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A lenta morte do DEM

O outrora poderoso DEM, cujas raízes remetem à ARENA (Aliança Renovadora Nacional), sustentáculo da ditadura militar, vive seu pior momento político desde a eleição de Lula em 2002, quando o partido começou a minguar e perder importância no cenário político brasileiro.

A anunciada saída do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deverá transformar o ex-FPL e ex-PDS numa legenda periférica. Kassab confirmou que criará outro partido para, mais tarde, fazer sua fusão com o PSB. Pretende levar senadores, deputados, vereadores e prefeitos para a nova agremiação política.

O DEM começou a perder espaço ainda durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando os tucanos ganharam a preferência da parcela mais conservadora dos eleitores. Com o fim da Era FHC, os liberais entraram em queda livre.

Nas últimas eleições, a legenda diminuiu ainda mais na Câmara e no Senado. A bancada ficou reduzida a 46 deputados federais (eram 65 em 2006) e 5 senadores (eram 14 até o fim de 2010).

Mas o partido poderá ficar ainda menor. É que a senadora Kátia Abreu (TO), líder da bancada ruralista, declarou que a oposição “está na UTI”, revelou que se sente “desconfortável” e admitiu que deverá ingressar em outro partido.

Além dela, o partido poderá perder ainda a governadora do RN, Rosalba Ciarlini. Na imprensa potiguar, comenta-se que a democrata pensa em migrar para uma legenda da base aliada da presidenta Dilma Rousseff (PT). Caso tenha êxito a estratégia do prefeito de São Paulo de criar um novo partido e posteriormente incorporá-lo ao PSB, driblando as regras contra a infidelidade partidária, Rosalba estaria disposta a acompanhar Gilberto Kassab. Assim, num futuro próximo, assumiria o comando do PSB no RN.

Conservadorismo

Como observou Maria Inês Nassif, repórter especial de Política do Valor Econômico, a imagem do DEM sempre esteve ligada ao conservadorismo. A legenda mudou de nome, inventou um novo slogan — “O partido das novas ideias” — e renovou sua liderança, mas continuou identificado à ideologia arcaica, ao coronelismo regional e às oligaquias estaduais, que se projetaram nacionalmente com a ajuda do regime militar.

Apesar das pirotecnias retóricas e publicitárias, o partido, na verdade, nunca deu nenhum passo para romper com sua velha estrutura apoiada na eternização de lideranças desgastadas ou de seus herdeiros, como os deputados federais Rodrigo Maia (RJ) e ACM Neto (BA). Prova disso é a eleição do senador José Agripino (RN), prevista para ocorrer em março, para a presidência da legenda.

O senador potiguar é um símbolo da tradição coronelística e oligárquica que dominou o país durante décadas, com notada predominância na região Nordeste. O começo da trajetória de Agripino não deixa dúvidas quanto a isso: prefeito biônico de Natal, nomeado pelo primo e então governador Lavoisier Maia, ingressou na política pela porta da ditadura.

Antes dele, seu pai, Tarcísio Maia, havia sido nomeado governador do RN pelo general Golobery do Couto e Silva durante o governo Geisel. Com a ascenção petista ao poder em 2003, Agripino notabilizou-se ao liderar o partido em sua ‘cruzada ética’ durante a oposição ao governo Lula.

O monopólio do discurso moral era a estratégia para tentar sobreviver junto à opinião pública. O plano caiu por terra quando a Polícia Federal prendeu José Roberto Arruda, único governador eleito pela legenda em 2006, acusado de comandar um esquema de pagamento de propina no Distrito Federal. O episódio ficou conhecido como o mensalão do DEM.

Resta esperar para ver se o partido vai continuar minguando até desaparecer ou se encontrará um caminho que evite a iminente extinção.

 

PSDB pode dar Oscar ao Brasil

Essa vem direto d’O Cão Chupando Manga:

 

SALVE GERALDO

Para quem não se lembra, no dia 12 de maio de 2006, a organização criminosa Primeiro Comando da Capital deflagrou uma onda de ataques terroristas contra delegacias, bases da polícia e policiais e bombeiros. Essa história é retratada no filme que representará o Brasil na escolha dos indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro [Salve Geral, do diretor Sérgio Resende].

Um justo reconhecimento aqueles que, em 16 anos de governo em São Paulo, permitiram que o PCC nascesse, crescesse e se organizasse. É o PSDB contribuindo com o cinema e com a cultura brasileira. Sem eles, essa história jamais seria possível.

É assim que o DEM governa: Kassab vai tirar comida da boca das criancinhas

Dando prosseguimento à política de cortes nos “gastos” municipais, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) mandou cortar uma refeição servida às crianças matriculadas nas creches do município. O mesmo Kassab já havia reduzido em 20% a verba da limpeza pública da capital, o que contribuiu para as enchentes da semana passada que transformaram São Paulo num caos.

Desta vez, a navalha social de Kassab limou 20% do gasto mensal médio da prefeitura com alimentação nas creches – passando de R$ 2,85 milhões para R$ 2,28 milhões.

As informações são da Folha Online.

O PIG e as enchentes em São Paulo

Enchente SP

A cidade de São Paulo viveu um dia de caos, ontem (8), provocado pela forte chuva que causou enchentes, desabamentos e mortes. O governador tucano José Serra e o prefeito Gilberto Kassab do DEM se esconderam o quanto puderam e o PIG faz de conta que a dupla não tem nenhuma responsabilidade sobre a situação.

José Serra, o amigo dos pobres, gastou milhões de reais na ampliação da marginal do Tietê – obra apontada por especialistas como responsável pela perda de área permeável e pelo transbordamento do rio.

No mês passado, Gilberto Kassab cortou em 20% o orçamento da limpeza pública da cidade. O resultado veio agora com os bueiros estourados espalhando lixo que o prefeito queria esconder.

Apesar disso, a imprensa não quis importunar o governador nem o prefeito. José Serra culpou a natureza pelas enchentes. “É culpa da natureza que se rebela. Temos que rezar para que isso não se repita”, decretou o governador.

O PIG não perguntou ao governador sobre a obra da marginal do Tietê nem questionou o prefeito sobre o corte no orçamento da limpeza. Para o PIG, Serra e Kassab são inocentes.

Azenha mostrou que, na cobertura do PIG, as enchentes de São Paulo não têm dono. Mas antes, quando Erundina e Marta eram prefeitas pelo PT, as enchentes tinham dono.

“Os indignados nas gestões petistas nem se lembraram de questionar o dono de jornais José Serra e o “padrinho maroto dos ambulantes da Mooca e da Lapa”, Gilberto Kassab”, escreveu Mauro Carrara no Vi o Mundo.

Clique aqui e entenda como o PIG funciona.

Serra, o cara-de-pau

Li a notícia ontem (3), mas não tive tempo de comentar. O governador tucano de São Paulo, José Serra, se superou ao se declarar “amigo dos pobres” durante o anúncio, na quarta-feira (2), da redução da taxa de juros do Banco do Povo Paulista.

Não vou dizer que o governo do Estado é rico, porque não há dinheiro sobrando, mas somos amigos dos pobres. Esse crédito do povo é uma forma de amizade“, discursou Serra.

Após criticar o governo Lula, o tucano ainda deu a receita para resolver o problema dos pobres: “O problema de pobre não é ser pobre, mas só ter amigos pobres.”

Como diz Paulo Henrique Amorim, Serra é um gênio.

Esse José Serra, o amigo dos pobres, é o mesmo que mandou instalar as “rampas anti-mendigos” na Avenida Paulista quando era prefeito de São Paulo?

É ser muito cara-de-pau.

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