Embolando Palavras

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Folha publica comentário preconceituoso contra nordestinos

Uma pequena matéria postada no site da Folha.com, sobre o desafio que o ex-presidente FHC fez ao seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, convidando-o a disputar outra eleição contra ele, rendeu quase 1200 comentários. Em entrevista a um programa de rádio, FHC mandou o seguinte recado para Lula: “Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo.

O devaneio de FHC, porém, tem pouca — para não dizer nenhuma — importância. O que despertou minha atenção e indignação foi o comentário de um leitor, identificado como Ivo Antonio, prontamente publicado pela Folha.com.

Eleitor declarado do tucano, Ivo se referiu aos nordestinos, em tom pejorativo, como aqueles que “tem (sic) como prato preferido farinha e de sobremesa rapadura” e completou afirmando que, se os moradores dessa região não pudessem votar, FHC derrotaria Lula.

SE OS QUE TEM COMO PRATO PREFERIDO FARINHA E DE SOBREMESA RAPADURA. NAO PODER VOTAR. E CONTAR MENTIRA.(onde o molusco e imbativel) ABRO APOSTO E DOU 2 POR 1 A FAVOR DO FHC“, escreveu o leitor, que, como se vê, não domina bem as normas gramaticais.

O comentário reflete o velho preconceito que vigora em camadas do Sul e do Sudeste do Brasil contra os habitantes do Norte e do Nordeste. Ele não citou os nordestinos, mas ao mencionar a farinha e a rapadura, dois ingredientes muito usados na culinária regional, deixou explícito a quem estava se referindo.

Particularmente, não considero ofensa ser chamado de comedor de farinha ou de rapadura. Tenho orgulho da minha condição de nordestino, da herança cultural dessa terra e da capacidade de resistência desse povo historicamente esquecido. Não custa lembrar as sábias palavras de Euclides da Cunha, segundo quem “O sertanejo é, antes de tudo, um forte“.

Mas o comentário do leitor da Folha.com nada tem a ver com o reconhecimento da riqueza cultural dos nordestinos — o que inclui os elementos da nossa culinária, com seus cheiros e sabores apreciados por gente do mundo inteiro. Ele destilou preconceito em cada palavra. É o típico pensamento de setores do Sul e do Sudeste que se julgam superiores aos habitantes das demais regiões do país.

Na eleição de 2010, esse pensamento aflorou com força. Inconformados com a derrota de José Serra (PSDB), os conservadores propagaram a falsa tese de que Dilma Rousseff (PT) só teria sido eleita em função dos votos do Norte e do Nordeste. Mas um levantamento com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que a petista derrotaria o tucano mesmo se fossem computados apenas os votos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A xenofobia da elite e da classe média burguesa do Sul e do Sudeste contra os nordestinos não é novidade. Em São Paulo, há um movimento batizado de “SP para Paulistas” que, em manisfesto na internet, defende, entre outros pontos, limites à migração nordestina.

Uma das integrantes do movimento, a estudante de Direito Mayara Petrusco declarou no Twitter, logo após a vitória de Dilma, que “nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado“. A declaração lhe rendeu  uma denúncia junto ao Ministério Público Federal, apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Pernambuco (OAB-PE). Para a entidade, o ato configurava os crimes de racismo e de incitação pública à pratica delituosa, no caso, homicídio.

Outra integrante do movimento, a atendente de suporte técnico Fabiana Pereira, 35 anos, afirmou que “São Paulo sustenta o Bolsa Família”, o que, em sua opinião, contribui para atrair nordestinos para a cidade. “São Paulo sustenta e eles (nordestinos) decidem quem vai nos governar”, declarou a jovem, em entrevista à Terra Magazine.

O próprio José Serra, quando era governador de São Paulo, em entrevista ao SP TV da Rede Globo, chegou a culpar os migrantes nordestinos pela baixa qualidade de ensino em seu Estado.

É lamentável que isso ainda ocorra no Brasil. É igualmente lamentável que políticos utilizem deste artifício para conquistar votos. Mas é ainda mais triste que veículos como a Folha abram espaço para esses xenófobos exalarem seu preconceito.

O erro de FHC

Deu no tosabendo.com:

FHC comete erro de português em artigo

Diante da grande polêmica gerada pelo artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em que defende a tese de que o que o PSDB deve desistir do “povão” e das “massas carentes e pouco informadas”, um erro de ortografia passou despercebido. Apenas seis dias depois da divulgação, a colunista Mônica Bergamo, da Folha, observou que, ao comentar a situação econômica, FHC diz que “existe -ou existiu até a pouco- certa folga fiscal“. O correto é “existiu até há pouco”, com H, já que o sentido é “faz pouco tempo”. O texto foi distribuído para sites e blogs e também estava no site do PSDB.

Quer dizer que o príncipe dos sociólogos comete erros de português? É incrível. Há algo muito errado no ninho tucano. Aécio Neves tem carteira de habilitação apreendida por dirigir bêbado, FHC derrapando na gramática… O que é isso, senhores? Estão jogando na lama a tradição da nossa elite burguesa?

Flagrado em blitz da Lei Seca, Aécio vira piada em redes sociais

Flagrado dirigindo no Rio de Janeiro com a carteira de habilitação vencida, o senador tucano Aécio Neves (MG) teve o documento apreendido e, com a repercussão sobre o assunto, virou um dos temas mais comentados neste domingo no Twitter. A rastag #aeciodevassa ficou em terceiro lugar no ranking dos assuntos mais populares da rede social.

Aécio Neves se recusou a fazer o teste do bafômetro ao ser abordado por uma blitz da Lei Seca, na madrugada deste domingo (17), no bairro do Leblon. O senador pagou multa de R$ 957,70 e teve o carro liberado após chamar um amigo para conduzir o veículo. Em nota, a assessoria do tucano alegou que o ex-governador mineiro não sabia que sua habilitação estava vencida.

O vexame de Aécio Neves, que uma semana antes fez um discurso no Senado Federal e foi ungido pelo PIG como o próximo presidente da República, virou motivo de piada no Twitter. O perfil @Aecio_Devassa foi criado para satirizar o tucano.

O PSDB, partido de Aécio, também virou alvo das gozações na rede social. Num blog, uma enquete perguntava qual o novo significado do partido: Partido do Senador Dirigindo Bêbado, Partido Só Da Birita, Pode Sair Dirigindo Bêbado, Puta Sacanagem Dar o Bafômetro ou Putz, Saí e fui Detido na Blitz?

A Maria Frô fez uma seleção das melhores piadas postadas na rede com o novo líder da oposição ao governo Dilma. Numa delas, a pretensão do senador mineiro de governar o país virou motivo de trocadilho: “Aécio provou que está preparado para dirigir o Brasil“, postou @larissafreitasc.

Além disso, um vídeo antigo, em que o então governador de Minas Gerais aparece fazendo campanha contra motoristas que dirigem após consumirem bebida alcoólica, se voltou contra o tucano. O episódio, como se vê, arranhou a imagem de bom moço cuidadosamente lapidada pelo senador mineiro.

Rodrigo Vianna: “FHC quer o subtucanismo sem povo”

Do Escrevinhador

Em algum momento, lá pelo fim do segundo mandato de Lula, quando o presidente operário bateu em níveis inacreditáveis de popularidade, FHC foi tomado pelo pânico. Escreveu, então, um artigo (acho que no “Estadão”) qualificando o lulismo de “subperonismo”.

Quem conhece a Argentina e o Brasil sabe que no país vizinho Perón é uma presença ainda hoje dominante na política. Curioso: os argentinos desmontaram o Estado criado por Perón (e o autor do desmonte foi, esse sim, um subperonista – Carlos Menem, homem de costeletas largas e pensamentos curtos), mas o peronismo persiste como referência quase mítica no discurso político.

Nós, brasileiros, somos mais pragmáticos. Aqui, Vargas praticamente sumiu do imaginário popular. Mas sobrevive no Estado brasileiro – que FHC tentou desmontar. Vocês se lembram? Em 94, pouco antes de assumir a presidência, o tucano disse que uma das tarefas no Brasil era “enterrar a era Vargas”. Não conseguiu. Vargas sobrevive no BNDES, na Previdência Social, no salário-mínimo, na Petrobrás, nos sindicatos. O Brasil moderno foi construído sobre os alicerces deixados por Vargas. FHC gostaria de tê-los dinamitado.

Agora, o ex-presidente tucano reaparece. Não para tentar desqualificar o lulismo. Mas para lançar um alerta. Ele teme que as “oposições” se percam ”no burburinho [êpa, cuidado Stanley!!!] das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo“…. E pede que os tucanos deixem pra lá essa história de falar com o povão, e concentrem-se nas classes médias.

Literalmente, em artigo que acaba de ser publicado, o ex-presidente afirma:

“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.”

FHC lança, assim, as bases do “subtucanismo”.

Em algum momento, quando ainda estava no poder, ele havia dito: “esqueçam o que escrevi”. Agora, escreve: “esqueçam o povão”.

Mas o subtucanismo de FHC não deve ser desprezado. Ele parte de uma constatação real, concreta. A de que a oposição (que se refugiou no discurso moralista da classe média) pode perder também esse quinhão. O ex-presidente e ex-sociólogo afirma que a tarefa da oposição é de uma “complexidade crescente a partir dos primeiros passos do governo Dilma que, com estilo até agora contrastante com o do antecessor, pode envolver parte das classes médias.”

Aqui nesse blog, ainda nas primeiras semanas de governo Dilma, escrevi um pequeno texto, intitulado “PT rumo ao centro e oposição na UTI”. Duvido que FHC tenha se rebaixado, e lido o subjornalismo que aqui praticamos. Mas, curiosamente, era mais ou menos isso que eu afirmava naquele post:

É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro! Isso sufoca a direita e a oposição.

Minha subanálise, baseada em subobservações dos primeiros movimentos de Dilma, avançava um pouco mais:

Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno de 2010. Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente.

Carta Capital: Relatório da PF não confirma “mensalão”

Por Leandro Fortes

O escândalo do mensalão voltou à cena. Em páginas recheadas de gráficos, infográficos, tabelas e quadros de todos os tipos e tamanhos, a revista Época anunciou, na edição que chegou às bancas no sábado 2, ter encontrado a pedra fundamental da mais grave crise política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2005 e 2006. Com base em um relatório sigiloso da Polícia Federal, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, a  semanal da Editora Globo concluiu sem mais delongas: a PF havia provado a existência do mensalão e o uso de dinheiro público no esquema administrado pelo publicitário Marcos Valério de Souza. Outro aspecto da reportagem chamada atenção: o esforço comovente em esconder o papel do banqueiro Daniel Dantas no financiamento do valerioduto. Alguns trechos pareciam escritos para beatificar o dono do Opportunity, apresentado como um empresário achacado pela sanha petista por dinheiro.

As provas do descalabro estariam nas 332 páginas do inquérito 2.474, tocado pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, da Divisão de Combate a Crimes Financeiros da PF e encaminhado ao ministro Joaquim Barbosa, relator no STF do processo do  “mensalão”. Inspirados no relato de Época,  editorialistas, colunistas e demais istas não tiveram dúvidas: o mensalão estava provado. Estranhamente, a mesma turma praticamente silenciou a respeito dos trechos que tratavam de Dantas.

Infelizmente, os leitores de Época não foram informados corretamente a respeito do conteúdo do relatório escrito, com bastante rigor e minúcias, pelo delegado Zampronha. Em certa medida, sobretudo na informação básica mais propalada, a de que o “mensalão” havia sido confirmado, esses mesmos leitores foram enganados. Não há uma única linha no texto que confirme a existência do tal esquema de pagamentos mensais a parlamentares da base governista em troca de apoio a projetos do governo no Congresso Nacional.

Ao contrário. Em mais de uma passagem, o policial faz questão de frisar que o inquérito, longe de ser o “relatório final do mensalão”, é uma investigação suplementar do chamado “valerioduto”, solicitada pela Procuradoria Geral da República, para dar suporte à denúncia inicial, esta sim baseada na tese dos pagamentos mensais. Trata, portanto, da complexa rede de arrecadação, distribuição e lavagem de dinheiro sujo montada por Marcos Valério. Zampronha teve, inclusive, o trabalho de relatar como esse esquema a envolver financiamento ilegal de campanha e lobbies privados começou em 1999, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, e terminou em 2005, na administração Lula, após ser denunciado pelo deputado Roberto Jefferson, do PTB. Ao longo do texto, fica clara a percepção do delegado de que nunca houve “mensalão” (o pagamento mensal a parlamentares), mas uma estratégia mafiosa de formação de caixa 2 e que avançaria sobre o dinheiro público de forma voraz caso não tivesse sido interrompida pela eclosão do escândalo.

Na quarta-feira 6, CartaCapital teve acesso ao relatório. Para não tornar seus leitores escravos da interpretação exclusiva da reportagem que se segue, decidiu publicar na internet (www.cartacapital.com.br) a íntegra do documento. Assim, os interessados poderão tirar suas próprias conclusões. Poderão verificar, por exemplo, que o delegado ateve-se a identificar as fontes de financiamento do valerioduto. E mais: notar que Dantas é o principal alvo do inquérito.

Ao contrário do que deu a entender a revista Época, não se trata do “relatório final” sobre o mensalão. Muito menos foi encomendado pelo ministro Barbosa para esclarecer “o maior escândalo de corrupção da República”, como adjetiva a semanal. Logo na abertura do relatório, Zampronha faz questão de explicar – e o fará em diversos trechos: a investigação serviu para consolidar as informações relativas às operações financeiras e de empréstimos fajutos do “núcleo Marcos Valério”. Em seguida, trata, em 36 páginas (mais de 10% de todo o texto), das relações de Marcos Valério com Dantas e com os petistas. À página 222, anota, por exemplo: “Pelos elementos de prova reunidos no presente inquérito, contata-se que Marcos Valério atuava como interlocutor do Grupo Opportunity junto a representantes do Partido dos Trabalhadores, sendo possível concluir que os contratos (de publicidade) realmente foram firmados a título de remuneração pela intermediação de interesse junto a instâncias governamentais”.

O foco sobre Dantas não fez parte de uma estratégia pessoal do delegado. No fim do ano passado, a Procuradoria Geral da República determinou à PF a realização de diligências focadas no relacionamento do valerioduto com as empresas Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular.  As três operadoras de telefonia, controladas à época pelo Opportunity, mantinham vultosos contratos com as agências DNA e SMP&B de Marcos Valério. Zampronha solicitou todos os documentos referentes a esses pagamentos, tais como contratos, recibos, notas fiscais e comprovantes de serviços prestados. A conclusão foi de que a dupla Dantas-Valério foi incapaz de comprovar os serviços contratados.

As análises financeiras dos laudos periciais encomendados ao Instituto Nacional de Criminalística da PF revelaram que, entre 1999 e 2002, no segundo governo FHC, apenas a Telemig Celular e a Amazônia Celular pagaram às empresas de Marcos Valério, via 1.169 depósitos em dinheiro, um total de 77,3 milhões de reais. Entre 2003 e 2005, no governo Lula, esses créditos, consumados por 585 depósitos das empresas de Dantas, chegaram a 87,4 milhões de reais. Ou seja, entre 1999 e 2005, o banqueiro irrigou o esquema de corrupção montado por Marcos Valério com nada menos que 164 milhões de reais. O cálculo pode estar muito abaixo do que realmente pode ter sido transferido, pois se baseia no que os federais conseguiram rastrear.

Segundo o relatório, existem triangulações financeiras típicas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro. Em uma delas, realizada em 30 de julho de 2004, a Telemig Celular pagou 870 mil reais à SMP&B, depósito que se somou a outro, de 2,5 milhões de reais, feito pela Brasil Telecom. O total de 3,4 milhões de reais serviu de suporte para transferências feitas em favor da empresa Athenas Trading, no valor de 1,9 milhão de reais, e para a By Brasil Trading, de 976,8 mil reais, ambas utilizadas pelo esquema de Marcos Valério para mandar dinheiro ao exterior por meio de operações de câmbio irregulares, de modo a inviabilizar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos. Em consequência, Zampronha repassou ao Ministério Público Federal a função de investigar se houve efetiva prestação de serviços por parte das agências de Marcos Valério às empresas controladas pelo Opportunity.

A principal pista da participação de Dantas na irrigação do valerioduto surgiu, porém, a partir de uma auditoria interna da Brasil Telecom, realizada em 2006. Ali demonstrou-se que, às vésperas da instalação da CPMI dos Correios, em 2005, na esteira do escândalo do “mensalão” e no momento em que a permanência do Opportunity no comando da telefônica estava sob ameaça, a DNA e a SMP&B celebraram com a BrT contratos de 50 milhões de reais. Dessa forma, as duas empresas de Marcos Valério puderam, sozinhas, abocanhar 40% da verba publicitária da Brasil Telecom. Isso sem que a área de marketing da operadora tivesse sido  consultada.

Ao delegado, Dantas afirmou que, a partir de 2000, ainda no governo FHC, passou a “sofrer pressões” da italiana Telecom Italia, sócia da BrT. Em 2003, já no governo Lula, o banqueiro afirma ter sido procurado pelo então ministro-chefe da Casa Civil, o ex-deputado José Dirceu, com quem teria se reunido em Brasília.

Na conversa com Dirceu, afirma Dantas, o ministro teria se mostrado interessado em resolver os problemas societários da BrT e encerrar o litígio do Opportunity com os fundos de pensão de empresas estatais. O Palácio do Planalto teria escalado o então presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb, para cuidar do assunto. Casseb viria a ser um dos alvos da arapongagem da Kroll a pedido do Opportunity. O caso, que envolveu a espionagem de integrantes do governo FHC e da administração Lula, baseou a Operação Chacal da PF em 2004.

Dantas afirmou ter se recusado a “negociar” com o PT. Após a recusam acrescenta, as pressões aumentaram e ele teria começado a ser perseguido pelo governo. Mas o banqueiro não foi capaz de provar nenhuma das acusações, embora seja claro que petistas se aproveitaram da guerra comercial na telefonia para extrair dinheiro do orelhudo. Só não sabiam com quem se metiam. Ou sabiam?

O fundador do Opportunity também repetiu a versão de que um de seus sócios, Carlos Rodemburg, havia sido procurado pelo então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, acompanhado de Marcos Valério, para ser informado de um déficit de 50 milhões de reais nas contas do partido. Teria sido uma forma velada de pedido de propina, segundo Dantas, nunca consolidado. O próprio banqueiro, contudo, admitiu que Delúbio não insinuou dar nada em troca da eventual contribuição solicitada. Negou, também, que tenha mantido qualquer relação pessoal ou comercial com Marcos Valério, o que, à luz das provas recolhidas por Zampronha, soam como deboche. “O depoimento de Daniel Dantas está repleto de respostas evasivas e esquecimentos de datas e detalhes dos fatos”, informou no despacho ao ministro Barbosa.

Chamou a atenção do delegado o fato de os contratos da BrT com as agências de Marcos Valério terem somado os exatos 50 milhões de reais que teriam sido citados por Delúbio no encontro com Rodemburg. Para Zampronha, a soma dos contratos, assim como outras diligências realizadas pelo novo inquérito, “indicam claramente” que, por algum motivo, o Grupo Opportunity decidiu efetuar os repasses supostamente solicitados por Delúbio, com a intermediação das agências de Marcos Valério, como forma de dissimular os pagamentos.

Os contratos da DNA e da SMP&B com a Brasil Telecom, segundo Zampronha, obedecem a uma sofisticada técnica de lavagem de dinheiro, usada em todo o esquema de Marcos Valério, conhecida como commingling (mescla, em inglês). Consiste em misturar operações ilícitas com atividades comerciais legais, de modo a permitir que outras empresas privadas possam se valer dos mesmos mecanismos de simulação e superfaturamento de contratos de publicidade para encobrir dinheiro sujo. No caso da BrT, cada um dos contratos, no valor de 25 milhões de reais, exigia contratação de terceiros para serem executados. Além disso, havia a previsão de pagamento fixo de 187,5 mil reais mensais às duas agências do Valerioduto, referente à prestação de serviços de “mídia e produção”.

Surpreendentemente, e contra todas as evidências, Dantas disse nunca ter participado da administração da BrT. Por essa razão, não teria condições de prestar qualquer informação sobre os contratos firmados pela então presidente da empresa, Carla Cicco, indicada por ele, com as agências de Marcos Valério. De volta a Itália desde 2005, Carla Cicco informou à PF não ter tido qualquer participação ou influência na contratação das agências, apesar de admitir ter assinado os contratos. Disse ter se encontrado com Marcos Valério uma única vez, numa reunião de trabalho com representantes da DNA.

O protagonismo de Dantas no valerioduto e o desmembramento da rede de negócios montada por Marcos Valério, desde 1999, nos governos do PSDB e do PT são elementos que, no relatório da PF, desmontam, por si só, a tese do pagamento de propinas mensais a parlamentares. Ou seja, a tese do “mensalão”, na qual se baseou a denúncia da PGR encaminhada ao Supremo, não encontra respaldo na investigação de Zampronha, a ponto de sequer ser considerada como ponto de análise.

O foco do delegado é outro crime, gravíssimo e comum ao sistema político brasileiro, de financiamento partidário baseado em arrecadação ilícita, montagem de caixa 2 e, passadas as eleições, divisão ilegal de restos de campanha a aliados e correligionários. Por essa razão, ele encomendou os novos laudos detalhados ao INC.

Uma das primeiras conclusões dos laudos de exame contábil foi que Marcos Valério usava a DNA Propaganda para desviar recursos do Fundo de Incentivo Visanet, empresa com participação acionária do Banco do Brasil, e distribui-los aos participantes do esquema do PT e de partidos aliados. O fundo foi criado em 2001 com o objetivo de financiar ações de marketing para incentivar o uso de cartões da bandeira Visa. O Visanet foi, inicialmente, constituído com recursos da Companhia Brasileira de Meios e Pagamentos (CBMP), nome oficial da empresa privada Visanet, e distribuído em cotas proporcionais de um total de 492 milhões de reais a 26 acionistas. Além do BB participam o Bradesco, Itaú, HSBC, Santander, Rural, e até mesmo o Panamericano, vendido recentemente por Silvio Santos ao banqueiro André Esteves. “Para operar tais desvios, Marcos Valério aproveita-se da confusão existente entre a verba oriunda do Fundo de Incentivo Visanet e aquela relacionada ao orçamento de publicidade próprio do Banco do Brasil”, anotou o policial.

O BB repassava mais de 30% do volume distribuído pelo fundo, cerca de 147,6 milhões de reais, valor correspondente à participação da instituição no capital da Visanet. Desse total, apenas a DNA Propaganda recebeu 60,5% do dinheiro, cerca de 90 milhões de reais, entre 2001 e 2005, divididos por dois anos no governo FHC, e por dois anos e meio, no governo Lula. Daí a constatação de que, de fato, por meio da Visanet, o valerioduto foi irrigado com dinheiro público. O que nunca se falou, contudo, é que essa sangria não se deu somente durante o governo petista, embora tenha sido nele o período de maior fartura da atividade criminosa. Quando eram os tucanos a coordenar o fundo, Marcos Valério meteu a mão em ao menos 17,2 milhões de reais.

De acordo com o relatório da PF, Marcos Valério tinha consciência de que agências de publicidade e propaganda representavam um mecanismo eficaz para desviar dinheiro público, por conta do caráter subjetivo dos serviços demandados. Mas havia um detalhe mais importante, como percebeu Zampronha. Com as agências, Valério passou a lidar com a compra de espaços publicitários em diversos veículos de comunicação. “Esta relação econômica estreitava o vínculo do empresário com tais veículos e poderia facilitar o direcionamento de coberturas jornalísticas”.

As Organizações Globo, proprietária da revista Época, sonegou a seus leitores, por exemplo, ter sido a maior beneficiária de uma das principais empresas do valerioduto. À página 68 do relatório, e em outras tantas, a TV Globo é citada explicitamente. Escreve o delegado: “A nota emitida pela empresa de comunicação destaca-se por sua natureza fiscal de adiantamento, “publicidade futura”, isto é, a nota por si só não traz qualquer prestação de serviço, como também não há elementos que vincule os valores adiantados ao fundo de incentivo Visanet”. Zampronha se referia a contratos firmados em 2003 no valor de 720 mil reais e 2,88 milhões de reais. Entre 2004 e 2005, a TV Globo receberia outros pagamentos da DNA, no valor total de 1,2 milhão de reais, lançados na planilha de controle do Fundo Visanet.

Mesmo tratado com simpatia na reportagem da Época, o Opportunity não perdoou. No item 17 de uma longa nota oficial em resposta, o banco atira: “Na Telemig, segundo informações prestadas à CPI do Mensalão, a maioria dos recursos eram repassados às Organizações Globo. Por isso, a apuração desses fatos fica fácil de ser feita pela Época.”

Segundo Zampronha, o objetivo do valerioduto era criar empresas de fachada para auxiliar na movimentação de dinheiro sujo e manter os interessados longe dos órgãos oficiais de fiscalização e controle. O leque de agremiações políticas para as quais Marcos Valério “prestava serviços” era tão grande que não restou dúvida ao delegado: “Estamos diante de um profissional sem qualquer viés partidário”. Isso não minimiza o fato de o PT, além de qualquer outra legenda, ter se lambuzado no esquema. Não fosse a denúncia de Jefferson, o valerioduto teria se inscrutado de forma absoluta no Estado brasileiro e se transformado em uma torneira permanemente aberta por onde jorraria dinheiro público para os cofres petistas.

CartaCapital não espera, como de costume, que esta reportagem tenha repercussões na mídia nativa. À exceção da desbotada tese do mensalão, que serve à disputa político-partidária na qual os meios de comunicação atuam como protagonistas, não há nenhum interesse em elucidar os fatos. O que, se assim for, provará que a sociedade afluente navega tranquilamente sobre o velho mar de lama.

Clicando aqui, você encontra os links para a íntegra do relatório da PF.

O discurso de Aécio

A grande mídia deu amplíssima cobertura — elogiosa, registre-se — ao discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), ontem, numa sessão que durou quase cinco horas. O neto de Tancredo Neves marcou posição como líder da oposição.

No plenário do Senado, o ex-governador tucano de SP, José Serra, duas vezes derrotado pelo PT, tentou disputar as atenções com o colega mineiro, mas acabou relegado ao lugar de coadjuvante.

Como disse Paulo Henrique Amorim, Aécio “fez um discurso de neoliberal diet“. Ao contrário do que cantou o PIG, o ex-governador mineiro não apresentou nenhuma proposta para um novo projeto de país. Trocou o “choque de gestão” pelo “choque de realidade”, inventou a roda ao dizer que a função da oposição “é se opor”, como não pensei nisso antes?, e, como era previsível, atacou o PT, Lula e Dilma.

O discurso representou, na prática, o lançamento da candidatura de Aécio Neves à sucessão presidencial de 2014. Alguém duvida que a imprensa conservadora já escolheu seu candidato?

Rosalba esconde Serra, mas o blog revela

A candidata do DEM ao Governo do Estado, Rosalba Ciarlini, tem feito o possível para esconder o apoio dela ao candidato do PSDB ao Planalto, José Serra. Em entrevistas à imprensa potiguar, a senadora se referiu ao tucano como “meu candidato”, sem dizer o nome dele. Mas o ‘Embolando’ resolveu deixar claro quem é o candidato de Rosalba: o homem bom José Serra, essa figura simpática que aparece ao lado dela na foto acima.

Twitter vira divã para tucanos e democratas

Na Terra Magazine, Cláudio Leal resume a tragicomédia protagonizada pelos tucanos e democratas, tendo como pano de fundo o impasse sobre a escolha do vice do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

A ópera mambembe que provocou uma crise inédita no “casamento” entre PSDB e DEM teve a contribuição decisiva de um malandro bufão: o presidente nacional do PTB e deputado federal cassado Roberto Jefferson.

Ao anunciar pelo Twitter que o vice de José Serra seria o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Jefferson ajugou a jogar a candidatura tucana numa crise de dimensões ainda imprevisíveis.

Numa narrativa leve, Cláudio Leal conta passo a passo como o microblog virou divã para tucanos e democratas discutirem a relação — com direito a intervenções poéticas de Roberto Jefferson a vociferar, talvez fazendo as vezes de “id personificado” dos tucanos, contra os democratas: “O DEM é uma merda!!!”.

Leia aqui o retrospecto da troca de afagos entre os próceres do PSDB e do DEM no Twitter.

Agora vai: PSDB convoca FHC para resolver impasse com o DEM

Deu na Folha.com:

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi chamado nesta terça-feira para participar da reunião com o comando do DEM, que discute uma solução para o impasse em torno do nome do vice na chapa do tucano José Serra ao Planalto.

O DEM ficou insatisfeito com o papel de coadjuvante que lhe foi imposto, já que PSDB escolheu um vice tucano, o senador Álvaro Dias (PR), em detrimento de um democrata. FHC participará do encontro acompanhado do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e do candidato ao Senado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

Como FHC estava em viagem ao exterior, ele ainda está se interando da situação para a reunião, que ocorre na véspera da convenção nacional do DEM. O ex-presidente acredita numa solução para o impasse, embora ainda não tenha uma engenharia para o caso.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, FHC confidenciou a um interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de Serra vencer a eleição presidencial.

Roberto Jefferson dispara: “O DEM é uma merda”

A coisa está fedendo mais que o previsto. O PSDB anunciou que o vice de José Serra será o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O primeiro a dar a informação, pelo Twitter, foi o deputado federal cassado Roberto Jefferson (PTB), para quem Serra é a “síntese” do homem bom.

O episódio gerou um reboliço danado, levou o DEM a ameaçar romper a aliança com o PSDB e provocou a reação de outros aliados dos tucanos.

Em resposta à choradeira dos democratas, Jefferson usou novamente o Twitter para atacar o partido: “O DEM é uma merda!!!”, escreveu o performático petebista.

Não satisfeito, Jefferson ainda tripudiou da legenda, dizendo que, se as carpideiras do DEM insistirem, os petebistas disputarão a indicação do tesoureiro do partido, Benito Gama, para a vice de José Serra.

Enquanto isso, Lula e Dilma Rousseff assistem de camarote as trapalhadas da oposição.

DEM ameaça romper com PSDB

O DEM, preterido pelo PSDB na escolha do vice de José Serra, ameaça romper a aliança nacional com os tucanos. A informação é do jornalista Fernando Rodrigues do UOL, segundo quem o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) vai defender a cisão no próximo dia 30, na convenção da legenda em Brasília.

Os democratas estão irritados com a escolha do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para ser o companheiro de chapa de José Serra na disputa presidencial. Os líderes do DEM reafirmaram, pela imprensa, que o partido só abre mão da indicação em favor do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB).

“O poder do Serra de desorganizar as coisas é fora do comum. O Álvaro Dias não acrescenta nada e desagrega muito”, declarou Caiado, acrescentando que “se não tiver um freio de arrumação esse PSDB jamais vai respeitar o Democratas”.

Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, ressurgiu das cinzas para reforçar as ameaças de Ronaldo Caiado e dizer que o partido só aceita a chapa puro-sangue se for com Aécio Neves.

“Recebemos bem a chapa puro-sangue com Aécio Neves. Se não, para manter uma relação harmoniosa com o DEM na campanha, defendemos que Serra escolha um democrata para a vice”, declarou à Folha.com.

Roberto Jefferson anuncia: vice de Serra será Álvaro Dias

No post anterior, comentei a identificação entre o deputado federal cassado e presidente nacional do PTB Roberto Jefferson e o candidato do PSDB a presidente José Serra.

Jefferson, o bufão, disse que Serra, o homem bom, “é a síntese dos valores que cremos”. Os dois estão tão íntimos, como gêmeos xifófagos, que o homem bom delegou ao bufão a responsabilidade de anunciar o aguardado vice do tucano.

Pelo Twitter, Jefferson revelou que o PSDB vai para a disputa com chapa “puro-sangue”: “”Falei agora com o [senador] Sergio Guerra [presidente nacional do PSDB]. O vice será o [senador] Álvaro Dias”, escreveu.

Resta saber como o DEM vai reagir à escolha, porque os líderes democratas vinham sustentando que a legenda não abriria mão da indicação. A relação entre tucanos e demos, abalada desde o estouro do mensalão do Arruda, tende a ficar ainda mais instável.

A herança do governo Serra

Manchete da Folha de São Paulo deste sábado: “Homicídios crescem 23% em São Paulo“.

De acordo com a matéria, “foram mortas 376 pessoas nesse período –mais de quatro por dia. Foram 1.224 homicídios em todo o Estado –alta de 7%.

José Serra, pré-candidato do PSDB ao Planalto, governou São Paulo até 31 de março deste ano. Quando esteve em Natal duas semanas atrás, o tucano disse que o governo federal precisava “se jogar na segurança pública”.

No início desta semana, o ex-governador disse que, eleito presidente, criaria o Ministério da Segurança.

José Serra só esqueceu de explicar por que não deu um jeito na violência em São Paulo.

O “Dia D” de Serra

Serra sagrou-se candidato do PSDB. No mesmo dia, Dilma encontrou-se com sindicalistas.

José Serra, enfim, deixou a exitação para trás e assumiu a candidatura à Presidência da República. Esta é a segunda tentativa do tucano. A primeira foi em 2002, quando perdeu as eleições para o agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Neste ano, o espectro de Lula promete continuar assustando Serra. Pela primeira vez desde a redemocratização do país, Lula não será candidato, mas deverá participar ativamente da eleição. O presidente quer transformar a própria sucessão num plebiscito entre o seu governo e o governo do ex-presidente FHC, o guru do tucanato. Lula não medirá esforços para fazer da sua escolhida, a ex-ministra Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o Brasil.

Mas, voltemos a José Serra. O ex-governador de São Paulo vai mesmo comandar a tropa da oposição em 2010. No discurso que fez durante o lançamento da candidatura, ontem pela manhã em Brasília, Serra lançou o bordão que vai usar na campanha ( “O Brasil pode mais” ), repetiu velhos clichês da direita e tentou transmitir a imagem de grande conciliador nacional.

“O Brasil pode mais” parece ser a saída encontrada pelos marqueteiros tucanos para solucionar o problema da falta de discurso da oposição. É uma nova embalagem para um velho clichê: “continuar o que está dando certo, mas mudar o que está dando errado”.

O Chapeleiro Maluco da “Veja”, num tom meio envergonhado, inventou até uma justificativa para do PSDB: “o tucano reconhece e incorpora os avanços havidos no governo Lula — que ele inclui numa trajetória de conquistas dos últimos 25 anos — e diz ser preciso ir além”. Perceberam que agora, com a proximidade da eleição, eles admitem que houve “avanços no governo Lula”?!

O que Serra precisa dizer, sem embromação, é como ele vai fazer o país “ir além”. Ele vai repetir a política de juros estratosféricos, arrocho salarial, elevação de impostos, cortes em programas sociais, ausência de crédito, desemprego e privatizações do governo FHC?!

“O Brasil pode mais” nada mais é que uma tentativa dissimulada se livrar da carapuça anti-Lula, que a oposição vestiu durante esses mais de sete anos de governo petista. Invocado assim, como num passe de mágica, a frase pretende vender um conceito inovador, quando não passa do mais puro prosaicismo.

Serra pregou que o país poderia crescer mais se resolvesse os gargalos na infraestrutura. No discurso fica bonito, mas antes de prometer mais crescimento, o tucano deveria dizer, para acabar com qualquer dúvida, se vai mesmo acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como disse o senador José Guerra (CE), presidente nacional do PSDB, em entrevista à “Veja”.

O tucano fez menção aos programas sociais do governo Lula, com destaque para o “Bolsa Família”, dizendo que é tudo herança do governo FHC. É um discurso confuso, porque a oposição sempre criticou esses programas, classificando-os como “eleitoreiros”. Agora, reivindicam a paternidade das ações e prometem mantê-las. Então, vão continuar com os mesmo programas “eleitoreiros”?

Em outro momento, Serra invocou o tema da justiça, pregou o cumprimento da lei e protestou contra a impunidade. O discurso da moralidade, da ética e da justiça, definitivamente, não cai bem a nenhum tucano. Uma folheada rápida nas páginas da história recente do governo FHC e dos governos estaduais tucanos causaria constrangimentos à turma de plumagem colorida. Serra sabe disso, mas insiste na mesma bravata, apostando na memória curta da população.

Finalmente, Serra quis se mostrar como conciliador, como líder capaz de unificar a nação dividida pelo sectarismo lulo-petista. “Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão“, anunciou, em tom profético.

Pode haver discurso mais direitista? Nada mais conservador que tentar esconder a luta de classes, o abismo social que nos separa, a injustiça que fazer de uns mais cidadãos que outros. Cito Miguel do Rosário: “O PSDB está ao lado dos ricos, mas como não pode afirmar isso, então diz que não tem lado, que estará ao lado de todos. Não é assim, Serra. Os ricos não precisam de apoio governamental. Quem precisa são os pobres. Isso demarca quem está ao lado da maioria do povo brasileiro, que é ainda muito pobre, e quem não está“.

A resposta

O presidente Lula e a ex-ministra Dilma Rousseff não deixaram os tucanos sem resposta. Num evento paralelo ao lançamento da candidatura de Serra, Lula ironizou o slogan do PSDB: “Eles querem e nós fazemos. Essa é a diferença substancial”.

O presidente prosseguiu: “Dilma não será a candidata da defesa de teses abstratas, será a candidata de auto-afirmação. Se eles dizem o Brasil pode mais, nós fazemos mais”.

Em relação ao ataque do PSDB à suposta divisão regional e em classes incentivada pelo governo e pelo PT, Lula reagiu assim: “Não queremos é deixar a divisão que eles deixaram entre ricos e pobres”.

Dilma seguiu no mesmo tom usado pelo presidente: “Esse país pode mais porque nós fizemos com que ele pudesse mais”. A ex-ministra lembrou que esses que agora dizem que o país pode “ir além”, quando estiveram no governo fizeram exatamente o contrário. Na Era FHC, o país andou para trás. Dilma os batizou como “viúvas da estagnação” e “exterminadores do emprego e do futuro”.

No discurso que proferiu durante o evento promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), berço político de Lula e do PT, Dilma demarcou a diferença entre os projetos petista e tucano: a defesa dos mais pobres, a defesa do patrimônio nacional e o respeito aos movimentos sociais.

Destaco dois pontos do discurso de Dilma. O primeiro trata daquilo que deve ser a prioridade do governo: “O Estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro“.

O segundo é uma provocação direta ao “conciliador” José Serra, o governador que manda a polícia bater em professores grevistas: “A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos. Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos“.

A baldeação de Marina Silva

Quando a senadora Marina Silva (AC) deixou o PT para ingressar no PV, petistas denunciaram a manobra: a candidatura à Presidência da República da ex-companheira serviria de escada para José Serra, uma vez que os verdes são aliadíssimos do tucano que governa o Estado de São Paulo.

O PV sempre negou que Marina se submeteria a esse papel, afirmando que a candidatura da senadora era para valer.

Quando Marina escolheu Eduardo Jorge – nomeado secretário de Meio Ambiente de São Paulo pelo então prefeito José Serra (PSDB) e mantido no cargo pelo sucessor Gilberto Kassab (DEM) – para coordenar sua campanha presidencial as especulações aumentaram.

Ontem (13), o deputado federal Fernando Gabeira (RJ) – com o respaldo de Marina Silva – disse que aceita se candidatar ao Governo do Rio de Janeiro por uma aliança PV-PSDB, escancarando de vez que os verdes estarão mais cedo ou mais tarde com José Serra na disputa presidencial.

Transcrevo a seguir a análise da Carta Maior sobre a “baldeação de Marina Silva”:

“Ergue-se no Rio a ponte para a baldeação de Marina Silva rumo à coalizão demotucana; na 4º feira, 13, Serra discutiu os acertos diretamente com o demo César Maia e o verde Gabeira. A travessia de Marina envolve duas etapas: 1º) uma dobradinha PV/PSDB na disputa estadual com Gabeira na cabeça, em troca de uma embaixada em Paris, caso Serra vença as eleições; 2º) num eventual segundo turno da disputa presidencial, a coalizão demotucana seria pincelada de verde, com o apoio explícito de Gabeira e Marina ao tucano paulista”.

(Carta Maior e os rumos de quem deixou o PT pela coerência ética; 14-01)

Marina escolhe ex-secretário de José Serra para coordenação da campanha presidencial

Eduardo Jorge – nomeado secretário de Meio Ambiente de São Paulo pelo então prefeito José Serra (PSDB) e mantido no cargo pelo sucessor Gilberto Kassab (DEM) – vai coordenar a campanha presidencial da senadora Marina Silva (PV-AC).

Para quem não sabe, Eduardo Jorge é um dos fundadores do PT. Deixou o Partido dos Trabalhadores para se filiar ao PV em 2003. A assessoria do secretário confirmou o convite para fazer parte da coordenação da campanha de Marina Silva.

O Portal Vermelho destaca que a escolha de Eduardo Jorge “reforça as especulações de que a candidatura de Marina se tornará uma espécie de linha auxiliar da candidatura tucana à presidência”.

O PV, como era previsível, nega que Marina vá servir de escada para Serra (com perdão do trocadilho), bem como descarta a possibilidade da senadora ser a vice na chapa do PSDB.

Mas o fato é que Eduardo Jorge, mesmo sem se dizer serrista, é homem de confiança do governador tucano e integra o secretariado da administração do DEM em SP. Então, sua escolha para coordenar a campanha de Marina Silva levanta suspeitas perfeitamente críveis, mas, ao mesmo tempo, não nos autoriza a fazer afirmações categóricas.

O jeito é esperar pra ver o que acontece.

Juca Kfouri: O Brasil é um Fla-Flu

Do Blog do Juca Kfouri:

 

Nada mais no Brasil parece ser avaliado sem a busca de segundos interesses.

Difícil dizer se as pessoas em geral julgam as demais pelo que elas são ou se, de fato, não há mais clima nem para uma informação.

Bem apurada e desinteressada, aqui mais uma vez reiterada, vinda de alguém que de política não entende e nem quer entender nada, apenas estava numa festa descolada.

Ah, mas se prejudica A é coisa de S.

Ou do PT.

Brilhantes, sagazes, Maquiavel teria inveja de analistas tão sofisticados.

Mas o cara vive criticando o PT, virou um fracassomaníaco (termo de FHC para criticar os petistas, mas recentemente adotado por alguns deles), ficou contra até o Rio-2016, argumenta outro.

Então é coisa de S mesmo.

E, aí, por mais que o cara tenha revelado que votou no Lula contra o Serra e anulado o voto, já desanimado, quando o páreo ficou entre Lula e Alckmin, é preciso achar um rótulo.

Então, fica engraçado.

Os que se julgam de esquerda passam a, taticamente (Lênin?), defender Aécios.

E a direita chic defende mesmo, no clube dos cafajestes tuiteiros, por exemplo, porque amigo é pra essas coisas.

Uma certa esquerda recente que apareceu na imprensa, diga-se, que calou durante a ditadura brasileira, mas que hoje, de má consciência e sem correr riscos, se faz de corajosa.

Já a elite branca, o termo é do insuspeito Cláudio Lembo, não entende por que o Brasil tem um inculto na presidência, a Bolívia tem um índio, a Venezuela um caudilho, o Paraguai um padre pedófilo, o Uruguai está em vias de ter um ex-guerrilheiro Tupamaro e por aí afora, tudo gente incapaz de se comportar bem numa festa chic, que gospe no chão e palita os dentes.

Não entende que foi ela quem, depois de mais de 500 anos de dominação e exploração, não conseguiu mais manter tampado o que queria explodir.

E explodiu.

Agora, aguenta.

Corre, blinda, vira gueto, se horroriza e mente, desqualifica, tenta sobreviver com seus privilégios nas Daslus da vida e suas lavagens de dinheiro, porque é isso, dinheiro é o critério do sucesso, seja como for.

Perfumados, engomados, mas cada vez mais amedrontados, embora chegados a um brilho aqui ou ali porque ninguém é de ferro.

E, ora bolas, desde quando uma bolacha na moça descontrolada é notícia, né não?

Notícia legal é a plantada, na praia, porque o amor é lindo e tudo perdoa, me bate que eu gamo.

E me engana que eu gosto.

Minas está onde sempre esteve e nada a moverá.

O Brasil nem tanto, se move, ao menos, o que não é pouco, incluindo excluídos que, segundo FHC, jamais poderiam sê-lo, infelizmente haveriam de morrer à míngua.

Mas, que diacho, não é que os que acabaram de chegar se deram conta que o cheiro de um Dior é muito mais agradável que o da graxa.

Engraxemo-nos, todos, pois, com Dior, é claro.

E, aí, quem, decepcionado, critica, denuncia, fiscaliza, é derrotista, moralista, até paulista, se a crítica for ao mau momento do Fluminense.

Seria tudo muito divertido, não fosse medíocre.

E pusilânime, dos dois lados.

Que, por sinal, se merecem.

 

O medo de Agripino

Li nos jornalões do PIG que o DEM está exigindo a vaga de vice na chapa presidencial do PSDB. Um dos nomes cotados é o do senador potiguar José Agripino.

Mas Jajá declarou que, se chamado, vai declinar do convite, alegando que sua prioridade é a reeleição ao Senado.

Na verdade, Jajá tem medo de embarcar numa canoa furada, porque sabe que José Serra, provável candidato tucano, tem pouquíssimas chances de vencer a ministra Dilma Rousseff (PT), candidata do presidente Lula à sucessão.

É só uma questão de tempo pra candidatura da petista crescer — mesmo com o jogo pesado da mídia tucana contra a ministra. Uma pesquisa que o próprio DEM encomendou revelou que a situação do tucano não é nada boa. Dilma supera ou empata com Serra em quatro estados: Distrito Federal, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Agripino não tem coragem de entrar numa partida tão disputada e correr o risco de ficar sem nada. Em 2006, Jajá tentou ser vice de Alckmin, mas o PSDB o boicotou.

Naquela ocasião, o senador não teria nada a perder, porque mesmo com uma provável derrota nacional, ainda teria quatro anos pela frente no Senado.

Agora, o a brincadeira é mais difícil.

 

Dilma está muito bem em quatro estados: DF, RS, BA e RS

Do Blog do Nassif:

Os impasses da oposição

Por Marco Antônio

A informação de Dora Kramer, ontem, em sua coluna, sobre a pesquisa encomendada pelo DEM no Distrito Federal e na Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais é fundamental para que possamos estabelecer um debate em torno da agenda política imediata.

Segundo a pesquisa, levada ao conhecimento do PSDB para que Serra assumisse sua candidatura ou abrisse espaço para Aécio, teve os seguintes resultados ( números não divulgados), em texto transcrito literalmente da colunista

Há quatro amostras: Distrito Federal, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Na capital, Ciro Gomes aparece em primeiro lugar, Dilma Rousseff em segundo e José Serra em terceiro. Em Salvador, Dilma empata com Serra e abre vantagem na região metropolitana. No Rio Grande do Sul, a candidata do presidente Lula também aparece na frente e, em Minas, diz o DEM, o quadro é de ‘aperto’.

Confrontado com os dados, o PSDB só contesta este último.”

Isso demonstra, em primeiro lugar, a total falta de conexão com a realidade das pesquisas divulgadas por IBOPE e DataFolha. O que não é novidade, mas agora é confirmada por uma fonte suspeita: o encomendante. Por isso, a preocupação com a ” campanha antecipada” de Dilma, a exposição maior da Ministra está realmente dando resultados.

Em segundo lugar, demonstra que Aécio realmente está bem abaixo de Serra nas intenções. Ou o DEM não estaria pedindo a Serra que se decidisse logo e dando a preferência a ele. Na verdade, o DEM já viu que só resta antecipar a agenda eleitoral. E não pretende apostar outras fichas em ” cavalos paraguaios”. Aécio tem um piso de votos baixíssimo. Não há nenhuma garantia nem indicação fática de que poderia subir nas pesquisas. Pelo contrário, a tese de sua invencibilidade em Minas é totalmente contestada pelo praticamente empate de Dilma com o candidato do PSDB no Estado. E evidentemente foram feitos cenários alternando os nomes peessedebistas e até uma chapa puro-sangue, já que o interesse principal era descobrir a chance de Dilma e a de qual dos dois tucanos era maior, para tentar a composição de chapa.

Além disso, a tese do ” confronto”, que Serra protagonizaria com sua candidatura, e Aécio não, não se sustenta. Na campanha, Aécio não conseguirá se desvincular da herança de FHC, principalmente se tiver aliados como o próprio, Arthur Virgílio, Agripino Maia, ACM Jr, Alckmin e companhia. Sem falar do próprio Serra, o qual, aparecendo na campanha, o que é inevitável, já gerará a vinculação com o passado tucano.

Em política, nada é definitivo. Mas no momento, é impossível dizer que Dilma não vislumbra céus tranquilos. Enquanto o PSDB encontra-se diante de uma Esfinge que ameaça devorá-lo, caso não decifre o enigma. Ou se decifrá-lo errado, este sim, o dilema.

 

 

Baixa na base demo-tucana: Justiça cassa 13 vereadores em São Paulo

O juiz Aloisio Sérgio Rezende Silveira, titular da 1ª Zona Eleitoral, cassou e tornou inelegíveis os mandatos de 13 vereadores e um suplente da Câmara Municipal de São Paulo acusados de receber doações ilegais da AIB (Associação Imobiliária Brasileira) nas eleições de 2008. Dos cassados, seis são do PSDB e quatro são do DEM. Os outros três são do PV, PP e PTB.  As cassações representam um quarto dos 55 vereadores paulistanos.

Os 13 parlamentares receberam R$ 1,655 milhão da AIB, apontada como braço do Secovi (sindicato do setor imobiliário) pelo Ministério Público de SP. Por lei, os sindicatos são proibidos de fazer doações a candidatos, mas o setor imobiliário vinha usando a Secovi para burlar a legislação eleitoral, ocultando os nomes dos verdadeiros doadores.

 De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, a AIB doou R$ 4,43 milhões para 44 candidatos a vereador de São Paulo no ano passado (R$ 2,94 milhões foram para 26 candidatos vitoriosos). O detalhe é que a Lei Eleitoral (9.504/97) limita a doação das entidades a 2% de sua receita no ano anterior. Isso significa que a AIB deveria ter arrecadado no mínimo R$ 325 milhões em 2007, coniderando-se os valores doados em 2008. Segundo o MP, a entidade não mostrou ter essa capacidade financeira.

Os cassados ainda poderão entrar com recurso no TRE/SP.

 

Enquanto isso, em Natal…

Os vereadores da capital potiguar envolvidos na Operação Impacto, acusados de receber dinheiro do setor imobiliário para aprovar alterações no Plano Diretor de Natal, continuam impunes. Dos 14 parlamentares denunciados pelo Ministério Público, sete foram reeleitos.

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