse uma coisa absolutamente crível. É preciso ser ingênuo demais pra ser convencido dessa lorota.

No post anterior, comentei que a novela de Lina Vieira era muito inverossímel. Ninguém leva tanto tempo pra encontrar uma simples agenda. Mas isso nem é o mais importante. Quando comparamos as muitas versões contadas pela ex-secretária, os buracos ficam claros.

Primeiro, Lina não se lembrava do dia do encontro com Dilma, mas sussurou aos senadores da oposição, nos bastidores, que a data era 19 de dezembro. Oficialmente, disse somente que a reunião aconteceu próximo do final do ano passado, provavelmente à tarde e que o gabinete da ministra estava na penumbra.

Depois, subitamente, Lina encontra a agenda e ficamos sabendo que o encontro ocorreu no dia 9 de outubro, às 10h13. Aquela história do dia 19 de dezembro, à tarde, na penumbra, não passou de um “equívoco” da ex-comandante do fisco brasileiro. É muito desatenta a nossa “cidadã natalense”, não?! 

No outro post, observei ainda que a ‘Veja’ tentou dar ares de novidade a uma informação velha. É a velha tática de vender um blefe como se fosse nitroglicerina pura.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), durante o depoimento de Lina Viera à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em 18 de agosto, listou as datas das audiências que Lina teve com Dilma.

No dia 9 de outubro, conforme revelou o petista naquela ocasião, Lina esteve na Casa Civil para tratar com a ministra do Fórum CEOS, que se realizaria no dia 10 de outubro daquele ano. A própria Lina, respondendo ao senador, confirmou a informação.

Então, cadê a novidade? A própria ‘Veja’ reconhece que a data já havia sido confirmada pelo governo:

Em agosto passado, o senador Romero Jucá, um dos principais defensores do governo no Congresso, divulgou um relatório com as entradas oficiais de Lina no Palácio do Planalto. De acordo com Jucá, a ex-secretária esteve no Planalto quatro vezes – em outubro de 2008 e nos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2009. O único ingresso registrado no ano passado, portanto, ocorreu em 9 de outubro, às 10h13. Lina, segundo os registros oficiais, deixou o Planalto às 11h29 do mesmo dia.”

O engraçado é que muita gente desdenha quando dizemos que a imprensa conservadora se transformou num apêndice da oposição demo-tucana e age como se fosse um partido político. Na semana em que o presidente Lula e a ministra Dilma percorreram o sertão nordestino para inspecionar as obras de revitalização do rio São Francisco, desenterram esse factóide protagonizado pela ex-secretária. O PIG mostrou sua verdadeira face.

Obama enfrenta o PIG dos EUA

A Casa Branca decretou guerra contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista) dos Estados Unidos. O principal alvo é a rede Fox News, tida como uma “organização partidarizada, que funciona como apêndice do Partido Republicano.” A acusação é da diretora de Comunicações de Barack Obama, Anita Dunn.

Anita disse, sem meias palavras, como o PIG de lá trabalha. Em entrevista ao diário The New York Times, domingo (11), a diretora declarou que “a rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico.”

A revista Time explicou a nova estratégia de Obama para reagir aos ataques da mídia conservadora norte-americana:

Todas as críticas, diárias, repetidas, as justas e também as injustas, e as delirantes, todas, estão pesando sobre a Casa Branca, objeto de ataques incansáveis. Então, a Casa Branca pensou em uma nova estratégia: em vez de facilitar a vida dos jornalistas, oferecendo-lhes fatos que os jornais e jornalistas usam em seguida como se fossem ‘prova’ do que escreveriam contra Obama mesmo sem qualquer verificação ou sem qualquer prova, a Casa Branca decidiu entrar no jogo e criticar mordazmente o jornalismo de futricas, os políticos e os veículos que vivem de publicar bobagens, ou mentiras, ou invenções completamente nascidas das cabeças dos ‘jornalistas’, como, por exemplo, a ideia de que o plano de Obama para reforma da assistência à saúde dos norte-americanos incluiria “clínicas sexuais” a serem implantadas nas escolas. Obama, descansado e relaxado depois dos feriados em Martha’s Vineyard, riu da ideia dos ‘jornalistas’ e disse aos auxiliares que “Ok. Vamos chamar os caras p’ra conversar lá fora.”

Em outro trecho da matéria, Anita Dunn justifica a nova tática governista: “Trata-se de opinião partidarizada, travestida de noticiário e de jornalismo“, disparou ao comentar o modus operandi da Fox News. A matéria completa está no blog do Azenha.

Por alguns instantes, tive a impressão que a secretária de Obama estava falando sobre o Brasil e o PIG tupiniquim. Parece que os conservadores da mídia ianque fizeram um curso avançado de mau jornalismo com a turma daqui — Globo, Veja, Folha, entre outros.

Lamentavelmente, o popularíssimo presidente Lula se acovardou, fugiu do enfrentamento e preferiu conciliar com o PIG, esperando que os conservadores fossem menos hostis. Não deu certo.  O governo vive sob fogo cruzado da mídia tucana, saudosa da era neoliberal.

Mesmo assim, o governo recompensou os barões da mídia com o direito de indicar 40% dos delegados com poder de voto na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que vai ocorrer entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília.

Assim, a caixa-preta das concessões de rádio e televisão continua inviolável.

Ao contrário do que disse o PIG, IDH do Brasil melhorou

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, ontem (5), o Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil (IDH), referente a 2007. O IDH brasileiro ficou em 0,813 (a escala vai de 0 a 1), índice considerado elevado.

A série histórica mostra que nosso IDH vem melhorando sistematicamente:

2009 ▲ 0.813
2006 ▲ 0.807
2005 ▲ 0.800
2000 ▲ 0.789
1995 ▲ 0.753
1990 ▲ 0,723
1985 ▲ 0,700
1980 ▲ 0.685

Mas o PIG, pra variar, distorceu a notícia. O UOL sapecou uma manchete maliciosa dando a entender que o IDH caiu: “Expectativa de vida puxa para baixo indicador de desenvolvimento no Brasil, diz ONU“. A matéria não corresponde ao que é vendido na manchete.

Os jornais preferiram insistir no ranking dos países, destacando que o Brasil ficou em 75º lugar, entre 182 pesquisados. Especialistas questionam o ranking, porque, afirmam, não há como comparar países cujas realidades são historicamente diferentes.

A dívida social do Brasil é secular, mas, por outro lado, sob o governo Lula, o abismo da desigualdade vem sendo reduzido a passos largos. De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 32 milhões de brasileiros deixaram a miséria absoluta

Esse dado, apesar de representar um salto gigantesco na melhora da qualidade de vida, não significa que chegamos ao céu. Ainda há muito o que ser feito para quitar nosso passivo social.

Houve um tempo em que o país crescia aceleradamente, mas o “bolo” não era repartido: a concentração de renda, a desigualdade e a exploração só aumentavam. A mídia a serviço da elite deve sentir saudades dessa época – o povo, certamente, não.

Lula, herói do povo brasileiro

Lula beija bandeira do Brasil

A mídia brasileira tentou esconder a participação do presidente Lula na vitória do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016. Os jornais do mundo inteiro se renderam ao prestígio de Lula, mas o provincianismo da imprensa tupiniquim reservou ao presidente um lugar menor na conquista histórica.

O PIG, desde que o Comitê Olímpico Internacional (COI) escolheu o Rio de Janeiro, se esforça para esconder o presidente. O povo não pode saber quem trouxe as Olimpíadas para o Brasil. O medo é que isso aumente a popularidade do presidente – como se “o cara”, com 80% de aprovação, precisasse.

O que a imprensa anti-lulista não entendeu ainda é que o povo brasileiro se identifica com a história de vida, o riso largo e o choro fácil do presidente. Não adianta querer boicotar, porque a relação entre Lula e o povo é mais sólida do que se imagina, graças à nova condição que os mais pobres conquistaram no governo do ex-metalúrgico. 

Ao criar as condições para que milhões de brasileiros saíssem da invisibilidade social, Lula ganhou o respeito, a confiança e a gratidão desse povo. Para muitos, virou um herói. Mas o presidente nunca reivindicou o lugar de herói.

Lula sempre disse que seu maior sonho era ver todos os brasileiros fazerem pelo menos três refeições diariamente. Parece pouca coisa, mas é um desafio gigante. Os arrogantes dizem que se ocupar com a questão da fome é uma tarefa menor.

Lula, o ex-retirante nordestino que chegou a passar fome na infância, conhece o sofrimento do povo e sabe que não há nada mais urgente que a tarefa de acabar com a miséria absoluta. Os índices recordes de avaliação positiva do presidente mostram a quem o povo deu razão.

Ministro Celso Amorim massacra Alexandre Garcia

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, massacrou Alexandre Garcia, aquele que é especialista em tudo, durante entrevista à Globo News, sobre a situação de Honduras, onde golpistas depuseram o presidente eleito do poder e fizeram do país um estado de exceção.

Entre muitas coisas, Celso Amorim lembrou que toda a comunidade internacional condenou o golpe em Honduras e apoiou o refúgio que a embaixada brasileira concedeu ao presidente deposto Manuel Zelaya. “Há uma unanimidade na comunidade internacional. Os únicos contra [a atuação do Brasil em Honduras] são alguns setores do Brasil“, destacou o ministro, perante um pálido representante do PIG.

Clique aqui para ver a entrevista na íntegra.

O golpe em Honduras e a desonestidade do PIG

O blog reproduz o comentário do leitor Gustavo Lucena, que se diz impressionado com a desonestidade que a imprensa brasileira dedica à cobertura do golpe em Honduras:

 

Alysson Almeida, impressiona é a desonestidade da imprensa brasileira, em especial daquela filiada a Grande Quadrilha (Civita, Marinho, Frias e Mesquita). Os caras são tão desonestos que dizem que o golpe foi legítimo porque foi embasado na Constituição local e que o judiciário local deu respaldo ao golpe. No entanto, a gente acessa a constituição hondurenha e os portais dos judiciários e não encontra nada a respeito. Pergunto a esses palhaços: Qual é o número dos autos que promoveu o processo de destituição do Zelaya? Zelaya foi citado para se defender? O mais engraçado é que aqui no RN também tem uns patetas que fazem cara de conteúdo e querem fazer defesa abalizada ao golpismo. Basta abrir as páginas do Jornal de Hoje e escutar as bravatas na 95FM e na 103,9 FM, além de é claro, ligar na TV Tropical. É por conta desses palhaços que o STF decidiu que não é mais necessário ter diploma para ser jornalista. As faculdades – ministradas por essa mesma corja do PIG – não estavam ensinando os acadêmicos os princípios mais basilares do bom jornalismo: ética, democracia, contraditório e imparcialidade. As faculdades estavam servindo como meros cooptadores de pobres coitados e coitadas dispostos a doarem não só as mentes, mas também o próprio órgão sexual para ganharem um punhado de reais. Alysson Almeida, impressiona é a desonestidade da imprensa brasileira, em especial daquela filiada a Grande Quadrilha (Civita, Marinho, Frias e Mesquita). Os caras são tão desonestos que dizem que o golpe foi legítimo porque foi embasado na Constituição local e que o judiciário local deu respaldo ao golpe. No entanto, a gente acessa a constituição hondurenha e os portais dos judiciários e não encontra nada a respeito. Pergunto a esses palhaços: Qual é o número dos autos que promoveu o processo de destituição do Zelaya? Zelaya foi citado para se defender? O mais engraçado é que aqui no RN também tem uns patetas que fazem cara de conteúdo e querem fazer defesa abalizada ao golpismo. Basta abrir as páginas do Jornal de Hoje e escutar as bravatas na 95FM e na 103,9 FM, além de é claro, ligar na TV Tropical. É por conta desses palhaços que o STF decidiu que não é mais necessário ter diploma para ser jornalista. As faculdades – ministradas por essa mesma corja do PIG – não estavam ensinando os acadêmicos os princípios mais basilares do bom jornalismo: ética, democracia, contraditório e imparcialidade. As faculdades estavam servindo como meros cooptadores de pobres coitados e coitadas dispostos a doarem não só as mentes, mas também o próprio órgão sexual para ganharem um punhado de reais.

A retórica golpista

É divertido ver a turma do PIG fazendo patinação retórica para apoiar, sem admitir explicitamente, o golpe militar que depôs o presidente de Honduras, Manuel Zelaya.  

Reinaldo Azevedo, o blogueiro da Veja, é o mais aplicado. Ele se supera em matéria de reacionarismo e desonestidade intelectual.

Após sucessivas tentativas de descaracteizar o golpe, o blogueiro se viu contra a parede quando Roberto Micheletti, o ditador hondurenho, decretou o fim dos direitos constitucionais, restringiu as liberdades de circulação e expressão e fechou emissoras de rádio e TV.

Diante do decreto arbitrário que instituiu o estado de sítio, já apelidado de “AI-5 de Honduras”, Reinaldo Azevedo disse que eram “medidas de defesa” e negou que o país da América Central estivesse sob controle de uma ditadura.

Esperar o quê desse farsante? Reinaldo tem um conceito de democracia bem peculiar: democracia é bem-vinda, desde que não mexa com o status cuo.

Em sua luta para dar ares legais ao golpe, sustenta que a “cláusula pétrea” da Constituição de Honduras proíbe a realização de plebiscitos. O patife esquece, porém, que democracia sem soberania popular é apenas uma farsa.

No Óleo do Diabo, Miguel do Rosário aprofunda esse ponto: “Não há “cláusula pétrea” que possa anular o que constitui a essência moral de uma democracia: o poder emana do povo, que o exerce através do sufrágio.

Reinaldo, como o resto do PIG, justifica o golpe alegando que Zelaya pretendia mudar a Constituição de Honduras para se candidatar à reeleição. É enganação das mais baratas. O plebiscito convocado pelo presidente deposto não tratava de reeleição, mas sobre a convocação ou não de uma Assembléia Constituinte, que decidiria sobre a possibilidade de reeleição.

Ainda que essa tese viesse a ser aprovada, só entraria em vigor nas próximas eleições. Portanto, Zelaya não poderia se candidatar à reeleição agora. Por que não informar isso às pessoas? Por que distorcer a realidade?

O jornalismo canalha da imprensa golpista

Quando a gente diz que a imprensa se transformou no PIG (Partido da Imprensa Golpista), há quem duvide. Qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico consegue perceber como a mídia manipula, distorce e descontextualiza as informações, conforme a conveniência da situação.

A estratégia mais usada é fabricar e divulgar escândalos contra desafetos políticos, cuja reputação é assassinada sem direito de defesa. Transforma-se uma versão do caso na única versão possível. O público quase nunca tem acesso ao contraditório. Os escândalos são noticiados em manchetes nas capas de jornais para, dias depois, serem desmentidos em constrangedores cantos de página.

Para quem ainda acredita no PIG, Luis Nassif revelou mais uma armação vastamente destacada, acriticamente, pela mídia a serviço dos tucanos.

É o vergonhoso caso do dossiê mentiroso produzido contra Victor Martins, irmão do ministro Franklin Martins (Comunicações), divulgado pelo reacionário Diogo Mainardi em sua coluna na Veja.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal comprovaram que o dossiê divulgado por Mainardi é falso. No documento, Victor Martins, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), é acusado favorecer prefeituras que contratavam a Análise Consultoria, empresa que o diretor tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Em troca, as prefeituras receberiam mais dinheiros dos royalties da Petrobras.

O dossiê, segundo a PF, foi fabricado por Wilson Ferreira Pinna, agente federal aposentado, lotado na ANP.

Leia abaixo matéria do Portal Vermelho sobre o assunto:

PF descobre quem foi que tramou com a Veja os ataques a Martins

O agente federal aposentado Wilson Ferreira Pinna, lotado na Agência Nacional de Petróleo (ANP), foi apontado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. O dossiê falsificado foi usado pela revista Veja para atacar a ANP e o ministro.

O material falsificado acusava Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que ele tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal dos irmãos de Vitor, inclusive do ministro.

Após a revista “Veja” divulgar o dossiê em abril, primeiramente através da coluna de Diogo Mainardi e posteriormente em matérias da própria revista, o Ministério Público Federal constatou que o documento não estava no inquérito da Delegacia Fazendária, que apura corrupção nos repasses de royalties. A inexistência do dossiê levou o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a abrir novo inquérito.

Em maio, a PF descobriu um pendrive com o falso dossiê, as declarações de renda obtidas ilegalmente e as transcrições de gravações telefônicas. Não se sabe ainda qual jornalsita da revista Veja recebeu o pendrive, mas os policiais identificaram Pinna como o autor.

Por meio de representação à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, onde tramita o inquérito, foi pedida a prisão do agente, além de busca e apreensão na sua casa e na ANP.

O pedido foi para as mãos do juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal, que não analisou o caso, provocando um conflito de competência. Tudo parou até 15 de julho, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu que a competência é da 2ª Vara. Após negar pedido de prisão, Hartmann intimou Pinna a apresentar sua defesa, antes de decidir se aceita a denúncia.

Ontem, procurado pelo Estado, Pinna reclamou da divulgação do caso por conta do segredo de Justiça e depois se apegou na rejeição do pedido de prisão para se defender. Vitor repetiu o que falou na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: “Quero justiça, saber quem fez essa investigação criminosa, a mando de quem, quem pagou e com qual objetivo.”

Em seu blog, o jornalista Luís Nassif afirma que a lógica deste novo episódio do dissiê contra Martins é a mesma que descreve na série de matérias que desmascaram a revista Veja, especialmente no capítulo “O Lobista de Dantas”. “Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi. Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático”, denuncia Nassif.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

 

Matéria de ontem (25) da Folha de São Paulo afirmava que Wilson Ferreira Pinna, autor do dossiê falso, foi nomeado em 2005 pela diretoria colegiada da ANP para o cargo de assessor do diretor-geral Haroldo Lima, tornando-se seu “homem de confiança”. Em carta ao jornal, Haroldo Lima desmentiu as informações.

O diretor-geral afirmou que o jornalista Marcio Aith “não apurou a matéria como deveria”. Haroldo sustentou que  Pinna nunca esteve em seu gabinete nem era seu “homem de confiança”.

O jornal mentiu ainda, segundo o diretor, ao dizer que Pinna “foi recrutado por Lima em agosto de 2005”. Haroldo esclareceu que o araponga, na verdade, ingressou na ANP em 27 de setembro de 2001. A ANP, nessa época, era presidida por David Zylbersztajn, genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso. (Leia a íntegra da carta de Haroldo Lima no blog do Azenha)

No Jornal Nacional de sábado (26), o repórter Eduardo Tchao chamou o dossiê de “relatório”. A Globo tentou se justificar por ter divulgado a falsificação. O JN não disse que Pinna foi levado para a ANP pelo genro de FHC. O JN também não disse que Victor Martins é irmão do ministro Franklin Martins. A matéria terminou sem que o telespectador fosse informado sobre o conteúdo do dossiê falso.

‘Le Monde’: Lula teve ‘visão correta’ ao falar que crise era ‘marolinha’

Os números do PIB do último trimestre (+ 1,9%) e da geração de empregos em agosto (+ 242 mil vagas) mostraram que o Brasil lidera a retomada do crescimento mundial após a crise econômica global.

Antes, quando economistas afirmavam que estávamos na iminência do apocalipse, o presidente Lula zombou dos profetas do caos e disse que a crise por aqui era só uma ‘marolinha’. Lula foi crucificado pela declaração. Mas nada como o tempo pra mostrar quem estava com a razão.

A oposição apostava que o país iria à lona e, em consequência, a popularidade de Lula iria minguar até 2010. O PIG fez festa antecipada para José Serra, o presidente de férias. Mas as coisas não seguiram essa lógica catastrófica e, para desespero dos urubus de plantão, Lula surfa na onda da retomada do crescimento.

O jornal francês  ‘Le Monde’ publicou artigo nesta quinta-feira (17) dizendo que Lula acertou ao dizer que a crise era só uma ‘marolinha’, segundo informa o UOL Notícias.

Leia a matéria completa abaixo:

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão “bastante correta” ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma “marolinha”, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira (leia a matéria em português aqui).

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real.

“A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais”, afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado “A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics”, o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo – Brasil, Rússia, Índia e China – um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países

 
“É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna”, diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.

O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços.

Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses. 

O julgamento de Cesare Battisti

Não tenho opinião fechada sobre o assunto. O ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu asilo político ao italiano Cesare Battisti, acusado de terrorismo e assassinato na Itália. Battisti alega que não teve chance de se defender em seu país. O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar o caso Battisti, mas o julgamento foi paralisado quando o placar estava em 4 x 3 pró-extradição. O ministro Marco Aurélio Melo pediu vistas ao processo.  

A imprensa brasileira, em peso, condenou a concessão do asilo ao italiano. Como não dá pra confiar em nada do que sai nessa mídia conservadora, reproduzo abaixo matéria originalmente publicada no jornal experimental Contraponto e postada no Blog do Nassif, realizada por estudantes de Jornalismo da PUC-SP. O texto é assinado por André Bontempo, Guilherme Zocchio, José Coutinho Júnior e Rafael Albuquerque:

 

A fuga chegou ao fim

Asilo concedido pelo Brasil ao italiano Cesare Battisti é um ato soberano, mas a mídia brasileira, identificada com Sílvio Berlusconi, desqualifica a decisão a todo custo

“Quero dizer a verdade da minha história e esclarecer os episódios relacionados às terríveis acusações lançadas contra mim. Nunca tive a possibilidade, na Itália, de defender-me. Nunca um juiz ou um policial me fez uma só pergunta sobre os homicídios cometidos pelo grupo ao qual pertencia, […] Nunca a justiça italiana ouviu meu testemunho. Hoje, trinta anos depois, pela primeira vez na minha vida, tenho a ocasião de explicar-me perante uma justiça, a justiça do Brasil”. Este é um trecho da carta enviada no dia 25 de fevereiro deste ano pelo italiano Cesare Battisti aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Preso em 2007 no Rio de Janeiro, Battisti recebeu asilo político através de decisão do Ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), no dia 13 de janeiro deste ano. O caso divide opiniões sobre se a decisão do ministro é correta ou não. A mídia brasileira tratou do tema de maneira muito superficial e tendenciosa, julgando precipitadamente Battisti como “terrorista” e “assassino”. Deixou de lado que, para compreender melhor o caso Battisti, é necessário entender a Itália dos anos 1970, período conhecido como “os anos de chumbo”.

Os anos 1970 foram um tempo de grande efervescência política na Itália, em que movimentos sociais, como o estudantil e o operário, reivindicavam direitos cíveis entre os quais a legalização do divórcio e do aborto. Segundo o Doutor em História Social e professor da UFRJ, Giuseppe Cocco, “A Itália nesta época não era ‘de chumbo’, pelo contrário, os anos 70 foram uma época de conquistas sociais revolucionárias. Esses anos foram ‘chumbados’ porque o Estado organizou uma série de atentados para criar um clima de terror e reprimir os grupos de esquerda. A luta armada, por parte da esquerda, respondia a essas provocações; foi uma década libertária dentro da qual ocorreram lutas armadas contra o fascismo.”

O PCI (Partido Comunista Italiano), no começo da década de 70, era um partido dividido entre duas correntes ideológicas opostas. Uma inovadora, pois apoiava os movimentos sociais e as propostas de transformação que eles reivindicavam, e a outra conservadora, já que seguia a proposta soviética da Terceira Internacional e se colocava contra os movimentos. “Nos anos 70, o movimento não é absolutamente controlado pelo PCI; ao contrário, ele era muito crítico ao reformismo e ao stalinismo do partido” afirma Cocco. Apesar de não exercer um controle sobre os movimentos, o Partido Comunista era o representante institucional dos anseios populares e conseguiu se eleger em diversas cidades do sul da Itália, obtendo tanta força política quanto a Democracia Cristã (Partido de direita, com maioria no governo).

Esses dois partidos (PCI e Democracia Cristã) em vez de disputarem o poder resolveram unir suas forças e criaram o “compromisso histórico”, que deixou as ideologias desses partidos em segundo plano com a justificativa de que haviam problemas econômicos e administrativos que deveriam ser resolvidos para colocar a Itália nos eixos. No entanto, essa foi uma manobra para o PCI chegar ao poder, já que no contexto da Guerra Fria – o mundo dividido entre países capitalistas e socialistas – a Itália pertencia ao primeiro grupo. Desse modo, o Partido Comunista deixou de lado o seu caráter inovador e adotou uma posição extremamente contrária aos movimentos sociais, os quais encararam o “compromisso histórico” como uma traição. Para o jornalista e organizador do Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti, Celso Lungaretti, “A traição do PCI colocou os movimentos numa situação de desespero e excessos, levando-os a atitudes como o seqüestro e assassinato [em 1978] do primeiro-ministro Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas [o principal grupo armado de extrema esquerda]”.

O assassinato de Moro, por sua vez, levou a uma forte repressão dos movimentos sociais, e, com a desculpa de “combater o terrorismo”, são criadas as leis de exceção, que retiravam uma série de direitos da população ao permitir que se prendessem pessoas preventivamente por até dez anos e oito meses com base apenas em hipóteses e sem a necessidade de provas concretas, além de permitirem tortura e legitimarem a delação premiada. A esquerda institucional italiana representada pelo PCI, ao se chocar com os movimentos, deixou de existir; de acordo com Cocco, “não há esquerda na Itália porque não há esquerda sem o apoio dos movimentos sociais”.

 

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